Matching
2 Capítulo 1 — Le problème
Notas iniciais
"— Sr. Turner? — A voz de Alex, o porteiro, ecoara por todo o corredor, mas, Cosmo estava tão distraído que nem percebera, após ver o semideus apertar o botão do elevador, o porteiro, novamente, o chamou. — Sr. Turner?
Desta vez, Cosmo escutou. Mas, quase não dera importância. As notícias que ele trazia para casa não eram as melhores. E, a dor nas costas, era mobilizante, física e mentalmente. Cosmo estava cansadíssimo!
— Ah, perdoe-me Alex, estava distraído — Dissera ele em um francês imbatível, mas, ao lembrar-se que, Alex falava apenas inglês, ele repetira a mesma coisa no idioma apropriado.
— Bom, tem uma correspondência para você!
A afirmação do porteiro animou à Cosmo. E se fosse... ELA? Não, não poderia ser ELA. ELA, Laford, ou Gaia Laford, havia partido! Laford havia decidido enfrentar o hemisfério Sul. Algo desconhecido para Cosmo, e, para todo o acampamento meio-sangue. Desde que completara 18 anos, um ano atrás, ele não recebia mais notícias dela. Pelo que sabia do hemisfério Sul, ela poderia ter sido devorada, morta, estrangulada, ou, simplesmente, poderia estar... viva. O menino negava-se à ter esperanças. As chances de Laford estar viva eram de... 2 em 100. Mas, por que 2? Porque as estatisticas eram de Cosmo e ele colocava o número que quisesse! Mas, ele duvidava que um simples monstro mataria Laford. Ela era... bem, ela era ELA. Não haviam adjetivos para descrever Laford. Mas, o que aproximavasse mais dela era perfeita. Cosmo só não podia denominá-la como perfeita, pois, Laford tinha um defeito. Ela resistia às — que com o tempo foram tornando-se descaradas — investidas de Cosmo.
O filho de Bóreas nunca fora de ficar flertando com qualquer uma, e, muito menos, com todas. Portanto, Laford fora a melhor de todas. Ela respondia à seus flertes, mas, ao mesmo tempo, não dava liberdade à Cosmo. A filha de Peitho conseguia deixar o filho de Bóreas desconcertado. Desde uma resposta positiva para algo... absurdamente impróprio; à uma atitude inesperada por Cosmo. Laford tivera apenas 3 contas no acampamento, Cosmo tivera 6 contas. O dobro, mas, ele só começou à reparar nela após a primeira conta da menina. Que, fora, concomitantemente, ao mesmo tempo em que Frank e Jill sairam do acampamento. 'Acompanhando-os' foram também Ágata, Seth, Laila, Perséia e Collin. Portanto, a 'lista' de amigos de toda a vida de Cosmo, havia chego ao fim. Claro, ainda havia Simas, que, Cosmo nem via tanto por causa das missões, e, o filho de Tânatos estava namorando, então, dedicava todo o seu tempo livre à seu namoro. As únicas companhias de Cosmo sem serem seus amigos, eram, seus familiares. E, com familiares, quero dizer desde uma brisa do inverno ao mais poderoso, raivoso e egocêntrico venti. Além de seus sobrinhos, claro. Perséia era uma das sobrinhas de Cosmo. Ela era filha de Aura, e, tivera pouco tempo no acampamento. 2 anos a menos que Cosmo. Assim como Laila, que, tivera o mesmo tempo que Perséia. As duas amigas de Cosmo eram BEM incertas. Laila, por ser filha de Anteros, o deus do amor correspondido, era meio neurótica e filofobica (Além de paradoxa). Portanto, a qualquer princípio de paixão que ela sentisse por alguém, Cosmo e Perséia eram incumbidos de ocupá-la para que ela se distraísse. Em certo momento, Cosmo e Perséia fizeram planos para empurrar Laila para um menino no acampamento. Mas, o resultado foi: Laila chicoteara o menino, e, quase quebrara a coluna vertebral dele com sua maça. Não, não era uma maça vermelha e suculenta, e sim uma arma grega com espinhos e tudo mais! Para Cosmo, Laila exagerava de mais em sua filofobia, mas, ele não a questionou. Não gostava de ser questionado, portanto, não fazia com os outros. Perséia também quase fora empurrada para alguém. Ou, quase isso. Certa vez Simas tentara flertar com Perséia, o que não fora uma boa ideia. A sobrinha de Cosmo fazia jus à família boreada. Ela era calorosa como uma belíssima pepita de nitrogênio SÓLIDO. Ela dera um fora tão grande em Simas, que, Cosmo não pôde deixar de rir. Assim como todos que estavam na 'roda'. A 'roda' era composta por: Frank, Jill, Ágata, Collin, Perséia, Pandora, Laila, Simas, raríssimas vezes quando certas pessoas não estavam presentes; Seth, e por fim, Cosmo.
