Match Point

36 CAPÍTULO EXTRA – O Muro de Ferro Sempre se Reconstrói


Notas iniciais
Oi, meus corvos! Sejam muito bem-vindos a mais um capítulo especial de Match Point! Essa partida estava na minha cabeça desde o início do Arco 3, e foi uma delícia escrever cada jogada, cada tensão, cada silêncio. Espero que vocês curtam muito esse jogo diferente, recheado de personagens queridos, provocações táticas e sentimentos à flor da pele. Boa leitura e preparem o coração.

A ENTRADA

“Às vezes, o vôlei podia ser cruel.” O Karasuno havia mostrado isso a ele ontem.

Oikawa pensou nisso ao atravessar lentamente as portas do Ginásio de Sendai, o mesmo onde, no dia anterior, as arquibancadas estremeceram sob os gritos da Batalha do Lixão. A luz suave da tarde filtrava pelas altas janelas de vidro, banhando o piso de madeira em tons dourados. As marcas da última guerra ainda pareciam estar ali, impregnadas no ar, o suor, a tensão, a euforia.

Oikawa caminhou até a beira da quadra e parou. Seus olhos percorreram as linhas pintadas no chão, as mesmas onde Nick e seu Tampinha haviam quebrado a linha tênue entre o possível e o impossível. Ele ainda conseguia ver a cena em sua mente: Charlie despencando como um passarinho que voou alto demais... e esqueceu de olhar para trás.

Oikawa apertou os punhos ao lado do corpo. Não pudera fazer nada. Apenas assistir. Apenas sentir o gosto amargo subindo pela garganta, o mesmo gosto que o vôlei insistia em lhe fazer provar vez após vez: ou você vence, ou você cai.

A dor não era apenas física. Era uma dor gravada na alma de quem ousava sonhar alto demais.

E agora era a vez dele.

Seijoh contra Dateko.

Oikawa respirou fundo, deixando o cheiro forte da madeira encerada preencher seus pulmões. À sua frente, o Muro de Ferro os aguardava, sólido, inabalável, tão silencioso quanto ameaçador. Era a primeira vez que enfrentariam o Dateko em uma partida oficial, mas, para Oikawa, eles já não eram desconhecidos.

Ele os conhecia bem demais.

Quantas noites havia passado assistindo aos jogos do Dateko, deitado no quarto de Iwaizumi. Com o laptop equilibrado nos joelhos, a luz fraca iluminando o rosto de ambos, sempre dividindo risadas baixas, beijos escondidos e baldes de pipoca. Era quase um ritual antes de jogos importantes, estudar, analisar, sonhar com a vitória, embalados pela intimidade de algo que era só deles.

E nesses vídeos, Oikawa viu de tudo. Viu o Muro de Ferro barrar times que jogavam rápido como trovões, times que se apoiavam na força bruta, na precisão matemática, na ousadia. O Dateko era impressionante, metódico, quase cruel na forma como derrubava a esperança dos adversários.

Mas Oikawa também viu o Muro cair.

Viu Ushijima passar por ele no ano passado, com a força avassaladora de uma águia rasgando o concreto. E, mais recentemente, viu o Tampinha, Charlie Spring, encontrar uma brecha e derrubar o muro no Intercolegial.

Ainda assim... havia algo que todos esqueciam.

Mesmo caído, o Muro de Ferro sempre se reconstruía. Pedra por pedra. Bloco por bloco. Mais sólido. Mais silencioso.

Mais difícil de ser quebrado. Subestimá-los seria um erro fatal. Oikawa sabia disso melhor do que ninguém.

A batalha que viria não era apenas contra bloqueios de carne e osso. Era contra a persistência. Contra a resiliência fria que o Dateko cultivava como ninguém. Contra a ideia de que, por mais vezes que você os derrubasse, eles sempre voltariam a se erguer.

Mas hoje... hoje seria diferente.

Porque Oikawa não carregava apenas a responsabilidade de vencer. Ele carregava a memória de Charlie caído. O peso do que significa se arriscar demais para tocar o céu. Ele carregava o orgulho de tudo o que havia construído até ali e a promessa silenciosa que fizera a si mesmo, de não cair antes de alcançar o topo.

Hoje, Oikawa não queria apenas vencer.

Hoje, ele queria demolir o muro.


MAD DOG

Oikawa se sentou no banco ao lado de seus companheiros, o uniforme secundário camiseta azul-celeste e shorts brancos do Aoba Jōsai ajustado sobre o corpo tenso. A quadra do Ginásio Sendai parecia respirar sob seus pés, cheia de uma tensão elétrica que se acumulava no ar como uma tempestade prestes a desabar.

À sua direita, Iwa ajustava seu short, o olhar firme voltado para a quadra como se pudesse quebrar o Muro de Ferro apenas com a força da vontade. Era o porto seguro de Oikawa, seu escudo e sua lança, o único que sempre esteve ali para segurá-lo quando o peso do mundo parecia demais.

Kindaichi sentava um pouco mais adiante, o corpo alto inclinado para a frente, batendo nervosamente a ponta dos tênis no chão encerado. Seu rosto, ainda juvenil, carregava uma determinação que não costumava mostrar nos treinos. Ele era parte do futuro do Seijoh, Oikawa sabia disso e ver aquela centelha crescer nele era quase como ver uma promessa nascer.

Kunimi, ao lado de Kindaichi, parecia o oposto: preguiçoso no semblante, com os ombros relaxados e os olhos meio fechados de tédio. Mas Oikawa sabia que era tudo fachada. Kunimi era rápido, letal, e quando decidia se mover, era como uma lâmina silenciosa atravessando o jogo.

