Marvel Universe: All Different World
12 Capítulo XII: The Time Between...
Notas iniciais
Data Terrestre: 18 de Setembro
Laura suspirou cansada ao entrar na área de serviço da casa de Claire.
Ela não havia pensado muito em onde se escondeu quando tentou se afastar da namorada, mas precisava de cinco minutos. Especialmente por que estava sendo bombardeada pelas perguntas discretas e certeiras de Steve, as perguntas abertas (e até indiscretas) de Sharon, além das investidas da namorada, o que era o mais complicado para a morena.
Ela havia aprendido nos primeiros dias com Claire, muito antes de elas começarem a namorar, que a loira era muito boa em seduzi-la a deixando vulnerável, algo que Laura achava particularmente irritante mesmo depois do começo do namoro.
Sem falar que a primeira coisa que Claire disse depois de “eu gosto de você” foi: “Eu gosto de sexo, isso não é segredo”. E era exatamente por isso que Laura estava escondida da namorada naquele momento, em especial por que Claire parecia ter esquecido onde estavam e que Steve tinha acabado de se entender com elas depois de um mal-entendido de semanas.
Isso e o aviso do Capitão de “nada de se agarrarem enquanto estivermos todos em casa com James ou Maria”, que Claire parecia louca para ignorar.
Laura resolveu voltar para o andar superior e ficar na pequena estufa de Sharon, seu lugar favorito na casa, mesmo que ela não soubesse o motivo. Porém antes mesmo de se virar para sair da área de serviço sentiu braços envolverem sua cintura sem força.
—Te achei.
A morena virou assustada dando de cara com Claire, que se aproveitou para beijar a namorada invadindo sua boca com a língua e usando a surpresa da mais velha para guiar seu corpo até a borda do tanque.
Assim que sentiu seu corpo pressionado contra a pedra fria Laura ofegou interrompendo o beijo. Seu corpo queimava, como sempre acontecia quando a namorada a beijava daquela forma e seus joelhos pareciam fracos, Claire estava tentando, com sucesso, seduzi-la e ela estava cedendo.
O que era um problema.
Laura tentou encarar a namorada, mas Claire aproveitou para beijá-la novamente e quando sentiu que o corpo da morena parecia menos resistente o ergueu sentando a mais velha na beira do tanque para em seguida descer os beijos pelo pescoço dela. Foi o que Laura precisou para reagir, ainda sem folego.
—Claire, para.
—Não. Quero você. –A resposta veio entre os beijos.
E Laura entendia o que ela queria dizer melhor do que gostaria de admitir, mesmo assim ela conseguiu empurrar Claire com força para longe. A loira bateu as costas na parede do outro lado do cômodo, a quase três metros, e encarou a morena, que ainda estava ofegante, em dúvida do que aconteceu.
—Não aqui.
Claire sorriu irônica.
—Por que? Já fizemos coisas parecidas e você gostou.
Laura desceu do tanque ignorando a provocação e encarou a namorada.
—Seus pais, que estão de folga hoje, estão no andar de cima e seu pai já disse que não quer a gente fazendo isso por aqui, nem no quarto, especialmente com seu irmão em casa. Consegue imaginar a encrenca se nós fazemos isso aqui na lavanderia hoje?
Claire fez uma careta e suspirou vencida, o que fez Laura rir.
—Droga, eu quero transar com você.
A morena ficou vermelha de vergonha antes de sussurrar, sabendo que a namorada ouviria.
—Eu também.
A loira sorriu.
—Então vamos para o seu apartamento, o que acha?
Ainda com o rosto vermelho Laura sorriu.
—Vamos falar com os seus pais, avisá-los, e podemos ir.
As duas subiram a escada para o segundo andar correndo e pararam na entrada da sala onde Steve jogava videogame com James enquanto Sharon lia um livro na área de leitura. No mesmo instante que as garotas chegaram o Capitão olhou para a filha curioso, mas foi a loira mais velha quem foi até as duas.
—O que houve meninas?
—Avisar que vamos para o apartamento da Laura. –Sharon encarou ambas um pouco curiosa. –Nós queremos ficar um pouco sozinhas.
