Matemática Do Amor

68 - The same mistake... Again.


Notas iniciais
Prometi e cumpri meninas, espero que gostem.

Ele estava deitado, com olhar impregnado no teto. Provavelmente pensativo, quando o interrompeu.

— Ei! — Marcus o chamou, do outro lado da sela.

— Ah, finalmente. — Damon foi até ele. — Então, como foi o depoimento?

— Não sei não tava na sala, mas invadi no final como você pediu. — Explicava em sussurros, certificando de que não havia ninguém os observando.

— E como ela tava? — Não conseguiu conter a curiosidade.

— Estava bem, pelo jeito acho que o depoimento não foi dos piores pra ela.

— Você tem que conseguir uma cópia desse depoimento pra mim, Marcus. Eu preciso. — Disse ele ainda mais baixo. — Preciso saber o que ela disse, eu deponho amanhã cedo e se tudo não ser compatível acabou pra mim.

Marcus sabia que aquilo era errado, mas também sabia que ele era inocente. Damon conhecia Elena o suficiente para ter certeza de que ela maquiou muitos detalhes da história dos dois. Aquilo sim era um crime e cada vez mais deixava de ser o inocente nisso tudo, mas eram essas as provas que o destino o estava jogando e precisava sair daquele lugar. Pela primeira vez em sua vida tinha vontade de ir lá fora, de viver lá fora e viver com ela.

— Hoje as três da tarde vão vim os pais dela, eles provavelmente vão sair pra comer alguma coisa e eu faço uma xerox disso pra você. Mas tem que ler e decorar tudo antes que eles voltem, me entendeu?

Damon assentiu, sem muita certeza se era possível ou não. Mas tinha que tentar.

— Obrigado Marcus. — O policial já estava indo, quando Damon o chamou de novo.

— O que?

Apesar de um pouco envergonhado em dizer, atreveu-se.

— Ela perguntou por mim?

Marcus riu sem exibir os dentes.

— Deu o sorriso mais brilhante que eu já vi quando deram autorização pra te vê, deu até pena de ter que acabar com tudo. Só não entendo porque fez isso, seria só dez minutos.

Damon abaixou os olhos ao relembrar de sua situação.

— Não quero que ela me veja assim, nesse estado.

Sem poder conversar mais, Marcus se foi. Já sozinho, Damon sorriu para as paredes pelo fato dela ter perguntado por si, qualquer dúvida de indiferença tinha-se ido.

—--x----

HORAS DEPOIS.

— Não posso acreditar que isso esteja acontecendo. — John esbravejou na saída do prédio.

Isobel manteve-se calada com os braços cruzados ao peito. Não iria dizer nada, nesses momentos de fúria dele ninguém se atrevia a falar algo que fosse.

— Não dá pra acreditar que ela disse que você já sabia e pior, que eu to te ameaçando.

— Acha que a situação é ruim pra gente? — Isobel inquiriu enquanto caminhavam até o carro.

— Querendo ou não eles tem bastante gente pra manter o depoimento, e nós só vamos ter o Giuseppe e não acho que ele vai servir pra muito. — Explicou, assustando-se com suas próprias palavras. Estavam perdendo, tinha que arrumar uma testemunha que derrubasse por completo tudo que Elena falou e já sabia quem consultar para saber até onde do que ela disse era verdade.

Adentraram ao veículo, seguindo para a casa.

—--x---

No escritório do lado de dentro, as análises dos papeis eram feitas. Carl mantinha uma caneta encostada nos lábios enquanto relia aquela folha pela milésima vez. Já Liz mantinha o pensamento nas lembranças, tentando sondar a postura de cada um ao falar, a certeza, os gestos e cada resquício de psicologia que a pudesse ajudar.

— O que acha? — Ela perguntou, interrompendo a leitura do outro.

Carl retirou seus óculos guardando-os no bolso do paletó.

— Acho que definitivamente foi essa garota quem o seduziu. — Disse, recebendo um olhar julgador de Liz. — Não to sendo machista não. Não me leve a mal. — Tentou se explicar ao perceber a expressão dela. — Mas dá pra perceber, vai.

— Pelo que eu conheço do Damon, sim. Concordo. Foi ela. — Liz assentiu, ainda sim mantinha-se duvidosa. — Damon era um alcoólatra e dá problema desde sempre, mas como professor era indiscutível. Me surpreendeu muito quando eu soube dessa história.

