Match Point

18 ARCO 2 DOMINE! - Capitulo 17 - A Quadra do Rio


Notas iniciais
Esse capítulo foi brutal de escrever. Cada palavra, cada cena, cada lembrança entre Oikawa e Nick veio carregada de emoções intensas e conflitantes. Reviver o passado desses dois e construir o peso de tudo o que eles já foram – e tudo o que se perderam – foi um verdadeiro turbilhão. Eu quis que cada diálogo, cada gesto e cada olhar carregassem a dor, o ressentimento e, no fundo, aquela conexão que nunca desapareceu por completo. Espero que sintam cada impacto, cada ferida que ainda sangra e cada promessa quebrada que moldou esses personagens. A Quadra do Rio não é só um lugar, é um pedaço da alma deles. Boa leitura!

OIKAWA

"Você não tem talento. Nem aptidão. Vôlei não é para você."

Aquelas palavras queimavam em sua memória como uma cicatriz que nunca sumia. Ele se lembrava do tom seco, da certeza cruel na voz daquele treinador. Como se o futuro já estivesse decidido. Como se ele fosse apenas mais um garoto comum, destinado a desistir.

Mas Oikawa nunca desistiu.

Ele nunca foi o mais alto, o mais forte, o mais rápido. Nunca foi um gênio natural como Ushijima. Nunca teve a facilidade de Niko. Mas isso nunca importou. Porque Oikawa tinha algo que ninguém podia tirar dele.

Obsessão.

E, no fim, o que era o talento senão a obsessão levada até o limite?

Se alguém nasce com talento ou não, nunca fez diferença para ele. O que importava era o quanto ele estava disposto a se dedicar, a quantas noites sem dormir ele estava disposto a enfrentar, a quantos erros ele estava disposto a corrigir até que seu jogo fosse perfeito. Se for bater, bata até quebrar!

Os outros jogavam porque gostavam.

Ele jogava porque amava.

Oikawa passou a mão pelo cabelo, sentindo o vento frio da noite bagunçar os fios. Ele estava na Quadra do Rio, o lugar onde ele jurou que nunca mais voltaria. Ela ainda era a mesma de sua memória. O concreto rachado, as linhas desbotadas, as folhas espalhadas pelo chão, mas algo parecia diferente agora. Talvez porque ele estivesse diferente. Talvez porque o passado estivesse perto demais, quase como se ainda pudesse tocá-lo. Seus olhos pararam no centro da quadra, onde havia uma marca no concreto. Um círculo, e dentro dele, um desenho de uma bola de vôlei e duas letras.

N e O.

Ele sorriu sem humor. A marca ainda estava ali. Tanto tempo depois, ainda ali. Oikawa se abaixou, passando os dedos sobre as letras, como se quisesse ter certeza de que eram reais.

"Niko."

O nome escapou de seus lábios antes que ele pudesse impedir.

Por um segundo, ele quase sentiu a presença dele ali. Niko, de onze anos, correndo pela quadra, rindo, jogando a bola para o alto como se o mundo inteiro fosse pequeno demais para segurá-lo. Niko, com seu talento absurdo, com aquela facilidade irritante, mas com um coração tão grande que fazia parecer que tudo era simples.

Oikawa respirou fundo, sentindo o vento frio da noite roçar sua pele. O cheiro distante do rio, a lembrança do som das folhas secas sob seus pés... tudo o puxava para trás no tempo. As palavras de Niko ecoaram em sua mente como um sussurro esquecido, e antes que pudesse se impedir, ele já não estava mais ali.

Ele estava na Quadra do Rio.

O brilho alaranjado do pôr do sol tingia o céu, lançando sombras longas pelo chão. Oikawa ainda conseguia sentir o toque áspero da bola contra os dedos, o som da risada de Niko enchendo o espaço entre os dois. Ele lembrava de como, no começo, tudo parecia mágico.

"Nós seremos os melhores levantadores desse mundo!"

Ele acreditava. A cada dia, a cada treino, Niko ensinava algo novo, e Oikawa absorvia tudo como uma esponja. O tempo passava rápido demais quando estavam juntos. Havia competições bobas — quem conseguia equilibrar a bola na ponta dos dedos por mais tempo, quem fazia o saque mais preciso, quem conseguia acertar a garrafa no canto da quadra. Oikawa nunca ganhava.

Mas ele não se importava.

Porque sempre que errava, Niko ria e bagunçava seus cabelos. Sempre que seu levantamento saía torto, Niko apenas cruzava os braços e dizia "Tá quase lá, você só precisa de tempo." E Oikawa acreditava.

Mas então... tudo começou a mudar.

Os treinos começaram a ficar mais espaçados. No começo, era só um atraso aqui e ali. Niko dizia "Vou ficar um pouco depois do treino, mas amanhã a gente se vê!" E Oikawa sorria, porque amanhã estava logo ali.

Só que "amanhã" foi virando uma semana, depois um mês.

"Hoje não dá."

"Amanhã talvez."

"Preciso me concentrar no time."

