Marvel Universe: All Different World

39 Capítulo XXXIX: Harrelson – As Impressões de Um Repórter: Parte 1.


Notas iniciais
Atualmente posto minhas fics nos seguintes sites/plataformas de fanfics e histórias: Spirit https://www.spiritfanfiction.com/perfil/eucaristia Nyah! https://fanfiction.com.br/u/175167/ Wattpad https://www.wattpad.com/user/LillielEucaristia Acompanhe. Comente. Incentive. Todo autor precisa de sua dose de retorno para que as histórias não morram. Também escrevo uma série baseada em Percy Jackson e os Olimpiano, quem tiver interesse pode visitar meu perfil.

Data Terrestre: 09 de Outubro

Algumas pessoas, muitos dos quais se dizem meus amigos, me perguntam se não tenho vergonha da minha profissão por vezes ser um antro de mentirosos e hipócritas. Acho que eles nunca se olharam direito no espelho para perceberem que nas suas profissões existem os mesmos filhos da puta que na minha. A diferença é que os da minha tem o poder de criar opinião e fazer merda na cabeça de todo tipo de gente.

Olhei no relógio e respirei fundo, quase uma da tarde e eu ainda estava esperando que alguma coisa acontecesse naquele quarto, qualquer coisa.

Infelizmente tudo que eu tinha era Keith Jones, meu cameraman de longa data igualmente entediado, e Gareth Grimm, o repórter que deveria ser meu maior rival, com o cameraman dele, alguém que o nome eu realmente não lembrava por ser muito diferente e quase impronunciável depois de ouvir uma única vez, em uma sala de observação com um agente da Shield assistindo um monitor pessoal vez ou outra sem nos dizer nada do que acontecia do outro lado do vidro escuro.

Estávamos assim a horas e meu único e exclusivo consolo foi que lembraram de trazer alguma coisa para comermos, felicidade maior ainda por não ser alguma ração pastosa e intragável como tantas outras que já tive que comer quando estava nos campos de batalha gravando.

Eu realmente estava a ponto de ir perguntar ao agente que nos vigiava se tínhamos cara de idiotas quando a porta abriu e uma garota negra passou acompanhada de um rapaz também negro.

—E ai Amanda, a Comandante Hill disse que você estava a caminho com reforços. Tudo bem Erick. –Os câmeras voltaram suas filmagens para os recém-chegados e notei o leve aceno do rapaz.

—Relaxa Maines, não somos amadores e, fala sério, quem mais a Comandante mandaria para cuidar da joia da coroa se não pessoas em quem ela confie. –Já a garota falava demais. –E me chame de Nik Hill nas próximas horas, só minha mãe e meu pai podem me chamar de Amanda durante o serviço.

—Tá certo, garota, ainda que eu tenha certeza que troquei suas fraldas uma vez. –Maines provocou.

—Foi sua mãe que trocou minhas fraldas, Marshal Maines. –O agente fez uma careta e a garota riu da situação.

—Certo, vamos nos focar no que a Comandante espera de nós. –O rapaz negro tomou a frente. –Como elas estão Maines?

—Dormindo ainda, o que é um alívio para mim. É sempre constrangedor quando eu estou na vigilância das crianças e elas começam a se pegar, tirar a roupa e fazer umas coisas que, sinceramente, me fazem pensar duas vezes sempre que minha noiva diz que quer ter filhos.

Os dois jovens riram, a garota mais alto que o rapaz.

—Acho que nossos pais te entendem Maines. –O rapaz respirou fundo. –Bom, achei que elas já estariam acordadas, talvez tendo um tempo sozinhas, devem estar realmente cansadas.

—Laura acordou quando o relógio despertou e o esmagou para voltar a dormir. –Maines comentou distraído. –Sorte que não era o celular e compramos esses despertadores baratos a dois dólares em qualquer lugar.

Os mais jovens concordaram e eu comecei a ficar irritado daquela conversa até que os olhos de Erick se voltaram para o vidro e os cameramens acompanharam, bem a tempo de a porta se abrir e a médica de horas antes voltar acompanhada da ajudante.

Assim que as duas entraram as garotas que dormiam abraçadas se moveram bem mais despertas do que eu esperava de quem estava dormindo.

—Já estavam acordadas? –A médica também havia notado.

—É difícil dormir com a Amanda falando sem parar do outro lado do vidro. –A garota loira não parecia muito animada. –Embora eu fique feliz da Hill ter colocado a caçula e o Fóton no serviço de acompanhante, será que você pode me explicar por que a equipe de reportagem continua ali?

—Sobre isso... –A assistente tomou a frente mostrando uma tela de transmissão holográfica que logo mostrou a imagem de Tony Stark.

—Tio Tony?

—Ah, minha princesa tá acordada e inteira. Tô feliz que sua namorada estava junto para pôr um pouco de juízo na sua cabeça durante a missão, porque nunca vi uma pessoa mais cabeça de vento. Eu não te ensinei nada de útil não?—Eu estava bem surpreso de ouvir aquilo.

—Fala de como você e tia Emma usaram suas posições como meus padrinhos para me ensinar a beber antes dos oito anos depois que descobriram que eu não fico bêbada nunca, de como me ensinaram a ter um senso de humor altamente inapropriado, de como eu deveria flertar com as pessoas que me despertam interesse desde os dez anos ou de todas as outras coisas que fariam meu pai te dar uma surra? –Certo, não era isso que eu esperava do meu dia.

—Esqueci que eu te ensinei melhor do que bem. Juro que às vezes acho que você é mais minha filha que os meus filhos.

—Não diga isso até estar no casamento da Maria com o meu irmão. –O Stark fez uma careta.

—Por que vocês tem tanta certeza que os dois vão casar?

—Para você e o meu pai pagarem a língua. –Outra careta do bilionário. –Vai, agora me explica o lance dessa equipe de enxeridos do outro lado da porra desse vidro.

