Math For Love
14 O atleta
Algumas coisas na vida nos fazem questionar sobre a importancia dos sonhos. É tão fácil ver por aí frases e reflexões que incentivam e estabelecem a importancia de se sonhar para alcançar objetivos na vida, mas, às vezes, construir sonhos pode ser uma faca de dois gumes se estes forem impossíveis demais para a realidade.
Assim era a vida de Katie Monroe: baseada em sonhos. Já via a admiração de sua mãe desde pequena quando sonhava em ser cantora, sem ter o mínimo talento, ou de ser pianista sem nem mesmo ter visto um piano de perto. Sonhava em fazer um filme de romance, em cantar num musical, em usar saltos enormes, em ser popular na escola tendo direito até a desfiles nos corredores com alunos expectadores, sonhava em ter garotos aos seus pés, sonhava em ser reconhecida, em ter uma fortuna, em viver perfeitamente. Sonhava com uma vida, que, à medida que crescia, tranformava-se de uma atitude fofa da menina sonhadora em esperanças em vão da menina sem noção. Seus objetivos, cá entre nós, eram no mínimo de alguém que espera que as oportunidades caiam do céu.
Entre esses sonhos, estava o colegial perfeito. Os planos que fizera, festas que sonhara em ir, beijos que daria nos garotos mais bonitos, roupas que desfilaria pelos corredores, amizades que a fariam cada vez mais popular... Todos esses objetivos por um lado a decepcionaram ao deparar-se com a realidade, mas a motivaram a buscar pelo menos parte disso.
Fazer amizade com Jhennifer, frequentar festas, dar festas, estar sempre sendo comentada pelos outros, eram simples coisas que, embora fúteis para nós, para ela eram muito importantes. Mas uma coisa Katie sabia que nunca teria: a pessoa por quem se apaixonou logo de cara no primeiro ano. E, acredite, caro leitor, Katie não se apaixonou por Dylan Patterson: Sim, a primeira paixão de Katie foi pelo namorado de sua melhor amiga, Daniel Harris.
Você pode imaginar aquela imagem de cara perfeito que os filmes colegiais retratam: o atleta, o bonito, o cobiçado, que não é apenas um bruto ignorante, mas um cara sensível, que reúne inúmeras qualidades. E, acreditar que ele vá se apaixonar pela garotinha desengonçada que não tem coragem de se declarar é fácil nos filmes, porque, na vida real, ele namora realmente com a mais bonita da escola.
Eu já contei-lhe a história de como a amizade mais admirada da escola começou?
No primeiro dia de aula, Katie monroe teve duas aulas germinadas de história, junto com o capitão do time de basquete, Daniel Harris. Reconheceu-o através dos suspiros das suas colegas de classe, que já o conheciam desde o ginásio — já que ela era uma das poucas pessoas que não vieram daquela mesma escola — e admirou-o secretamente. Durante todo o primeiro mês, fantasiou cenas de cinema com Daniel Harris, imaginando o dia em que ele poderia olhá-la e interessar-se por ela, fazendo-a a garota mais feliz do mundo. Mas aquele era um desejo secreto. Tão secreto que apenas outra pessoa o conhecia: sua grande amiga na época, e prima, Mary Monroe.
Era divertido ver as caretas que Mary fazia quando contava-lhe seus segredos e fantasias com o atleta. Era óbvio que ela o achava ridículo e não entendia o fascínio de sua prima, mas ela gostava de poder desabafar com alguém.
Viver a vida da admiradora oculta estava sendo sua rotina, até que um dia, depois de finalmente tentar aproximar-se dele em uma das aulas, recebeu um convite que a fez a pessoa mais feliz do mundo (pelo menos por um tempo).
- Hoje depois do jogo vai ter uma festinha na casa do Marco. — Daniel falou, sorrindo e apontando para o jogador ao seu lado. — Aparece lá, se puder!
Não dá pra explicar a sensação que Katie sentira naquele momento.
- Ele reparou em mim! — Contava à Mary, animada.
- E você vai para essa festa? — Sua prima perguntava, intrigada e feliz pela amiga.
- Claro! — Katie sorria de orelha a orelha.
"É um sonho" — ela pensava, não conseguindo parar de pensar nas possibilidades que poderiam acontecer naquela noite. E, de fato, era só um sonho.
Chegar na festa e dar de cara com Daniel esfregando-se com Jhennifer Willis logo na entrada fez seu coração gelar. A doce menininha sonhadora foi apenas mais uma entre as dezenas de convidados por Daniel para aquela festa. E, infelizemente, ela vira tudo aquilo como um sinal de sentimentos. Entrou na casa, perdida entre a multidão, sem saber exatamente por onde andar, com quem falar, o que fazer. Não tinha amizades ali, fora apenas com o objetivo em Daniel, o que faria agora?
