Marvel Universe: All Different World

46 Capítulo XLVI: Nathan – Insaciável.


Notas iniciais
Atualmente posto minhas fics nos seguintes sites/plataformas de fanfics e histórias: Spirit https://www.spiritfanfiction.com/perfil/eucaristia Nyah! https://fanfiction.com.br/u/175167/ Wattpad https://www.wattpad.com/user/LillielEucaristia Acompanhe. Comente. Incentive. Todo autor precisa de sua dose de retorno para que as histórias não morram. Também escrevo uma série baseada em Percy Jackson e os Olimpiano, quem tiver interesse pode visitar meu perfil.

Data Terrestre: 10 de Outubro

Meu corpo estava exausto e não sei se isso é algo ruim.

É ruim para a Alexis que ainda parece estar sob o efeito da Festa do Limbo, o que é preocupante, já que normalmente os poderes demoníacos dela voltam ao normal depois de algumas horas, e não é o que tá acontecendo.

Levanto colocando minhas roupas e sigo até o lado da cama onde ela se encolheu tremendo, como se o frio do outono do lado externo a estivesse afetando. Coloco minha mão em sua testa, mas ela está quente como sempre, algo típico da sua natureza de demônio e que a impede de ser afetada pelo clima.

—O que está sentindo? –Arrisco.

—Dor. –Ela deixa um gemido sofrido escapar. –Meu corpo todo... É como ser rasgada ao meio.

—Sua energia demoníaca está além do normal, quer que eu chame alguém? Ororo? Stephen? Posso ligar para Helena se preferir. –Ela não parece surpresa por eu saber que elas são amigas, porém negou mesmo assim. –Tem alguma coisa que posso fazer para ajudar?

—Agora, só cancele minhas aulas. –Posso ver o esforço que Alexis faz para dizer isso sem parecer que vai morrer, o que não é comum para alguém com a sua personalidade.

Porque se tem uma coisa que Alexandra Rasputin não faz é reclamar de dor, nunca. Já vi essa garota ter o braço arrancado e nem piscar; ela já foi empalada e explodida, além de ser feita de tiro ao alvo e nunca ficou chorando de dor parecendo que o mundo estava acabando, então estou preocupado com o que está acontecendo.

—Tudo bem, vou cuidar disso e mais tarde vou trazer alguma coisa para você comer. –Ela parece prestes a negar, então seguro sua mão. –Não discuta. Você está exausta só de ficar deitada, mesmo que não queira, precisa comer ou seu demônio pode realmente enlouquecer.

Alexandra faz um sinal mínimo concordando. Joguei o cobertor sobre seu corpo quando levantei, porque não interessa se ela sente frio ou não, a garota que eu amo está sofrendo e vou cuidar dela mesmo que não pareça grande coisa. Abri a cortina mais distante da cama e deixei a outra fechada, evitando que o excesso de claridade deixasse seu lado demoníaco mais irritado, ainda que sob um tênue controle. Sai do quarto e procurei um relógio tentando saber por onde deveria começar meu dia, só que os poucos alunos que se arriscavam pelo corredor dos professores me diziam que não era tão cedo quanto eu gostaria.

Acabei encontrando Tália saindo do seu quarto e acenei para ela.

—Meu relógio que ficou com você, pode me devolver?

Ela riu e o entregou.

—Por que me entregou isso mesmo?

—Você parecia precisar de um apoio que eu não podia dar na hora, mas talvez o relógio te ajudasse a encontrar uma resposta.

Ela pareceu pensar e desligou o holoprojetor.

—Na verdade, ajudou, é que velhos hábitos são difíceis de mudar.

Olhei a hora e desanimei, seis e meia.

—Pode me ajudar com uma coisa?

—Não precisando entrar no quarto da Alexis, qualquer coisa.

—Então você sentiu?

—E tem como um demônio não sentir isso? –Tália girou o dedo no ar e tive que concordar. –O que precisa?

—Pode separar alguma coisa para ela comer? Nada pesado, só umas frutas que você sabe que ela vai conseguir ingerir.

—Ela não precisa COMER, precisa? –Havia uma nota de preocupação na voz dela, que eu entendia perfeitamente.

—Até agora não, mas está diferente. Prefiro que ninguém coloque os pés naquele quarto além de mim.

—Te chamo quando estiver pronto, tudo bem?

—É perfeito, vou precisar avisar a Emma sobre isso e o meu pai que ela não vai dar aulas hoje, então preciso correr.

—Pode deixar chefe. –E sem nem piscar Tália desapareceu.

Virei para ir a sala da Emma, quando a última pessoa que queria encontrar me chamou.