Seu pai morreria se te ouvisse agora. —A garota deu de ombros e o Stark riu. —Bom, depois da confusão no centro, e desculpe usar vocês de isca para os terroristas, várias emissoras começaram a cobrar mais respostas, pedir uma exclusiva, querer montar um perfil.—As duas garotas assentiram como se entendessem a situação. —A maior parte veio até mim, parece que mesmo que não tenham acreditado no começo sobre eu ser seu padrinho, o que é muito injusto porque eu sou uma puta padrinho responsável e...

—Foco tio Tony.

—Certo. Eles vieram até mim e ao Fury também, mas o Caolho disse para eu cuidar de tudo da melhor forma que pudesse sem causar grandes danos. Então conversei com duas emissoras mais sérias e fiz um acordo.—Tony pareceu desconfortável. —E acho que você não vai gostar muito do que vou falar, mas parte dele inclui que essas duas equipes fiquem seguindo você e a Laura por todo o dia que resta e a manhã de amanhã, além de terem direito a algumas perguntas previamente selecionadas e aprovadas por mim e pela Pepper.

As duas jovens na cama ficaram em silêncio por alguns instantes até a loira suspirar cansada.

—Como vou saber que as perguntas que eles estão fazendo são as que vocês escolheram?

—Eu vou mandar uma cópia para os seus agentes de acompanhamento através da Hill e eles vão dar um sinal de positivo para as perguntas que tiverem passado e de negativo caso não estejam na listagem deles.—Essa me pegou desprevenido, o Stark estava realmente preocupado com aquelas garotas. —Caso tenha alguma pergunta que vocês não se sintam à vontade para responder e nós deixamos passar, podem escolher não responder.

Notei a garota morena um pouco desconfortável com a conversa.

—Senhor Stark. –Tony olhou para a morena, surpreso. –Essa entrevista é para nós duas?

—Infelizmente é sim Laura. Eu sei que você odeia se expor e tem toda uma questão sobre imagem, porém as coisas ficaram assim. E por favor, me chama de Tony ou de tio, você namora a desmiolada da minha afilhada e eu te adoro por fazer a minha menina feliz.

A loira riu e abraçou a morena que parecia vermelha de vergonha.

—Eu falei que ele ia te dar uma bronca uma hora dessas por causa disso.

—Bom, eu só posso pedir para aguentarem essa parte chata dos desdobramentos da missão e não matarem a equipe de reportagem por serem intrometidos, é a função deles afinal.—Ele pareceu olhar diretamente para a loira. —E eu sei que apesar do seu jeito espontâneo e meio doido com algumas coisas, você gosta de ter sua privacidade preservada, infelizmente são ossos do oficio Claire.

A loira assentiu de forma séria e quase militar demais.

—Eu sei. Vou manter isso em mente.

—Então se cuidem e qualquer coisa me liguem, estou sempre à disposição para as minhas garotas.—E sem mais a imagem desapareceu enquanto eu me perguntava que outras maluquices e novidades apareceriam no meu dia para o noticiário do dia seguinte.

==========X==========

Eu achei que a liberação médica das duas garotas demoraria mais, para minha surpresa a doutora apenas disse para elas trocarem de roupa e irem comer no refeitório. A médica também falou que o pai da loira ainda estava dormindo e que a mãe disse para ela dormir na agência, as duas apenas concordaram e trocaram de roupa tranquilamente, o que fez o agente de supervisão deixar os vidros escuros na mesma hora.

Aparentemente ele pode ter algum acesso, mas não está autorizado a deixar imagens das garotas seminuas irem para o noticiário, o que só reforça a minha teoria de que elas são mesmo importantes para os envolvidos. Não questionei essa parte porque até onde sei as duas são menores de idade e eu tenho filhas, então não gostaria que alguém fizesse diferente se fossem minhas meninas, só teria que marcar isso nas minhas observações.

Quando encontramos as garotas (que usavam os pequenos microfones que a própria Shield forneceu), já fora do quarto, a loira seguiu na minha direção parecendo curiosa.

—Você não é Thomas Laurent Harrelson? –Assenti um pouco nervoso, porque tem gente que não gosta do meu trabalho, só que ela sorriu muito mais animada e feliz do que esperava. –Que legal. Eu realmente amei aquele documentário sobre a máfia Irlandesa, foi demais quando vi um repórter todo normal se metendo no meio de um monte de gangster armados até os dentes só com um microfone e muita cara de pau.

—Ah. Você assistiu as reprises. –Comentei desgostoso.

Aquele era o trabalho que tinha me valido um Pulitzer e os jovens gostavam pelas armas que apareciam.

—Não mesmo, as reprises são censuradas e chatas. Eu assisti quando passou pela primeira vez e pedi para o tio Tony me arrumar umas cópias com conteúdo integral.

Fiquei surpreso.

—Esse documentário foi ao ar a doze anos, como você poderia lembrar ou entender do que se tratava?

Ela pareceu envergonhada

—Isso é porque eu meio que sempre entendi o mundo a minha volta e aos quatro anos esse tipo de coisa já fazia parte do meu dia a dia de estudos. –Ela olhou para o lado e me olhou um pouco desconfiada. –Esse cara é o Gareth Grimm?

—É sim. –Imaginei que ela seria fã dele também, porém a expressão dela ficou dura quando confirmei.

—Bom, que seja. –Ela me encarou e sorriu. –Estou realmente feliz de poder te conhecer e, senão for pedir muito, depois pode autografar a minha edição de “O Tráfico Humano ao Redor do Mundo: Uma Reflexão sobre o Amago da Maldade Humana”?

—Esse livro vai ser lançado semana que vem, como conseguiu? –Aquilo me deixou um pouco surpreso, bravo e preocupado.

—Eu posso ter pedido para o tio Tony subornar o dono de uma gráfica que é amigo da minha família por conta de um outro amigo. –Ela fez a mesma cara de criança que foi pega em flagrante que as minhas filhas e eu acabei rindo. –Sinto muito, eu estava muito ansiosa para poder ler seu novo trabalho e ele é tão bom quanto tinha imaginado.

—Já terminou?

