Match Point

2 ARCO 1 VOE! - Capítulo 2 - Entre Silêncios


Notas iniciais
Oi, pessoal! Obrigada por acompanharem a história até aqui. No Capítulo 2, vamos mergulhar mais fundo nas emoções e desafios de Charlie, tanto dentro quanto fora da quadra. Espero que sintam cada momento junto com ele. Boa leitura e divirtam-se!

O dia seguinte ao beijo de Benjamim foi uma montanha-russa de pensamentos. Charlie não conseguia tirar o momento da cabeça, por mais que tentasse. O toque dos lábios de Benjamim, tão rápido e inesperado, ainda latejava na memória de Charlie. Ele sempre imaginou que seu primeiro beijo com um menino seria especial, íntimo, algo que o fizesse sentir-se pleno. Mas, em vez disso, havia sido confuso, cheio de tensão e arrependimento.

“Foi mesmo um beijo?” Charlie se perguntava enquanto caminhava pelo ginásio. “Ou foi apenas um erro? Algo que Benjamim queria esquecer?”

A maneira como Benjamim havia fugido logo depois deixava Charlie ainda mais perdido. Ele havia passado o resto da noite imaginando como tudo poderia ter sido diferente. O beijo em si não havia sido exatamente ruim, mas a sensação de que algo estava errado tornava tudo muito mais difícil de digerir.

Com esses pensamentos martelando em sua mente, Charlie entrou no ginásio. O treino do dia seria o de sempre, e ele continuaria fazendo seu trabalho: pegando as bolas, observando e anotando tudo de forma meticulosa. Ele tentava se concentrar nas tarefas simples, mas a sensação de que Benjamim o evitava era como uma sombra sempre presente.

“Charles, pode passar as bolas, por favor?”

A voz calma de Nick o tirou de seus pensamentos, e Charlie olhou para ele, surpreso. Era a primeira vez que Nick falava diretamente com ele. Seu coração disparou por um instante. Mas, ao mesmo tempo, uma pontada de tristeza o atingiu. Nick havia errado seu nome.

“É... Charlie,” ele corrigiu, com a voz baixa, tentando não demonstrar a decepção.

Nick piscou, surpreso, e uma cor viva subiu por seu rosto. O capitão corou, visivelmente envergonhado pelo erro. “Desculpa, Charlie,” ele murmurou rapidamente, com um sorriso tímido. “Foi mal, obrigado por me corrigir.”

Charlie sentiu o próprio rosto esquentar também. Ele estava nervoso, mas, ao mesmo tempo, feliz. Era a primeira vez que Nick o notava de verdade. Mesmo que fosse apenas um breve momento, havia algo de especial na forma educada com que Nick o tratara.

“Tudo bem,” Charlie respondeu, com um pequeno sorriso enquanto passava as bolas para ele.

Eles não disseram mais nada, e Nick voltou à quadra, comandando as jogadas como sempre. Porém, o pequeno encontro ficou gravado na mente de Charlie. Talvez fosse uma bobagem, mas falar com Nick — e vê-lo corar por um erro tão simples — fez algo dentro de Charlie se agitar. Um novo sentimento, diferente daquele que sentira com o beijo de Benjamim.

Charlie voltou para seu posto ao lado da quadra, com a prancheta em mãos, anotando cada detalhe do treino. Ele era bom nisso, não apenas por ser observador, mas por querer entender cada aspecto do jogo. Assistir a Nick levantar a bola com precisão era quase hipnotizante. Nick dominava o movimento com uma fluidez que fazia parecer fácil. Cada levantamento era calculado, direcionando a bola para os cortadores no momento certo.

Cristian, o líbero do time, era um espetáculo à parte. Ele se movia com agilidade impressionante, defendendo tudo que vinha em sua direção. Não importava o quão potente fosse o corte, Cristian estava sempre no lugar certo, pronto para receber e amortecer a bola. Charlie anotou essa habilidade de antecipação, que tornava Cristian um dos melhores jogadores defensivos do time.

Enquanto Nick continuava levantando, Harry e Benjamim eram os principais cortadores. Harry, com sua força, era uma arma poderosa no ataque. Seus cortes eram rápidos e precisos, mas, às vezes, faltava controle. Benjamim, por outro lado, era mais técnico; ele usava o pulso para enganar o bloqueio, direcionando a bola para áreas inesperadas. Charlie anotava essas nuances com cuidado, absorvendo tudo o que podia aprender.

A treinadora Singh caminhava pela lateral da quadra, observando o time com seu olhar crítico. Em um momento, ela se aproximou de Harry e corrigiu sua postura durante o ataque. “Mantenha o cotovelo mais alto,” ela disse, seu tom de voz firme. “Você está perdendo potência.”

Harry fez uma careta, claramente contrariado, mas não retrucou. Ele ajustou a postura e tentou novamente, dessa vez com mais força, mas a bola acabou indo para fora.

Cristian se lançou para tentar salvar a jogada, e, mesmo com a bola já fora de alcance, ele conseguiu tocá-la, provando mais uma vez sua dedicação. Charlie admirava esse tipo de esforço. Ele anotou mais uma vez na prancheta: “Cristian nunca desiste de uma bola.”