Watari, o líbero do Seijoh, girava a bola de vôlei entre as mãos com agilidade inquieta. Seus olhos percorriam a quadra de maneira calculista, já antecipando as defesas que precisaria fazer. Ele era o último bastião, o guardião que segurava o time quando tudo parecia desabar. Um pilar discreto, mas indispensável.

Matsukawa, mais atrás, conversava baixo com Hanamaki, o outro pilar veterano da equipe. Matsukawa tinha aquela calma que beirava o desdém, mas Oikawa sabia que por trás daquele sorriso preguiçoso havia uma mente afiada, pronta para quebrar qualquer formação ofensiva que se atrevesse a desafiar o Seijoh.

Mas o que realmente chamou a atenção de Oikawa naquele banco foi a presença de um rosto novo.

Kyōtani Kentaro.

Primeiro ano. Cabelos descoloridos e duas faixas pretas acima da orelha. Um olhar que parecia permanentemente irritado com o mundo inteiro. Os ombros relaxados, mas com uma vibração latente no corpo, como um cão de caça pronto para ser solto.

Seu apelido já corria entre os jogadores do Seijoh: Mad Dog.

Oikawa lembrava claramente do primeiro treino em que o viu. Kentaro não seguia regras, ignorava estratégias, não ligava para ordens. Mas saltava mais alto, cortava mais forte e tinha uma fome de vitória que, apesar de indomada, era brutal. Domá-lo seria outro desafio. Mas naquele momento, Oikawa sabia: era melhor ter um cachorro louco mordendo pelos Seijoh do que contra eles.

"Se precisar soltar ele, é só falar," disse Iwaizumi num tom casual, cruzando os braços e encarando o Dateko do outro lado da quadra.

Oikawa sorriu, aquele sorriso torto que precedia seus planos mais audaciosos.

"Vamos deixar o Muro de Ferro conhecer nosso cachorro louco" respondeu, se levantando com a postura ereta e confiante.

O narrador chamou os times para a quadra. Os nomes do Dateko ecoaram primeiro, fortes como trovões sobre o Ginásio Sendai.

"Aone Kōji! Futakuchi Kenji! Kanji Koganegawa!"

A base do Muro de Ferro pisava na quadra com passos pesados e sincronizados, como se o próprio chão tremesse sob seus pés. Aone, com sua estatura monstruosa e expressão inabalável, liderava o trio. Futakuchi, logo atrás, trazia um olhar afiado de provocação, enquanto Kanji, ainda jovem, exalava força bruta mesmo em sua pouca experiência.

A formação deles era imponente, três torres alinhadas como sentinelas de pedra. Cada passo, cada movimento, parecia afirmar: vocês não passarão!

A torcida do Dateko rugiu, batendo palmas e entoando cânticos de guerra acima do bandeirão escrito: O MURO DE FERRO. Mas nenhum dos jogadores do Seijoh vacilou.

Oikawa atravessou a linha da quadra com passos calmos, mas seus olhos brilhavam como lâminas. Iwaizumi caminhava ao seu lado, a energia vibrando sob a pele, firme como aço. Kindaichi, mesmo engolindo em seco, manteve a cabeça erguida. Kunimi ajeitou o uniforme com indiferença, como quem diz: grande coisa. Watari girou a bola nas mãos, um sorriso pequeno e confiante no rosto. Matsukawa, mais atrás, trocavam um olhar rápido que dizia: já enfrentamos monstros antes. E no banco, estavam Hanamaki e como uma carta na manga esperando ser usada, estava Kentarō, o Mad Dog, balançando os pés com impaciência, como se o simples ato de esperar fosse insuportável.

O Muro era alto. O Muro era forte. Mas o Aoba Jōsai não era feito de medo.

Oikawa fixou seu olhar em Aone, o gigante silencioso que era o coração da defesa do Dateko. E, num gesto carregado de provocação e respeito, ergueu o queixo, sustentando o olhar do bloqueador sem desviar.

A primeira bola seria lançada em breve. A guerra pelo lugar na semifinal começava agora.


PRIMEIRO SET

"VAI, VAI! FORÇA, FORÇA! SEIJOH!"

O grito vibrava forte nas arquibancadas, como ondas de um mar azul-celeste. A torcida do Aoba Jōsai era numerosa e barulhenta, preenchendo cada espaço disponível com tambores, bandeiras e vozes roucas de tanto incentivo. No centro da arquibancada, estendida como um manto de orgulho, a enorme bandeira azul celeste tremulava pesada, com letras brancas que brilhavam sob a luz dos refletores:

DOMINE A QUADRA!

A tensão e a energia do ginásio de Sendai quase podiam ser sentidas no ar, uma eletricidade viva que vibrava na pele. Oikawa, já posicionado perto da rede, girou nos calcanhares e se virou para encarar seu time. Um a um, seus olhos foram encontrando os rostos dos companheiros.

Iwaizumi, ao seu lado, com os braços cruzados, a expressão determinada e os olhos faiscando em fogo silencioso. Kindaichi, nervoso mas decidido, o maxilar travado. Kunimi, com seu olhar entediado de sempre, mas os ombros tensos, prontos para reagir. Watari, ajustando a posição do corpo com precisão de relógio. Matsukawa sorria brevemente, como velhos soldados prontos para mais uma batalha.

E na lateral, no banco, Kentarō, o Mad Dog, inquieto, quase rosnando de vontade de entrar em quadra, batendo a bola contra a palma da mão com uma ansiedade selvagem.

Oikawa observou cada um. Cada detalhe. Cada brilho nos olhos. E o que viu aqueceu algo dentro dele. Eles estavam prontos. Sem medo. Com sede de vitória. Oikawa abriu aquele sorriso travesso que era quase sua marca registrada, meio desafio, meio promessa.

"Hoje..." sua voz saiu forte o suficiente para os mais próximos ouvirem "...vamos derrubar esse muro!"

