Match Point

27 ARCO 3 CONCRETO! - Capítulo 24 - Aniversario


Notas iniciais
Oie meus corvos! Passando aqui rapidinho só pra avisar que infelizmente não consegui postar ontem, mas... o capítulo da semana chegouuu! 🎉 Tá aqui, fresquinho, feito com muito carinho e emoção (como sempre, né?). Espero que vocês gostem tanto de ler quanto eu amei escrever. Preparem o coração e depois me contem o que acharam! 💛 Com amor, Bia 🧡🖤

CHARLIE

A primavera havia chegado com seu ar leve e o perfume doce das flores em desabrochar. As ruas pareciam acordar de um sono longo, iluminadas por tons vibrantes e cores delicadas que dançavam entre os galhos das árvores. Era como se tudo ao redor se renovasse — tudo, menos a inquietação que crescia no peito de Charlie.

Porque, para ele, aquela estação não significava apenas o renascimento da natureza. Ela carregava o peso silencioso de uma data especial: seu aniversário.

Este ano, ele queria algo simples. Nada de festas barulhentas ou multidões. Apenas uma tarde tranquila jogando boliche com as pessoas que sempre estiveram com ele. Tao, Elle, Isaac, Tara e Darcy já tinham confirmado presença. Seria um dia leve, familiar. Tudo parecia certo.

Mas havia um detalhe. Um nome que ocupava espaço demais em sua mente: Nick.

Charlie queria convidá-lo. Queria muito. Queria vê-lo ali, ao seu lado, sorrindo enquanto derrubavam pinos e dividiam um milkshake qualquer. Mas a vontade vinha acompanhada de um leve aperto no peito — e se seus amigos não reagissem bem? E se tudo ficasse estranho? Eles sabiam que havia algo ali, claro. Mas uma coisa era saber. Outra era ver.

Tao, em especial, ainda parecia pisar em ovos quando o assunto era Nick. Ele não demonstrava raiva, nem desprezo. Mas também não escondia a desconfiança. Charlie entendia. Tao sempre foi o mais protetor entre eles. Tinha visto Charlie desabar. Tinha segurado sua mão quando ele caiu por causa de Ben. Tinha prometido, mesmo sem palavras, que aquilo não se repetiria.

Então, para Tao, talvez Nick ainda fosse uma ameaça. Um risco. Mesmo que não fosse justo.

Charlie compreendia o medo de Tao. Parte dele também o sentia. Mas outra parte, mais teimosa, mais decidida, queria mostrar que agora era diferente. Que Nick era diferente.

E que ele também era.

Era o seu aniversário, afinal.

Talvez fosse hora de começar a escrever novos capítulos. Mesmo que ainda houvesse fantasmas rondando as páginas anteriores.

Charlie mordeu o lábio enquanto mexia no celular, rolando a tela sem realmente prestar atenção em nada. Ele queria mandar uma mensagem para Nick, mas cada vez que abria a conversa, sentia um nó no estômago. Não era medo, exatamente. Era mais aquela sensação incômoda de expor algo importante e não saber como seria recebido. Ele queria que Nick estivesse lá. Queria vê-lo rindo ao acertar um strike ou reclamando quando errasse uma jogada. Queria que ele fizesse parte daquele dia, porque, de alguma forma, Nick já fazia parte de sua vida.

Tao percebeu sua inquietação enquanto caminhavam para casa depois do treino.

"O que tá rolando aí?" perguntou, inclinando levemente a cabeça e lançando um olhar curioso.

Charlie, pego no flagra, rapidamente bloqueou o celular e o enfiou no bolso.

"Nada," respondeu com uma pressa que, para Tao, gritava exatamente o contrário.

Tao ergueu uma sobrancelha, com aquele olhar de quem não ia deixar passar. "Charlie Spring, você esquece que eu te conheço desde sempre? Quando você começa a chutar pedrinha na rua, é porque tem coisa aí."

Charlie suspirou. A pedrinha que chutava fez um leve som contra o meio-fio.

"É meu aniversário no fim de semana," disse, tentando manter o tom casual. "E... eu tava pensando em chamar o Nick."

Tao parou por um segundo, como se absorvesse a informação. "Ah."

O silêncio se estendeu por alguns passos.

"E você tá preocupado com a reação do pessoal," completou Tao, como quem lê um livro já decorado.

"Na verdade... eu tô preocupado com você."

Tao parou, piscou algumas vezes e colocou a mão no peito num gesto dramático. "Comigo? Qual é! Por que eu assustaria seu namorado aniversariante?"

"Você não parece gostar muito dele," Charlie murmurou, com um meio sorriso.

"Não gosto mesmo!" Tao respondeu com naturalidade. "Mas posso ser um bom amigo e tolerar o Golden Retriever por algumas horas. Depois eu faço uma lista mental de tudo o que ele disse de irritante."

Charlie riu, aliviado. "Então, você ficaria bem se eu chamasse ele?"

