Math For Love

9 Literatura Elisabetana


Notas iniciais
Um simples review pode determinar e incentivar a continuação da história. Faça um autor feliz, comente!

Certo, tinha coisas a pensar. Ao decorrer da semana, o garoto corrupto que o diretor lhe descrevera parecia ser outra pessoa. Perguntava-se se era apenas uma máscara, ou vai ver ele estava se aproximando dela porque sabia da proposta que recebera, mas de qualquer jeito, ele realmente não parecia saber quem era Mary.

Era quinta-feira, e durante aquela semana teve apenas dois contatos com Daniel: ao esbarrar no corredor, e na aula de química. Sabia que hoje teriam duas aulas seguidas em comum, e sabia também que amanhã teria de dar uma resposta ao Diretor Simon a respeito das aulas.

Entrou na sala de Literatura Inglesa e foi até sua carteira de costume, no fim da sala. Ao tocar o sinal, os demais alunos entraram, fazendo-a procurar por Daniel, que não aparecera. Riu ironicamente, não era novidade que ele se atrasasse durante as aulas, deveria estar por aí matando aula com alguem do time de basquete, ou simplesmente aos beijos no corredor com Jhennifer Willis — aim, ela ouvia muitas histórias assim pelos corredores -, que a fazia admirar muito por duas pessoas tão diferentes manterem um relacionamento por tanto tempo.

A aula começou, com uma revisão completa da história literária que havia aprendido nesses dois últimos anos. O professor falava da Literatura Elisabetana, um dos assuntos preferidos de Mary, realmente fã de dramas, quando Daniel entrou pela porta, ofegante. Todos se calaram e olharam para ele, surpresos e curiosos pelo estado do garoto.

– Outra vez, Harris? — Perguntou o professor, interrompendo a aula.

– Tive uns problemas, professor. Posso entrar? — O professor revirou os olhos, balançando a mão sinalizando que entrasse.

– Deu sorte que ainda não bateu o tempo limite para a aula. Sente-se, por favor.

Daniel caminhou até o fundo da sala, já que os lugares em que costumava sentar mais à frente já estavam ocupados, até ver Mary. Sentou-se ao seu lado e sorriu para ela, que o ignorou completamente.

Lá vem ele conversar comigo a aula toda.

– Precisa fingir que não me conhece, Monroe? — A expressão de Daniel era indescritível. Não sabia-se se ele estava indignado pela indiferença de Mary, ou divertindo-se pelo desafio de quebrar o gelo da garota.

– Mas eu não te conheço. — Ela arqueou uma sobrancelha.

– Como não? Você sabe quem eu sou.

– Errado. — Ela balançou a cabeça. — Saber o seu nome não quer dizer que te conheço ou sei quem você é.

– Quem disse? — Daniel riu. Ironia ou diversão? — Eu nem sei o seu nome completo, mas sei que te conheço.

– Ah é? — Ela virou para o seu lado. — Então me diz, do que eu gosto? Quais as coisas que eu já fiz? Qual minha cor favorita? Quais tipos de filmes eu assisto?

Daniel calou-se.

– Então conhecer alguém para você consiste apenas em gravar o nome e o rosto? — Mary sorriu torto.

– É, eu acho. Eu não sei todas essas coisas da maioria de meus amigos.

– Então é melhor parar pra pensar, Harris. — Mary voltou-se novamente para o professor que escrevia no quadro. — Acho que suas amizades não são tão verdadeiras assim. Não tem tantos amigos quanto pensa.

– É mesmo? E como você sabe de tudo isso? Eu só te vejo só, você tem algum amigo pra saber?

Dessa vez, Mary se calou. O tom de Daniel foi realmente arrogante, como se quisesse mostrar superioridade ou algo do tipo. Ela via que estava começando a conhecer aspectos da sua personalidade: ele não gosta de sair por baixo. Então, as amizades que Daniel tinha em vantagem de Mary o faziam melhor que ela? Pelo visto sim, e foi assim que ela se sentiu, porque o assunto morreu ali.

– Não vai falar nada, dona da verdade? — Ele perguntou, respirando uma certa superioridade que mudou completamente o tom da conversa.

Mary deu um pequeno sorriso com a cabeça abaixada.

– Você está certo. Eu prefiro não ter amigos do que viver nessa sua superficialidade. — Disse, levantando-se da carteira, pegando seus livros, e caminhando até o outro lado da sala, onde tinha uma carteira vazia.

E naquela aula, não houve mais assunto. Mary não olhou mais para Daniel, deixando-o intrigado por aquela atitude inesperada, e triste por ver que algo que falara a deixou chateada.

{…}

– Espera aí, Katie. Seu sobrenome é Monroe, não é? — Daniel perguntou, dando-se conta de algo que tinha deixado passar. Poderia Katie ter alguma relação com a Monroe?

Era hora do intervalo depois das quatro primeiras aulas, estavam no refeitório. Jhennifer estava na fila para comprar um lanche, Katie sentada na mesa com Daniel e mais dois garotos do time de basquete que faziam um exercício atrasado de física.