— Mas? — Carl se adiantou, ao perceber o tom dela.

— Mas... Que uma mãe nunca faria o que fez com a filha sabendo e aprovando o que eles tinham. Isso eu não engulo.

— Ainda mais assim, na frente de todo mundo. — Endossou Carl, também concordava com essa parte. — Ou seja, achamos que Elena o seduziu mas que tudo era clandestino.

— Bom, tem os amigos. Talvez os amigos sabiam, mas a mãe não.

— O juiz não vai se importar com os amigos, Liz. — Disse Carl em descaso. — Os amigos seriam só uma testemunha de segundo plano. O importante é a Isobel, se ela realmente não sabia os dois vão ter problemas. Não só ele que vai ser condenado, mas ela por ter mentido.

Ainda pensativa, uma lembrança do passado se misturava com o presente lhe deixando uma desconfiança.

— O que foi? — Carl, questionou preocupado.

— É que tem uma coisa estranha. — Liz exclamou, duvidosa. — As amigas da Elena eram: a Bonnie, a Rebekah e a Caroline, que é minha filha. Percebeu que a Elena citou as duas menos justo a que é a minha filha? E me desculpe, mas conhecendo aquelas meninas se uma sabe de algo, todas sabem. Sem contar que... — O passado clareava-se cada vez mais. — A Elena tá certa, elas realmente pararam de se falar. Mas segundo a Elena foi porque as meninas não aprovavam esse namoro e eu lembro muito bem da Caroline tentando ligar pra Elena pedindo desculpas e supostamente minha filha não sabia, certo? E eu também lembro delas três, juntas, falando que deviam pedir desculpas pra Elena, que queriam que Elena as perdoasse. É estranho, já que a Caroline não sabia.

Carl refletiu sobre aquelas palavras e escreveu em seu bloco de notas, definitivamente seria uma pergunta para ser feita amanhã para as outras.

— Amanhã vai dá pra analisar melhor. — Guardou o bloco em sua maleta e levantou-se. — Tô indo almoçar, finalmente. Quer ir comigo?

Liz demorou alguns segundos para responder, ainda estavam com a mente longe nas lacunas soltas daquela história toda. Aceitou o convite e foram para o Grill, era um horário um tanto tarde para se almoçar. Mas era isso que a profissão exigia as vezes.

—--x---

Marcus não esperou um minuto que fosse da saída deles para agir, a delegacia não estava muito movimentada naquele horário. Na verdade, como tudo em Mystic Falls, não estava movimentada nunca.

A mesa não estava das mais organizadas como era ultimamente, com a presença desse promotor agora estavam misturadas as coisas dela e as dele. Sua mente incansavelmente insistia no quanto era errado, mas já havia prometido a Damon. Uma possível desculpa de dizer que não encontrou foi por água abaixo ao abrir a gaveta e se deparar com o tesouro desejado. Não havia mais como hesitar, escondeu a papelada em algum lugar da farda e saiu tranquilamente em direção a copiadora. As câmeras de segurança não o intimidavam, tudo ali não pegava há mais de vinte anos.

Esperou os minutos necessários e regressou para o escritório deixando o original não só no mesmo local, como na mesma posição que o encontrou.

Antes de levá-los até Damon, rezou por própria alma. Estaria perdido, caso fosse descoberto.

— Pega. — Foi tudo o que disse, a voz saiu embargada, esticou o papel na direção dele, mas não dirigiu o olhar. Suava pelo medo. — Mas por favor Damon, não pede mais nada.

— Prometo, não vou pedir. Valeu, Marcus. Valeu mesmo. — Ele agradeceu eufórico, já iniciando a leitura, não havia tempo a perder.

— Você tem 45 minutos pra ter isso na cabeça até amanhã. Quando eu voltar vai ser pra pegar esse papel, rasgar e jogar no lixo, não vou tá aqui no turno da noite.

Não foi necessário mais explicações, saiu com a cabeça pelando por possibilidades, a imaginação a flor da pele já criava sua demissão, sua prisão, o fim de sua vida. Não podendo mudar mais nada, o jeito agora era ter que impedir que descobrissem.