Ao ouvir isso Steve suspirou e uma risada baixa escapou de Sharon.
—Você precisa ir para a aula amanhã, já deixamos você não ir hoje.
—Ela vai levar uma troca de roupas e os materiais escolares para não faltar amanhã. –Laura adiantou mesmo sem ter falado sobre o assunto com a namorada.
Claire viu a mãe sorrir, assim como o pai, mesmo que de relance, e isso a deixou feliz.
—Tudo bem, nesses termos eu não vejo problemas. –As duas garotas sorriam para a mulher, Laura mais tímida do que Claire. –Mas juízo e se preparem, é provável que tenhamos algo em breve.
Claire olhou os pais confusa.
—Missão?
—Não tenho certeza ainda, pode ser isso ou alguma daquelas reuniões da Shield.
—Tudo bem. –Claire segurou a mão de Laura e as duas correram escada acima até o quarto da loira para pegar as coisas que precisavam, assim que passaram pela porta a loira prensou a morena contra a porta sorrindo de forma maliciosa. –Fique sabendo que assim que passarmos pela porta do seu apartamento eu não vou te deixar me enrolar ou fugir de mim.
E apesar de estar vermelha de vergonha Laura riu.
—Eu sei.
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Assim que Laura e Claire desceram as escadas para a garagem pegar as motos para irem ao apartamento da mais velha Steve suspirou, o que chamou a atenção de Sharon.
—Ainda preocupado?
—Não pelo motivo de antes, mas um pouco.
James levantou do sofá e subiu as escadas sem dizer nada, o que fez os mais velhos suspirarem, o garoto era muito mais inteligente do que eles poderiam querer, assim como Claire era naquela idade e mesmo depois de todos aqueles anos.
—Conversa comigo Steve.
—Me preocupa a origem dela. –Sharon ficou tensa. –Nós sabemos um pouco de onde ela vem, ao menos mais do que ela própria, mesmo que Logan não queira contar a verdade e realmente me preocupa o que pode acontecer quando Laura finalmente descobrir quem é.
Sharon suspirou.
—Bom, não pode ser pior do que quando a Christine descobrir quem é o pai dela e admita que isso sim tem potencial de problema, especialmente se as nossas suspeitas sobre a mutação secundária estiverem certas.
—Logan e Emma tomaram decisões complicadas, não que eu não entenda os motivos de ambos, especialmente se eu considerar o que os dois passaram, mesmo assim me preocupa o que pode acontecer com a Claire no meio desse turbilhão de problemas.
Sharon se aproximou de Steve o segurou a mão do marido.
—Eu sei, assim como sei que a Claire sozinha já é um potencial de problemas enorme, mas ela é nossa filha e sabemos muito bem que mesmo se não fosse assim Claire não seria nada diferente do que a criamos para ser, ela mesma.
Steve suspirou cansado.
—E o que fazemos agora Sharon?
—Esperamos.
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Data Terrestre: 18 de Setembro
Pepper observou a garota asgardiana que havia saído do quarto pela primeira vez em dois dias, para algo que não fosse comer, andar até a piscina do prédio em plena madrugada.
Ainda se sentia um pouco intimidada com a presença dos três asgardianos e Daniel, o que a fez perder o sono, mas de algum modo com exceção dos hábitos alimentares deles, todos eram bem parecidos com os seus sobrinhos de coração. Ainda que a garota parecesse ser mais distante e Pepper tinha que admitir que isso a intimidava mais que com os outros.
Nem mesmo os risos-rosnados de Wolf pareciam tão ruins comparado com a personalidade fechada e reservada da filha mais velha de Loki, por isso a ruiva acabou seguindo a garota até a piscina e ficou observando enquanto a garota rodeava a borda do lugar.
Ur suspirou depois de dar a terceira volta em torno da piscina e tirou a roupa que usava. Definitivamente aquilo incomodava seu corpo às vezes, mesmo que ela não entendesse direito porque as roupas às vezes a faziam sentir coceira, especialmente quando ficavam coladas no corpo.
