Match Point

1 ARCO 1 VOE! - Capítulo 1 – Sob a Superfície


Notas iniciais
Oi, pessoal! Sejam bem-vindos ao primeiro capítulo de Match Point! Essa fanfic é um crossover que une duas das minhas maiores paixões: Heartstopper e Haikyu!!. Foi incrível trabalhar nessa combinação de sentimentos intensos, amizades verdadeiras e, claro, o amor pelo vôlei. No Capítulo 1 ?“ Sob a Superfície, vocês vão conhecer Charlie e Nick nesse universo inspirado por ambos os mundos. A história vai explorar rivalidades, paixões e o desejo de pertencer, tudo isso enquanto nos aprofundamos nas camadas emocionais de cada personagem. Espero que gostem das nuances e das tensões que começam a se desenrolar. É só o começo de uma jornada cheia de desafios dentro e fora da quadra. Preparem-se para emoções, descobertas e muito vôlei! Boa leitura! ✨

O ginásio da Truham Academy era amplo e bem iluminado, com enormes janelas que deixavam o sol do fim da tarde entrar e banhar o piso de madeira polida. As linhas brancas que delimitavam a quadra estavam impecáveis, e as arquibancadas, embora vazias naquele momento, ainda pareciam ressoar com a energia dos jogos e campeonatos. O som das bolas batendo no chão e os tênis deslizando no piso ecoavam pelo ambiente, criando uma música ritmada de pura competição.

No centro da quadra, Nick comandava o time de vôlei Karasuno com uma confiança inabalável. Seus cabelos loiros levemente bagunçados balançavam enquanto ele se movia com graça e controle. Seu olhar era focado e determinado, com olhos verdes que passavam de um jogador para o outro, calculando cada movimento, como o cérebro do time. Ele era o levantador, o maestro das jogadas, e sua presença dominava o ginásio, atraindo olhares de admiração e respeito.

Charlie, por outro lado, estava nas laterais, quase invisível. Seus cabelos cacheados e escuros estavam um pouco desarrumados, e ele mantinha a cabeça baixa enquanto empurrava um carrinho cheio de bolas. Seus olhos castanhos, sempre cheios de pensamentos e emoções reprimidas, observavam Nick de longe. Ele admirava cada movimento do capitão com um misto de inveja e algo mais profundo, algo que ele não se permitia nomear. "Se ao menos ele me visse..." pensou, mordendo o lábio inferior enquanto tentava ignorar o aperto no peito.

As provocações não demoraram a chegar.

“Charlene, cadê essas bolas?” A voz debochada de Harry soou alta e clara, como sempre. Ele tinha cabelos loiros curtos e um sorriso cheio de malícia. Seus olhos azuis estavam sempre brilhando com a satisfação de rebaixar Charlie. "Charlene" era o apelido que ele usava para zombar de Charlie, uma piada homofóbica cruel que atingia Charlie toda vez que ouvia.

Charlie forçou um sorriso, mas não disse nada. “Estou indo,” respondeu, tentando não olhar para Harry ou para Benjamim, que estava ao lado dele. Benjamim não era tão óbvio quanto Harry. Ele era mais reservado, os cabelos castanhos claros sempre bem arrumados, e o rosto sério com um toque de inquietação. Às vezes, Benjamim ria das piadas de Harry, mas havia momentos em que seus olhos pareciam transmitir algo mais, algo que deixava Charlie desconfortável.

Cristian, o líbero do time, olhava para Charlie de forma diferente. Ele tinha uma postura mais aberta e amigável, o tipo de pessoa que não gostava de ver os outros sofrendo. “Ei, você está bem?” perguntou Cristian enquanto passava por ele, seus olhos cheios de preocupação genuína.

“Estou,” Charlie respondeu, a voz um pouco mais baixa. Ele estava acostumado àquele tipo de tratamento. Ser o assistente invisível, o alvo fácil, fazia parte de sua rotina. Mas naquele dia, algo diferente aconteceu.

Harry devolveu uma bola para Charlie, e sem pensar muito, Charlie a devolveu de volta. Mas o que aconteceu em seguida surpreendeu a todos, inclusive a si mesmo. A bola voou em uma trajetória perfeita, rápida e precisa, diretamente para as mãos de Harry. O ginásio inteiro pareceu congelar por um segundo.

A técnica Singh, sempre atenta a cada detalhe, estreitou os olhos em direção a Charlie. Ela raramente elogiava, mas algo naquele movimento o fez se destacar naquele momento.