—--x---

DIA SEGUINTE. — 16:53

Carl repensava as palavras de Bonnie e Rebekah em sua mente. '' Não contamos pra Caroline por que ela é filha da xerife, Elena teve medo de que a senhorita Forbes descobrisse''. Mas quando perguntou o que disseram pra Caroline sobre o rompimento da amizade com Elena, elas engasgaram. Já que, supostamente Caroline não sabendo do relacionamento também não saberia porque se afastaram. Um tanto assustada, Rebekah disse '' Quem cuidou dessa parte foi a Bonnie, eu não sei direito''. Para Carl, Bonnie era uma líder. Quando foi a vez de questionar isso à ela, nem ao menos hesitou disse que '' Elena estava fazendo intrigas entre ela e Rebekah''. Boa resposta, mas não se encaixava com as memórias de Liz; Se Caroline realmente acreditava que Elena estava fazendo intriga, porque ligava para Elena tentando se desculpar? E porque elas todas juntas queriam o perdão de Elena? Coçou a língua pra perguntar, mas não tinha como provar que isso era verdade baseado apenas no que Liz disse, a não é ser é claro que a própria Liz fosse uma testemunha nesse caso. Cada vez mais o promotor via que não estava diante de um caso de abuso, aquela possibilidade estava cada vez mais longe, parecia que o mais grave ali era prestação falsa de depoimento.

Retirou a folha de Bonnie e Rebekah e apanhou a de Damon, com o depoimento dele. Por um rápido segundo, pensou que fosse a de Elena. Estavam iguais, diziam a mesma história. O único detalhe era que ele explicava o porque de ter tido que procurar apartamento; Estava casando com a ex-do cara que um dia foi seu melhor amigo, típico plano de vingança. História completamente convincente, a própria Liz confirmou depois que era verdade e que havia sido um escândalo na cidade. A vida desse cara era cheia deles, pelo visto. Quando perguntou à ele a razão pela qual Elena ficou tão hesitante quando perguntou sobre aquilo, Damon deu os ombros '' Provavelmente por insegurança, eu tava apaixonada por outra nessa época e tudo aconteceu exatamente por conta dessa relação''. Também uma boa resposta, mas diferente da de Bonnie, não tinha nada que a contestasse. As de Alaric e Meredith não lhe chamaram a atenção. Segundo eles, foram os primeiros a saberem desse relacionamento e Alaric foi contra. Mas com o tempo uma amizade surgiu entre os quatro, sem pretensões. Nas próprias palavras de Alaric, nunca conseguiu ser totalmente a favor do que estava acontecendo só que nunca disse à Damon sobre isso mais de uma ou duas vezes, mesmo assim os recebiam em sua casa, assistiam os quatro um filme juntos uma vez ou outra, conversavam, tudo já que não podiam sair publicamente.

Já Rose, foi rápida. '' Descobri porque a Meredith me contou, querendo ou não ela sabia que eu não diria pra ninguém. Conversei com o Damon, tive uma longa conversa com ele sobre isso, até mesmo ofereci que a gente voltasse. Mas ele me disse que a amava e eu não pude ser contra isso, sempre tive uma boa relação com a Elena. E sobre a relação deles, oque faziam, o que gostavam, não sei porque não fiquei muito próxima. Me afastei bastante dele em respeito. Até porque ele estava apaixonado, ela também estava e não queria me meter''.

A maioria não ajudava a provar sobre Isobel saber ou não. Quando questionou todos eles sobre isso, a resposta foi a mesma '' Isobel sabia sobre eles?'' '' Segundo os dois, sim''.

O que contradizia, e o que indicava mais uma provável mentira de uma das partes, era o depoimento de Giuseppe Salvatore. Segundo o próprio, ele mesmo havia dito a verdade para Isobel, lhe entregando fotos, algo que segundo o que Isobel e John declararam, era verídico. E em seguida, a própria mãe contatou com o pai para que a ajudasse.

Por sua experiência em tribunais, um juiz se deixava levar mais pelos depoimentos afirmados e qual fazia mais sentido nisso tudo. Agora, em um caso de juri popular, era bem raro contestarem a palavra de uma mãe.

—--X---

Elena via-se certa de que aquela dor em suas pernas durariam para sempre, atravessar uma cidade e meia de bicicleta, ida e volta, não possuía vantagens. Com exceção de que estava mais magra e, nos próximos quatro meses, com as pernas mais torneadas do que as Beyoncé.

Sim, isso é definitivamente um incentivo. Pensou ela.