Oikawa sempre dizia "tudo bem", sempre sorria, mas ele sentia. Sentia algo dentro dele começar a apertar. Ele esperava. No começo, esperava animado. Sentava na beira da quadra, jogava a bola contra o chão, chutava pedrinhas, convicto de que a qualquer momento Niko apareceria. Porque Niko sempre aparecia, mas o tempo foi passando. O vento ficou mais frio. As folhas caíam no chão, formando pequenas pilhas ao redor da quadra. Oikawa ficava chutando uma delas sem perceber, a bola esquecida ao seu lado. O rio continuava murmurando ao fundo e Oikawa estava sozinho.

A primeira vez que percebeu isso de verdade, ele sentiu uma pontada estranha no peito. Uma coisa que ele não conseguia nomear, mas que ficava ali, apertada, como um nó difícil de desfazer. Ele esperou mesmo assim, mas depois de muitas noites vazias, parou de esperar.

Se Niko não podia treiná-lo, ele treinaria sozinho. Ele começou a ficar mais tempo na quadra, sozinho, errando levantamentos, tentando sacar do jeito certo, jogando a bola contra a parede repetidas vezes. Ele dizia para si mesmo que era suficiente, que não precisava de Niko para melhorar.

E foi assim que Oikawa percebeu. Niko tinha um time. Niko já era o capitão do juvenil e Ushijima era o capitão do time principal do Shiratorizawa e enquanto eles estavam treinando em ginásios de alto nível, com os melhores treinadores, aprimorando suas habilidades com os melhores jogadores... Oikawa não tinha time nenhum, ele estava ficando para trás e nada parecia mais assustador do que isso.

Oikawa pegou uma garrafa plástica e colocou no fundo da quadra, criando um alvo. Pegou uma corda velha e amarrou entre dois postes, fingindo que era uma rede. Ele se posicionava como via os jogadores mais velhos fazerem e lançava a bola para cima.

O saque saiu torto. Ele pegou a bola de novo. O próximo foi pior, mas toda vez que errava, ele queria ouvir "Tá quase lá, você só precisa de tempo." de Niko, mas o único som era o da bola batendo contra o chão. Algumas vezes, a bola caía na grama, outras vezes batia na rede improvisada, e em alguns momentos, ele errava tanto que a bola rolava para perto do rio e ele tinha que correr atrás dela antes que fosse levada pela correnteza. Ele queria chorar, mas ele não choraria.

"Eu vou fazer isso 100 vezes todos os dias!" Ele falou para si mesmo, como um juramento, como uma promessa que ninguém além dele poderia ouvir.

Cada saque errado fazia seus braços doerem. Cada erro fazia seu peito apertar, mas ele continuava.

Depois de oitenta tentativas...

Ele acertou.

A bola voou em linha reta e acertou a garrafa com precisão.

Oikawa ficou em silêncio por um segundo, como se não acreditasse no que acabara de acontecer. Então, pegou a bola e correu pela quadra, dando uma volta olímpica, pulando, gritando para si mesmo.

"Eu consegui! Eu consegui!"

E foi aí que ele ouviu a voz.

"Que otário!"

Oikawa parou no mesmo instante e olhou para a entrada da quadra. Niko estava ali. O coração de Oikawa pulou no peito.

"Niko!" Ele correu até ele, segurando a bola com força, como se tivesse medo de que fosse um sonho. "Caraca, quanto tempo!"

"Pois é, vida de capitão é dura," Niko se gabou brincando, pegando a bola das mãos de Oikawa com um sorriso convencido. "Aprendi a fazer um levantamento irado. Quer ver?"

Oikawa assentiu rápido, os olhos brilhando.

"Sim! Por favor!"

"Então joga a bola pra mim."

Oikawa obedeceu, lançando a bola no ar, atento a cada detalhe. Ele queria ver o levantamento perfeito de Niko. Mas, no último segundo a postura do amigo mudou. E, ao invés de levantar, Niko cortou. A bola voou direto para a cara de Oikawa. Por um segundo, ele ficou surpreso. Então, riu.

"Uou! Isso foi muito legal!" Ele tocou o rosto, ainda sentindo a vibração do impacto. "Achei que você fosse levantar!"

Eles se sentaram no chão da quadra, lado a lado, como costumavam fazer no começo. Oikawa se inclinou para trás, apoiando as mãos no concreto.

"Desculpa não ter vindo esses dias," Niko disse, encarando a bola entre as pernas. "O campeonato já vai terminar e, bem... em casa, você sabe como é." A voz dele caiu de tom, quase como um sussurro.

"Niko," ele murmurou, olhando para o amigo, "eu quero ver seu último jogo."

Niko sorriu, e Oikawa sentiu o coração aquecer. "Claro que sim."

"Promete?"

"Prometo!"

Oikawa levantou o dedinho.

"De dedinho?"

Niko revirou os olhos, mas prendeu seu dedo mindinho no de Oikawa.

"Quantos anos você tem?" diz Niko dando o dedinho

Oikawa ouviu a portão de metal da quadra ranger e seus pensamentos voltam ao presente. Ele olha para trás e ve Niko. Ele estava mais alto que da última vez. Seus músculos estavam maiores. Oikawa o encara e abre um sorriso.

