Marvel Universe: All Different World
31 Capítulo XXXI: Às Vezes Dias Longos Não Terminam, Só Mudam de Número.
Notas iniciais
Data Terrestre: 08 de Outubro
Maria Hill suspirou cansada e vencida.
Ela e Nick raramente podiam tirar seu dia de folga juntos por conta dos problemas que surgiam e, no caso dele como diretor, as inúmeras responsabilidades específicas do cargo que ocupava.
Não tinha problema para ela, normalmente passavam o tempo juntos se afogando em trabalho e, sempre que podiam, tiravam duas horas de descanso para ficarem juntos. O trabalho nunca foi um problema no relacionamento deles, pelo contrário.
O verdadeiro problema, e Hill sabia disso a anos, era como a falta de um deles tornava o dia do outro um verdadeiro inferno.
O principal exemplo disso estava no relatório de danos do evento com Jocelyn no dia anterior, o que não melhorava quando a pessoa que havia trazido o documento era Sharon e ela ainda acrescentava outras informações que não estavam no relatório por atraso na entrega dos dados de campo.
—E com isso ainda ficou faltando cerca de duzentos mil em danos ambientais, dos quais felizmente a Shield vai ser liberada. Continuamos com a contenção ativa porque as coisas ainda não se resolveram e Conner teve que ligar para uma pessoa. –Sharon sentou na cadeira enquanto a ideia de quem o garoto precisou chamar, e as duas sabiam a resposta, apenas deixavam o humor de Maria pior do que já estava. –Agora me faça o favor e vá dormir de uma vez, sua cara está simplesmente horrível.
Hill encarou a amiga tentando ver a piada, mas dessa vez não estava lá. O que era preocupante na opinião da morena.
—Você não parece muito melhor do que eu para dizer isso.
—Não é com um dos seus filhos que a mídia e um bando de idiotas está fazendo uma caçada as bruxas.
—Verdade. –Outro motivo para ela se sentir vencida era a dor de cabeça que o problema com Claire estava causando em todos. –Enfim, como foi o aniversário do James esse ano, eu não fiquei sabendo ainda.
Sharon suspirou um pouco desanimada.
—Não foi.
A morena pareceu estranhar.
—Como assim? Vocês sempre comemoram o aniversário deles com uma festa.
—Realmente, e esse ano por causa do mal-entendido do Steve com as meninas resolvemos fazer uma festa dupla, mas na véspera fomos avisados da missão e levamos as garotas junto. O James entendeu, como ele e a Claire sempre fazem quando não podemos fazer a festa por causa do trabalho.
—E por que não fizeram a festa no fim de semana?
—Porque pedimos para a Claire ir para o colégio com os asgardianos e como incentivo concordamos em deixar ela ir para o Instituto e o James foi para a Torre. Só que tivemos todo aquele problema, Steve está fazendo uma viagem para conexões como o Fury sugeriu e eu estou trabalhando.
Depois de ouvir aquilo Hill ficou realmente preocupada.
—Então não vai ter nenhuma comemoração?
Sharon riu.
—Claro que vai. Só não sei ao certo quando vamos conseguir fazer, inclusive já conversei com o James e ele entendeu. –Um suspiro resignado escapou da loira. –Para uma criança que acabou de fazer sete anos ele é muito mais inteligente e compreensivo do que eu gostaria, mas ainda é uma criança que espera por uma comemoração de aniversário. –Sharon olhou novamente para Hill. –O que diabos está te preocupando?
A mulher morena riu. Como explicar que não era apenas uma coisa que a estava deixando tensa.
—Começamos pelo possível motivo que fez Jocelyn surtar? –Sharon fez uma careta, o que fez Hill imaginar que ela também tinha uma ideia do motivo. –Depois tem a audiência de custódia que Cassie Lang pediu para sair da casa da mãe e a qual eu ajudei com a petição.
A loira riu daquela parte.
—Admita, a garota sabe o que quer.
Hill ignorou o comentário.
—Depois tem o procedimento de infusão de adamantium nas garras de Rose Frost no Instituto, o que deixou um monte de gente com os nervos à flor da pele.
—Eu sei, vi a cara da Laura e da Christine ontem.
—Fora isso a Natasha veio me contar ontem à noite que a Alexa está namorando Wolf Lokison. –Dessa vez Sharon não falou nada pelos primeiros cinco segundos e depois começou a gargalhar com vontade. –Isso não tem graça.
A loira levou um minuto para conseguir controlar a crise de riso antes de responder para a Comandante ainda rindo um pouco.
—Tem muita quando você sabe perfeitamente bem que isso podia ter acontecido desde que essa confusão começou.
Hill olhou para a outra mulher por um segundo antes de dar uma risada contida.
—Tudo bem, nisso você tem razão. Ainda assim eu ainda tenho o possível futuro namoro da Cassie com a Tália para lidar.
