Maré Alta

1 Prólogo


Notas iniciais
Espero que gostem!

É um conto tão antigo quanto o tempo, vocês sabem: um grupo de desconhecidos bem-intencionados se encontram por acaso e se unem para derrotar um mal maior e salvar o mundo.

Exceto: não há mal maior, e esse conto não narra a história dos heróis.

Eles eram um bando excêntrico, realmente. Chamavam a atenção por onde passavam, e suas jornadas nunca acabavam sem que seus nomes corressem pelas conversas e boatos do povo. Alguns os viam como o mal presságio que com eles viajava, empoleirado em um ombro. Outros, como uma tragédia iminente, assim como as presas afiadas que se estendiam para fora da mandíbula de um dos animais ferozes e fieis. Outros, ainda, como como um bom sinal, que traziam esperança e alegria aos lugares, bem como o espécime que se pendurava nas roupas deles e fazia truques infantis.

À bem da verdade, na época, não eram mais do que um grupo de viajantes descomunalmente poderosos — ainda que, em algum momento, houvessem sido nada mais do que crianças com destinos incertos.

No entanto, não se fazem contos sobre pessoas comuns. E lendas, especialmente, são feitas para narrarem grandes aventuras.

Vocês já ouviram falar sobre essa guerra. Sobre o conflito que balançou os alicerces do mundo e mexeu com tudo no que todos acreditavam. Nas bestas — animalescas ou humanas, realmente — que invadiram os campos de batalhas, nos cornos que anunciavam os ataques e nas legiões de guerreiros corajosos. Nas mortes, para as quais cantamos músicas e nos romances dos quais lemos livros.

Vocês já ouviram falar dessa guerra, mas vocês não viveram essa guerra.

Não estiveram lá quando o último guerreiro caiu, quando a última espada foi embainhada, quando o último grito de socorro foi dado ou quando os últimos amantes foram separados. Não estiveram lá quando uma cortina de fogo desceu do céu e engoliu seus devotos, quando os mares se transformaram na fúria acumulada e castigaram as costas dos continentes ou quando os próprios se separaram e atacaram o seu povo.

Não estiveram lá para saber que quando a guerra acabou e os soldados comemoram, os guerreiros que a venceram — os que tiveram seus mais queridos mortos, os que foram acorrentados e mastigaram a vergonha na boca, aquelas cujas lágrimas tinham o gosto da dor e da humilhação — se ajoelharam e urraram. Não de alívio e não de felicidade.

De sofrimento e de tristeza. Um último grito de adeus para aqueles que amaram e para tudo aquilo pelo qual lutaram. Não estiveram lá para os verem morrer em amargura e agonia.

Por isso — porque vocês não estiveram lá — é que eu peço alguns momentos de sua atenção e paciência.

É uma longa história — não inteiramente bonita e nem parcialmente correta — mas é a nossa história. E eu, humildemente, acredito que é uma história a qual se vale a pena escutar...

Notas finais
Espero que tenham gostado! Comentários são sempre apreciados!