Notas iniciais
Oi, gente! Trouxe um presente pra vocês, um capítulo bem grandinho para vocês se deliciarem. Desculpem pela demora, período de provas finalmente acaboou! Espero que gostem, aguardo seus comentários! Beijão!

Mary Monroe sentia raiva de si mesma por ter quebrado a promessa de ficar em casa no dia do baile. Ainda pensou em ignorar a ligação de sua prima que interrompia sua revisão sobre polígonos regulares, mas acabou atendendo mesmo assim.

- Alô?

Katie parecia preocupada quando finalmente foi atendida por Mary.

- Ah, Mary, finalmente! Preciso de sua ajuda, é urgente! — Falou apreensiva em meio à ligação.

- O que aconteceu? — Perguntou Mary, abandonando o lápis verde sobre sua mesa de estudos.

- A Lucy pegou um resfriado, tive que colocar a Mandy como responsável pela PlayList da banda. Agora não tenho mais ninguém para ficar na mesa de bebidas. — Katie falava rapidamente. — Por favor, diga que vai poder me ajudar!
Mary revirou os olhos, expirando profundamente.

- Katie, eu te disse que não iria. Eu ajudei no cenário ontem a tarde inteira, fui a última a sair justamente para compensar minha ausência... Além disso, não me preparei, não tenho roupa, nada.

Nervosa, Katie resmungava e implorava pela ajuda de sua prima.

- Mary, por favor. Eu prometo que vou te ajudar se precisar de mim, vem aqui em casa que eu te ajudo a se arrumar, por favor!

Mary bufou, esfregando os olhos com os dedos indicador e polegar.

- Tudo bem. Eu chego aí em quinze minutos.

Duas horas depois, ali estava ela, atrás da mesa de ponche, segurando uma concha funda e recheando os copos dos estudantes que se aproximavam. O vestido que tomara do guarda-roupa de Ana Monroe estava completamente deslumbrante em seu corpo, embora ainda se sentisse desconfortável. Em um cetim vermelho bem trabalhado, o traje a rigor desenhava e contornava todo o seu corpo e cintura até o quadril, caindo farta e levemente até os tornozelos, revelando uma alta sandália prateada. Entretanto, o mais desconfortável daquela roupa eram as costas que ficavam nuas. Seus cabelos soltos e naturalmente escorridos eram enfeitados com um adereço de strass que combinava perfeitamente com a sombra prateada em seus olhos.

Modéstia à parte, Mary confirmava a si mesma o quanto a quadra de esportes estava bonita. A decoração feita por ela e mais três pessoas no dia anterior havia ficado deslumbrante. Com uma iluminação fraca, globo de espelhos no centro do espaço refletia as pessoas que dançavam ao som de uma das músicas eletrônicas de Black Eyes Peas.

- Qual é, Mary, não fica com essa cara, você está linda! — Ouviu a voz de Katie aproximar-se, a medida que caminhava para perto da mesa.

Mary respirou fundo, depositando o peso de seu corpo nos ombros cansados.

- Estou me sentindo parte da decoração parada aqui na mesa. — Sussurrou, enchendo o copo descartável de Katie com a bebida vermelha de cereja.

Katie sorriu.

- Cadê o seu par? — Mary perguntou, depositando a concha dentro da tigela de ponche.

Com um pequeno e conformado sorriso, Katie balançou os ombros.

- Não convidei ninguém. Quer dizer, também não aceitei os convites que recebi de alguns garotos, estava esperando ser convidada por outra pessoa.

Mary franziu os lábios, sem saber ao certo o que dizer para a decepção de sua prima.

- Ah, sinto muito.

Katie tomou a bebida em um só gole, tossindo logo depois. Sorriu para Mary e afastou-se, caminhando até o palco onde a banda se preparava para tocar mais uma música. Aos poucos, o restante dos alunos apareciam, e os veteranos pareciam divertir-se com a decoração e tiravam fotos em cada canto.