Ele levantou o punho na altura do peito.

"Não se esqueçam..." O sorriso se suavizou, tornando-se algo genuíno, sincero, tão raro nele durante os jogos. "EU CONFIO EM VOCÊS!"

As palavras se espalharam pelo time como combustível. Oikawa se virou de volta para a quadra, o coração batendo no ritmo da torcida, o olhar preso nos jogadores do Dateko do outro lado da rede.

O Muro de Ferro os esperava.

Matsukawa caminhou até a linha de fundo com passos firmes. Girou a bola nas mãos, respirou fundo e se posicionou. O ginásio inteiro pareceu prender a respiração por um segundo. O saque saiu potente, uma linha tensa e veloz cortando o ar em diagonal.

Sakunami, o líbero do Dateko, leu o movimento e se lançou para receber. Seu toque foi seguro, ágil, amortecendo a força do saque e fazendo a bola subir limpa no ar. Sem hesitar, Sakunami a redirecionou com maestria para Kanji, o levantador do Dateko. Kanji, com movimentos rápidos e olhos afiados, organizou a jogada em segundos. Escolheu a esquerda, mandando um levantamento perfeito para Futakuchi, o Ace do Dateko, que já vinha correndo com explosão e preparando o corpo para um corte destruidor.

Mas o Dateko não era o único que sabia erguer muralhas.

Kindaichi foi o primeiro a saltar, seu tempo de bloqueio perfeito como uma engrenagem recém-ajustada. Kunimi logo o acompanhou, com seus braços longos fechando o espaço à frente. E Iwaizumi, o escudo inabalável do Seijoh, fechou o lado direito com precisão militar. O bloqueio triplo se formou no ápice do salto, as três sombras erguidas juntas como uma muralha viva.

Futakuchi tentou ajustar seu corte no último instante, mas era tarde demais. A bola explodiu contra as mãos erguidas de Iwaizumi e Kindaichi, ricocheteando de volta com violência. Antes que qualquer jogador do Dateko pudesse reagir, ela já beijava o chão da sua quadra. O apito soou.

O primeiro ponto era do Seijoh.

O ginásio explodiu em um rugido de aplausos e gritos. A torcida azul celeste pulava, vibrava, erguendo cartazes e batendo tambores com fúria renovada. Era mais do que um simples ponto. Era uma mensagem:

Nós não vamos nos esconder. Nós vamos enfrentar vocês no que têm de melhor.

1x0 para o Aoba Jōsai.

Oikawa, de onde estava, ergueu discretamente o punho fechado. Seu sorriso cresceu em pura satisfação. Matsukawa se preparou para o segundo saque. Com um movimento firme, disparou a bola que explodiu novamente nas mãos de Sakunami. O líbero do Dateko absorveu o impacto, mas a recepção saiu curta demais, devolvendo a bola direto para o lado do Seijoh.

Watari, atento, não desperdiçou a oportunidade. Se posicionou rapidamente e recebeu com precisão, levantando a bola com suavidade para Oikawa. Sem hesitar, o capitão fez um levantamento rápido para Iwaizumi, que avançava pela esquerda com a potência de sempre. O corte foi brutal, um golpe carregado de força e técnica.

Mas o Muro de Ferro justificou seu nome.

Aone e Futakuchi saltaram em sincronia perfeita. O bloqueio se formou sólido e a bola bateu nas mãos firmes deles, descendo com velocidade mortal em direção ao chão do Seijoh. Watari leu a jogada em frações de segundo. Seu corpo se moveu antes mesmo que pudesse pensar. Ele, ágil como sempre, se lançou em um mergulho impressionante e salvou a bola com um toque limpo, levantando-a no limite da reação.

Oikawa alcançou a bola em pleno movimento. Sua primeira intenção era levantar para Iwaizumi novamente, mas seus olhos captaram algo, Aone já estava se armando para o bloqueio. Num lampejo de genialidade, Oikawa mudou tudo. Em vez do levantamento, executou uma largada de segunda.

A bola flutuou suavemente, traçando uma trajetória sutil por cima da rede e aterrissando no chão vazio do Dateko, onde nenhum defensor poderia alcançá-la.

O apito soou.

2x0 para o Aoba Jōsai.

As arquibancadas explodiram. A bandeira azul celeste balançava como se absorvesse a energia de cada torcedor. No centro da quadra, Oikawa girou nos calcanhares com seu sorriso travesso, o olhar cintilando.

"Primeira armadilha armada..." pensou.

A guerra contra o Muro de Ferro tinha apenas começado.

O set seguia acirrado, mas era o Aoba Jōsai quem ditava o ritmo. Oikawa se movia com a elegância e a precisão de quem conhecia cada batida do coração de seus companheiros. Os levantamentos vinham limpos, rápidos, inesperados. Iwaizumi cortava como um raio pela esquerda. Kindaichi usava sua impulsividade com estratégia, e até Kunimi, com seu jeito desinteressado, cravava bolas com frieza calculada.

19x15.

O placar brilhava alto no telão, e os gritos da torcida azul celeste preenchiam o Ginásio Sendai como ondas, acompanhadas por tambores e palmas ritmadas. A cada ponto do Seijoh, a vibração tomava os ossos. Era o momento deles.

Mas o Muro de Ferro não havia desabado. Ainda não.

Aone e Futakuchi continuavam firmes, olhos afiados, respiração controlada. Como predadores silenciosos, erguiam os braços em sincronia, tentando interceptar cada ataque que passava da linha de ataque. E muitas vezes conseguiam. As bolas voltavam com violência para o lado azul da quadra, obrigando Watari a se esticar até o limite, raspando os dedos no chão encerado para manter a bola viva.