"Claro que sim," Tao respondeu, abrindo um sorriso. "Você gosta mesmo do brutamontes loiro, né?"

"Sim." Charlie sorriu de volta, os olhos brilhando daquele jeito bobo que Tao reconhecia de longe.

"O que eu não faço pra te ver com essa carinha de pastel apaixonado," provocou Tao, beliscando a bochecha de Charlie.

"Ai!" Charlie reclamou, rindo, e deu um empurrão leve no amigo.

Eles seguiram andando, e por um momento, o silêncio era apenas confortável.

Então Tao, de repente mais sério, falou: "Podemos prometer uma coisa?"

"Claro," disse Charlie, voltando o olhar para ele.

"Não importa o que aconteça... vamos priorizar isso aqui. A nossa amizade."

Charlie assentiu, com firmeza. "Prometo."

Tao estendeu o mindinho. "Selo eterno de melhores amigos."

Charlie entrelaçou o dedo no dele. "Selo aceito."

E seguiram caminhando, cúmplices como sempre, como se o mundo lá fora pudesse esperar um pouco mais.


NICK

Nick estava deitado em sua cama, o brilho frio da tela do celular iluminando seu rosto no quarto escuro. O cansaço do treino pesava em seus músculos, mas sua mente estava inquieta, pulando de pensamento em pensamento sem conseguir se fixar em nada. Ele deslizou o polegar pela tela, abrindo distraidamente as notificações, até que uma em particular chamou sua atenção.

Uma atualização do aplicativo do Intercolegial.

SHIRATORIZAWA CAMPEÃO INTERCOLEGIAL!

Seu coração deu um leve salto enquanto abria a matéria.

"O Instituto Shiratorizawa vence pela quarta vez seguida o Intercolegial. Com a vitória por 2x1 contra o valente Aoba Jōsai, o Shiratorizawa impôs porque são tidos como os melhores da região. Ushijima levou os prêmios de Melhor Jogador e Melhor Ace do torneio. Oikawa do Aoba Jōsai foi eleito o Melhor Levantador do campeonato..."

Nick ficou parado por um instante, os olhos fixos na tela. Uma mistura de emoções rodopiava dentro dele. Ele sabia o quanto Oikawa queria essa vitória, o quanto ele tinha lutado para isso. Parte dele sentiu uma pontada amarga por ver que, no final, o Shiratorizawa levou mais uma vez. Oikawa se esforçou tanto, levantou seu time de maneira quase impossível, mas, ainda assim, perdeu.

Mas, então, seus olhos voltaram para a última frase.

"Oikawa do Aoba Jōsai foi eleito o Melhor Levantador do campeonato."

O peso daquela conquista bateu nele de uma maneira diferente. Um pequeno sorriso se formou em seus lábios.

Ele conseguiu...”

Oikawa finalmente teve o reconhecimento que sempre mereceu. Não importava que o Seijoh tivesse perdido a final – ele, Oikawa Tooru, foi escolhido como o melhor levantador da região.

Nick se perguntou como ele devia estar se sentindo agora. Ter o prêmio em suas mãos compensava a derrota? Ele estaria feliz? Ou a dor de perder para Ushijima ofuscava qualquer orgulho que pudesse sentir?

Um impulso cresceu dentro de Nick. Ele pegou o celular e abriu o chat com Oikawa. Seus dedos pairaram sobre o teclado.

Eu:Parabéns, Oikawa. Você merece isso.

Ele encarou a mensagem não enviada por alguns segundos, o polegar hesitando sobre o botão de envio. Mas então, um pensamento o atingiu – será que Oikawa queria receber essa mensagem dele?

Nick mordeu o lábio e suspirou, apagando o texto. Colocou o celular no peito e virou-se na cama, encarando o teto. O orgulho ainda estava lá, forte em seu peito. Mas junto dele, havia algo mais. Uma sensação incômoda. Porque, por mais feliz que estivesse por Oikawa, ele sabia que esse prêmio não era o que ele realmente queria.

O quarto estava mergulhado em uma penumbra confortável, iluminado apenas pelo brilho frio da tela. Seus dedos deslizavam distraidamente pelo vidro, sem realmente prestar atenção no que estava na tela, até que uma notificação surgiu, vibrando suavemente em sua mão. Ele olhou e, ao ver o nome de Charlie, sentiu uma pequena onda de calor subir por seu peito. Seus olhos se fixaram na mensagem.

Char: Oi

Um sorriso apareceu automaticamente no rosto de Nick. Ele podia quase ouvir a voz de Charlie ao ler aquelas palavras. Antes que pudesse responder, outra mensagem chegou.

Char: Então… meu aniversário é nesse fim de semana, e eu vou sair com o pessoal pra jogar boliche.

Nick se endireitou na cama, sentindo o coração bater um pouco mais rápido.

Char: Eu adoraria se você pudesse ir também. Seria legal te ter lá…

Ele piscou algumas vezes, absorvendo o convite. Charlie queria que ele estivesse lá. Sem perceber, Nick segurou o celular com mais força, um sorriso crescendo em seu rosto.

