Math For Love
22 Subterfúgios
Notas iniciais
Eu fico muito feliz com os comentários que venho recebendo, mas é angustiante saber que 70% dos leitores não comentam. Eu preciso saber da opinião de vocês, nem que seja pra saber que vocês estão aí!
Então, se vocês todos comentarem, POSTO UM NOVO CAPÍTULO MAIS RÁPIDO!
Eu vou fazer o seguinte: A CADA NOVA RECOMENDAÇÃO, VOU POSTAR UM CAPÍTULO EXTRA NARRADO POR UM PERSONAGEM.
Porque o Daniel fez isso? Porque ele a menosprezou para se encontrar com a prima de Katie? Como a Katie descobriu? Porque ela mandou a foto? Porque ela mesma terminou o namoro assim, sem conversa alguma? Porque não deu a chance do garoto se explicar? Será que agiu por impulso? Fez realmente o certo?
O trajeto de alguns passos até a sala de estar foi um dos mais demorados para Jhennifer. Perguntas inundavam sua mente de forma tão rápida que não conseguia responder e até mesmo entender algumas delas.
Enquanto ouvia o som da sua sapatilha cor de rosa arrastar-se pelo chão, se perguntou onde estaria a imagem de confiança que Daniel lhe passara por todos aqueles anos. Porque uma foto mudou tudo aquilo? Que sentimento de alívio era aquele que sentia?
Sim, podia parecer difícil, mas terminar era tudo o que ela queria. Terminar aquele namoro era algo que a libertava, algo que deixava-lhe aliviada e com a consciência limpa, sabendo que não está mais fazendo algo por interesse.
"Meu Deus... O que o papai vai dizer de tudo isso?"
O que ele poderia dizer? Não foi culpa dela, ela sabia, ela se esforçou para dar certo. Então.. Era isso que estava procurando o tempo todo? Uma justificativa? Um subterfúgio?
Não podia evitar que sentisse aquele alívio, aquela sensação que subconscientemente, fez a coisa certa.
Quando viu Dylan sentado no sofá de sua casa, não entendeu a sensação que surgia em seu peito. Era uma vontade incontrolada de expor tudo o que sentia, todos os sentimentos, todas as aflições. Caminhou até ele e sentou ao seu lado no sofá, virando-se em sua direção.
Dylan era tão bonito... Porque sempre ignorou tudo isso? Tinha cabelos ruivos acobreados em um corte esportivo, valorizando o tom avelã em seus olhos, aqueles olhos que a prendiam de forma assustadora. Ele usava aquela jaqueta... Sim, aquela jaqueta de couro que lhe dava um ar tão masculino e pemita dizer... sensual.
– Está com raiva por causa do beijo? — Dylan perguntou, tiando-a de seus devaneios e voltando para o momento real.
Jhennifer fitou-o diretamente em seus olhos, dando um pequeno sorriso de canto de boca. Não sabia o que estava fazendo, seu corpo movia-se independentemente. Ajoelhou-se em cima do sofá e se curvou na direção de Dylan, tocando seus lábios.
A principio, Dylan assustou-se com o beijo, assustou-se com a atitude de Jhennifer para fazer aquilo, mas logo a correspondeu, segurando sua cintura e puxando-a para mais perto, o que fez com que ela caísse em seu colo, continuando a beijá-lo como uma retribuição ao beijo de mais cedo.
Aquele era um beijo à sua vontade, um beijo em que pode aproveitar cada segundo. Sentiu o cheiro de perfume que exalava do pescoço de Dylan, os fios de cabelo que brincavam entre seus dedos, o carinho dele ao acariciar sua bochecha e segurar sua cintura, sentiu uma satisfação que há muito tempo não sentia com Daniel.
Jhennifer cortou o beijo, abraçando-o o mais forte que podia. Pousou a cabeça sobre seu ombro, de olhos fechados. Dylan a correspondeu, vendo que a garota precisava de consolo.