Num dos ralis mais tensos até então, Kanji, o levantador do Dateko, conseguiu armar uma bola perfeita para o meio. Aone subiu com brutalidade, o corpo rígido como concreto. Mas o bloqueio do Seijoh foi certeiro, Matsukawa e Iwaizumi fecharam o espaço com precisão e devolveram a bola. A defesa do Dateko respondeu, mas agora o ataque deles começava a dar sinais de desgaste. O muro defendia, sim, mas não conseguia mais avançar.

Oikawa, atento, enxergava as pequenas rachaduras no esquema do Dateko. Pequenos atrasos na movimentação de Futakuchi. Levantamentos mais tensos de Kanji. Ele sabia que era só uma questão de tempo.

19x15, e o Seijoh estava com a vantagem e com o controle emocional da partida. Oikawa girou nos calcanhares, olhou para Mad Dog no banco, inquieto, pronto e depois para Iwaizumi.

Sem palavras, só com um olhar.

A guerra contra o muro ainda não havia terminado, mas naquele momento, Aoba Jōsai não só jogava vôlei. Eles dominavam a quadra e a parede começava a trincar.

Oikawa caminhava até a linha de saque com a leveza de quem ditava o ritmo do jogo. O placar marcava 19x15 para o Seijoh. A torcida azul celeste rugia como mar, empurrando seu time adiante. Mas do outro lado da rede, o silêncio do Dateko era quase mais ensurdecedor que qualquer grito. Um silêncio tenso. Estratégico. Perigoso.

Sakunami recebeu o saque de Oikawa com firmeza. Kanji correu para a bola e fez um levantamento rápido para Futakuchi. O Ace do Dateko saltou com força e cravou a bola contra o chão, mas o bloqueio triplo do Seijoh se formou num piscar de olhos. A bola ricocheteou.

Mas ao contrário dos pontos anteriores, ela não caiu. A bola foi amortecida nas pontas dos dedos de Aone, que já estava se reposicionando. Sakunami mergulhou para salvar, e Kanji, mesmo desequilibrado, fez o levantamento. Aone pulou e empurrou a bola com brutalidade contra o bloqueio de Iwaizumi e Kindaichi. Dessa vez, venceu. A bola tocou no ombro de Kindaichi e escapou para fora.

19x16.

O Dateko ainda estava vivo.

O saque seguinte veio forte, e a recepção de Watari saiu um pouco torta. Oikawa tentou salvar a bola com um levantamento emergencial, mas ela não caiu no ponto certo para Iwaizumi. Aone se aproveitou da hesitação e bloqueou seco o corte de Iwaizumi. A bola explodiu no chão da quadra do Seijoh.

19x17.

O rugido da torcida do Dateko começou a crescer. Pouco a pouco, os tambores vermelhos ecoavam do fundo do ginásio.

Futakuchi foi ao saque. A bola viajou baixa, com um giro traiçoeiro. Kindaichi recebeu mal. Watari correu para consertar e mandou a bola para Kunimi na ponta. Mas Aone e Futakuchi já estavam lá. Bloqueio duplo. O corte de Kunimi não passou. Outro ponto.

19x18.

Oikawa cerrou os punhos, engolindo a irritação. Era como se o muro estivesse crescendo de novo, mais alto, mais sufocante.

Saque de novo do Dateko. Kindaichi ajeitou a recepção. Oikawa preparou um levantamento perfeito para Matsukawa que subiu pelo meio. Mas Aone... Aone estava lá. Como se tivesse lido a jogada antes mesmo dela começar.

Bloqueio. A bola foi direto para o chão.

Empate.

19x19.

O Dateko já não era só resistência. Era uma muralha pulsando com o ritmo do jogo, viva, letal.

Oikawa respirou fundo, sacou rápido. O rally seguinte foi intenso, trocas rápidas, movimentação nervosa. Mas dessa vez, Iwaizumi cortou com fúria, e a bola raspou no bloqueio e saiu para fora.

20x19 para o Seijoh.

Mas o clima havia mudado. O muro estava de pé. E a batalha ia ser longa.

O placar marcava 20x19 para o Seijoh, mas o clima era outro. O Dateko havia se erguido como uma fortaleza viva, e por um momento, até mesmo os gritos da torcida celeste pareciam ter diminuído. Aone estava bloqueando tudo. Sakunami não deixava uma bola tocar o chão. Kanji, o levantador, coordenava o time com precisão cirúrgica. O Seijoh, apesar da vantagem, respirava com dificuldade.

Mas Oikawa…

Oikawa respirava controle.

Com passos lentos, ele caminhou até a linha de fundo da quadra. Girou a bola nas mãos com calma e olhou para a arquibancada como se escutasse o ginásio segurando a respiração. Ele conhecia aquele sentimento — quando o jogo apertava, e o mundo queria ver se ele iria ceder. Mas dessa vez, ele não estava com medo.

Ele estava em casa.

Primeiro saque.

A bola subiu perfeita. Oikawa correu com impulso preciso, saltou com leveza e, no ápice do ar, golpeou com brutalidade. Um saque viagem poderoso, curvado, veloz. A bola zuniu no ar como uma bala e explodiu entre Kanji e Futakuchi. Confusão. Nenhum dos dois alcançou. A bola caiu limpa.

21x19.

A torcida do Seijoh voltou a rugir. Oikawa sorriu com aquele brilho debochado nos olhos. Mas ele não comemorou demais. Ainda não.

Segundo saque.

Oikawa ajeitou o corpo. Novamente: corrida, salto, golpe.

A bola flutuou com um giro traiçoeiro. Sakunami foi para a recepção, mas o efeito era tão forte que ela escapou das mãos dele, direto para fora.

22x19.

Agora a arquibancada tremeu. Iwaizumi gritou do centro da quadra. Matsukawa ergueu o punho. Kunimi, até ele, deixou escapar um meio sorriso.