Char: Mas só se você quiser, claro! Sem pressão!

Aquela última parte o fez rir baixinho. Charlie sempre deixava uma saída, como se estivesse com medo de forçá-lo a algo, mas Nick não precisava pensar duas vezes. Ele já sabia a resposta.

Eu: Eu adoraria ir!

A resposta mal tinha sido enviada, e outra notificação surgiu imediatamente.

Char: Sério?

Eu: É claro! Parece muito divertido.

Char: Legal! O pessoal vai amar te conhecer…

O sorriso de Nick vacilou por um instante. Os amigos de Charlie. Ele sabia que esse momento chegaria, mas agora que estava escrito, parecia mais real. Tao, Elle, Darcy, Isaac, Tara… ele conhecia alguns de vista, mas nunca tinha conversado direito com eles. E Tao… bom, Tao deixava bem claro que não confiava nele.

Nick respirou fundo, sentindo um pequeno frio no estômago. E se fosse estranho? E se eles não gostassem dele? Ele não queria que a noite fosse desconfortável para Charlie, não queria que sua presença causasse qualquer tipo de tensão entre ele e os amigos. Rolando na cama, Nick encostou o celular contra o peito e fechou os olhos por um instante, tentando afastar as inseguranças. Mas então, um pensamento atravessou sua mente como um clarão. Charlie queria que ele fosse. Isso bastava.

Pegou o celular novamente e sorriu ao ver que Charlie já tinha mandado outra mensagem.

Char: Então… vejo você no sábado?

Nick respirou fundo, sentindo o coração acelerar outra vez, mas dessa vez, não era ansiedade. Era expectativa.

Eu: Vejo você no sábado :)


CHARLIE

Charlie estava em pé diante do espelho do quarto, a luz suave da manhã filtrando pelas frestas da cortina. Com os ombros levemente curvados, ele ajustava a gola da camisa pela terceira vez, tentando fazer com que caísse de forma natural. Mas havia algo que o incomodava, algo que ele não conseguia disfarçar, por mais que ajeitasse o tecido.

Suspirou fundo, passou as mãos pelos cabelos e os bagunçou com intenção. Queria aquele visual de quem não se esforçou muito, embora estivesse claramente tentando. Mas, ao olhar mais uma vez para o reflexo, não era o penteado que chamava sua atenção.

A camisa, uma de suas favoritas, que costumava lhe cair perfeitamente — agora parecia grande demais. As mangas escorregavam um pouco pelos ombros, o colarinho ficava frouxo em volta do pescoço. Ele puxou a barra inferior da camisa e observou como o tecido sobrava, caindo com folga sobre a calça.

Seu olhar subiu devagar até o rosto. As bochechas estavam mais fundas, o maxilar mais aparente. Os olhos, por mais que tentassem parecer confiantes, tinham algo de exausto, como se o tempo tivesse passado mais rápido que ele.

Charlie fez uma careta, apertando os lábios. Deu um passo para trás. Depois outro para frente. Girou o corpo de lado, tentando ver o todo.

A sensação de desconforto era maior do que ele gostaria de admitir. Mas não podia se deixar levar por aquilo. Não agora. Ele se endireitou diante do espelho, ergueu o queixo e respirou fundo. Precisava parecer bem. Precisava mostrar que estava pronto para aquilo. Mesmo que, por dentro, tudo ainda parecesse frágil demais.

Com um toque leve, Charlie passou os dedos pela gola da camisa uma última vez e murmurou para si mesmo:

"Vai dar tudo certo."

Queria acreditar naquilo. Precisava acreditar. Era como um escudo contra os pensamentos que ainda tentavam invadir sua mente. Endireitou os ombros diante do espelho, quando ouviu uma voz vinda da porta:

"Aonde você vai?"

Charlie deu um pulo, quase derrubando o frasco de gel na pia.

"Tori! Que susto!" exclamou, colocando a mão no peito.

A irmã estava encostada no batente da porta, com uma xícara de chá nas mãos e sua expressão impassível de sempre. Usava um moletom enorme, o cabelo preso de qualquer jeito. Mas seus olhos, atentos e inteligentes, captavam tudo.

"Magia de irmã mais velha," ela disse com um leve sorriso, entrando no quarto. "Você tá mais nervoso que no dia da sua estreia no campeonato."

Charlie riu, tentando disfarçar a tensão. "Vou no boliche com uns amigos."

"Vai com o Nick, né?"

"Por que a pergunta?" ele rebateu, tentando parecer indiferente.

"Porque você tá agindo como se fosse um jantar à luz de velas," Tori comentou, olhando ele ajeitar os fios com gel e puxar a barra da camisa como se ela fosse encolher.

Charlie suspirou, cruzando os braços. "Tá bom... o Nick e eu meio que... estamos ficando."

"Eu sabia!" Tori exclamou, apontando a xícara como se estivesse vencido uma aposta consigo mesma.

"Mas não conta pra ninguém, sério."

