Match Point

35 ARCO 3 CONCRETO!- Capítulo 32- A Batalha do Lixão: Game Over


Notas iniciais
Chegamos ao fim do Arco 3. Esse capítulo é o encerramento de uma fase muito intensa para todos os personagens, especialmente para o Charlie. Escrevê-lo me consumiu de um jeito bom e dolorido, e eu só espero que ele toque vocês como me tocou. Boa leitura e… respirem fundo. É agora. Obs. Os POVs estão um pouco diferentes, nesse capitulo final. Deixei os POVs como temas e não em um personagem especifico sendo que os POVs terão a presença de Charlie, Nick e Kenma.

A Gaiola

O terceiro set estava prestes a começar. De um lado da quadra, os corvos. Do outro, os gatos. Nenhum som além do leve ranger dos tênis no piso encerado, da respiração ritmada dos jogadores, do zumbido abafado da torcida prendendo o fôlego. Era o silêncio antes do impacto, o exato instante em que o mundo segura o ar esperando pelo primeiro movimento.

Charlie ajustou a posição dos pés, tentando sentir firmeza no chão, mas seu corpo ainda parecia incompleto. A dor de cabeça tinha recuado para um canto distante da mente. O enjoo diminuíra. Mas o vazio nas pernas… esse seguia ali, pulsando em silêncio, como um lembrete cruel. A força não voltara por completo. O salto, antes certeiro, agora hesitava. O corpo respondia com um atraso mínimo, mas o suficiente para que tudo parecesse mais difícil.

Do outro lado da rede, os jogadores do Nekoma pareciam esculturas de carne e tensão. Se moviam com suavidade e precisão. Felinos em vigília. A cada passo calculado, a cada ajuste de ombro ou flexão de joelho, havia algo não dito, uma promessa de ataque. A quadra deles parecia um território marcado.

E Charlie, por mais que tentasse se firmar, sentia-se como um intruso cercado por olhos atentos e garras prontas. Ele fechou os olhos por um segundo. Quis encontrar um espaço de silêncio, mas tudo o que ouviu foi sua própria mente sussurrando, fria e direta:

"Me sinto preso." A frase não veio como um pensamento qualquer. Ela caiu dentro dele como uma pedra lançada num poço sem fundo, afundando com um peso surdo e absoluto. Ecoou por dentro como um sussurro molhado, reverberando nos cantos escuros da mente. "Não consigo pular. Não consigo cortar. Não sou mais aquele corvo livre."

E então, no silêncio fechado por trás das pálpebras, uma imagem se desenhou com nitidez cruel. Um corvo de asas largas, negras, carregadas de vento, batendo desesperado contra as grades enferrujadas de uma gaiola. As asas golpeavam o ferro com violência, uma, duas, dez vezes, mas os ferros não cediam. Só vibravam. Só faziam barulho. Do lado de fora, o céu seguia azul. Tão azul que doía. Um azul profundo, vasto, quase ao alcance do bico, das garras, do corpo todo... mas não das asas.

Era uma prisão especialmente cruel, porque permitia ver. Ver o céu, lembrar do vento cortando o rosto, do frio da altitude, da vertigem deliciosa do voo. Ele podia desejar. Podia quase sentir. Mas não podia alcançar.

"Kenma me prendeu aqui..." pensou Charlie, com amargura latejando em cada palavra não dita. "Como se tivesse lido todas as minhas jogadas, entendido minhas intenções, identificado o ponto exato onde me quebrar... e me trancou nessa maldita gaiola com precisão cirúrgica. Como se tivesse me estudado como um código defeituoso... e deletado minha liberdade linha por linha."

Charlie abriu os olhos devagar. O céu continuava ali. Mas ele ainda estava atrás das grades. Ele se sentia cansado. Era mais que cansaço. Era a sensação de ser traído pelo próprio corpo. Como se cada fibra gritasse por liberdade, mas os músculos tivessem esquecido como voar. Ele abriu os olhos devagar. Sentiu a ardência subir pela garganta. A raiva não era contra o adversário, nem contra o jogo. Era contra si mesmo. Por não conseguir se libertar.

Nick o observava do outro lado da quadra. Seus olhos não perdiam nenhum detalhe o jeito como Charlie se mantinha ereto, mesmo vacilante, o modo como os dedos tremiam levemente ao ajustar a joelheira, como o queixo se mantinha firme mesmo com o suor escorrendo pelo pescoço. Ele parecia prestes a cair... mas nunca caía. O rosto estava pálido, os olhos fundos. Mas o olhar... o olhar era fogo puro. Aquilo não era o olhar de quem queria fugir. Era o de alguém que já não aceitava estar preso. Nick engoliu em seco. Por dentro, uma guerra acontecia.

"Mas a que custo?" pensou ele. "Isso tá perigoso demais. Será que vale a pena jogar esse set? Arriscar tanto assim?"

