Me Rendo a Coroa
18 Capítulo 18 - Especial 'Ethan'.
Notas iniciais
Estava ouvindo vozes que ecoavam nos meus ouvidos como zumbidos de abelhas. Estavam gritando meu nome, ouvia soluços, choros, pessoas caídas, mas eu não conseguia fazer nada. Eu não me mexi... Até um feixe de luz clarear minha visão.
Eu estava numa sala, iluminada por uma persiana pequena em cima da parede. Senti enormes dores dos pulsos, e só fui perceber que estava preso, não... Acorrentado, quando tentei andar, e minhas pernas travaram. Estavam presas também.
A sala estava praticamente vazia, mexi a cabeça de um lado para o outro até ver outra pessoa, na minha frente... O vestido turquesa...
– Rachel... – tentei sussurrar pra ela, ela estava assim como eu, acorrentada, de cabeça baixa, ela não conseguia falar.
– Senhor... – ela falou quase como um gemido, seu rosto estava um pouco machucado.
– Vai ficar tudo... – minha voz falhou.
Foi o que eu tinha dito para a Sanye “vai ficar tudo bem.” Mas não ficou, nosso casamento foi arruinado por eles, fui sequestrado junto com a mãe dela. Sabe-se lá o que iria acontecer conosco daqui em diante...
Sanye... Quanta falta eu sentia dela. Eu não fazia ideia de onde estávamos não sabia se sairia dali vivo...
Tentei me mexer de novo, mas parei ao ouvir a porta de metal se abrindo.
– Ora, ora, já esta consciente príncipe? – era o homem que eu havia visto no aeroporto... O que matou um pai de família na nossa frente.
– Argh! – resmunguei e virei o rosto, ele se aproximou de mim e apertou um pequeno volume na parede, eu cai com os joelhos e o rosto do chão.
– Espero mais educação sua... – ele foi até a Rachel e fez a mesma coisa, porém ela nem mexeu e caiu sem dó nem piedade.
– Olha o que você fez com ela... – eu estava sem forçar nem pra falar, mas me arrastei até ela e a pus no colo.
– Ela é inútil pra nós. Só vai servir para que a sua princesinha venha até a nós.
Ele deu as costas e quando virou estava com dois pratos cheios de alguma coisa, que se aquilo era comida preferia passar fome. Ele colocou aquela coisa pegajosa na nossa frente.
– Comam, fiquem fortes, depois eu aparecerei aqui de novo. – ele bateu a porta e apenas um silêncio ficou no ar...
Olhei para ela, que começava a abrir os olhos devagar, ela sorriu a me ver, mas devagar de novo foi fechando os olhos.
– Ei, senhorita. Não desmaie ainda. – sorri pra ela e peguei um pouco daquela coisa no prato – Come um pouco.
Ajustei-a sentada encostada na parede, levantei sua cabeça e dei um pouco daquilo a ela.
– Que... Coisa horrível... – ela resmungou cuspindo a “comida”.
– Mas é o que temos.
– Faz ideia de onde a gente está?
– Infelizmente não... Mas, isso é algum cativeiro dos rebeldes, e eles não vão nos deixar ir nem tão cedo.
– Como deve estar minha filha... – ela abaixou a cabeça e afastou o prato.
– Eu também estou preocupado Rachel... Mas agora somos só nós...
Tive a impressão de que o que eu falei não a agradou muito, lágrimas desceram pelo seu rosto, eu a abracei.
– Ao menos veja pelo lado bom, ela sabe que você é a mãe dela. Eu já estou casado, mas sem uma festa... – ela riu.
– Tenho a sensação de que isso aqui vai durar muito e...
A porta de metal se abriu novamente, mas dessa vez não foi o homem robusto e ignorante, foi uma criança... Era um garoto.
– Com licença majestades... – ele puxou o prato e foi saindo.
– Ahn... Garoto...
– Sim?
– Qual seu nome? – perguntei.
– Me chamo Derek... – ele tinha um olhar de medo, como se nós fôssemos agir contra ele.
– O que você faz aqui? – a Rachel perguntou.
– Eu... Eu... – ele não respondeu, apenas correu e fechou a porta. E foi o tempo de um homem entrar.
Ele usava umas roupas esfarrapadas e rasgadas. Uma bota surrada e tinha um tapa olho. Ele mancava na perna esquerda. Se a hora não fosse de tanto terror diria que aquilo parecia um pirata de desenhos animados.
– Levantem-se. – ele falou, uma voz grossa e hostil.
Ajudei a Rachel a se levantar se apoiando em mim. Seguimos o homem e quando saímos da sala, mais dois rebeldes foram atrás de nós, para garantir que não íamos fugir talvez, ah claro. Eu estava com dores na perna, a Rachel mal ficava em pé. Excelente.
Andamos alguns corredores escuros, iluminados apenas por algumas tochas, o chão estava cheio de pequenas pedras. As paredes tinham desenhos estranhos... Mas tudo mudou quando entramos num quarto.
Atrás de uma mesa estava um senhor, fazendo algumas anotações, mas parou quando nós entramos e sorriu.
– Deem lugar para que se sentem Mason. – o pirata puxou duas cadeiras e as colocou em frente ao senhor. Sentamos-nos.
– O que quer? – falei.
– O que eu quero? Acho que a verdadeira pergunta seria... “O que vocês querem?” – Sabe príncipe Ethan, desde aquele nosso acordo sobre... Deixá-los livre de nós, não deu tão certo... Nunca achamos que você se casaria com a herdeira de Jordine.
– Eu não tenho culpa se foi forjado.
– Não tem? – ele gargalhou – Seus pais sabiam do acordo não? E os pais dela... Acho que também... – ele encarou a Rachel, droga, droga, droga, ele sabia e percebeu meu olhar – Sim, ela é a mãe da menina, por isso veio com você. Temos uma rixa imensa com Jordine não é mesmo?
Eu ia me opor, mas ele me fez calar.
– Não diga nada. Depois que o bisavô da princesa fez questão de nos intimidar, ah... Foram bons tempos de guerra.
– O falecido Rei Guillermo não faria isso... – a Rachel falou.
– Seu Falecido Rei Guillermo fez mais que isso, ele traiu nossa confiança, eles fez uma aliança conosco para depois nos encurralar, e nos prender, sem direitos o que somos mesmo? Rebeldes imbecis que querem dinheiro? Não... Somos apenas cidadãos que querem um lugar.
– Se o lugar de vocês é apenas saquear, porque nós já demos a vocês uma chance, e você falharam. – falei e o senhor bateu na mesa.
– Seu insolente, vocês nos enganaram. – o seu tom de voz aumentou.
– Não fomos tão burros... Já vocês...
– Ethan, não...
– BASTA! Chamei-os aqui para que escrevessem uma carta para a Sanye e todo aquele reino, falem o que estão passando até agora, falem qualquer coisa, e no final iremos pedir um resgate. Escolham bem as palavras... E se eu perceber qualquer coisinha suspeita...
Ele saiu de trás da mesa até fora da sala.
–... Estão mortos.
O barulho a porta batendo ficou nos meus ouvidos um tempo, até eu acabar de escrever.
“... Com saudades, seu Príncipe.”
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