- Você já vai? — Ouviu a voz de Daniel gritando por conta da música alta na entrada da casa enquanto abria a porta para ir embora.
- Sim... Está muito tarde para mim. — Respondeu, ainda arrasada pela decepção.
- Mas você acabou de chegar! — Ele exclamou. Puxou Jhennifer pelo braço, que sorria com um copo de bebida na mão esquerda. — Essa é Jhennifer, minha namorada.
A loira sorriu para ela, mostrando ser super simpática.
- Jhennifer, essa é... — Daniel expremeu os olhos, mostrando não lembrar do seu nome, e, consequentemente, cortando cada pedaço que restara do seu coração.
- Katie. — Ela completou.
- Isso, Katie! — Exclamou o garoto. — Fica com ela, amor, pra ela não se sentir só!
Jhennifer assentiu, permanecendo toda aquela noite ao lado de Katie. E foi ali, que tornaram-se amigas.
Cerca de seis meses após aquela festa, a secreta paixão de Katie por Daniel foi soterrada pelo carinho da amizade que construíra com Jhennifer. Ela tornara-se sua melhor amiga, afastando Mary completamente de sua vida, que, diga-se de passagem, tornou-se a vida com que sonhara por tanto tempo. As festas, as roupas, as intrigas, as coisas que imaginara por tanto tempo, foram alcançadas por conta da entrada de Jhennifer. Mas, ao dizer que essa paixão foi soterrada, não quero dizer que está morta. Porque, lá no fundo, hoje ainda existe uma parte dela que respira.
E como Dylan entrou nisso tudo? Bem...
Em uma noite entre as muitas festas na casa de Jhennifer, a animação da galera em ter conseguido cerveja de graça deixou Katie tão empolgada que não soube controlar suas atitudes. No dia seguinte, após passar a noite na casa da amiga, foi interrogada pelo que acontecera. E, sinceramente, ela não lembrava de nada.
- Eu? Apaixonada? Como assim? — Perguntava depois do relato de Jhennifer sobre as palavras usadas por ela na noite anterior.
- É! Você dizia estar apaixonada por um cara lindo, romântico, que te faz suspirar desde o primeiro dia de aula! — Jhennifer sorria. — Como você nunca me contou isso? Quem é esse cara?
Katie arregalou os olhos, petrificada. Como explicaria a origem daquelas palavras sem falar de seu amor impossível?
- Você tá ficando louca, eu não estou apaixonada por ninguém! — Riu, nervosa.
- Não tente me enganar, Katherine. Vamos, diga! — Jhennifer obrigava-a.
Naquele exato momento, para sua sorte, — ou azar, quem sabe? — Daniel chegava na casa para o almoço que teriam todos juntos, acompanhado por Dylan. Ter de responder àquela pergunta com Daniel ali, a fez ruborizar por inteiro, mudando completamente seu tom de pele nas maçãs do rosto.
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- Você gosta do Dylan! — Jhennifer gritava e sorria logo após despedir-se do namorado e de seu amigo.
- O quê? — Katie gritou.
- Eu vi você ficar toda vermelhinha quando ele chegou! É ele, não é? — Katie ficou em silêncio. — Eu sabia! Eu sabia!
Com todo aquele mal entendido, Katie pensou nas palavras de Jhennifer. "Gostar do Dylan... Porque não?" Perguntou-se se não seria uma boa forma de apagar as fantasias com Daniel de sua mente, se não seria um bom meio de gostar de alguém que poderia finalmente olhá-la de outra forma, e, apegou-se àquela esperança. Como disse Maquiavel: "Uma mentira, contada várias vezes, torna-se verdade." Porque não?
Tentou aproximar-se de Dylan Patterson nos últimos dois anos e descobriu qualidades impressionantes do garoto. Ele era divertido, atencioso, gostava de ajudar aos outros, e era romântico ao ponto de gostar de jardinagem. Com todas essas descobertas, criou sentimentos por ele. Sentimentos que, infelizmente, ainda não apagaram a memória de Daniel. Mas, apesar de tudo, o queria. O queria de uma forma que tornou um objetivo, já que não conquistara Daniel, conquistar Dylan era algo que almeijava surpreendentemente.
Ela só não sabia ao certo quais eram esses sentimentos que surgiram forçadamente aos poucos: paixão ou somente ambição.
E, agora, ver aquela cena não lhe trazia boas sensações.
- Ah, oi Katie! — Jhennifer sorriu para sua amiga. — Vem, entra! O almoço já vai ficar pronto.
Katie olhou novamente para Dylan, parado frente à entrada da casa.