Ele olhou ao redor. Cada jogador do Karasuno parecia ter feito a mesma escolha. Ombros caídos pelo cansaço, sim. Joelhos marcados, mãos trêmulas, respirações pesadas. Mas os olhos... todos brilhavam. Nenhum deles queria recuar. Não agora. Não com a semifinal ao alcance. Havia algo em comum entre eles, um fio invisível que os conectava, mesmo na dor. A certeza de que não era só um jogo.

Era o voo deles.

Nick cerrou os punhos. Ele queria a vitória. Claro que queria. Mas se para alcançar o céu fosse preciso deixar Charlie no chão... ele escolheria diferente. Sempre. E ainda assim, ao olhar para o lado e ver Charlie se reposicionando com a expressão endurecida, os olhos voltados para a rede, Nick soube: ele não iria desistir. Nem agora. Nem nunca.

Charlie sentiu o olhar de Nick queimar sobre ele como um feixe de luz tentando atravessar uma tempestade. E não suportou. Caminhou até ele com passos firmes, quase militares, o suor ainda escorrendo pelas têmporas. Parou a centímetros do rosto dele, os olhos faiscando.

"Pode parar!" disse, a voz cortante como uma flecha, o dedo apontado firme no peito de Nick.

"O quê?" Nick piscou, confuso, sem entender.

"Não tenha pena de mim."

Não havia hesitação. Nem rachadura na voz. Só firmeza crua, moldada no fogo de tudo o que tinham vivido.

"Charlie, do que você tá falando?"

"Eu te conheço, Nick." Ele deu um passo mais perto, o tom grave, íntimo. "Você sempre faz essa cara quando sente pena de mim. Essa cara de quem quer me proteger..."

"Char... eu só tô preocupado..."

"Então guarda a tua preocupação pro fim do jogo." cortou, seco, quase entre os dentes. "Eu não sou feito de vidro. Não sou um pássaro ferido. Eu tô aqui. Em pé. Jogando. E se você me olhar como se eu fosse quebrar... eu quebro mesmo."

Os olhos de Charlie se encheram d’água, mas não era fraqueza. Era um oceano prestes a transbordar. Era um vulcão sob controle.

"Você sempre foi o único que acreditou em mim. Mesmo quando eu me odiava. Mesmo quando eu só via peso nas minhas asas. Lembra da gente, ali, debaixo da arquibancada?"

Nick sentiu um arrepio percorrer a espinha. Virou o rosto. Lá estava ela, a bandeira do Karasuno. Grande. Negra. Dançando com o vento do ginásio. O lema estampado em branco, simples, mas eterno.

VOE!

"Olha praquilo." Charlie apontou.

Nick olhou. E sentiu tudo voltar. O início. A dúvida. A conversa entre eles. As palavras que tinham acendido algo em Charlie meses atrás, agora voltavam como um espelho invertido.

"Você sabe o que aquele lema significa?" Agora era Charlie quem dizia, devolvendo aquelas palavras como uma flecha precisa. "O corvo não é forte porque ele é como os outros. Ele é forte porque ele voa, Nick. Ele abre as asas e enfrenta o vento, não importa quão alto ou longe ele esteja. É isso que o lema significa. Não é sobre ser como eles; é sobre ser você, e encontrar a sua força para abrir suas asas."

Cada palavra perfurava Nick como uma pancada no peito.

"Não é sobre ser como eles. É sobre ser você. E abrir as asas mesmo quando o céu parece fechado." Charlie engoliu seco, mas a voz seguia firme. "Você me disse isso. E por sua causa... eu voei."

Charlie estendeu a mão, e segurou a de Nick com força. Os olhos encontraram os dele com uma intensidade que fez o mundo sumir ao redor.

"Por favor... não me coloque de volta na gaiola."

Nick engoliu em seco. Foi como ser atravessado por um raio. Pela primeira vez, ele entendeu. Ele não estava protegendo Charlie. Estava limitando. Suas intenções vinham do amor... mas amor demais, quando vira cerca, também prende. E então, como um fantasma no canto da mente, a voz de Oikawa ecoou com brutal clareza:

"Tá mesmo dando 100% dos levantamentos que o Tampinha quer? Você já tentou fazer isso de verdade?"

Nick inspirou fundo. E naquele instante, tudo se alinhou. Romper a muralha que se ergue entre o atacante e o ponto. É pra isso que o levantador existe. Ele apertou a mão de Charlie com mais força. O olhar agora era fogo.

"Me desculpa, Char." disse com a voz grave, carregada. "Eu vou dar tudo de mim... pra que você possa dar tudo de você."

Charlie sorriu. Um sorriso pequeno, mas que acendia o escuro. Era como se, por um segundo, só eles dois estivessem naquela quadra. E foi aquele sorriso, o mais doce do mundo, que fez todas as preocupações de Nick desaparecerem por um instante.