A garota não se importou por estar nua ou na chance de alguém entrar na sala da piscina enquanto estivesse ali, apenas pulou na água e agradeceu o bom dia que não a fez congelar o prédio inteiro.
Aproveitou isso para poder nadar um pouco, especialmente porque enquanto estivesse na Terra teria que adaptar seu corpo e seus poderes àquela atmosfera tão diferente de Asgard não apenas no clima, mas no aspecto mágico que em seu lar ajudava no controle dos seus poderes. Após quase dez minutos nadando submersa Ur voltou a superfície e sua respiração deixou a água quente da piscina fria como gelo, o que fez a garota bufar irritada.
—Porcaria de herança Jotunh. –A reclamação da garota foi alta o suficiente para Pepper ouvir. –Tudo bem, não é uma porcaria, mas... Que saco, não precisava ser tão forte.
Pepper permaneceu na porta da sala da piscina quando Ur mergulhou novamente, voltando a superfície apenas cinco minutos depois, quebrando uma fina camada de gelo que se formava na superfície da água.
A ruiva não precisou ser observadora para ver que a água no corpo da garota congelava, porém se assustou com o que viu acontecer.
—Você está se contendo demais. –Pepper ficou surpresa com a voz de Daniel, mas Ur não pareceu surpresa nem mesmo ao vê-lo descer do tuto de ventilação da forma de uma gosma cinza e tomar a forma humana. –Sugiro que pare de se segurar um pouco ao menos no quarto quando for dormir.
Pepper se perguntava em que momento Ur ia se irritar ou ficar envergonhada com o fato de que estava nua na frente de Daniel, que usava uma bermuda e camiseta na forma humana, embora ela tivesse certeza de que aquilo não eram roupas de tecido. Só que nada do que a ruiva esperava aconteceu.
—Só porque os feitiços que te joguei, sua fisiologia avançada e o seu simbionte são capazes de suportar o frio extremo de Jötunheim ou o toque de morte congelante de um Jotunh não significa que outros seres vivos sejam capazes do mesmo.
Daniel se aproximou de Ur e colocou a mão no ombro dela sem se importar se ela estava ou não nua, encarando os olhos dela intensamente.
—Eu sinceramente, nesse exato momento, não me importo com os outros seres vivos Ur, me importo com você se submetendo as ordens de um rei idiota como Odin e aceitando que ele mande na sua vida como se a sua vontade não fosse relevante. Onde está a garota que me disse, antes de eu ter o simbionte, que não era o equipamento ou o sangue que faziam um herói ser um herói, mas a determinação no coração dele de lutar pelo bem de pessoas que ele poderia nunca conhecer?
Ur tocou o rosto de Daniel e apesar da pele dela já estar azul e os olhos vermelhos ele não recuou ou expressou desconforto.
—Ela está no mesmo lugar Dan, mas não pode mais agir sem pensar nas consequências das próprias ações. Ela aprendeu que se fizer algumas coisas isso não vai prejudicá-la, e sim as outras pessoas. Você se lembra que eu também te falei que um herói sacrifica tudo, até ele mesmo e a sua felicidade pelo bem de outros, mas principalmente pelo bem daqueles que ama?
Daniel tocou o rosto de Ur fazendo-a manter os olhos fixos nele.
—Isso não é justo com você, não é justo que você não possa ter o que quer.
Ur soltou o rosto de Daniel e tirou a mão dele do seu rosto e do seu ombro.
—Se com isso eu puder assegurar a liberdade de todos que eu amo não me interessa mais nada. –Ela estalou os dedos e roupas envolveram seu corpo. –Eu já decidi que vou fazer meus irmão terem a vida que bem entenderem com quem quiserem e onde escolherem. –Ur puxou o capuz da roupa que havia invocado cobrindo a cabeça e indo para a porta.
Ela não precisou olhar para trás para saber que Daniel havia sumido pelo tuto de ventilação, provavelmente irritado com a teimosia dela naquela que era uma das poucas mentiras que podia dizer ou, pelo menos, não era a verdade completa.
Assim que passou pela porta Ur viu Pepper tentando, sem sucesso, ficar escondida nas sombras.