"Achei que fosse te encontrar aqui, Niko."


NICK

Nick se aproximou lentamente, sentindo os passos ecoarem no concreto da Quadra do Rio, aquele lugar que guardava tantas versões dele mesmo. O vento noturno soprava leve, carregando o cheiro da água do rio misturado ao aroma sutil da grama molhada. As folhas secas arranhavam o chão conforme eram empurradas pela brisa. Tudo ali parecia parado no tempo, como se o mundo não tivesse mudado... mas ele sabia que nada mais era igual.

A quadra ainda era a mesma, as linhas desbotadas, as rachaduras discretas no concreto, as marcas de bolas que acertaram a parede velha tantas e tantas vezes. No centro, perto da rede improvisada, estava a marca que eles mesmos haviam feito anos atrás—o círculo desenhado com uma chave de fenda, a bola de vôlei rabiscada no meio, as iniciais N e O gravadas com traços inseguros, mas cheios de significado.

Niko e Oikawa.

Por um instante, Nick sentiu que o passado poderia alcançá-lo ali. Como se ao fechar os olhos, ele pudesse ouvir as risadas misturadas ao som do rio, os desafios bobos, os sorrisos ingênuos, mas ele não fechou os olhos. Não podia. Porque o presente pesava como um castelo bem ali na sua frente e ali, no meio da quadra, estava Oikawa.

A silhueta alta do garoto contrastava contra o brilho pálido dos postes de luz distantes. Ele usava uma regata larga, os ombros expostos, o corpo levemente inclinado, as mãos nos bolsos do short. Seus cabelos castanhos estavam um pouco bagunçados pelo vento, e seus olhos mel brilhavam na escuridão, analisando Nick com um misto de nostalgia e algo que Nick não conseguia decifrar.

Nick sentiu um aperto no peito. Era como se estivesse olhando para um espelho distorcido do passado. Oikawa não parecia irritado. Não parecia furioso. Mas aquele sorriso—aquele maldito sorriso leve demais, tranquilo demais, como se soubesse algo que Nick não sabia—o fez estremecer. Ele engoliu em seco, o coração martelando dentro da caixa torácica.

“Oi, Niko.”

O apelido veio com um veneno doce, deslizando para dentro da mente de Nick como se nunca tivesse saído de lá. Como se os anos entre eles nunca tivessem existido. Como se a amizade que Nick destruiu ainda pudesse ser resgatada. Mas não podia. Porque Nick sabia que esse não era um reencontro. Era um confronto. E pela primeira vez naquela noite, ele se perguntou se estava pronto para isso.

Oikawa se jogou no banco ao lado de Nick com um suspiro exagerado, batendo os joelhos nos dele de propósito. Nick sentiu o toque, mas não se afastou. Oikawa sempre teve esse jeito, sempre foi próximo demais, físico demais, como se não suportasse barreiras entre ele e as pessoas que gostava.

“Semifinal, ein?” começou Oikawa, inclinando-se levemente para frente, os olhos mel sempre brilhantes, estudando cada detalhe da expressão de Nick.

“Pois é, quem diria,” Nick respondeu, abaixando a cabeça sem graça, os dedos brincando com a borda da toalha pendurada em seu ombro.

“Eu sempre soube que você chegaria lá...” Oikawa disse, e então bateu o joelho nas pernas de Nick de novo, como um irmão mais velho bagunceiro. “...e mais longe.”

Nick ergueu os olhos, encarando Oikawa por um instante. A voz dele ainda tinha aquela confiança de sempre, mas havia algo mais ali—um carinho genuíno, um orgulho silencioso.

“Você também chegou lá. O Seijoh é um time muito forte graças a você,” disse Nick, desviando o olhar, porque às vezes era difícil encarar Oikawa quando ele falava assim.

Oikawa abriu um sorriso pequeno, mas verdadeiro. Por um momento, Nick viu aquele mesmo garoto que se recusava a desistir, que se recusava a acreditar que vôlei não era para ele.

“O Karasuno também está ressurgindo das cinzas.” Oikawa balançou a cabeça. “Os corvos sem asas chamavam vocês, não é?.”

Nick riu pelo nariz. “Por pouco tempo.” Ele se ajeitou no banco, cruzando os braços. “Acho que quando derrotarmos vocês, esse apelido vai embora de vez.”

Oikawa piscou, e então ergueu uma sobrancelha, inclinando a cabeça para o lado com um sorriso brincalhão.

“Vencer?” O tom dele soou provocativo. Travesso. Ele empurrou Nick levemente com o ombro. “Seus levantamentos foram horríveis contra o Tokonami.”

“Ei!” Nick protestou, empurrando Oikawa de volta.

Oikawa apenas riu, os olhos brilhando. Era uma risada tão familiar, tão cheia de vida, que Nick se pegou sorrindo junto sem perceber. Como se, por um breve momento, o peso da rivalidade, das mágoas e dos anos que passaram simplesmente não existisse.

Eles se encararam por um instante, e foi como se o tempo tivesse parado. Oikawa ali, perto demais, com aquele olhar que parecia ler cada pensamento de Nick sem que ele precisasse dizer nada.