—Ela passou o final de semana lendo no nosso tempo livre; na verdade, ela leu em todos os momentos em que não tinha nada pra fazer. –A morena se aproximou. –Eu costumo pedir que ela leia em voz alta, porque gosto da forma como som das palavras sai da boca dela, mas o livro é mesmo muito bom e intenso. Me senti de volta em algumas missões que fiz contra esse tipo de coisa no passado, então eu fiquei feliz que o senhor não tenta colocar bondade nos traficantes e aliciadores.

—Obrigada. –E ali eu entendi o desgosto da garota loira ao saber que Gareth Grimm estaria ali.

Grimm era um repórter policial como eu, com uma diferença crucial.

Eu era meio que um justiceiro usando a caneta e o microfone para ajudar a procurar os criminosos, sempre tentando ajudar a justiça e as vítimas ou suas famílias. Grimm gostava dos criminosos, chegava a endeusá-los para mostrar seus traumas, como se isso justificasse seus crimes e quando isso não acontecia ele apelava para mostrar a inteligência com que os crimes foram orquestrados.

Eu mesmo não gostava ou aprovava os métodos e ideias de Gareth Grimm, mas não é como se eu pudesse escolher ou decidir quem vai ser jornalista nesse mundo, embora ele certamente não fosse estar na minha lista se pudesse fazer isso.

—E não se preocupe, ficarei feliz em autografar o seu exemplar. –Levantei o indicador. –Vai ser o primeiro de muitos se os outros leitores concordarem com você.

A garota loira sorriu parecendo muito mais feliz do que eu esperava.

—Muito obrigada. –Ela então respirou fundo e deu um passo para trás, o que me preocupou um pouco. –Eu vou tentar não bancar mais a fã animada com o senhor, para que possa fazer o seu trabalho em paz.

Concordei e tanto ela como a namorada tomaram alguma distância da equipe de filmagens.

Notei o olhar ressentido de Gareth para mim, ainda que não tivesse culpa se a garota não gostava do trabalho dele ou se ela gostava do meu, mesmo assim deixamos os cameraman irem na frente.

Me voltei para os dois jovens negros que nos seguiam.

—Como devo chamá-los?

Os dois se olharam confusos.

—Eu sou Fóton. –Respondeu o rapaz que antes ouvi ser chamado de Erick. –Pelo menos durante o tempo de serviço.

—Enquanto estiver acompanhando vocês eu sou a agente Nik Hill. –Ela apontou para trás, na porta da sala onde passei a manhã. –O cara ali, que logo vai para uma estação de monitoramento a distância seguir a gente, é o agente Maines.

—E elas são Claire e Laura. –Fóton comentou distraído e depois me encarou. –Ninguém liga para quem são os soldados caídos, a não ser que sejam da sua família, então ninguém lembra dos nomes.

E tive a impressão que aquela era uma verdade que eu mesmo nunca levei realmente a sério.

Uma com a qual eu passaria muito tempo tendo que lidar naquele dia.

==========X==========

Depois que as garotas almoçaram no refeitório, sob olhares ansiosos de vários agentes eu entendi que elas não eram os monstros pintados pelas organizações anti-mutantes que vinham invadindo os programas de televisão e jornais.

No momento em que elas deixaram as bandejas no balcão todos os agentes presentes ali se levantaram e aplaudiram as duas, algo que as deixou visivelmente desconfortáveis, mas a garota loira respirou fundo e tomou a frente levantando a mão, o que fez todos ficarem em silencio.

—Sério pessoal, valeu o apoio. Mesmo assim, todos nós trabalhos direta ou indiretamente para evitar atentados terroristas, desmantelar redes de tráfico de drogas e de pessoas ou mesmo para combater ameaças mais perigosas. Nós todos merecemos esses aplausos depois de pequenas vitórias e abraços diante de qualquer derrota. Só podemos fazer nossa parte, independentemente dos resultados terem sido ou não os melhores, em campo e dar uma vitória aos agentes de resposta e isso é uma vitória de todos da agência. Se eu não tivesse o apoio dos agentes de campo, da equipe de apoio, do time de inteligência, da divisão científica e médica não saberia nem mesmo por onde começar a missão. Essa vitória é de todos nós.

O refeitório irrompeu em outra salva de palmas e comemorações, dessa vez todos se abraçando enquanto a morena ria de algo e a loira parecia mais envergonhada que antes.

—Meu Deus, ela tem mesmo o maldito carisma de toda a família encarnado, não é? –Nik Hill comentou as minhas costas e me virei curioso.

—Ela é de uma linhagem de pessoas carismáticas?

—Bom, a tia da mãe dela ajudou afundar essa agência e o pai... Bom, o pai dela tá em outro nível, a mãe é uma das chefonas do lugar. –E sem dizer mais nada a garota indicou que deveríamos continuar a seguir Claire e Laura.

Mesmo assim pude notar a cara de desagrado de Gareth Grimm pelo discurso da garota e me ocorreu que se não colocassem outra pessoa na sala de edição e na apresentação da matéria, ele causaria sérios danos a nosso serviço aqui, a sua emissora e na própria carreira.

==========X==========

Uma coisa sobre a Shield: gente que acabou de segurar a explosão de uma bomba com o corpo treina como se fosse um dia de domingo tranquilo, calmo e sossegado.

Descobri isso no momento em que Claire nos guiou para uma arena de treinos onde duas equipes faziam o seu melhor para derrubar os quatro instrutores que os guiavam, o detalhe ficava por conta de que os alunos podiam atacar em grupos seus professores.

Havia um jovem de cabelos castanhos, olhos azuis que não parecia se abalar com nada que fizessem. Depois eu vi uma mulher ruiva de olhos verdes que dispensava apresentações, até porque todos conheciam a famosa Viúva Negra. Outro Vingador, Clint Barton ajudava o garoto calmo, enquanto uma mulher de feições levemente asiáticas com cabelos e olhos escuros era a parceira de luta da ruiva.

Na mesma hora que viu as duas sentando em um canto da arena a Viúva Negra interrompeu o treino.