No relógio já eram 19:48, sua hora habitual de chegar. Rose estava na casa de uma amiga e chegaria tarde com o jantar das duas, ainda não havia dito para ela e nem para ninguém sobre o fracasso dos depoimentos. Tudo iria desabar em questão de dias e já havia resolvido que seria a sacrificada, a que manipulou todos a mentir. Outra saída não conseguia enxergar. Agradeceria a todos pelo que fizeram, mas quando tudo explodisse os deixariam de fora.

Após seu banho de lágrimas, resolveu aceitar a situação. Jo ontem, depois que chegou, teve de sair para resolver uns assuntos e não pôde presenciar o desastre que foi ao atender os clientes. Simplesmente, se pediam algo, dava sem muita cortesia ou comunicação. Ao contrário da dona do local que por muito pouco não se voluntariava para massageá-los. Ao menos amanhã era sábado e caso precisasse depor de novo para confessar suas mentiras, faria sem precisar chegar tarde na loja outra vez.

O sofá lhe acomodava igual a que todos os dias, mas naquele momento parecia que uma pedra estava a baixo de seu corpo e em cima também. Não ligou a televisão, apenas visualizava o nada. Talvez tivesse que começar a treinar para que ficassem assim, sem televisão, sem contato, apenas em uma sala pronta para fazê-la desejar a morte. O toque do telefone a despertou da imaginação do exílio. Em primeira instância tateou os bolsos em busca do celular, como sempre fazia até lembrar-se que não o tinha mais.

— Alô — Atendeu já pronta para dizer as palavras '' Não, a Rose está. Quer deixar recado?''

Em contradição à isso, o telefone era para si.

— Elena, oi é o Marcel.

Ela de imediato se ajeitou nas almofadas, não esperava que depois do que aconteceu ele a ligaria.

— Oi Marcel, tudo bem? Aconteceu alguma coisa? — Transpareceu preocupação.

— Não, Elena. Não se preocupe, que tá tudo ótimo. — A voz dele parecia envergonhada. — Só liguei mesmo porque queria te pedir desculpas pelo que aconteceu, pelo jeito que eu falei com você.

As sobrancelhas de Elena se franziram.

— Ah sim. — Ela riu envergonhada, ainda sem entender a razão por ele estar fazendo isso. Provavelmente não se fica bravo muito tempo com quem paga seu salário. — Tudo bem, a culpa é toda mi...

— Minha, eu sei. — Ele a interrompeu. — Olha, eu não vou mentir me deixa um pouco chateado que você não tenha me contado a verdade sobre o que aconteceu totalmente entre vocês e eu não entendo honestamente, mas pelo menos você falou a verdade no depoimento e isso é o que importa.

Mas do que ele tá falando? Pensou ela, sentindo sua mente dar um nó.

— Do que tá falando Marcel. Porque acha isso? — Angustiada, temeu pela resposta.

Ao contrário dela, Marcel sorria do outro lado da linha.

— Acabei de receber o depoimento do Damon e está como o seu. Agradeço por não ter mentido. — Sem uma resposta pronta para entregar, Elena simplesmente se reclusou ao silêncio. Havia ouvido certo? Sua mente se perguntava, talvez fosse uma peça de sua ilusão querendo acreditar que ainda havia uma luz no túnel.

Tentou inutilmente dizer algo plausível, sem conseguir.

— Todas as coisas que os dois disseram bateram, eu te devo mil desculpas.

— Ah... — Ela engasgou. — Marcel eu não sei o que te dizer de verdade. — Não iria arriscar falar mais do que aquilo. Nem ao menos conseguiria ser tão convincente, estando em tamanho choque.

— Só aceita minhas desculpas. — Ele disse simplesmente. Houve uma curta pausa na conversa. — E assim que ver o Damon peça em meu nome também. Afinal, como ele está?

Mais uma vez o entendimento passou longe, sentiu-se vivendo em uma outra realidade onde não conseguia compreender nada do que lhe diziam. Raciocinou um pouco, Marcel havia lhe perguntado sobre Damon? Definitivamente, aquilo era um sonho.

— Não entendo. — Sussurrou.

— O habeas corpus foi aceito. Ele saiu hoje de tarde, vocês não se viram?

— COMO É? — Não houve tempo pra digerir, gritou impulsivamente sem conseguir se conter.

— É, ele saiu hoje, já faz umas cinco horas. Pensei que já tivessem se falado.