Aquele garoto ainda estava ali.

“Não será o mesmo com vocês,” Nick disse, tentando retomar o controle da conversa.

“Isso espero. Porque eu quero derrotar meu mentor.” Oikawa se levantou um pouco e fez uma reverência exagerada, os cabelos castanhos bagunçados caindo levemente sobre os olhos.

Nick revirou os olhos e empurrou a cabeça dele. “Eu nunca fui seu mentor.”

Oikawa riu, balançando a cabeça. “Tá brincando? Por que acha que demorei tanto pra aprender um saque flutuante?” Ele fez um movimento no ar como se estivesse sacando, os olhos brilhando de diversão e sua língua saindo do lado. “Você era um péssimo professor.”

Nick pegou a toalha e atirou nele, mas Oikawa desviou rindo.

“Eu sou um ótimo professor!” Nick retrucou, emburrado, mas sorrindo.

Eles riram juntos, o som ecoando pela Quadra do Rio, e por um momento, o passado se apagou.

Oikawa se inclinou um pouco mais para trás, apoiando as mãos no banco, os olhos mel brilhando com aquele brilho curioso de sempre.

“Eu vi o jogo contra o Date Tech,” disse ele, com um sorriso tranquilo. “Vocês derrubaram mesmo aquela muralha de ferro.”

Nick soltou um pequeno riso pelo nariz, balançando a cabeça. “Foi um jogo incrível.”

Oikawa estreitou os olhos, pensativo. Então, arqueou uma sobrancelha e lançou: “Qual é a do Tampinha?”

Nick imediatamente endureceu a expressão. Sua postura mudou, os ombros ficando mais retos, como se aquele apelido tivesse tocado em algo que ele não queria deixar passar.

“O nome dele é Charlie,” respondeu, a voz saindo mais firme do que o necessário.

Oikawa ergueu as mãos em rendição, um sorriso divertido nos lábios, mas sem a intenção de provocar. “Ok, desculpa,” disse de maneira casual. “Ele tem um corte rápido incrível.”

Nick desviou o olhar, a mente revisitando cada golpe de Charlie, cada movimento ágil e preciso. “Tem mesmo.” Ele apertou os dedos contra o banco.

Oikawa observava Nick atentamente agora, estudando cada detalhe—o jeito que ele desviava os olhos, a forma como mordia de leve o canto do lábio quando estava pensativo. Ele conhecia bem aquele olhar.

“Você gosta dele,” afirmou sem rodeios, com um meio sorriso.

Nick congelou. Por um segundo, o mundo ao redor pareceu encolher. Ele girou a cabeça rapidamente para encarar Oikawa, o coração martelando no peito.

“Não é da sua conta,” rebateu, a voz um pouco cortante demais.

Oikawa não parecia ofendido. Pelo contrário, seu sorriso se ampliou um pouco mais. "Sempre na defensiva, Niko," disse ele suavemente, antes de se inclinar para bagunçar o cabelo de Nick. Ele fechou os olhos por um instante com o toque, mas quando Oikawa falou seu nome—Niko, daquele jeito tão natural, tão íntimo—algo dentro dele revirou.

De repente, ele não estava mais ali. Ele estava em outro lugar. Outro tempo.

A luz do entardecer banhava a Quadra do Rio, pintando o céu com tons suaves de laranja e rosa. O vento leve soprava as folhas caídas pelo chão rachado do concreto. No meio da quadra, duas crianças estavam agachadas, rabiscando o chão com uma chave de fenda enferrujada.

"Vamos ficar aqui para sempre!" Oikawa disse com sua energia contagiante, desenhando um grande O e um N no concreto.

Nick, deitado de barriga no chão, observava o traço irregular que Oikawa fazia. "Faz uma bola de vôlei," sugeriu, apoiando o queixo nas mãos.

"Boa ideia, Niko!" Oikawa respondeu animado, os dedos sujos de poeira do concreto. Sem pensar duas vezes, ele passou a mão pelo chão e pluft—esfregou o pó branco na bochecha de Nick.

"Ei!" Nick reclamou, mas sem segurar o riso. Ele se levantou de um salto, pegando um punhado de poeira com as mãos e passando no rosto de Oikawa.

"Você vai pagar por isso, Niko!" Oikawa riu, jogando-se para cima de Nick, e logo os dois estavam rolando pelo chão da quadra em uma luta boba, espalhando a sujeira pelo uniforme e pelos cabelos.

Depois de um tempo, os dois ficaram deitados de costas no concreto, recuperando o fôlego, ainda rindo.

"Eu tô todo imundo," Nick reclamou, passando a mão pelo rosto e vendo a camada branca de poeira em seus dedos.

"Eu acho que você não mudou nada," Oikawa murmurou, rindo baixinho. Ele se inclinou para o lado e passou a mão suja de pó no cabelo loiro de Nick, bagunçando ainda mais.

Nick bufou, mas, no fundo, gostava daquilo. Era só mais um dia comum com Oikawa. E, naquele tempo, isso era tudo que importava.