—O que vieram fazer aqui?

—Estamos de castigo tia, presas dentro do prédio até segunda ordem do Caolho. –A ruiva negou como se ouvir aquilo não fosse novidade. –Tendo trabalho com os recrutas?

—Um pouco. –Então a ruiva sorriu. –Vamos, venham me ajudar com eles.

—Eu pulei em cima de uma bomba hoje tia Natasha, não quero apanhar da senhora no mesmo dia.

—Pare de reclamar Margaret. –Notei a cara de insatisfação dela ao ser chamada por aquele nome. –E eu não vou te usar de cobaia, tenho um pouco de coração para esperar até segunda-feira que vem para limpar o chão com a sua cara.

E depois daquela frase as duas garotas levantaram e seguiram a Viúva Negra para o centro da arena.

Olhei para os dois agentes as minhas costas.

—Tia Natasha?

—Ela conhece os Vingadores desde sempre, assim como cresceu na Shield. Bem dizer todo mundo aqui é meio que família pra ela e eles a consideram da mesma forma, então essa coisa de chamar pelo primeiro nome ou nome do meio ou mesmo apelidos é normal. –Nik Hill realmente falava bastante, ainda que não os por menores.

—E você, também faz isso? –Tentei a sorte.

—Quando não estou trabalhando.

Ela era boa, então eu voltei a encarar a arena onde os dois grupos de recrutas haviam se misturado ao redor de Claire e Laura.

—Sua missão é simples recrutas: tentem acertar um golpe nas duas. Vale trabalho em grupo, trapaça, golpe sujo, mano a mano ou armas de impacto como bastões e cassetetes. Vocês terão quinze minutos para conseguir um resultado e quando eu mandar parar é para parar na exata posição em que estiverem. Entendido?

Todos concordaram e a Viúva Negra apitou o começo do treino.

De início eu pensei que as duas apanhariam, mas então me dei conta de que elas conseguiam se virar contra aqueles vinte alunos desesperados por atingir as expectativas de uma das pessoas mais admiradas da Terra. Cada aluno que tentava atingi-las individualmente era desarmado de seu golpe ou arma com uma facilidade que não me era clara, enquanto que os que atacavam em grupo tinham sua formação quebrada com uma facilidade maior ainda. Eu mal podia acreditar que aquelas duas garotas que tinham tido ferimentos tão graves quanto os que verificamos durante o tratamento e vídeos amadores da explosão estavam ali, participando de um treino pesado de forma tão despretensiosa.

—Como elas conseguem? –Deixei escapar.

—A Claire é treinada pela Natasha e pelo Wolverine desde que tinha três anos de idade, o pai dela também treinou ela, embora a parte pesada foi feita por outras pessoas. Treino de faca, armas de fogo, arco e flecha, artes marciais variadas, armas medievais e tecnologias extraterrestres, tudo isso ensinaram pra ela. –Notei que dessa vez foi Fóton quem respondeu.

—Só ela aprendeu tudo isso?

—Não, todos nós fomos colocados nisso, ela chegou longe como poucos.

Ele ficou em silêncio e vi que Nik Hill não parecia disposta a conversar, então voltei minha atenção o máximo que pude para o treino a minha frente, mas quando a Viúva Negra mandou todos pararem me surpreendi.

A maior parte dos alunos havia decido pegar os bastões e cassetetes para lutar, avançando em conjunto contra as duas, não em um trabalho de equipe, apenas um ataque maciço contra um alvo. Já Claire e Laura permaneciam calmas a poucos metros uma da outra, como se o ataque que vinha na sua direção não fosse um problema.

—Muito bem, permaneçam como estão e... –Pude ver a imagem congelada dos alunos aparecer em um telão. –Liberados para sentar. –Os alunos sentaram exatamente onde estavam e encararam aquelas que eram seus alvos. –Claire, quais os erros dos ataques em equipe?

A garota suspirou.

—Falta de coordenação e sincronia. Escolheram a opção por parecer mais fácil e eficiente, sem que isso fosse verdade ou mesmo com algum preparo prévio como um contato ou, pelo menos, algum nível de companheirismo para que pudessem se enturmar em meio a movimentação.

—Laura, falhas dos ataques individuais?

—Os que atacaram individualmente se dividem em três grupos: confiantes, mas não tão fortes; fortes, mas não tão confiantes e os idiotas que vão com tudo sem pensar. –Ela não ligou para algumas caras feias. –Se você é confiante das suas habilidades, mas não tem a força ou a técnica mais afiada do lugar o ideal é se aliar a alguém que cubra as suas deficiências, o mesmo vale para aqueles que tem as técnicas mais desenvolvidas, mesmo que não possuam a confiança de como colocar isso em prática em campo. Quanto aqueles que atacam sem pensar, não adianta se desesperar e tentar mostrar resultados que não vão chegar, vocês provavelmente são melhores como distração pela sua impulsividade do que para a ação direta. Na verdade, os três tipos juntos são ideais para trabalho em equipe.

Todos os alunos pareciam surpresos com aquilo.

—Agora me digam, quantas vezes uma das duas já me derrotou? –Encarei a pergunta da Viúva Negra como uma brincadeira.

—Duas. –Claire murmurou.

—Uma. –Foi a resposta de Laura.

Todos os alunos pareceram tão surpresos quanto eu.

—E foi fácil?

—Tá brincando, você quase me matou e isso é algo quase impossível de me acontecer. –Claire não gostava mesmo do assunto. –Além disso, eu luto com você desde que eu tinha três anos e nunca ganhei de verdade, só na sorte. –Laura concordou com as palavras da namorada e a Viúva Negra riu.

—Estão dispensadas meninas.

As duas voltaram para onde estávamos e notei que elas pareciam mais cansadas da conversa no final que do treino, ambas indicaram que iriamos embora, mas o garoto que ajudava no treino quando chegamos correu até nós.

—E ai, já falou com a Christine? –Ele ainda parecia um poço de calma.

