Math For Love

21 Friday - Parte III


Notas iniciais
Desculpem a demora, amanhã participarei de um debate político na escola e passei toda a tarde criando discursos. Vão gostar desse capítulo, deixem comentários, beijo!

Quando sua tia Amanda tocou a campainha e entrou em sua casa, Katie supôs que aquela era só uma visita comum de família, como todas as outras que já aconteceram. Entretanto, quando Amanda falou com todas as letras que seu tio, irmão de sua mãe, Adam Monroe havia morrido, não sabia como reagir.

Sentiu uma mistura de sentimentos, um nó em sua garganta e uma dor imensurável por perder alguém próximo de si, mesmo que há quatro anos sem contato, ele sempre foi um tio muito carinhoso e especial.

Ao comunicar a morte de Adam para sua mãe, a tia de Katie implorou que Ana a acompanhasse rumo ao Steven R Reiter, o centro de recuperação em que seu tio estava internado já há muito tempo. Katie sabia que o motivo do internamento devia à dependência repentina que Adam desenvolvera para com o álcool, mas não fazia ideia do porque isso surgiu assim, do nada, muito menos porque sua prima, Mary Monroe, passou a ignorar o pai depois de tudo isso.

"Ela não é muito diferente de mim." — Pensou Katie, comparando sua indiferença para com a prima com a indiferença da própria para com o seu pai.

Agora, Katie caminhava os cinco quarteirões que separavam suas casas, depois de ter sido praticamente obrigada por sua mãe a visitar Mary que estava sozinha em casa, sem ninguém para conversar. Claro, Katie não queria simplesmente aparecer lá depois de anos de inimizade para acolhê-la, mas sentiu pena e remorso da prima que perdeu um membro muito importante da família, e queria ajudá-la, ampará-la nessa hora difícil.

Já era noite, e Katie perguntava-se como ia o encontro de Daniel e Jhennifer tão esperado. Sentia uma pontada no peito cada vez que imaginava a consumação de algo tão importante para o casal de namorados, mas sabia que apoiar aquele momento seria um meio de não só destruir as chances que respiravam em sua alma de ter o Daniel algum dia, mas também de conformar-se com sua própria realidade e aceitar satisfazer-se com a felicidade de sua amiga.

Avistou a esquina da rua da casa de Mary, sentindo-se nervosa por ter que encará-la depois de tanto tempo. Acelerou os passos enquanto sentia o vento frio bater em seus braços que encolhiam-se contra o corpo, agasalhada por uma jaqueta jeans azul que nada esquentava.

Ao virar à rua seguinte e ver-se de frente para a casa da prima, Katie pode perceber uma estranha movimentação na frente na varanda. Parou instantaneamente ao reconhecer o rosto de Mary aos prantos e ver que ela abraçando alguém que naquele momento estava de costas para ela. A silhueta do rapaz sob a má iluminação da varanda destacava seus cabelos castanhos arrepiados, um penteado vagamente familiar.

O rapaz desconhecido moveu-se, sentando-se ao lado de Mary, próximo o suficiente para segurar sua mão enquanto ela debruçava a cabeça sobre seu ombro esquerdo e para enxugar suas lágrimas. Quando o rapaz desviou seu olhar para a calçada, ele já não era tão desconhecido assim.

Katie congelou.

"O que está acontecendo aqui?"

Ver duas pessoas que jurava que não se conheciam em um nível alto de intimidade a assustava. Não apenas isso, estranhava por ele não estar onde deveria naquele momento.

"O que Daniel faz aqui?"

Aproximou-se, se escondendo atrás do carro do garoto estacionado frente à residencia e tentando entender as cenas que via, Katie via que Mary não parecia — de forma alguma — com a prima que sempre conheceu.

Onde estava toda aquela timidez? Cadê a insegurança de Mary?

Retirou do bolso traseiro de seu jeans o seu iPhone e checou o horário, vendo que o encontro de Jhennifer e Daniel já estava cerca de vinte minutos atrasado.