Terceiro saque.

Dessa vez Oikawa mudou a trajetória, mirando o fundo da quadra. A bola mergulhou como uma lâmina na direção de Kanji, que tentou se abaixar, mas a bola desviou no seu ombro e ricocheteou para trás, batendo no placar de substituição.

23x19.

O treinador do Dateko pediu tempo, mas o juiz não ouviu — ou fingiu não ouvir. Oikawa já estava com a bola em mãos. Ele olhou para o outro lado da rede, viu Aone ajeitando a posição. Sakunami de pé, mas inseguro. Era ali. Exatamente ali.

Quarto saque.

Corrida. Salto. Explosão.

A bola rasgou o ar e passou rente à rede. Sakunami, de novo, se jogou, mas a bola desviou na borda dos dedos e caiu.

24x19. Set Point para o Seijoh.

O ginásio foi à loucura. As bandeiras do Seijoh tremulavam como velas em alto-mar. Os gritos de “OIKAWA! OIKAWA!” preenchiam o espaço como um canto de guerra.

No fundo da quadra, Oikawa girou nos calcanhares, levantou a cabeça e sorriu — mas agora o sorriso era puro aço.

Quatro saques. Quatro aces. Oikawa havia demolido o muro com as próprias mãos.

O placar estampava 24x19 para o Aoba Jōsai. O Dateko parecia atônito, as defesas desorganizadas depois dos quatro aces devastadores de Oikawa. Mesmo assim, aquele time era conhecido por uma coisa: nunca cair de vez. Eles se mantinham de pé. Com o Muro reconstruído. Com o orgulho de pedra.

Aone, Futakuchi e Kanji se entreolhavam, tentando recuperar o fôlego e o foco. Do outro lado, o Seijoh parecia um exército em marcha.

Oikawa respirou fundo.

Dessa vez, ele não sacou para o ace.

Ele apenas mandou uma bola tática, flutuante, forçando o Dateko a recepcionar de forma simples. Sakunami passou para Kanji, que levantou rápido para o Ace Futakuchi, tentando uma jogada de impacto. Mas Iwaizumi, atento, fez o bloqueio. A bola ricocheteou de volta para o lado do Seijoh, viva. Watari levantou com agilidade. Oikawa correu.

E ali estava o momento.

Iwaizumi veio correndo em diagonal, pronto para o ataque. Kindaichi se deslocava pela esquerda. Kunimi pela direita. Era um rodízio perfeito, como se o Seijoh inteiro se movesse em harmonia, um coral ensaiado há anos. O Dateko se posicionou. Um bloqueio triplo se ergueu na frente de Iwaizumi, prevendo o golpe.

E Oikawa... sorriu.

Seus pés firmes, o corpo girando num gesto preciso, ele subiu. Mas não para levantar. Para enganar.

Com um toque sutil e frio, ele fez a largada de segunda.

A bola caiu lentamente atrás do bloqueio triplo, rente à rede. O espaço estava vazio — completamente vazio. Todos os defensores estavam afastados, preparando-se para o impacto do corte de Iwaizumi.

Mas o corte nunca veio.

O silêncio caiu no ginásio.

A bola quicou no chão do Dateko, e só então o juiz apitou.

25x19. Primeiro set para o Seijoh.

A arquibancada azul celeste explodiu em festa.

Na quadra, Oikawa abaixou lentamente os braços e olhou para o outro lado com um sorriso vitorioso. Não de arrogância, mas de quem dominava a quadra com a mente, com o toque, com a visão de jogo.

Iwaizumi, ao seu lado, abriu um sorriso cansado.

“Que desgraçado genial...” murmurou, rindo e dando um leve soco no ombro de Oikawa.

O capitão se virou para seu time, os olhos brilhando.

“Isso foi só o começo.”

E o Dateko finalmente entendeu o recado:

A maior arma do Aoba Jōsai... era Oikawa.


SEGUNDO SET

O segundo set avançava com mais tensão do que o anterior. O placar marcava 09x07 para o Seijoh, mas o Dateko mostrava que não cairia fácil duas vezes. A defesa estava mais sólida, os erros diminuíram, e cada ponto era suado como sangue na quadra.

Oikawa limpava o suor da testa com o dorso da mão e observava a movimentação do Dateko com atenção. Kanji, o levantador adversário, se aproximou da rede com a postura sutil de quem ia levantar... mas então, com um giro rápido de punho, tentou uma largada de segunda.

"Ah, não tão rápido" disse Watari, que lia o jogo com a frieza de um caçador.

Ele se lançou ao chão em um peixinho certeiro. O som do corpo deslizando pelo assoalho ecoou no ginásio, e a bola foi salva no último segundo, subindo como um suspiro.

"Lindo, Watari!" gritou Oikawa, correndo para a bola como se já soubesse o caminho.

Sem hesitar, ele fez o levantamento perfeito para Iwaizumi. O camisa 4 veio com força total, os olhos fixos no ponto de impacto, os ombros tensos, o salto certeiro. O golpe veio pesado, um corte potente pela diagonal esquerda, direto no coração da quadra do Dateko.

Mas do outro lado estava Aone.

Silencioso. Imóvel. Imponente.

Ele saltou com uma frieza quase sobrenatural. Os braços subiram como colunas de aço e o bloqueio aconteceu. Limpo. Sem tremor. A bola foi devolvida no mesmo instante em que saiu da mão de Iwaizumi, batendo no chão do Seijoh com um som seco e fatal.

"Bloqueio limpo!", anunciou o narrador com entusiasmo.

Oikawa girou o rosto, os olhos encontrando Aone por um breve segundo. A expressão do gigante era neutra, como se dissesse apenas: "Estamos aqui."

09x08 para o Aoba Jōsai.