- De que é o ponche? — Surpreendeu-se com a voz vagamente familiar, atraindo seu olhar.

- Cereja. — Respondeu, logo abaixando o olhar ao encontrar o de Daniel Harris.

Ele estendeu o copo descartável em sua direção, o que a fez mergulhar a concha no líquido e depositá-lo no recipiente.

- Ah, obrigada, lindo! — Mary direcionou seu olhar à cena à sua frente, onde Daniel Harris entregava o copo de ponche a Taira Smith.

A líder de torcida olhou torto para Mary Monroe, arqueando as sobrancelhas. Ela usava um vestido tubinho rosa que desenhava seu corpo até a metade das coxas, deixando as pernas completamente nuas, perfeitamente bem trabalhadas e exibidoras de seu ótimo condicionamento físico.

- Vem, vamos dançar! — Disse Taira, puxando Daniel pelo braço direto para a pista de dança e deixando o copo vazio sobre a mesa onde Mary Monroe trabalhava.

Suspirando, Mary Monroe pousou as palmas das mãos sobre a mesa azul, fechando os olhos e depositando ali o seu peso. Aquela não estava sendo uma noite muito boa, sabia que nunca teria o baile dos sonhos, mas, por mais que tenha escolhido ficar em casa, não imaginou que seria tão ruim assim. Não pensava que Daniel fosse convidar alguma garota para ser sua acompanhante, mas o mais doloroso era ver alguém tão superficial quanto Taira Smith se esfregando naquele por quem estava apaixonada à sua frente.

...

Ela era a garota mais linda que vira na vida, disso, ele tinha certeza. Dançavam no centro da pista iluminada por um grande globo de espelhos, segurava sua cintura firmemente enquanto ela pousava suas mãos sobre seus ombros. Olhar em seus olhos era uma certeza do que sentia. No início, nunca pensou sentir algo do que sente, principalmente para alguém como ela. As coisas estavam indo tão bem, que tinha medo de fechar os olhos e perdê-la para sempre. Tinha muito, muito medo do que o futuro reservaria.

Enquanto ele puxava seu corpo para diminuir a distancia em meio àquela dança lenta cantada por uma banda de alunos do segundo ano, ela sentia que seus batimentos cardíacos aos poucos diminuíam a frequência, como se aquele momento fosse parar a qualquer momento.

- Eu não quero que essa noite acabe... — Sussurrou ela, apertando-se ainda mais em seus braços.

Abraçando-a ainda mais, ele suspirou, beijando o topo de sua cabeça.

- Vamos dar um jeito. Eu prometo.

- Dylan... — Sussurrou, levantando o olhar na direção de seus olhos. — Eu amo você.

Sem conseguir conter um sorriso, ele a beijou, interrompendo imediatamente os movimentos da dança. Seguiram um ritmo lento, aproveitando cada cantinho daqueles lábios gelados que se tocavam.

- Eu também amo você. Muito.

Jhennifer sentia que seu coração iria sair pela boca a qualquer momento. Aquelas palavras saíram rapidamente, sem controle. Não conseguia acreditar que finalmente dissera que o amava, que finalmente encontrara as palavras certas para expressar seus sentimentos. As palavras certas, o momento certo. Seja lá o que aconteça dali em diante, estava feliz por finalmente ter sido sincera com o que sentia.

...

Encostada em uma das pilastras no canto da quadra de esportes, Katie Monroe sorria enquanto via as pessoas ao seu redor. Casais dançavam na pista central, grupos de amigos tiravam fotos em meio a decoração espalhada e algumas outras pessoas atacavam a mesa de guloseimas. Estava sendo um baile perfeito, mas sentia que algo estava faltando. Não entendia porque, mesmo em uma festa tão boa e sendo tão elogiada pelos admiradores do comitê, continuava se sentindo tão... só e incompleta.

