Math For Love

27 Cheerleaders


Notas iniciais
Oba!! Quero agradecer pelos comentários de vocês, estou muito feliz! Aqui tem mais um capítulo, espero que continuem comentando nessa mesma frequência! Ah, e quero agradecer imensamente à recomendação da Dinha de Souza e da Malura, postarei um capítulo extra amanhã! Beijão, espero que gostem.

ESCLARECENDO UMA DÚVIDA:
A carta que a Mary recebeu foi bem maior do que o que foi escrito, na verdade, tanto para a Mary quanto para a Jhennifer, a história que o pai contou foi a mesma, só achei que seria muito cansativo a repetir.

A caligrafia cursiva de Adam Monroe despertava cada vez mais lágrimas de Mary Monroe. Agora, olhara para aquele pequeno papel com um endereço completamente desconhecido causou milhares de possibilidades em sua mente. Quem poderia ser aquela garota? Como nunca imaginou ter uma irmã? Como ela deve ser?

– Querida... — Amanda sussurrou, acariciando a pequena mão de Mary. — O que você pretende fazer?

Mary dobrou o pequeno pedaço de papel, colocando-o novamente dentro do envelope.

– Eu não sei mãe. Você não faz ideia de como isso tudo está sendo estranho para mim. — Ela respirou fundo. — Eu vou deitar um pouco, tá?

Amanda balançou a cabeça afirmativamente, levantando-se e dando um beijo na testa da filha.

– Se precisar, me chame. Eu recebi uma licensa do trabalho essa semana.

Mary subiu as escadas, entrando em seu pequeno quarto. Jogou-se de bruços sobre a cama, tirando com os próprios pés as sapatilhas pretas que usava. Seus pés latejavam, seu corpo pulsava. Era incrível o quando sentia-se tão cansada por conta de problemas emocionais.

Porque sentia todo aquele nó na garganta? Porque tudo aquilo tinha de acontecer com ela? Sentia uma vontade enorme de chorar, de gritar e desabafar toda aquela dor... mas, quem poderia a ouvir?

Há cinco quarteirões dali, Ana Monroe andava de um lado para o outro de sua casa, aflita enquanto falava ao telefone.

– Mas, como ela está, Amanda? — Perguntava à sua cunhada sobre sua sobrinha, preocupada com a reação de Mary ao saber o verdadeiro motivo da morte de Adam.

– Ah, você sabe. — Amanda pronunciou. — Ela está triste, de um jeito ou de outro, o Adam fez o que fez por ela...

– Eu entendo...

Ana suspirou enquanto ouvia sua cunhada relatar todo o estado de Mary Monroe. Era impossível não se sensibilizar com sua sobrinha, a tinha como uma segunda filha. Não bastasse todo o menosprezo e a péssima relação que Katie tinha com ela, Mary sempre foi o oposto, aquela que divertia-se mais com ela do que a própria filha.

Virou-se ao ouvir o som irritante das escadas de madeira da casa, deparando-se com Katie Monroe indo direto para a cozinha.

– Amanda, o que você acha de eu mandar a Katie dormir aí? É melhor para esfriar a cabeça da Mary, tirar essa preocupação dela.

Ao ouvir sua mãe ao telefone, Katie virou-se para ela, arregalando os olhos e mostrando claramente que não queria dormir na casa de Mary.

– Mãe! — Gritou.

– Tudo bem, vou conversar com ela! — Ana continuou ao telefone, ignorando completamente a irritação da filha.

Ao desligar, Katie logo se apressou.

– Não, eu não vou à casa da Mary. Porque sempre sobra pra mim? Você sabe que o clima tá estranho entre nós!

Ana caminhou até a parede mais próxima da cozinha, colocando o telefone no gancho.

– Katie, a Mary precisa conversar com alguém! Custa deixar esse orgulho pra lá?

Katie riu.

– Precisa, é? Ainda por causa da morte do tio Adam? Mãe, por favor! Eu aposto que isso tudo é ceninha para chamar a atenção! Ela já se recuperou disso, hoje mesmo estava toda feliz na escola com o namoradinho!

Ana arqueou uma sobrancelha.

– A Mary está namorando? — Perguntou, ainda surpresa.

Katie andou até as escadas, destinada a subir.

– Ah, você não sabia? — Sorriu ironicamente. — Manda ela ligar para o namorado dela! Aposto que ele já deve ter acolhido.

Katie começou a subir os degraus.

– Katie, não é só pela morte. — Ana suspirou. — O Adam cometeu suicídio, você sabia disso? E a Katie tem uma irmã aqui na cidade.

Katie parou instantaneamente de subir, surpresa pela revelação.

– O quê?!


...



– Pai, a gente precisa conversar! — Jhennifer batia pela terceira vez na porta do quarto de Doug Willis, ainda em choque pela carta que lera. "Não pode ser verdade."


Ouviu o som da chave girando na fechadura da enorme porta de madeira, sendo recebida pela expressão triste de seu pai.

– Entra. — Ele disse em um só sussurro, esfregando as mãos com os olhos e dando passagem.

Jhennifer entrou no escuro recinto, sentando-se na confortável e grande cama de Doug.

– Desculpe pelo que falei. — Doug suspirou, sentando ao seu lado.

– Tudo bem. — Jhennifer abaixou a cabeça, fitando o carpete creme daquele aposento. — Eu só quero entender tudo isso. — Voltou-se para Doug. — Isso era para mim, você leu minha correspondencia? — Perguntou, ainda incrédula.

Doug suspirou, levantando-se da cama e andando pelo quarto.

– Eu estava voltando para casa quando uma senhora chegou e entregou diretamente à mim essa correspondência. Eu soube que ela era funcionária de um centro de recuperação da cidade e me assustei, por isso a li.