—Por que diabos estava no quarto da Rasputin? –Respirei fundo, contendo cada fibra do meu ser para não dizer a Rebecca LeBeau tudo que ela merecia.

—Por que não vai cuidar da sua vida de adolescente chata e deixa os adultos viverem a deles? –Não que estivesse no clima para bancar o bom moço como meu pai manda.

—Você deveria ficar longe dela, um demônio não deveria nem mesmo ficar nesse lugar. –Eu tenho pena da tia Vampira por ter filhos como Rebecca e Oliver, porque essa garota tá me testando. –Ela é uma praga e não tem o direito de viver entre nós.

O fio da minha paciência se rompeu e eu prensei Rebecca e o irmão usando a minha telecinese sem me importar se eles sentiriam dor.

—Fique longe de mim sua praga maldita, eu nem ao menos te suporto para você achar que pode decidir minha vida. Agora, mais do que tudo, fique longe da Alexis, porque se tiver que escolher entre proteger ela e você, sua existência nesse universo já pode ser considerada apagada. –Larguei os dois assustados no chão e segui meu caminho até a sala particular de Emma me sentindo exausto só de pensar em como é desgastante conviver com os gêmeos Raven LeBeau.

Sei muito bem o motivo da implicância da Rebecca com Alexandra, o mesmo motivo estúpido de todas as garotas da escola: elas acham que eu sou propriedade delas e que Alexis deveria se afastar, já que eles a consideram “impura” por ser parte demônio, ou seja lá qual for a desculpa da vez.

Uma vez realmente estava disposto a quebrar a cara de todo mundo, garotos e garotas, para terminar com essa história, mas além de não sermos namorados, Alexis me proibiu de fazer qualquer coisa a respeito ou ela nunca mais falaria comigo e sei que foi sério. Então ainda tenho que ouvir esse tipo de merda não apenas da boca para fora das pessoas, como também nos pensamentos, porque tem um pessoal que não entende que eu não quero saber o que eles pensam e direcionam seus pensamentos para mim.

Realmente esse não é meu melhor dia.

Bati à porta do escritório e entrei em seguida, levando um susto maior do que o normal ao encontrar minha mãe e Emma em uma conversa tranquila com cada uma tomando sua bebida favorita. Por algum motivo isso me incomoda mais do que quero admitir.

—Não sabia que estavam em reunião, volto depois.

—Pode ficar, não é nada que precise ser tratado sem interrupções. –Emma sorria gentil.

—É apenas fofoca na verdade. –Já minha mãe estava estranhamente simpática com a vice-diretora.

Tentei não parecer tão desconfortável quanto me sinto, o que é realmente difícil.

—Alexis está no meio de uma Festa do Limbo que não passou mesmo depois de horas, então ela não vai poder apresentar as aulas de hoje e também não acho seguro que outra pessoa além de mim se arrisque naquele quarto até as coisas se acalmarem. –Notei que minha mãe parecia tentada a falar algo, enquanto Emma apenas suspirou um pouco preocupada.

—Tem certeza que dá conta? Ela nunca teve um episódio que durasse mais do que umas seis horas de uma vez. –E eu sei que ela está preocupada comigo e com Alexandra.

—Tenho certeza. Pode não ser como das outras vezes, mesmo assim dou conta. –Respirei fundo. –Ela parece sentir dor e nós dois sabemos que Alexis não é disso.

Emma assentiu e depois de dois minutos de silêncio me olhou séria, como se a sua decisão não fosse nem de longe passível de discussão, o que sei que é verdade.

—Se algo anormal para a Festa do Limbo além da dor acontecer, pedi para que Hank e Logan estejam a postos com James e as meninas. Amo Alexis, mas não posso deixar que ela fique solta com um demônio descontrolado, me mantenha avisada dos sintomas que vou cuidar para que nada saia do controle. Ao menos daquilo que estiver ao meu alcance. –Eu entendo o medo de Emma, afinal, os poderes de Alexis podem mudar a exigência, o que pode ser desastroso para todos.

—Vou cancelar as aulas extras que daria hoje e me focar no cronograma normal, só preciso saber onde meu pai está.

—Scott ainda não levantou. Teve uma enxaqueca ontem à noite e dormiu a base de remédios, pode deixar que eu e Ororo cuidamos de orientar as suas turmas extras. –Minha mãe parecia não ter problemas em não consultar meu pai ou discutir com Emma sobre aquilo. –Alguma ideia de para quando quer remarcar?

—Depois que Alexandra estiver bem. –Jean pareceu tentada a falar algo, porém acabou apenas concordando. –Eu vou pegar a comida que Tália separou e deixar no quarto da Alexis, tentem afastar os alunos de lá hoje. Se possível usem a enxaqueca do meu pai como desculpa.