Charlie soltou devagar a mão de Nick e caminhou até sua posição em quadra. Seus passos estavam mais pesados, mas sua determinação era ainda maior. Ele ergueu o olhar e, do outro lado da rede, viu Kenma. O levantador do Nekoma o encarava, imóvel como uma estátua, mas seus olhos frios, atentos, pareciam atravessar Charlie por dentro.

"O Kenma tá tentando me prender. Eu tô só com as minhas recepções..." pensou Charlie, mordendo o lábio inferior.

Kenma manteve o olhar fixo. Por dentro, sua mente fluía calma, metódica.

"Deve doer, não é, Charlie?" pensava Kenma. "Quanto mais as pessoas pensam... mais procuram respostas..."

Charlie ajeitou a posição, tentando aliviar a tensão dos ombros, mas sua cabeça estava a mil.

"Como é que eu faço isso?" pensava em desespero. "Tenho que receber... e ainda garantir a aproximação."

Kenma inclinou ligeiramente o corpo, estudando cada gesto do oponente.

"... E quando pensam demais... procuram atalhos para fugir da irritação, do pânico." analisava Kenma com a frieza de um programador observando um bug prestes a surgir.

O coração de Charlie batia descompassado.

"Tem que ter um jeito... deve ter um jeito..." Sua mente girava, buscando uma saída, uma estratégia, qualquer coisa.

O apito do juiz soou, cortando o ar tenso entre eles. Charlie piscou rápido, puxando a consciência de volta à quadra como se emergisse de um mergulho profundo. Do outro lado, Kai se posicionava para o saque. Kenma, imóvel, baixou levemente o queixo, um gesto contido, quase imperceptível, mas que para quem o conhecia, era claro: ele reconhecia que o verdadeiro jogo… estava apenas começando.

O saque veio rasteiro, traiçoeiro. A bola raspou a fita da rede e caiu do lado do Karasuno, rente ao chão. Charlie se atirou como um raio. Seu corpo atingiu o chão de madeira com força, os braços se esticaram no último segundo e a bola subiu. Mas ele permaneceu ali, caído por um instante, encarando a quadra como se olhasse o fundo de um poço.

“Ficar passando a bola só me deixa mais preso...” sua mente divagava, embotada pela exaustão. O suor escorria, gotas pingando de sua testa para suas mãos, molhando o chão. As fibras de sua força pareciam esgarçadas...

“Game Over...” pensou Kenma ao vê-lo ali. “...Eu acho que agora acabou.”

Mas não.

“Mesmo assim...” Os punhos de Charlie se fecharam no chão. Ele bateu com força contra a madeira. Os joelhos estalaram quando ele se levantou. Lentamente, com dor, com raiva, com sede de liberdade. O corpo parecia em pedaços. Mas os olhos, aqueles olhos queimavam. “Se a gente não passa, não tem como atacar. E se a bola simplesmente cair no chão, nem é um jogo de vôlei.” Ele rangeu os dentes, encarando Kenma. “Esse papo de que existe algum atalho... ESQUECE!”

“Eu sou Charlie Spring...” ele diz, os ombros firmes, o peito ofegante. “...e eu brotei do concreto!”

Seu grito atravessou a quadra como uma flecha. Os olhos de Charlie brilhavam. Como brasas. Como um nascer de sol após a tempestade.

Nick viu a cena de relance. E as palavras ecoaram com força em sua mente:

“Você foi o primeiro a me tirar da gaiola e me viu voar. Não me engaiole de novo.”

A bola que Charlie havia salvo com esforço ainda flutuava no ar, instável, mas viva. Cristian se lançou à frente com os reflexos aguçados, os olhos cravados na trajetória da bola, e num movimento firme e controlado, realizou o passe. A manchete saiu limpa, precisa, desenhada com técnica e instinto. A bola subiu no tempo certo, ganhando altura e trajetória com elegância, como se pedisse para ser transformada em algo maior. Nick já estava posicionado, os joelhos levemente flexionados, os olhos acompanhando cada rotação da bola no ar. Era a chance de virar o ponto. E ele não iria desperdiçar.

“VOE!” gritou Nick.

E o toque veio.

Nick fez o levantamento mais alto do campeonato. Seus dedos tocaram a bola com precisão e intenção, e ela subiu… e continuou subindo, em uma curva majestosa, como se estivesse tentando alcançar o próprio céu. Era um levantamento ousado, quase impossível. Alto demais para um central baixo. Alto demais para qualquer um, exceto para Charlie.

O mundo pareceu conter a respiração.

Charlie fechou os olhos por um instante e deu três passos largos para trás, sentindo o chão vibrar sob seus pés. Os ombros se abriram como asas, o peito inflou com a força de quem desafia os próprios limites. Em sua mente, ele visualizou as barras. As grades invisíveis que o cercavam desde o começo do set. A maldita gaiola.

