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17 Capítulo dezesseis - Mathew e Celly
Notas iniciais
CAPÍTULO DEZESSEIS – MATHEW E CELLY
Pov Matt
Nunca fui tão feliz em toda a minha vida.
Eu juro.
Finalmente a mulher que eu amo sente o mesmo que eu.
E acreditem: o nosso amor não é nada de irmãos.
Duvidam? Então se você achar irmãos que se amam apenas como “irmãos” e mesmo assim fazem amor entre si dizendo “eu te amo”, me avisem ok?
E isso é uma coisa que ninguém deve contestar: eu me apaixonei perdidamente pela minha própria irmã. Eu me apaixonei pela minha Celly.
Eu sorri abobado enquanto dirigia para a minha faculdade.
Bom, hoje de manhã eu não poderia acordar de um jeito melhor, afinal, quem nunca ficou sem chão quando se depara com a pessoa que você mais ama, fazendo um carinho em você, para você se acordar?
Depois de criarmos coragem e termos levantado, tomamos o nosso banho, não necessariamente separados, e comemos. Peguei a chave do carro do papai, já que ele tinha deixado o carro aqui, e fui direto deixar Celly ao colégio para de lá eu me dirigir para a faculdade, embora eu prefira ficar na cama de manhã ao lado dela.
Suspirei.
A realidade volta quando menos queremos, não é mesmo?
Estacionei o carro e fui direto para o campus ter aula. O campus de medicina é a mais afastada das demais.
Sim eu faço medicina embora minha aparência e personalidade sejam totalmente incompatíveis com o curso. Acho que não tanto como a aparência porque posso atrair muitas garotas para o consultório. Já pensaram? E isso é um trunfo!
Eu ri imaginando a cara de Celly a me ver envolto de garotas babando pelo gostosão aqui.
- Rindo sozinho, amoreco? — Gritou uma voz atrás de mim.
Era só o que me faltava.
Bufei e me virei para dar de cara com a menina que menos queria ver essa manhã.
- Oi Dice.
Dice parou de correr e se jogou em meus braços.
Puff quase que ela me derruba no chão.
- Ain estava com saudades.
- Dice...
- Sabe, sua irmã atrapalhou tudo de novo! Justo quando meus pais viajam e poderíamos matar nossas saudades e...
- Dice!
- O que é? – Perguntou franzindo a testa, por ver que eu estava tentando me separar dela.
- Preferia que você perguntasse o que houve, ou que talvez, se tocasse, e desse o fora.
Ela ficou em choque.
- Como?! – Berrou.
Eu revirei meus olhos e comecei a caminhar para minha sala.
- Hey! Mathew! Amorzinho da minha vida! O que houve? Por Deus Matt não me ignore! – Falou enquanto tentava acompanhar meus passos.
- Dice... Se você sumir não terá problema se eu te ignorar ou não. – Falei revirando os olhos novamente, ao perceber que ela me alcançou e me acompanhava ao lado.
- O que deu em você? O que aquela puta da sua irmã falou de mim? – Berrou.
O meu sangue ferveu.
- Você chama Celly de puta, mas você é pior que ela, não?
- Cooomo?! – Gritou arregalando os olhos.
Parei diante da porta de minha sala e me virei para olhá-la.
- Como? Simples. Vê se não me enche e não me perturbe mais. Ah, e principalmente, sua vadia de baixo calão, não perturbe mais a Celly! – Falei sibilando enquanto que Dice me encarava de boca aberta.
Eu não agüentando mais, abri a porta da sala e a fechei com toda força na sua cara.
Ótimo o que faltava mais acontecer?
Dei um murro na porta e suspirei.
- Hm.
Eu congelei ao escutar um pigarro atrás de mim.
- Começando o dia bem não, senhor Louie? – Falou o professor.
Merda.
Me virei e encarei todos os meus colegas me fitando chocados, assim como o reitor e o professor que já estavam na sala.
Eu gemi.
Boa Mathew!
***
Pov Celly
-Senhorita Louie? Quer por favor falar um pouco sobre genética aqui na frente da sala?
Eu voltei dos meus pensamentos.
- O quê? – Perguntei com uma voz aguda de descrença.
- Você, por gentileza, poderia dar um resumo sobre genética?
Eu afundei na minha cadeira.
- Will... Meu querido professor... Você não está falando sério, está? – Perguntei dando um sorriso forçado.
Ele bateu os punhos na sua escrivaninha.
- Louie! Agora! – Gritou com raiva.
Eu respirei fundo e me levantei jogando meu cabelo para trás.