—Você é branca demais e ruiva demais para conseguir ficar invisível nas sombras sem um feitiço.
A ruiva se aproximou da garota sentindo o frio que emanava dela.
—Não sei se isso foi um elogio ou uma ofensa.
—Tia Verity é fisicamente igual a você nesse sentido, por isso que depois de alguns anos ela desistiu de tentar ser furtiva e passou a simplesmente entrar nas salas de debate e ficar ali mesmo contra a vontade dos demais.
Pepper olhou surpresa para a garota que ainda estava azul, mas a encarava de frente.
—E ela não tem medo? Ninguém a expulsa?
Ur riu e a ruiva reparou que o azul do rosto dela estava sumindo.
—E quem tem coragem de mexer com a mulher capaz de colocar minha mãe e tia Encantor nos seus devidos lugares além de calar a boca minha e do meu pai com um olhar? –Pepper fez uma careta que fez Ur dar uma gargalhada antes voltar a olhar para a mais velha séria. –Então eu vou encurtar essa conversa e dizer: pergunte.
A ruiva olhou para a sala da piscina antes de voltar a encarar a garota.
—Por que mentiu para o Daniel?
Ur desviou o olhar por um segundo antes de voltar a encarar Pepper.
—Eu não menti.
—Então me deixe refazer a pergunta: por que não foi completamente sincera com ele sobre o que aconteceu e o que sente?
A temperatura em volta de Ur voltou a cair e Pepper viu a pele dela voltar a ficar de um azul mais forte do que poucos segundos antes.
—Você não me conhece para poder afirmar isso.
A ruiva riu.
—Realmente, você é uma completa estranha para mim, mas eu conheço muitos jovens, alguns tão teimosos quanto você, outros tão complicados quanto você e alguns que são, na maior parte do tempo, apenas adolescentes com algum problema pessoal ou familiar. Então eu sei que você não disse tudo para ele.
O corpo de Ur se inclinou para a frente e depois para trás e Pepper viu quando a garota fechou os punhos com força desviando o olhar dela. Aquilo não agradou a ruiva que soube na hora que o problema talvez fosse mais complicado do que parecia ou, pelo menos, não tão simples quanto ela gostaria.
—Não posso. –Pepper se surpreendeu ao ouvir aquelas palavras escaparem da boca da garota.
—Não pode por que foi proibida ou por que tem medo de que caso ele saiba que está tentando protegê-lo, mais do que aos seus irmãos, Daniel vai fazer algo estupido? –Ur não disse nada, mas a forma como olhou para a mulher foi o suficiente para Pepper entender a resposta. –Ele gosta de você, por que não é sincera com ele e admite o que sente?
Ur desviou o olhar antes daquelas palavras amargas saírem de sua boca.
—De que me adiantaria isso, eu já conheço o futuro que me foi escolhido. –Ur encarou Pepper. –Odin já decidiu com quem eu vou casar e pretende fazer o mesmo com meus irmãos, ele nem sabe que sei disso e de tudo mais que decidiu sobre a minha vida, então eu decidi que se estou condenada vou pelo menos libertar meus irmãos e manter Dan a salvo. –Ela desviou o olhar da mulher mais velha. –Ele não pode se aproximar de mim mais do que agora.
Pepper esticou a mão na direção de Ur, mas recolheu assim que sentiu o frio que emanava dela.
—Como faço para te tocar Ur?
A garota pareceu confusa, mas girou a mão esquerda no ar fazendo um frasco com um líquido laranja aparecer.
—Tome isso e eu recito o feitiço.
Pepper pegou o frasco no ar e bebeu o líquido sem hesitar enquanto Ur recitava uma pequena sequência de palavras.
—Mantenha o calor, envolva o fogo da vida, proteja do frio da morte, seja fiel ao seu destino e que a chama que Yggdrasil produziu a está alma se apague apenas quando sua hora chegar.
Subitamente Pepper sentiu o frio que Ur emanava ficar mais suave ou, pelo menos, se tornar menos incomodo para seu corpo humano e então ela abraçou a garota com força deixando a asgardiana confusa e até assustada.