Sentiu raiva, mesmo sem saber do que exatamente. "Como o Daniel deixou de passar a noite com a Jhenni pra ficar aqui com a Mary? Como eles se conhecem?"

Iniciou o aplicativo de captura de fotos e posicionou a camera do celular de modo que pudesse tirar com exatidão a foto. Após a captura, sabia para quem encaminhar. Sua amiga merecia saber o que seu namorado fazia.

Após enviar a foto por mensagem de texto, virou o caminho e seguiu rumo à sua casa.

"A Mary já está sendo acolhida agora, não precisa de mim."

–------------------------------

Desabafar com Daniel Harris trouxe uma imensa sensação de alívio para Mary Monroe. Contou tudo: sobre a traição, a bebida, o dinheiro para a universidade... Até impressionou-se consigo mesma por falar tudo aquilo de forma tão fácil, como colocar para fora algo que ficou aprisionado dentro de si por falta de algum ouvido para escutar-lhe.

Além de tudo, ele fora completamente compreensível com ela. Para Daniel, ouvir os relatos de Mary Monroe era algo que não estava acostumado a fazer, algo que despertou-lhe um arrependimento enorme por todo o tempo perdido com discussões entre sua familia. Sentiu vontade de encontrar seus pais, dizer-lhes o quanto os ama, o quanto são importante. Percebeu pela dor de Mary que precisava valorizá-los enquanto os tinha.

Depois de alguns momentos de conversa, Mary sentia-se relaxada. Relaxada por ter desabafado e tirado o peso da consciência, relaxada por saber que tinha alguem ali, a apoiando, preocupando-se com ela.

O garoto sentou-se ao seu lado e segurava sua mão carinhosamente. Sentiu-se protegida. Mesmo sabendo que ele não era seu e que tinha outra garota por aí que era realmente a quem protegia, Mary deu-se ao luxo de sentir uma proteção de Daniel para com ela. Debruçou a cabeça sobre seu ombro esquerdo, fechando os olhos e respirando fundo, sentindo aquela dor dissipando-se aos poucos, como um índice de radioatividade que diminui de acordo com uma P.G. decrescente.

Daniel já não pensava em Jhennifer. Mesmo sabendo que teria muitas explicações para dar, e que sua namorada provavelmente perguntava-se por ele, concluiu que talvez, se tivesse ido ao encontro, não estaria se sentindo tão bem consigo mesmo. Sabia que fez a coisa certa e que nenhuma noite de prazer compensaria a dor da perda de Monroe.

Depois de alguns momentos de silêncio, sentindo o peso da cabeça de sua amiga sobre seu ombro, Daniel pode reparar que ela já não segurava sua mão com tanta firmeza quanto antes. Olhou para seu rosto, vendo seus olhos muito cansados.

– Mary?... — Sussurrou, balançando levemente os ombros.

"Ela dormiu... Estava tão cansada..." — Pensou, sorrindo com a beleza da garota que suspirava e descansava ao seu lado.

Daniel levantou cuidadosamente, segurando o rosto da garota e deitando-a sobre o banco. Ajoelhou-se diante dela e encaixou-a em seus braços, sustentando todo o peso em seus membros. Sentiu o perfume dos cabelos curtos de Mary que tinha um cheiro doce de shampoo, como se ela os tivesse lavado hoje.

Andou até a entrada da casa, empurrando a porta com o corpo. Mary se remexia em seus braços, mas parecia cansada demais para acordar e notar que estava sendo carregada.

Ao entrar na sala que já conhecia, Daniel supôs que o quarto da garota ficasse no primeiro andar, o que o fez subir os degraus das escadas com dificuldade, contraindo os braços e tentando suportar o peso ali posicionado. Depois de cerca de quinze degraus, deparou-se em um estreito corredor de papel de parede marrom, combinando com o aspecto rústico da casa. Olhou para os dois lados e pôde ver uma porta entreaberta de um cômodo iluminado com uma cor beige.

Caminhou até o quarto e logo posicionou a garota sobre a cama. Olhou em volta, reparando a estante de livros e papéis espalhados pela escrivaninha da garota. Uma cortina rosa de rendas separava o closet do quarto.

