Math For Love
39 Futuro.
Notas iniciais
Os preparativos para o baile estavam contagiando toda a escola. Na reunião do comitê responsável pela organização, Mary Monroe anotava atentamente a cada uma das ideias propostas por sua prima, Katie Monroe, até então presidente do clube. Participar daquele comitê era com uma faca de dois gumes, como um punhal. A fazia esquecer dos problemas com Daniel Harris, mas a despertava uma decepção ao ver que seu colegial poderia ter um final diferente.
- Você quer carona, Mary? — Perguntou Katie assim que as duas saíram da pequena sala de reunião. — Minha mãe vem me buscar em quinze minutos, posso te deixar em casa.
Mary sorriu, agradecendo.
- Obrigada, mas não precisa.
Franzindo os lábios, Katie apertou as pastas em suas mãos com amostras de tecido para a ornamentação da festa contra o peito.
- E aí, com quem vai ao baile? — Perguntou, sorrindo para sua prima.
- Na verdade... — Mary sussurrou. — Eu não vou.
Katie arregalou os olhos, perplexa.
- Mary, você está no comitê do baile, está organizando uma festa da qual não vai participar? Mas, porque?
Balançando os ombros, Mary deu um pequeno sorriso.
- Estou tentando esquecer umas besteiras que fiz, e, além disso, não acho que esse seja o tipo de festa para alguém como eu.
- Ah, venha! — Pediu Katie, tocando seu braço esquerdo. — Você vai se divertir, se distrair!
Mary aumentou seu sorriso, feliz por estar tendo uma conversa tão boa com sua prima, o que já há muito tempo não fazia.
- Com certeza não vou me divertir. Mas, não se preocupe comigo, estou vendo que você está muito animada com essa festa, não é?
Katie não pode conter o sorriso e a empolgação que sentia, e logo seu rosto ganhou expressões faciais que mostravam todo o contágio e ansiedade pela festa, despertando risos em Mary ao lembrar-se de como sua prima não mudara nada.
- Claro! Esse é o nosso ano, Mary! O nosso baile tem de ser perfeito, eu vou me certificar de que isso vai acontecer! Estou tão ansiosa, você nem imagina!
Mary gargalhou. Já faziam cerca de três semanas desde a última aula com Daniel Harris antes dos Exames finais, desde então, não haviam tido nenhuma conversa, nenhum contato. Durante esse tempo, Mary tem se concentrado unicamente em pensar apenas no seu futuro, nos seus objetivos.
- Tem certeza que não quer vir comigo? Não aguento mais minha mãe reclamar de saudades de você. — Afirmou Katie, revirando os olhos.
Sorrindo, Mary agradeceu novamente.
- Vou ter que ficar até mais tarde, tenho mais duas reuniões no clube de matemática e jornalismo.
- Você está participando de muitos clubes, Mary. Vai ficar aqui até tarde hoje de novo, mesmo? — Perguntou Katie, fitando o piso de porcelanato do pavilhão escolar.
Com seu típico sorriso de conformidade, Mary trocou a bolsa pesada do ombro direito para o esquerdo.
- Ah, nem me fale. Mas, está tudo bem, é o mínimo que posso fazer se quiser entrar em alguma universidade.
- Mas, por falar nisso, você se inscreveu em alguma?
Mary suspirou.
- Em todas. Sabe, estou fazendo de tudo para conseguir um financiamento de pelo menos 50%, o seguro de vida de meu pai não vai ser suficiente. Na que me oferecer o melhor programa, eu entro.
Katy arregalou os olhos com o esforço de Mary.
- Ah, mas você tem notas ótimas desde que te conheço por gente, não precisa se preocupar com isso.
Mary sorriu.
- No último ano eu relaxei bastante, perdi a esperança de fazer universidade por causa dos problemas com meu pai. Você sabe. Agora, estou tentando correr atrás.
- Não se preocupe, vai ficar tudo bem. — Respondeu Katie, afagando o ombro esquerdo de sua prima. — Eu acho que vou para a NYU mesmo, quero cursar Arquitetura.
Mary olhou para sua prima, arqueando as sobrancelhas. Katie logo entendeu aquela expressão confusa.