As duas assentiram e sai da sala o mais rápido possível, estava atrasado para a primeira aula e Tália já estava me esperando a vários metros de distância da porta do quarto onde Alexandra emanava um poder demoníaco assustador.

—Tem certeza que não devemos chamar a Helena? –Ela me entregou a cesta de frutas.

—Não parece ser o que elas tratam juntas, então quero esperar mais um pouco.

—Espero que saiba o que faz. –E sem mais ela se teleportou para o mais longe que podia daquele lugar.

Desejei que sua visita a Shield mais tarde animasse o dia de Tália, afinal ela merece.

Entrei no quarto e fechei a porta seguindo para o lado da cama onde Alexis ainda estava encolhida e tremendo, dessa vez um pouco menos que antes. Confirmei que sua temperatura estava normal e deixei a cesta ao lado do criado-mudo onde seu celular repousava sem nenhum aviso na tela. Ajoelhei ao lado da cama e encarei seu rosto que, apesar de sofrido, estava mais calmo do que antes.

—Alguma mudança?

—Ainda dói, mas diminuiu.

—Posso ficar para te fazer companhia...

—Não precisa, deve ser só uma Festa ruim, logo passa.

—Não precisa ficar sozinha.

—Eu sei. Obrigada por ser assim.

—Eu sou terrível. –Mas notei que ela estava sonolenta.

—Não é não, você é bom pra mim.

—Você precisa dormir Alexis.

—Eu vou... –E ela adormeceu tão rápido quanto contar até três.

Me afastei da cama e sai do quarto fechando a porta enquanto me perguntava por que as coisas eram tão difíceis quando era sobre eu e Alexis, mesmo assim eu sabia parte da resposta.

Segui até a sala de aula e encontrei a turma toda cochichando a fofoca que “o perfeito Nathan Summers havia mais uma vez caído no feitiço da Demônio Rasputin, que se aproveitou da pureza do nosso professor”.

Eu definitivamente vou matá-los na aula de hoje.

Abri a porta e sorri para todos de forma gentil, como Emma me ensinou.

—Vejo que todos estão animados com a nossa aula de hoje sobre como lidar com os aspectos psíquicos da própria mente quando temos que cuidar de nossos poderes telepáticos e de possíveis ataques de outros não tão bem-intencionados. –Alguns sorriram animados e uns poucos com medo da forma animada como eu falava. –Então sentem todos que hoje vamos ter uma aula prática. –A turma tomou os lugares com mais entusiasmo do que imaginava que qualquer um que já passou pelas minhas aulas práticas teria coragem. –Eu chamo esse cenário de “Jogo do Caçador”, e já aviso... –Fechei a porta com a telecinese em um estrondo que assustou a todos. –Nem todos gostam.

E alguns quase morrem de medo depois, mas essa parte seria a minha diversão particular mais tarde.

==========X==========

Eu não sou um cara bom, não mesmo.

Duas turmas passaram pelas minhas mãos antes de Emma e Jean aparecerem na porta da sala com expressões nada felizes. Aparentemente os outros professores notaram que meus alunos estavam saindo extremamente traumatizados (alguns quase mortos) da minha aula e devem ter perguntado ou imaginado que algo não estava certo, então chamaram as duas.

—O “Jogo do Caçador”? De todas as formas de tortura psicológica tinha que ser aquela que fez especialmente para Alexis treinar com você? –Emma está mesmo puta da vida, só que nesse momento eu não estou particularmente preocupado com isso. –Você sabe como é perigoso quando pessoas sem uma mente treinada terminam em cenários como esse, elas podem morrer de verdade. O que tinha na cabeça para fazer algo tão estúpido e cruel como forçá-los a jogar isso?

—Sendo bem sincero? –As duas assentiram. –Eu queria matá-los. –Elas pareceram surpresas, não liguei, apenas fiz sinal para entrarem de vez e fechei a porta para o grupo de curiosos. –Já que sabem que foi o “Jogo do Caçador”, e não passei nem do rascunho da introdução dele, também sabem o que estão falando pela escola e sei que não acham uma boa justificativa, só estou de saco cheio dessa merda. –Movi a mão e formei um escudo psíquico que bloquearia todos do lado de fora, menos Alexis. –Vocês sabem o quanto isso tudo me incomoda.

—Não estou dizendo que não pode aplicar alguma punição neles, estou dizendo para fazer isso sem quase matar trinta alunos. –E Emma não era mesmo contra meus métodos, apenas as implicações.

—Eu preferia que você não fizesse nada, mas não é como se isso fosse dar algum resultado, então escolho que minimize os danos. –E minha mãe me surpreendeu. –Olha, eu sei que a maioria dos alunos tem uma queda por ela ou a odeia e nesse caso é porque tem uma paixonite ou admiração doentia por você, então eles são maldosos, apenas tente não matar ninguém por causa disso. Se não ajudar, ao menos não atrapalha.