—Não faça isso. Conte ao Dan e por piores que sejam as consequências lute pelo que quer e pelo que acredita. Heróis lutam pelos outros e pelos que amam, mas tem que se lembrar e serem lembrados sempre que quando se sacrificam as pessoas que eles amam sofrem a dor deles. Você não precisa fazer isso Ur.
E apesar de saber que Pepper provavelmente tinha razão, apesar de saber que mesmo assim não arriscaria tudo pelo que vinha lutado para proteger por um desejo egoísta, mesmo sabendo que o que fazia era tão egoísta quanto seu desejo, Ur abraçou a ruiva e agradeceu ter alguém ali para lhe dizer aquelas palavras.
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Data Terrestre: 21 de Setembro
—Isso não é justo tio Victor.
E apesar de saber que a jovem garota loira estava certa, mesmo sabendo que os olhos azuis dela cintilando de forma perigosa não eram bom sinal, Victor Von Doom não podia simplesmente ceder, não era simples como ela queria e muito menos ele.
—Valéria, eu não posso te deixar sair da Latvéria sem autorização do seu pai ou da sua mãe, Richard apenas me deixou cuidar de você sob esses termos, por que não entende?
Um tremor abalou o castelo de Victor fazendo ele encarar a porta no canto da sala e pedindo que o filho não abrisse a porta antes da hora ou eles teriam sérios problemas
—Porque não é justo que eu viva com cada dia da minha vida sendo vigiada. –Um novo tremor sacudiu a sala e Victor pediu que o reator continuasse intacto. –Eu estou para fazer dezoito anos em menos de seis meses e nunca fiz nada sem a autorização dos meus pais e a sua supervisão. Quero ter direito de sair e voltar tarde sem um robô ou uma pulseira localizadora junto.
Victor suspirou cansado, especialmente porque não podia culpar a afilhada por estar brava e reclamar que vivia presa.
—Val, eu sei, mas não posso simplesmente te deixar ir assim.
—Eu só quero viver a minha vida e sair, ter uma vida normal, quem sabe um namorado.
Victor riu daquela afirmação final.
—Seu pai te mata e me mata se ouvir a parte do namorado. –Então ele sorriu e resolveu provocar a garota. –Além disso, quem garante que será um namorado e não uma namorada, você sempre foi fascinada pela Claire.
Valéria começou a rir, o que deixou Victor curioso.
—Tio, quem não é fascinado pela Claire e a personalidade ímpar dela ou pela beleza surreal da Alexis tem problema de cabeça.
—Justo. –Na verdade ele tinha certeza que a afilhada já havia se apaixonado pelo garoto Summers uma vez durante uma videoconferência.
—Sem falar que eu vivo cercada de garotas a minha vida inteira, por que além do senhor e dos professores o único homem com quem eu tenho contato é o Damian. Acho que se eu gostasse de garotas meu pai já teria feito o senhor mudar a lista de com quem posso conversar.
Victor riu ao ouvir aquilo.
—Tem razão, Reed é paranoico a esse ponto.
—Ele é um idiota.
Outro tremor sacudiu a sala.
—Em alguns momentos é mesmo.
—Me ajuda tio Vic. Eu não quero construir um reator instável no meio de New York, só quero ter minha própria vida e não precisar ficar com alguém no meu pé me vigiando.
Victor suspirou vencido.
Aquela discussão já havia durado mais do que gostaria e ele sabia que a afilhada tinha razão.
—Duas semanas. –Ela pareceu confusa. –Termine seus estudos programados até o começo de outubro em duas semanas e eu te apoio quando for falar com seu pai.
—Tio Victor...
—Eu vou te apoiar e se for o caso te coloco no avião sem o consentimento do seu pai, mas precisa esperar duas semanas e então falamos com seus pais. –Ele se aproximou da sobrinha apoiando a mão no ombro dela. –Duas semanas para você ter a sua “liberdade” não são nada depois de dezessete anos, não concorda?
Valéria suspirou vencida.
—Tudo bem.
—Agora vamos pedir para o Damian abrir a porta e verificar o reator, porque você fez o castelo inteiro sacudir.
