Math For Love
41 Connecticut
Notas iniciais
A alta temperatura dos raios solares que incidiam sobre Trenton naquela manhã traziam um ar de esperança para a população. Caminhar pelas ruas e ter o contato direto com os raios de sol despertava em Jhennifer a necessidade de controlar suas emoções e expectativas.
Há uma semana atrás, havia evitado qualquer tipo de conversa com seu namorado, Dylan Patterson. Não só por medo de perdê-lo, mas de precipitar-se. Havia se inscrito em diversas universidades próximas, mas queria ter certeza de tudo antes de planejar seu futuro. Por isso, foi embora cedo do baile, deixando Dylan confuso e a espera de uma conversa. A partir de sua fuga, seu namorado preferiu não entrar em contato.
Enquanto caminhava rumo à residência dos Patterson, Jhennifer Willis segurava em suas mãos o único envelope em resposta às suas inscrições que recebera. A possível aprovação naquela universidade poderia determinar seu relacionamento com Dylan.
...
Em seu quarto, Dylan dobrava a ultima camiseta que estava no guarda-roupas, colocando-a na mala sobre a cama. Olhando ao redor, certificou-se de que nada havia sido esquecido e fechou o zíper, até uma voz familiar interromper o som do lacre.
- Dylan...
Virou-se com o sussurro, assustando-se com a presença de Jhennifer Willis em seu quarto.
- O que faz aqui? — Perguntou, franzindo as sobrancelhas.
Jhennifer abaixou o olhar, apontando com o dedo indicador na direção da porta de entrada.
- Sua mãe me mandou subir, disse que você estava aqui. Podemos conversar?
Dylan deu um pequeno riso, balançando a cabeça ironicamente.
- Ah. Então agora você quer conversar? Não parecia nada disso quando me deixou sozinho no baile e ignorou minhas ligações durante a semana. — Respondeu, voltando-se para a mala à sua frente.
Jhennifer suspirou, jogando o envelope sobre a mala já fechada. Dylan desviou o olhar para o objeto, franzindo os lábios.
- O que é isso? — Perguntou, pegando o envelope com as mãos.
- O motivo pelo qual eu não quis conversar antes. Estava esperando uma resposta.
- Você se inscreveu na Universidade de São Francisco? — A pergunta de Dylan foi seguida de uma expressão confusa. — Porque não me contou?
- Não queria criar falsas esperanças... Foi a única resposta que recebi das universidades em que me inscrevi.
Dylan girou o envelope, reconhecendo o lacre.
- Você ainda não o abriu?
Jhennifer negou com a cabeça, se aproximando do namorado.
- Quis fazer isso com você. Ao seu lado. Por favor, me desculpe. Eu fui sincera quando disse o que sentia, eu só quero ter certeza do que vai acontecer daqui para frente!
Com um pequeno sorriso Dylan a envolveu com os braços, a encaixando num abraço forte e aconchegante.
- Está tudo bem. — A soltou, erguendo o braço com o envelope. — Vamos ver o que o futuro reserva para nós.
Ao romper o lacre do envelope, o som do papel sendo desdobrado inundou o pequeno espaço azul que era o quarto de Dylan Patterson. Os olhos de Jhennifer percorreram as linhas impressas, pousando no final da página com a conclusão de sua avaliação e arregalando-se.
- Eu passei...
Um grande sorriso surgiu na face de Dylan, exibindo seus perfeitos e alinhados dentes. Ainda surpresa, Jhennifer mantinha seus olhos bem abertos no papel quando foi atacada pelo abraço de seu namorado.
- Eu não acredito! Eu vou para São Francisco! — Logo sorriu, correspondendo ao abraço. — Você sabe o que isso quer dizer, não sabe?
Dylan afastou-se, encontrando seu olhar e segurando sua mão direita.
- Sei. — Respondeu, sorrindo. — Estaremos juntos na California... A menos de cinquenta minutos de distância.
Jhennifer deu um pulo, abraçando novamente e beijando intensamente seu namorado. Era muito bom saber que, mesmo depois de tantos problemas, continuariam juntos, lado a lado, próximos o bastante para serem o refúgio um do outro assim que fosse preciso.
