Notas iniciais
Oi gente, tudo bom? Pela primeira vez estou escrevendo uma nota inicial não-automática, porque realmente, eu estou feliz com a leitura de todos vocês! Quando comecei a fic não pensei que fossem ter tantos leitores, mas realmente, vocês estão me surpreendendo, muito obrigada! Espero que gostem do capítulo, e aguardo seus comentários! Beijos!

Finalmente era sábado. O dia em que Mary ministrava suas aulas para as crianças, já que durante a semana dedicava-se à sua vida escolar. Ao toque do despertador, rolou na cama e bocejou mais uma vez, pensando se poderia cochilar por mais uns vinte minutos, até que lembrou-se que aquele não era mais um comum dia de sábado: era o dia em que iniciaria uma rotina com Daniel Harris.

Sentou na cama, esfregou os olhos e esticou os braços, bocejando pela terceira vez. Definitivamente, precisava de um banho para acordar de vez. Colocou os pés no chão e sentiu o frio invadir seu corpo, nostálgica ao lembrar de quando aceitou a proposta do Diretor Simon na manhã anterior.

O ar condicionado da secretaria roubava a temperatura quente do seu corpo da mesma forma que foi roubada ao tocar o chão. O Diretor estava sentado na sua poltrona, folheando uma revista que ela não sabia do que exatamente se tratava, até que ele a colocasse sobre a mesa e Mary pudesse ver a face de Justin Bieber estampada na capa. Arqueou uma sobrancelha, não sabia se achava aquilo estranho ou engraçado.

Era só o que faltava. — Pensou, rindo.

O Diretor notou sua reação, e logo consertou-se na cadeira.

– Tirei isto de uma estudante durante a aula. — Disse, apontando para a revista.

– A entrevista é boa? — Mary perguntou, arrependendo-se logo depois de ter feito uma piada com seu Diretor, que ficou sério após a brincadeira.

– Então, Monroe, já tem uma resposta? — Ele apoiou os cotovelos sobre sua escrivaninha.

– Sim, eu resolvi aceitar. — Sentou-se na cadeira de frente para o Diretor. — Os pais dele já propuseram o valor das aulas?

– Não — Ele respondeu. — Eles estão dispostos a negociar diretamente com você, Mary. A escola não pode se envolver nesses acordos. Meu papel aqui foi só para lhe passar a proposta.

– Certo. — Claro, Mary havia esquecido que o interesse do Diretor em tudo isso estava só no retorno que a entrada de Daniel na universidade lhe traria.

A água quente fervia em sua pele, fechava os olhos e aproveitava aquela ducha. No fundo, não sabia ao certo porque estava tão animada e ansiosa por aquele dia. Era só um dia de sábado: Encontraria os alunos do ginásio, resolveria atividades, escreveria apostilas, leria paradidáticos... e veria Daniel. A empolgação que sentia ao conversar com ele, e ao sentir que ele ansiava por sua atenção a fazia pensar se todo esse ânimo não seria simplesmente pela novidade de ter alguém que se sinta agradável em sua presença, alguem que um dia, quem sabe, possa chamar de amigo.

Espalhou o sabonete líquido com perfume de rosas por todo o corpo, perguntando-se se algum dia alguém a admirara pelo seu físico. Claro, ela não é narcisista, ela reprova a atitude superficial de beleza das suas colegas, mas, acima de tudo, Mary é uma garota. E toda garota, independente de quem seja, gostaria de elogios, gostaria de se sentir bonita, de se sentir amada, admirada, desejada. Não sabe se algum dia seu corpo agradou a alguem, — nunca foi atenta pra esse tipo de coisa — mas gostaria de saber como é a sensação.

Desligou o chuveiro e enrolou-se na toalha branca com letras vermelhas bordadas em seu nome. Escovou os dentes enquanto olhava seu reflexo no espelho, mostrando sua pele altamente clara, que gerava um contraste com os fios curtos e pretos de seus cabelos, um corte reto que disfarça bem o seu corpo margro. Voltou para seu quarto e puxou a cortina rendada que separava seu pequeno closet e fitou os jeans dobrados em um dos ninchos. Após um minuto ali, em pé e imóvel, parou para pensar no que ali acontecia.

Vamos lá, Mary, você não é assim. Você nunca se importou com roupas! Porque está fazendo isso agora?

Retirou de um dos cabides um vestido azul bebê e o vestiu, descendo logo após para tomar café.

{…}

– Daniel! Anda logo, seu pai já está estressado lá em baixo!

Era a quinta vez que Norah, a empregada da família Harris, gritava pelo garoto que dormia em sua cama.

– Norah, sai daqui, me deixa em paz! — Colocou uma das almofadas por cima da cabeça, tentando bloquear os raios solares que invadiam seu quarto.

Norah puxou a almofada e o edredom com que Daniel enrolava-se, abrindo ainda mais a janela.

– Daniel, escuta aqui, se você não quer ficar sem celular, é melhor levantar! Seu pai já tomou o seu carro, então é melhor não provocar! — Disse, prendendo as cortinas.

