Matando & Amando
7 Sentimento Obscuro
Ouvir quase uma hora de reclamação de seus tios por ele ter chegado tarde e nem o fato dele ter ficado de castigo o fez esquecer daquela tarde com a Helena.
Frequentemente, esteja fazendo a janta ou lavando os pratos, João se pegava pensando nela.
Ao se deitar, era ela que inundava os seus pensamentos. Mesmo ele sabendo o quão perigosa ela era, ainda sim Helena fazia despertar algo inexplicável dentro dele.
Abrindo e fechando o celular, ele pareci não se cansar de ver na tela, o número que ela deixou gravado. João nunca tinha pego o número de nenhum colega de turma, quanto mais de uma garota. Devido ao cansaço, ele foi dormir com um sorriso nos lábios.
Despertado bruscamente de seu sono profundo, com agua gelada escorrendo de seu rosto, João tentava compreender a situação.
Amarrado e amordaçado, ele sabia que não estava mais em seu quarto.
– Eu disse que mais cedo ou mais tarde tu iria pagar... vamos, peguem ele! – diz Maria, sua prima, que segurava um candeeiro que fazia iluminar a densa escuridão da madrugada.
Durante a madrugada, aproveitando que seus tios estavam dormindo, Carlos, José e Maria levaram o João, que até o momento estava inconsciente, até o seleiro.
Com o coração acelerado, ele sabia que boa coisa não poderia vir daqueles três. Maria parecia assustadoramente diabólica naquela noite, mas o pior ainda estava por vir.
Carlos empurrou o João no chão, fazendo-o cair num monte de feno e capim. José prontamente segurou o garoto firmemente para que não escapasse. Seu primo mais velho arriou as calças mostrando seu pênis já ereto. Ao ver aquilo João entrou em desespero tentando gritar.
– Se você gritar, vamos fazer com você pior com o que fizeram com o Darlan! – diz a garota.
– Isso é pra você aprender a ficar de bico fechado! – diz o José.
Carlos sorriu, admirando o pavor do garoto a sua frente. Aquilo o excitava ainda mais. Aquilo já não se tratava de alguma espécie de punição, ele iria fazer aquilo com o maior gosto.
Jose, com algum trabalho, consegui então vira-lo de cotas, dando a chance que seu irmão precisava.
Carlos afastou as nádegas do João, mostrando-lhe o ânus, no qual estava prestes a violar.
João, amedrontado, sente todo o seu corpo tremer de pavor, e enfim, sente algo penetra-lo vorazmente, em uma única estocada.
Carlos geme com tamanho estase. O ânus apertado de seu primo fazia o Carlos sentir que seu falo iria ser esmagado, entretanto aquilo o deixava louco de tesão.
Mordiscando o pescoço do João, Carlos continuava freneticamente com suas estocadas, indo cada vez mais forte e mais fundo.
Maria foi obrigada a por um pano na boca de seu primo, abafando seus gritos de dor e desespero.
E assim se continuou por quase uma hora, numa cadencia incessante, até que por fim, Carlos acaba gozando, ejaculando seu espeço sêmen dentro de seu primo, que foi jogado no chão do seleiro como se fosse algo descartável que alguém tinha acabado de usar.
Dentre a noite escura, a lua cheia estava coberta pelas nuvens, e por aquele lugar, só podia se ver algumas centelhas da luz do candeeiro que escapava pelas frestas da parede de madeira do seleiro.
No dia seguinte, se realizou o funeral do Darlan, aonde quase todos da cidade foram. Os Nobrega fizeram questão de aparecer diante de todos afim de tirar proveito da situação e se autopromover. Para que não falassem, resolveram levar o sobrinho junto, afim de mostrar a todos que aquela era uma grande família feliz. Durante a cerimônia, ele conseguiu ver que a Helena estava por lá também. Após alguns segundos depois de vê-la, ele se esqueceu de toda a dor que sentia e o extremo desejo de desaparecer dali.
