Math For Love
43 Midtown Manhattan
Notas iniciais
O aeroporto John F. Kennedy é um dos mais movimentados do país, e isso explica todo o trabalho que estava tendo para chegar até lá. Trânsito! Porque nunca parou para pensar que comprar um carro em New York seria um dos maiores erros que cometeria? A vinte e cinco quilômetros da cidade, o engarrafamento à sua frente era levemente pintado de amarelo pela grande quantidade de táxis que circulava pelo asfalto da estrada de Midtown Manhattan.
A fileira de carros à sua frente começou a andar, permitindo-lhe pisar no acelerador. Finalmente, o trânsito estava andando naquele trecho, o que diminuía o tempo de espera que seu amigo provavelmente estava tendo na sala de desembarque.
Quando soube que Dylan estava a caminho de New York, uma onda de nostalgia tomou conta de si, o fazendo relembrar de cada momento vivido em seus dias de escola. Após a formatura, o destino afastou os dois, tornando o contato cada vez mais difícil. Seria muito dizer que se viram por mais de cinco vezes nos últimos quatro anos. O pouco que sabia de Dylan Patterson era sobre sua conclusão do curso de Administração e ingresso nos negócios da Família Willis. Receber a ligação de seu amigo pedindo um quarto para se hospedar em seu apartamento o fez lembrar de tudo o que viveu naquela época.
Reduziu a velocidade do carro, parando novamente atrás do táxi que estava em sua frente. Quanto tempo esperaria até poder se mover novamente? Dez, quinze minutos? Respirou fundo, esfregando os olhos com a mão esquerda, enquanto pousava o braço direito sobre o volante. Enquanto o ponteiro de seu relógio movia-se a cada segundo, lembrando-o que o avião de São Francisco pousaria em breve, focou seu olhar na rua ao seu redor. Toda a atmosfera entediante da noite de New York o fazia suspirar. A rotina que seguia estava o fazendo questionar se seu futuro seria basicamente aquilo: Trabalhar durante o dia, sair com sua secretária, mal ter tempo para seu lazer nos períodos livres... Era a isso que estava destinado?
Desviou o olhar para sua esquerda, sentindo sua respiração parar por uns instantes. Ao encontrar com a porta traseira de um táxi ao seu lado, a janela entreaberta do carro o permitiu visualizar a mulher ali sentada. De perfil, longos cabelos negros caiam até suas costas, e sua pele branca e pálida criava um contraste com a noite escura que caía lá atrás. Quis ver os seus olhos, mas a mulher os tinha focados à sua frente, parecia digitar algo no celular que tinha a tela brilhando e iluminando seu rosto.Ela virou-se, e, por um momento, ele tremeu ao sentir a expectativa de ver o seu olhar. Mas foi rápido demais. O táxi acelerou, o deixando assustado em meio ao trânsito.
Seria exagero pensar que era ela? Seria ignorância acreditar que o destino a levaria a estar ali, ao seu lado em meio ao engarrafamento frequente da Midtown Manhattan? Ver aquela mulher absurdamente parecida com a garota que arrancou seu coração no colegial despertou memórias agradáveis em sua mente, memórias de dias emocionantes, nos quais realmente foi feliz. O que aconteceu com aquele Daniel de New Jersey? O Daniel sonhador que passou por cima de tudo e de todos, até mesmo de sua família para garantir seus sonhos? O Daniel que valorizava a importância de ter diversão e prazer de viver? Ele simplesmente foi soterrado pela realidade econômica? E, principalmente, porque pensar nela o fazia lembrar de tudo isso?
Ela era o seu estopim, o seu momento de epifania. Lembrar de Mary Monroe era abrir espaço para o Daniel que mal respirava dentro de si. O fazia suspirar sem perceber, sorrir sozinho, fechar os olhos e reviver em sua mente as poucas lembranças que guardara. Após tantos anos, seria uma grande deficiência de ceticismo acreditar que ainda teriam o final feliz que imaginara, ou, até mesmo, que voltariam a se ver. No seu novo cotidiano, Mary Monroe não era nada mais do que uma grande história de sua adolescência que despertava seu sorriso.
...
"Só a Katie mesmo para me submeter a isso." — Pensava, agradecendo ao taxista e entrando no ar gelado do aeroporto John F. Kennedy. Já havia sido difícil encontrar um táxi livre naquele horário de pico, mais difícil ainda foi convencer o taxista a desrespeitar algumas leis de trânsito para chegar a tempo e se livrar do engarrafamento da Midtown Manhattan. O painel na entrada da sala de desembarque mostrava que o avião vindo de São Francisco havia pousado há cerca de vinte minutos. Respirou fundo, controlando o nervosismo ao pensar que sua prima lhe tirara de seus trabalhos para a deixar frustrada.
