Match-Point
21 Dezenove
Faltei os próximos três treinos, pois não me sentia confortável em ficar em quadra, evitei também os convites de Bryan para ir em seu churrasco, que ele vinha adiando desde o começo do semestre, e passei sábado todo dentro de casa, somente assistindo aos storys de meus amigos, e tentando ignorar a imagem de Andre que aparecia a todo momento em minha cabeça.
Já era noite de quando recebo uma mensagem inesperada.
[20:34, 09/10] Gio: Posso saber porque você não está aqui no Bryan? O time todo já chegou
[20:34, 09/10] Gio: só falta você!
[20:36, 09/10] Gio:?????
[20:37, 09/10] Mel: Eu não vou nesse churrasco, já avisei o Bry
[20:37, 09/10] Gio: po, ta muito legal, certeza que quer perder mesmo?
Eu realmente não queria perder, mas agora já estava feito, já estava de pijamas, e não ia sair de baixo das minhas cobertas, um lugar seguro e quentinho.
[20:37, 09/10] Gio: se arruma, porque você vem sim, daqui a pouco alguém ta ai pra te buscar! Por favor!!!!!!
Que, como assim me buscar, pelo que me lembro nenhum deles ainda tem carteira de motorista, se bem que o Felipe já dirige, fiquei procrastinando na cama mais alguns minutos, tentando adiar a saída, mas logo ouvi uma buzina em frente minha casa, e logo minha mãe abrindo a porta do quarto avisando que meu amigo tinha chegado. Droga o Felipe realmente veio.
— Ai Lipe espera um pouco, eu disse que não ia, não sei porque veio me buscar!
— O Lipe nesse momento está em uma competição de quem bebe mais corote com o Tiago, algo que eu realmente não queria estar perdendo, então anda logo Ludmila! – levei um susto ao reconhecer a voz de Kevin, droga o que ele faz aqui.
— Kevin? Olha eu realmente não estou muito bem hoje, já disse para Gio e pro Bry que não ia, sinto muito que tenha perdido a viagem – rebati.
— Me desculpa mas eu acho que você deveria procurar um médico, ou arranjar outra desculpa, porque essa não cola mais, pelo menos comigo! – se apoiou no batente da porta cruzando os braços. Suspirei derrotista e lhe encarei
— Eu realmente não me sinto bem, mas não fisicamente, não me sinto bem para ficar em meio a tanta gente, entende? – disse gesticulando para ver se ele compreendia – alias estou sendo uma péssima companhia ultimamente.
— Olha, ta todo mundo te esperando, faz um esforço vai – ele me encarava.
— Duvido, daqui a meia hora, vai estar todo mundo bêbado e nem vão sentir minha falta.
— Ludmila, você vai ou não? Porque se não quiser eu vou embora, mas me parece que está fazendo doce, pra eu te convencer! – talvez fosse isso mesmo, mas Kevin já veio até aqui, o que custa tentar me curtir um pouco
— Ta, mas espera um pouco, que tenho que ficar pronta! – ele não disse nada apenas revirou o olho e saiu do quarto.
Sorte a dele que eu havia tomado banho a pouco tempo, se não teria de esperar mais ainda, coloquei uma calça jeans de lavagem escura, uma camiseta branca estampada e uma blusa fina, pronto arrumada e também confortável, passei apenas um rímel e um perfume. Peguei minha mini bolsa de costas e coloquei meu celular, carteira, e minha cópia da chave, pronto, nem demorei.
— Caralho, demorou tudo isso e ta igual antes! – disse Kevin, me fazendo arregalar os olhos pelo palavrão, pois minha mão ouviu, já que estava ao seu lado no sofá.
— Kevin, olha a boca! – o repreendi – e eu não tenho culpa de estar bonita sempre.
— Eu não disse que você estava bonita, disse que tava igual. – resolvi ignorar esse comentário e me despedi de minha mãe, prometendo não voltar tarde, e mais um monte de recomendações que fingi escutar.
Ao fechar o portão lhe dei um tapa.
— Ai, ta doida menina! – exclamou Kevin ao passar a mão pelo braço que certamente estava dolorido. – foi brincadeira, o que eu disse antes, bem que dizem que sábado é dia de banho, ó tá até cheirosa – debochou, tentei acertar-lhe outra vez, mas infelizmente ele conseguiu desviar. Andei então na direção do carro que estava estacionado perto da minha casa. – Ei, ta indo pra onde?
— Pro carro – disse incerta se entendi sua pergunta.
— Então, acho que eu não avisei, mas eu vim de moto – seu um sorriso amarelo, ao ver minha reação. – sabe é mais rápido!
— Obvio que é mais rápido, e mais fácil de sofrer um acidente, Kevin, eu não vou subir em uma moto com você. – já não confiava muito nos meninos dirigindo carro, imagina moto que é mais perigoso. – onde você arranjou essa moto?