"Charlie, relaxa. Eu sou sua irmã, não uma colunista de fofoca."

Ela se aproximou e se jogou na cama dele, deitando de lado com o olhar suave. O tipo de olhar que raramente mostrava, o que guardava só para momentos importantes.

"Fico feliz por você. De verdade. Você tipo... gosta dele desde o século passado."

Charlie deu uma risada curta, desviando os olhos. "Era tão óbvio assim?"

"Mais ou menos. Ficou mais quando ele vinha aqui escondido à noite, tipo um personagem de filme adolescente."

"Ele tava passando por umas coisas difíceis," disse Charlie, sério agora. "E eu... queria estar por perto."

"Que bom que ele tem você," Tori disse com uma honestidade que pegou Charlie de surpresa.

Ele ficou em silêncio, o peito esquentando com aquelas palavras simples. Pegou o celular e olhou as horas — o grupo já devia estar chegando no boliche.

"Você tá ótimo," Tori disse do nada, ainda deitada, observando o irmão no espelho.

Charlie virou o rosto para ela, surpreso com o elogio.

"Nick vai te achar incrível de qualquer jeito," ela completou, tomando o último gole do chá e se levantando devagar.

Ele caminhou até ela, e em vez de dizer algo, deu um empurrão leve no ombro dela.

"Obrigado. De verdade."

Tori parou por um instante e apenas piscou devagar, com um sorrisinho no canto da boca.

"De nada."

O motor do carro ronronava de forma constante enquanto Tori guiava pelas ruas tranquilas da cidade. O céu, pintado em tons quentes de fim de tarde, misturava laranjas e rosas que se refletiam nos vidros dos prédios. Charlie, sentado no banco do passageiro, observava a paisagem desfilar pela janela. As árvores, os postes, as calçadas conhecidas — tudo passava rápido, mas seu coração batia ainda mais rápido.

Estava nervoso. Ansioso. Mas, ao mesmo tempo, uma parte dele sentia esperança. Como se, depois de tantas semanas difíceis, aquele passeio fosse um recomeço.

Tori dirigia com tranquilidade, uma mão apoiada no volante, a outra no câmbio. O rádio murmurava uma música calma que se misturava com o som dos pneus no asfalto. Ela não dizia nada, respeitando o silêncio de Charlie, como sempre fazia quando percebia que o irmão estava mergulhado nos próprios pensamentos.

Mas Charlie precisava romper aquele silêncio.

Ele respirou fundo, como se se preparasse para pular de um penhasco, e se virou levemente para ela.

"Eu gosto muito do Nick."

As palavras saíram todas de uma vez, quase atropeladas, como se estivessem presas há dias e, agora que escaparam, não tivessem mais volta.

Tori manteve os olhos na estrada, mas o canto da boca se curvou num sorriso discreto.

"Eu sei."

Charlie soltou uma risada abafada, nervoso. Brincou com o zíper da jaqueta sobre a camisa, girando-o entre os dedos.

"Eu acho que... acho que estou apaixonado."

Ela não respondeu de imediato. Reduziu a velocidade para entrar numa curva e então lançou um olhar breve, mas atencioso, para ele antes de voltar os olhos para a pista.

"Você parece mais à vontade com ele", disse, a voz mais baixa do que o habitual. "Mais você mesmo."

Charlie ergueu as sobrancelhas, pego de surpresa.

"Sério?"

Tori assentiu de leve.

"Sim. Tipo, você sempre foi você, claro. Mas antes... era como se vivesse se contendo. Como se estivesse sempre tentando se adaptar a alguma expectativa que nem era sua. Com ele, você relaxa. Só... acontece."

Charlie olhou para o próprio colo. As mãos entrelaçadas, os dedos trêmulos. Pensou nas vezes em que, com Nick, simplesmente riu até doer o estômago. Em como não precisava esconder suas inseguranças, seus silêncios, seus brilhos. Com Nick, ele não era demais. Nem de menos. Era só ele.

O carro parou em um sinal vermelho. Tori virou-se ligeiramente para ele, o rosto iluminado pelos últimos raios dourados da tarde.

"Isso é bom."

Charlie deixou escapar um sorriso tímido.

"Acha que ele sente o mesmo?"

Tori deu de ombros, mas seu olhar tinha aquela doçura rara que ela escondia tão bem.

"Bom, considerando que ele te olha como se você fosse o único garoto na Terra, acho que sim."

Charlie riu, corando de leve. Aquilo o desarmava. E a verdade, por mais boba que fosse, o deixava aquecido por dentro.

"Você é péssima pra fazer elogios soarem normais."

"É um talento", respondeu ela com uma piscadela, voltando a acelerar quando o sinal ficou verde.

O resto do caminho seguiu tranquilo. A cidade ao redor continuava seu ritmo, mas dentro do carro havia algo mais — uma cumplicidade silenciosa, reconfortante. Charlie sabia que, não importava o que viesse pela frente, teria sempre ali, do seu lado, alguém que o entendia de verdade. E isso... isso era tudo.