Olhou ao seu redor, até deparar-se com o casal que estava sentado sobre algumas malas espalhadas pelo chão. Caminhou até os dois, tratando de por um sorriso no rosto.
- Jhennifer, não é? — Perguntou, franzindo os olhos e aproximando-se da mulher de longos cabelos castanhos.
Ela levantou-se, respondendo ao sorriso.
- Sim! Você é a Mary, não é? Nossa, há quanto tempo! — Jhennifer exclamou. — Gostei do seu cabelo, está enorme!
Mary curvou o rosto, sorrindo.
- A Katie teve um compromisso, pediu que eu levasse vocês para o apartamento. — Comentou, colocando as mãos nos bolsos. — Desculpe a demora, o trânsito de hoje está terrível.
- Ah, claro! E não se preocupe, demoramos um pouco para pegar as bagagens também. — Jhennifer levantou uma das malas em que estava sentada. — Você lembra do Dylan, não é? — Perguntou, apontando para o rapaz que se levantava.
Mary deu um pequeno sorriso, acenando com a cabeça para o rosto conhecido que tinha alguns traços de envelhecimento. Só havia conversado com o garoto uma única vez no colegial, em uma aula de laboratório. E, pensar no assunto daquela conversa antiga a fez estremecer. Onde ele estaria agora?
- Oi Mary, tudo bem? — Dylan a cumprimentou, sendo respondido pelo aperto de mãos gelado da jovem.
- Tudo sim! Vamos? Não quero pegar um engarrafamento maior. Você vem conosco, Dylan? — Perguntou, segurando uma das malas vermelhas de Jhennifer.
Dylan franziu os lábios, enlaçando a cintura fina de sua noiva.
- Na verdade, não. Estou esperando o Daniel, vou me hospedar na casa dele.
- Daniel Harris? — Perguntou, engolindo em seco.
Dylan acenou afirmativamente com a cabeça.
- Ele já devia ter aparecido, mas, pelo visto, continua a mesma pessoa.
Mary deu um pequeno sorriso, escondendo o nervosismo que aquele nome lhe causara. Daniel Harris... Então quer dizer que ele está em New York? O que teria lhe acontecido? Teria feito o curso de Economia?
- Daniel está em New York? — Ouviu sua voz sair como num sussurro, odiando a si mesma por demonstrar qualquer tipo de curiosidade sobre o paradeiro de seu amor adolescente. — Desde quando?
Dylan franziu os olhos, claramente pensativo.
- No máximo há uns três anos. Pensei que vocês tivessem algo... — Ele sussurrou, receoso em completar a frase.
Mary abaixou seu olhar, balançando a cabeça negativamente.
- Não vejo Daniel desde a formatura. Pensei que ele estivesse em New Jersey, cursando Economia.
Dylan riu, perplexo pelo quanto estava desinformado sobre a vida de seu amigo.
- Muito pelo contrário... é uma longa história. Espera um pouco, ele já deve estar chegando, acho que ficaria muito surpreso em te ver.
Mary empalideceu.
- Não, não posso. Tenho muito trabalho para fazer. Você se importa de irmos agora, Jhennifer? — Perguntou, virando-se para a morena ao seu lado.
Jhennifer balançou a cabeça negativamente.
- Eu te ligo mais tarde, amor, — Sussurrou Jhennifer, depositando um rápido beijo nos lábios de seu noivo.
- Até mais, Dylan. — Mary acenou ainda nervosa, caminhando rumo à saída do aeroporto.
Sobre um dos carrinhos do aeroporto, Jhennifer carregava três malas grandes e uma bagagem de mão, enquanto seguia Mary Monroe, que parecia correr em direção à saída. Sentindo sua pulsação disparar, Mary não entendia porque fugira daquele jeito. Imaginar encontrar Daniel Harris era uma sensação paradoxal, recheada de medo e expectativa. Sabia que seria uma decepção pensar que ele a havia esquecido, ou simplesmente que ele não era mais a mesma pessoa. Ele estava tão perto todo esse tempo! O que teria acontecido?
Entre tantas possibilidades, preferia manter a imagem do Daniel Harris por quem se apaixonara, evitando qualquer chance de se deparar com alguma decepção. Mesmo que isso significasse nunca mais o ver.
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