Realmente não gosto de saber que Emma e Jean concordam sobre isso, pelo menos elas não estão brigando.

—Posso usar o “Jogo do Palhaço”? –Tentei um pouco incerto.

—Aquele que fez baseado na obra do King? –Confirmei e Emma não pareceu animada com a ideia. –Prefiro o “Jogo do Morto-Vivo” se vai usar um desses.

—E o “Jogo do Parasita”?

—Eu prefiro que não, depois a minha sala vai ficar lotada de gente precisando de limpeza de memórias só para parar de vomitar, usa o “Morto-Vivo”, por favor.

—Posso usar a versão mais pesada?

As duas suspiraram vencidas.

—Pode, mas tenha cuidado para não matar ninguém.

—Ninguém vai morrer durante os “Jogos”. Os outros saíram vivos, não saíram? –Desencostei da mesa um pouco desanimado. –Tenho dois horários livres agora e depois mais uma turma antes do almoço, vou passar para ver a Alexis e chego para última turma da manhã.

—Espere eles voltarem do intervalo para ir até o quarto dela, tudo indica que nosso aviso que Scott está de cama não surtiu muito efeito e alguns estão se arriscando por lá. –Minha mãe não pareceu gostar daquele fato mais do que eu ou Emma. –Vamos esperar que isso não vire um problema.

—Enquanto isso vá beber e comer alguma coisa, sei que está de estômago vazio até agora. –Tentei não me sentir culpado pela preocupação de Emma, o que é difícil. –Vamos, eu e sua mãe precisamos de ajuda com alguns detalhes do plano de aulas e você é uma ótima ajuda.

—Vamos fazer você comer e de quebra usar seu cérebro para adiantar o serviço. –Jean não parecia ofendida com a interferência e isso é mesmo assustador.

—Eu não sei se gosto de vocês como amigas. É sinistro demais.

Só que nenhuma das duas respondeu, apenas fingiram que eu não tinha falado nada.

==========X==========

Quando os alunos voltaram para as salas e os corredores começaram a esvaziar segui na direção dos quartos dos professores sem me importar em quem estava no caminho, e não pude deixar de notar que os alunos estavam preocupados, como se algo estivesse errado. O que não melhorou quando encontrei Rachel e Christine na frente da porta do quarto de Alexis, ambas em um acordo silencioso de paz para cuidar dos gêmeos Raven LeBeau.

—Qual a parte de “esse corredor está fechado pois professores estão doentes” os dois não entenderam? –Rachel não era mesmo uma pessoa fácil, mas nessas horas ajudava bastante. –A professora Rasputin precisou tirar o dia de descanso e meu pai está com uma dor de cabeça nada divertida, então por que estão tentando convencer os outros alunos a vir perturbar os dois?

—Eu sei que ela não está fazendo coisa boa. –E Rebecca novamente parecia ser a verdadeira fonte da discórdia para esse caso. –Esse demônio está fazendo algo errado ai dentro desse quarto, não tem outra explicação para ela tirar um dia de folga.

—Ela tira dias de folga com frequência, ter poderes demoníacos não é fácil. –Não que Christine fosse do tipo realmente calma com insultos, mesmo que às vezes ela consiga.

—O único cansaço que essa vagabunda tem é de tanto transar com meio mundo. –E quando Oliver ofendeu Alexandra, eu comecei a ir até ele para matá-lo, só não tive tempo.

Sem aviso algum Christine havia dado um chute forte, ao melhor estilo “300”, direto no peito do garoto que bateu contra a parede com força sem conseguir respirar direito, porque a Frost 2.0 havia virado diamante para fazer aquilo. Rebecca tentou acertar Chrise e acabou recebendo um soco no estômago da mesma que a fez voar quase dois metros para longe.

—Vou avisar só uma vez aos dois, a Claire vai ficar sabendo de tudo que aconteceu aqui e vai querer comer o fígado de vocês, então sumam da minha frente. –Christine ficou observando os dois que ainda estavam parados, gemendo de dor e olhou para Rachel. –Por que eles ainda não saíram correndo?

—Acho que você quebrou os dois um pouco demais. –Ela apontou para a mão de Chris que pareceu surpresa. –Sua mutação ativou sozinha quando foi bater neles.

—Droga. É difícil controlar isso quando estou com raiva. –Não me surpreendi com o comentário de Christine, apesar das semelhanças, a mutação dela é bem diferente da que Emma e Claire tem. –Levamos eles para a enfermaria?