Frank e Jill = Jank.
Frank era um filho de Hécate, Cosmo o conheceu em seu primeiro ano no acampamento, quando fora na missão em Quebec com Simas. Jill, Cosmo conheceu posteriormente. Mas, fora Cosmo quem dera o empurrão para que 'Jank', se concretizasse. O filho de Hécate tornara-se como um irmão para Cosmo, o que dificultou um pouco as coisas, já que Cosmo odiava qualquer coisa semelhante à irmãos. Porém, Frank era seu amigão.
Ágata e Collin.
Ágata e Collin eram irmãos. Os pedragon. Primeiro, Cosmo conheceu Collin, e, ele fora seu primeiro amigo no acampamento, e, por muito tempo, o único. Ágata, Cosmo conhecera posteriormente, mas, até que enturmasse bem com ela.
Pandora e Simas = ????
Simas, como dito acima, Cosmo conhecera na missão no Canada, onde, o filho de Bóreas fora o líder. Pandora, Cosmo nem conseguia lembrar-se de seu nome. Apenas a achava um tanto estranha, mas, era a namorada de Simas. Os dois ficavam um tanto reclusos do grupo.
Laila e Perséia.
Laila era uma menina metódica e neurótica. Além de BEM enfadonha, quando queria. Perséia era a sobrinha de Cosmo. Era ele um tanto ao extremo, pois, Cosmo ficara mais 'doce' com o tempo e com as amizades. Aprendera a simpatizar. Como dizia uma colega sua do acampamento: Sorria e acene. Era isso o que ele fazia. Mas, Perséia não. Como já dito acima, ela era tão calorosa quanto nitrogênio sólido. Mas, isso não interferia muito em relações de amizade. Se as mesmas ficassem apenas na amizade.
Seth.
Seth era o namorado de Ágata. Eles nunca assumiram o namoro, mas, após o dia do telhado, que foi um dos dias do primeiro verão que Cosmo passara no acampamento; eles não tinham nada à esconder para Cosmo. Com o tempo, Cosmo insistira para os dois assumirem. Até porque eles negavam o romance, mas, após o incidente de dois beijos um durante uma missão, que fora relatado para Cosmo por Collin, que também estava presente na missão, e o outro em um dia no acampamento; o filho de Bóreas achou que seria melhor deixar com que eles se resolvessem sozinhos. E, o fez.
Ao lembrar-se dos amigos, Cosmo esquecera-se completamente de responder à Alex, que, já dizia seu nome pela 7° ou 8° vez.
— Sr. Turner? — Balbuciara o porteiro, já entediado. Ele sabia que Cosmo 'fugia da realidade' às vezes, e, demorava a responder, portanto, não incomodara-se. Mas, desta vez, o menino demorara a voltar.
— Ah, peroe-me Alex, mas, entregue-me logo esta carta! — Pedira Cosmo com um sorriso no rosto pra disfarçar sua grosseria e sua ordem, ocultadas por uma 'piada de entusiasmo'.
Alex não era dos muito observadores nem dos mais inteligentes, portanto, deve ter achado que Cosmo estava brincando, mas, mesmo assim, passara à carta para ele.
Sem olhar, o filho de Bóreas fechara os olhos e fora para o elevador, que, só agora, chegara.
[...]
— Pitágoras? — Chamara Cosmo ao entrar em seu apartamento. Pitágoras era um corvo branco. O companheiro de Cosmo. Um companheiro que já estava ficando velho, mas, aguentava o tranco. O corvo foi entregue ao semideus por Michael. O sátiro. Quando o mesmo partira para a Grécia. Foi meio que uma despedida, pois, Cosmo nunca mais tivera notícias de seu amigo. O corvo era realmente branco, não era albino. Se Pitágoras fosse albino, teria a coloração dos olhos vermelha ou rosada, mas, não! Seus olhos eram azuis. E, até melhores do que os de Cosmo.