Estranhamente, as roupas góticas que ela sempre vestia, se parecia extremamente normal devido a ocasião. Ela olhou de volta, arriscando até um aceno para que ele pudesse ver, mas aparentemente ele não estava mito animado para retribuir o cumprimento.
Ao termino da cerimonia, ela esperava que ele fosse a falar com ela, mas ele não veio, fazendo-a pensar o porquê daquilo.
Não houve aula devido ao luto em toda cidade e pelo que parecia, assim seria até o fim da semana.
Após condolências e bajulações aqueles que eram importantes na sociedade de Laguna, os Nobrega partiram de volta à sua terra.
No carro, uma caminhonete vermelha do ano de 97, sua tia não parava de tagarelar sobre o quão ridículas estavam as roupas de algumas pessoas, nas quais ela havia elogiado com tamanha falsidade. No banco de trás, João estava sentado no meio, enquanto seus primos estavam ao seu lado como se nada tivesse acontecido. Suas mãos suavam, ele já estava com falta de ar, tudo o que aquele garoto queria era sair dali o quanto antes.
Ao chegar na casa, ele correu para o seu quarto e trancou a porta. Seu rosto já estava molhado e lagrimas escorriam abundantemente de seus olhos. Se jogou na cama e comprimindo o travesseiro contra sua boca, ele gritava com o som abafado.
Ele tirou o terno que vestia, quase com nojo, pois ele pertencia ao Carlos, que foi obrigado a emprestar, pois seu tio se negou comprar um novo para seu odiado sobrinho.
Alguns minutos depois seu celular começou a tocar, uma coisa que ele nunca esperou acontecer já que ele já estava em casa. Pegou de cima do criado mudo e viu que Helena era quem estava ligando. Aquilo o fez chorar ainda mais. Uma dor estraçalhava o seu coração. A alegria dela ter o ligado, era contraposta com toda humilhação que ele sofreu. Tanto a dor física vinda de suas nádegas, quanto a dor psicológica o atacavam naquele momento. Apenas deixou o celular tocar, até que ele enfim parasse. Assim o fez inúmeras vezes até que ela enfim desistiu.
João preparou a janta, esperou todos acabarem, lavou e arrumou toda a bagunça que foi deixado para ele. As 21:30 todos foram dormir, bom nem todos.
Tomando coragem, ele discou o número da garota e poucos segundos depois ela atendeu.
– Oi... eu queria me desculpar por hoje mais cedo... eu não estava me sentindo muito bem...
– Se quer se desculpar, vai ter que fazer melhor. Por que não nos encontramos na cabana amanhã e daí eu vejo se te desculpo ou não? – aquelas palavras fizeram ambos rirem um pouco.
– Tudo bem então, contanto que você não desma- – antes que João pudesse acabar de falar, ele escutou berros de um homem, como se tivesse discutindo e então a ligação caiu.
Ele pensou em ligar novamente, mas acabou desistindo. Se deitou na cama e caiu no sono.
Mal tinha amanhecido e seu amado tio já o havia obrigado a ajuda-lo nas obrigações rurais. O serviço era árduo e o senhor Nobrega mal deixava o garoto descansar. Ao meio dia, suas forças já o haviam deixado, entretanto a tarefa de fazer o almoço era sua.
Encontra partida, seus primos já acordaram na hora do almoço e claro, não fizeram nada das obrigações da casa.
Eram quase duas horas quando João conseguiu driblar o seu tio e fugir para a cabana. Já que eles não tinham combinado nenhum horário, o garoto não sabia se iria encontra-la ou não.
Correu até perder o folego, e ainda assim continuou correndo até chegar ao local marcado.
– Você está atrasado... – diz Helena que estava sentada e debruçada sobre a mesa, enquanto jogava em seu celular.