—Espero que dê certo para as duas.
—Eu também. –Hill suspirou. –Depois tem os preparativos para a viagem até Washington, o que tá me deixando louca.
—E para quando ficou essa viagem?
—Não é uma data certa ainda devido aos preparativos políticos do Nick, mas coisa de um mês ou dois no máximo.
Dessa vez foi Sharon que olhou preocupada para Hill
—Muita coisa pode acontecer nesse meio tempo.
—Nem me fale. Sempre penso que a um mês não tínhamos um bando de asgardianos na casa do Tony. Há duas semanas, sua filha não tinha nem mesmo mais um mal-entendido com o pai e estava no ápice do desempenho de funções entre a escola, a Shield e o Instituto. Há uma semana minha maior preocupação era não pegar esses adolescentes pervertidos transando em uma das minhas salas de reunião ou de controle.
—Ou na área de serviço da sua casa. –Hill olhou para Sharon surpresa. –Ainda não aconteceu, e acho que foi sorte.
As duas riram e na mesma hora a porta da sala se abriu.
Hill olhou para a pessoa parada na porta e encontrou Claire ali.
—Bom dia. Vim avisar que vamos sair.
—“Vamos”?
—Sim. Eu, a Laura, a Chris e o Andy. –A garota apontou para trás e logo os outros três entraram na linha de visão da Comandante por alguns segundos.
—De onde vocês estão vindo?
—Dos nossos dormitórios.
Hill traduziu aquilo na mesma hora “Laura dormiu no meu dormitório comigo e Christine se enfiou no do Andrew com ele”, mas até ai não seria a primeira vez que isso acontecia. Era o preço de ter dormitórios fixos para eles ficarem quando não podiam ficar em casa fosse pelas missões que faziam ou pela ausência prolongada dos pais em missão ou mesmo pelos treinamentos de verão.
—E para onde vão agora? –Ela precisava saber dos passos de Claire nas próximas horas ou, pelo menos, ter ideia de como encontrá-la.
—Para a Torre, Tristan pediu que eu fosse lá conversar com ele, só não faço ideia do assunto. –Depois ela ergueu o pulso onde uma pulseira de monitoramento cardíaco estava. –Fittz me entregou ontem. É um monitor cardíaco se alguém perguntar e até executa essa função; na verdade é um GPS com precisão de cinco centímetros em todo o mundo. Então vocês podem saber onde eu estou até o problema se resolver.
—E você tá bem com isso?
Claire deu de ombros para a pergunta de Hill.
—Não vou ficar presa aqui, se essa é a alternativa eu posso aguentar.
Hill tentou não parecer incomodada com a indiferença da garota.
—Tudo bem, apenas tomem cuidado. –A garota concordou saindo da porta da sala e fechando a mesma, só então ela encarou Sharon. –O que você pode me dizer?
—Ela não gosta da ideia do GPS, mas pode lidar com isso. De todos os problemas que essa confusão trouxe pra ela, Claire considera isso uma distração sem importância.
Hill ligou o televisor da sala no noticiário que mostrava a frente da Shield no momento em que um carro e duas motos civis saiam do estacionamento. Pelo que ela pode ver por um motociclista com uma câmera embutida no capacete que seguiu os três Maria Hill deduziu que alguém passou a numeração da placa da moto de Claire para a imprensa, provavelmente a direção da escola, assim como fizeram com a foto dela.
—Eles vão seguir ela para todos os lados.
—Eles acharam a nossa casa ontem. –A morena encarou Sharon. –Foi a noite quando não tinha ninguém, a vizinha ligou me avisando. Ela e os outros vizinhos pediram para a polícia criar um perímetro de segurança na rua para que a imprensa não ferre com a gente e com eles, afinal de contas aquela é uma rua residencial cheia de famílias com crianças.
—Eles alegaram preocupação com a segurança também sobre os grupos anti-mutante?
—Com certeza. Eu também avisei o Tony e ele já acionou os advogados para verem isso.
—Imagina como eles conseguiram o endereço de vocês?
—A escola.
Hill ficou irritada.
—Quando eu pegar os membros da direção dessa escola, juro que eles vão querer enfrentar Illyana Rasputin no Limbo enquanto ela está possuída pela Filha das Trevas.
Aquilo fez Sharon rir.
—Se eles tiverem que enfrentar só você por mim vai ser pouco. –Hill imaginou que tipo de coisa se passava pela mente de Sharon para dizer isso, mas não conseguiu chegar em uma conclusão antes da loira voltar a falar com ela. –Agora é sério, vá descansar. Se tiver alguma sorte e o Nick ainda estiver dormindo você pode ter umas duas horas de casal com ele.
—Não posso deixar a Shield sem supervisão.
—Eu e Daisy estamos aqui, a Shield não está sem supervisão.