Elena elevou as mãos até os lábios, precisava encerrar aquela ligação o quanto antes.

— Marcel, te ligo depois ok. Obrigada. — Agradeceu apressadamente, não deu tempo para o outro responder levando em conta a rapidez com qual desligou o aparelho.

Cinco horas. Marcel havia dito cinco horas. Seu medo havia se concretizado, talvez durante esse tempo de isolamento tudo que Damon sentia era arrependimento. Não podia culpá-lo, por suas consequências havia o levado para o inferno. Um inferno que infelizmente ele já conhecia e ela logo também, ou talvez não. Eram tantas coisas para assimilar, como era possível que o depoimento fosse tão compatível ao seu? Tantas perguntas na qual só ele poderia lhe da as respostas, mas sentia-se demasiadamente atônita para levantar-se e procurá-lo. Quer dizer, procurá-lo entre aspas. Não havia outro lugar além da casa de Alaric na qual ele pudesse estar. Talvez ele não quisesse vê-la, mas pela primeira vez contrariou suas atitudes dos dias anteriores e resolveu ser egoísta por um instante. Correu para o espelho mais próximo, sentindo desagradecida com o encontrado no reflexo. Olheiras, cansaço, um moletom extra largo que usava em suas idas e voltas do trabalho, despenteada pelo boné. Não, estava tudo errado. Mas sua distância tampouco estava correta.

Precisa de respostas e, mais que tudo, precisava de paz de espirito. Antes que se martirizasse ainda mais pelo que via naquele vidro na parede, saiu pisando em fundo com aquele tênis preto esportivo.

—--x---

Passaria boa parte da noite sozinho em sua recente liberdade. Pelo menos dessa vez poderia ter a companhia de algum filme interessante que estivesse na televisão. Poder tomar um banho descente sem água contada foi aliviador, tanto quanto fazer a barba e mal poderia crer que logo iria repousar em uma cama de verdade.

Sua janta estava garantida, Damon regressava das compras com macarrão instantâneo, molho de tomate e suco de uva, para driblar o desejo por um vinho. Adentrou ao prédio encarando o relógio em seu pulso 20:10. Iria dormir cedo naquela noite, talvez em menos de uma hora. Estava com mais sono do que já esteve em toda sua vida. Era preferível, já que não iria deixar sua mente viajar para lugares e situações na qual deveria manter longe. Pela primeira vez em muitos anos, curtiu a subida daqueles três andares de escadas, sentia-se feliz por ter espaço.

Convivendo lado à lado com a solidão nos últimos dias, mais um momento assim era exatamente o que não precisava. Desejava uma conversa, desejava uma companhia, desejava gente querida ao redor, desejava...

Elena. Seus pensamentos congelaram com a figura sentada em frente a porta do apartamento, estava com a cabeça baixa incapaz de vê-lo. Reconheceu pela estrutura corporal em si, porque de resto estava diferente, a começar pelo moletom cinza que poderia acolher ela e ele juntos. Foi só até aí que sua percepção alcançou, foi incapaz de centrar-se em algo a mais que não fosse aquele choque inicial. Mas conhecendo-a como a conhecia talvez não fosse uma aparição tão imprevisível assim.

Controlou a vontade de abraçá-la e pigarreou alto para que a despertasse. Assim que os olhos se elevaram em sua direção, um sorriso involuntário veio junto. Não pôde conter.

Ofegante, Elena levantou-se ainda presa com seus olhos nos dele. Estava diferente, ambos mais magros, com a aparência mais velha. Qualquer um que a visse provavelmente não acreditaria que se tratava de uma garota de apenas 17 anos. Ambos matariam por um abraço, mas estavam perdidos sem saber a situação que se encontravam. Para ela nada havia mudado, mas não podia exigir o mesmo dele sendo que não foi a mesma que passou os últimos dias enclausurado como um animal.

Continuaram se encarando em silêncio.

— Oi. — Ela sussurrou, querendo encarar o chão. Mas não conseguia, era impossível deixar de olhá-lo. — Soube que você saiu. Imaginei que tivesse aqui.

Ele sorriu envergonhado.

