Matching

1 Matching — Capítulo Introdutório


Notas iniciais

Este é um capítulo introdutório, onde conta o início dos problemas do personagem, mas, isso irá desenvolver-se para frente apenas.

— Sr. Turner? — A voz da atendente soou por toda a sala de espera. Até que Cosmo se apresentasse. — O doutor Houston aguarda-no com seu diagnóstico na sala 3.

O nervosismo de Cosmo era palpável. E, os flocos de neve que alojavam-se em seu cabelo começavam à derreter. O filho de Bóreas manipulava à névoa para que os mortais não vissem os flocos, mas, se eles derretessem, isso não seria possível. Pareceria que Cosmo estava suado, e, como sempre, isso era constrangedor. Muito constrangedor!

A sala três era no fim do corredor. Última sala à esquerda. O doutor Houston não era um semideus, mas, era um sátiro. Um sátiro 'aposentado'. Um ex-protetor. Mas, ainda sim, uma criatura mitológica.

Cosmo tinha intimidade com o Doutor Houston. Na verdade, desde que começara à trabalhar e obtivera um plano de saúde, o menino — agora um homem — tratava-se com o Sr. Houston. Era quase uma tradição.

Ao transpassar à sala do médico, o filho de Bóreas percebeu que o médico 'ostentava' uma cara séria. Decepcionada, talvez. O nervosismo atacara a mente de Cosmo e a névoa falhou.

Com o tempo, o homem — que Cosmo tornara-se — conseguia manipular à névoa muito bem. E, seu poder estendia-se até à criaturas mitológicas. Como alguns monstros mais bizonhos e sátiros. Além de semideuses. Certa vez, Cosmo conseguira enganar Kera. Mas, apenas fingira-se de morto.

— Doutor Houston... — Cosmo tentara começar à falar, todavia, fora interrompido

— Senhor Turner, sente-se, por favor. — A voz de Carl — o doutor Houston — era ríspida. Portanto, Cosmo obedecera sem hesitar — És filho de Bóreas não?

O semideus não entendia o motivo da pergunta. VÁRIAS VEZES ELE JÁ CONTARA QUE ERA FILHO DE BÓREAS AO MÉDICO. Mas, por que Carl queria confirmar? Isso estava ridículo! Tinha algo errado ali! E, Cosmo temia pelo pior. Claro, morrer não era seu medo, o seu medo era a imobilização mental e, até mesmo a física. Suas costas estalaram apenas de pensar nisso, e, a cara de dor de Cosmo fora bem... visível.

— Sim Carl, eu sou filho de Bóreas, tenho 19 anos e morei por 6 anos no acampamento. — Dissera Cosmo com uma voz de que ainda sentia dor — Mais alguma coisa que esqueceu? — Perguntara Cosmo, com escárnio.

— Ah... por favor Cosmo, não tente defender-se, irei dizer-lhe apenas a verdade.

— Pois bem. — Cosmo interrompera — Que comece. — A expressão do semideus era indiferente. Como sempre. Ele não iria mostrar-se fraco perante alguém que possa ser um adversário ou um desafiante. Esse era um de seus preceitos.

O médico levantara. Ele fora até a chapa de luz, e, ligara-na. O exame de raio-x já estava lá. E, Cosmo não conseguia distinguir o que era osso e o que era massa muscular. Estava tudo branco!!! E, ele não estava exagerando! Isso não era mais uma das hipérboles de Cosmo! ESTAVA TUDO BRANCO!

— Como podes ver, não dá para diferenciar o que é osso e o que é massa muscular. Está tudo no mesmo tom... — Dissera Carl com uma voz hesitante — ... Exceto...

— Exceto...? — Como assim haviam exceções? Isso não estava normal! E por que a voz de Carl estava hesitante? Ele sempre fora convicto!

— Bom Turner, como sou um bom médico e tenho recursos, resolvi aproximar a imagem. — Dissera ele desligando o painel e sentando-se no computador. Ele digitou algo e virou a tela para Cosmo, que, estreitou os olhos.

O filho de Bóreas não estava acostumado com tecnologia. Nunca pôde comprá-la e muito menos usá-la. Semideuses usando tecnologia eram alvos mais fáceis, e, como Cosmo nunca fora o mais forte... ele nunca podia ser o alvo.