Como de sempre, o corvo não respondera — graças à Zeus não? — apenas voara até seu 'posto' na casa. Um suporte de madeira que ficava em um canto da sala. O semideus fora até o animal e acariciara-o. Pitágoras estava ficando velho. E, logo partiria. A morte não era um problema para Cosmo, desde que não fosse a sua. Esse medo da morte devia-se ao encontro com a Quere individual de Cosmo. As quere são as deusas-monstro que personificam a morte de cada um. Existem as mortes individuais, como as por orgulho, por castigo, por fome, doenças; enfim, coisas em comum. Mas, a de Cosmo, era incomum, portanto, era uma Quere individual. O defeito de Cosmo era a subserviência aos pais. E, ele demonstrara isso ao longo de sua vida. Sempre, no primeiro dia de inverno, que era o seu aniversário, ele festejava mais à Bóreas do que à si mesmo. E, no restante, costumava ajudar o pai em tudo. Bóreas não era um exemplo de pai. Como Cosmo antes não era muito amigável, mas, também não esquecia-se do filho semideus. O que era bom.
Cosmo colocara a carta na mesinha de centro, e, sentara-se no sofá, não encostando as costas, como já era de costume.
As costas de Cosmo doíam mais do que ele podia descrever. E, o pior, ele não podia tomar nenhuma substância para aliviar a dor. Pois, não funcionava. O jeito, era esperar para que suas asas saíssem logo, e, o melhor jeito de fazer isso, era ficando sem camisa. O filho de Bóreas ficava um tanto constrangido quando tirava a camisa. Ele nunca tivera músculos bem avantajados, mas, por seus anos de treino no acampamento, o pouco que tinha definira-se. E, isso sim era constrangedor! Ele odiava ficar sem camisa, até mesmo quando ele estava sozinho. O frio de Quebec não o incomodava. Nunca o incomodara! Ele sempre tivera um termostato bem... inexistente. Mas, ele dava glórias por isso. Já que seu termostato era bem legal com ele, ele podia ficar sem camisa, e, quando fazia isso, sentia um alívio MUITO GRANDE.
Em suas costas saliências começavam à ganhar forma. Ele parecia até o corcunda de notre-dame! Se bem que o corcunda de notre-dame tivera um final feliz... mas, por Cosmo ser um semideus, ele não iria ter um!
O menino encarara a carta por um tempo, e, lembrara de muitas histórias suas com Laford.
Como quando eles foram à Nunavut e Cosmo perdeu uma aposta, tendo de banhar-se em um lago que tinha uma temperatura média de -33°C. E, ele nadou. Por sorte, Laford havia esquecido-se da parte em que Cosmo declarara que nadaria nu no lago. Ou ela simplesmente não queria vê-lo. Das duas formas, facilitou para ele.
Mas, uma coisa inesquecível fora a barraca do beijo. Laford oferecera-se para ficar na barraca do beijo, e, Cosmo ficara tentado à dominar àquela parte da festa. Laford era a paixonite dele! Ninguém poderia tocar! Sobretudo, Cosmo não podia impedi-la, e, ela beijara os garotos da festa, PORÉM, o jogo virou. Cosmo fora convidado à ser o menino da barraca do beijo, e, vendo-se ao lado de Laford, flertava com todas as meninas que passavam por ali. Após notar um ciúme no rosto da filha de Peitho, que encarava-no com aqueles olhos negros como petróleo sólido, com aquele cabelo rastafari loiro com rosa, aquele vestido florido preto com flores verde azulado ou o que quer que fosse, o melhor jeito de Laford, Cosmo ainda não havia conhecido. Mas, em seu imaginário, ele conhecia cada curva dela. Bom, melhor mudar de assunto. No fim da festa, a barraca do beijo já estava vazia, e, restavam apenas Cosmo e Laford. Ele brincara com ela que iria querer um beijo, mas, ela simplesmente o olhara rispidamente, como se não quisesse brincadeira. O filho de Bóreas arqueou uma das sobrancelhas em sinal de questionação. Tudo bem que a filha de Peitho era linda, com aquela pele parda e tudo mais... MAS, ele não poderia deixar-se levar por um ciuminho bobo. Novamente, ele brincara, mas, por não obter uma resposta ele saiu de trás do balcão e tirara uma moeda do bolso. Pagara pelo 'serviço' e iria beijar Laford. Isso era o que ele esperava. Ela deu um sorriso malicioso, e, isso fez com que Cosmo hesitasse. Se Gaia estivesse irritada com ele e desse um sorriso malicioso, o plano dele já tinha ido por água abaixo. No fim, Laford beijara Cosmo, mas, não foi pela barraca do beijo, ela simplesmente saíra de trás do balcão e encurralara-o no balcão dizendo: 'Você quer um beijo? Então terá!' E. Assim procedeusse o melhor beijo da vida de Cosmo. Realmente, Laford era quase perfeita, o único problema era que ela não estava com Cosmo. Mas, o negócio mais para frente esquentara.