Hill pareceu considerar a oferta.
—Me chame se tiver algum problema grande.
Sharon concordou e Hill levantou saindo da sala em direção a seu apartamento alguns andares abaixo.
Lá ela encontrou Nick ainda dormindo.
Maria tomou um banho e deitou ao lado do marido que a abraçou.
—Bom dia meu amor, muitos problemas?
—Alguns, mais tarde você fica sabendo.
—Que horas são?
—Seis e meia Nick.
Ele sorriu a mistura de sono e ideia brilhante que Maria conhecia muito bem.
—Então temos tempo para nós.
Foi a vez dela sorrir.
—Sim, temos.
====================X====================
Assim que pararam na frente da Torre Stark os três notaram que a confusão não havia apenas os acompanhado até ali, ela já estava lá também. A segurança da Torre estava tendo sucesso em manter os repórteres e grupos de protesto longe, o que não facilitou para eles deixarem as motos e o carro para serem estacionados sem serem fotografados.
A imagem de Claire deixando a moto e cumprimentando os dois seguranças enormes que vieram falar com ela certamente seria a festa para a imprensa que, no dia da coletiva, não apenas criticou Tony por tomar partido dela, como o chamou de mentiroso por dizer que a garota era um membro da sua família.
As coisas ficaram ainda mais intensas quando Mary Jane e Peter pararam logo atrás do carro de Andrew, eles pareciam voltar de alguma festa chique que podia ser tanto por conta da empresa como um evento do meio artístico. Os dois abraçaram Claire, Laura, Andrew e Christine antes de notarem de fato as câmeras e finalmente acenar para os repórteres que pediam declarações não apenas deles, como dos quatro jovens.
Nenhum deles atendeu a esses pedidos, o que certamente renderia duras críticas a Stark Inc., Peter Parker e Mary Jane apesar de o casal ter posado para algumas fotos antes de seguir os jovens para dentro do prédio. Todos eles sabiam que seria assim, mas como não havia muito que pudesse ser feito eles apenas se contentaram que já estava feito. Mesmo por que uma declaração qualquer, por menor que fosse, poderia piorar a situação.
Claire e os outros deixaram Peter e MJ subirem sozinhos, enquanto esperavam Tristan que assim que soube que eles estavam ali resolveu descer. Foi nesse meio tempo que Tália apareceu trazendo Alexis... E Nathan.
Logo em seguida a teleportadora sumiu dizendo que tinha alguma coisa para fazer, sem entrar em detalhes do que era.
As surpresas não pararam quando Tristan apareceu com Alexa e Wolf ao seu lado, além de um Robert que parecia um tanto quanto surpreso.
—Oi pessoal. –Tristan pareceu um pouco incomodado com o número de pessoas. –Eu não esperava todos vocês. –Ele passou a mão no cabelo. –Vocês tomaram café? –Todos concordaram ainda esperando que ele começasse a falar. –Vamos dar uma volta até a pracinha.
Claire suspirou.
—Você viu a zona ai na frente? –Ela às vezes se perguntava a quem o garoto havia realmente puxado.
—Eu vi, só não me importo com isso agora.
—Tem certeza disso? –Ele olhou para Christine que parecia mais tranquila que todos os outros enquanto esperava por uma resposta.
—Tenho.
O grupo ficou um pouco preocupado, porém como o garoto havia chamado eles, ou pelo menos parte deles, resolveram que iriam com ele até que Tristan se sentisse pronto para falar.
Passaram pela porta do prédio, o que voltou a chamar a atenção dos repórteres, e mesmo com as tentativas de contato com os jovens nenhum deles dava a menor atenção. Meia dúzia de seguranças que seguia o grupo conseguia apenas manter os repórteres afastados para que os jovens pudessem andar.
Tristan andava a frente do grupo um pouco distraído ao lado de Robert que ainda parecia em choque, em seguida estava Alexa e Wolf seguidos por Claire que andava ao lado de Nate e Christine, para o desespero de Laura, Alexis e Andrew que estavam logo atrás, e não melhorou quando os três finalmente começaram a falar.
—Estou surpresa que Alexa está namorando o asgardiano. –Claire, apesar do que falou, estava sorrindo do jeito malicioso de sempre sem se importar com os repórteres que os seguiam.
—Surpresa com o fato ou com a coragem dela? Porque ele parece do tipo que é selvagem na cama. –Christine ria da situação.
—Ai meu Deus, vai começar. –Laura chorou logo atrás deles.
—Se ele é selvagem ou não esse não é o ponto. –Nate fez suspense. –Mas se de fato é, isso significa que ela gosta ou que é tão selvagem no sexo quanto ele.
Isso fez os três rirem, enquanto os parceiro de cada um logo atrás ficavam ainda mais envergonhados por saber como aquelas conversas normalmente terminavam. O que não melhorou e nada quando Wolf virou na direção dos três.