– Não quer conversar sobre isso? — Ele perguntou, respirando e sentindo o seu perfume entre aquele abraço.
– Não agora.- Jhennifer respondeu em um sussurro.
Dylan entendeu que ela precisava de um tempo de silencio, queria aproveitar cada momento daquele abraço sem pensar nos problemas que teriam de resolver, apenas os dois, ali, juntos.
–---------------------------
Quando abriu os olhos, se surpreendeu ao ver que o dia já clareava. Não lembrava de ter dormido, mas sentia seu corpo pesar sobre a cama, seus músculos doíam como uma noite mal dormida, e suas pálpebras estavam doloridas a cada piscadela. Sentou na cama, esfregando cuidadosamente os olhos e esticando seu corpo. Virou-se para o outro lado do quarto, e se assustou ao ver alguém sentado em uma poltrona mais longe da cama.
"O que o Daniel faz aqui?"
Lembrou-se da noite anterior, da notícia da morte de seu pai, do consolo e do ombro amigo de Daniel. Sentiu seu coração contrair em seu peito, despertando novamente a dor da perda. Mas ela não tinha mais lágrimas para derramar, era como se hovesse secado.
Foi até o banheiro, lavou o rosto e escovou os dentes. Seus olhos já não estavam tão vermelhos, e, os únicos indícios de que havia chorado na noite anterior era a sua expressão de sono. Voltou para o quarto, olhando diretamente para Daniel, dormindo sentado.
Sorriu ao ver que podia contar com alguém que ficou ao seu lado por toda a noite, alguém que pudesse ver suas lágrimas e as secar.
"O que será que minha mãe diria por um garoto ter passado a noite aqui cuidando de mim?"
– Daniel? — Sussurrou ao seu lado, tocando levemente seu braço direito. — Daniel, você deve estar cansado! — Aumentou o tom de voz, balançando mais rápido o braço dele.
Daniel abriu os olhos, olhando em volta e piscando rapidamente, tentando reconhecer o lugar onde encontrava-se. Respirou fundo e esfregou os olhos com as mãos.
– Que horas são? — Ele perguntou, vendo o sol nascer pelas janelas malmente cobertas por cortinas.
Mary seguiu seu olhar.
– Pelo visto, seis da manhã. — Voltou-se para ele. — Você ficou aqui a noite toda?
Daniel desviou seu olhar.
– Eu sei que deveria ter ido embora, não vi a hora passar. Não queria te deixar só, estava esperando alguem chegar para ficar com você, mas acabei caindo no sono. — Daniel bocejou. — Gostei dessa poltrona, não sabia que poderia dormir sentado tão facilmente. — Sorriu, remexendo-se sobre o assento.
Mary sorriu de volta.
– Sua mãe deixou uma mensagem pra você na secretária eletrônica. — Ele disse, apoiando o rosto sobre o punho e olhando-a diretamente.
– Minha mãe? — Mary arregalou os olhos.
Andou até a porta e seguiu, descendo rapidamente as escadas rumo à sala de estar. Viu a luz vermelha da secretária eletrônica piscando e logo apertou o botão, indicando que começasse a mandar os recados.
"Mary, sou eu. Como você tá, meu amor? A Katie já chegou? Se não, não se preocupe, ela está indo para aí, não vai te deixar sozinha. Filha, eu e sua tia Ana vamos ter que passar a noite aqui, esperar o resultado da necrópsia e assinar os papéis para a liberação do corpo. Se precisar de alguma coisa é só me ligar. Durma bem, meu amor."
Mary sentou-se no braço do sofá, ouvindo os passos de Daniel atrás dela.
– Tá tudo bem? — Ele perguntou, aproximando-se.
Mary deu um sorriso forçado.
– Claro, está tudo bem. Você deve estar cansado. Obrigado por ter passado esse tempo comigo, de verdade.
Daniel apontou para a secretária.
– O que sua mãe disse? Porque ela não veio pra casa?
Mary suspirou.