Com o treino em andamento, Charlie se perdeu em suas anotações. Ele focava em cada detalhe, como Nick fazia os levantamentos parecerem coreografias, a forma como Cristian antecipava os movimentos, e até os erros sutis que Harry cometia, mesmo sendo um dos atacantes mais poderosos. Era como se o jogo fosse uma peça de teatro, e cada jogador desempenhasse um papel específico.

O treino seguiu em alta intensidade por mais uma hora, com a técnica Singh constantemente corrigindo os jogadores e incentivando o time a melhorar. Charlie continuava anotando tudo, sentindo-se quase parte do time, mesmo sem jogar. Ele sabia que seu lugar ainda era como assistente, mas isso não o impedia de sonhar.

Após o treino, Charlie foi ao banheiro do ginásio, precisando de um momento para processar tudo. Foi então que a porta se abriu, e Benjamim entrou. O silêncio entre eles foi pesado e cheio de tensão.

“Eu... eu queria pedir desculpas,” Benjamim começou, sem olhar diretamente para Charlie.

Charlie ficou em silêncio por um momento. Ele sabia que Benjamim estava tentando, mas havia tanto não dito entre eles.

“Sobre ontem... foi estranho, e eu não devia ter feito aquilo.”

Charlie queria perguntar por que, mas antes que ele pudesse formular as palavras, Benjamim deu um passo à frente. Ele estava mais próximo agora, e o olhar nervoso em seu rosto dizia mais do que suas palavras jamais poderiam.

Antes que Charlie pudesse reagir, Benjamim se inclinou e o beijou novamente. Desta vez, o beijo foi diferente. Não havia pressa, não havia a tensão frenética da noite anterior. O beijo era mais lento, mais quente. E, para a surpresa de Charlie, ele gostou. Muito.

O mundo pareceu parar por um momento enquanto os lábios de Benjamim permaneciam nos seus. O nervosismo de antes deu lugar a algo mais profundo, mais íntimo. O toque de Benjamim era suave, quase hesitante, como se ele estivesse esperando por uma reação.

Quando o beijo terminou, Benjamim sorriu, ainda um pouco envergonhado. “Está tudo bem?” ele perguntou, a voz baixa e cheia de dúvida.

Charlie respirou fundo e assentiu. “Sim... está.”

Benjamim recuou, passando a mão pelos cabelos. Ele parecia nervoso, mas havia um leve sorriso em seu rosto. “Que bom.” Ele murmurou antes de sair, deixando Charlie ali, sozinho no banheiro, com o coração disparado e a cabeça girando.

Desta vez, Charlie não se sentiu confuso ou arrependido. O beijo tinha sido diferente. Mais sincero. E, por mais que ele ainda tivesse perguntas, uma parte de si estava contente com o que havia acontecido.

Mais tarde, ele foi até a quadra onde sabia que seus amigos estariam. Tao e Elle estavam lá, jogando uma bola de um lado para o outro enquanto conversavam. Os outros estavam ocupados, mas o ambiente era leve, familiar.

Quando viram Charlie se aproximar, Tao sorriu. “Finalmente, hein? Achamos que você tinha fugido.”

Charlie riu, mas seu sorriso foi hesitante. Ele sabia que precisava desabafar.

Elle notou o olhar dele e se aproximou, colocando a mão no ombro de Charlie. “Você está bem?”

Charlie hesitou por um momento, mas finalmente se abriu. “Eu... eu beijei Benjamim. De novo.”

Tao parou de brincar com a bola, os olhos arregalados. “De novo? Como assim? E... como foi?”

Charlie explicou rapidamente o que havia acontecido, desde o beijo no dia anterior até o encontro no banheiro. Enquanto falava, os dois amigos escutavam atentamente, sem interromper.

“E agora?” Elle perguntou, tentando entender o que Charlie sentia.

Tao suspirou, cruzando os braços. “Só toma cuidado, Charlie. Não sei o que o Benjamim quer, mas... é complicado, sabe? Só... vá com calma.”

Charlie assentiu. Ele sabia que Tao estava certo, mas, ao mesmo tempo, sentia algo diferente. Benjamim estava mudando, e ele também.

Os três ficaram ali em silêncio por um tempo, apenas aproveitando a companhia um do outro. O som da bola quicando no chão ecoava suavemente, quase como uma melodia tranquila.

Charlie olhou para o céu, vendo as nuvens se movendo lentamente. Talvez não houvesse respostas fáceis para o que estava acontecendo entre ele e Benjamim, ou o que ele sentia por Nick, mas, naquele momento, ele estava bem. Havia coisas que ele ainda precisava entender, mas a vida sempre seria assim — cheia de perguntas, silêncios e momentos inesperados.

Notas finais
Muito obrigada por lerem até o fim deste capítulo! Espero que tenham se conectado com as lutas internas de Charlie e as dinâmicas do time. Sua leitura e apoio significam muito para mim. Até o próximo capítulo!