Julie saiu cedo para trabalhar. Ryan ficou de babá. Estava um tanto apreensivo, nunca cuidara de um bebê. Tinha medo que ela começasse a chorar. Nem saberia se era de fome, fralda para trocar ou estivesse se sentindo mal.

Quando a campainha tocou, ele sorriu como um bobo para Anna, que estava em seu colo.

─ Acho que é a vovó ─ disse, indo abrir a porta.

Era a mãe de Julie. Ela ficaria para ajudá-lo.

Antes do almoço, Ryan foi buscar Julie de carro. Ele contou o quanto estava nervoso pela mãe dela não chegar e como havia sido a manhã deles com Anna.

Julie apenas riu.

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─ Ei, Ry.

─ Ãhn? ─ virou o rosto para ela.

Eles estavam assistindo um filme na TV.

Era noite.

─ Tenho um amigo que acho que você gostaria de conhecer. ─ Ryan apenas fitou-a com os olhos brilhando de cansaço e curiosidade. ─ Ele parece uma bonequinha de porcelana. É um docinho ─ falou Julie, empolgada.

─ Hum... ─ fez Ryan, fingindo estar pensando. ─ Eu não sei se deveria me animar. Boneca de porcelana, Julie? Eu ainda gosto de homens, se é que me entende ─ falou, divertido.

─ Tá bom. Vou descrevê-lo melhor ─ mostrou-lhe a língua. ─ Ele tem a pele branquinha e cremosa, cabelos castanhos meio claros e olhos azuis! Ah, toca bateria e tem um bumbum fofo.

Ryan fitou-a, sorrindo.

─ Aham. Algo mais que eu deva saber?

─ Ele definitivamente fala mais que você.

─ Um tagarela?

─ Não! Ele apenas... conversa. Sabe?

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─ Ry! ─ exclamou Julie.

─ Que foi?!

─ Aquele é o Spencer ─ falou apontando para alguém que olhava uma vitrine a alguns metros.

Eles estavam parados no trânsito.

Ryan inclinou a cabeça para o lado direito, então pôde vê-lo, pelo menos do pescoço para cima.

Os carros da frente andaram um pouco.

Julie observou Spencer virar-se e caminhar pela calçada.

─ Spence! ─ ela gritou.

Ryan tinha o braço na janela, a mão esquerda apoiando o rosto enquanto a outra descansava em seu colo, alguns dedos tocando o volante. Ele somente virou o rosto para olhar Julie, recebendo dela um sorriso empolgado.

Spencer passou por entre dois carros que estavam estacionados e aproximou-se, inclinando-se para a janela de Julie.

─ Tudo bem? ─ ele perguntou, dando-lhe um beijo na bochecha.

─ Tudo, e contigo?

─ Tudo okay ─ sorriu.

─ Este é meu primo Ryan ─ falou apontando o indicador para ele.

─ Ei ─ Spencer fez um aceno com a mão. ─ Ryan apenas retribuiu o aceno. ─ Oh. Anna está aí ─ disse olhando para o branco traseiro.

─ Sim, eu fiz o Ryan de refém. Esta tarde ele é todo nosso.

─ Bom, o trânsito andou. Eu vou indo ─ piscou para Julie. ─ Prazer, Ryan ─ e afastou-se.

Ryan andou um metro com o carro e parou novamente.

─ Oh, meu Deus. Ry, você não poderia ter falado menos.

─ Ah, dá um tempo.

─ Que foi? Tá com soninho? ─ brincou fazendo beicinho e segurou o queixo do primo, balançando-o levemente.

─ Pra falar a verdade, estou.

─ Ownnnnn... Prometo que te deixou dormir o resto da tarde ─ disse, sorridente. ─ Você poderia conhecer o Spencer melhor hoje à noite...

Ryan fitou-a:

─ Tu não ia sair com o tal Nick?

─ E vou! Mas você pode chamá-lo para lhe fazer companhia. Tu está precisando de uma babá. O Spencer iria adorar cuidar de ti.

─ Pensei que se importasse com a Anna... ─ brincou.

─ Duhh! Eu sei que vai cuidar bem dela. Além do mais, ela vai dormir um monte.

─ É... E eu ainda não vi esse Nick ─ olhou-a com uma sobrancelha erguida de propósito.

─ Quando ele me buscar, irá conhecê-lo. E nem pense em bancar “o papai”.

─ Eu preciso saber quem é o sujeito, o que ele faz da vida. Não posso deixar minha priminha sair com qualquer um.

─ Tenta e eu irei te envergonhar na frente do Spence ─ mostrou a língua.