Nick piscou algumas vezes, voltando ao presente, sentindo o peso da lembrança ainda vibrando em seu peito. Oikawa agora estava diferente de agora a pouco. Mais sério. Mais... crescido.

Ele levantou os braços para coçar atrás da nuca, um gesto tão familiar que fez algo dentro de Nick apertar. Mas agora, os músculos dos braços de Oikawa estavam mais definidos, mais fortes—sinal de que ele estava treinando mais, se esforçando ainda mais do que antes. E ele parecia mais alto, como se o tempo tivesse continuado a moldá-lo enquanto Nick não estava olhando. Mas havia algo que não tinha mudado.

Quando Oikawa abaixou os braços, sua língua escapou levemente pelo canto da boca, exatamente como fazia anos atrás, quando errava um saque e ficava frustrado ou quando estava concentrado em algo importante. Era tão sutil, tão pequeno, mas Nick sabia que Oikawa estava prestes a dizer algo muito importante.

“Aquele comportamento contra do Tokonami me preocupou” Oikawa diz olhando para Nick

“Você não tinha que ter ido la” Nick disse mais ríspido

“Era um jogo importante para nós” diz Oikawa “Dali sairia nosso adversário”

“Eu sei porque você foi la!”

“Não seja dramático Niko” o semblante de Oikawa muda para um tom mais sombrio “O mundo já não gira ao seu redor, Rei da Qua...”

Antes que Oikawa terminasse a frase Nick o agarrou pela camiseta e o encarou.

“Não ouse terminar essa frase!”

O impacto foi instantâneo. Oikawa recuou um passo quando Nick o agarrou pela camiseta, o tecido esticando entre os dedos trêmulos do capitão do Karasuno. Mas Oikawa não desviou o olhar. Ele encarou Nick de volta, e aquele sorriso atrevido, afiado como uma lâmina, voltou ao seu rosto.

"Ou o quê?" A voz de Oikawa saiu baixa, desafiadora, carregada de um tom que Nick conhecia bem demais.

O coração de Nick martelava no peito. Sua respiração era curta, pesada. O passado o sufocava, o envenenava por dentro.

"Eu não sou mais esse garoto." Nick cuspiu as palavras com ódio, mas havia algo quebrado em sua voz.

Oikawa apertou os olhos, e então riu. Mas era uma risada amarga, cortante, carregada de dor.

"Sabe por que eu vim aqui hoje?" O tom de provocação desapareceu. Oikawa respirou fundo, a expressão mudando para algo mais sombrio, mais frágil. "Depois que eu prometi a mim mesmo que nunca mais voltaria aqui."

Nick sentiu o peito apertar.

Oikawa avançou, olhando Niko nos olhos.

"Eu queria saber se os boatos eram verdadeiros..." O tom de voz dele vacilou, mas os olhos estavam firmes, brilhando sob a luz fraca da quadra. "...que o todo poderoso Nicholas Nelson agora era uma pessoa legal. Que sabia jogar com um time."

Os olhos de Nick ardiam.

"Que cumpria promessas!" Oikawa empurrou Nick com força.

Nick cambaleou um passo para trás.

"Que trata bem os amigos!" Outro empurrão.

O impacto foi maior, e Nick sentiu o ar sair de seus pulmões.

"E que não brinca com os sentimentos dos outros!"

Oikawa o empurrou de novo, e Nick caiu no chão. A poeira da quadra do Rio subiu ao redor dele. E de repente, ele não estava mais ali. Ele estava de pé, anos atrás. Mas agora, os papéis estavam trocados.

Oikawa estava no chão, os lábios sangrando, os olhos arregalados, assustados e Nicholas, de doze anos, estava de pé sobre ele, os punhos cerrados.

"Você nunca será como eu!" Nicholas cuspiu as palavras com raiva. "Você acha que pode me ensinar? Olha pra você! Não consegue nem sacar direito, muito menos fazer um levantamento decente!"

Oikawa soluçou, o sangue escorrendo do canto da boca.

"Niko, para!" Ele chorou, tentando se sentar, segurando o rosto machucado. "Me desculpa, eu não sei o que deu em mim!"

Mas Nicholas não ouviu. Ele só viu vermelho. "O treinador tinha razão! Você não tem talento e é um inútil em quadra!"

As palavras saíram afiadas como navalhas, arrancando qualquer vestígio da amizade que existiu ali um dia. Os olhos de Nicholas também se encheram de lágrimas, mas não era tristeza. Era raiva. Raiva de Oikawa. Ódio de si mesmo.

"Você não é mais meu amigo, seu viadinho!"

E então o último soco veio. Oikawa caiu para trás, o rosto virado para o lado, as mãos trêmulas segurando a terra fria da quadra. O passado se dissolveu tão rápido quanto veio.

Nick piscou, voltando ao presente. Agora, era ele quem estava no chão. E Oikawa estava de pé, com os punhos cerrados, o rosto molhado de lágrimas. O peito de Nick subia e descia, sua mente era um caos.

"EU VOU TE MOSTRAR!" Oikawa gritou, sua voz rasgando o silêncio da quadra. "QUE O EMPENHO E O TRABALHO DURO VENCEM O TALENTO NATURAL!"

