Maré Negra
Maré Negra

Maré Negra

“- Nessas histórias os piratas não usam tapa olho. - disse o capitão Boris Durand. – Não. Não usam tapa olho, nem trazem um papagaio no ombro. O buraco fica mesmo exposto, e qualquer ave gorda o suficiente é bem vinda numa panela ao fogo. Presumo que nenhum de vocês aqui nesta sala tenha alguma vez visto um pirata de verdade, não é?
Permaneceram mudos.
— Naveguei algumas vezes pelo Pai quando ainda era jovem. – continuou. – Uma empreitada não muito vantajosa, tenho de admitir. E o motivo de eu ter parado naquela época foi justamente meu infeliz encontro com um sujeito chamado Eremita, e o seu navio, o Fantasma do Pai. Uma curva no rio nos separava quando ouvi o tilintar das espadas e os rugidos dos piratas, léguas à frente. Lembro-me de ter mandado que meus homens apagassem as lanternas. Lembro-me de ter meu sangue quase congelado nas veias quando ouvi sua rouca voz gritando Pegue-os. O Fantasma do Pai abalroou no meu Bailarina Coxa - não o mesmo que possuo hoje, veja bem, gosto de pôr o mesmo nome em todos os meus navios -, enfim, era uma noite estrelada, como a de hoje, o Eremita pulou no meu convés, matou sete dos meus, só por esporte, depois veio até mim. Em qualquer momento lhe ofereci resistência, mas ele gostava de deixar sua marca. Vejam. – o capitão dobrou a manga esquerda da camisa e mostrou uma enorme cicatriz branca em forma de xis no antebraço negro. – Ele disse que faria isso pelo caso de um dia nos encontrarmos novamente, pois possuía a memória ruim. Disse que faria então um xis no outro braço e, caso houvesse um terceiro encontro, os arrancaria na altura do marco. Era um homem cruel. Estou feliz que esteja morto.”
Classificação 14+
Aventura A Ilha do Tesouro
F
Frederico

Sinopse

Notas adicionais

Escrito por
F
Frederico


Classificação 14+
Livro em andamento
Publicado em 11 de set. de 2019 19:50
Atualizado em 11 de set. de 2019 20:01
7363 palavras

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