—Desculpe por isso, não era a minha intensão.
—Tudo bem, não era inesperado que uma mutante eletrocinética com poder de gerar campos de energia fosse tão poderosa como você, mas já que você tem aptidão mágica e eu te ensinei é sempre melhor usar essa sala para problemas que te deixam emocional demais
A garota riu e quando a porta abriu agradeceu que pela cara do primo eles não haviam destruído o reator nuclear do castelo.
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Data Terrestre: 22 de Setembro
A garota loira suspirou cansada da discussão a sua frente, cruzou os braços e esperou pela próxima frase de ataque da mãe e do padrasto ou de defesa do pai e da futura madrasta.
—Não! Eu não vou admitir isso e não aceito que isso possa se quer ter acontecido. –A mulher loira falava alto, mas para a felicidade da garota não gritava.
Pelo menos não dessa vez.
—Por deus Maggie, não é como se você pudesse mudar a Cassie porque não gosta do que vê ou do que ela é. –Scott Lang tentava, de alguma forma, com palavras calmas e baixas fazer a ex-mulher se acalmar.
—Não venha com esse seu papo heroico Scott. A Cassie mora aqui e vai fazer apenas o que decidirmos que pode. –Cassie bufou diante da voz autoritária de Blake Burdick.
Não tinha nada contra o padrasto na maior parte do tempo, mas naqueles momentos... Cassie notou o olhar de Hope e desviou o olhar como se não estivesse nem ali.
—Se me permitem um momento. –Hope não se preocupou com o olhar atravessado de Meggie. –Vou levar Cassie para o quarto e tentar conversar com ela sobre o que aconteceu, ouvir a versão dela e não apenas do outro lado.
E mesmo com a cara amarrada de Meggie foi Blake quem tomou a frente.
—Faça isso, ela parece se abrir mais facilmente com você, provavelmente é pela sua idade.
—Claro que é, ela tem 26 anos e não é da família. –Meggie cuspiu as palavras entredentes.
—Ela é minha noiva Maggie e conhece a Cassie a pelo menos oito anos. –Scott corrigiu de forma distraída.
—Não vamos discutir isso hoje, estamos aqui por outro motivo. –Blake cortou Maggie antes dela retrucar Scott e depois encarou Hope. –Leve-a para o quarto e conversem, por favor.
Hope assentiu e Cassie levantou parecendo não se importar com a discussão que ainda aconteceria na sala. A garota loira não se importou com o fato da morena a seguir e muito menos demonstrou desconforto quando ela fechou a porta do quarto. Cassie apenas se jogou na cama e enterrou o rosto no travesseiro.
—Então, vai me contar o que aconteceu ou devo acreditar no que sua mãe estava falando? Embora eu ache muito pouco provável que alguém tenha te seduzido, mas acreditaria no oposto.
Cassie riu e levantou o rosto do travesseiro sorrindo.
—Bom, pelo menos você me conhece melhor que a minha mãe.
Hope suspirou e sentou na cama.
—Então, o que aconteceu de verdade? Porque sua mãe disse que a outra garota te seduziu e corrompeu, só que eu te conheço bem demais para acreditar nisso.
—Mamãe tá exagerando, ela é meio dramática às vezes, como quando você e papai começaram a namorar.
—Eu lembro disso, mas o que aconteceu?
Cassie deu de ombros.
—Lembra que eles me mandaram naquele acampamento de verão para eu não ficar indo pra Shield nas férias? –Hope fez que sim. –Eles me fizeram passar um mês das minhas férias enfiada naquele lugar, porque acharam que a companhia tiraria as “ideias” da minha cabeça.
—Eles ainda acham que podem te mudar assim?
Cassie riu como resposta.
—O que importa é que lá tinha muita gente, acampamento misto, mas também tinha essa garota, Sophie, que parecia tão animada com as competições dos garotos pela atenção das garotas quanto eu. Ela é um ano mais velha.
—Então você ficaram próximas.
—O suficiente para sempre que conseguíamos escapar dos monitores trocarmos beijos.
—E pelo que sua mãe disse não ficaram só nos beijos.