Nick conhecia aquelas palavras e sentiu as lágrimas quentes escorrerem por seu rosto.

"Me desculpa!" Ele chorou. "Por favor, Oikawa!"

Mas Oikawa deu um passo para trás. Ele ergueu o olhar, os olhos mel agora sombrios, irreconhecíveis. Ele balançou a cabeça.

"Tarde demais, Rei da Quadra."

Nick ficou ali, caído, sozinho, sentindo o frio do concreto sob suas mãos. Ele não sabia por quanto tempo ficou ali. Só sabia que, quando finalmente conseguiu respirar de novo, Oikawa já tinha ido embora.

Seus olhos estavam marejados, a respiração ainda entrecortada pelo impacto do que acabara de acontecer. Lentamente, ele virou a cabeça para o centro da quadra e viu as iniciais rabiscadas no chão—N e O.

A marca que um dia significou tudo para os dois. Agora, desbotada, quase irreconhecível.

Nick engoliu em seco, sentindo um nó na garganta. Aqueles traços, tão simples, tão ingênuos, tinham sido um símbolo da amizade deles. Um símbolo de um tempo onde não existiam rivalidades, onde não existia dor. Apenas duas crianças que sonhavam juntas.

Mas o tempo apaga tudo, não é?

A poeira acumulada sobre as letras, as pequenas rachaduras no concreto, o desgaste dos anos... Era como olhar para a própria conexão deles, agora reduzida a um vestígio apagado de algo que um dia foi inquebrável.

Nick passou os dedos pelo chão, traçando as letras quase imperceptíveis, sentindo a aspereza da superfície fria sob sua pele. O passado estava ali. Preso naquela quadra. Preso naquela marca. Preso nele.

E, talvez, estivesse condenado a desaparecer para sempre.

Ele fechou os olhos e soltou um suspiro pesado, deixando que o silêncio tomasse conta do lugar.

Oikawa tinha ido embora.

OIKAWA

Oikawa corria sem destino pelas ruas silenciosas. O vento frio cortava seu rosto, mas ele não sentia nada além do aperto no peito, da queimação na garganta, do nó sufocante que parecia crescer cada vez mais.

As luzes dos postes lançavam sombras compridas na calçada, distorcendo sua própria silhueta como se tentassem arrancá-lo daquele momento. A cidade parecia vazia, um reflexo perfeito de como ele se sentia por dentro.

Ele queria correr até que o ar faltasse, até que suas pernas cedessem, até que a dor no peito fosse física e não apenas essa ferida invisível que nunca cicatrizava. Mas a cada esquina, a cada passo apressado, a lembrança vinha mais forte.

O último dia. A última vez que esteve com Niko naquela quadra. Ele tentou afastar a memória, mas era impossível. Porque a dor não vinha apenas das palavras, dos socos, do abandono. A dor vinha do que havia antes disso. Do riso, da amizade, das promessas trocadas sob o céu alaranjado do entardecer. Oikawa apertou os olhos, tentando conter as lágrimas, mas não conseguiu. Aquela quadra... aquele maldito lugar... Ele queria ter odiado. Ele queria nunca ter voltado. Mas parte dele ainda pertencia ali. Parte dele ainda pertencia a Niko. E isso... isso era o que mais doía.

A noite envolvia a Quadra do Rio em um silêncio pesado, quebrado apenas pelo som distante da água corrente e pelo farfalhar das folhas levadas pelo vento. A luz fraca do único poste iluminava parcialmente o chão desgastado, criando sombras longas que pareciam se arrastar ao redor deles, como espectros do passado. Niko e Oikawa estavam sentados na pequena arquibancada de concreto, um ao lado do outro, mas era como se um abismo os separasse.

Niko se sentou primeiro, largando a mochila no chão com um suspiro pesado, os cotovelos apoiados nos joelhos e os olhos fixos em um ponto invisível da quadra. Sua expressão estava sombria, marcada pelo cansaço e pela frustração acumulada. Ele sentia o peso da noite inteira, o peso do passado e do presente se misturando em algo que ele não conseguia nomear.

Oikawa hesitou antes de se sentar ao lado dele, os ombros tensos, os dedos inquietos brincando com a barra do shorts. Seu joelho tocou levemente o de Nick, um contato acidental, mas que fez ambos se encolherem por um instante.

A Quadra do Rio estava silenciosa, apenas o som do vento e das folhas secas sendo arrastadas pelo chão preenchia o espaço entre eles. A luz pálida dos postes mal iluminava o lugar, deixando as sombras ainda mais profundas.

Niko se sentou na arquibancada, as pernas afastadas, os cotovelos apoiados nos joelhos. Ele estava tenso, cada músculo de seu corpo parecia prestes a explodir. Sua respiração estava pesada, e os punhos cerrados tremiam de raiva contida.

Oikawa, por outro lado, estava mais calmo. Mas não de um jeito tranquilo. Ele o observava com olhos atentos, como se estivesse esperando o momento certo para agir, como se estivesse analisando cada expressão, cada movimento. Nick, então, soltou uma risada seca, sem humor, olhando para o chão.