Lembrando-se daquilo, Cosmo ficara com calor, e, parou de pensar nesse tipo de coisa. Ele queria falar com ela, mas, semideuses não tinham acesso à tecnologia. Era como pedir para morrer. Mesmo no norte e vivendo pelos arredores do palácio de Bóreas, Cosmo poderia atrair lestrigões, os 'canadenses', até si se usasse um telefone, portanto, eles enviavam-se cartas, e, às vezes, mensagem de íris.
De longe o menino pôde ver a caprichada letra e Laford, e, não pôde não ler. Ele pegou a carta e abrira-na. E, pôs-se a ler seu conteúdo.
"Reles Cosmo,
Queria informá-lo que, meu sonho de desbravar o hemisfério Sul chegara ao fim. Estou indo à Buenos Aires pela última vez, e, voltarei para o hemisfério Norte. Para o Canada, Montreal, para ser mais precisa.
Queria que você arrumasse um tempinho para mim.
Que Zeus o fulmine, Gaia"
Bem típico dela. Curta e grossa, mas, ainda sim, encantadora! Cosmo ficara tão encantado com a carta que não prestara atenção na parte em que LAFORD IRIA MORAR NA CIDADE AO LADO DA SUA!!!!!!
Mas, ao ler a carta pela décima vez, ele captou isso, e, dera um salto de alegria, infelizmente, suas costas doeram MUITO, e, ele cedera à dor, sentando-se novamente. Ele precisava da ajuda de Laford! E, ela estava vindo!
A menina podia usar a magia para acelerar o processo das asas de Cosmo, ou, simplesmente, torná-lo menos doloroso.
Pelo que sabia, Buenos Aires era a capital da Argentina, e, a carta havia sido enviada à 5 dias atrás. Portanto, Laford já estava para chegar!!! E, no verso do bilhete, seguia uma foto dela no chile.
Ela continuava linda, e, agora, no mesmo hemisfério, mandar mensagens de íris seria mais fácil! Portanto, Cosmo poderia ouvir a voz de Laford! E, só por isso ganhara seu dia.
O semideus permitira-se deitar no sofá e esticar os pés, ignorando a dor de suas asas. Mas, isso foi uma péssima ideia! O filho de Bóreas duvidou da dor que suas asas poderiam provocar, mas, logo depois, sentira nos ossos que aquilo não era brincadeira.
{...}
— Cosmooooooooo! — Aquela voz invadiu o subconsciente de Cosmo, acordando-o. Era a voz de Laford! Pera, ela estava em Quebec? Não, não podia ser.
O filho de Bóreas levantara do chão, e, percebera que havia rolado do sofá e ficara de bruços no chão, e, só assim conseguira dormir. Uma luz vinha da parede de Cosmo. E, ao levantar-se e olhar para lá, Cosmo viu Laford. ERA ELA!!!!
O menino sentiu uma vontade imensa de beijá-la, mas, aquilo era uma mensagem de íris.
— Gaia? — Chamou Cosmo, sem nenhuma voz de sono.
A aparência do menino era meio grotesca, uma parte de seu cabelo estava coberta por flocos de neve, e, a outra, estava com o seu cabelo mais negro do que nunca.
Cosmo ainda estava sem camisa, mas, a parte esquerda de seu tronco estava coberta por uma colcha azul.