—Eu agradeceria. –As duas me olharam surpresas. –Preciso ver se Alexis melhorou e não quero os dois por perto.

—Ela está tão mal assim? –Não que eu goste de Ray se metendo na minha vida, mas...

—Ela nunca teve um episódio tão longo e, pela energia vindo do quarto, não acabou. Então preciso ver como estão as coisas e evitar um acidente.

—Podemos fazer alguma coisa para ajudar? –Chris sempre é confiável nesses casos, só não quero atrapalhar o seu dia.

—Não se preocupe, todos já foram avisados e algumas medidas já estão sendo tomadas por precaução. Pode ir ver o Andy tranquila. –Ela concordou e olhei para os dois caídos no corredor. –Sobre os dois...

—Não se preocupe, vou usar a telecinese e levá-los para a enfermaria, Christine me acompanha caso eu precise nocautear as pestes um pouco mais, não é?—Vi Chris aceitar contrariada, porém Rachel não fez nenhum comentário maldoso dessa vez. –Me avise se precisar de algo.

—Obrigada. As duas. –Ambas assentiram e assim que Ray tirou os gêmeos do chão abri a porta recebendo o impacto das energias demoníacas contidas dentro do quarto, aquela energia eu conhecia bem.

Reparei na cesta de frutas vazia, o que indicava que Alexis havia conseguido comer, mas agora ela estava novamente deitada, seus olhos turvos e tomados pela única emoção que aquela garota odiava ter que ceder quando estava lúcida ao meu lado: desejo.

Me aproximei lentamente, tentando identificar o nível de alucinação em sua mente, mesmo que isso quase nunca ajudasse. Notei que ela havia vestido a camiseta que usava para dormir e a roupa íntima, algo esperado se conseguiu comer. Alexis estava atravessada na cama, ofegando e ainda parecendo sentir algum tipo de dor, o que nunca vi acontecer durante uma Festa e imaginava dificultar sua melhora. Ajoelhei ao lado da cama, perto da sua cabeça e toquei seu rosto, o que puxou parte sua consciência de volta para a realidade.

—Você voltou.

—Sempre que você precisar.

—Eu preciso, muito.

—Qualquer coisa, é só desejar.

Ela concordou e me beijou puxando minhas roupas, rasgando minha camiseta e quase fazendo o mesmo com minhas calças.

Posso não fazer ideia de como ajudar com o que está acontecendo hoje, mas sei como lidar com os efeitos normais da Festa e isso já é alguma coisa.

==========X==========

Apesar de ter ficado o meu tempo livre inteiro com Alexis, quando saí do quarto ela dormia e mesmo precisando pegar uma camiseta nova ainda cheguei na hora para a última aula da manhã.

Os alunos pareciam com medo de mim, já que mesmo sem conseguirem falar do “Jogo do Caçador” os seus colegas deviam parecer bem assustados. Claro que eu não facilitei e usei o “Jogo do Morto-Vivo” na turma toda e alguns tive que tirar da simulação antes (ou quebraria minha promessa de não matar ninguém), mesmo assim nenhum deles pareceu disposto a me questionar sobre o motivo de usar algo daquele nível nas turmas iniciantes. Provavelmente vão inventar que estou testando sua coragem, como depois posso mandá-los para lugares piores em suas mentes, está tudo bem.

Quando a aula acabou, sem perguntas ou explicações sobre a atividade, fui para o refeitório, onde consegui almoçar, mesmo preocupado e contando os minutos para terminar de mastigar a última garfada para voltar ao quarto de Alexis, já que sua energia ainda estava parecendo uma tempestade violenta.

Estava a meio caminho quando ouvi um grito agudo e um urro de dor da direção do quarto de Alexandra. Precisei usar meus poderes e empurrar um monte de gente em questão de segundos, mas quando cheguei fiquei muito puto da vida: algum dos alunos com poderes de cura havia deixado os gêmeos Raven LeBeau novos em folha, o que significava que eles haviam voltado para tentar infernizar a minha garota.

Agora Alexis tinha os olhos negros e seus dentes pontiagudos estavam praticamente mastigando o braço de Oliver enquanto Rebecca tentava atacá-la com uma barra retrátil.

—Juro, que se encostar essa merda nela, eu te mato. –Rosnei alto.

Isso fez todos, menos Alexis me olharem assustados.

—Ela está matando meu irmão, o que deveria fazer? –E parte daquela afirmação era mentira, porque ela só queria uma desculpa para machucar a pessoa que tanto odiava.

