Math For Love
20 Friday - Parte II
Notas iniciais
Acho que vão gostar desse capítulo, espero comentários. Beijos!
Ela nunca foi o tipo de pessoa que usa ditados populares para descrever momentos em sua vida, mas, naquele dia, nada podia ser pior.
Já não bastasse todo aquele aperto que sentia em seu peito desde aquela conversa entre as meninas à sua frente e o pedido de adiamento das aulas de sábado feito por ele, aquela ligação ainda conseguiu piorar seu estado de espírito.
Não, Mary Monroe não é e também não se considera alguém que chegaria ao ponto de derramar suas lágrimas por causa do que estava prestes a acontecer entre Daniel Harris e Jhennifer Willis — por mais que, estranhamente, aquilo a afetara -, não, ela é muito mais forte do que isso. Pra conseguir derrubá-la desse jeito, algo trágico deve acontecer. E, sim, foi exatamente o que aconteceu.
Na manhã da sexta-feira, Mary não fora à escola, não saíra de sua casa e nem chegou a perguntar-se se alguém estaria sentindo sua falta. Seus pensamentos estavam em algo muito mais importante do que todo aquele seu drama de vida pessoal, estava em algo que, talvez por uma certa imaturidade, ela nunca mais vá recuperar.
Sua mãe já não estava em casa naquele momento — já estava acostumada com a sua ausência por mais que não concordasse com o seu objetivo — quando o telefone tocou. Mary estava na cozinha, frente ao microondas que fazia seu tradicional macarrão instantaneo de todas as manhãs, e saiu rumo à sala para atender ao chamado.
– Alô? — Perguntou, atendendo indiferentemente à ligação.
– Sra. Monroe? É a Ster, do Steven R Reiter.
Mary assustou-se. "Será que minha mãe esqueceu de fazer a visita esse mês?" "Será que não conseguiu pagar a mensalidade?"
– Ster, sou eu, Mary. Minha mãe não está, quer que eu passe algum recado? — Perguntou, estranhando a rara ligação de Ster.
A voz da moça na outra linha pareceu ser cortada por suspiros.
– Mary, ligue para sua mãe, preciso dela aqui imediatamente. As notícias que tenho não são nada boas.
Steven R Reiter é um famoso Centro de Reabilitação de Trenton, Nova Jersey. É por causa desse estabelecimento que Mary tem perdido o contato com sua mãe por conta do trabalho e esforço excessivo que a própria tem tido para pagar os custos daquele caro tratamento.
Talvez você, caro leitor, nunca deve ter se perguntado sobre a família da garota, não é?
Por volta de seus oito anos, Mary passou a conviver com as brigas constantes de seus pais. Estavam sempre entre gritos, lágrimas, e cada vez mais problemas. Embora o assunto nunca tenha sido mencionado para com ela, não foi muito difícil perceber que o fruto das brigas do casal Monroe estavam em um único motivo: a traição.
Descobrir que seu pai traia sua mãe há mais de dez anos não foi algo fácil para a pequena Monroe. A princípio, tomou raiva daquele adultério, mas não sentia-se digna de interferir na relação de seus pais, até que todos aqueles problemas destruíram todas as possibilidades que construíra para seu futuro.
Amanda Monroe, sua mãe, sempre fora uma mulher forte e determinada, que, mesmo sem ter uma boa formação, garantiu à sua filha uma boa vida, uma boa educação, por mais que isso significasse trabalhar duro. Tentou continuar a criar sua filha com esse propósito mesmo com toda a frustrante infidelidade do casamento, quando, imprevisivelmente, no ano de 2009, seu marido tornou-se dependente do álcool, fazendo com que essa dependência afetasse a toda sua família, inclusive, à própria Mary.
Ainda quando pensa na sua vida, Amanda tem certeza que tentou conviver com o marido e ajudá-lo a recuperar-se ali, dentro de sua casa, mas, era difícil expor toda aquela situação para Mary. Prendeu-o dentro de casa, foi vítima de agressões físicas e morais pela inconsciência do marido, e até mesmo tirou-lhe todo o dinheiro para impedir que comprasse bebida.