Abaixou o olhar, tirando de sua pequena bolsa seu celular. Ao abrir o aplicativo de mensagens, pode ver sua conversa com Mike Wilson. Conversavam já há algumas semanas desde o seu aniversário. Mike era alguém muito divertido, a fazia rir sempre. Era incrível como alguém conseguia arrancar as suas risadas mesmo sem intenção em simples mensagens de texto. Às vezes se sentia mais como uma boba que ri de tudo.

"Mike..."

Durante a última semana, havia falado do baile como nunca. Talvez, ele deva ter se cansado ou até mesmo ficado irritado com essa festa de tanto Katie comentar sobre ela. No fundo, ela esperava que ele a convidasse ou perguntasse se ela tinha companhia. No final, acabou indo sozinha mesmo. Tudo bem, não tinha problema, a festa estava incrível mesmo.

Katie suspirou, guardando o celular na pequena bolsa de paetê dourado que combinava com o tom glamouroso de seu vestido com finas alças de strass. Ao desencostar-se da pilastra ao seu lado, sentiu mãos quentes tocarem seu rosto, leves o suficiente para não desfazerem todo o trabalho que tivera aplicando seu rímel.

- Você está linda...- A voz familiar sussurrou em seu ouvido, despertando um sorriso assim que as mãos lhe soltaram.

Katie virou-se, fitando o rapaz de cabelos cacheados em um traje à rigor que valorizava o tom castanho de seus cabelos.

- Mike? — Perguntou, sorrindo. — O que faz aqui?

Franzindo os finos lábios e escondendo um pequeno e belo sorriso, Mike retirou de seu bolso um pequeno arranjo de tulipas amarelas amarradas por um laço de fita dourado.

- São para você. Eu tive de perguntar à Jhennifer qual a cor do seu vestido para combinar com o arranjo, por isso demorei para encontrar uma fita dourada na floricultura.

- Jhennifer? — Katie perguntou, segurando as flores com as mãos. — Você falou com a Jhennifer?

Revelando seu sorriso envergonhado, Mike encaixou a mão direita em seus fios encaracolados de seus cabelos.

- Na verdade, a Jhennifer me procurou. Ela perguntou porque eu não te convidei para o baile, mas não sabia se você já tinha um par, fiquei com vergonha de perguntar. Desculpe, acho que se não fosse sua amiga, meu medo não teria ajudado em nada.

Katie desviou seu olhar para as pessoas ao seu redor, procurando Jhennifer Willis até encontrá-la no centro da pista, dançando abraçada com Dylan Patterson. Katie sorriu para sua amiga, sussurrando um "Obrigada" que foi respondido por uma piscadela. Não podia acreditar que sua amiga havia armado tudo aquilo por suas costas.

- Você quer dançar? — Perguntou Mike, apontando para a pista.

Sorrindo, Katie acenou positivamente com a cabeça.

- Não acredito que você está aqui. — Sussurrou Katie em meio a música, enquanto Mike a encaixava perfeitamente em seus braços.

Mike sorriu, abaixando seu olhar.

- Desculpa se não fui direto antes. A verdade é que eu gostei de você desde a primeira vez que te vi quando abriu a porta de sua casa para mim. Me faltou coragem para mandar aquela mensagem no dia seguinte, tive medo de você me achar intromedido, ou algo do tipo.

- Não, não foi. — Respondeu Katie, balançando negativamente a cabeça. — Gostei de você ter vindo. Achei que não estivesse mais me aguentando falar desse baile durante a semana.

Mike riu, pendendo a cabeça para trás.

- Você estava animada. E, fez um ótimo trabalho aqui, parabéns! — Respondeu, fitando a decoração ao seu redor.

Katie respirou fundo, tentando controlar sua pulsação acelerada.

- Sempre sonhei com meu baile de Ensino Médio desde criança. Acho que não me contentaria com nada se não saísse tudo perfeito, por isso entrei na equipe de comitê. Assisti tantos filmes de colegiais que esse é o primeiro momento que eu sonhei que está realmente acontecendo nos meus últimos quatro anos.

Mike fitou o olhar brilhante da garota à sua frente, seus cabelos loiros caíam sobre suas maçãs de seu rosto, destacando o tom em mel de seus olhos. Ela era linda, e aquele ar sonhador era um charme.