- O Dylan vai almoçar aqui também? — Perguntou, fitando o lindo garoto ao seu lado, com quem aprendera a sonhar.
- Ah, não. — Ele sorriu. — Só vim pegar a minha jaqueta, mas a sua amiga ta ocupada com ela. — Falou, olhando torto para Jhennifer.
Katie voltou seu olhar para Jhennifer, que usava a jaqueta grande em seu corpo, cobrindo-lhe até as coxas nuas e molhada pelos seus cabelos ensopados.
- E o que a jaqueta fazia aqui? — Katie perguntou, finalmente.
- Ele veio aqui me trazer umas flores, e...
- Flores? — Katie assustou-se, interrompendo-a.
Jhennifer sentiu-se perdida. Como explicar aquilo à sua melhor amiga e quem era apaixonada por aquele garoto?
- Não, não entenda mal! — Suspirou, nervosa. Andou até Katie, segurando seus braços. — É melhor você entrar, eu te explico melhor lá dentro. — Disse, conduzindo-a até que entrasse na casa. — E, Dylan, vê se dá o fora. — Falou, voltando-se para ele, ficando os dois a sós.
- Eu quero minha jaqueta! — Falou, apontando para o corpo da garota.
Ela revirou os olhos.
- Tá, espera aí.
Entrou por cerca de dez segundos e logo voltou, enrolada na toalha, com a jaqueta nas mãos.
- Toma, agora vai embora. — Disse, jogando a jaqueta com a mão direita enquanto segurava as pontas da toalha com a esquerda. — E obrigada pelas flores. — Tentou ser mais simpática nessa última parte.
Dylan pegou a jaqueta, vestindo-a e sentindo o cheiro dos cabelos de Jhennifer.
- Não precisava ter entrado pra colocar a toalha, eu não me importaria de te ver de roupa íntima. — Sorriu, arqueando uma sobrancelha.
Jhennifer entortou o lábio superior.
- Você é um sem vergonha mesmo! Agora vai embora, vou ter que contornar essa história toda pra Katie!
Dylan franziu a testa.
- Porque contornar? O que tem demais em contar pra ela?
Jhennifer revirou os olhos.
- Você é um grande imbecil mesmo. — Disse, batendo a porta na cara do garoto.
Entrou pela casa a procura de Katie. Subiu para o quarto, e lá estava ela, frente ao jarro de hortências azuis que ganhara de Dylan.
- Essas são as flores? — Ela perguntou, fria. Jhennifer assentiu, enquanto vestia uma roupa. — O que tá acontecendo, Jhenni?
Após vestir-se, Jhennifer sentou-se na cama, enxugando os cabelos molhados. Katie sentou-se ao seu lado.
- Não tem nada demais, Katie, não se preocupe. — Sorriu. — O Dylan só trouxe essas flores porque eu o disse que gostava de hortências. Como você sabe, ele é do clube de jardinagem, conseguiu algumas e me trouxe.
- E porque você tava de roupa íntima vestindo a jaqueta dele?
Jhennifer suspirou, buscando as palavras certas.
- Ele a esqueceu aqui. Eu tinha acabado de tomar banho quando recebi sua ligação e vi a jaqueta sobre o sofá. Quando a campainha tocou, pensei que fosse você e, pra não atender de toalha, eu vesti a jaqueta. — Ela sorriu, em busca de compreensão. — Não aconteceu nada demais, fica tranquila.
Katie respirou fundo, fechando os olhos e abrindo-os depois.
- É que... sei lá, Jhenni. Ele é tão próximo de você, pra se apaixonar é um passo daqui pra ali... — Desabafou, olhando para baixo.
Jhennifer sentiu seu corpo gelar e a pulsação aumentar, mas repreendeu aquela sensação.
- O quê? — Riu exageradamente forçado. — Isso não existe, Katie. Eu e o Dylan? Isso nunca vai rolar. — Falou, tendo medo daquelas palavras. — Além disso, eu tenho o Daniel!
Katie sorriu.
- Você prometeu que esquentaria as coisa entre você e o Daniel, lembra? E aí, o que pretende?
Jhennifer arregalou os olhos.
- Como assim? — Perguntou, nervosa.
- To falando do que tem de acontecer pra aproximar vocês, Jhenni. — Ela sorriu maliciosamente. — Você vai dormir com ele, não vai?
As palavras de Katie assustaram-lhe completamente. "Dormir? Com o Daniel?"- realmente, fazia sentido. Naquele namoro de três anos de frieza e imparcialidade, talvez, tomar esse passo poderia ser um meio de aumentar a intimidade entre os dois. Mas, pra falar a verdade, não era nada disso que ela queria.
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