— Bom, não é muito difícil imaginar. Não é como se eu tivesse outro lugar pra ir. — Houve uma curta pausa, para mais olhares e silêncio. Não sabiam como prosseguir, tanto por uma certa vergonha quanto por um certo desejo de seguir um impulso mesmo que pela última vez. Foi então que ele se lembrou de suas compras e do que precisava fazer. Não seria aceitável que fosse visto naquele corredor com a garota na qual supostamente havia abusado. Ao menos alguma metade daquele homem racional continuava dentro de seu corpo. — Eu preciso entrar. Me acompanha? — Perguntou, ainda com o tom de voz mais baixo do que o de usual.

— Não tem ninguém ai? — Elena sabia que Alaric provavelmente não iria gostar de vê-los juntos.

— Não. O Ric foi jantar na casa dos pais da Meredith e quando isso acontece, voltam tarde. — Explicou-se, enquanto abria a porta com a chave.

Foi então que Elena reparou nas vestes dele, não pareciam as que Damon tinha em seu guarda roupa. Ainda com esse pensamento impregnado, adentraram ao apartamento.

— O que houve com as suas roupas? — Ela perguntou, diretamente. Pela primeira vez havia intimidade em sua fala.

— São roupas velhas, que eu tinha aqui. — Disse enquanto caminhava até a cozinha. Elena, logo atrás o seguia. — Normalmente quando aprontava alguma coisa e o Ric me resgatava de alguma confusão, dormia aqui. Fazia tempo que não usava.

As sobrancelhas dela, se uniram em dúvida.

— Como assim? Tá querendo dizer que as suas coisas ainda estão lá na... — Parou. Iria dizer '' minha casa''. — Na casa da Isobel.

— Sim. — Ele assentiu, enquanto voltavam para a sala. Também perguntaria o que houve com as roupas dela, mas desistiu. Não sabia ao certo e tinha ciência do quanto ela poderia ser insegura em relação a como se vestia, como se maquiava, como se portava. Ignorou a curiosidade. — Minhas roupas, minhas coisas, até meu peixe. Ainda tá tudo na casa da sua mãe. — Deu ênfase a última frase, fazendo-a revirar os olhos e bufar. — Sei o que está pensando. Mas não quero que fique com raiva dela.

— Damon, ela nos entregou. — Rebateu, nervosa. Aquele assunto a deixava assim.

— Ela é sua mãe Elena, não conheço uma mãe sequer que não agiria desse jeito.

— A sua não agiu.

— Porque eu sou o adulto.

— Então eu sou uma criança? — Prendeu um grito de descontrole, embora quisesse muito libertá-lo.

Damon fechou os olhos, contando mentalmente até um número infinito. Não era o momento para discussões, nem sequer sabia se tinha forças para uma.

— Não, Elena. — Admitiu derrotado. — Eu mais do que ninguém não posso te considerar uma criança.

Frustrado, jogou o corpo com força contra um inocente sofá. Elena o assistiu de pé, decidindo-se manter a calma também. Seu último objetivo com aquela visita era uma briga, ficou tanto tempo sem vê-lo e aquela não era a recepção que nenhum dos dois merecia. Antes que o assunto escapasse de seus dedos, resolveu falar.

— Pretendia me procurar? — Foi direta, escondendo o medo que tinha daquela resposta.

Ele demorou para dizer algo.

— Mais tarde, queria me informar antes sobre o que estava acontecendo antes de... Te procurar.

Em gestos lentos, ela sentou-se ao seu lado.

— Bom... Se quiser se informar sobre algo. Pode falar comigo. — Sugeriu tímida, esperou por uma resposta vinda dele. Mas não aconteceu. Droga, pensou ela. Muda de assunto. — Fico feliz que o habeas corpus saiu. Achei que seria difícil, já que você tinha ficha.

— É, mas o Marcel foi esperto. — Aos poucos sentiu-se mais confortável. — Ele enviou junto com o pedido, depoimentos bons sobre mim, carta de recomendação dos organizadores das fundações onde eu fiz trabalho comunitário pra pagar a pena. Até mesmo da última reabilitação, da psicóloga que eles tinham lá. Isso ajudou.

Caminhando suas mãos para segurar a dele, Elena voltou o trajeto ao pisar os pés na terra, ainda tinham aquela intimidade?. Damon não pareceu perceber.

— Eu to morando com a Rose agora. — Ela reparou que não havia surpresa na reação dele. — Sai de casa depois de tudo.

Damon assentiu, fazendo a suposição dela correta.

— Minha mãe me contou.