"Aquele imbecil me colocou no banco," ele cuspiu as palavras, a voz carregada de ressentimento. "Somente os fracos ficam no banco. Eu não sou fraco."

Oikawa franziu a testa. Seus olhos brilharam por um instante, e ele soltou um suspiro curto antes de falar.

"Niko..." Sua voz veio suave, quase um sussurro. "Você é o melhor jogador que eu conheço. Mas pelo que vi, a mudança de hoje foi para você esfriar a cabeça. Você precisa de mais compostura nas finais."

Nick engoliu em seco. Ele não queria ouvir aquilo.

"EU NÃO CONSIGO VENCER UMA FINAL E MANTER A COMPOSTURA!" Ele gritou de repente, a voz cortando o silêncio da noite. "EU QUERO VENCER! EU QUERO JOGAR NO MELHOR TIME DA PROVÍNCIA! MAS PRA EU VENCER..."

Ele não terminou a frase. Porque, antes que pudesse completar o pensamento, Oikawa o agarrou pelo colarinho da camiseta, puxando-o para mais perto, o rosto deles a poucos centímetros de distância.

"Eu isso, eu aquilo, eu, eu, eu!" Oikawa rosnou, os olhos cor de mel brilhando com fúria. "Você acha que está jogando sozinho, seu idiota?"

Nick arregalou os olhos, pego de surpresa.

"Você acha que, para o time vencer, basta você ser bom?" Oikawa continuou, a voz agora embargada, tremendo. "Seis jogadores, Niko! Seis! Mesmo que tenha um talento natural absurdo..." Ele abaixou a cabeça, rindo sem humor. "Ou mesmo que seja alguém sem talento algum..."

Oikawa engoliu seco, os dedos ainda segurando a camisa de Nick.

"É o time com os seis melhores que é o mais forte."

Nick sentiu algo dentro dele se partir. Oikawa o soltou, dando um passo para trás, tentando controlar a própria respiração.

"Você teve tudo, Niko," ele disse, a voz agora mais baixa, mais sincera. "Teve um treinador, um time, um uniforme... Você podia entrar na quadra em um campeonato." Oikawa ergueu o olhar para o céu, como se estivesse tentando esconder algo nos olhos. "Você tinha uma torcida que gritava seu nome..."

Nick cerrou os punhos.

"O time juvenil é uma piada" disse com desdém, cuspindo as palavras como se fossem veneno. “Eu deveria estar no time principal, levantando para o Ushijima”

Oikawa soltou uma risada curta, incrédula.

"Mas pelo menos você tem um time." Ele olhou diretamente para Nick, e dessa vez seu olhar estava quebrado. "Você disse que ficar no banco é sinal de fraqueza..."

Ele fez uma pausa, a respiração trêmula.

"E eu?..." Sua voz saiu mais baixa, mas cortante. "...que nem consegui entrar no time juvenil?"

Nick sentiu o peso daquela frase. Ele abriu a boca para responder, mas Oikawa continuou antes que ele pudesse.

"Ser fraco não é ruim."

Nick franziu o cenho, confuso. "O quê?"

"Ser fraco significa que há espaço para crescer." Oikawa o encarou, os olhos brilhando sob a luz pálida do poste.

Nick sentiu o peito apertar.

"Eu já sou o melhor do time," respondeu, como se quisesse se agarrar a essa certeza.

Oikawa sorriu, mas não era um sorriso de felicidade.

"Mas de que vale ser o melhor do time se os demais não estão lá para receber a bola?"

As palavras atingiram Nick como um golpe. Ele congelou. Porque, de repente, ele lembrou. Lembrou do momento em que tudo desmoronou. O jogo. A final. Seu time se recusando a receber seus levantamentos. O protesto silencioso. O treinador o colocando no banco. A derrota. O estômago de Nick revirou. Ele bufou, desviando o olhar.

"O que você sabe sobre um time?" Ele cuspiu, cheio de raiva. "Você nunca esteve em um."

Oikawa piscou, o choque evidente em sua expressão.

"Niko..." Sua voz falhou, e ele engoliu em seco. Ele se aproximou de Nick e o encarou de frente, os olhos marejados, mas firmes. "Eu estive em um time."

Ele apertou os punhos ao lado do corpo.

"Você sempre foi o meu time."

Niko sentiu a garganta fechar. Oikawa desviou o olhar, piscando rápido, como se estivesse tentando evitar que as lágrimas caíssem. Niko engoliu seco, sentindo o peso do momento afundar sobre ele.

"... Oikawa." Sua voz saiu baixa, quase inaudível.

Antes que pudesse dizer qualquer outra coisa, Oikawa se aproximou de novo e puxou Nick para um abraço apertado. Nick não se mexeu por um instante. Mas então, algo dentro dele cedeu. Ele fechou os olhos e retribuiu o abraço. Era diferente de qualquer outro abraço. Não era conforto. Não era carinho. Era um abraço cheio de arrependimento, cheio de coisas que nunca foram ditas, cheio de tudo que foi perdido.