- Então, eu vou realizar outro sonho seu. — Ele sussurrou, sorrindo de lado.

Katie franziu as sobrancelhas.

- Ah, é? Qual?

Mike aproximou-se, reunindo toda a coragem que ainda existia em seu interior. A princípio, Katie assustou-se pela sua atitude inesperada, mas, relaxou seus músculos ao sentir o delicioso perfume de Mike Wilson, sendo surpreendida pelo contato brusco com seus lábios.

Não lembrava a última vez que fora beijada. Talvez no início do ano passado, quando o viajara para Miami com sua mãe e conhecera um rapaz numa boate. Não importa, nem lembrava o nome dele. Naquele momento, o beijo de Mike era única coisa que a prendia. Não entendia o que era tudo aquilo que estava sentindo. O sabor doce de seus lábios fazia sua boca formigar e pedir por mais. Rapidamente, Mike afastou-se, encontrando o olhar confuso de Katie à sua frente.

- Vai me dizer que nunca sonhou com um beijo durante o baile de formatura?

Sorrindo, Katie abraçou-o, ficando na ponta dos pés e inalando cada vez mais o forte perfume do garoto.

- Onde você esteve esse tempo todo? — Perguntou, sendo respondida por um abraço apertado.

...

Mary sentia que seu braço cairia a qualquer momento. Tudo bem, claro que é um exagero, mas servir ponches por mais de uma hora estava sendo cansativo. Além disso, ficar parada naquele lugar sentindo o cheiro de cereja estava lhe causando enjôos.

- Mary! — Ouviu a voz de Katie, que se aproximava rapidamente segurando um garoto desconhecido com a mão esquerda. — Deixa eu ficar no seu lugar um pouquinho, deve estar cansada.

- Não, está tudo bem! — Sorriu, balançando o braço direito que doía. — Eu prefiro ficar aqui.

Katie revirou os olhos, empurrando sua prima de trás da mesa.

- Nada disso. Vá se divertir, andar por aí, já ficou demais aqui. Vou te substituir por enquanto, depois você volta. O Mike vai me ajudar.

- Mike? — Perguntou Mary, fitando o garoto de cabelos encaracolados ao lado de Katie.

Ele sorriu, acenando com a mão direita.

- Esse é o Mike. — Katie sorriu, arregalando os olhos para Mary, se referindo ao garoto por quem esperava o convite que mencionara mais cedo.

Mary franziu os lábios, arqueando as sobrancelhas.

- Ah, claro. O Mike. Tudo bem, eu vou procurar algo para fazer. — Ela sorriu, dando passos para trás.

...

A música lenta finalmente havia acabado, e Daniel agradecia por algo que aumentasse a distancia entre ele e Taira Smith. Não entendia nada daquele incomodo que surgiu em seu peito desde que vira Mary Monroe na mesa de ponche. Pelo que conhecia Mary, nunca imaginou que ela optasse por ir ao baile. Convidar Taira Smith foi a única saída encontrada depois de todas as garotas da escola terem um par. A líder de torcida foi a única que largou o acompanhante para poder sair com Daniel Harris.

Tudo bem que ela estava linda, e exibia toda sua beleza corporal naquela noite. Mas, por mais bonita que Taira fosse, ela estava longe de ser alguém em quem Daniel apostasse algo sério. Estava mais do que claro que ela era só alguém fácil demais. E, toda aquela facilidade que a fazia praticamente se oferecer à ele estava o deixando entendiado.

Sentia raiva de si mesmo por não conseguir tirar os olhos de Mary naquela noite. Ela sim estava deslumbrante. Nunca havia a visto tão linda como naquele vestido.

O telefone de Taira tocou, interrompendo sua dança. A garota o atendeu, afastando-se da pista central. Ao voltar, uma expressão irritada estava estampada em seu rosto.