Ainda com toda a pressão de sua esposa , Adam insistiu, desfez-se de móveis para sustentar seu vício e chegou a tomar a atitude que levou-o ao Steven R Reiter: gastou todas as economias guardadas durante anos para garantir o futuro de Mary na universidade.
Quando soube o que aconteceu com o dinheiro que garantiria seu futuro, Mary sentiu uma raiva imensa de seu pai tomar conta de si. E, essa raiva transformou-o num completo estranho, motivo pelo qual Mary, em todos esses quatro anos de reabilitação, nunca fora visitar seu pai.
Via toda a dignidade de sua mãe quando, mesmo com todos esses problemas, ela continuava trabalhando duro para custear o tratamento de seu infiel pai, e admirava-a por isso. Ela conseguia amá-lo mesmo depois de tudo, coisa que Mary nunca conseguiu fazer por todo esse tempo.
Agora, não entendia porque sentia-se tão arrependida de não ter estado ali, ao lado de seu pai.
–--------------------------------
– Dylan, o que você quer? Eu to esperando o Daniel, ele vai chegar daqui a pouco! — Jhennifer dizia enquanto abria passagem para Dylan entrar em sua residência.
O garoto andou até a sala de estar com as mãos nos bolsos.
– Jhenni, eu sei o que vai acontecer entre vocês hoje. — Dylan afirmou, virando-se para ela.
Jhennifer arregalou os olhos, surpresa e envergonhada. Escondeu o rosto com as mãos, com raiva por Daniel ter contado sobre a noite que tanto planejara.
– O que ele te contou? — Perguntou, suspirando e piscando devagar com as mãos na cintura.
Dylan aproximou-se a passos lentos, olhando-a nos olhos.
– Jhenni, não faça isso. — Disse, capturando seu olhar. — Aí no fundo você sabe que não deve fazer isso. Não com ele.
Jhennifer sentiu sua pulsação aumentar. Desde quando Dylan sabia de alguma coisa sobre seus sentimentos?
– Eu não sei do que você está falando... — Jhennifer disse, desviando seu olhar do garoto à sua frente.
Dylan continuou aproximando-se, diminuindo a distancia entre os dois. Com um olhar vago, Jhennifer fitou-o quando ele pegou sua mão, segurando-a com firmeza.
– Jhenni, por favor. — Ela suspirou, fechando os olhos lentamente. — Você tem de aceitar as coisas, eu sei, foram três anos de namoro, mas olha pra vocês!
Jhennifer sentiu seu olhar pesar e desviou seu olhar, sem saber para onde olhar. Era verdade. Tudo o que o Dylan falava era verdade, então porque insistir naquilo? Porque é tão difícil aceitar que todos esses anos de sua juventude foram investidos em um relacionamento que não deu certo?
– Insistir nisso é ignorancia, Jhenni... — Dylan continava. — Você não pode fazer isso, o Daniel não é o cara certo pra você.
Ela assutou-se com aquelas palavras, voltando seu olhar para ele.
– E quem é a pessoa certa pra mim, Dylan? — Perguntou finalmente, ansiosa e apreensiva pela resposta.
Dylan fechou os olhos e suspirou, soltando sua mão e virando-se, esfregando os olhos com a mão direita. Afastou-se de Jhennifer.
"Onde está a coragem que me fez vir até aqui?"
Jhennifer revirou os olhos, vendo que não teria nenhuma resposta. Não sabia porque, mas gostaria de saber o que Dylan realmente sentia, o que o trouxera até ali. Pegou seu telefone em cima da bancada e e checou o horário, constatando que Daniel já deveria ter chegado há quinze minutos. Como de costume, digitou o código de segurança do aparelho e checou as mensagens, ligações, e viu que não havia nada de novo. Colocou novamente o celular sobre a bancada e foi até a cozinha buscar algo para beber.
–--------------------
Após cruzar todo o caminho oposto para chegar à casa de Mary Monroe, Daniel Harris estacionou no acostamento frente à residencia, descendo rapidamente do carro.