– Ah, você sabe. Exames, necrópsia, atestado de óbito e toda a burocracia pela qual ela terá de passar.
Mary deu um riso baixo e irônico.
– O que foi? — Daniel perguntou, estranhando aquela risada repentina.
– Minha mãe disse que a Katie viria aqui para passar a noite comigo. Disse, revirando os olhos.
Daniel franziu o cenho.
– E o que tem de mais nisso? Qual o problema dela vir?
Mary sorriu.
– Problema nenhum. Mas a Katie? Aqui? Comigo? Duvido que ela viria.
– Vocês não se falam?
– Não exatamente. — Disse, respirando fundo. — Digamos que já fomos grandes amigas no passado. Hoje em dia somos só primas distantes mesmo. A Katie não gosta muito de mim, me evita. Eu também não faço muita questão de ser amiga de alguém como ela.
– Alguém como ela? — Daniel perguntou, curioso.
Então, Mary lembrou-se. Lembrou-se do Primeiro Ano em Nottingham High School North, quando Katie Monroe relatava seu amor platônico por Daniel Harris e de todo o menosprezo que sofreu para que a prima pudesse aproximar-se dele.
– Nada... — Mary falou, mudando de assunto. Ela não tinha o direito de contar um segredo da prima assim para ele.. — Você deve estar cansado. Quer comer alguma coisa?
– Não precisa, eu vou pra casa. — Ele sorriu agradecido.
Mary fechou os olhos. Agradecia por ter tido Daniel ao seu lado, por ter sentido aquela sensação de alívio ao poder desabafar com alguém. Aproximou-se dele, levantou o calcanhar do chão para ficar mais alta e o abraçou.
– Obrigada, Daniel. Acho que teria explodido se não tivesse conversado com você.
Daniel sorriu, correspondendo o abraço apertado.
– Não se preocupe. Se precisar, me ligue. — Ele respondeu, afastando-se.
Mary despediu-se de Daniel e voltou para o quarto, precisava de um banho.
Não acreditava como tudo mudou tão rápido. Realmente, em duas semanas fizera um amigo, alguém com quem podia contar. Estar com Daniel era bom, era relaxante, era consolador. Sentia que com ele, poderia ver as coisas por outro ponto de vista, ele mostrava-lhe sempre um meio de encarar e passar pelos problemas da vida.
Agora, era se preparar para o que estava por vir: precisava ficar de consciência limpa e saber que, ainda amava seu pai, independente de ter tido contato ou não. Com Daniel, viu as coisas por outra perspectiva, e convenceu-se que realmente foi melhor ter acontecido desse jeito, poderia ser muito pior se forçasse uma convivência indesejada com Adam Monroe.
Ao sair da casa de Mary, os problemas ignorados voltaram à tona: não dera notícias à Jhennifer, prometera um encontro que não aconteceu. Sabia que teria de justificar-se, porque nenhuma noite se compara ao problema que Mary teve de enfrentar. E sabia também que nessa noite, não sentiria-se tão orgulhoso por suas atitudes como se sentia agora.
Pegou o celular afim de ligar para a namorada, até ver que ela já não era tão namorada assim.
"ACABOU"
A mensagem assustou-o e o fez se perguntar se aquilo tudo era por causa da falta de notícias. Precisava se justificar, era um mal entendido.
Entrou no carro e girou a chave, rumo à casa de Jhennifer Willis.
Ao chegar, tocou a campainha, sendo recepcionado alguns minutos depois pela "ex-namorada" ainda usando um pijama preto e branco de poá.
– O que você quer aqui, Daniel? — Ela perguntou, fria e grossa. Esfregava os olhos com a mão esquerda.
Daniel arqueou uma sobrancelha, ansiando por uma chance de justificativa.
– Será que a gente pode conversar, pelo menos?
Notas finais
Eu vou fazer o seguinte: A CADA NOVA RECOMENDAÇÃO, VOU POSTAR UM CAPÍTULO EXTRA NARRADO POR UM PERSONAGEM.
Fale com o autor