—Se querem mesmo saber ela é bem selvagem sim e me deu trabalho manter a calma; mesmo que eu tenha sido o primeiro dela e pretenda ser o último acho que ainda vou me surpreender com Alexa na cama.
—Wolf! –A ruiva deu um tapa no braço do namorado.
—O quê? Falei alguma mentira?
Ela suspirou.
—Esqueci que você mesmo disse que era meio burro para assuntos complexos.
—O que tem de complexo sobre duas pessoas que se amam fazendo sexo ou seja lá como vocês chamam? Sexo e amor quando na mesma relação são a coisa mais simples e natural do universo.
Dessa vez todos acabaram rindo das palavras de Wolf.
—Sabe Alexa, acho que no final você arrumou foi um excelente namorado. –E como as palavras de Christine vieram acompanhadas da concordância de Claire e Nate, a ruiva sabia que a Frost estava sendo sincera.
As duas às vezes se estranhavam, mas Alexa sabia admitir quando a loira tinha razão.
—Aliás, você deve ter tido um dia cheio ontem já que eu, a Laura e a Christine não fomos no Instituto ontem para as aulas do sábado. –Claire encarou Nate que riu.
—Tá brincando, nem eu dei aula ontem e meu pai não deve estar feliz com isso.
—O que aconteceu? –Christine parecia preocupada.
—Nada demais. Ajudei Alexis com uma coisa, depois fiquei sem condições de sair da cama. –As duas loiras sorriram de forma maliciosa. –Não que eu esteja reclamando, Alexis resolveu cuidar de mim por conta do que ajudei ela e tive um dia com uma vista linda e sexo a madrugada inteira.
—Até ai eu também tive sexo a noite toda. –Christine falou aquilo como se falasse que o céu estava bonito.
—Como se você fosse a única. –E Claire sorria satisfeita com o que dizia.
—Pelo amor de Deus, parem com essa conversa. –Andrew estava tão vermelho que Laura perguntava quando o cabelo dele ia virar fogo, não que ela mesma estivesse em uma situação melhor.
—E alguém sabe do James? –Laura tentou mudar o foco da conversa.
—A Helena passou no Instituto ontem antes do almoço e levou ele para a casa dela. –Nathan riu. –Se conheço bem seu irmão e aquela garota eles devem ter transado a noite inteira e ainda devem estar fazendo isso.
—Nossa, o James deve estar se sentindo tão feliz com isso. –Claire ria ao dizer aquilo.
—Que Helena? –Alexa pareceu curiosa desviando a atenção do que falava com Wolf.
—Helena Strange. –Nate estava bem calmo respondendo a garota.
—Desde quando? –A ruiva estava realmente surpresa.
—Não faço ideia. –E mesmo que a resposta de Nathan parecesse uma mentira a garota aceitou, o que permitiu que a conversa voltasse ao rumo.
—Feliz? James deve achar que tá no paraíso. –Christine sorria com a piada. –Sabia que ela já chegou a enrolar ele por duas semanas antes dele ir quase possuído até a casa dela ou ela aparecer desesperada atrás dele?
—Duas semanas? Caramba, eu só fiquei tanto tempo assim sem sexo quando não tinha nenhum pretendente a namorado ou estava me acertando com a Laura, é um saco. –Claire parecia realmente espantada com o que ouvia sobre James.
—Por isso você acabou namorando gente idiota como o Josh. –Nate não ria ao dizer aquilo.
—O pior é que ele ainda era ruim de cama. Muito ruim mesmo. –Claire pareceu realmente irritada ao lembrar daquilo.
Àquela altura da conversa os parceiros dos três já estavam quase mais calmos porque as coisas pareciam ter estabilizado e não chegaria até eles.
—O que me lembra, seis relacionamentos, três garotos e três garotas, qual o melhor namorado? –Nate estava tão calmo que os três logo atrás demoraram para notar o rumo da conversa.
—Meu primeiro namorado. –Claire sorriu. –Ele foi ótimo e foi o primeiro mesmo, quando a gente terminou ainda ficamos amigos e sempre que ficava muito tempo sem um relacionamento procurava ele.
—Por que não deu certo mesmo? –Nate olhava para a garota mais nova achando estranho.
—Ele queria um relacionamento aberto e eu não. –O garoto riu diante da resposta. –Ele ainda é uma ótima pessoa e o meu segundo melhor relacionamento. Se fosse o pior namorado seria o Josh, ainda que a única coisa que salve o Drake de um empate seja que ele nunca foi um babaca comigo.
—O Drake é um babaca com todos, só que morre de medo de você. Por isso não foi um namorado tão ruim. –Chris falava como se fosse óbvio.
—Mas e a melhor namorada? –Nate sabia que não tinha porque continuar no assunto “por que Drake Thorson é um imbecil?”, então mudou o foco.