Nick, que estava se preparando para armar mais uma jogada, parou e olhou para Charlie pela primeira vez de verdade. Ele não esperava que Charlie, o assistente, pudesse fazer algo tão preciso. Seus olhos verdes brilharam com uma curiosidade nova.

Harry, por outro lado, não gostou nada do que viu. Ele riu, mas sua voz carregava uma ponta de frustração. “Bom trabalho, Charlene,” disse ele, tentando minimizar o impacto daquele momento.

Charlie sentiu o rosto esquentar. Não pelo apelido desta vez, mas pelo fato de que, por um breve instante, Nick havia olhado para ele — realmente olhado para ele.

Cristian se aproximou mais uma vez, com um sorriso no rosto. “Aquele passe foi bom. Muito bom, na verdade.”

Charlie deu de ombros, tentando agir como se não fosse grande coisa. “Foi sorte, só isso.”

“Não foi sorte,” Cristian respondeu, balançando a cabeça. “Você deveria mostrar mais o que sabe fazer.”

O apito da técnica Singh soou alto novamente. “Vamos, pessoal! Quero mais precisão nos levantamentos, Nick! E você, Harry, concentre-se nos cortes!” Sua voz era firme, autoritária, mas justa. Ela não deixava nada passar despercebido.

Nick assentiu e voltou ao seu lugar, mas não antes de lançar mais um olhar para Charlie, quase como se o estivesse avaliando. Pela primeira vez, Charlie sentiu que havia sido notado, e uma pequena faísca de esperança começou a crescer dentro dele.

O treino continuou com a intensidade habitual, mas para Charlie, algo havia mudado. Aquele passe, aquele momento de atenção, era o que ele precisava. Harry ainda fazia suas piadas, Benjamim ainda o observava com seus olhares estranhos, mas nada disso parecia importar tanto agora. Ele havia sido notado.

Quando o treino terminou, Charlie se preparou para ir para casa. Ele sempre seguia o mesmo caminho — uma caminhada rápida e solitária pelas ruas tranquilas. Os pensamentos sobre o que tinha acontecido durante o treino ainda giravam em sua mente. A atenção de Nick, o olhar da técnica Singh... tudo isso ainda parecia surreal. Ele sentiu uma pontada de excitação e medo ao mesmo tempo.

Foi então que Benjamim apareceu do nada, andando rápido atrás dele.

“Charlie... espera.”

Charlie parou, virando-se lentamente. Ele não esperava encontrar Benjamim ali, muito menos sozinho. Havia algo no tom de voz de Benjamim que o deixou inquieto. “O que foi?” Charlie perguntou, tentando manter a calma.

Benjamim hesitou, os olhos evitavam os de Charlie por um momento. “Eu... eu só queria pedir desculpas.” Ele parecia nervoso, suas mãos tremiam levemente enquanto falava.

“Desculpas?” Charlie repetiu, confuso. Ele não sabia se aquilo era mais uma piada ou se Benjamim estava sendo sincero.

“É, eu... eu fui um idiota,” disse Benjamim, dando um passo à frente. “E... e eu não sei como lidar com isso.”

Antes que Charlie pudesse processar completamente o que estava acontecendo, Benjamim se inclinou rapidamente e o beijou. Foi um toque rápido, desesperado, e em seguida, Benjamim se afastou, com o rosto tomado pelo pânico.

Charlie ficou congelado. O beijo foi inesperado, e ele não sabia como reagir. Benjamim, com os olhos arregalados, deu um passo para trás, parecendo tão assustado quanto Charlie.

“Eu... eu preciso ir,” disse Benjamim, e sem esperar resposta, virou-se e saiu correndo, deixando Charlie parado na calçada, com o coração disparado e a mente confusa.

Charlie ficou parado na calçada, o som dos passos apressados de Benjamim desaparecendo à distância. Ele levou a mão aos lábios, ainda sentindo o toque breve e inesperado do beijo. Era a primeira vez que ele beijava um menino, e aquilo o deixou atordoado. Ele sempre imaginou que seu primeiro beijo seria algo especial, algo que o faria sentir-se pleno, mas em vez disso, tudo parecia confuso e estranho.

"Foi assim que aconteceu?" pensou, tentando organizar os pensamentos. Ele imaginava o momento de forma tão diferente, mais íntimo, mais significativo. Mas a verdade é que aquele beijo o deixava com mais perguntas do que respostas. Benjamim o havia beijado e fugido, sem dar explicações, deixando Charlie com o peso da incerteza.