A felicidade em encontra-la ali o deixou sem ação por alguns segundos. Ela estava vestida diferente do habitual. Vestido preto de manga longa, um corpete que valorizava sua silhueta, meia calça listrada de 7/8 e um All star de cano alto compunham seu look.
O cabelo preto preso em rabo-de-cavalo, mostrava a pele alva do pescoço da garota.
– Me desculpe... me desculpe... eu sinto muito! Sinto muito! – João berra aos prantos, enquanto caída de joelhos, apoiando-se na lateral da entrada.
Helena, deixando de lado qualquer coisa sarcástica que provavelmente irá dizer, foi de encontro ao garoto, perplexa com a expressão de pavor no rosto do garoto. Aqueles olhos arregalados, inundados de lagrimas e com suas pupilas dilatadas, constatando o estado de choque, fez a garota lembrar-se de si mesma.
Ela o abraçou fortemente, por trás, inclinou a cabeça do João para junto de seu corpo, como se fosse uma mão envolvendo seu filho nos braços, tentando acalma-lo da forma mais gentil possível.
Eles ficaram assim durante um tempo. O garoto chorava e soluçava, escondendo o rosto contra a barriga de Helena. Ela não falou uma só palavra, apenas o abraçou tentando consola-lo.
Após finalmente parar de chorar, muito envergonhado, João não sabia o que fazer, afinal aquilo tudo era extremamente patético, um garoto chorar no colo de uma garota, ainda mais que conhece há tão pouco tempo.
– Sabe? Eu não vou fazer nenhuma pergunta, então não se sinta na obrigação de ter que me dar alguma explicação... apenas, se quiser falar, sobre... sei lá o que, eu estarei aqui pra ouvir... – aquelas palavras foram as mais gentis que o garoto tinha ouvido em toda a sua vida.
Aquela quente sensação de tê-la envolta de seu corpo, o aroma agradável que ela exalava, foi mais que o suficiente para despertar em seu peito naquele momento. Era um sentimento forte, doloroso, angustiante, extasiante, tão amedrontador que fazia seu corpo vibrar de tanta alegria.
Certamente ele não conseguia entender tudo aquilo. Pra um garoto criado sem mãe, num ambiente hostil onde sofrera incontáveis abusos, encontrar, algo como o sentimento “amor”, dentre sua atual situação de vítima de ser estuprado pelo seu próprio primo, e além do mais um sentimento direcionado para uma garota insana que matou a sangue frio um de seus colegas de sala... tudo aquilo não fazia o menor sentido.
Eles enfim se levantaram. Helena se sentou na cama e o João na cadeira virado para frente da garota.
– Por favor... não conta isso pra ninguém...
– Ô garoto idiota! Será que não percebeu que você é o único aqui onde eu posso chamar de “amigo”?
– “Amigo”... Essa é a primeira vez que alguém me chamou assim. Que estranho, nunca pensei que isso me faria tão feliz...
– Hmmm... que bom então! Aqueles seus olhos... me fizeram lembrar de uma coisa horrível que aconteceu comigo há alguns anos. Acho que você não precisa nem dizer algo... porque eu sei exatamente o que aconteceu com você. Isso porque isso já me aconteceu várias vezes... Essa dor e desespero, um pavor pela impotência pelo que nos acontece. Coisas que me fizeram o que sou hoje, reflexo das coisas que faço. – em suas últimas palavras, disferidas sem um pingo de qualquer emoção.