—A Laura, sem dúvida.
—E as outras duas? Pensei que a Laura era nova nesse tipo de relacionamento. –O questionamento de Nate fez as duas garotas rirem.
—Ela é, mas aprende rápido. –Quando Claire disse aquilo Laura ficou vermelha de vergonha. –Fora que com exceção da Laura e do meu primeiro namorado eu dei a sorte de só namorar imbecis e no geral eles não eram muito bons de cama, ainda que as garotas estejam acima dos garotos. E só para constar a Laura é meu melhor relacionamento até hoje.
—Isso é uma informação interessante. –Nate sorriu achando graça, porém Claire cortou o comentário que ele parecia formar.
—Sua vez, qual a melhor no sexo: Tália ou Alexis?
—Claire! –A garota fez de conta que não ouviu a reclamação de Alexis.
—A Tália é ótima, não vou negar. Ela é toda desenvolta e atrevida, o que é muito bom, e agora que ela saiu sei que vai fazer feliz outra pessoa. –Nate riu. –Quem sabe não é a garota que beijou ela aquele dia. –Dessa vez todos riram. –E se eu tenho que escolher alguém é a Alexis.
—Nathan! –Ele também fingiu não ouvir a reclamação da garota as suas costas.
—Ela é mais tímida no começo e não consegue se soltar muito por causa dos poderes dela, mesmo assim quando Alexis se solta é a melhor coisa do mundo. Nessas horas eu sei que vale a pena cada segundo, especialmente quando consigo fazer ela se soltar e subir...
Na mesma hora Alexis tapou a boca de Nate que não conseguiu terminar o que ia dizer.
—Pode parar ou eu não volto a te procurar por uma semana. –Ela ameaçou, mas Nate tirou a mão dela da sua boca.
—Nós sabemos que nenhum dos dois aguenta uma semana sem sexo.
—Então para de falar.
Nate bufou.
—Que seja. –Ele encarou Claire. –Então as coisas com a Laura são quão boas?
A garota sorriu.
—Depende do que você quer saber ou se você está falando de quando ela toma a iniciativa... –Infelizmente para a conversa, Laura fez o mesmo que Alexis.
—Eu vou para o Canadá se você continuar.
Claire afastou as mãos dela da sua boca.
—Isso não é justo, vocês estão tirando a graça da conversa.
—Gente, eles tem vergonha de falar disso assim. –Christine ria. –Não lembram que quando fomos para Vegas eles ficaram assim e todo mundo tinha concordado em ter uma conversa sincera sobre sexo. O Andrew quase incendiou o hotel quando falei que para mim era normal sentar sobre o corpo... –Diferente das duas garotas Andrew beijou a loira que olhou para ele sorrindo. –Vai fazer alguma ameaça?
—Não, espero conseguir apelar para o seu bom senso sobre discrição.
A loira piscou e pulou no pescoço do namorado o beijando, quase fazendo ambos irem ao chão sob os risos de Nate, Claire, Laura e Alexis.
—Eles são fofos. –Laura comentou mais relaxada.
—Verdade. –Os outros três concordaram.
—Por que eu fiquei com um bando de pervertidos para me ajudar? –Tristan resmungou e Claire deu seu melhor sorriso sacana.
—Sei lá, o problema é seu e eu fui chamada de consultora sem nem saber o motivo.
—Estou na mesma situação. –Alexis, às vezes, conseguia acompanhar até o sorriso sacana de Claire.
—Eu não chamei os outros. –Tristan ainda estava resmungando.
—E desde quando nosso grupo, especialmente os que namoram ou tem algum relacionamento vagamente parecido com namoro, é do tipo que temos que lidar com apenas aqueles que chamamos? –E o ponto de Alexa foi tão certeiro que Tristan desistiu enquanto Wolf ria de tudo que acontecia.
Eles seguiram ainda sob olhares de lojistas acostumados a maior parte do grupo que acenavam e olhares de alguns clientes desconfiados, sendo seguidos pelos seguranças e repórteres até uma pracinha onde sentaram na grama enquanto Tristan ainda andava de um lado para o outro parecendo pensar no que falar. Ele continuou aquilo por cerca de cinco minutos até que Claire levantou e o segurou pelos ombros.
—Respira e fala.
O garoto respirou fundo pelo menos cinco vezes antes de falar.
—Eu sou bissexual.
Claire pareceu um pouco surpresa, Alexis levantou do chão e andou até ele colocando a mão no ombro do garoto como se tentasse acalmá-lo ou algo que apenas ela poderia realmente explicar com o delicado sorriso que direcionava ao amigo.
—Caramba, achei que era algo mais grave. –E então todos olharam para Christine. –O que foi? Ninguém mais percebeu?
Claire se afastou um pouco do garoto mudando o peso do corpo de perna duas vezes antes de realmente falar alguma coisa.