Quando finalmente chegaram ao estacionamento do boliche, o céu já estava tingido de azul escuro, pontilhado pelas primeiras estrelas da noite. O lugar estava moderadamente cheio — carros estacionados de forma torta, luzes fluorescentes piscando de maneira intermitente sobre a fachada desgastada do prédio, e algumas crianças correndo de um lado para o outro com balões e milkshakes nas mãos.

Tori manobrou o carro com precisão cirúrgica, estacionando perfeitamente entre duas SUVs enormes que deixavam Charlie com a sensação de estar numa caverna metálica. Ela desligou o motor, puxou o freio de mão e se virou lentamente para encará-lo, ainda com as mãos no volante e a expressão serena — séria demais para o momento.

“Se ele te magoar,” disse com a voz tranquila, mas os olhos faiscando ameaça disfarçada, “eu dou um jeito nele.”

Charlie arqueou as sobrancelhas e soltou uma risada curta, revirando os olhos.

“Tori... ele não vai.”

“Melhor pra ele.” Ela pegou as chaves, abriu a porta com um empurrão e saiu com a mesma leveza de quem está indo buscar pão, mas com a prontidão de quem poderia iniciar uma briga em três segundos se necessário. “Porque ele até parece ser um cara legal. E seria uma pena se o carro dele... sei lá... acabasse com os pneus furados por acidente.”

Charlie abriu a porta com mais cautela, ainda rindo, e se apoiou no teto do carro para respirar fundo. O ar da noite estava fresco, cheio de cheiro de pipoca, óleo de fritura e um leve aroma de flores de primavera. Aquilo o acalmava. O barulho abafado das risadas e da música saindo do boliche preenchia o ar.

“Você é completamente maluca, sabia?” disse ele, ajeitando a jaqueta.

Tori o encarou por cima do capô e sorriu com falsa inocência.

“E você é meu irmão. Então, automaticamente, problema meu também.”

Charlie soltou um longo suspiro, mas não conseguia — nem queria — esconder o sorriso. Era bom saber que, por mais que estivesse se arriscando emocionalmente naquela noite, havia alguém ali com uma espada invisível em punho, pronta para protegê-lo.

Ele gostava de Nick. Muito mais do que estava pronto para admitir em voz alta. Mas só de saber que Tori estava com ele, mesmo que com ameaças veladas e comentários sarcásticos — tudo parecia um pouco mais fácil.

NICK

Nick parou diante da entrada do boliche, respirando fundo antes de empurrar a porta de vidro. O ambiente era animado, cheio de luzes coloridas e o som das bolas deslizando pelas pistas, seguido pelo impacto seco dos pinos caindo. Ele sentiu o estômago revirar de leve. Não era exatamente nervosismo pelo boliche em si, ele já havia estado em centenas de competições, em ginásios lotados, enfrentando adversários formidáveis. Mas aquilo era diferente. Aquilo era pessoal.

Ele estava prestes a conhecer os outros amigos de Charlie.

Passou a mão pelos cabelos, tentando conter o impulso de ajeitá-los pela milésima vez. Ele já conhecia Tao, claro, o que não ajudava muito, considerando que Tao parecia tolerá-lo apenas porque Charlie gostava dele. E também conhecia Tara, da infância, o que era um alívio. Mas os outros eram completos mistérios.

Ele escaneou o local até finalmente encontrar Charlie. O coração de Nick deu um pequeno salto. Charlie estava rindo de algo que Darcy disse, sua expressão iluminada pela alegria genuína que sempre fazia Nick esquecer como respirar por um segundo.

Charlie o viu e seu rosto se abriu em um sorriso ainda maior.

“Nick! Você veio!”

Nick assentiu, sentindo um calor confortável se espalhar pelo peito. Ele estava ali por Charlie, e só isso já valia a pena.

Charlie se aproximou, puxando-o suavemente pelo braço para perto do grupo.

“Pessoal, esse é o Nick” e todos olham para ele e Charlie aponta para os rostos desconhecidos “Esses são Elle, Isaac e Darcy.”

Elle foi a primeira a se pronunciar, sorrindo de forma calorosa.

“Oi, Nick! Finalmente nos conhecemos. O Charlie fala muito de você.”

Nick sentiu seu rosto esquentar.

“Ah... fala?”

Ele olhou para Charlie, que abriu um sorriso nervoso e evitou seu olhar.

“Sim! Tipo, o tempo todo” Darcy acrescentou, dando um sorriso travesso enquanto se inclinava para cutucar Charlie no braço. “Honestamente, acho que ele tem um pôster seu escondido em algum lugar.”

“DARCY!” Charlie arregalou os olhos.

Todos riram, e Nick não pôde deixar de sorrir também. Darcy tinha uma energia contagiante, cheia de entusiasmo. Isaac, que estava folheando um livro em silêncio até então, apenas olhou de relance para Nick, assentiu em um cumprimento simples e voltou a sua leitura.

