Me Rendo a Coroa
19 Capítulo 19
Notas iniciais
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Eu havia acordado naquela manhã com dor de cabeça, fiquei olhando para o teto lembrando-se do que havia acontecido dois dias atrás... Eu ainda não podia acreditar que eu estava sem eles. Sentei-me e pus as mãos no rosto sentindo os restos de lágrimas que eu ainda tinha, como?
Como eu havia feito esses dois dias seguidos, eu me levantava da cama correndo e ia direto ao quarto da Rachel, mas suas coisas ainda estavam do mesmo jeito, e sem ela, eu corria depois para o quarto do Ethan, mas só o que eu via era a sua cama arrumada, e cartas das pessoas em cima da cama.
Cai de joelhos no tapete e apoiei minha cabeça no lençol fofo que eu dormi um dia, não tinha mais o que chorar então apenas fiquei triste. É o que acontece quando você perde alguém não é?
– Filha... Achei que você já estivesse ciente, eles não estão aqui... – ouvi meu pai do meu lado, mas eu não queria acreditar em nenhuma das palavras dele.
– Eu... Eu sei... – gaguejei – Só quero ter algumas lembranças... Por enquanto... Até os acharmos... Se é que vamos achá-los...
Senti o abraço forte do meu pai, que me ergueu e me levou para a sala de jantar.
– Faz tempo que você não come direito, acho que deve se manter o mais forte possível.
– É eu sei.
Eu vi na mesa a rainha Anabela e o Adalard, a Ellen... Quase todos.
– Bom dia princesa, está melhor? – a Anabela me perguntou enquanto me ajudava a sentar.
– Não... Mas ainda consigo me manter de pé. – dei um sorriso do canto do rosto para ela.
– Sei como se sente, ter um filho seqüestrado não é tão...
– Confortante. – completou o Adalard.
– Mas você tem que ficar bem, as pessoas precisam de você querida. – a Ellen falou e eu ergui meu rosto, sorri para ela e fiz meu café.
Enquanto eu comia olhava pro jardim, pra além dos portões dourados. Além dos muros. Onde será que eles estavam? E por que eles e não eu? Eu sabia que tínhamos uma briga enorme com os rebeldes, mas... Era pra tanto? Ou estavam me escondendo alguma história. Uma coisa que eu odiava, era que escondessem algo de mim, eu devo saber, sou uma rainha agora... Mas sem o rei.
– NÓTICIAS! – gritaram do corredor vindo até nós.
Era o Charlie, o mensageiro, atrás dele vinha o Rupert, quase sem ar, ele puxou um envelope da mão do Charlie e fez uma reverência toda confusa.
– Eles... Eles... Deixaram essa carta... Na noite passada, para a senhorita... Sanye... – o Rupert dizia ofegante.
– Ande, me dê ela aqui. – levantei quase derrubando a cadeira e peguei a carta...
Ou melhor, as cartas.
– Têm duas aqui... Esperem...
Fui abrindo devagar o papel com medo de rasgá-lo.
– Uma é da Rachel e a outra do Ethan...
– Então leia oras. – a Ellen disse.
– Essa é a da Rachel.
“Olá senhorita, filha, espero que não tenha se esquecido de mim, nós estamos bem, só um pouco com fome e meio machucados, mas nada que possa tirar nossas vidas por enquanto. Eles são bastante rigorosos conosco. Eles nós dão medo, dizem querer direitos, os... Direitos que merecem. Bem, eu rezo para está carta chegar as suas mãos, não posso nem expressar meu medo e minhas saudades de vocês...– nesse trecho da carta havia uma mancha, o que imaginei ser lágrima dela, e me deixou pior – Logo estaremos de volta, e saiba...
Eu amo você.
De sua mãe.”
Fiquei parada com aquela carta nas mãos, depois de lê-la, comecei a chorar a pus em cima da mesa e quase não senti minhas pernas.
– Querida quer que eu leia para você? – o Adalard perguntou, mas eu neguei com a cabeça.
– Bem... Vamos a do Ethan.
“San, minha Sanye, você não imagina o quanto eu estou mal sem você. Eu... Apenas queria estar ai, eu queria estar bem, mas não estou. Digamos que estou um pouco machucado, com fome... Mas nada que vá me fazer tanto mal, eu não me importo se os rebeldes irão ler essa carta, mas eles irão nos matar se fizermos qualquer coisa suspeita. Eu não tenho ideia de onde estamos, nem como chegamos aqui, mas uma coisa que eu sei é que vocês irão nos achar. Mande minhas saudades para mamãe e papai...– olhei para eles e vi que estavam chorando – E fique com todo meu amor nessa carta.
Com saudades, seu príncipe.”
Dessa vez eu não sabia mais o que fazer... Abri mais o envelope e vi que tinha mais um papel ali dentro. Antes de os murmúrios aumentarem eu os mandei calarem a boca.
– Esperem, ainda tem mais uma coisa aqui.
“Oh, querida rainha, minhas saudações, bem, cartas comoventes essas não? Então, quero que saibam a todos que ouvem essas palavras, o resgate terá uma semana. A cada carta que receberem uma pista será dada. Se não a desvendarem, meus pêsames, também gosto muito deles... Aqui vai a pista: ‘Ao pôr-do-sol uma clarão na árvore mais alta do meu mundo... ’
De seus rebeldes favoritos.”
Minha raiva substituiu a minha tristeza, tive vontade de rasgar aquele papel, mas não iria fazer isso, peguei eles e grudei a mim.
– Nós. Isso eu incluo todos. Iremos fazer o possível e o impossível para encontrá-los. Não importa o que aconteça, nada importa mais, se não for agora não será nunca.
Falei com toda minha confiança. Sai da mesa sem reverência nenhuma e me dirigi para meu quarto. Correr de vestido já estava virando hábito pra mim.
Fechei a porta e me olhei no espelho.
Eu não estava acreditando que enquanto eles estavam sumidos eu estava ali. Chorando como uma coitada. Parecendo uma criança.
– Você é uma rainha agora.
Eu limpava meu rosto e falava comigo mesma.
– Você nunca mais vai chorar. Eles precisam de você.
Peguei uma caixa média debaixo da cama, ela estava quase vazia, eu guardava ali meu diário, escrevia todos meus momentos ali, mas parei depois da notícia de que iria me casar. Coloquei as cartas ali dentro e a guardei novamente.
– Ainda a pessoas que gostam de você. Não fique triste, se não elas ficaram também.
Dou as costas e bato a porta. Vou em direção ao escritório do meu pai.
– Temos planos pra começar.
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