John deu um pequeno pulo, porque, apesar de ter ouvido Sherlock se aproximar, nunca havia imagina que o detetive se aproximaria tanto assim, e sussurraria em seu ouvido.

– Sh-Sherlock! Você quer me matar... — tentou terminar a sentença, mas de repente o moreno passou seus fortes braços em volta de sua cintura, apertando-o, não de uma forma rude, e sim de um jeito gostoso, prazeroso até. E então a está altura John teve certeza que tinha sentimentos pelo detetive, há muito guardados e ignorados. Mas o que ele poderia fazer? Sherlock nunca foi inclinado à relações... à contato humano. Imagine contato íntimo com um homem! Era uma ideia inconcebível.

– John Hamish Watson, eu sei o que se passa em seu coração... Sei sobre suas dúvidas. Esqueceu das minhas habilidades? — disse o mais alto em seu ouvido, parecendo mais um gemido de prazer do que um sussurro. — Me magoou, doutor. Por que não confiou em quem o senhor diz ser seu melhor amigo?

O aperto de Sherlock não afrouxou nem por um segundo. Eles ficaram daquele jeito por algum tempo, até John ter certeza do que falar.

– Sherlock, me largue! Você entendeu tudo errado! Tudo! Agora me solte! — o loiro disparou essas palavras, todas contrárias a que ele realmente desejava dizer. Merda, pensou consigo mesmo, Porra, Watson, por que você sempre tem que estragar as coisas? John havia desperdiçado uma chance preciosíssima de se abrir com Sherlock, a pessoa que ele amava. Tudo por uma insegurança besta. Finalmente conseguiu se livrar do detetive, e então subiu correndo as escadas para seu quarto, deixando o moreno com uma expressão nada surpresa. É claro que ele premeditou a ação do loiro. Entrou no aposento, batendo a porta, se jogou no chão, ao lado de sua cama, e irrompeu em lágrimas.

– Quantos anos você tem mesmo, Watson? Por que agir como um adolescente? — falou consigo mesmo. — Ele estava lá,disposto, quem sabe até sentido o mesmo que eu! Eu sou um idiota! Um babaca, maldito, irresponsável... — continuou chorando e se xingando por um tempo, até as lágrimas e ofensas se esgotarem. Levantou, foi ao banheiro escovar os dentes, pegou um cobertor no caminho de volta para o quarto, e se jogou em sua cama. Sentiu os olhos ardendo, por tanto chorar. Fechou os olhos e tentou desligar o fluxo de pensamentos constante que vinha a sua mente, e caiu no sono, esquecendo-se de desligar a luz e da coberta, que acabou caindo no chão, pois o doutor tinha um sono inquieto.

Sherlock ficou todo esse tempo em pé, olhando para o caminho que John fez correndo, e chorando. Só acordou desse transe com o barulho da chaleira, onde o doutor havia deixado água fervendo quando ele fez sua investida.

– Maldição! — esbravejou — Eu deveria ter ido com mais calma! Isso é que dá não ter experiência nesse tipo de enigma...

Dirigiu-se para o pequeno sofá da sala de estar do flat, que estava muito bagunçada, com todas suas anotações e arquivos. Sentou-se, e começou a pensar em seus sentimentos. Estava claríssimo para o detetive que ele sentia algo por John. Algo além de atração física. Apesar de não entender nada sobre amor, tinha certeza de o que sentia era parecido com isso. Já havia percebido há algum tempo, mas tinha esperado tanto para dar sua investida, fracassada por sinal, apenas para analisar John.

Parou de pensar nisso por um momento, e virou a cabeça para a escada que dava para o quarto de John, e viu que a luz continuava acesa, apesar do silêncio tomar conta do lugar. O que John estaria fazendo? Será que estava bem?

Depois que essas questões vieram à cabeça de Sherlock, o detetive decidiu dar uma olhada em John. Subiu as escadas lentamente, sem fazer barulho, caso o doutor estivesse dormindo. E ele estava. Sherlock parou na porta e ficou admirando a face calma do loiro, a aura de paz que emanava do lugar. Nem parecia que aquela situação desconfortável tinha acontecido. Haviam manchas escuras no travesseiro. Manchas de lágrimas, detectou Sherlock. Uma coberta azul estava no chão, provavelmente John iria usá-la, mas no desespero de encontrar apenas o nada, ele adormeceu sem ter tempo de esticar a coberta sobre si.

O detetive tomou conta disso. Colocou a coberta sobre John, e virou-se para sair do quarto, dando apenas uma última olhada em John. Caminhando para a porta decidiu que não queria realmente ir. Fez novamente o caminho até a cama do loiro, e sentou-se no chão, ao lado. Ficou observando o peito de John subir e descer, conforme respirava. Olhava para todo o seu corpo, parando principalmente nos cabelos, lisos, cor de areia. Passava à pele do rosto, bronzeada, parecendo de textura macia, apesar dos quarenta anos que o doutor carregava nas costas. Descendo um pouco o olhar, viu a cicatriz profunda que ele tinha nas costas, uma de muitas que conseguiu no Afeganistão.

– E então... — John suspirou, com a voz mole de quem acaba de acordar. Ele não tinha dormido muito, e nem conseguiria dormir mais. Sherlock nem tinha percebido que o doutor havia aberto os olhos e o encarava, pelo tanto que estava concentrado na cicatriz.

– E então... — Sherlock repetiu as falas do colega, tentando imaginar o que John estaria pensando no momento. — Me desculpe pela minha tentativa afobada de... Você sabe... Desculpe. Como está?

– Hum... Ér... Não há o que desculpar. Eu que agi como um adolescente. Não deveria...

– Eu não deveria ter sido tão apressado! Não se culpe. — o detetive interrompeu, não aguentando ver o loiro se culpar por sua atitude impensada.

– Espere, Sherlock, espere... Não foi apressado. Só me tomou de surpresa. Há tempos que eu queria isso. Só ainda não sabia que queria, entende... Não conseguia me acostumar com essa ideia... E também eu duvidava que você iria querer pelo menos me ouvir... Pensei que iria me ex... — John parou, ouvindo seu colega rir.

– Pensou o quê? Que eu iria te expulsar? Oh não, meu caro Watson! Como iria viver sem você? Eu sou o único culpado. Deveria me abrir mais. Você nunca poderia imaginar que eu nutria sentimentos por você, ou qualquer outra pessoa, com essa personalidade que tenho. Me ouça agora. Olhe para mim enquanto falo, olhe! Quando te abracei hoje... tudo se confirmou. Tudo foi explicado. No começo pensei que era apenas uma atração física. Apenas um desejo sexual. Mas não. Eu descobri um novo tipo de sentimento. De necessidade. Eu preciso de você... eu...- o detetive cuspiu isso, rapidamente, e então parou, de repente, olhando para os olhos desesperados do amigo.

– Você... você me ama, Sherlock? — perguntou o loiro, encarando o outro, esperando avidamente por uma resposta.

– Ah, meu querido Watson! — exclamou o detetive, saindo de seu transe. Ele não respondeu de imediato. Apenas se aproximou do doutor, chegando cada vez mais perto de sua boca, e selou-lhe os lábios.

Notas finais
Oi galere jfsdf Como vão? Maior capítulo até agora, pode-se dizer que hoje estou inspirada, hehe. Espero que tenham gostado!
xoxo :3