– Então você sabe quem escreveu, não é? Você sabia que esse cara tava no centro de recuperação, não sabia?

– Sim, eu sei. — Doug fechou os olhos. — Por muito tempo eu tentei afastar você e sua mãe dele, mas tivemos de voltar à Nova Jersey. Um tempo depois da morte de Trish, soube que ele havia sido internado e por isso me senti mais aliviado. — Doug escondeu o rosto com as mãos. — Eu não acredito que a Trish mentiu para mim dessa forma! Eu sabia da traição, mas você, Jhennifer... É horrível descobrir que até minha filha foi uma farsa esse tempo todo...

Jhennifer não conseguia acreditar. Não era possível, era surreal demais. Parecia história de filmes, algo longe de acontecer na realidade. Arrependia-se de ter sentido tanto orgulho de sua mãe por todo esse tempo... Perdoava todos aqueles erros, mas, a imagem perfeita que construíra simplesmente deixou de existir.

– Você é o meu verdadeiro pai... Você foi quem me criou. — Disse, sentindo seus olhos inundarem. — Não é esse cara que apareceu assim do nada que vai mudar isso. Eu não vou deixar de lhe chamar de pai por causa disso..

Doug sentou-se novamente ao seu lado na cama, abraçando-a de lado.

– Eu sei, querida. Eu só... Eu amava a sua mãe. Nunca imaginei que ela fosse mentir para mim desse jeito... Não em relação a você.

Jhennifer correspondeu ao abraço, sentindo as mangas de sua blusa umedecerem com as lágrimas de seu pai.

– Eu não quero saber quem ele é. — Sussurrou. — Não me importa. Você é o meu pai, eu não preciso saber quem ele é. E, pai... — Jhennifer afastou-se de Doug. — Eu não vou aceitar que me chame de egoísta. O Daniel estava apaixonado por outra, eu não iria prendê-lo. Eu espero que fique tudo bem entre você e o Sr. Harris, eu não acho que nada disso vai interferir na relação de vocês.

– Tudo bem... — Doug sorriu. — Vamos dar um jeito.


....



Quando o despertador ao lado de sua cama finalmente resolveu alarmar, Mary contraiu seu corpo sobre a cama, sentindo todos os seus músculos doloridos. Abriu os olhos e percebeu que havia adormecido sem nem mesmo trocar de roupa.



Lembrou-se de tudo. Lembrou-se da noite passada, do suicídio de seu pai, da descoberta de uma irmã e sentiu-se nauseada. "Pensei que era só um pesadelo..."

Levantou-se, girando o pescoço que doía e alongando os músculos de seus membros. Após um rápido banho, desceu para comer alguma coisa. Seu estômago revirava, não comia nada desde a tarde anterior.

– Mary! — Ouviu sua mãe exclamar, lembrando-a que ,pela primeira vez em muito tempo, ela estaria de licença do trabalho para passar um tempo a mais com sua filha. — Pensei que estaria cansada para ir à escola hoje.

Mary sorriu, sentando-se na mesa.

– Eu estou bem, mãe, não se preocupe. Não posso perder mais um dia de aula... as provas do semestre começam em duas semanas.

Mary comeu algumas torradas e bebeu um enorme copo de leite, enquanto assistia ao noticiário matutino. Despediu-se de sua mãe e saiu rumo à escola.

Queria contar a alguém o que aconteceu, e Daniel foi o único que lhe veio à mente. Sorriu consigo mesma, lembrando de todo o apoio que ele lhe dera. Daniel era incrível... Não podia negar que fingir um relacionamento com ele, por mais falso que fosse, a fazia se sentir protegida, acolhida.

Avistou a entrada de Nottingham High School North já repleta de alunos. Alguns conversavam no jardim de entrada, outros simplesmente caminhavam para dentro do prédio. Olhou em todas as direções a procura de Daniel Harris, mas não o encontrou. Queria conversar e sentia-se à vontade para fazer isso com ele.

Pegou seu celular e mandou-lhe uma mensagem.

"Preciso conversar. Me encontre nas escadas de emergência."

Claro, as escadas. Um dos poucos locais vazios da escola, onde poderiam conversar em paz. Caminhou até o outro lado do prédio, rumo ao ponto de encontro. Nova Jersey estava fria, Mary se contraía em seu cardigã azul. A bolsa com cerca de três livros e algumas canetas pesavam em seu ombro direito dolorido, fazendo-a trocar de lado, invertendo a posição.

O som das conversas dos alunos se tornava cada vez mais distante a medida que o solado de suas botas rasteiras entrava em atrito com o chão. Mary continuou a andar, até ser surpreendida com uma cena nada esperada.

Definitivamente, era completamente inesperada.

– Daniel?... — Ouviu a própria voz falhar a medida que franzia suas sobrancelhas.

Mary não quis mais conversar. Simplesmente virou-se e caminhou de volta à entrada principal da escola, deixando para trás o garoto surpreso que havia acabado de ser flagrado se agarrando com uma líder de torcida qualquer embaixo das escadas de emergência. Não sabia seu nome, não fazia ideia de quem era, simplesmente usava uma daquelas micro saias azul e branca no pleno frio da manhã de Nova Jersey.

Porque estava se importando tanto? Estavam apenas em um relacionamento de mentira, não é? Isso não dá ao Daniel o direito de se envolver com quem ele quisesse? Não entendia, não devia a afetar daquela forma.

E o pior é que estava doendo muito.

Notas finais
AAAAAAAAH Não deixe de comentar! Nem que seja um "Oi, estou lendo sua história!" Beijo!