Me Traga à Vida

10 Boa o Bastante


"Sob seu feitiço novamente

Eu não consigo dizer não para você

Deseja meu coração

E ele sangra nas suas mãos

Eu não consigo dizer não para você

Não deveria ter te deixado me torturar tão docemente

Agora, eu não consigo acordar desse sonho

Eu não consigo respirar, mas me sinto boa o bastante

Me sinto boa o bastante para você"

(Evanescence Good Enough)

A Sentinela

A Sentinela não queria sentir aquelas emoções humanas. E, no fundo, a verdadeira Bonnie Bennett também não queria sentir aqueles sentimentos tão profundos por alguém como Damon Salvatore — o vampiro egoísta, sarcástico, arrogante, inconsequente, rabugento, idiota, persistente, sádico, vingativo, igualmente sedutor e de olhos azuis tão bonitos que pareciam penetrar a sua alma.

Logo, uma batida na porta a distrai de seus pensamentos conturbados. Ela hesita, porém se levanta e vai abrir a porta dando de cara com a recepcionista que havia trazido roupas e comida, exatamente, como o vampiro ordenou. E falando nele... Damon surgiu de supetão na porta, assustando as duas mulheres. Ele usava apenas uma toalha enrolada na cintura, enquanto gotículas de água escorriam do seu cabelo preto para o seu peito forte e pálido.

— Obrigado, querida. — Ele pisca sedutoramente para a mulher ruiva, enquanto joga a sacola com roupas em cima de Bonnie, que fica irritada com o jeito grosseiro do vampiro.

Ao invés de brigar com o vampiro, a Sentinela se refugiou no banheiro, o único lugar onde podia ficar um pouco longe da presença invasiva e prepotente dele. Vasculhando a sacola, ela encontra um par de lingerie branca, um vestido verde oliva curto e um par de botas pretas sem salto. Rapidamente, se veste e depois se entretém se olhando no espelho. A correntinha de prata com o pingente de esmeralda, ainda está lá adornando o seu pescoço e, ao mesmo tempo, fazendo-a lembrar que a joia está enfeitiçada e por isso não pode se livrar dela.


"Esse é o meu presente especial, Bon-Bon. Você não pode se livrar dele. Assim como nunca vai poder se livrar de mim." A correntinha era também um presente que a bruxa havia ganhado há muito tempo de Damon. E era por isso também que não conseguia lutar contra o vampiro.


— Bruxa, por que você tinha que criar um vinculo tão profundo com aquele maldito vampiro?! — Ela está brigando com o próprio reflexo da Bonnie, desesperada para se livrar desses sentimentos humanos, que tanto estavam a enfraquecendo.


***/ /***


Você precisa comer.


Mas, eu não quero.

Se você não comer por livre e espontânea vontade, eu juro... — Damon já estava determinado a enfiar comida na goela dela. E foda-se as regras.

Eu já disse que não estou com fome! — Ela esbraveja, faz birra como uma criança mimada, porém para refutar a sua própria afirmação, seu próprio estômago reclama.

Hora de você experimentar a minha panqueca de vampiro. — O vampiro abre um sorriso que faz a Bonnie Malvada se remexer na cama irritada, sobretudo, porque ele vem se sentar ao seu lado.

Eu não... — Ela é interrompida quando um pedaço de panqueca com mirtilo e chantily é colocado na sua boca, forçando-a a mastigar.

Então, o que você acha? Eu fiz com muito carinho. — Ela ignora as provocações dele e, de repente, se vê atacando a badeja de comida, pois a fome estava a dominando. — Ei, vai com calma! — Damon não sabia se ria da situação (porque a Bonnie Malvada parecia quase um animal faminto), ou se ficava preocupado.

Eu quero mais! — O jeito que a Sentinela falou soava mais como uma ordem.

Eu até posso te dar mais se você for uma boa menina. — O vampiro murmura, sedutoramente, enquanto se aproxima dela e se atreve a passar sua boca sobre o canto da boca dela, retirando o resto de chantily. Instintivamente, seus verdes escuros se fecham e, inesperadamente, ela acaba cedendo a investida descarada de Damon. E eles acabam se beijando.