A torcida do Dateko explodiu em gritos pela primeira vez no set. O muro não só resistia. Estava revidando.

O saque do Dateko veio forte, rasgando o ar com velocidade. Mas Watari, atento como sempre, se posicionou com precisão e recebeu a bola com maestria, amortecendo o impacto no peito e lançando-a com firmeza para Oikawa.

O capitão nem hesitou. Fez um levantamento rápido para Kindaichi, que se aproximava pela paralela. O garoto saltou e desferiu um corte fechado e certeiro, mas o líbero do Dateko, num reflexo quase impossível, se lançou ao chão e salvou com a ponta dos dedos.

A bola subiu instável, mas o levantador do Dateko conseguiu organizá-la no limite. Aone veio como uma muralha viva, e com um golpe seco, mandou a bola de volta, raspando no bloqueio triplo do Seijoh.

"Merda", pensou Oikawa, já em movimento para cobrir a jogada. Ele sabia que, como último toque, não poderia levantar.

De manchete, se lançou numa recepção firme e direta, jogando a bola para trás, onde Iwaizumi já corria para fazer o levantamento. Com um toque limpo, Iwa armou para Oikawa, que já estava pronto.

Oikawa subiu com elegância e timing preciso, os olhos escaneando o bloqueio do Dateko. Dois jogadores já estavam posicionados, e uma pequena brecha se abriu à esquerda. Era ali.

Mas então, Kanji, o levantador do Dateko, saltou por último, preenchendo o espaço restante. O bloqueio triplo se formou inteiro no último instante. A bola bateu nas mãos de Kanji e voltou direto ao chão do Seijoh.

O apito soou.

9x9. Tudo igual.

Oikawa pousou e girou o corpo com um suspiro contido. Caminhou de volta para a posição, limpando o suor da testa com a munhequeira.

"Parece que estamos jogando de novo contra um time problemático", comentou com ironia, sem disfarçar a tensão.

Iwaizumi soltou um leve sorriso e respondeu com tranquilidade:

"Nada que você não possa resolver."

E, como se fosse rotina, deu um tapinha discreto na bunda de Oikawa ao passar por ele. Oikawa corou de leve e virou o rosto, resmungando baixinho, mas um sorriso teimoso escapou em seu canto de boca.

Oikawa encarou o Muro de Ferro com aquele seu sorriso malicioso que só aparecia quando o jogo começava a ficar bom.

"Finalmente está ficando interessante..." pensou, os olhos atentos analisando a formação do Dateko. "O que podemos fazer agora?"

Seu olhar encontrou Kanji, o levantador adversário, e um estalo silencioso acendeu em sua mente.

"Achei."

Virou-se rapidamente para Watari.

"Watari, fica ligado. Ele vai tentar outra largada. Tá afobado, querendo desesperadamente marcar ponto desse jeito."

"Beleza", respondeu o líbero, já se posicionando com o olhar afiado.

No ataque seguinte, tudo saiu exatamente como Oikawa previu. Kanji tentou uma nova largada de segunda, um movimento rápido, mas sem a sutileza necessária.

Watari, atento como um radar, mergulhou no momento exato e salvou com uma manchete limpa.

A bola subiu viva e perfeita para Oikawa, que já estava pronto. Em um toque rápido e preciso, ele levantou para Kindaichi.

O garoto saltou com potência e cravou a bola no chão do Dateko com força. O apito soou. Mais um ponto para o Seijoh. Oikawa apenas sorriu, como quem dissesse: "Eu avisei."

10x9 para o Seijoh

“Contra ataque?” Iwa diz surpreso

“Tava na cara que ele ia tentar outra largada”

“Só se for na sua cara né” Iwaizumi ri

O set seguia acirrado, ponto a ponto, com o placar marcando 18x16 para o Seijoh. Oikawa se posicionou para o saque, concentrado. Ele lançou a bola no ar e acertou mais um ace impecável. A torcida explodiu.

19x16 para o Seijoh.

Sem perder tempo, Oikawa preparou o segundo saque. A bola veio forte, tensa, mas Sakunami conseguiu receber. Ainda assim, a recepção foi fraca e a bola voltou de graça para o lado do Seijoh.

Watari a controlou com firmeza. Oikawa se moveu com leveza, levantando com maestria para Iwaizumi, que voou e cravou um corte violento.

Mas Sakunami apareceu de novo, como um fantasma, defendendo de maneira impressionante. A bola subiu alta, e Kanji, o levantador do Dateko, fez então seu melhor lance no jogo. O levantamento parou no ar com uma precisão absurda, suave como se o tempo tivesse desacelerado.

Aone avançou como uma muralha viva e finalizou com um corte devastador que explodiu no chão do Seijoh.

19x17. O Dateko seguia vivo.

“Ele se aproveitou da altura para fazer essa jogada” Kindaichi diz para Oikawa

“Pois é...” Oikawa encara Kanji “Esse levantador é interessante”

O final do segundo set se tornava um verdadeiro campo de batalha. O Seijoh ainda liderava por um fio, mas o Dateko começava a apertar o cerco. E, quando o placar marcava 19x18, Kindaichi subiu para cortar uma bola rápida pela ponta.

Foi então que o Muro de Ferro se ergueu.

Aone estava lá, com o tempo de bloqueio perfeito, os olhos fixos no movimento do levantador. Junto com Futakuchi, eles formaram um bloqueio duplo que parecia impenetrável. A bola bateu seca nas mãos dos dois e voltou direto.

19x19.

A torcida do Dateko ganhava voz. A energia deles ecoava como trovões por todo o ginásio.