Mas naquele instante, algo mudou. Ele não via mais as grades como limites. Via como um impulso. Uma moldura que estava prestes a romper.

E então… ele saltou.

“Nick nunca levantou uma bola tão alta assim antes no meio da quadra…” a mente de Charlie grita

Kenma arregalou os olhos. A intuição dele gritava.

“Temos três bloqueadores. Isso deve bastar…” pensava. “Ele é muito baixo para alcançar àquela altura absurda.”

Mas Charlie correu. E então, saltou.

Não foi apenas um salto, foi uma ruptura. O chão pareceu estremecer sob seus pés, como se reconhecesse que algo estava prestes a mudar. O ar ao redor girou como um redemoinho silencioso, envolvendo seu corpo como uma corrente invisível, não para contê-lo... mas para lançá-lo ainda mais alto. Naquele instante, ele não era um jogador. Era um raio rompendo a tempestade. Um grito preso que enfim se libertava. Um corvo que, diante das grades da própria mente, decidiu não apenas voar... mas destruir. E as barras da gaiola, por tanto tempo firmes, frias, implacáveis... se partiram. Não com estalos, mas com silêncio. Um silêncio que gritou.

No ar, Charlie rompeu a lógica. Não havia mais gravidade, nem estratégia, nem estatística capaz de explicar o que seus músculos, sua alma, sua vontade faziam naquele instante. Ele atravessava o céu como um cometa em fúria. À frente dele, três sombras se ergueram, Lev, Kuroo e Yamamoto, formando um bloqueio triplo, alto, sólido, orgulhoso. Um muro de carne e intenção.

Mas não era o suficiente. Charlie não os enfrentou. Ele os superou. Subiu um metro acima dos braços estendidos. Um salto impossível. Um voo de quem não carrega mais o peso das próprias amarras. Três pares de olhos, imóveis no tempo, o seguiram em silêncio, não como rivais, mas como testemunhas.

O corte veio como um veredito. Limpo. Seco. Brutal. A bola rasgou o espaço como uma flecha disparada dos céus e explodiu no chão do Nekoma com uma violência que não deixava dúvida. Foi um traço de pura luz cravado na quadra. Uma verdade que ninguém pôde tocar.

Kenma virou o rosto, lentamente. Primeiro para a marca no chão. Depois para Kuroo. Por fim, para Nekomata. Ninguém disse nada. Não precisavam.

O corvo se libertou.

Charlie pousou, o corpo trêmulo, as mãos ardendo. Ele olhou para a palma vermelha. Sorriu. Se virou para Nick. Os dois se olharam como se compartilhassem o mesmo fôlego. E gritaram juntos:

“AHHHHHHHHHH!”

Todo o Karasuno explodiu. Harry, Cristian, Daichi, Asahi, todos se juntaram em um abraço coletivo, celebrando como se aquele ponto fosse uma libertação.

As arquibancadas tremiam com os gritos.

1x0 para o Karasuno.

Kenma observava. Silencioso. Atento.

“Ele realmente acertou... e não foi sorte. Foi de propósito. Mesmo que seu trunfo seja a velocidade... ainda assim ele acertou um levantamento tão alto.”

Seus lábios se curvaram. Quase um sorriso. Quase.

“Charlie Spring... Nick Nelson...” pensou Kenma, com a voz interna quase admirada. “Por que vocês não param de me surpreender?”


O Animador

O treinador Nekomata pediu tempo logo no primeiro ponto. Aquele corte brutal de Charlie realmente abalou o Nekoma.

"Vamos arrepiar, galera!" Lev disse, batendo os punhos um no outro enquanto o Nekoma se reunia em um círculo apertado. "Eu mesmo vou fazer vinte pontos e deixo os outros cinco pra vocês!"

Yamamoto soltou uma risada alta, mas a tensão ainda pairava no ar.

"Aí, vocês sabiam que quando a gente malha..." começou Kuroo, levantando a camisa e exibindo seu abdômen definido com um sorriso maroto "...em vez de fazer cem abdominais normais... é melhor fazer só dez com bastante peso? Vale muito mais a pena."

Todos o encararam, confusos, como se ele tivesse falado em outra língua.

"O que ele quis dizer..." o treinador Nekomata apareceu atrás dele, puxando a camiseta de volta para baixo com cara de quem já estava acostumado às maluquices de Kuroo "...é que, em vez de fazer muitos pontos normais, a gente precisa de alguns pontos marcantes. Como o Karasuno acabou de nos mostrar."

"Foi um ponto fodão..." Yamamoto murmurou, ainda impactado, como se o corte de Charlie estivesse gravado em suas retinas.

"Principalmente você, Yamamoto!" Kuroo disse, apontando para ele com energia. "Nosso Ace tem que estar com a moral lá em cima! Você vai liderar o ataque agora!"

Kenma, que até então observava a cena calado, pensava:

"Kuroo é muito bom em animar as pessoas... ele sempre foi assim. Se não fosse por ele, eu nunca estaria nessa quadra."