O cheiro de Bourbon e couro vai se impregnando em sua pele, enquanto ela se vê outra vez nos braços dele, sentindo o sabor do beijo dele, sentindo como o seu próprio corpo reagia a cada toque dele. Até que aqueles olhos azuis, subitamente, se tornam pretos obscuros e aquela face bonita e perfeita se transforma numa expressão demoníaca. Só então ela se lembra que, aquele homem que está lhe beijando, é um maldito vampiro que a Sentinela precisa matar...

No minuto seguinte, Ela abre os olhos e desperta com o seu coração acelerado. Aquele cheiro de couro e Bourbon ainda pairava no ar.

"Será que aquilo foi real, ou foi apenas um pesadelo? Ou será que aquele vampiro estava manipulando outra vez a sua mente?" Logo, percebe que não está sozinha na cama. Damon estava deitado ao seu lado e havia passado horas vigiando o seu sono.

— O que foi que você fez? — A Bonnie Malvada se senta, abruptamente, e o encara com um olhar crítico.

— Eu juro que nem te toquei dessa vez. — Ele dá de ombros também se sentando. Há uma aura pesada irradiando dele, assim como um cheiro de sangue.

— Eu sei que você... você bebeu sangue humano. Sinto cheiro em você! — Ela salta sobre ele e começa a ataca-lo.

— Bruxa, para com isso! — O vampiro rosna e, rapidamente, a derruba na cama, invertendo as suas posições. A Bonnie Malvada ainda está se debatendo, forçando-o a segurar os pulsos dela de cada lado da cabeça. Eles se encaram, desafiadoramente, olhos verdes escuros faiscando em fúria, contra olhos azuis brilhando numa mistura de raiva e luxúria.

— Por que você cheira a sangue humano? — Dessa vez, é uma pergunta.

— Acho que voltei aos meus velhos hábitos. — Ele admiti com uma tranquilidade que a enoja. — Posso ter bebido um pouquinho de sangue da recepcionista. Mas, não se preocupe... Ela tá viva.

— Você é um monstro! —Ela continua a se debater, querendo se livrar dos braços dele.

— A culpa é toda sua. Eu tentei me comportar, mas você continua me provocando. Você continua me rejeitando, Bonnie. — Aqueles olhos azuis sombrios, de repente se suavizam, há sinceridade em suas palavras. — Você também está me machucando, Bon-Bon. — Nessa hora o coração de Bonnie palpita nervoso e cheio de saudade. Ela está encurralada pelo corpo seminu do vampiro, que faz seu próprio corpo se derreter a cada pequeno toque dele.

Por um momento, a Sentinela resolve ceder a esses sentimentos humanos e deixar que a Bonnie verdadeira assuma o controle.



Damon

— Você também está me machucando, Bon-Bon. — Eu estou desesperado e cansado de brigar. Eu também não gosto de vê-la me olhar como se tivesse com nojo de mim. — Eu sinto tanto a sua falta, bruxinha. — Suplico, encarando aqueles verdes escuros que agora não parecem frios como os da Sentinela. Agora aqueles olhos se parecem mais como os da minha Bonnie: acalorados e refletindo desejo, o mesmo desejo que está me queimando por dentro.

Por um minuto, ficamos se encarando em silêncio, meu corpo ainda está sobre o corpo dela e nossos rostos estão a centímetros de se tocarem. Então, seus olhos recaem sobre minha boca e, surpreendentemente, é ela quem inicia o beijo. Não é um beijo gentil, é mais violento, faminto, sinto sua língua invadir a minha boca, eu não reclamo, acho isso extremamente sexy e delicioso.

Enquanto devoramos a boca um do outro, resolvo soltar seus pulsos para deslizar a minha mão por debaixo do vestido verde curto que ela usava, até chegar na fina calcinha. Instintivamente, toco em sua pele sensível e ouço sua voz gemer o meu nome. Nesse exato instante, Bonnie toca em meu peito nu, me fazendo pensar que vai me rejeitar outra vez, mas ao invés disso, a bruxinha me abraça, enrola suas pernas em minha cintura, move seu corpo pequeno e sensual contra o meu e me deixa quase louco.

Eu sou ingênuo em acreditar que a mulher em meus braços, é a verdadeira Bonnie. Estou prestes a arrancar aquele vestido dela, apreciar o seu corpo nu contra meu e se entregar, completamente, aos prazeres carnais. Todavia, minha última lembrança daquele momento cheio de paixão, é dos seus olhos verdes escuros me olhando com tanta intensidade. E, então, o momento se desfaz como num estalar de dedos, porque a Bonnie Malvada, traiçoeiramente, consegue quebrar o meu pescoço.