—Não fode. –Notei metade das pessoas parecendo chocadas. –Se tivessem ouvido a ordem de ficar longe desse lugar nada disso teria acontecido. –Encarei Oliver que tentava se controlar, provavelmente para tomar os poderes de Alexandra. –Se fizer isso vai morrer, especialmente agora. –Quando avisei ele parou na hora e peguei a faca retrátil no meu bolso, rasguei uma parte da camiseta e fiz um corte no músculo próximo ao pescoço passando os dedos no sangue que escorria. –Olha Alexis, isso não é mais apetitoso? Sangue de um mutante poderoso de verdade e não de uma criança inútil? Você prefere esse não é? –Deixei meus dedos próximos ao nariz dela que logo pareceu notar o cheiro e largou o braço do garoto LeBeau, grudando no lugar onde havia feito o corte, o que me fez rir. –Você não vai gostar, mas vou precisar pedir reforços.

E mesmo assim ela não reagiu, era como se não tivesse tomado meu sangue no sábado, o que me preocupou mais ainda.

—Vai precisar de ajuda garoto? –Vi Logan e Hank chegando, enquanto James afastava os curiosos sob o olhar espantado de Rachel.

—Vou sim. –Confessei um pouco desanimado por saber que depois Alexis ficaria furiosa, por muitas razões.

Logan fez um talho enorme no braço e aproximou dela que sem pensar duas vezes largou meu corpo e começou a beber o sangue novo e forte. Não era como se ela não soubesse que eu não estava recuperado, foi um reflexo deixar Oliver por mim, mas nesse momento nosso professor, com seu sangue especial e muito mais nutritivo que o meu, era mesmo uma pressa mais apetitosa para seu demônio interior.

Com a ajuda de James, Logan levou Alexis para dentro do quarto e notei que minha mãe cuidava do outro lado do corredor para que ninguém mais se aproximasse além de Emma Cara e Rose. Vi minha irmã observar toda a coisa curiosa e ainda mais preocupada que o normal enquanto Hank observava meu pescoço com calma para depois suspirar.

—Nunca vou entender como ela consegue morder sem deixar marcas ou mesmo curar ferimentos que já estavam no lugar que suga o sangue. –Ele tinha essa queixa sobre a habilidade demoníaca de Alexis, eu me divertia.

—Como não deixa marcas? Olha o braço do Oliver! –Ouvir o grito de Rebecca me irritou.

Então levantei indo até ela e o irmão que chorava de dor, puxei ele usando a camiseta de Oliver para limpar o lugar que ainda tinha sangue, mostrando que não havia nenhuma ferida ou cicatriz. Depois puxei a gola da minha camiseta dos dois lados, porque fiquei puto da vida.

—Tá vendo como não tem marcas, nem em você e nem em mim, porque as mordidas dela não deixam marcas. Faz mais de dois anos que ajudo ela com isso e Alexis sempre bebe meu sangue nos mesmos lugares, nunca ficou um machucado, então vai se foder. Mandei vocês ficarem longe daqui, então o que diabos vieram fazer para causar essa confusão toda?

—Vendo o que ela realmente fazia! –Rebecca desafiou. –Então, quando abrimos a porta, a verdadeira face dela nos atacou. Esse monstro tem que sair da escola agora, ela quase nos matou.

Eu juro que se não fosse minha mãe, Rachel, Emma, Cara e Rose um desastre teria acontecido, porque eu explodi na direção daquela garota.

Joguei Rebecca contra a parede com uma raiva que nem de longe poderia explicar mais tarde e tentei estraçalhar seu corpo com um grito de fúria tão profunda que poderia ter destruído metade da escola. Foi quando as cinco me fecharam em um escudo de contenção e foquei meus esforços em mover mãos psíquicas contra o pescoço daquele pequeno pedaço de merda ambulante, sem me importar com o que os outros pensariam, então Cara e Rose usaram seu elo mental para me impedir, enquanto Jean, Ray e Emma mantinham meu poder contido.

Sei que demorei vários minutos para voltar a mim e me acalmar o suficiente para elas me soltarem, foi quando vi que James e Logan já estavam fora do quarto de Alexis. Então ignorei todos os alunos curiosos, Jean, Emma e Ray com suas feições surpresas e assustadas e segui até a única pessoa que realmente me importava naquele momento.

—Hank está lá?

—Não sei o que houve, parece que ela não bebe nada a meses ou até mesmo anos. Pensei que tinha a alimentado esse fim de semana, errei? –Não que James realmente ligasse para os detalhes.

—Foi, alguma coisa aconteceu. –Suspirei cansado. –Tem algo errado com o lado demoníaco dela e não sei o que é.

—Quer que eu chame ajuda? –Eu sabia o que ele estava oferecendo, só não sabia se era uma boa ideia. –Não sei nem se vai atender, mas posso tentar.