— Cosmo? — Ao ver o estado do filho de Bóreas, a semideusa riu. Ela riu muito, e, o garoto estava tão abobalhado por vê-la que também riu. — Você andou malhando? — Perguntou Laford, ao ver o físico de Cosmo. Lógico, ela brincava! Só podia ser brincadeira!
— Que? Ãh? — Ao perceber que estava sem camisa, o filho de Bóreas cobrira todo o tronco com a colcha, e sorriu. — Laford! Você nem me avisou que havia chego!
— É a quinta vez que eu mando! — Resmungara ela — Ei! Você me deve 5 dracmas! — Ela sorriu, e, para Cosmo, foi a visão do paraíso. A menina, só agora, notara a corcunda de Cosmo, e, reclamara. — Nossa Cosmo! Um ano que não nos vemos e você fica corcunda?
— Ah, isso? São asas! — Disse Cosmo fazendo uma cara de dor ao lembrar-se delas. — Terei asas como as de Boréas.
Ao ouvir isso, Laford não conseguiu segurar o riso, e, comentou:
— Me engana que eu gosto!
O filho de Bóreas ficou meio indignado pela menina não acreditar nele. E, reclamou:
— Ei! É verdade! E, quando você vem para Quebec!
— Ia lhe fazer a mesma pergunta! — Afirmou Laford
— Eu já estou em Quebec, e, lhe espero.
A menina pôs a mão na cabeça em sinal negativo. E, Cosmo riu.
— Cosmo, quando você virá para Montreal? — Perguntara ela
— Não vai dar. Esta semana eu ficarei de guarda no castelo de 00:00 às 12:00. Não vai dar para fazer mais nada!
— Então eu vou para aí! — Afirmara ela — E, me conte mais sobre essas asas.
O filho de Bóreas inspirou fundo e contou tudo à Laford. Desde a dor inenarrável aos exames médicos e às recomendações de George, o médico.
{...}
— Você está linda! — Afirmou Cosmo.
Laford, finalmente, estava em Quebec. Haviam passado-se 5 dias que eles haviam falado-se pela mensagem de íris, e, a menina viera para Quebec para ficar na casa de Cosmo, e, o filho de Bóreas maldara isso. Mas, achou melhor não planejar nada. Afinal, Laford sempre acabava com os seus planos.
— E você está corcunda! — Disse ela ainda pretérita.
Gaia não havia conformado-se com a corcunda de Cosmo, mas, ao por a mão ali, ela sentiu um frio e soube que não era uma simples corcunda.
Cosmo já era frio, e, no toque, ficava ainda mais. Todavia, agora, a corcunda estava mais gélida que tudo!
— Isso está horrível! — Afirmara ela.
— Eu sei, e, obrigado pelo elogio! — A auto-estima de Cosmo nunca sobia muito. Era uma estratégia dele. Ninguém nunca o diz nada que ele não soubesse ou aceitasse. Ele sabia que era rude. Ele sabia que era grosso. Ele sabia que era feio. Ele sabia que era frio. Ele sabia que era chato; sem graça; horrível; muito frio; vil; hostil; às vezes egocêntrico, dentre outros adjetivos de baixo calão.
— Ah desculpa, mas, você sabe que eu te amo! — Disse Laford encostando a cabeça no peito de Cosmo e abraçando-o.
A filha de Peitho era menor que o filho de Bóreas, e, isso dava um certo nível aos abraços deles. A boca de Cosmo ficava na altura da testa da filha de Peitho, de modo que torna-se o beijo na testa uma coisa frequente.
Cosmo abraçara Laford, e, após dois minutos abraçados, ele aproximara-se do ouvido dela e disse:
— Gosto muito de você! — Um 'eu te amo' era um exagero. Cosmo não conhecia o amor. E, Laford sabia disso. A menina agira como se quisesse esconder o rosto no peito de Cosmo, mas, disse:
— Também gosto de você reles mortal! — A voz de Laford saiu abafada, e, Cosmo não ouviu tudo perfeitamente. Mas, foi tudo o que queria ouvir.
Para Gaia admitir que gostava de Cosmo era porque ela realmente gostava dele.
Gaia e Cosmo não eram como esses casais que dizem que ama-se no mesmo dia que começaram à namorar. Eles tinham uma história, e, olha que eles nem estavam juntos.
O filho de Bóreas sentira a sua boca ressecar, e, umidificara os lábios. Mas, ao fazer isso, chamara a atenção de Laford, e, do jeito que eles olharam-se, um beijo rolou.