“Ele gosta mais de livros do que de pessoas, mas você se acostuma,” Elle comentou com um tom divertido.

Nick riu, sentindo-se mais relaxado a cada segundo. Eles eram... acolhedores. O tipo de grupo de amigos que fazia você se sentir bem-vindo imediatamente.

Bom, quase todos...

Ele percebeu Tao um pouco afastado, os braços cruzados e a expressão impassível. Não era hostilidade, mas definitivamente não era entusiasmo. Nick tentou não levar para o lado pessoal, mas era impossível ignorar o leve desconforto que aquilo causava. Tara, talvez percebendo a tensão silenciosa, sorriu para Nick e lhe deu um empurrão leve no ombro.

“É bom te ver depois de tanto tempo.”

Nick sorriu para ela, grato por aquele gesto.

“É mesmo. Faz tanto tempo que quase não te reconheci.”

“Você também cresceu bastante, mas continua com aquela cara de bebê gigante,” Tara brincou, piscando para Charlie. “É um milagre você e o Charlie não terem se encontrado antes, honestamente.”

Charlie corou, enquanto Darcy e Elle se entreolhavam com sorrisos conspiratórios. Nick riu, mas percebeu Tao revirando os olhos ao fundo. Nick olhou ao redor, tentando ignorar a sensação persistente de que Tao ainda não estava exatamente feliz com sua presença. Ele se virou para Charlie, esperando que a organização dos times quebrasse um pouco a tensão no ar.

“Hum, então...” Nick começou forçando um tom leve. “Como estão os times?”

Charlie, percebendo a tentativa de aliviar o clima, pegou a tabela com os nomes organizados.

“Já dividimos em duplas. Você vai jogar com a Tara.”

Nick piscou, surpreso.

“Ah, então estamos garantidos.”

Tara riu, cruzando os braços.

“Se perdermos, vai ser sua culpa.”

“Sem pressão, né?” Nick brincou, relaxando um pouco mais.

Charlie sorriu e apontou para o resto dos times.

“Eu vou jogar com Elle, Darcy vai jogar com Tao e o Isaac... bem...”

Todos olharam para Isaac, que estava sentado confortavelmente em uma das cadeiras, folheando um livro como se nada no mundo pudesse interferir em sua leitura. Ele nem sequer levantou a cabeça para reagir.

“Ele disse que prefere observar,” explicou Darcy, segurando o riso. “Ou seja, ele vai fingir que não estamos aqui.”

Isaac levantou um polegar sem desviar os olhos da página.

Nick riu e pegou uma das bolas, girando-a nos dedos. A tensão no ar parecia estar diminuindo aos poucos, e mesmo Tao, ainda com os braços cruzados, estava envolvido na conversa, resmungando algo para Darcy.

Charlie bateu levemente no ombro de Nick, chamando sua atenção.

“Não se acha demais não.”

Nick sorriu, desviando o olhar para a pista.

“Nem um pouco.”

Todos riram, e, pela primeira vez desde que chegou, Nick se sentiu verdadeiramente parte daquele grupo. O jogo ainda nem tinha começado, mas ele já sabia, aquele seria um dos melhores aniversários de Charlie. E ele faria de tudo para torná-lo ainda mais especial.


CHARLIE

As primeiras jogadas começaram com um clima animado. O som das bolas deslizando pela pista e derrubando os pinos misturava-se com as risadas e provocações amistosas. O boliche estava cheio de luzes coloridas, música alta e uma energia vibrante que combinava perfeitamente com a atmosfera de aniversário de Charlie.

Charlie foi o primeiro a jogar. Ele pegou a bola com determinação, respirou fundo e mirou na pista como se estivesse prestes a executar uma jogada genial. Todos observavam com expectativa… até que ele lançou a bola torto demais. Ela rolou preguiçosamente para a lateral e caiu na canaleta sem sequer tocar nos pinos.

Tao segurou o riso, mas não conseguiu conter um comentário.

“Uau. Isso foi... impressionante.”

Charlie suspirou e se virou, apontando para Tao.

“Sua vez. Vamos ver se você faz melhor.”

Tao pegou a bola com a mesma seriedade exagerada, como se estivesse prestes a ganhar uma final olímpica. Ele se posicionou, respirou fundo e lançou.

A bola seguiu o mesmo caminho desastroso de Charlie e caiu direto na canaleta.

Darcy explodiu em gargalhadas, enquanto Elle tentava, sem sucesso, segurar o riso. Tao apenas cruzou os braços e disse:

“Ok, talvez eu tenha julgado cedo demais.”

“Talvez?” Charlie rebateu, cruzando os braços também.

Isaac, sem tirar os olhos do livro, comentou casualmente:

“Pelo jeito, a competição aqui vai ser pra ver quem consegue não zerar.”

Enquanto os dois amigos trocavam olhares desafiadores sobre quem era o pior, Darcy foi para sua jogada. Ela mirou, lançou e conseguiu acertar seis pinos. Nada mal, mas nada impressionante.