—Durante o acampamento ficou, mas a gente manteve contato quando terminou e voltamos pra casa.
Hope riu o que chamou a atenção de Cassie.
—E pelo que entendi ela mora em New York, não é?
Cassie sorriu.
—É uma cidade grande, a escola dela fica perto da minha, então nos encontramos quase todas as semanas do final das férias e também depois das aulas nas últimas semanas.
—E vocês transaram. –Hope não precisava perguntar, aquela parte já havia ficado clara nas acusações de Meggie.
—Algumas vezes.
Hope levou a mão sobre os olhos por alguns instantes antes de começar a rir o que fez Cassie rir também.
—Deus Cassie, você adora provocar sua mãe.
—Eu não provoquei ninguém.
Hope respirou fundo.
—Isso é relativo no casso da Meggie.
—Ela não precisa gostar, eu sou assim. Sempre fui assim Hope.
A mais velha suspirou diante da feição séria da menina.
—Eu sei Cassie, sua mãe... Ela não é... Não é fácil para ela também, embora você tenha razão de certo modo porque quando eu te conheci a oito anos uma das primeiras coisas que você deixou claro pra mim, de todas que eram importantes saber, era que você é lésbica.
A garota loira abraçou as próprias pernas e encarou a morena.
—Por que a mamãe não entende isso? Foi provavelmente a primeira coisa importante que aprendi sobre quem eu sou.
—Não foi a primeira coisa importante que prendeu sobre você mesma. –Cassie encarou Hope surpresa. –A primeira coisa que você aprendeu de importante sobre você mesma foi que devia ser sempre sincera sobre quem você é.
Cassie sorriu e pulou sobre Hope em um abraço apertado.
—É por isso que eu te adoro.
Hope riu.
—Não deixe sua mãe ouvir isso. –Cassie se afastou um pouco ainda sorrindo. –Só que tudo que você contou não explica como foi que sua mãe descobriu sobre a Sophie e você.
Cassie coçou a cabeça desconfortável.
—Bom, eu não fui particularmente discreta sobre onde ia todos os dias depois da aula e em algum momento o Blake me seguiu e chamou minha mãe. Depois disso não foi difícil a confusão se instaurar entre os pais da Sophie e os dois.
Hope suspirou.
—Foi quando o Blake e sua mãe quiseram fazer a denúncia na delegacia e você acabou com tudo naquele depoimento junto com a assistente social?
—Ninguém me seduziu Hope, eu transei com ela porque eu queria e faria tudo igual se dependesse de mim.
—Imagino, mas sei que ela não era a garota com quem queria ter ido pra cama.
Cassie deu de ombros.
—Ela nem sabe que eu existo e fui sincera com a Sophie sobre isso, ela levou isso numa boa. –Cassie deu um sorriso travesso. –Parece que eu também não era a garota que a Sophie queria levar para cama.
Hope apenas se deu por vencida, havia algumas coisas que não valiam a pena serem discutidas, os problemas amorosos de Cassie eram uma delas.
—Então, vou fazer a pergunta que sua mãe não vai fazer: como foi?
Cassie sorriu diante da preocupação delicada de Hope.
—Foi bom.
—Então, mesmo com as restrições das duas...
—Não acho que haviam restrições, como você mesma disse, eu sou sincera sobre mim mesma e ela não apenas entendeu isso como retribuiu sendo sincera. Então eu não tive nenhum arrependimento. Foi bom e eu fiquei feliz que ela retribuiu a minha sinceridade tanto quanto ao que eu sentia, como quanto ao que eu queria.
Hope sorriu para a menina e estendeu a mão para Cassie, que a segurou.
—Estou feliz por você estar bem.
Cassie sorriu e por alguns segundos a cumplicidade de Hope, e posteriormente de seu pai (quando Hope tivesse tempo de contar a ele os detalhes da conversa), seriam tudo que a garota precisaria.
Especialmente porque nem Scott, Meggie, Hope ou Blake faziam ideia do que Cassie havia feito e o tamanho da discussão que isso criaria entre os quatro.
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Continua...
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No próximo capítulo: Conversas e Pedidos Diferentes.
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