Não foi um beijo de ficar chupando-se como certos casais fazem, foi só um beijo.
O melhor de tudo em beijar Laford era que, ela não fechava os olhos. Assim como Cosmo, ela mantinha o olho aberto, e, só os fechava, em momentos raros, ou quando o beijo está muito bom. O que não foi o caso do selinho que eles deram.
— Vamos para casa! — Afirmou Cosmo.
{...}
Ao ver a situação das costas de Cosmo, já em casa, Laford pusera as mãos ali. Pela descendência de Hécate e o treinamento com seus tios, Laford tinha certas habilidades, e, ao por a mão nas costas de Cosmo, ela sentiu as estruturas que formavam-se ali.
Elas estavam prontas. Estavam totalmente formadas, e, por isso havia um ovo nas costas de Cosmo. Ele tinha apenas de retirá-las dali.
Gaia não queria saber por qual meio Cosmo iria tirá-las dali, mas, duas marcas já formavam-se nas costas do menino. Provavelmente, era por ali que as asas deveriam sair.
— Hum... Cosmo, você costuma guardar morfina em sua geladeira? — Perguntou Gaia, indicando que o procedimento iria doer muito.
— Não... não... NÃO!
— Não grite! — Afirmou a filha de Peitho calma. — Você terá de fazer isso sozinho. Não deve sangrar, mas, a dor irá espalhar-se por todo o seu corpo, e, deve atingir ainda mais a sua sanidade.
— Prossiga.
— Bom, as estruturas de suas asas já estão formadas. Ou seja, elas já estão prontas, você tem de apenas tirá-las daí...
— Como assim tirá-las daqui? — Perguntara Cosmo com medo.
— Bom. Há duas superfícies diferentes e marcadas em suas costas, suas asas já estão posicionadas. Você apenas precisa fazer força. E vai doer...
— Defina dor.
— Algo próximo à beirada da morte!
{...}
Haviam passado-se 5 dias! 5 DIAS! E AS ASAS DE COSMO AINDA NÃO HAVIAM SAÍDO. FAZIAM 5 DIAS QUE ELE NÃO DORMIR, QUE ELE NÃO FALAVA, QUE ELE NÃO RESPIRAVA SEM SENTIR DOR.
A dor o invadiu por completo, e, ainda mais agora que ele começou o processo. Haviam 5 dias que ele fazia força, fazia força, fazia força e apenas dor.
Ele estava quase desistindo daquilo, mas, um pensamento veio em sua cabeça.
Ele nunca pensou em apenas concentrar-se. E, tentaria.
A dor corroía os seus ossos por dentro, impossibilitando-o de pensar.
Havia uma área de seu cérebro chamada Bulbo, que era atacada constantemente, trazendo faltas de ar à Cosmo e umas sensações de que o sangue dele parou de correr. Aquilo era ruim, e doloroso. Muito, muito doloroso.
Já disse que era doloroso?
Imagine, duas asas com estruturas ósseas saindo de suas costas? Com penas roxas e tudo mais? Cosmo preferia assistir à uma maratona de desenhos infantis à isso.
— Cosmo? — Era a voz de Laford. Ela o chamava nos outros dias para saber se ele estava bem. — Você está bem? — Falei!
Bem? BEM? BEM? Sério isso? Sério que ela perguntou isso à Cosmo?
— Claro! Só estou morrendo de dor pois duas asas com penas e estruturas ósseas estão prestes a sair por minhas costas, eu não consigo pensar, eu não consigo dormir, eu não consigo respirar sem sentir dor. Mas, de resto tudo bem.
Pergunta idiota, tolerância zero.
— É sério Cosmo... eu andei pesquisado... falei com o papai... e, e...
— E? — Disse Cosmo entre uma careta de dor e outra
— E que eu acho que posso ajudar.
— Faça.
— Calma.
— Estou calmo, você não me viu nervoso.
A menina só suspirou e Cosmo viu uma luz verde brilhante iluminando a porta.
— Ponha a mão na minha mão e encoste sua cabeça na porta. E, sim, minha mão é onde está esta luz.
O filho de Bóreas obedeceu. Gaia era a única menina que tinha tal liberdade para isso. Se alguém — qualquer um — dissesse para Cosmo encostar em sua mão, teria a mesma congelada. Pensam o quê? Cosmo é de família! Não é qualquer uma que ele pega na mão!