"Por que ele fez isso? Ele estava arrependido? Ou era algo que Benjamim não conseguia lidar?" A mente de Charlie girava em círculos enquanto ele seguia seu caminho, agora com os pensamentos divididos entre o treino e o que acabara de acontecer.

Ele decidiu que precisava de um momento para respirar, para voltar ao que o deixava mais tranquilo. A quadra deserta onde ele e seus amigos costumavam passar o tempo parecia o destino ideal. Quando ele chegou, já podia ouvir o som de risadas e bolas batendo no chão. O grupo estava todo ali, rindo e relaxando como sempre faziam.

Tao e Darcy estavam de pé no centro da quadra, jogando bolas um para o outro. Elle e Tara estavam nas arquibancadas, observando e gritando elogios sempre que uma jogada impressionante acontecia, enquanto Isaac, sentado em um dos degraus mais baixos, lia calmamente seu livro, completamente alheio ao barulho ao redor.

Quando viram Charlie se aproximar, Tao foi o primeiro a chamá-lo. "Ei, Charlie! Vem cá! Vamos ver aquele seu corte mortal!" Ele sorriu, os olhos brilhando com o entusiasmo característico de Tao.

Charlie sorriu de volta, apesar do turbilhão de emoções que ainda estava processando. Ele sabia que com seus amigos, podia ser ele mesmo, sem julgamentos ou complicações.

“Vamos lá, Charlie! Mostra pra gente!” Darcy gritou, já posicionada para lançar uma bola em sua direção.

Charlie caminhou até o centro da quadra, sentindo a familiaridade do lugar trazer um pouco de conforto. Tao e Darcy se prepararam para lançar bolas, enquanto Elle e Tara se animavam ainda mais. O sorriso nos rostos delas era contagiante.

“Vamos, Charlie! Mostra o que sabe!” Elle gritou, levantando os braços em animação.

Tara, ao lado dela, riu. “Ele vai arrasar!”

Enquanto as palavras de encorajamento ecoavam ao redor, Charlie se posicionou. Darcy lançou a primeira bola, rápida e precisa. Charlie saltou, os músculos do corpo reagindo de forma automática. Seu braço se ergueu no ar, e com um movimento rápido, ele desceu com força, cortando a bola com precisão mortal. O som da bola batendo no chão ecoou pela quadra, e Elle e Tara explodiram em gritos de admiração.

“Isso foi incrível!” Tara gritou, com um sorriso largo no rosto.

Antes que pudesse recuperar o fôlego, outra bola veio, lançada por Tao dessa vez. Charlie repetiu o movimento, com a mesma precisão, a mesma força. A bola atravessou o ar e acertou o chão do outro lado da quadra com um impacto estrondoso.

Isaac, sem tirar os olhos do livro, murmurou calmamente: “Perfeito, como sempre.”

Charlie não pôde deixar de rir. Aquilo era o que ele precisava. Ali, entre seus amigos, ele se sentia completo. Ele podia mostrar suas habilidades, sem o peso das expectativas ou do julgamento. Enquanto cortava bola após bola, sentia-se mais forte, mais confiante. Tudo parecia certo naquele momento.

“Mais uma!” Tao gritou, rindo enquanto lançava outra bola para Charlie.

Ele saltou mais uma vez, o corpo em sincronia com o movimento, e cortou com força, a bola descendo como um trovão no outro lado da quadra.

“Aí está o nosso campeão!” Darcy gritou, dando-lhe um sorriso largo.

Por um breve momento, as preocupações de Charlie se dissiparam. Ele não pensou no beijo de Benjamim, nas provocações de Harry, ou na forma como Nick finalmente o havia notado. Naquele instante, ele estava com seus amigos, sentindo a adrenalina correr em suas veias, e isso era tudo o que importava.

Notas finais
Muito obrigada por terem lido até aqui! Espero que vocês tenham gostado desse primeiro capítulo de Match Point. Foi muito especial criar esse início, explorando a tensão entre Charlie e Nick, enquanto mostro como o vôlei é uma saída para Charlie se encontrar e provar seu valor. Um detalhe interessante desse capítulo: o momento em que Charlie devolve a bola com perfeição e chama a atenção de Nick e da técnica Singh marca o início de uma transformação. O título Sob a Superfície não fala só do que está acontecendo no jogo, mas também do que está escondido dentro de Charlie e que será revelado aos poucos ao longo da história. Espero que estejam animados para os próximos capítulos, porque essa jornada está apenas começando! Nos vemos no próximo!