—Mandei mensagens para ela mais cedo na missão, só que a explosão destruiu meu celular.

—E por que não pegou o da Laura?

—Meu celular foi confiscado para reparos. –Laura notou a cara do rapaz. –Ficou encharcado de sangue e eu acho que vou precisar de um aparelho novo, mas por hora também não tenho celular.

—A tia Jemma disse que consegue salvar tudo em um aparelho novo, mas só vou ter outro celular amanhã, avisa ela que eu tô incomunicável por algum tempo? Ou é capaz dela me matar pela falta de informação.

O garoto riu.

—Isso é normal para vocês, são unha e carne; relaxa que eu aviso sim, e no final a Chris só deve ter ficado com medo por tudo. O que é esperado vindo de vocês.

—Ainda bem que eu não sou ciumenta com essa amizade delas, conheço pessoas que não poderiam sonhar com a namorada sendo próxima de alguém assim que morreria. –Laura brincou.

—Bom, seu irmão não tem que se preocupar com isso, a garota que não é namorada dele não é próxima o bastante de ninguém além do irmão e olhe lá. –Claire ria.

—Na verdade, eu estava pensando em um certo senhor perfeição. –E com o comentário de Laura os três riram.

—Se der certo e eu conseguir burlar a minha segurança ligo para Chris mais tarde, mas cuida bem da minha irmãzona, Andy. –Claire deu um tapinha no ombro do rapaz que riu se virando.

—Às vezes eu quase acho que vocês são irmãs de verdade.

—Somos irmãs de alma, não de sangue, isso eu garanto. –Claire e Laura voltaram a andar eu me aproximei delas.

—Quem era o rapaz?

—Andrew Johnson, cresceu na Shield enquanto a mãe trabalhava aqui. –Não que Laura fosse dizer mais do que isso.

—E quem é Christine?

—Namorada do Andy e filha mais velha da minha madrinha, Emma Frost. –Claire sorriu de uma forma gentil. –Ela é mais do que minha melhor amiga, é como uma irmã mais velha e meu porto seguro quando eu me sinto perdida, confusa ou em conflito comigo mesma.

—Foi ela que te fez investir em mim. –O comentário de Laura me soou distante.

—Ela dá bons conselhos. –Claire passou o braço pela cintura da namorada e sorriu.

Me afastei e não consegui parar de pensar nas minhas filhas, nos meus sobrinhos e sobrinhas.

Apesar das maluquices até ali, aquelas crianças eram tão parecidas com as da minha família que eu não conseguia evitar o leve sentimento protetor que brotava em mim.

==========X==========

Não sei porque ainda tinha a ilusão de que não iria me surpreender com mais nada depois de cada coisa que acontecia durante aquele dia, mas depois do breve treinamento eu já devia ter aceitado que o imprevisível estaria disponível durante todo o nosso tour de vigilância.

A primeira coisa nem foi a mais inesperada do meu dia.

Andando de um lado para o outro com duas adolescentes em um relacionamento amoroso e com hormônios que devem funcionar como um vulcão ativo em erupção, era quase um milagre que não tivéssemos tido um beijo ou um amasso antes de duas horas de filmagens.

Não foi algo explícito ou mesmo que parecesse planejado.

As duas seguiram para um jardim interno do prédio e eu podia jurar que elas estavam ficando mais cansadas do que o normal.

Claire apoiou o corpo em uma cerca de madeira e Laura ficou ao seu lado de frente para a mesma cerca com as mãos apoiadas, as duas pareciam conversar apenas por olhares, o que fazia a morena ficar com o rosto vermelho com frequência, porém, mesmo com a curiosidade, as câmeras ficaram a alguns metros, o que dava privacidade para elas.

Eu me aproximei o máximo que pude sem ser invasivo, me escondendo atrás de uma árvore e ficando atento as imagens pelo link do monitor na tela do meu celular com a escuta dos microfones ativa. Elas não falaram nada por cerca de cinco minutos, era como se estivessem apreciando o clima calmo até terem que iniciar um assunto.

—Queria ir lá fora. –Claire parecia um pouco triste.

—Só pode ir até os limites do terreno da agência por hoje. –Não que Laura parecesse muito melhor.

—Eu sei, mas se dependesse de mim estava no Central Park, aproveitando os últimos raios de sol antes da neve começar a cair. Ia dormir ali durante umas duas horas, bem no meio do horário de almoço e depois iria para casa jogar videio game com o Jay. –Ela tinha um sorriso feliz.

—E o que mais? Para onde mais você iria? –Mesmo o sorriso de Laura era amável e Claire fechou os olhos.

—Para cabana. –Seu sorriso cresceu. –Só nós duas. –Ela abriu os olhos e encarou a namorada. –Como no nosso primeiro encontro, só que dessa vez eu não precisaria medir cada palavra e ação com medo de você fugir.

—É, não precisaria. –Tudo no sorriso da morena era doce.

—E caso não pudéssemos ir para a cabana eu adoraria planejar os detalhes da festa de aniversário minha e do James.

—Seus pais já decidiram quando vão fazer a festa para você e seu irmão?

—Não temos certeza, se der tudo certo, e é um grande “se”, nesse final de semana. Admito que estou animada com a ideia, mas não tenho muita esperança de conseguir.

—Por que não? Seu pai é o maior fã de festas de aniversário para vocês e se não fosse o problema na época do seu aniversário ele estaria fazendo de tudo para o seu irmão ter a festa do ano.

Aquilo fez Claire gargalhar.

—É, meu pai pode ser um pouco exagerado com as festas.

—É fofo da parte dele. –Laura mantinha um olhar doce e suave que eu duvidava que muitas pessoas além da namorada tivessem acesso.

Vi Claire sorrir com a mesma doçura para a morena, que ficou vermelha de vergonha e sem nenhum aviso prévio a loira beijou a namorada.

Não foi um beijo de cinema ou escandaloso.

Claire se inclinou e colou os lábios nos de Laura, o que não durou nem mesmo cinco segundos, se é que durou quatro. A loira então afastou o rosto apoiando a cabeça no ombro da morena, que eu apostaria estar vermelha de vergonha, mesmo o ângulo da câmera não ajudando.