—Eu tinha pensado algo sobre isso a uns três anos, mas achei que era bobagem.
—Eu admito que desconfiava, mas também achava que como não é assunto meu não devia me meter. –Alexis confessou.
—Eu descobri a duas semanas, só que também não é assunto meu. –Dessa vez até Christine olhava surpresa para Alexa. –O que foi?
—Então esse era o grande segredo de vocês esses últimos tempos. –Robert também não parecia mais chocado com aquela informação do que ficou ao saber sobre o namoro da irmã.
—Eu ainda estou pirando por causa disso e vocês ficam dizendo que era óbvio? –Tristan realmente não parecia entender aquelas reações.
—Óbvio não era porque eu não imaginava, só não chega a ser algo estranho. Nosso grupo tá cheio de gente que é ou conhece um gay, uma lésbica ou um bissexual, pan ou qualquer que seja a denominação que as outras pessoas usariam. –Andrew era sempre o mais cabeça fria, uma irônica comparação com o seu poder.
—Verdade. Só para demonstrar aqui nesse grupo, contando com você tem no mínimo quatro que não se encaixam na visão de heterossexualidade padrão; a coisa só fica mais complexa se considerarmos que Wolf é um deus-lobo, Alexis é meio demônio e alguns não classificados como humanos. –Nate olhou para Laura e disse da forma mais sincera do mundo. –Não sei como você se identifica.
A garota deu de ombros.
—Eu gosto da Claire. Só isso.
Nathan concordou com um sorriso divertido pela sinceridade da morena e encarou Tristan.
—Viu, é simples. Mas se precisar desabafar pode falar com a gente que todo mundo pode ouvir, se tiver dúvida fala com as meninas e se quiser namorar é só sair a luta como todo mundo.
Tristan riu e olhou ao redor, notando que o número de repórteres ao redor crescia, mesmo que muitos não se aproximassem por medo de serem mortos, fosse pelos seguranças ou pelos mutantes.
—Vamos sair daqui. –Ele estava mais calmo depois de tudo.
—Para onde? –A pergunta foi geral.
—Pensei no Instituto.
Todos se entreolharam e alguns foram conferir a hora no relógio, não era nem oito da manhã ainda.
—E como a gente vai? –Alexa encarou o Stark.
—Posso levar todo mundo. –Alexis comentou.
—Como? –Nem mesmo Wolf precisou de aviso quanto ao tom de voz da namorada para notar que a russa ruiva não gostava da russa loira.
—Magia.
—Estamos dentro. –E como a maioria concordou eles se juntaram ao redor de Alexis que olhou para Wolf.
—Pode me emprestar um pouco do seu poder?
Ele deu de ombros concordando e ela segurou a mão dele começando o feitiço.
Logo eles sumiram para o espanto dos repórteres que começaram a encarar os seguranças.
Um deles apenas virou para os demais e perguntou:
—Café?
—Café. –Concordaram e todos saíram na direção da cafeteria mais próxima, para a decepção dos repórteres que teriam que se contentar com o que puderam pegar das conversas entre os jovens. Conversas que eles consideravam bobas.
====================X====================
Assim que deixou Alexis e Nathan na Torre Stark, Tália fugiu para o seu primeiro compromisso, o único que ela não queria ter que lidar em um dia como aquele depois do tempo maravilhoso que passou ao lado de Cassie.
Então ela decidiu ir ao encontro de Conner Banner pelo bem de todos, incluindo o dela e Cassie, mesmo que isso significasse se encontrar com Jocelyn em um momento em que isso era tudo que ela não desejava. O que ainda era estranho, porque desde que viu a garota, quando tinha seis anos, Tália se apaixonou perdidamente, mas doze anos depois isso só havia causado sofrimento nela. Agora, a simples ideia de ir ao “resgate” da outra garota apenas a irritava, e não de uma forma boa.
Respirou fundo depois de quinze minutos encarando a divisa da área de contenção que a Shield montará para manter Jocelyn depois dela se acalmar e voltar a forma humana.
—Problemática. –Resmungou um pouco mais irritada do que esperava.
A garota teleportou novamente até a central de comando onde encontrou Coulson e May.
—Chegou faz tempo? –Ele parecia cansado, como a mulher.
—Quinze. –Ela olhou para os monitores. –Conner está esperando o pior?
—Para variar. –Ela entendia o mau humor de May.
Qualquer um ficava assim quando tinha que lidar com Jocelyn e agora, de uma forma que ainda lhe era estranha, Tália começava a entender isso.
—Tudo bem, vou lá.
Ela se teleportou novamente, dessa vez para o espaço em que Conner e Jocelyn estavam: uma área arborizada que havia sido devastada pelo confronto dos dois irmãos. Tália ignorou aquilo e acenou para o garoto que respirou fundo, como e estivesse se preparando para um novo round contra a irmã, o que realmente poderia acontecer.