– É, por quê? — Respondeu Katie, que não tirava os olhos do celular, jogando Angry Birds.

– Você tem algum parente aqui na escola?

Katie levantou os olhos rapidamente.

– Porque a pergunta? — Perguntou, olhando-o.

Daniel tremeu. O que falaria? Que quer descobrir o nome de uma menina que esbarrou no corredor? Isso não é estranho demais pra falar pra alguém que não seja o Dylan? — Claro, o Dylan conhecia todas as suas idiotices.

– É que... — Fez uma pausa, gaguejando. — Hoje eu tive aula de Literatura Inglesa... — Respirou, olhando para os lados. — O professor passou uma lista de exercícios, e pediu que eu entregasse a uma garota que havia faltado. — Pensou rapidamente. — Ele falou o nome dela, mas eu esqueci. Mas tem escrito o sobrenome na lista, e é Monroe. — Respirou, orgulhoso pela história que inventou em tão pouco tempo. Espera, isso é motivode orgulho? — É o seu sobrenome, não é? Você a conhece?

– A Mary faltou? — Katie arregalou os olhos. — Tem certeza, Daniel? Ela não é de faltar, só em caso de vida ou morte mesmo. Como ela é?

Mary? Esse é o nome dela?

– Ela quem? — Assustou-se.

– Essa garota da sua sala, Monroe. Você sabe como ela é? — Perguntou Katie, com os olhos semicerrados.

– Cabelos curtos e escuros. Acho que os olhos eram castanhos, bem parecidos com os seus, não sei, Katie, eu não sou mulher para ficar reparando nessas coisas. — Mas sim, no fundo ele reparou.

– É a Mary! — Katie levantou-se, assustada. — Vou ligar pra minha mãe, algo deve ter acontecido!

Daniel levantou-se, a acalmando.

– Calma, Katie! Calma! Não aconteceu nada com ela, relaxa. Parece que ela avisou ao professor que iria se atrasar, estava fazendo alguma coisa, eu não sei. Ela deve estar aqui na escola, depois você procura saber! — Daniel assustou-se com a possibilidade de descobrirem essa mentirinha que inventara, e nas satisfações que teria de dar.

– Certo, depois eu procuro saber. — Katie acalmou-se, sentando-se novamente.

– Essa Mary é sua parente? — Perguntou indiferente.

– Minha prima. Mas ninguém sabe, então não precisa espalhar isso, por favor. — Katie balançava a cabeça.

Prima! Ela é prima da Katie! Como pôde estar tão perto?

– Qual o problema de saberem que ela é sua prima?

– Não tem problema, só não tem necessidade! Você quer que eu deixe essa apostila no armário dela depois?

– Ah, não! — Daniel exclamou. — Quer dizer, ela não está aqui comigo agora. Eu passo lá depois, qual o número do armário dela?

– Eu não lembro muito bem, Daniel... — Katie pensou. — Acho que é 137. É, isso, é 137, tenho certeza.

– Beleza.

{…}

A aula de Lingua Inglesa era terrivelmete tediosa. Mary contava os segundos para que terminasse, e, definitivamente, parecia que isso nunca acontecia. O dia não estava sendo bem o que esperava, pelo contrário, a arrogância de Daniel a desapontara, ela realmente tinha esperanças de que ele não tivesse a imagem que lhe foi pintada. Não iria aceitar a oferta. Não iria contribuir com uma pessoa que agia daquele jeito, que queria ser superior sempre, não valia a pena se submeter a isso.

Mary estava decidida a recusar a proposta, até abrir o seu armário, e um papel cair no chão.

Eu gosto de basquete, café, dormir o dia todo, panquecas e andar de bicicleta.

Eu já fiz muitas coisas erradas pra chegar até aqui, e me arrependo disso, mas eu estou decidido quanto ao meu futuro, e estou disposto a lutar por isso.

Eu não tenho cor favorita, pelo amor de Deus, isso é coisa de mulher!

Gosto de filmes de ação, comédia e aventura. Nada daqueles romances super clichês, isso é chato. Posso até assistir uma comédia romântica, mas só no último caso mesmo. Ah, e acho que filmes de cachorros são apelativos.

Pronto, agora você conhece um pouco de mim. Sua vez, armário 250.

Quero ser seu amigo, Mary.

Harris

O filho da mãe descobriu o meu nome!– pensou Mary, sorrindo.

De repente mudou de idéia. Gostou da atitude de Daniel, e, pela primeira vez, sentiu que alguém estava se esforçando para ser seu amigo. Olhou para o fim do corredor, e lá estava ele, sorrindo também. Fechou o armário e foi para a sala do Diretor Simon, sabia que Daniel era uma boa pessoa, e estava disposta a ajudá-lo a corrigir o que fez. E, ansiosa pelas aulas, aceitou a proposta.

Notas finais
Um simples review pode determinar e incentivar a continuação da história. Faça um autor feliz, comente!