– Talvez tenha razão no final de contas. Acho que somo parecidos... e algum jeito... Eu não me lembro da minha mãe, nem seu rosto, nem sua voz... nada... acho que talvez por eu tê-la perdido cedo demais. Desde então eu tenho vivido naquela casa. Todos me odeiam lá. Naquela família, eu não passo de um criado, alguém pra pôr a culpa por qualquer coisa que aconteça de errado. No começo eu tentei agrada-los, tentei mesmo, do fundo do meu coração... mas, parecia que o simples fato de eu existir, já era o suficiente para que eles me odiassem mais. Me bater e me castigar, já era comum no dia a dia. Com o tempo, as pessoas começaram a falar, que eu aparecia com mais hematomas e marcas do que qualquer criança da minha idade e a desculpa de eu ter caído já estava muito usada. Eles pararam por um tempo, mas logo recomeçaram fazendo em lugares que não se pudesse ver normalmente. Finalmente eu tive a oportunidade de ir pra uma escola, mas no final, era tão pior quanto estar em casa. Tempos depois tentei me matar, mas não tive coragem no final de contas, então comecei a me cortar... assim como você, eu me cortava na tentativa de extravasar a dor que vinha de dentro. É claro que também aprendi a esconder as marcas, assim como você faz. Confesso que já tinha abandonado toda a esperança de que talvez tudo pudesse melhorar, daí foi então quando você apareceu... uma garota estranha, com um senso de humor incomum, arrogante, fria e calculista, meiga e de uma beleza inigualável, capaz de matar uma pessoa a sangue frio e se vangloriar por isso... uma garota que me chamou de amigo pela primeira vez... a única que me fez esquecer o quão ferrada minha vida é... Helena, você foi a única que me fez sentir algo me fizesse acreditar que talvez existisse algum tipo de esperança, ou sei lá o que...
– Ora?! Isso é o que, algum tipo de confissão amorosa? – ela questiona tentando usar seu sarcasmo para desviar o assunto.
– Helena, você foi a única que me fez sentir algo de verdade, algo que talvez eu não consiga focar sem. Isso que eu estou sentindo é a única coisa que eu tenho de importante nesse mundo... por isso... não quero perde-la! Não posso perde-la! Eu agradeço muito por me chamar de amigo, mas eu não quero ser seu amigo... quero muito mais que isso!
– Basicamente, está dizendo que me ama? – ela diz cruzando os braços.
– Sim! Eu estou dizendo que quero que você seja minha!
Helena começa a rir descontroladamente. Ela ri tanto que acaba descruzando os braços.
– Então, você me ama? – ela diz rindo entre as palavras.
– Sim!
– Qual é? Quer mesmo que eu acredito nisso?
– Eu estou dizendo a verdade!
– Então prove! Acha mesmo que eu vou acreditar num cara que diz que ama logo após receber um pouco de atenção? Vamos lá, me prove que é real! Se você o fizer, eu aceito suas palavras e então serei sua... – ela diz arrogantemente com todo tom de ironia, enquanto andava pela cabana.
– Eu vou provar!
– É mesmo? Como?
– ...bom, isso eu ainda não sei... Como você quer que eu prove?
– Hmm... que tal se você... deixa eu ver... que tal se você arrancasse seu próprio dedo? Ou melhor, que tal uma mão, ou um braço? Uma orelha talvez... não sei, estou indecisa... – ela diz aquilo com um sorriso sinistro que provocaria calafrios em qualquer um.
O garoto fica chocado ao ouvir aquilo. Uma gota de suor escorre pelo seu rosto devido ao nervosismo. Caminhando até um pequeno móvel no canto perto da mesa. De dentro da gaveta ele retira uma faca de tamanho médio. Ao ver aquilo o sorriso irônico da garota, sua marca registrada, se desfez completamente.
– Ta louco! Você não ta pensando em...?
– Então, o que vai ser? Um dedo, uma mão, braço, uma orelha... o que vai ser então? Todos? – ele diz colocando a lamina em cima de seu dedo indicados direito, que foi pressionada até causar um corte e gotas de sangue caírem no chão da cabana.
– O QUE VOCÊ TEM NA CABEÇA?! – ela diz empurrando tirando a faca de sua mão antes que o corte se aprofundasse ainda mais.
– Eu disse que ia provar...
– Seu idiota! O que acha que eu vou fazer com um dedo, ou um braço? Será que você não pensa não? Se quer provar alguma coisa, ache por si só! – e assim ela sai dando as costas, deixando-o só.
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