Kenma se lembrava com clareza. Dos dias chuvosos em que Kuroo aparecia na porta da sua casa, com uma bola de vôlei em uma mão e uma sacola de DVDs de partidas antigas na outra. Da insistência. Da paciência. De como ele nunca desistiu de arrastá-lo para os treinos, mesmo quando Kenma dizia que preferia ficar em casa jogando videogame.

"Eu não gostava de vôlei no começo" Kenma pensou, observando Kuroo sorrir para o time. "Suar, me mover tanto, sair da minha zona de conforto... era horrível. Mas Kuroo disse que eu poderia ser levantador. Que meu trabalho seria pensar, calcular, arquitetar... E não correr tanto. Era a combinação perfeita."

No fundo, Kenma sabia, por mais que às vezes fosse difícil admitir, que hoje, mesmo preferindo assistir a jogar, havia algo diferente no ar. Quando ele realmente jogava, quando entrava no fluxo do jogo... não era tão ruim assim. Na verdade... era até quase divertido.

"Bora jogar, Kenma?" chamou Kuroo trazendo ele de volta a realidade, estendendo a mão para ele, o sorriso largo e sincero.

Kenma olhou para aquela mão por um instante. Depois, ergueu o punho, firme, e tocou o punho de Kuroo.

"Conectados!" disse, num tom decidido que pegou Kuroo totalmente de surpresa.

O capitão do Nekoma arregalou os olhos, a boca se abrindo num sorriso incrédulo, como se tivesse ouvido uma confissão secreta.

"Co-co-conectados!!!" gaguejou Kuroo, rindo, visivelmente emocionado.

E naquela batida de punhos, mais do que uma simples palavra, Kenma disse tudo o que seu coração, tão reservado queria dizer. E o Nekoma, renovado, voltava à quadra.


O Rally

O terceiro set mal havia começado e já era possível sentir o ar do Ginásio Sendai vibrando de tensão. As arquibancadas estavam em polvorosa, bandeiras tremulando, vozes se entrelaçando em gritos e cânticos que ecoavam pelas paredes.

Dentro da quadra, não havia espaço para hesitação. Cada ponto era disputado como se fosse o último. Charlie, mesmo visivelmente mais cansado, continuava com sua força feroz, cortando cruzados que raspavam a linha da quadra, arrancando suspiros da torcida do Karasuno. Sempre que ele saltava, mesmo que a dor marcasse seus músculos, seus olhos brilhavam. Cada ataque era um desafio silencioso a Kenma e ao Nekoma.

Do outro lado, Kuroo, com sua presença imponente na rede, comandava o bloqueio como um maestro. Seus toques precisos, seus saltos sincronizados, cada movimento era carregado de experiência e malícia de capitão. Cada bloqueio era uma sentença de força e estratégia, e ele não permitia que o Karasuno se sentisse confortável nem por um segundo.

Nick, determinado como nunca, transformava cada saque em uma flecha precisa. A bola cortava o ar com velocidade e efeito, obrigando o Nekoma a recepções difíceis, os tirando do ritmo e quebrando suas formações.

Lev, com sua altura surreal e energia explosiva, vinha como um vendaval em cada ataque, cortando bolas impossíveis e desafiando Cristian a salvar o impossível.

E, como pilares silenciosos da resistência, estavam eles, os líberos. Cristian e Yaku. Um duelo dentro do duelo. Cristian, o Guardião do Karasuno, se jogava no chão sem medo, seu corpo inteiro uma extensão da quadra. Yaku, a muralha viva do Nekoma, se movia com a precisão de quem conhecia cada milímetro do espaço que protegia. Cada manchete, cada mergulho, era uma batalha particular pela sobrevivência do ponto.

O placar, que parecia correr junto com a pulsação de todos ali, não mostrava vantagem.

6x6. Tudo igual. E ninguém, absolutamente ninguém, parecia disposto a ceder um centímetro sequer.

O saque forte de Nick cruzou a quadra em uma linha tensa, rasgando o ar. Yaku, sempre atento, se lançou para a frente com um passo ágil, recebendo a bola com a manchete perfeita. Ela subiu limpa, redonda como uma promessa.

Kenma, embaixo dela, leu a formação do Karasuno em frações de segundo.

Ataque sincronizado.

Lev disparou pela direita, Yamamoto correu pela esquerda, e Kuroo veio pelo meio.

Charlie, Tsuki e Harry hesitaram. Para quem seria?

Kenma, com um toque seco, levantou curto para Yamamoto.

Yamamoto saltou, o moicano tingido de loiro voando atrás dele, e cravou com força. A bola desceu como um míssil, mas Cristian já estava lá. O líbero do Karasuno mergulhou no chão, o corpo esticado como uma flecha. A bola espirrou para cima numa trajetória alta. Tao correu e ajeitou de manchete. Nick, no centro, girou o corpo e levantou para Charlie.