No lance seguinte, Oikawa tentou surpreender com uma combinação curta, disfarçando o levantamento para Kindaichi mais uma vez. Mas o Dateko já tinha lido. Kanji, o levantador rival, havia notado o padrão. Aone nem precisou hesitar. Saltou no tempo exato e a bola de Kindaichi explodiu contra as mãos do gigante.

19x20.

Kindaichi olhou para as mãos, incrédulo. Estava sendo completamente neutralizado. Oikawa apertou os punhos, irritado. Precisavam de um ponto, qualquer ponto, para quebrar o ritmo.

Mas o Dateko estava imparável.

Terceira tentativa. Mais uma vez Kindaichi recebeu o levantamento — desta vez um pouco mais aberto, tentando fugir do bloqueio central. Mas Futakuchi adiantou a leitura e se posicionou a tempo. Subiu firme, o bloqueio fechando como uma muralha. Kindaichi tentou mudar a direção do corte no último instante, mas a bola tocou no topo dos dedos de Futakuchi e caiu lentamente para dentro da quadra do Seijoh.

19x21.

Quatro bloqueios seguidos. O Dateko havia virado o jogo e agora abria dois pontos em um momento crítico do set.

Kindaichi abaixou a cabeça, o peito arfando, as mãos trêmulas depois de ser bloqueado quatro vezes seguidas. O barulho do ginásio parecia distante, abafado pela frustração que o engolia por dentro. Ele tentava disfarçar, mas seus olhos estavam marejados. Foi então que Oikawa se aproximou, com passos firmes, e parou ao lado dele.

“Ei, olha pra mim.” a voz não foi dura, mas direta, com aquele tom que Kindaichi conhecia bem. Ele ergueu os olhos, relutante.

Oikawa sorriu, não aquele sorriso debochado de sempre, mas um que vinha do coração.

“Você tá aqui porque merece estar aqui. E eu não levantei quatro bolas seguidas pra você se esconder agora.”

Kindaichi abriu a boca pra dizer algo, mas Oikawa o interrompeu com um leve tapa no peito.

“Eles tão te bloqueando porque te respeitam. Entende isso? Eles sabem que você é perigoso. E eu também sei.”

Ele se virou, já voltando à posição.

“Então respira, ergue essa cabeça... e vamos mostrar pra eles por que você tá vestindo esse uniforme.”

Kindaichi assentiu, engolindo em seco. O medo ainda estava ali, mas agora, havia algo por cima dele.

Fé.

A fé de Oikawa. E isso... significava muito.

Oikawa enxugou o suor da testa com o dorso da mão e encarou o placar.

21x19 para o Dateko.

O set escapava pelas bordas dos dedos. E não era por falha do time — era pela constância do Dateko. O muro deles segurava o Seijoh como uma represa que não trincava.

Oikawa respirou fundo, girou nos calcanhares e observou seus próprios companheiros. Watari ofegava. Iwaizumi apertava os punhos, pronto pra explodir em mais um ataque. Matsukawa e Kindaichi estavam tensos, e Kunimi... bem, Kunimi continuava apático, mas Oikawa sabia ler nas entrelinhas. E a entrelinha era: a gente precisava de caos.

E havia só uma pessoa capaz de trazer isso pra quadra.

Seus olhos deslizaram até o banco.

Kentaro. O Mad Dog.

Ele não estava sentado. Nunca estava. Batia a bola no chão, o maxilar travado, como um animal preso, esperando ser solto.

"Eles já entenderam nosso ritmo. Já bloquearam nosso padrão. Já responderam à nossa lógica. Então… chega de lógica."

Oikawa olhou para o treinador, sem dizer uma palavra.

Apenas um gesto com a cabeça. O treinador entendeu. E assentiu.

Na lateral da quadra, Kentaro se levantou com expressão impassível e andou até a mesa de controle. Levantou a placa com o número 12. O número de Kunimi. O segundo árbitro conferiu a substituição, autorizando com um aceno firme.

Kunimi não hesitou. Caminhou para fora da quadra sem protesto, entregando a posição com um aceno discreto. Sabia o que aquela substituição significava. Era tática. Era fogo. E, acima de tudo, era a última carta do Seijoh.

Quando Kyōtani pisou em quadra, o ginásio inteiro pareceu mudar de frequência. Sua presença era como eletricidade estática, silenciosa, mas prestes a estourar.

Oikawa o encarou rapidamente, e bastou um olhar.

Mad Dog estava solto.

E o caos finalmente era azul-celeste.


O CAOS

O Seijoh soltou o caos. Oikawa, com seu sorriso mais debochado, recebeu a bola do juiz e caminhou para o saque. Girou a bola nas mãos, olhou para o outro lado da rede — e lá estava o Muro de Ferro. Aone. Kanji. Futakuchi. Sólidos como uma muralha viva. Mas Oikawa não recuava diante de muralhas.

Ele as desafiava.

O saque veio forte, mas não letal. A bola foi recebida, e logo o Dateko se preparava para atacar. Só que Oikawa já lia o jogo dois passos à frente. Na primeira chance de retorno, fez o que ninguém esperava.

Uma largada de segunda. Suave. Sutil. Cínica.

A bola ultrapassou os dedos erguidos do bloqueio, pingando quase com escárnio no centro da quadra adversária.

Ponto para o Seijoh.

Aone fechou o rosto. Futakuchi mordeu o lábio. Kanji estalou os dedos. O muro tinha sido zombado — e eles odiavam isso. Mas o caos estava só começando.

Na jogada seguinte, Kentaro explodiu. A bola veio para o centro, claramente armada para Kindaichi. Ele já se posicionava para o salto, o corpo pronto, os olhos focados. Mas Kentaro apareceu do nada, atravessando a quadra como uma rajada de vento desgovernado, roubou o ataque e cravou um corte monstruoso no chão do Dateko.

Ponto.