Cosmo estava cansado.
Cansado da dor
Cansado de não poder dormir
Cansado de ter que esperar
Cansado de ter que forçar-se
Cansado de ter de não fazer nada
Cansado de ter que ser cuidado por Gaia
Cansado de ter tornado-se dependente
Cansado de tudo
O filho de Bóreas sentia tanta dor que ele perguntou se podia sentar-se, mas, Gaia negou. Ela pediu que ele se concentrasse nela. Que, ela se concentraria nele.
Por um certo tempo, Cosmo até mesmo achou que tinha peitos. Ou ele umedeceu os lábios e sentiu gosto de batom. Certa vez ele até mesmo soltara uma lágrima e sentira algo borrando-se. Talvez um rimel.
A luz verde brilhante subiu pelo braço de Cosmo sem que ele percebesse, e, fazia uns cinco minutos que ela girava em torno de Cosmo. E, ele não sentia dor, mas, tudo isso reverteu-se.
Os momentos seguintes foram apenas dor. Dor e dor. Cosmo deixou-se cair de joelhos e sua visão escureceu, ele não tinha forças para gritar. Doía muito! Suas costas queimavam e sua espinha congelava. Seus ouvidos negavam-se à captar qualquer som, sua boca recusava-se à pronunciar uma só palavra. Seus olhos rejeitavam a ideia de olhar para algo.
Pontos verdes surgiram na visão de Cosmo. E, quando os mesmos sumiram, veio o alívio.
Não foi um alívio da dor, ainda doía, mas, agora, doía menos. Não diminuiu a intensidade da dor, mas sim os locais que doía.
Também havia um alívio nas asas de Cosmo que balançavam pelo banheiro. Pera. Que? As asas dele... Zeus!!! As asas de Cosmo haviam saído! E, ao olhar para trás, Cosmo viu belas asas roxas. Seu corpo todo doía mas, ainda sim, era aliviante.
— Gaia? — Chamou Cosmo. Sua voz era rouca, de tanto lamentar-se. Também, ele não conseguia fazer uma voz descente naquelas condições.
— Oi querido... — A voz de Gaia era embargada. E, isso preocupou Cosmo. Se ela chorava, era porque doía nela também, e, se doía nela, era culpa de Cosmo.
O menino saiu do banheiro quase que aos prantos e deu um belo beijo em Gaia. Suas asas ficaram balançando entre a abertura da porta. Elas encostava, na janela, do outro lado do banheiro. O beijo em Gaia fora revigorante, e, após isso, ela murmurou:
— Estou com sono...
— Estamos! — Disse Cosmo, e, logo após os dois riram, e, Cosmo pegou-a no colo deitando-a e logo após dormindo. Sim, apenas dormindo.
Acredite, realizar um feitiço daquele porte exige físico, mente e energia. E, Gaia ficara esgotada. O que Cosmo já estava à muito tempo.
A menina abraçava-se em Cosmo, pois, o menino era gélido como a neve, mas, ao dormir, era quente e aconchegante como um chalé de inverno com uma lareira acesa.
{...}
O telefone tocava quase que gritando. Isso acordou à Cosmo, mas, não a Laford. O filho de Bóreas estava acostumado com acordar o barulho do telefone. Afinal, ele acordava lá para as 4 e pouca.
Ao aproximar-se do telefone da sala, Cosmo notara que ainda era dia, ele dormira pouco, mas, sentia-se revigorado.
Ao atender o telefone ouviu um grito histérico bem conhecido por ele. Era Frank.
— COSMO TURNER SEU FABRICANTE DE GELO!!!! — Sério que aquilo era o melhor que o Mr AmarradorDeSapatos podia arrumar? — Eu estou te ligando à 5 dias!!!
— Desculpe, eu estou a 5 dias com problemas!
— Não importa! Faltam dois dias para começarem os ensaios!
— Ensaio de?
— Do casamento... o meu e da Jill, que você será padrinho... no acampamento. Eu deixei recado na secretária eletrônica
— Pera cara! Você não pode me avisar uma coisa assim tão cedo!
— Eu deixei a mensagem com 2 semanas de antecedência! — Esclarecera, por fim, Frank."
Fale com o autor