Charlie correu pelo centro e saltou. O tempo de aproximação perfeito, o movimento ensinado por Ukai ecoando em sua memória. Ele golpeou a bola com força num cruzado aberto rasante. Kenma, milagrosamente, antecipou. Deu dois passos rápidos para a diagonal e salvou a bola numa manchete que arrancou aplausos. A bola subiu espiralando no alto, desorganizada. Kai correu para remendar a jogada e, num toque improvisado, passou para Lev.

Lev, mesmo improvisando, saltou com facilidade assombrosa e atacou. Desta vez foi Daichi quem defendeu com precisão, os braços firmes como uma muralha. Cristian logo ajeitou o passe para Nick, que viu Asahi correndo pelo fundo. O Ace saltou e mandou uma bomba no corredor esquerdo. Yaku, caindo de costas, milagrosamente salvou de novo. O impacto jogou o líbero no chão, mas a bola ficou viva. Kenma correu desesperado e fez um levantamento de altíssimo nível para Kuroo.

Kuroo saltou com ferocidade, mas Harry e Tsuki subiram juntos no bloqueio, a bola rebateu com força. A bola voou para trás no lado do Nekoma. Lev correu, saltou quase fora da quadra, e mandou de manchete de costas para a quadra. Kenma ajeitou a bola no centro para Kai, que subiu para o ataque, mas Charlie, explodindo em reflexo, saltou também.

Os dois se encontraram no ar, mas Kai teve mais paciência. Deu um leve toque, uma largadinha venenosa. Tao voou do fundo e salvou com um toque de puro reflexo. Nick e Suga correram em cruzamento. Suga deu um toque curto, e Nick levantou para Harry, que atacou reto, uma cortada seca.

Yamamoto defendeu com o antebraço, desequilibrado. Kenma ajeitou de manchete no desespero. Kuroo se posicionou perto da rede. A bola flutuou sobre a fita branca. Charlie e Tsuki correram juntos para a rede. Kuroo também saltou, olhos afiados, como um caçador. No ar, Tsuki e Kuroo travaram a bola, prensando-a no alto.

O som do impacto ecoou como um trovão seco. Mas o impulso de Kuroo, com a experiência e o tempo perfeito, venceu. A bola rolou pela rede, quicou do lado do Karasuno, e caiu lenta, irremediavelmente.

Ponto para o Nekoma.

7x6

O ginásio explodiu em gritos. O Nekoma comemorava, mas o Karasuno... já se alinhava de novo. O set seguiu e o placar marcava 18x18. O terceiro set parecia uma guerra interminável, onde cada ponto era arrancado como um pedaço da alma de quem estivesse em quadra.

O saque do Karasuno veio firme pelas mãos de Tao. A bola flutuou traiçoeira até a quadra do Nekoma. Kai recebeu com precisão, e Kenma rapidamente ajeitou para Kuroo, que subia para o ataque.

Tsuki já o esperava.

O bloqueio se ergueu imponente. As mãos longas e frias de Tsukishima travaram a tentativa de Kuroo, e a bola ricocheteou de volta para o lado do Nekoma. Kuroo sorriu, os olhos brilhando de excitação.

Eles sabiam que o verdadeiro duelo acontecia ali.

Kenma ajeitou rápido para Lev, tentando diversificar o ataque, mas Cristian mergulhou como uma flecha e salvou de manchete, mandando a bola alta para Nick.

Nick, com a visão periférica apurada, percebeu a movimentação dos bloqueadores adversários. Charlie se aproximava correndo, mas seu passo já não era tão rápido. A fadiga era visível, o corpo mais pesado, os braços menos soltos. E mesmo assim, Charlie não parava. Nick levantou para ele. Charlie saltou, o peito queimando, as pernas pedindo descanso, mas o olhar ainda reluzia com uma vontade absurda de vencer. Ele golpeou um cruzado aberto, forte e preciso.

Kenma, no fundo da quadra, já previa. Seu corpo se inclinou um segundo antes do golpe, e ele conseguiu interceptar o cruzado com uma manchete firme, mandando a bola viva para cima. Kuroo avançou para o contra-ataque. Mais uma vez, ele e Tsuki subiram juntos, as mãos se encontrando no meio do ar como dois generais testando forças em plena batalha. Dessa vez, Kuroo usou a inteligência: em vez de cortar, girou o pulso e mandou a bola raspando pela lateral do bloqueio.

Charlie correu cambaleante para o fundo da quadra e salvou com uma manchete apertada. A bola subiu, mas foi curta. Nick se lançou para levantar de manchete improvisada. Suga, posicionado, entendeu a movimentação e correu pela lateral, dando suporte. O ataque não poderia ser convencional.

Charlie, arfando, recuou dois passos, mas Kenma percebeu.