A mutante se aproximou da Banner e sentou em um tronco de madeira caído logo à frente da mais velha que levantou a cabeça, levou alguns segundos antes de Jocelyn sorrir e levantar para abraçar Tália, o que a obrigou a se levantar, mesmo a garota não retribuindo o abraço, para surpresa dos dois irmãos. Mas a Banner ignorou a reação atípica da mutante.
—O que houve Jocelyn? –Foi a única saudação que Tália deu para a garota.
Conner se sentiu um idiota por aquela situação, para ele parecia que desde o dia anterior, mesmo pensando que Tália talvez não tivesse percebido ainda, toda a paixão da mutante pela irmã dele estava de alguma forma sumido com uma rapidez que ninguém poderia realmente explicar. Ou ao menos era como o garoto via as coisas.
Felizmente para ele, Jocelyn pareceu não notar.
—É essa história toda com a Claire, está me irritando.
Tália se afastou de Jocelyn, o que finalmente chamou a atenção da mais velha.
—E o que exatamente está te irritando nisso?
—Tem que eu avisei que se ela continuasse com aquilo isso aconteceria. –A Banner parecia ofendida com a pergunta e o fato de ter que responder.
—Isso não é da sua conta e sim dela. –Tália encarou a Jocelyn. –Não é sua decisão se ela vai ou não passar a viver como um adulto aos dez ou aos vinte anos, é ela quem tem que decidir abraçar tudo ou nada. –A mutante se sentia realmente irritada. –Até porque ela já é muito mais responsável que qualquer adolescente de dezesseis anos.
—Não é disso que eu estou falando. –Tália a encarou como se perguntasse do que diabos Jocelyn queria dizer afinal. –Eu sempre falei que essa coisa dela gostar de garotas e garotos daria errado e deu, essa confusão é por causa disso. –Ela notou a cara incrédula da mutante. –O quê? Vai dizer que se ela não fosse abertamente bissexual ou não tivesse reprimido esse lado nojento de gostar de mulheres isso ainda teria acontecido?
—É claro que teria. Essa confusão não é porque a Claire transa com homens ou mulheres ou ambos, é porque alguns babacas imbecis não gostam de mutantes. A diferença é que essas mesmas pessoas odeiam todo mundo que não é igual a eles e resolveram colocar tudo que não gostam na Claire no mesmo pacote. Essas pessoas não querem crucificar a Claire por ser bissexual ou mutante, mas por tudo isso e, principalmente no caso da escola, pelo fato dela ter terminado com o canalha popular do colégio. –Mesmo Conner se assustou com a intensidade das palavras de Tália.
—Não teriam não, porque para começo de conversa se ela não quisesse imitar a Rasputin, a Claire ainda estaria com o primeiro namorado dela. –Jocelyn parecia se ofender com as palavras da garota.
—Não estaria porque ele era pansexual e queria um relacionamento aberto.
—Como é?
—Isso mesmo. Então para de achar que sabe de tudo e passa a ser mais inteligente, ninguém do nosso grupo, seja na Shield ou no Instituto ou mesmo nos Vingadores liga para sexualidade da Claire, nem os pais dela, é só você que fica pegando no pé de todo mundo por causa disso. –Tália chutou uma pedra no chão. –Quem não tem pais legais como os da Claire já tem muito com o que lidar para ter que ficar ouvindo suas implicâncias idiotas sobre isso.
—Mas é errado! –Jocelyn gritou irritada.
—Não é! –O grito de Tália assustou a Banner. –O que tem de errado afinal em amar alguém e querer ser feliz com essa pessoa se ela retribui o sentimento? Nada. Houve mais de uma vez na história que as pessoas falaram que era errado amar ou casar com quem os outros amavam porque não eram da mesma cor, da mesma religião, do mesmo país, por status social ou da mesma ideologia social, até mesmo questionamentos sobre casamentos entre espécies alienígenas com a humana já aconteceram e a única coisa para a qual serviram foi para causar dor. Então não tem nada errado na Claire e a Alexis serem bissexuais ou na Laura mesmo sendo algo mais próximo de um heterossexual se apaixonar pela Claire e querer viver isso?
—Eu não entendo porque você insiste em defender elas.
—Porque eu sou bissexual Jocelyn, sempre fui e você sempre soube.
—Você transa com o Nathan.
—Eu também transo com a Alexis e, sinceramente, gosto muito mais de estar na cama com ela do que com ele, mesmo que o Nate seja incrível em todos os aspectos possíveis.
—Você transa com outros homens.
—E com outras mulheres também! –Jocelyn se assustou com aquele grito, enquanto Tália apenas respirou fundo e voltou a sentar no tronco de árvore. –Eu sempre gostei de homens e mulheres, até mais de mulheres do que de homens.
