Outro dia frio começava em Londres. John acordara animado, pois encontrara uma garota, velha conhecida, dias atrás e eles tinham um novo encontro marcado. Era uma boa garota. Boa em todos os sentidos, mas isso John ainda não se atrevera dizer, para não espantar a moça. Se Sherlock não desse contado recado.

John estava meio duro. Ok, totalmente duro. Não conseguiria levar a garota em um restaurante descente, então decidiu preparar a comida, os ingredientes vindos de um empréstimo feito com Sherlock. Dada as circunstâncias, estava claro que o detetive não sairia de casa por um mero encontro de John. O loiro torcia para que tudo ocorresse bem, o que quase sempre não acontecia, pois a língua afiada e sem papas de Sherlock afastava a todos. Menos a John.

O encontro estava marcado para às 20h, e às 19h30m todo o equipamento de Sherlock, incluindo olhos humanos, estavam sobre a mesa que supostamente era para ser a mesa de jantar.

– Sherlock, por Deus! — exclamou John, nervoso — Eu pedi, implorei para que você deixasse a mesa desocupada hoje!

O detetive, como de costume, não abriu a boca, apenas continuou olhando em seu microscópio com uma atenção exagerada.

– SHERLOCK HOLMES, EM NOME DE TODOS OS CASOS, ME ESCUTE! – dessa vez John deu um berro, e o moreno fez um leve movimento com a cabeça na direção do doutor.

– Você nunca ligou para esta mesa, Watson. Por que tanto interesse agora?

John, exasperado, deu outro berro: — PORRA SHERLOCK, EU FALEI COM VOCÊ ONTEM A NOITE, E HOJE DE MANHÃ! QUAL É O SEU PROBLEMA? PARE DE PENSAR, SÓ POR UM MOMENTO, PARE DE PENSAR TANTO, E ESCUTE OS OUTROS! EU DISSE QUE PRECISAVA DESSA MALDITA MESA DE JANTAR PARA UM MALDITO ENCONTRO QUE TENHO MARCADO HOJE, VOCÊ NÃO ME VIU COZINHANDO A MALDIT... – John parou de repente e se virou. A garota que esperava estava na porta, olhando-o de cima a baixo, com um olhar impossível de ler. Merda, pensou.

– Karen? – John sussurrou, surpreso – Eu achei que tínhamos marcado às 20h, me desculpe, ainda não consegui arrumar tudo por aqui. Oh, droga. Karen. — e John parou aí, não conseguiu dizer mais nada. E não precisou. Sherlock Holmes, o único detetive consultor do planeta, entrara em ação.

– Hm, deixe me ver... Você se aprontou com pressa, mas passou algum tempo escolhendo o perfume, com medo de errar. E você errou, me desculpe. John odeia aromas muito adocicados. Posso ver que tem um gato, pequeno, pela altura dos arranhões em sua calça. Também parece ter um filho, pequeno, de um casamento infeliz. Ah, uma filha. Filha! E também posso ver que bebeu um pouco antes de vir para cá. Fumante... Hm, sim.

Quando Sherlock terminou de cuspir suas descobertas na sala, levantou-se, pegou suas anotações e foi para seu quarto, sem dizer uma única palavra. John não sabia onde enfiar a cabeça.

– M-Me desculpe, Karen. Ele é sempre assim, nunca controlando o que diz, não importa o quão impróprio seja. Me desculpe mesmo. – John achou suas desculpas muito esfarrapadas, mas eram as únicas que tinha no momento. Karen apenas assentiu. – E eu acho que teremos que comer no sofá.

John foi pegar a comida, deixando uma Karen sem palavras e assustada na porta. Ela não se mexera um centímetro sequer desde que entrou na sala. A refeição já não parecia tão atrativa. O encontro seria um fracasso, John tinha certeza. O loiro pegou os pratos, com a comida já servida, e caminhou para a derrota.

– Bem, então... hum... Como foi seu dia? – Perguntou o doutor, tentando amenizar o clima.

– Ah, ótimo... bom. O de sempre. E o seu? – Karen devolveu a pergunta, tímida.

– Bem, o de sempre.– John, imerso em pensamentos.

– Então você sempre está esperando garotas novas em seu flat? – rebateu Karen, desafiadora.

– Hm, é claro... É claro que não! Me desculpe, estava distraído, me desculpe.

A conversa continuou nesse tom monótono, com assuntos superficiais, mas John procurava sempre prestar atenção em Karen. Entediante, Sherlock diria. Depois de alguns minutos, que pareceram horas, dessa conversa maçante, o detetive apareceu de pijamas, enrolada em um robe, da cor de seus olhos, e foi direto para a geladeira, na cozinha, sem atrapalhar os dois no sofá. O doutor parou de prestar atenção em Karen e começou a olhar o moreno. Seus cachos escuros, suas formas magras, seu corpo esguio, alto. John fazia tudo isso inconscientemente. De repente ele percebeu para onde estava olhando, onde estava realmente focado, e um fluxo de novos pensamentos atingiu John. Ele sempre gostou de mulher, sem dúvidas. Peitos, cochas, bocas femininas. E aquela garota ao seu lado tinha tudo isso em ótimo estado. Mas em nenhum momento John se concentrou nela como se concentrava em Sherlock agora. Na verdade ele achou que nunca tinha se concentrado nas formas de alguém quanto agora. E então aconteceu algo, algo que só havia acontecido quando John estava em companhia íntima de mulheres. Ele ficou excitado.

Notas finais
E a e galere, mais uma de Johnlock procêis. É minha primeira fic, espero que gostem. Não sei qual vai ser a frequência de postagem ainda. E é só, por enquanto :3