—O que fazemos agora? –Me assustei com a voz repentinamente cansada de Claire.

—Comer e deitar ou comer e andar, novamente. –Não que Laura parecesse muito melhor.

—Às vezes eu odeio efeitos colaterais. –A morena apenas concordou e as duas seguiram mais uma vez para o refeitório.

==========X==========

E lá estava eu no refeitório da Shield pela segunda vez no mesmo dia, só que agora aproveitei para também comer um pouco, algo que meus colegas também fizeram sem se descuidar das filmagens.

Claire e Laura comeram mais do que eu achava que um pelotão inteiro conseguiria e mais um pouco depois, enquanto os outros agentes ou as pessoas que cuidavam de abastecer as bandejas não se importavam com as repetições e quantidades que elas ingeriam.

—Isso é normal? –Esperei que um dos agentes respondessem.

—Para elas é normal comer mais do que o normal, depois da missão e do que aconteceu, os efeitos colaterais do que aplicaram causa cansaço adicional. Esse é o resultado. –Fóton foi suficientemente direto e discreto ao mesmo tempo, o que acho que é a principal característica dele.

Eu esperei mais um pouco até ver duas garotas se aproximarem.

Uma delas loira de olhos azuis e a outra azul de olhos amarelos.

Foi a segunda garota que me fez prestar mais atenção a conversa.

—Devo me preocupar e ligar o holo?

—Até parece, você tá ótima Tália. Feliz em te ver por aqui Cassandra, conseguiu se livrar das garras da megera da sua mãe? –E Laura deu um tapa no braço da namorada depois daquela. –O quê? A mãe dela é uma megera mesmo.

—Tudo bem Laura, a Claire tem razão no que fala e, respondendo a sua pergunta, sim. O juiz era um homem muito sensato e transferiu a minha guarda para a Shield na figura da tia Maria como primeira opção, deixando a Hope como guardiã secundária.

—Pensei que ela e seu pai ainda não tinham casado. –Laura me deixou curioso.

—E não casaram, a Hope está namorando o meu pai uns sete anos e eles estão noivos a pelo menos dois anos. Não casam porque não querem, eles já vivem no mesmo apartamento e dividem um apartamento alojamento aqui, sem dizer que fazem tudo em comum acordo. Só falta um papel, mas na prática eles são mais casados que muita gente por ai –A garota chamada Cassandra riu. –E vamos concordar, Hope Van Dyne é mais minha mãe que a minha mãe.

—Eu sei. –Claire riu. –Ainda me lembro de todas as “primeiras vezes” que você correu até ela para poder contar e não a Maggie, acho que é por isso que sua mãe odeia sua madrasta. O que me lembra, você contou para a Hope da sua primeira vez?

—Minha mãe descobriu antes de eu poder contar e chamou a polícia dizendo que tinham me aliciado, minha assistente social precisou ter uma longa e constrangedora conversa com o chefe do plantão policial sobre “porque levar a sério as palavras de uma mulher mentalmente instável é uma má ideia”. –A tal de Cassandra não parecia ligar para a nossa presença.

—Imagino como foi, acho que o pai da Claire pensou em fazer o mesmo. –E pelo sorriso de Laura aquilo era uma brincadeira.

—O tio jamais faria isso, ele conhece muito bem a filha pervertida que tem dentro de casa para tentar culpar qualquer outra pessoa pelas escolhas amorosas ou sexuais dela. –Eu encarei a garota azul me perguntando se ela realmente havia falado aquilo, mas me surpreendi com a ação de Cassandra que beijou o rosto da outra e levantou sorrindo.

—Vou pegar um suco e um lanche, aceita? –A garota azul concordou e Cassandra se afastou.

Demorou exatos cinco segundos para alguém falar algo.

—Pelo amor de Deus ou do diabo, eu vou enlouquecer se ela continuar assim. –A garota azul, que demorei a lembrar se chamar Tália, parecia exausta. –Será que vocês sabem o que é ter uma garota linda, que sorri de forma completamente amável e inocentemente sedutora jogando charme e cantadas nem um pouco implícitas em você durante um dia inteiro e ter que segurar a sua ânsia de se quer beijá-la, por que o resultado final seria desastroso?

—Você esqueceu mesmo que eu namoro a Laura, a pessoa menos propensa a demonstrações públicas ou excessivas de afeto? –Claire parecia ofendida.

—Jura que não lembra que essa daqui fez exatamente a mesma coisa comigo durante mais de um mês, enquanto você estava no grupo das pessoas que ria da minha cara? –Embora não mais ofendida do que Laura. –O que foi que você disse quando, a muito contra gosto, fui falar com a Alexis? –Tália fez uma careta. –Ah, lembrei. Você usou sua melhor cara de pau para dizer que eu estava enrolando demais e deveria tomar a iniciativa “caindo de boca”. –Claire deu uma sonora gargalhada ao lado da namorada. –Então siga seu próprio conselho, tome a iniciativa e caia de boca.

Eu me perguntei se tinha mesmo ouvido aquilo, mas as altas gargalhadas de Claire eram a minha nota mental de que aquilo não era um sonho.

—Não acredito que você tá me falando isso em vez de me ajudar. –Tália realmente parecia chateada.

—E o que espera que eu faça? Passe a mão na sua cabeça e diga que tá tudo bem enrolar a garota que é apaixonada por você a oito anos por mais um tempão? Por favor, vocês quase me mataram por enrolar a Claire por cerca de um mês e meio sendo que quando realmente começamos a namorar fazia um mês e meio que tínhamos nos conhecido. –Laura sabia como virar aquele jogo. –E não venha me dizer que conversou com ela pela primeira vez semana passada porque foi você que nunca conversou com a garota, se Cassie te conhece e é apaixonada por você a oito anos é porque vocês já tinham se visto antes, então para de enrolar.