—Vamos deixar isso para caso as coisas fiquem mais difíceis. –Comentei meio distraído notando que ainda haviam muitos curiosos no corredor.

—E não tá difícil agora? –Logan pareceu preocupado.

—Só ficou assim por causa desses dois idiotas. –Apontei para os gêmeos Raven LeBeau.

—Posso cuidar da punição deles? –Logan ficou animado.

—Como quiser. –E para a minha surpresa a resposta de Jean e Emma veio junto a minha.

Tentei não me sentir estranho com aquilo e me concentrei em ir até Alexis que estava grudada no braço de Hank como se sua vida dependesse disso.

—James já a alimentou? –Deixei a pergunta escapar.

—Ele é o próximo. –Me senti confuso e Hank notou. –Pensamos em usar os adultos primeiro.

Sentei no chão ao lado deles e segurei a mão de Alexis, que me olhou muito mais consciente do que eu esperava, parecendo se sentir culpada de algo que sei que ela não tem culpa alguma.

—Sabe do meu pai? –Não desviei meu olhar dela.

—Tomando um remédio mais forte para enxaqueca na enfermaria, acho que dormiu.

Concordei e vi James entrar no quarto.

—Acho que já deu a hora de trocarmos de lugar Doc.

Hank concordou e parecido com o que Logan fez, James repetiu o processo chamando a atenção de Alexis, como fogo para uma mariposa.

Pude sentir na mesma hora a resposta da proteção que meu amigo tinha causar um distúrbio e logo meu celular vibrou com uma mensagem de Helena.

O que houve com James? Sinto que ele foi ferido pela Alexis.”

Respirei fundo e respondi:

Os poderes dela estão meio loucos com efeitos incomuns da Festa do Limbo.

Do nada ela ficou com uma sede absurda.

Logan e Hank já ajudaram, é a vez de James.

Alguma ideia do que é?”

A resposta chegou mais rápido que esperava:

Nenhuma, desculpe.

Peça para ele me ligar a noite.”

Agradeci e disse que passaria o recado, nenhuma outra mensagem chegou.

Mostrei a conversa para James que assentiu sem dizer uma única palavra.

Cancelei todas as minhas aulas do período da tarde e fiquei ao lado de Alexis até sua sede passar, o que só aconteceu depois de beber o sangue Cara e Rose, para repetir a dose com o sangue de Logan e James. Foi só depois de tudo isso que Alexandra conseguiu voltar ao normal, ainda ofegando como se tivesse acabado de desafogar.

Ela precisou de duas horas para se acalmar, tomar um banho sem ter uma crise de choro e dormir, mas quando conseguiu eu sabia que as coisas não estariam melhores mais tarde. Eu tinha sérias dúvidas de que Alexis precisaria cumprir o requisito matar naquele dia, ainda assim, havia uma rara combinação de fatores, quando matar e fome se uniam em uma só coisa, que ela odiava mais do que beber sangue ou ceder a luxúria.

E mesmo sem motivo eu sabia que isso era uma possibilidade real naquele dia, então avisei Hill.

Título da mensagem: Abate.

Conteúdo: Pelo menos três.

E que Alexandra me perdoe por isso depois.

==========X==========

Eu cochilei enquanto cuidava de Alexis, mas em minha defesa, dormi muito pouco noite passada depois que a Festa do Limbo começou e ainda teve toda a confusão que aconteceu no resto do dia, então posso não estar tão descansado assim.

Levantei procurando Alexandra, que estava sentada na poltrona perto da janela, encarando o chão e contendo cada célula de seu corpo. Era o impulso demoníaco que eu temia ter que lidar, o que ela mais odeia. Mandei uma mensagem para Hill pedindo para ela preparar tudo e aguardar meu sinal.

—Alexis, fala comigo. –Seu corpo tremeu e pude ver seus olhos negros, ainda que não como na sede. –Não precisa ficar com medo.

—Eu sou um monstro. –Sua voz estava mais pastosa que o normal pelas presas.

Peguei sua mão e coloquei sobre meu peito.

—Você quer isso, não é?

Ela negou.

—É nojento.

—Não é. –Outra negativa e eu a fiz me encarar. –Você quer comer o meu coração?

Ela ficou assustada.

—Claro que não. –Outro tremor tomou seu corpo, quase como uma convulsão. –Sabe que não é assim que funciona.

—Então me deixa te ajudar. –Ela me olhou desconfiada. –Fiquei com medo disso acontecer e avisei a Hill, só preciso enviar a mensagem e ela manda entregar aqui em menos de cinco minutos.

Vi Alexis hesitar, seu corpo se contorcer enquanto ela continha o impulso, fazendo a dor surgir em seu rosto.

—Eu não quero.

Toquei seu rosto.