- Tá, tudo bem, eu sou péssima em exatas, eu sei. — Disse, rindo entre as palavras. — Mas a parte de design de interiores me encanta, não sei explicar. Você me conhece, Mary, gosto de decoração desde pequena.
- É, eu sei.
Katie continuou a tagarelar sobre sua paixão por decoração enquanto caminhavam para as escadas, arrancando pequenos risos de sua prima. Mary estava tão empolgada com a conversa com Katie, um dos únicos momentos alegres de sua semana, que não percebeu quando se chocou com um corpo de Daniel Harris, que caminhava no sentido oposto.
- Me desculpe! — Pediu Mary, abaixando-se para pegar a folha de papel que Daniel havia deixado cair.
A folha aberta no chão logo foi reconhecida pelo cabeçalho das provas de física. Ao segurá-la com a mão direita, Mary não pode evitar que seu olhar desviasse para o campo reservado para a nota.
E, satisfeita, sorriu.
Daniel sabia que ela estava vendo sua nota no exame final de física. Estava orgulhoso de si mesmo, e completamente agradecido pelo esforço e atenção que recebera de Mary naquelas últimas semanas, apesar de todos os problemas que surgiram.
Mary estendeu a folha de volta para Daniel, sorrindo pelo seu A-.
- Parabéns. — Ela sussurrou, evitando o olhar direto para o garoto.
Daniel pegou a folha, ignorando o arrepio ao sentir as mãos geladas de Mary Monroe.
- O crédito é todo seu. — Ele sussurrou de volta, voltando a caminhar na direção que seguia.
...
- Jhenni, precisamos conversar... — Pedia Dylan pela terceira vez naquela tarde.
Após pagar pelo sorvete de morango que acabara de comprar, voltou a segurar a mão direita de Dylan, caminhando pelo parque gelado.
- Não, por favor, vamos ignorar isso o máximo que podemos. — Ela pediu, após colocar uma colherada na boca.
Dylan revirou os olhos, expirando profundamente. Tentava conversar sobre aquele assunto já há pelo menos uma semana, mas a indiferença de Jhennifer o irritava. Tudo bem, ele sabia que sua namorada só queria aproveitar todos os últimos momentos que tinham juntos antes da grande mudança de rotina que sofreriam, mas era um assunto complicado e teriam de resolver.
- Meu amor, por favor. Ignorar tudo isso é pior! Precisamos nos preparar para tudo o que pode acontecer! Estamos na penúltima semana de aula e sabemos que assim que entregarem nossos diplomas tudo vai mudar. Precisamos de um plano para nós dois!
Jhennifer fechou os olhos, suspirando. Queria poder congelar aquelas últimas semanas, manter o colegial um momento eterno. Sua vida era perfeita, não tinha preocupações, aproveitava cada momento e tinha alguém como Dylan ao seu lado. Era algo que queria manter por muito mais tempo, e, quatro anos não foram o suficiente. Precisava de mais. Conversar sobre aquele assunto despertava dúvidas em sua mente, inseguranças quanto à seu futuro, se iria ser aceita em alguma universidade, o que faria dali para frente, como viveria.
Para Dylan, as coisas estavam praticamente decididas. Seu excelente desempenho na escola nos últimos quatro anos resultou em uma vaga na Universidade de Stanford, na California. Estava feliz por ele, mas apreensiva sobre o futuro daquele relacionamento. E, imaginar uma vida sem Dylan era traumatizante.
- Você é muito importante para mim, Dylan. Sabe disso, sabe que não quero imaginar você partindo. — Sussurrou, abraçando o braço de seu namorado.
Dylan apertou a mão de Jhennifer, repondo o calor perdido enquanto ela segurava o sorvete.
- Eu sei disso, eu sei... — Ele sussurrou, beijando o topo de sua cabeça. — Vamos dar um jeito. Eu prometo.
Jhennifer parou de caminhar, virando de frente para seu namorado.
- No baile. Vamos decidir o que fazer após o baile. Até lá, eu só quero aproveitar cada minuto com você. Tudo bem? — Perguntou, espremendo os olhos lacrimejantes.
Dylan sorriu.
- Como quiser.
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