—Tenho que concordar com a minha namorada. –Claire parou de rir. –Eu sei que você não estaria assim se ainda sentisse o mesmo por aquela vadia que a alguns dias.

—Espera, desde quando você sabe que eu...?

—Por favor Tália, eu não me meto nos problemas alheios, isso não quer dizer que eu não sei sobre os problemas alheios. Enfim, eu não ligo para os problemas dela comigo e nem me importo em entender o que ela tem contra mim, sei que o tempo que você passou apaixonada por ela te fez muito mal. É também o motivo que me faz notar o quanto os poucos dias em que você e a Cassie tem conversado te fazem bem.

—Eu sei, mas a Hill mandou pegar leve com isso. –Aquela clara tentativa de se justificar de Tália não parecia muito boa.

E contrariando a minha expectativa, a loira riu alto.

—Para o inferno. Maria Hill sabe muito bem como são os jovens que trabalham aqui e, vamos concordar, a mulher tem três filhos sendo um da minha idade, acha que ela tem a mais leve esperança de que qualquer um deles ou os herdeiros Fittz-Simmons sejam virgens ou sexualmente não ativos? Claro que não, ela conhece a gente muito bem. –Claire olhou para os dois agentes ao meu lado. –Fóton, diga sim ou não, acha que a Hill acredita que você é virgem?

—Só se ela fosse idiota, mas não, a tia Hill nem teria como ter essa ilusão. –Ele notou o olhar das três garotas e corou. –Eu usei uma das salas de reunião sem querer e... Claro que a Hill descobriu eu e a minha namorada, acompanhada da minha mãe para melhorar a minha sorte.

—Como foi que sua mãe reagiu? –E Claire se continha para não rir.

—Como uma pessoa sensata é que não.

Até mesmo Nik Hill ao meu lado ria depois daquela resposta e foi na mesma hora que Cassandra voltou para a mesa.

—Já terminaram de tentar me ajudar a convencer a cabeça dura ai que não ligo para o aviso da Hill?

—Acho que sim, mas não sei se resolveu muito. –Laura foi direta.

—Bom, valeu o esforço. –Cassandra entregou um copo de suco para Tália.

—Não vai dar problema com o lance da guarda se vocês começarem a sair? –E Claire lembrou de algo importante. –Quero dizer, você tem dezesseis e a Tália vai fazer dezenove, não é como eu que tenho dezesseis e a Laura que vai fazer dezoito, sua diferença pode gerar mais problemas que para nós.

—O juiz disse que tá tudo bem, eu vou continuar a terapia e a Hill age como uma leoa para proteger quem está sob sua tutela, Tália não vai ter chance te tentar me magoar. –Cassandra sorria presunçosa para a garota azul que engolia em seco, como se o problema não fosse a ameaça da comandante da Shield, mas de Cassie.

E acho que ela tem motivos para isso.

—Mudando de assunto, souberam da novidade? –Tália realmente parecia desesperada por outro assunto.

—Qual delas que eu perdi? –E novidade, Claire parecia gostar de uma fofoca.

—Valéria Richards está voltando para o país. –E diante das palavras de Tália mesmo eu fiquei surpreso.

Todos os jornalistas conheciam Valéria Richards de nome, mesmo fazendo a anos que a garota não aparecia em nenhum lugar com os pais, irmão ou tios, era como se tivesse sumido da face da Terra e muitos se perguntavam se não teria morrido durante algum projeto ou crise que o Quarteto esteve envolvido.

—Espera! –Claire parecia ser a mais chocada. –Primeiro como foi que ela convenceu o tio Reed disso? E ela não estava cursando o sexto doutorado consecutivo na Latvéria sob a supervisão do Victor Von Doom? O que me lembra, que lado a tia Sue tomou nessa briga?

—Primeiro ela não convenceu o tio Reed, só falou que tá voltando e o Von Doom parece ter concordado em ajudar, não sei mais detalhes sobre essa parte envolvendo a Latvéria. E sobre a tia Sue, você sabe que ela não toma partido nas brigas da família, só lida com os efeitos colaterais dos conflitos. –Tália riu. –O que me lembra que a Valéria quase destruiu o castelo do Von Doom de raiva da mania de controle e “superproteção” do tio Reed.

—Compreensível. –Todos encararam Laura. –Vamos concordar que meu sogro, Emma, os Stark, Parkers e Romanoffs juntos não são tão superprotetores com as filhas quanto o Reed é controlador com a Valéria. O cara isolou a filha na Latvéria sem nenhum motivo e única companhia diária dela era o Damian Von Doom. Valéria deve ser a única garota virgem de quase dezoito anos no planeta atualmente.

—Considerando que a média mundial é quinze anos, ela dever ser uma das poucas. –Claire comentou.

—Nada garante que a Sarah não seja também. –Cassandra não parecia ter muita certeza.

—Ela não é. –Claire deu um sorriso convencido. –As vantagens de estar sempre na casa dos Starks e Parkers é que você sempre está por dentro das fofocas da Mary Jane Watson. A verdade é que conheço poucas pessoas, além da Valéria, que tem mais de dezoito que ainda são virgens dentro no nosso círculo de conhecidos e também não acho que a filha do Loki conte como opção válida nesse quadro.

—Não conta. –A resposta foi unânime.

—E tem alguém dentro da média mundial? –Cassandra parecia surpresa.

—Você quer dizer que ainda não transou? –Cassie assentiu e Claire pareceu pensar. –Bom, tem a May Parker, mas o lance dela com o Nikolai tá indo lentamente, embora quase tenha rolado antes das férias. Até tem mais gente, só que... São pessoas que não gostam de ser expostos. Os outros ainda não tem quinze, que é quando parece que a nossa máquina de sexo é ativada.

—E quando a sua foi ativada? –Cassandra não tinha medo de perguntar, o que me ajuda muito.

—Um mês e meio antes do meu aniversário de quinze anos. –Claire estava tranquila ao dizer aquilo, o que achei interessante.

—Não foi meio cedo? –A resposta de Claire para Cassie foi apontar para Tália.