“Eu aceito essa mediocridade” Darcy disse orgulhosa, fazendo um high five com Tara, que foi a próxima a jogar e conseguiu sete pinos.

Agora, era a vez de Elle. Ela pegou a bola com confiança, jogou e... STRIKE.

“Isso foi lindo!” Elle comemorou, girando nos calcanhares e fazendo uma reverência exagerada.

“Uau, eu estou oficialmente assustado,” disse Nick, rindo enquanto observava Elle receber os aplausos do grupo.

“Você deveria estar,” Elle respondeu, piscando para ele.

Por fim, chegou a vez de Nick. Ele pegou a bola e fez um pequeno alongamento teatral.

“Ok, pressão total.”

Charlie revirou os olhos, mas não conseguiu esconder o sorriso. Nick lançou a bola e... STRIKE. O grupo reagiu com gritos e aplausos exagerados. Tao cruzou os braços, fingindo estar entediado.

“Ótimo. Mais um esporte no qual você é perfeito.”

“Eeeee... Obrigado?” Nick disse casualmente.

O jogo continuou, com Charlie e Tao disputando para ver quem era o pior, Darcy e Tara mantendo uma performance decente e Elle e Nick competindo de verdade. A cada rodada, um tentava superar o outro.

A última jogada chegou, e Elle estava apenas dois pontos na frente de Nick. Se ele fizesse um strike, venceria. Ele respirou fundo, lançou a bola e... nove pinos.

Elle jogou os braços para cima.

“SIM!”

Nick balançou a cabeça, sorrindo.

“Eu fui derrotado.”

“Você foi HUMILHADO,” Darcy corrigiu, rindo.

Elle fez uma dancinha comemorativa, enquanto Charlie batia palmas para ela.

“Elle, a rainha do boliche.”

“E Nick, o servo da rainha,” acrescentou Darcy com um sorriso travesso.

Nick riu, aceitando a brincadeira, com as bochechas levemente coradas pelo calor do momento. O clima dentro do boliche era leve, pulsando com as luzes coloridas que giravam no teto e o som abafado de pinos sendo derrubados. Mesmo com a derrota do time dele naquela rodada, não se importava. Porque, por um instante, tudo estava em paz.

Ele deixou os olhos vagarem até Charlie e o encontrou rindo. Não um riso forçado, educado ou para parecer bem. Mas um riso de verdade. Largado, leve, quase despreocupado, com os olhos fechados por um segundo e o rosto iluminado pelas luzes coloridas do salão. Os ombros soltos, o corpo relaxado. Era como se por alguns minutos ele não estivesse pensando em recuperação, em treinos, em bloqueios ou cruzados abertos. Como se não houvesse a pressão dos próximos jogos ou o peso das expectativas.

Nick sentiu o coração bater diferente ao vê-lo assim. Porque fazia tempo, tempo demais, que não via Charlie rir daquele jeito. Desde o dia da derrota para o Seijoh. Na maior parte do tempo, Charlie andava tenso, mesmo quando tentava disfarçar. Mas agora… ali, entre Tao, Elle, Tara, Darcy e Isaac, ele parecia só... Charlie.

Simplesmente Charlie.

E Nick soube, naquele momento, que tudo valia a pena. Cada conversa difícil, cada silêncio incômodo, cada lágrima engolida — tudo. Se dependesse dele, faria de tudo para que aquele dia fosse inesquecível. Para que Charlie tivesse o melhor aniversário da vida. Para que se lembrasse não da dor, mas dos risos. Do som dos pinos caindo. Da alegria de estar vivo, cercado por amor.

Enquanto todos caminhavam até a lanchonete para decidir o que pedir, Nick puxou Charlie pela mão, conduzindo-o discretamente para um canto mais afastado do boliche, onde as luzes eram mais suaves e o som das bolas derrubando pinos soava abafado. O coração de Charlie bateu mais rápido. Ele já imaginava o que estava por vir, e sua pele formigava de expectativa.

Nick parou e virou-se para ele, seus olhos verdes brilhando sob a iluminação fraca. Sem dizer nada, ele ergueu uma das mãos, tocando suavemente o rosto de Charlie, e, antes que ele pudesse processar o momento, Nick o puxou para um beijo.

Foi lento no começo, um toque hesitante de lábios que logo se aprofundou. O calor se espalhou pelo peito de Charlie, fazendo seus dedos se agarrarem ao moletom de Nick, puxando-o para mais perto. As mãos de Nick deslizaram para a cintura de Charlie, segurando-o com firmeza, como se não quisesse soltá-lo. O beijo era intenso, mas ao mesmo tempo, cheio de carinho, cheio de tudo que os dois queriam dizer sem palavras. O tempo pareceu parar.

Quando se separaram, ofegantes, Nick sorriu, encostando a testa na de Charlie. “Feliz aniversário.”

Charlie soltou um riso baixo, os olhos ainda fechados, sentindo o coração disparado. “Finalmente,” murmurou. “Esperei por isso o dia todo.”