— Ela te visitou? — Sorriu, ao pensar que talvez o sofrimento ali tenha sido diminuído.

— Duas vezes. Ela não pôde ir muito por causa do Giuseppe, contaram pra ele que ela sabia. Eles brigaram feio.

O peso na mente de Elena ficou maior com isso, imaginava que na de Damon também deveria estar assim.

— E o Stefan? Ele sabe?

— Não. — Negou no mesmo minuto. — Ele ligou e o Ric disse pra ele que viajei. Não quero que saiba.

Nisso ela concordava. Percebia seus pensamentos cada vez mais distantes da razão para ter vindo, perdia-se em cada acontecimento, em cada detalhe, tudo lhe fazia perder o foco quando estava com ele. Não sabia quantas mais distrações haveriam em seu caminho até o final daquela '' conversa'' cada vez mais estranha. Ele a observava atento, certo de que ela queria lhe dizer algo; Perguntava-se se era correto esperar ou ajudá-la tomando a iniciativa, antes que se decidisse ela pareceu desenvolver a coragem suficiente para se expressar.

— Damon, eu tenho mantido contato com o advogado. — Coçou a testa, confusa. Não queria dizer à ele que estava pagando Marcel, era melhor precaver que Damon pensasse que lhe devia algo. Principalmente dinheiro, nos papéis constava Rose e, talvez, fosse melhor que as coisas se mantivessem assim. — E ele me contou que seu depoimento foi muito parecido com o meu. E eu menti, Damon. — Damon percebeu que ela parecia hesitante, como se não quisesse acusá-lo injustamente de algo. — Como isso aconteceu?

Ela a olha fixamente, pela primeira vez ela o sente presente ali. Não precisava de mais nada pra saber que algo aconteceu.

— Um dos policiais é bem amigo meu. — Confessou, um tanto envergonhado. Mas não arrependido. — Pedi pra ele consegui seu depoimento.

Elena desviou o olhar, dessa vez a vergonha era sua.

— É tão previsível assim... Advinhar que eu iria mentir?

— Não. — Ele negou no mesmo segundo, com toda veemência. — Não quero que pense isso. — Sentiu mais do que nunca o desejo de a ter por perto. — Só sabia que iria tentar me proteger.

Ela suspirou, desacreditada.

— Tudo bem, Damon. Eu entendo.

— NÃO, ELENA. Você não entende nada. — Gritou, assustando-a. Levantou-se de seu lugar indo para um canto qualquer da parede. Ela o encarava, continuando sobressaltada. — Eu faria o mesmo por você, Elena. — Sussurrou, sem coragem. — Eu faria o mesmo por você, todos os dias e em qualquer situação. — Ele rangeu os dentes, repetindo para si mesmo que deveria manter o ogro dentro de si adormecido. — Eu sei que as vezes não parece, mas é verdade. Esse tempo todo, tudo o que eu senti naquela cadeia era que, pela primeira vez na minha vida, eu cometeria o mesmo erro de novo e...

Não foi preciso terminar. Um corpo o atacou antes que sua sentença fosse completa. Começou com um beijo calmo e doce, na qual foi correspondido dos dois lados no mesmo segundo por tamanha saudade. Sentiu todos os pedaços do mundo se unindo em um e todas as questões do universo sendo finalmente resolvidas. Não haviam dúvidas ou segredos mais, ele a agarrou pelos cabelos sem parecer sentir culpa de nada. Sentia isso na maneira como ele a tocou, mais presente, mais entregue, mais seu. Damon agarrou suas pernas, tomando-a em seu colo. Ela sorriu pela atitude, na qual dessa vez ele tomava.

— Eu te amo, Elena. Eu te amo. — Disse sôfrego, tão baixo como um segredo.

Ele colidiu com alguns móveis até que chegasse ao quarto. Quando a cama os recebeu, a pressa foi interditada junto, Damon se pôs sobre ela com a sensação de que agora estavam os dois juntos sem ninguém para interromper e muito menos um mundo lá fora. Olharam-se nos olhos, interrompendo a ação dos lábios, encontraram dois sorriso cintilantes e expressões apaixonadas prendidas por uma espécie de encantamento. Elena queria o mesmo que ele, queria ficar ali para sempre. Damon passeava o polegar pelo seu rosto, como se precisasse daquele pequeno toque para acreditar que aquilo era real. Seu sorriso se abriu ainda mais quando ele contornou seus lábios os desenhando.