—Eu sei, mas precisa.

Ela concordou relutante e enterrou o rosto nos joelhos enquanto minha mensagem era confirmada e Hill respondia que em cinco minutos Tália traria tudo. Segurei a mão de Alexandra que ainda tremia, porém eu não podia julgá-la, nem agora nem nunca.

Breves batidas na porta anunciaram a entrada da minha mãe com sanduíches para nós dois.

—Talvez vocês não estejam com fome, mesmo assim preciso que comam. –Entrei em contato telepático com Jean e expliquei a situação por cima, ela disse que pediria detalhes para Emma, não questionei. –Apenas se cuidem, vocês não podem apenas fingir que está tudo bem em não se alimentar.

No segundo que minha mãe passou pela porta Tália entrou no quarto com a caixa térmica e um sorriso culpado.

—Tenho que voltar, ver isso fez meu lado demoníaco pedir para ser alimentado. –Concordei e ela se teleportou.

Peguei a caixa térmica e abri tirando o primeiro pote de dentro para entregar para Alexis, que hesitou.

—Você não precisa ficar aqui para ver isso.

Acho que sorri involuntariamente.

—Sabe que eu não ligo para isso, só quero te ver bem, mesmo que minhas ações te deixem brava.

Ela suspirou e pegou o pote.

—Não diga que não te avisei.

E enquanto Alexandra tirava a tampa revelando um coração ainda quente, eu peguei meu lanche para comer.

Quando ela mordeu o pedaço de carne crua, com os dentes afiados e os olhos brilhando em uma cor única como as profundezas mais sombrias do inferno, eu soube que havia feito certo em fazer o pedido a Hill.

—Serial-killer, trinta vítimas e apenas dez foram descobertas. Vai direto para o inferno. –Ela terminou de comer o primeiro coração e passou para o segundo. –Estuprador e assassino, vinte e cinco vítimas, apenas cinco confirmadas. Inferno.

Observei o processo se repetir mais três vezes antes de terminar de comer o lanche, já que, ao contrário do que muitas pessoas podem pensar, ver ela fazendo aquilo não me enojava, não como deveria na opinião deles. Para mim é diferente.

Alexis não estava apenas comendo partes do corpo de pessoas, seu demônio, qualquer que fosse a porcentagem ou origem, tinha uma regra clara para comer corações humanos de tempos em tempos, mas apenas os corações corruptos daqueles que já iriam para o inferno de qualquer jeito. Era quase como se aquele ser, que era parte dela, aquela parte que ela temia mais do que qualquer outro, não fosse um monstro tão completo como Alexandra (ou qualquer outra pessoa) imaginava.

Claro que eu nunca diria isso a ela, afinal não sou tão idiota assim. Ainda mais quando ela ainda vai ter que encarar os olhares de todos depois do que aconteceu hoje no corredor por causa de Oliver e Rebecca.

A culpa não é dela, não mesmo.

Se for analisar, Alexandra apenas respondeu a um impulso incontrolável, não porque queria atacar alguém.

O único que realmente agiu como um monstro hoje fui eu ao tentar ferir os alunos mentalmente e matar Rebecca sem nem hesitar. Mesmo que alguns digam que estava sob um feitiço de Alexis ou que foi uma coisa de momento, porque a garota LeBeau é insuportável (e nisso quase todos concordam), o monstro que vive em mim é horrível.

Mas não posso dizer a ela a verdade.

Não posso dizer que o monstro insaciável que mora dentro de mim é pior do que o demônio dela, porque ao menos para ela isso é um instinto básico reprimido diariamente e não um sentimento quase doentio que não sei como controlar. Mesmo agora, quando posso ver os efeitos normais da Festa voltarem aos poucos e Alexis tenta, em vão, não me envolver mais em seus problemas.

Como se eu pudesse não me envolver com o que a afeta.

Como se fosse possível me afastar dela.

Posso sentir o monstro dominador dentro do meu peito rugir vitorioso quando, menos de meia hora depois de comer, o corpo de Alexandra busca o meu e o sentimento de posse que tento controlar em vão a anos grita alto: minha!

Eu sou horrível.

Continua...

No próximo capítulo: Comitiva.

Notas finais
Atualmente posto minhas fics nos seguintes sites/plataformas de fanfics e histórias: Spirit https://www.spiritfanfiction.com/perfil/eucaristia Nyah! https://fanfiction.com.br/u/175167/ Wattpad https://www.wattpad.com/user/LillielEucaristia Acompanhe. Comente. Incentive. Todo autor precisa de sua dose de retorno para que as histórias não morram. Também escrevo uma série baseada em Percy Jackson e os Olimpiano, quem tiver interesse pode visitar meu perfil.