—Aconteceu parecido comigo, embora no meu caso e no da Alexis nossos genes demoníacos possam ter ajudado e no da Claire, vamos concordar que, para quem nasceu com o nível de mutação dela ativo, isso não é grande coisa. –Não que Tália estivesse preocupada.

—Christine foi aos quinze, ela jogou o Andy na cama uma semana depois do aniversário dela. James foi dois meses antes do aniversário de quinze anos, ele estava frustrado por causa daquela garota e foi em uma festa, chamou a atenção de uma menina mais velha e ficou com ela. Nate foi dois meses depois de fazer quinze anos, ele queria ficar com vocês sabem quem, mas ela é quase três anos mais nova que ele e nosso garoto perfeição fez igual ao James. Nikolai foi ano passado na semana do aniversário dele, o pobre coitado estava à beira de um colapso e Nate chamou James para ajudar, levaram ele em uma festa para conhecer alguém e não preciso nem dizer que deu certo. Tristan ficou com uma menina a algum tempo, nada sério e como ele ainda tá em crise por perceber que é bissexual não sei o que vai dar. O Robert também já ficou com uma garota, só que ele é tranquilo demais para ficar desesperado com facilidade. –Eu queria entender o que aquela conversa tinha de importante ou porque Claire sabia de tantos detalhes sobre a vida sexual dos amigos.

—Como diabos você sabe de tudo isso? –E Cassandra parecia tão curiosa quanto eu.

—Ela vai tanto nas reuniões dos garotos quanto das garotas. –Todos encararam Tália. –Eu também, mas isso não é relevante.

—É sim. –Todos respondemos.

—E o Ben e a Aisha? Nunca entendi como os dois se acertaram. –O comentário de Cassandra me deixou curioso.

—O Ben já tinha tido relacionamentos rápidos antes de conhecer a Aisha e nós sabemos que a princesa não é flor que se cheire quando quer uma coisa, mas ela esperou e entendeu que até chegar a ele outras garotas passariam pela cama dele. –Claire riu. –Na verdade, a consideração da Aisha pelo Ben é digna de nota já que os dois têm uma diferença de idade de sete anos e isso poderia ter dado muito errado.

—Ele realmente se apaixonou por ela quando eles se conheceram? –Laura parecia confusa, como eu.

—Até onde eu sei, ele ficou encantado com a menina de dez anos que o olhava com admiração, então no começo foi mais como uma afeição gentil; o Ben tinha dezessete anos e tinha acabado de ganhar o traje, então ele não era um tipo de tarado. –Claire não parecia ter problemas em explicar aquilo, o que facilitava a minha vida.

—Claro que depois de quatro anos trocando e-mails e conversando por mensagens, quando eles se reencontraram o Ben reparou que a Aisha não era nem de longe uma criança. Ela já tinha todos os traços do mulherão que se tornou e isso assustou bastante o nosso amigo, então ele pegou o primeiro voo para o Japão e passou mais um ano sem voltar para o país, o que resultou em uma convocação do pai dele. –Tália não parecia achar muita graça na tensão da história. –Quando Ben chegou evitou a Aisha de todas as formas e voltou para o Japão sem cruzar com ela, mas voltou seis meses depois para uma estádia de um mês.

—Ele chegou uma semana antes do aniversário de dezesseis anos da Aisha que literalmente se colocou na cama dele uma semana depois de se tornar maior de idade pelas leis de Wakanda. –Claire riu. –Tia Ororo nem ficou surpresa quando descobriu, só conversou com os dois e pediu para eles terem um pouco de juízo. Aisha virou embaixadora de Wakanda no Japão uma semana antes do Ben ter que voltar para o serviço e foi junto.

—Vai fazer um ano que isso aconteceu em janeiro. –Tália suspirou. –Se for ver, tem bastante gente em relacionamentos com pessoas mais velhas no nosso grupo.

Eu juro por tudo que é mais sagrado que acabei de ligar as palavras “princesa”, “Aisha”, “embaixadora no Japão” e “Wakanda”.

Elas estão mesmo falando da Princesa de Wakanda, Aisha N’Shuri Monroe, filha do rei T’Challa? Acho que não ganho o suficiente para me meter nesse tipo de confusão.

—Fala isso pelo James e a não namorada dele ou pelo Nate e o não relacionamento dele com a Alexis? –Laura foi irônica.

—Eu poderia começar com os pais da Claire, mas sim. E agora eu tenho essa garota me deixando a beira de um ataque cardíaco. –Tália indicou Cassandra que sorriu e eu não gostei do efeito que aquilo poderia ter.

—Não se preocupe, se você tiver um ataque cardíaco antes de te convencer a ser minha namorada e aproveitar isso qual seria a vantagem? –É, eu tinha razão em me preocupar.

Era estranho notar que aqueles jovens não eram tão diferentes em essência dos que faziam parte da minha família, mesmo sabendo que haviam grandes diferenças depois disso.

—Bom, nós vamos indo. Se precisar é só chamar. –E mesmo achando que talvez Cassandra não quisesse ser interrompida, eu sabia que suas palavras eram sinceras quando se afastou com Tália.

—Acha que elas vão se pegar hoje? –Me assustei com o comentário de Laura.

—Tália deve resistir mais um pouco, ainda que com toda a força de vontade dela não vai durar mais do que dois dias, conheço ela.

E depois da afirmação de Claire apenas me perguntei o que ainda poderia acontecer.

Olhei no relógio e suspirei.

Quatro da tarde.

Continua...

Notas finais
Atualmente posto minhas fics nos seguintes sites/plataformas de fanfics e histórias: Spirit https://www.spiritfanfiction.com/perfil/eucaristia Nyah! https://fanfiction.com.br/u/175167/ Wattpad https://www.wattpad.com/user/LillielEucaristia Acompanhe. Comente. Incentive. Todo autor precisa de sua dose de retorno para que as histórias não morram. Também escrevo uma série baseada em Percy Jackson e os Olimpiano, quem tiver interesse pode visitar meu perfil.