Passaram um tempo assim, apenas se encarando e acariciando os cabelos, a pele. Sentindo a presença, matando a dúvida de que aquilo não era um sonho. Ela mesma retirou sua camiseta, expondo seus seios sem o mínimo pudor, igual a todas as outras vezes.

Uma pressa súbita pareceu nascer em ambos, a lembrança de que ele provavelmente estaria com poucas roupas a impediu de tentar rasga-lhe a camiseta. Suas mãos apressadas, se juntou as dele na luta para quem desabotoaria tudo primeiro.

— São muitos botões. — Elena gargalhou sendo acompanhada por Damon.

A espera valeu a pena ao sentirem o toque de seus colos um junto ao outro. Elena grunhiu em resposta e sem perder tempo, Damon levou os lábios até seu pescoço. Desceu para os ombros e beijou cada um deles, passeando o nariz pela área. Adorava aquele cheiro.

As roupas já pareciam incomodar cada vez mais e como sempre, Elena, foi a primeira a se saturar com a ausência de mais pele. Antes que invertesse as posições, levantou-se retirando tudo que a cobria, Damon a olhava com a mesma admiração e respeito de sempre. Voltou para os braços dele completamente nua, como desejava que ele estivesse também.

Os beijos seguintes saiu intercortados pelas mãos constantes do rapaz em sua pele, que em uma espécie de tortura subiam e desciam sem controle até que Damon a tocasse onde queria. Quando ele tocou, simplesmente fechou os olhos e lhe agarrou pelos ombros enquanto seus gemidos cresciam pelo ambiente.

Atingiu o primeiro êxtase da noite pelos dedos dele e enquanto possuía a chance de se recuperar, Damon se afastou fazendo o que Elena queria que fizesse com suas vestes.

— Eu quero agora. — Ele confessou em seu ouvido, com a voz mais grave do que quando lúcido.

Damon não esperou por sua resposta, já sabia o que ela queria. Ele por iniciativa, afastou as pernas dela e mordeu o lábio inferior da garota antes de penetrá-la. De imediato ela lhe apertou as cinturas, enquanto esperava que seu corpo se acostumasse com a presença dele.

Não haviam sequer começado e já estavam ofegantes.

Elena sentiu um estremecer em seu si já no primeiro movimento. Sim, estava pronta. Estava mais do que pronta. Esperou até que ganhassem ritmo para que se movimentasse com ele, causando o aumento de seus gemidos assim que o fez. Damon a ergueu pelo estomago, colocando-a de costas para si de modo que ela pudesse apoiar os braços na cabeceira e tomar mais impulso.

Não conseguiam se olhar, mas o que sentiam era suficiente. Toda vez que sentiam que estavam perto do orgasmo, diminuíam as estocadas tudo para aproveitarem mais o momento. Arfou involuntariamente quando uma das mãos dele apertaram um de seus seios. E não soltou.

— Damon. — Sussurrou seu nome, feliz por estar fazendo isso. Nunca mais queria dizer outro nome além do dele em um momento íntimo. Aquilo a ajudava a acreditar no que estava acontecendo ali.

Ela o sentiu arranhar suas costas, fazendo-a se contorcer. Ambos já sentiam-se sem forças mais. Elena atinge o clímax finalmente, sendo seguida por ele logo depois.

Ficaram em silêncio, esperando a mente voltar para a terra junto com o restante de seus corpos. Vendo que Elena ainda demoraria para se recuperar, Damon a trouxe novamente para si e deitou em cima de seu peito. Sentiu ela sorrir contra a sua pele, não imaginou que a saudade fosse tanta. Elena lembrou-se que não eram só os dias que havia estado separados e sim quando estavam juntos, há mais de um mês sem poder estarem perto, sem poder tocá-lo como queria, sem a sua presença.

Achou ali que tinha o perdido, muito mais do que quando tudo foi descoberto. Já com as forças de volta sobre si, Elena o apertou contra seus braços. Esperou por uma respostas, mas ao encará-lo viu que Damon já tinha adormecido.

Sorriu com a imagem. Era de se esperar, afinal com o mal que devia estar dormindo ultimamente deveria estar exausto. Ficou ali com ele e estaria disposta a ficar para sempre, até ouvir um barulho de chaves há uma certa distância.

Pelo visto, Alaric e Meredith haviam chego.