— Isso não é muito da sua conta – disse me fazendo imaginar se ele não havia a conseguido ilegalmente. – Mel para de por defeito nas coisas e vamos logo, se não vamos chegar lá na hora de ir embora. – disse me direcionando para a moto. Ele subiu e me deixou escolher o capacete.
— Mas você sabe dirigir né? – perguntei só para tirar o peso da conciência.
— Você acha que eu vim como, empurrando? – Grosso.
— Eu fico encantada em como você é delicado em me tratar – disse subindo em sua garupa.
— Obrigado – disse rindo, me agarrei em sua cintura assim que ele ligou o motor, e tive que segurar mais forte ainda quando ele acelerou, porque ele andava muito rápido. Em menos de dez minutos já tínhamos chegado. – Mel sei que eu sou gostoso mas, já pode me soltar.
— Você é um idiota isso sim, para que correr desse jeito, hum? Ta querendo matar a gente? Porque andando na velocidade que tava era rapidinho – incrível que enquanto eu estava ralhando, ele só ria, parecia achar engraçado minha raiva. – Você já viu o índice de mortes por acidente de transito? Uhm? Ainda mais você já deve ter enchido a cara antes de ir me buscar!
— Você fica linda assim sabia? – ele soltou do nada, me fazendo parar de falar, ele logo pareceu perceber o que tinha dito e tentou concertar – digo, assim brava, o oposto de como eu tenho te visto nos últimos dias, só andava para lá e para cá, apática, não era você de verdade, mas agora sim é a Ludmila que eu conheço. – disse e simplesmente virou as costas para entrar na casa de Bry, me deixando espantada com sua fala
Entrei logo depois de Kevin e ninguém pareceu notar a minha presença até que o anfitrião me fitasse.
— Ora, ora, a ratinha resolveu sair da toca? – disse Bry rindo, aposto que já estava bêbado, tentei expulsar o receio que sentia para o fundo da minha mente e aproveitar aquele momento com meus amigos.
E parece que eu consegui, apesar de que em alguns momentos tivesse que evitar contato físico com eles, esse foi um grande passo, para conseguir superar, estava observando meu copo com alguma bebida duvidosa quando escutei Tiago falar.
— Vamos de verdade ou desafio? – apenas rolei os olhos pois sabia que aquilo não ia dar certo.
— Você sabe que isso é brincadeira de criança né? – Disse Anne roubando as palavras da minha boca.
— Vai dizer que está com medinho, hum? – eles então entraram em uma discussão, que nem me dei ao trabalho de prestar atenção, mas no fim todos estavam em circulo para brincar. Lizze foi que se levantou para pegar uma garrafa de vodka vazia, colocou no meio da roda e girou.
As primeira rodadas, foram engraçadas, com Lipe tendo que comer um ovo cru, Gio dançando Baby shark, e Yvi tendo que ficar duas rodadas falando a língua do P, e pelo visto niguém queria pedir verdade, então quando chegou minha vez, encarei Bryan que estava em minha frente, e pedi, pois sabia que seus desafios seriam muito ruins de cumprir.
— Eu quero saber, o que houve entre você e o Kevin! – disse rindo, idiota, sabia que iria perguntar algo relacionado a isso já que "sumimos" durante o ultimo jogo. – em Mel, pra onde vocês foram, quando sumiram no ultimo jogo, mas lembra que não pode mentir em, é a verdade.
Pensei um pouco no que iria responder porque obviamente não contaria toda a verdade para eles, então resolvi amenizar a história.
— Meu deus, eu não tenho um minuto de paz nesse caralho? – questionei tentando ganhar tempo, todos negaram, então encarei Kevin. – não aconteceu nada entre a gente, só que como eu não ia jogar e ele também não, fomos para o alojamento, só isso, conversamos um pouco e ai eu dormi, pronto, fim da história. – Ninguém ali parecia realmente convencido, mas fazer o que. O jogo seguiu e ainda bem que a garrafa não parou em minha direção.
Nesse meio tempo as perguntas, e desafios começaram a ficar mais intensos por assim dizer, e eu não sei se estava gostando do rumo que aquele jogo tomou. A garrafa parou em Felipe e então ele desafiou Kevin a ficar "5 minutos no paraíso" comigo.
— Nossa Lipe, eu quero verdade! – disse depois de escutar o que o amigo havia proposto.
— Sai fora irmão, escolheu desafio é desafio, não pode mudar. – riu. Kevin então me olhou e eu dei de ombros, não precisaríamos fazer nada afinal. Me levantei e passei por ele que me seguiu até o quarto da irmão de Bryan, que felizmente não estava em casa para ver aquelas cenas.
— Se divirtam ai pombinhos, mas não muito! – disse Lipe ao fechar a porta.
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