Oikawa escondeu o rosto no ombro de Nick e soltou um suspiro trêmulo. Oikawa sentia uma paz estranha ao abraçar Nick. E então, antes que pudesse racionalizar, antes que pudesse impedir, antes que pudesse sequer pensar no que estava fazendo, ele olhou para Nick e... o beijou.

Foi um selinho. Rápido, hesitante, mas cheio de sentimentos confusos.

Nick congelou. Seu corpo travou, seus olhos se arregalaram, e o abraço se desfez no instante seguinte. Então, ele o empurrou para longe. Forte. Rápido. Como se estivesse se queimando. Oikawa tropeçou para trás, o coração batendo tão rápido que parecia que iria explodir.

"O que foi isso?" Nick passou a mão na boca como se quisesse apagar o toque. Seu rosto se contorceu em raiva e nojo. "Que merda foi essa?!"

Oikawa abriu a boca, mas não conseguiu dizer nada. Seu peito subia e descia rápido demais. Ele não sabia o que responder, não sabia como justificar. Porque ele mesmo não sabia. Nick se aproximou de um jeito diferente dessa vez. Seu olhar não era mais de confusão. Era de fúria. Antes que Oikawa pudesse reagir, Nick agarrou seu colarinho e fechou o punho.

O soco veio antes da dor. O impacto foi seco e brutal. Oikawa sentiu sua cabeça girar e caiu no chão, o concreto frio arranhando suas mãos e joelhos. O gosto de ferro invadiu sua boca. Ele levou a mão até o rosto e sentiu algo quente.

Sangue.

Seu lábio estava partido. Ele piscou algumas vezes, a visão embaçada pelas lágrimas que se recusavam a cair.

"Você nunca será como eu!" A voz de Nick ecoou com ódio na quadra vazia, carregada de algo que Oikawa nunca tinha ouvido antes. Algo que rasgava mais do que qualquer soco. "Você acha que pode me ensinar? Olha pra você!" A voz de Nick tremeu, mas não de fraqueza—de raiva. "Não consegue nem sacar direito, muito menos fazer um levantamento decente!"

Oikawa soluçou. As palavras doeram mais que o soco. Ele tentou se sentar, apoiando-se com dificuldade no chão, os olhos ardendo, o peito se comprimindo em dor.

"Niko... para" sua voz falhou, embargada, suplicante. O gosto de sangue na boca o fazia engasgar. "Me desculpa, eu... eu não sei o que deu em mim!"

Mas Niko não queria ouvir. Niko não queria entender. Niko queria machucá-lo.

E então veio o golpe final.

Aquele que Oikawa sabia que nunca esqueceria.

"Você não é mais meu amigo, seu viadinho!"

Silêncio.

Um silêncio brutal.

Devastador.

Oikawa sentiu algo dentro dele se quebrar para sempre. E dessa vez, não foi só seu lábio. Nick virou as costas e saiu, deixando Oikawa ali no chão, sozinho, com sangue na boca e lágrimas nos olhos. A Quadra do Rio nunca mais pareceu tão vazia.

De volta ao presente. Oikawa estava curvado, as mãos apoiadas na barriga, tentando recuperar o fôlego. O peito subia e descia descompassado, como se a própria raiva o estivesse consumindo. As lágrimas, silenciosas, escorriam pelo rosto sem que ele percebesse.

Ele ergueu a cabeça devagar, os olhos mel encarando o céu vasto acima dele. As estrelas pareciam distantes, intocáveis, como tudo que um dia ele desejou alcançar.

Ele cerrou os punhos. A respiração tremia. E então ele sorriu. Não um sorriso de felicidade. Não um sorriso de alívio. Mas um sorriso de promessa. O vento soprou forte, varrendo a quadra vazia como se o mundo estivesse ouvindo suas palavras. E com os olhos brilhando como brasas ardentes, ele fez seu juramento.

"Eu vou te derrotar, Rei da Quadra."

Notas finais
Obrigada por chegarem até aqui! Esse capítulo foi intenso, cheio de emoções cruas e momentos que definem o passado e o presente de Oikawa e Nick. Escrever sobre essa rivalidade e tudo o que ficou não dito entre eles foi um verdadeiro desafio, mas também algo que me deixou completamente imersa. Espero que tenham sentido cada palavra, cada dor, cada promessa quebrada – porque, no fundo, A Quadra do Rio não é apenas um cenário, mas um pedaço da história deles que nunca foi realmente deixado para trás. Trechinho do próximo capitulo. CAPITULO 18 - MONSTRO Charlie franziu o cenho. Seu coração acelerou. Ele se levantou rapidamente, deixando o livro de lado, e saiu do quarto, descendo as escadas para atender a porta. Quando Charlie abre a porta ainda de pijama, ele quase não tem tempo de processar o que está acontecendo. Nick estava parado ali, os ombros curvados, a respiração irregular. Seus olhos estavam vermelhos, e seu rosto molhado, como se já estivesse chorando há um bom tempo antes dechegar ali. E então, sem dizer nada, Nick se jogou nos braços dele." Espero que tenham gostado e continuem acompanhando. Até o próximo capítulo! 💙