— Se ver bem, aqui, em uma parte acima de sua clavícula, há um espaço que pode ser determinado massa muscular. E, não é só aqui. Repete-se em alguns pontos, mas, tem uma área que deveria estar assim... mas não está! Parece... — Ele hesitou. Provavelmente estava tentando dar um ar mais 'doce' à sua notícia ruim. Seu espírito eufemista continuava à reinar. — Parece repleta de ossos.

Ossos? Como assim? Isso não é possível! Tudo bem, Cosmo estava meio corcunda, e, não conseguia ajeitar sua postura. Isso doía de mais! Mas, suas costas estarem repletas de ossos era de mais!

— Impossível! Não... pera... — Cosmo estava confuso, portanto, decidiu não exclamar nada. — Qual é a sua teoria?

O doutor Houston fez aquela cara de satisfação que sempre fazia quando Cosmo ia ao assunto em que ele queria chegar.

— Bom, a minha teoria é quê, asas estejam nascendo e desenvolvendo-se, além de ajeitando-se; asas em suas costas! Como se você fosse um boréade. Pelo 'suor' que molha sua cabeça, os flocos devem estar multiplicando-se, e, pelo contraste de seu cabelo com os flocos, quando você acorda seu cabelo parece sem melanina alguma. Como um boréade!

Um boréade? SÉRIO? Impossível! Isso era a coisa que Cosmo mais odiava. Os boréade! Eles eram soberbos, não queriam lutar ao lado de Cosmo no 'exército do Norte', e, além do mais, eram ridículos e desunidos.

— Não. Não. Não. Não!

— Eu sei meu amigo, é ruim, mas é a realidade.

— Tem como mudar?

— Daria se você tivesse sentido essa dor quando chegou ao acampamento. Foi naquele tempo que as asas estavam enraizando-se em você, mas, você, por ser durão, não sentiu nada. Agora, que as dores estão mais fortes, você as sente. E, provavelmente, está perto delas 'desabrocharem'.

— COMO ASSIM DESABROCHAREM? VOCÊ NÃO ESTÁ DIZENDO QUE... — Cosmo foi interrompido, quando começava à levantar-se com uma cara transtornada

— Xiuuuuuu!! — Carl colocara a mão na boca, para que Cosmo falasse baixo.

— Você não está dizendo que a qualquer momento asas roxas sairão de minhas costas rasgando minhas roupas e naquele formato estranho né? — O rosto de Cosmo era de completa perplexidade, indignação e medo

— Não. Elas não sairão naquele formato, sairão menores, mas, em dias, estarão no mesmo formato que as de seu pai. E, também não nascerão roxas. Provavelmente deverão nascer brancas, depois passar para um azul, verde-boreal e assim chegar no roxo, mas ainda sim podendo ficar algumas partes de verde-boreal, por você ser um semideus.

Verde-boreal? Isso existia?

Cosmo apenas balançara a cabeça em negativo e sentara-se novamente. Ele colocou a mão na cabeça para espantar a repentina dor de cabeça e aturar a dor nas costas, que também afligia-lhe.

— Não tem mais como mudar amigo. Irei passar-lhe umas recomendações, pode esperar aqui se quiser.

De repente, a sala ficara quente.

O consultório de Carl sempre tivera uma temperatura maior que todo o hospital. Mesmo sendo metade bode, Carl era metade humano, e, essa metade humana tinha um termostato bem sensível. Ele odiava temperaturas frias, e, falava que sentia calafrios por todo o seu corpo quando Cosmo falava, respirava ou olhava para ele.

Todos sempre falaram isso. Ou ao menos após Cosmo começar à desenvolver seus poderes. Era como seus sobrinhos. Tinha uma aura congelante. Coisa boba.

Mas, Cosmo não ficaria no consultório, ele levantou, e, olhou no espelho sua postura totalmente indevida. Sentia saudades de sua postura exemplarmente correta, com a mochila de lado para contradizer isso, e, sua camisa do acampamento laranja... enfim. Sentia falta do passado.

Como não podia voltar no tempo, Cosmo apenas sentara-se ao lado de fora do consultório de Carl, aguardando as 'instruções', para voltar para casa e tomar uma boa dose de coragem para enfrentar isso.

Notas finais
Se você leu, por favor, não precisa elogiar nem nada, mas, apenas comente para que eu saiba que, ao menos uma pessoa leu isso.