- Que droga. Eu vou ter de ir embora. — Ela resmungava, batendo os pés no chão. — Desculpa Dan, parece que minha irmã está passando mal e eu vou ter de ir ao hospital. Tem algum problema para você? Não quer vir comigo?

Daniel afastou-se, colocando as mãos nos bolsos.

- Acho que não vou me sentir muito à vontade lá. Pode ir, não tem problema.

A garota deu um pequeno sorriso, colocando-se na ponta dos pés, dando um rápido beijo na bochecha de Daniel e logo saindo.

Assim que Taira virou na porta de saída da quadra de esportes, o olhar de Daniel Harris foi atraído novamente para a mesa de ponche ao lado das escadarias, mas foi surpreendido pela imagem de Katie Monroe servindo a bebida para o estudantes.

Caminhou até a mesa, pegou um copo de refrigerante e saiu caminhando pela quadra.

Quando começou a se sentir tão confuso? Desde que descobrira das armações de Mary com seus pais havia sentido uma raiva enorme e prometera a si mesmo que jamais a perdoaria. Mas, quanto mais encontrava o olhar perdido da garota, mais dúvida tinha de sua decisão. Teria ele feito o certo? Deveria ter escutado sua história antes de qualquer coisa?

...

Mary olhou o relógio sobre o banco que estava sentada. O baile ainda duraria cerca de uma hora, e não podia contar os minutos para ir embora. Queria aproveitar os poucos minutos de descanso que Katie lhe concedera até antes de voltar ao seu posto. Havia saído da quadra de esportes e caminhado até a entrada da escola. Lá, um pequeno banco de madeira no meio da grama havia a atraído, e havia sentado lá, tirando as sandálias prateadas que já machucavam seus pés. Ali, o frio da noite arrepiava suas costas nuas e o som da música da quadra chegava baixo e abafado aos seus ouvidos.

Assustou-se ao ouvir o som de passos atrás, mas relaxou ao ver Daniel Harris sentando-se ao seu lado no banco.

- Oi. — Ele sussurrou, segurando um copo descartável e olhando a grama à sua frente.

- Oi. — Mary respondeu secamente.

Daniel respirou fundo.

- Não imaginei te encontrar aqui.

- Nem eu. — Ela respondeu. — Tive de vir, faço parte do comitê de organização.

- Ah. A festa está linda. — Ele fez uma pausa, olhando-a diretamente — E você também...

Mary deu um pequeno sorriso.

- A sua namorada também... está linda.

Daniel deu um pequeno riso.

- A Taira? Minha namorada? — Ele gargalhou. — Nunca. E, não, não acho que ela esteja tão linda quanto você.

Desviaram o olhar, estabelecendo um silêncio constrangedor entre os dois. Mary tentava controlar sua respiração em meio ao frio cortante.

- Mary... — Daniel sussurrou, tentando iniciar uma fala que resumisse tudo o que queria dizer. — Eu tentei não me importar com o que aconteceu. Mas, cada vez que te vejo eu sinto que cometi um erro em não te escutar. Eu tenho certeza que a Mary que eu conheci durante todos esses meses não era o tipo de pessoa que faria o que eu disse que você fez. Eu soube que você devolveu todo o dinheiro de meu pai. Me desculpe não ter te dado a chance de falar e ter te julgado. Me desculpe mesmo.

Mary abaixou a cabeça, estalando os dedos.

- Tudo bem.

Daniel revirou os olhos, aproximando-se da garota ao seu lado.

- Não. Não está tudo bem. Porque você sempre faz isso? Porque sempre age como se fosse a errada sempre? Não pode se conformar com tudo, Mary, eu errei, não está tudo bem!

Ainda calada, Mary ouviu a respiração pesada de Daniel ao seu lado.

- Eu não quero acordar amanhã e sentir arrependimento de não ter feito isso. — Ele sussurrou, levantando-se e estendendo a mão à sua frente. — Dança comigo, por favor.

Mary fitou a mão direita de Daniel Harris aberta à sua frente.

- Eu não sei dançar.