—Isso não faz sentido. –Tália notou que Jocelyn parecia que estava ficando transtornada.
—E faz sentido você transar comigo durante todo um fim de semana e depois fazer de conta que não aconteceu? Faz sentido depois disso não apenas passar a me tratar apenas como amiga conveniente, como também esfregar as suas transas na minha cara? Faz sentido você fazer pouco de mim e ainda me humilhar com isso mesmo eu tendo sido apaixonada por você durante doze anos?
—E desde quando eu tenho culpa que você é apaixonada por mim? Sempre disse que acho esse tipo de coisa nojento.
Tália suspirou vencida, aquela era uma briga que não valia a pena e ela realmente não queria lutar ou mesmo ganhar.
—Você não tem culpa, não que isso seja um problema, já passou depois de tudo.
—O quê?
—Minha paixão por você. –Tália riu. –Demorou doze longos e amargos anos, mas agora eu simplesmente não sinto mais a necessidade de estar perto de você ou a leve palpitação nervosa de quando você me abraçava. Demorou tanto tempo para eu poder te ver como você realmente é, sem o filtro de amor que me mantinha longe da realidade, e tudo que precisei para ver que eu estava amando uma pessoa que não me merecia foi passar um dia conversando com alguém que passou os últimos oito anos apaixonada por mim. –Ela não estava olhando diretamente para Jocelyn, apenas pensando em Cassie, algo que não conseguia evitar de fazer mesmo naquele momento.
—Você está namorando?
Tália sorriu ainda sem olhar diretamente para Jocelyn, ainda relembrando como Cassie era tão absurdamente algo que se encaixava na sua vida sem esforço. Um evento natural e quase brutal de tão repentino.
—Ainda não, só começamos a conversar um pouco e andar por ai juntas, o que é surpreendentemente bom de um jeito diferente e saudável. –Só então Tália encarou a Banner que estava vermelha de raiva. –O que foi dessa vez?
—Você pretende namorar essa garota?
—Talvez, isso depende um pouco dela também, mas é uma possibilidade. Algo que combinamos de analisar juntas no futuro.
—Você não pode! –A Banner gritou fazendo Conner realmente ficar preocupado.
—Por que?
—É errado!
Tália riu.
—Novidade Jocelyn, eu não ligo para a sua opinião.
E então tudo realmente virou uma bagunça.
Jocelyn cedeu a ira e se transformou em Lyra.
Conner se transformou em Skaar e começou o processo de contenção.
Tália por outro lado apenas se teleportou para o comando que já se mobilizava para não apenas conter os danos e se afastar do epicentro da batalha como, se necessário, intervir na briga.
—Sinto muito pela confusão. –Foi a primeira coisa que ela disse a Coulson.
—Tudo bem, ela já estava para se transformar novamente mesmo, não chega a ser uma surpresa, só fiquei feliz por você. –Coulson estava mais calmo do que a garota esperava.
—Realmente, pelo menos uma boa notícia para alguém. –O comentário de May realmente surpreendeu Tália.
—Obrigada e novamente, eu sinto muito pela confusão.
—Tudo bem, pode ir que a gente lida com isso do jeito que for preciso.
Tália concordou se sentindo ainda um pouco culpada e se teleportou para Nova York.
Ela sentiu o celular vibrar no bolso e pegou vendo uma mensagem com o nome de Cassie que dizia:
“Mamãe foi para uma festa chata de adultos,
vem me buscar para irmos até o Instituto.
Quero conhecer sua casa.
Te espero no mesmo lugar de ontem.”
Tália realmente riu e sorriu com aquela mensagem e nem ao menos ligou que Cassie não perguntou se podia ir ou se ela queria vê-la, a garota loira apenas disse o que queria fazer como se soubesse que não teria uma negativa.
Tudo que Tália conseguia fazer era sorrir ao se teleportar para o beco perto da lanchonete do dia anterior e logo viu Cassie parada na porta do lugar, que ainda estava fechado. Ela se aproximou da garota.
—Pensei que estaria lá dentro.
—Eles abrem apenas as oito, falta cinco minutos. –Mas tudo que Tália conseguia fazer era sorrir ao ver Cassie, que se vestia quase da mesma forma que no dia anterior. –O que foi?
—Nada, só estou feliz de te ver.
Cassie sorriu de uma forma cínica.
—Não seja tão sincera ou eu vou me aproveitar de você pra valer.
Aquilo fez Tália engolir em seco e um calafrio percorrer sua espinha, enquanto lembrava que Hill havia pedido para ela pegar leve nas coisas com Cassie até a audiência de custódia da garota.
—Vamos para o Instituto então?
—Vamos.
Tália passou o braço pelos ombros da garota e as duas se teleportaram dali.
—
—
—
Continua...
—
—
—
No próximo capítulo: The Twins.
Fale com o autor