Atenção meninas: quando vocês não tiverem saída, joguem gracinhas ou use suas artimanhas de mulher. Embora você se lasque, sairá da sala, ou no meu caso, vai para frente da sala, com dignidade.
Vai por mim. É tiro na certa.
Ok. Não fui feliz com essa afirmativa.
Me encaminhei entre as carteiras e meu olhar involuntariamente se voltou para Kurt.
Preciso falar que ele está tão revoltado comigo que ao me olhar ele quebrou um lápis?
Sem comentários.
Eu suspirei esperando Will começar a me detonar com as perguntas.
- Bom. Agora que você já está aqui na frente eu quero que você me diga um breve relato sobre genética.
- O que você quer saber exatamente?
- Fica ao seu critério – Falou divertido vendo o meu desespero, e cruzou os braços.
Eu soltei o ar.
- Para mim a genética é um ramo da ciência inútil, que só presta para infernizar nossas vidas.
Collins ficou surpreso comigo.
- Porque você acha isso?
Eu estorei.
- Porque digamos que duas pessoas se amem loucamente e simplesmente a genética impata. O que vocês fazem? Nada! Porque a bosta da genética está lá para atrapalhar tudo. – As palavras saíam como desabafo – Será difícil imaginar que eu o amo?! – Continuei agora com as lágrimas escorrendo.
- Você está apaixonada por quem?! – Perguntou Kurt gritando.
Ah merda.
- Não. Por ninguém. Eu falei tudo... Hipoteticamente – Falei engolindo o choro e limpando minhas lágrimas.
Will ainda me encarava chocado.
- Er... Pode se sentar Louie.
E assim ergui meu queixo e sentei com a cabeça erguida.
Mas alguém aí tem um saco de plástico para eu enterrar minha cabeça?
***
Pov Matt
- Como foi a aula? – Perguntei para Celly depois de termos entrado em casa.
- Terrível seria uma boa descrição – Suspirou.
Eu ri baixinho.
- Seria porque eu não estava contigo? – Perguntei indo até ela e segurei a sua cintura.
Ela sorriu.
- Também.
- E por acaso sentiu minha falta? – Perguntei roçando minha boca em sua orelha.
Senti ela se arrepiar.
- Não.
- Ah não sentiu não? – Perguntei me afastando.
Ela sorriu torto.
- Não. Nem um pouco. – Falou agora correndo para eu não alcançá-la.
Eu comecei a correr atrás dela
- Volte aqui! – Falei rindo.
- Por quê? Você quer isso, é? – Ela perguntou fazendo gestos em direção ao seu corpo.
Eu lambi meus lábios.
- Você não faz idéia.
Ela gargalhou.
- E quem disse que vai ter? – Falou tentando fugir de mim.
Eu a agarrei pela cintura.
- Merda! Você é bom – Resmungou se debatendo em meus braços.
Eu ri.
- Você não faz idéia. – Repeti novamente, sussurrando em seu ouvido.
Senti ela se arrepiar com a nossa aproximidade quando de repente, do nada, seu corpo fica tenso.
Seus olhos, que estavam voltados para a janela ficaram arregalados.
Minhas mãos que estavam em torno de sua cintura agora foram parar em seu rosto a fazendo olhar para mim.
- Celly? Amor? O que houve? – Perguntei fitando-a.
Ela não desviava os seus olhos da janela.
E foi aí que segui o seu olhar
Mas antes de suas palavras serem anunciadas eu o vi. Dentro de mim já sabia quem era mesmo sem o conhecer. Ele voltou.
- B-benjamim – Falou Celly soluçando.
Benjamim estava parado do lado de um carro no outro lado da rua de nossa casa.
O meu sangue ferveu.
- Filho da puta- Falei sibilando e indo atrás dele.
- Matt! – Gritou Celly tentando me segurar sem sucesso.
Fui atrás dele. Saí de casa correndo e fui em direção a onde ele estava.
Mas uma coisa inacreditável ocorreu: ele não estava parado mais lá.
Parei na rua e girei em rotação a procura dele.
- Matt você está no meio da rua! – Gritou Celly agora parada na varanda.
- Cadê esse infeliz? – Perguntei olhando para ela.
Ela abriu a boca para falar algo, mas fomos interrompidos por um barulho terrível de derrapamento. Virei para olhar a rua e vi um carro vindo em minha direção. Minha mente gritava “corre”, mas o meu corpo não me obedecia. O carro me encontrou e senti meu corpo todo ser jogado para frente.
A escuridão estava me engolindo muito rápido. Mas antes que eu sucumbisse totalmente a escuridão, a única coisa que lembro ter escutado foi um grito muito alto. E nesse grito só o meu nome foi pronunciado.
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