— Damon, o que aconteceu com você? — Quando eu acordo me deparo com o meu irmão, me olhando preocupado. — Onde está a Bonnie? — Imediatamente, pulo da cama e corro procura-la no banheiro, porém ela não está em nenhum lugar.

— Não, não, não... — Estou em desespero. — Ela não tinha como fugir.

— Damon, aqui. Ela conseguiu se livrar da correntinha. — Stefan me entrega a correntinha de prata que deveria estar no pescoço dela. Isso significa que o feitiço dos hereges havia perdido o efeito, por isso ela conseguiu fugir.

— Se a Entidade voltou a ter controle total sobre o corpo da Bonnie, por que ela não me matou? — Sinto o gosto amargo da traição.

— Talvez, porque ela precise da espada e da Pedra da Fênix. Ou...

— Ou o quê?! — Eu me visto furioso, querendo esganar alguém. Estou a ponto de destruir o quarto.

— Porque a Bonnie... A Nossa Bonnie, ainda está lá. No fundo, ela não quer te machucar, Damon. — Stefan tenta me acalmar, mas isso só serve para me irritar mais.

— Ela já me machucou, Stefan! E da pior forma possível. — Admiti, fuzilando meu irmão com os olhos. — E você também tem uma parcela de culpa nisso. — Agarrei o colarinho da blusa dele. — Sabe o que ela me disse?

— Damon, por favor, não vamos brigar! — Ele me olha parecendo exausto.

— Ela disse que a Bonnie é como a Katherine... porque aquela bruxa... Ela também preferia você.

— A Bonnie não tem nada a ver com Katherine! — Ele grita indignado. — Bonnie é a pessoa mais leal, corajosa e altruista que já conheci. E você sabe bem disso. — Stefan me empurra e continua me repreendendo. — Ela é nossa amiga... Ela é a sua melhor amiga, Damon! Que lutou, incansavelmente, pra te tirar da Pedra da Fênix. Ela teve esperança por nós dois. — Aquilo atingiu tão forte o meu coração. — Sabe, aquela esperança inabalável que só ela tem?

— Ela roubou o meu casaco de couro. — Rosno, ainda agindo como um Damon rancoroso. — E o meu celular.

— A recepcionista me disse que a Bonnie deixou um recado para o Damon... — Somos interrompidos por Elena que está com uma expressão pálida, parecendo meio doente. — Ela estará te esperando em Mystic Falls.

Nós saímos da pousada, aproveitando que já havia anoitecido e, portanto, podíamos pegar de novo a estrada. Porém, o meu Camaro, não estava mais lá.

— Ah não, aquela maldita bruxa, também roubou o meu Camaro! — Posso ouvir Stefan rindo da minha cara.


***/ /***


— Cadê o resto da gangue? — Pergunto sentado no banco de trás, enquanto Stefan continua a dirigir seu Porsche.

— Caroline, Abby e Ric foram levados de refém para Mystic Falls. — É Elena quem responde. — Eles queriam a Sentinela de volta, em troca deixarão os três livres.

— E vocês acreditam nisso?

— Óbvio que não. Mesmo assim, precisamos voltar para Mystic Falls.

— Qual é plano? — Questiono ainda me sentindo frustrado pela Bruxa ter me enganado.

— Bom, falei com a Freya.

— A tal bruxa irmã do Klaus?

— Sim. Freya é a única Bruxa que está disposta a nos ajudar.

— Faz sentido. Ela é a única Bruxa que tem irmãos vampiros originais. — Ironizo, ao mesmo tempo em que penso em Bonnie, a nossa própria bruxinha que, por muitas vezes, era a nossa salvação.

— Ela encontrou um ritual que pode mandar de volta a Sentinela para dentro da Pedra da Fênix. — Stefan ficou hesitante. — Só que tem um... problema...

— Que problema, Stefan? — Sempre tem que haver alguma complicação para estragar os nossos planos.

— Esse ritual de exorcismo, não vai mandar só a Sentinela para dentro da Pedra da Fênix... Mas, também vai mandar de volta, todas as almas dos vampiros que escaparam dela...

—Então, estamos ferrados, irmão. — Eu já estava desesperado só de imaginar que, para salvar a Bonnie, no final, teremos que ser mandados de volta para dentro daquele inferno.