Voltou até a cama e sorriu ao ver a garota dormir profundamente. Andou até a porta tentando não fazer barulho, o que foi em vão com o trincar da porta ao esbarrar nela.

– Não me deixa sozinha... — Ouviu a voz de Mary em um sussurro.

Daniel olhou para trás, vendo que ela ainda dormia, mas remexia-se na cama, inquieta e falando mesmo em um sono profundo. Voltou para o seu lado, sentando-se no chão e apoiando os cotovelos sobre o colchão, olhando para seu rosto.

Não entendia porque, mas sentia necessidade de protegê-la, não podia deixá-la ali, sozinha, muito menos depois do que tinha passado naquele dia.

– Você nunca vai estar sozinha... — Sussurrou, mesmo sabendo que ela não o ouvia.

–---------------------------------

Quando Jhennifer havia saído para buscar algo na cozinha, Dylan não pode evitar o som de alerta de mensagem do seu celular sobre a bancada. Aproximou-se, vendo a tela acesa que mostrava uma imagem recebida.

Sabia que não era seu direito olhar o conteúdo da mensagem da garota, mas foi impossível ignorar.

A foto de Daniel ao lado de Mary naquele exato momento despertou em Dylan uma raiva interminável. Lá estava ele, lutando para controlar seus sentimentos pela namorada do amigo enquanto Daniel a traia descaradamente ficando tão próximo e desprezando todo aquele encontro por Mary.

Foi toda essa raiva que o fez tomar aquela atitude, o fez soltar todos aqueles sentimentos e beijar a garota de seus sonhos.

E, sinceramente, foi tudo como ele sempre sonhou: O sabor doce da boca de Jhennifer, o perfume de seus cabelos, o toque macio de sua pele, os hormônios que faziam seu corpo pulsar... Era tudo como no seu sonho, como se ele soubesse desde o início como era beijá-la.

"Daniel a traiu, ele não pode me culpar de mais nada."

Após alguns segundos do beijo correspondido, Jhennifer o afastou, sentindo-se desnorteada. Não acreditava no que havia acontecido, no quanto ela havia lutado para não deixar que nada acontecesse. Mas era involuntário, não podia negar que gostava de tudo aquilo. Gostava de Dylan, de verdade.

– Isso não aconteceu... — Ela sussurrava para si mesma, enquanto virava-se de costas para o garoto, escondendo o rosto com as mãos. — Isso não pode ter acontecido...

Dylan permanecia calado, olhando para o chão. Jhennifer virou-se e olhou-o diretamente.

– Porque você fez isso, Dylan?! — Gritou, com raiva de si mesma por ter o correspondido.

Dylan simplesmente pegou o celular da garota da bancada e entregou-o à sua dona. Ela pegou-o, sem entender nada.

– Tem uma mensagem pra você. — Disse, colocando as mãos nos bolsos. — Acho que você vai precisar de um tempo só depois disso. Vou estar na sala caso queira conversar.

Dylan andou até a sala de estar, sentando-se no sofá e fechando os olhos.

Jhennifer, ainda atordoada, desbloqueou o celular e checou a mensagem, sentindo seus batimentos cadíacos diminuírem compulsivamente.

"Eu não acredito nisso."

Desde quando a prima de Katie e Daniel se conheciam? Desde quando ele a abandonara ali para encontrar-se com ela?

Sentiu sua boca tremer e lágrimas se formarem em seus olhos.

"Eu estava disposta a dar tudo para você, Daniel.."

Jhennifer respirou fundo, enxugando as lágrimas. Só conseguiu abrir o aplicativo de mensagens e digitar uma palavra de seis letras para Daniel:

ACABOU.

Após enviar, sentiu-se finalmente livre para expor seus sentimentos. E então, seguiu para a sala, rumo à quem sempre quis a proteger de verdade.

Notas finais
Está gostando da história? Deixe um comentário, faça uma recomendação! Seu incentivo faz nossa imaginação voar alto.