...
- Essa é a última! — Gritou Mary, empurrando a última mala até o carro de Daniel Harris.
- Não sabia que tinha tantas roupas. — Respondeu Daniel, colocando a mala pesada no porta-malas de seu carro.
Mary sorriu, abaixando a cabeça e encostando no carro.
- Não são roupas. São meus livros e materiais de estudo. Vou precisar de alguma coisa para me distrair lá, não é?
Daniel fechou o porta-malas, caminhando até a frente de Mary Monroe.
- Essa semana passou tão rápido... — Sussurrou, segurando sua cintura e olhando em seus olhos.
Mary o fitou, segurando suas mãos que estavam pousadas em sua cintura.
- Eu sei... Foi a melhor semana que já tive. Não acredito que já está acabando.
- É uma pena. Mas eu ainda tenho algumas horas com você. — Ele sorriu, aproximando seus rostos.
Mary fechou os olhos, pronta para sentir, mais uma vez, o doce sabor dos lábios de Daniel Harris. Aquela havia sido uma semana perfeita. Passaram as tardes juntos no parque, fizeram piqueniques, foram ao cinema, andaram de mãos dadas. Fizeram tudo o que Mary imaginou não ser possível naquele curto espaço de tempo. Agora, naquele beijo, sentia o quando tudo aquilo faria falta.
Suas mãos encontraram o pescoço de Daniel, onde os dedos brincavam entre os fios macios de sua nuca. A pressionando contra o capô do carro, ele sentia que os segundos pareciam acelerar ao seu redor, a cada momento que lamentava-se por deixá-la partir em breve.
- Vou sentir sua falta. — Mary ouviu a voz de Daniel sussurrar em seu ouvido, a fazendo arrepiar completamente.
- E eu a sua...- Mary respondeu, depositando um rápido beijo em seus lábios.
Daniel afastou-se, abrindo a porta do co-piloto e sinalizando com a cabeça para que Mary entrasse.
- Vem, entra!
Mary sentou-se no banco de couro, ouvindo o som da batida de porta logo depois. Assim que Daniel entrou em seu posto de motorista, colocaram os cintos de segurança, mantendo seus olhares fixos um no outro.
- Ainda não acredito que entrei em Yale. Você tem noção do quanto isso é importante?
Daniel sorriu.
- Além de você fazer parte dos 6% de quatro mil inscritos no mais exigente Departamento de Direito do país?
Mary riu.
- Você merece, Mary. Se esforçou para isso, merece muito mais.
Daniel segurou sua mão, entrelaçando seus dedos.
- Tem certeza que quer me deixar em New Haven? Não vou te atrapalhar?
- Claro que não. — Ele sorriu. — Connecticut é aqui pertinho. Eu te levaria até no Arizona se fosse preciso para passar as últimas horas com você.
Mary deu algumas gargalhadas pela comparação de Daniel.
- Nem morta eu iria de carro para o Arizona. — Sorriu.
Daniel sorriu, fixando seu olhar.
- Por você eu iria.
Mary retirou o cinto de segurança, aproximando-se do rosto que tinha o olhar mais lindo que já vira. Tocando os lábios de Daniel Harris com os seus, correspondeu a todas as demonstrações de carinho que Daniel estava lhe proporcionando durante aquela semana.
- Isso é uma despedida? — Perguntou Daniel, voltando a encostar-se em seu banco.
Mary virou-se em sua direção, com um sorriso triste nos lábios e tentando esconder as lágrimas que inundavam seus olhos.
- Eu nunca vou te dizer Adeus. Quem garante o que pode acontecer amanhã?
Daniel sorriu, girando a chave na ignição e tirando o carro do seu anterior estacionamento. Assim que pisou no acelerador, ele teve certeza: Mary seguiria sua vida e ele seguiria a dele. Guardariam lembranças de tudo o que aconteceu naquele ano, e, o que quer que aconteça dali para frente, continuariam com a convicção de que foram felizes naqueles poucos momentos juntos.
Fale com o autor