– Que droga, ele acha mesmo que pode fazer isso? — Sentou, encostando-se na cabeceira da cama e esfregando os olhos. — Cadê ele?

– Lá em baixo tomando café. Disse que vai retirar a mesa se você não descer em vinte minutos. — Andou até a porta. — Se eu tiver que voltar vai ser com um balde de água, tá ouvindo?

– Tá, tá, eu já estou indo, relaxa. — Respondeu, balançando a mão direita sinalizando para que Norah saísse.

Pegou seu celular que estava sobre o criado mudo ao lado esquerdo da cama e olhou o horário. Eram 8:30h am, e seu pai havia dito que a aula de reforço começaria às 9:00h am.

Ainda tenho meia hora, porque tanta pressa?

Abriu o painel de notificações e viu que havia três mensagens de Jhennifer.

Será que aconteceu alguma coisa?

Abriu as mensagens uma a uma, lendo-as e estranhando porque Jhennifer estava agindo daquele jeito.

" Hoje o dia foi muito cansativo, o que você está fazendo? Meu pai vai passar a noite fora, quer vir aqui em casa?" 20:07 pm

" Dan? Você deve estar muito ocupado, fiquei esperando uma resposta até agora! Eu estou indo dormir, tá? Boa noite meu lindo! " 23:38 pm

" Bom dia, meu amor! Hoje eu tive um sonho lindo com você, me liga depois pra a gente sair hoje, pode ser? Estou com saudades, beijo" 07:54 am

A atitude inesperada de Jhennifer causou um grande estranhamento para Daniel. Sua namorada nunca precisou anunciar o que estava fazendo, ou que horas iria dormir, muito menos desejar om dia ou boa noite. Deveria responder? O que falaria? Não queria contar a ninguém além de Dylan sobre as aulas, mas sabia que se respondesse às mensagens, ela o indagaria sobre onde está. Resolveu deixar o celular em casa e responder quando retornasse.

Levantou-se e tomou um banho, vestindo, logo após, a primeira roupa que encontrara no closet. Desceu as escadas e deu de cara com seus pais na grande mesa da sala de jantar.

– Você quer se atrasar no primeiro dia? É assim que espera conseguir alguma coisa com as aulas? – Ernest Harris perguntou, com os cotovelos apoiados sobre a mesa, balançando a perna repetidamente demonstrando sua pressa. — Tem quinze minutos para chegar lá!

– Bom dia para você também, pai. Oi mãe. — Respondeu, pegando uma torrada de cima de mesa e mastigando-a. — Quer ir agora, pai?

– Estarei na garagem. Você tem um minuto. — Ernest levantou-se, pegando as chaves do carro e saindo da casa.

Daniel pegou sua mochila, colocou-a nas costas e seguiu seu pai, com duas torradas na mão direita e uma fatia de bolo na esquerda.

{…}

Até aqui ele tem de se atrasar?

Mary perguntava-se, intrigada pelo atraso de Daniel. A aula estava marcada para 9:00h am, mas o certo seria que o Sr. Harris chegasse mais cedo para acertar o valor. Eram 9:15h am, e nada.

{…}

– Olha só, já se passaram vinte minutos, isso é sua culpa! — Ernest Harris gritava enquanto dirigia.

– Calma, pai. O mundo não vai acabar por causa disso. Relaxa. — Daniel dizia enquanto mastigava a fatia de bolo que estava em suas mãos.

– Relaxa?! Preste atenção, eu estou atrasado para uma reunião urgente com empresários franceses, não vou poder acertar nada com a garota. Entregue isso aqui a ela. — Ele entregou um envelope branco lacrado para seu filho. — Se eu souber que esse envelope não chegou ao seu destino, você vai se ver comigo, está entendendo?

– Pai, eu não sou ladrão.

– Ah, não? Diga isso pra sua ficha escolar! — Parou o carro em uma rua que Daniel nunca vira, em frente a uma casa rústica beige. — Desce, estou atrasado.

– Peraí, o que eu digo a ela? — Perguntou ao abrir a porta do co-piloto.

– Se vira, Daniel, eu estou pagando por isso. E ela sabe o que fazer. Cai fora.

Daniel revirou os olhos e desceu do carro, batendo a porta logo em seguida. Definitivamente, não fazia idéia de quem morava ali. Caminhou até a entrada da casa, pensando no que falaria. "Oi, eu sou o burro do terceiro ano que precisa de reforço." ou quem sabe: "Oi, eu sou o ladrão da escola que tá sendo obrigado a estudar o que não quer." Riu com as possibilidades e tocou a campainha. Trinta segundos depois, a porta abriu-se, barulhenta com o movimento da madeira, revelando um sério rosto conhecido que escondia um sorriso. Daniel ficou de queixo caído.

– Monroe? — Olhou em volta pela vizinhança. — Eu estou no lugar certo?

Ela deu um pequeno sorriso pela confusão do garoto.

– Olá, Harris.

Notas finais
Nenhum autor continua uma história se o leitor não se manifesta. Comente!