Ainda perguntava-se como poderia abrir mão de ir para a casa da namorada e passar a noite lá por causa da sua preocupação com Mary. Andou até a entrada da casa até vê-la ali mesmo, sentada em um banco de madeira ao lado da porta.
Mary tinha um olhar distante, os olhos estavam extremamente vermelhos, como os de quem havia chorado por todo o dia. Preocupou-se com a tristeza aparente da garota que não havia percebido sua presença ali ainda. Aproximou-se, com as mãos nos bolsos frontais. Quando chegou mais perto, Mary o reconheceu, dando um sorriso forçado e abaixando a cabeça.
– Pensei que você fosse sair com sua namorada... — Ela disse, olhando para o chão.
Daniel suspirou, subindo as escadas de madeira e sentando-se ao seu lado.
– É... Eu também. — Daniel disse, olhando para a rua à sua frente. — Como sabia que eu iria sair com a Jhennifer? Eu nunca te disse. — Daniel perguntou, virando-se para ela.
Mary olhou para o asfalto ao longe, suas pálpebras estavam cansadas e piscavam devagar, mas não conseguiria dormir daquele jeito.
– Eu fiquei sabendo... — Respondeu, juntando as mãos e entrelaçando os dedos. — O que veio fazer aqui?
Daniel olhou para seu rosto, aflito. A pele de sua face estava nitidamente marcada com as lágrimas que parecia ter derramado por muito tempo. A má iluminação da varanda da casa de Mary Monroe não dava-lhe certeza se seu nariz também estava realmente um pouco vermelho.
– O que aconteceu com você, Mary? — Daniel aproximou-se, diminuindo a distância entre os dois. — Não te vi na escola hoje, a Katie me disse que você não é de faltar assim...
Mary fechou os olhos.
– Desde quando você repara a minha ausência? — Perguntou, estalandos os dedos.
– Desde que você se tornou importante pra mim. — Daniel disse instantaneamente, arregalando os olhos logo depois ao assustar-se com a própria resposta.
Mary deu um pequeno sorriso, mas logo escondeu o rosto com as mãos. Daniel pode ouvir soluços repetitivos e teve certeza: ela chorava.
Imediatamente, Daniel levantou-se, agachando-se à sua frente e abraçando-a. Mesmo sem saber o porque, sentiu vontade de ampará-la, de acabar com toda a sua dor.
– Nós somos amigos, não somos? — Ele perguntou, sendo respondido pelo balançar de cabeça de Mary, assentindo. — Me conta, o que aconteceu?
Mary afastou-se, enxugando as lágrimas com as costas das mãos. Respirou fundo e encontrou o olhar de Daniel, aumanetando sua pulsação.
– O meu pai morreu hoje. — Ela disse finalmente, sentindo um alívio por colocar aquelas palavras para fora. — E eu nem pude dizer que o amo por causa de uma infantilidade minha...
–---------------------
– Onde será que o Daniel está? — Jhennifer voltou da cozinha com um copo de vidro com água na mão direita. — Ele já deveria ter chegado...
Parou ao ver Dylan encostado na bancada de madeira da sala de estar com o seu celular na mão. Quando ela apareceu, ele tinha um olhar pesado e parecia estar com raiva. Depositou o celular novamente sobre a bancada e andou rapidamente até a garota.
Assustada, Jhennifer perguntou-se o que ele poderia ter visto no aparelho.
– Dylan, o que aconteceu? — Perguntou, enquanto ele aproximava-se.
Dylan puxou rapidamente a mão esquerda de Jhennifer, fazendo com que o copo de vidro que estava na mão direita caísse, partindo-se ao chocar-se com o piso de madeira da casa. O som de cacos espalhando-se assustou-a.
– Dylan, o que você tá fazendo?!
Segurou-a pela cintura, olhando-a nos olhos.
– Eu não vou deixar você fazer isso com alguém como ele.
No mesmo instante, puxou-a para mais perto, beijando-a imprevisivelmente. Embora assutada com o beijo no inicio, Jhennifer cedeu, culpando-se por dentro por saber que aquilo não era o certo.
Fale com o autor