"Ele vai forçar de novo" pensou Kenma, frio, calculista.

O levantador do Nekoma, ao ver o movimento do Karasuno desorganizado, tomou uma decisão que raramente tomava. Ele correu para a frente. Em vez de levantar para Kuroo, Kai ou Lev, Kenma saltou. Sim, saltou. Seu pequeno corpo se elevou, surpreendendo todos.

Nick, Tao e até Tsuki ficaram sem reação. Charlie viu. E mesmo com as pernas berrando de dor, se lançou. Kenma cortou , um corte seco, não muito potente, mas no ângulo mais ingrato possível. A bola beijou a fita da rede e caiu lenta.

Charlie se jogou num último esforço, mergulhando de peixinho, o peito raspando no chão encerado. Sua mão alcançou a bola. Ela subiu, viva, por um instante. Mas o ângulo... o giro... era errado. A bola escapou, voando para fora da quadra, quicando longe.

Ponto para o Nekoma.

19x18.

O Nekoma explodiu em comemoração, mas Kenma apenas caiu de volta no chão com um sorriso pequeno, discreto. Ele sabia. Aquele ponto... não foi apenas dele. Foi de uma estratégia que atravessava toda a quadra. E foi conquistado tirando Charlie do centro do jogo.

Charlie, ainda deitado, apertou os olhos com força. Não de dor física. Mas de frustração. Ele havia voado o mais alto que podia. E, mesmo assim... não tinha sido o suficiente.

Nick correu até ele, agachando-se ao seu lado, tocando levemente seus ombros.

"Você ainda está voando, Char..." sussurrou Nick.


BOSS FIGHT

23X23 Marcava o placar.

“Nos jogos, curamos um personagem para que ele possa lutar mais...” Kenma pensa olhando o placar “... e as vezes trazemos os mortos de volta a vida e os fazemos lutar. Eu acho que a partir de hoje eu vou ficar um pouco mais grato pelos heróis quando formos lutar”

Kenma abre um sorriso e encara o Karasuno. A bola vem para a quadra do Nekoma e Kenma levanta para Lev que corta forte e Daichi defende fazendo a bola subir alta. Nick levanta para Tsuki que corta, a bola bate no bloqueio mas vai para a quadra do Nekoma. Yaku pula tentando defender e salva mandando a bola para rede. Kenma se prepara para levantar.

“Eu sou um personagem a beira da morte enfrentando um chefão...” pensa Kenma “Eu não posso morrer... ainda não!”

Kenma levanta a bola para Yamamoto que corta para fora.

23x24 era Match Point para o Karasuno

“Ainda não...”Kenma sussurra olhando para o placar

Charlie respirava fundo diante da rede. Seus músculos pareciam feitos de chumbo. Mal se aguentava de pé. Cada fibra de seu corpo gritava por descanso, como se as pernas pudessem se desfazer a qualquer momento.

"Só mais um ponto..." Charlie sussurrou para si mesmo, quase como uma prece. "Mais um e tudo acaba... e finalmente vou descansar..."

Sua visão oscilava, turva e instável, como se o mundo ao seu redor começasse a se dissolver. O estômago doía, um vazio seco que não era fome, era algo pior. Uma ausência de tudo.

A voz de Nick ecoou em sua mente, clara como um sino partido.

"Char... Você precisa de ajuda profissional."

O tremor em suas mãos se intensificou. Charlie apertou os punhos, como se pudesse conter aquilo.

"Quando isso acabar, eu peço ajuda..." jurou para si mesmo. "Só mais um ponto."

Tao se posicionava no saque, do outro lado da quadra. Charlie viu tudo como em câmera lenta. Tao respirou fundo e lançou o saque flutuante, que ziguezagueou pelo ar, desafiador.

"Falta pouco..."

O coração de Charlie batia descompassado, rápido demais, como se tentasse escapar do peito. Yaku, com sua calma habitual, recebeu o saque com perfeição. A bola subiu como uma dança controlada. Kenma ajeitou. A decisão rápida, letal. Kuroo avançou para o ataque. Cristian, o guardião do Karasuno, mergulhou em um peixinho perfeito e salvou a bola, arrancando-a do chão num milagre de reflexo.

"Agora, Nick!" pensou Charlie, reunindo tudo que lhe restava.

Nick entendeu sem precisar de palavras. Seus olhos encontraram os de Charlie.

Era o momento.

Charlie disparou em direção à rede, mesmo com o corpo berrando em agonia.

"Primeiro tempo!" ecoou na cabeça de Nick e na de Charlie.

O salto de Charlie foi absurdo. Alto. Muito alto. Mais alto do que seu corpo já deveria permitir naquele estado. No topo do salto, por um instante, o tempo congelou.

"Bloqueio duplo!" alertava sua mente.

No topo do salto, em pleno ar, a clareza veio.