Nick riu também, mas então sua expressão mudou, como se tivesse se lembrado de algo importante. Ele enfiou a mão no bolso da jaqueta e puxou uma pequena caixinha, embrulhada em papel de presente azul claro, com uma fita amassada ao redor. A essa altura, o embrulho estava um pouco rasgado, como se tivesse sido apertado e dobrado várias vezes.

“Me desculpe por isso,” Nick disse, parecendo envergonhado. “Rasgou um pouco no meu bolso.”

Charlie pegou o presente com cuidado, segurando-o como se fosse algo precioso. “É perfeito, obrigado.”

Com delicadeza, ele desfez a fita e abriu a caixinha. Dentro, brilhava um pequeno colar banhado a ouro, com um pingente na forma de uma bola de vôlei. Charlie virou o pingente e sentiu a respiração falhar ao ver a parte de trás. Gravado em letras pequenas e delicadas, estava escrito CHAR.

Ele olhou para Nick, os olhos marejados, sem conseguir encontrar palavras. O peito de Charlie estava cheio, como se algo quente e indescritível transbordasse dentro dele. Em um impulso, ele se jogou nos braços de Nick, segurando-o com força. Nick riu baixo, envolveu Charlie em um abraço apertado e então, como se não conseguisse se conter, inclinou-se novamente, selando seus lábios em mais um beijo.

Dessa vez, foi diferente. Não havia mais hesitação, apenas uma certeza absoluta. As mãos de Nick seguraram o rosto de Charlie, e os dedos de Charlie deslizaram pelos fios macios do cabelo de Nick, enquanto seus corpos se encaixavam naturalmente.

Quando se afastaram dos outros, Nick parecia diferente — mais nervoso do que Charlie jamais o tinha visto. Seus olhos, que sempre carregavam aquela confiança tranquila, agora piscavam rápido, inseguros, e seus dedos brincavam com a barra da camisa como se não soubessem o que fazer com as mãos. Charlie já sentia o coração disparado, mas aquilo só piorava a situação.

Nick respirou fundo, os ombros subindo e descendo num esforço visível de criar coragem. Seu olhar encontrou o de Charlie, e ali havia tudo: doçura, medo, vontade.

"Char..." ele disse, a voz saindo num sussurro trêmulo. Ele mordeu o lábio inferior, desviou o olhar por um segundo, depois voltou. "Eu gosto muito de você. Tipo... muito mesmo."

Charlie teve que se segurar para não explodir ali mesmo. Seu estômago deu voltas, e ele jurava que o chão parecia balançar. A mão dele começou a suar de leve.

Nick deu um passo mais perto. Os olhos verdes estavam mais intensos agora, brilhando de expectativa e nervosismo. "Você... você quer ser meu namorado?" Ele engoliu em seco, o rosto corando de leve. "Tipo... oficialmente?"

Charlie piscou algumas vezes. O cérebro entrou em curto. O coração já estava na arquibancada, vibrando como se fosse final de campeonato. Ele soltou um risinho nervoso, levou as mãos ao rosto e balançou a cabeça devagar, como quem diz “me dá um segundo pra não surtar aqui, por favor.”

Tudo ao redor pareceu ficar em silêncio.

O ar ficou mais leve ou talvez mais denso e por um instante, Charlie não sabia se estava respirando. Seu peito subia e descia rápido demais, e mesmo assim, ele se sentia flutuando. “Isso tá mesmo acontecendo? Tipo, de verdade?”

Os olhos de Nick continuavam ali, presos nos dele, esperando. Quase tremendo. Quase pedindo: “me responde logo antes que eu morra aqui.”

Charlie sentiu a felicidade borbulhar no estômago, como refrigerante depois de agitar a garrafa. Ele abriu um sorriso grande, um daqueles sorrisos que fazem as bochechas doerem.

"Sim!" disse, quase rindo, quase chorando.

A resposta saiu rápida, mas era tudo o que ele queria dizer.

Nick soltou uma risada aliviada, um pouco sem fôlego, e antes que dissesse qualquer coisa, Charlie o puxou para um abraço forte, apertado, do jeito que ele sempre quis. Como se dissesse é você. Sempre foi você.

Eles ficaram ali por alguns segundos, os dois meio tremendo, meio sorrindo. E talvez, só talvez... o mundo inteiro tivesse parado também, só pra assistir aquilo acontecer.

Notas finais
ELES ESTÃO NAMORANDO OFICIALMENTE!!!!!! 💛💥😭 Ai, gente... nem sei por onde começar! Esse momento foi tão esperado e tão sonhado, e ver acontecer desse jeitinho tão especial me deixou completamente emocionada. Charlie e Nick merecem todo o amor do mundo, e eu tô muito feliz por dividir isso com vocês! Muito obrigada por acompanharem até aqui, de verdade. Cada leitura, comentário e coraçãozinho faz tudo valer a pena. Espero que tenham gostado e se derreteram tanto quanto eu! Até o próximo capítulo! 💫 Com carinho, Bia 🧡🖤