- Então nós tentamos juntos. Por favor.

Mary deu um pequeno sorriso, segurando a mão à sua frente.
Daniel a puxou, fazendo-a tocar a grama molhada com os pés descalços. O som abafado que vinha da quadra de esportes tocava uma música lenta. Balançavam-se no ritmo do som, evitando olhar diretamente nos olhos.

- Eu estou me sentindo um idiota.- Daniel sussurrou, tocando as costas geladas de Mary Monroe e acariciando-as, tentando conter o frio aparente que ela sentia. — Eu não devia ter feito que fiz. Eu gosto tanto de você... — Ele disse, finalmente encontrando seu olhar. — Que droga, eu só faço besteira. Me desculpe, Mary.

Sorrindo, Mary parou de dançar, abraçando-o e enterrando seu rosto no pescoço perfumado de Daniel. Ele a apertou contra seu corpo, sentindo seus batimentos cardíacos acelerarem e contendo o nervosismo dentro de si. No final, isso era tudo o que ele queria. Tudo que parecia faltar em sua vida nas últimas semanas. Era ela quem estava faltando.

- Eu quero ficar com você. — Ele sussurrou em seu ouvido, fazendo-a arrepiar mais ainda. — Vamos tentar de novo. Por favor. Não vou pisar na bola de novo.

Mary respirou fundo. Tinha tanto a falar. Porque as palavras fugiram assim, de repente?

Abriu a boca, buscando a melhor forma de se expressar, mas fui surpreendida pelo beijo de Daniel. Aquele era como o primeiro beijo. O beijo intenso que expressava todos os sentimentos que os dois tinham. Correspondendo, Mary tocou seu pescoço, acariciando levemente com as pontas de seus dedos. Como uma noite tão ruim se tornara tão surpreendente?

Daniel afastou-se, depositando pequenos beijos rápidos em seus lábios.

- Fala alguma coisa. Por favor. — Ele pediu, abraçando sua cintura. — Diz que vamos tentar de novo...

Mary encontrou seu olhar, controlando as lágrimas que surgiam rapidamente.

- Eu vou me mudar na próxima semana.

Daniel afastou-se, soltando sua cintura e piscando rapidamente para entender o que acabara de ouvir.

- O quê?

Respirando fundo, Mary juntou as mãos, abraçando os próprios braços em meio ao frio.

- Recebi uma carta de admissão na Universidade de Yale ontem

- Um pequeno sorriso satisfeito surgiu em seus lábios. — Eu fui aceita. Ainda não acredito nisso...

Daniel colocou as mãos nos bolsos, sorrindo, contente pela conquista de Mary.

- Puxa, Mary, que incrível! Meus parabéns!

Desfazendo o sorriso, Mary deixou uma lágrima cair.

- Eu não posso perder essa oportunidade, Daniel...

Aproximando-se, Daniel enxugou aquela lágrima com o polegar, acariciando logo depois os cabelos de Mary.

- Eu sei que não. Você deve ir, é sua chance.

Mary o abraçou fortemente, enxugando as lágrimas no smoking preto de Daniel à sua frente.

- Eu não queria deixar você partir. — Ele sussurrou, com um sorriso triste em seus lábios. — Mas é a sua chance. Vai ficar tudo bem!

Ao soltar-se do abraço, Mary sentou-se no banco, sendo acompanhada por Daniel ao seu lado.

- E quanto a nós? — Ele perguntou. — Sobre tentarmos de novo?

Mary juntou as mãos novamente.

- Eu não quero ter um relacionamento à distancia, Daniel. Isso nunca dá certo, eu quero focar na universidade, agora... Foi importante ter sido admitida, eu quero me esforçar o bastante para conseguir me manter lá...

Daniel segurou sua mão, entrelaçando seus dedos.

- Eu entendo... Mas eu tenho uma semana com você ainda, não tenho?

Mary deu um sorriso, deitando a cabeça em seu ombro.

- Sim, você tem.

Notas finais
Não deixe de comentar, lindos!