"Você precisa acertar o tempo perfeitamente. Fazer o levantamento vir na medida. E aí, mostrar pro mundo inteiro que você vai fazer a cortada perfeita."

As palavras de Yusuke ecoaram na sua mente como um ensinamento sagrado:

"E se liga... é ainda melhor quando até você acredita que tá prestes a cravar um ataque monstruoso."

Charlie armou o corpo para um cruzado aberto. A postura de ataque era ameaçadora, brutal. O bloqueio adversário saltou na frente dele, dois gigantes fechando o espaço. A cabeça de Charlie, naquele milésimo de segundo, compreendeu.

"Mas aí, no último instante... você para o tempo e tira uma onda do bloqueio."

No auge do salto, Charlie mudou a trajetória. Seus músculos responderam a um chamado maior do que a dor. Em vez de bater com força, ele suavizou o movimento, deslizando a mão sob a bola com maestria.

O tempo pareceu parar.

A bola passou suavemente sobre o bloqueio, como se desafiasse a gravidade.

A finta foi perfeita.

"Quando você marca com finta, a satisfação é diferente de uma cortada monstra."

A bola vai em direção ao chão, Kenma, Yaku e Kuroo se lançaram desesperados, esticando braços, pernas, toda a vontade, mas a bola já havia beijado o chão.

Ponto.

Charlie pousou. Olhou para frente.

Viu os três caídos no chão, encarando-o, como se não acreditassem no que havia acontecido.

Charlie abriu um sorriso pequeno, cansado, mas cheio de orgulho.

"Cara... a sensação é maravilhosa."

Ele ergueu o olhar para o placar. 23x25. O Karasuno venceu. Estavam na semifinal.

Charlie sorriu. Era o sorriso mais sincero e, ao mesmo tempo, o mais quebrado que já dera em toda sua vida. Um sorriso de quem deu tudo. De quem rasgou o corpo e a alma por um sonho.

Seus olhos, embaçados pela exaustão, buscaram o placar.

23x25.

Vitória do Karasuno.

Ele gravou aqueles números na alma, como se soubesse que precisava se lembrar daquele momento para sobreviver ao que viria depois.

Então começou. Primeiro como um formigamento sutil nos dedos dos pés, quase irrelevante, mas traiçoeiro em sua natureza silenciosa. Em segundos, a sensação se espalhou, engolindo suas panturrilhas, enrijecendo os músculos, roubando-lhe o chão. O ar tornou-se espesso, difícil de puxar, como se seu próprio peito estivesse afundando em si mesmo. As mãos tremeram, involuntárias, os dedos perdendo toda precisão.

Um suor gélido escorria pela testa, e junto dele, lágrimas que ele nem sentia descer, como se o corpo já não mais lhe pertencesse. A quadra tremulava à sua frente, as linhas se distorcendo, os rostos borrados em vultos inquietos. As luzes giravam no teto como lâminas pendulando. Ele tentou virar o rosto, tentado alcançar Nick com um olhar, com uma palavra, com qualquer sinal — mas nada saiu. A voz morreu antes mesmo de nascer.

"Char..." ouviu, distante, como se ecoasse debaixo d’água.

Tentou dar um passo, apenas um, mas os joelhos cederam como galhos secos sob o peso da tempestade. E então caiu. Primeiro de joelhos. Depois inteiro. Um corpo sem controle, sem comando.

Uma marionete de cordas rompidas que despencava no palco diante de todos. O som do impacto foi seco, cortante, e o ginásio congelou. O mundo ao redor escureceu em um manto sem forma. As vozes viraram ruído. Os tênis correndo pela quadra, o grito das torcidas, a respiração ofegante dos companheiros, tudo foi engolido por uma névoa crescente.

Charlie sentiu os olhos se fecharem contra a própria vontade, o corpo sucumbindo a algo maior, irreversível. E no último segundo, antes que o vazio o levasse por completo, só uma coisa atravessou aquele silêncio como um corte preciso: o grito desesperado de Nick, partindo o mundo ao meio.

"CHARLIEEEEEEE!"

E então…

A escuridão.

Notas finais
OMG... o que aconteceu com o Charlie??? Eu tô igual vocês: em estado de choque, com o coração na boca e mil emoções batendo juntas. Esse final me destruiu por dentro e por fora, mas ele precisava ser assim. E eu prometo que vale a pena. O Arco 4 já está em andamento e vai se chamar FLORESÇA!. Vai ser um arco de transformação profunda, especialmente para o Charlie e o Nick. Ainda não tenho uma data oficial de estreia, mas estou bem adiantada na escrita e muito animada com o que vem por aí! Semana que vem, vou postar um Capítulo Extra mostrando o jogo do Seijoh contra o Dateko — uma preparação essencial para o que nos espera no próximo arco. Obrigada por me acompanharem em mais esse ciclo. O Arco 4 será o penúltimo. O Arco 5... o gran finale. Nos vemos em breve. Com amor, Bia.