Mas não houve comemoração. Kindaichi o encarou, perplexo, ofendido. Kentaro... não disse nada. Nem um olhar. Nem um pedido de desculpas. Apenas virou de costas, voltando para a posição.

O caos se espalhava.

Iwaizumi se aproximou, firme.

“Kentaro... joga com o time.” O tom era baixo, mas cortante.

Kentaro apenas cerrou a mandíbula e assentiu com frieza. Seus olhos ainda queimavam.

21x21.O placar estava igual, mas o Seijoh... não era mais o mesmo time de antes.

Era fogo. Tensão. Desaforo.

Oikawa voltou para o saque. Olhou para o Dateko, depois para seus companheiros.

E então... Saque perfeito. Ace.

A bola cortou o ar como uma lâmina, tocando o chão antes que Sakunami pudesse reagir.

22x21 para o Seijoh.

Oikawa girou nos calcanhares, ergueu os braços e apontou o dedo para Aone.

“Vamos ver até onde esse muro aguenta.”

O caos não era mais ameaça. Era estratégia. Era arma.

Oikawa sorriu ao segurar a bola. O placar brilhava: 22x21. E ele estava só começando. Girou o pulso. Respirou fundo. Dois passos. Salto.

Ace.

A bola voou com efeito traiçoeiro, cruzando a quadra em linha tensa e caindo entre Futakuchi e Kanji.

23x21.

A torcida do Seijoh explodiu, rasgando o ginásio com aplausos.

Ele voltou para a linha.

Novo saque. Mesmo ritual. A mesma frieza. A mesma precisão.

Segundo Ace.

A bola caiu rente à linha de fundo. Sakunami se jogou, mas chegou atrasado.

24x21. Match Point para o Aoba Jōsai.

Mas o Dateko não era um time que caía sem lutar.

Na jogada seguinte, a recepção foi de Watari. Ele passou firme para Oikawa, que já enxergava Mad Dog pronto para atacar. Era a hora de testar a fúria de Kentaro.

Levantamento rápido. Corte cruzado.

Mas o Muro de Ferro se ergueu.

Aone. Futakuchi. Kanji.

Três torres firmes, impiedosas.

A bola explodiu contra o bloqueio e caiu de volta na quadra do Seijoh.

24x22.

Nova jogada.

Mesma escolha.

Mad Dog correu solto outra vez.

Veio de trás com impulso feroz, atacando na diagonal.

Mas o bloqueio... o bloqueio estava esperando.

Desta vez, Aone e Futakuchi fecharam com mais precisão. A bola bateu em cheio nas palmas e caiu direto no chão.

24x23.

O ginásio inteiro segurava a respiração.

A vantagem estava escorregando pelas mãos.

O caos já não era novidade.

Agora era hora de retomar o controle.

Iwaizumi se aproximou de Oikawa. Olhar firme. Confiança silenciosa.

"Faz o que você sempre faz" disse Iwa. "Confia no seu Ace."

Oikawa prendeu a respiração por um instante. Seus olhos se fixaram no rosto sério de Iwaizumi. O coração apertou, não por medo... mas por orgulho.

“É claro que eu confio.”

A recepção veio perfeita nas mãos de Watari. Oikawa deu dois passos curtos, firmou os calcanhares e levantou a bola com exatidão. Alta. Precisa. No tempo certo.

Iwaizumi saltou.

O corpo todo tensionado. Os olhos no muro. Aone. Kanji. Futakuchi.

Três sombras erguidas para barrá-lo.

Mas Iwa não hesitou.

Com um giro violento de tronco e um golpe limpo, a bola explodiu contra as mãos do bloqueio.

Kanji mal teve tempo de reagir.

Ela quebrou o muro.

A bola tocou o chão com um estrondo.

25x23.

O juiz apitou.

Fim do jogo.

O Seijoh estava na semifinal.

A torcida do Seijoh explodiu. O ginásio rugia em azul celeste. Tambores, gritos, bandeiras tremulando como ondas — era a consagração. Eles haviam vencido. Eles haviam derrubado o muro.

Oikawa correu para Iwaizumi sem pensar. Os dois se encontraram no centro da quadra e se abraçaram com força, gritando juntos, como se precisassem despejar tudo o que aquele jogo havia exigido deles.

Kentaro, ainda ofegante, parou alguns passos atrás. Seus olhos estavam fixos em Iwaizumi. Não era só respeito. Era admiração. Silenciosa, intensa, como um cão observando o líder da matilha. Oikawa percebeu. Um pequeno sorriso curvou seus lábios.

Isso poderia ser útil no futuro.

Iwaizumi soltou o ar, ainda sorrindo com a adrenalina correndo no corpo. Ele virou para Oikawa e, com os olhos brilhando, disse:

"A sensação de derrubar o muro é incrível!"

"Deve ser mesmo..." respondeu Oikawa, o olhar perdido por um segundo na expressão de Iwa, nos olhos cheios de fogo, os mesmos olhos que ele viu em outro jogador dias antes, enquanto assistia à gravação do jogo do Karasuno contra o Dateko.

O Tampinha. Aquele brilho era inconfundível. Oikawa respirou fundo. O suor escorria pelas têmporas, o peito subia e descia com força, mas por dentro, algo se acalmava.

Eles estavam na semifinal.

E do outro lado da rede, esperava o Karasuno.

Notas finais
Obrigada por chegarem até aqui! Escrever esse capítulo foi uma montanha-russa, e ter vocês lendo, torcendo e vibrando comigo é o que mantém essa história viva. Agora, com o jogo do Seijoh contra o Dateko finalizado, o palco está oficialmente pronto para o próximo ato. O Arco 4 se chama FLORESÇA! E eu prometo: ele vai ser marcante. Para o Nick. Para o Charlie. E para todos nós. Nos vemos muito em breve.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.