Marvel Universe: All Different World

79 Capítulo LXXIX: Dias de Um Passado Distante. - Parte 3.


Notas iniciais
Oi. Resolvi adiantar o capítulo em uma semana. Só isso mesmo. Espero que gostem e... BOA LEITURA!

21 Anos Atrás

01 de Novembro

Emma encontrou Wanda em seu quarto de meditação. Não era um espaço luxuoso, mas era tranquilo e também muito útil para as sessões cada vez mais exaustivas em que lidavam com a mente de Scott.

—Pensei que Danielle já estaria aqui. –Não que a Rainha Branca realmente se importasse.

—Ela me pediu para avisar que vai se atrasar um pouco, algo sobre passar um tempo com Rahne pelo bem da relação delas. Apesar de que você também chegou cedo. –A Feiticeira serviu chá para a recém-chegada que ainda estava ao lado da porta. –Pode fechar a porta?

A loira concordou.

—Imagino que isso tem relação com a nossa última conversa.

—Um pouco. Eu conversei com o Stephen e... Acho que o termo certo é desconcertante. –Emma, no entanto, apenas sentou e esperou que a outra mulher continuasse. –Acredita que ele disse que pode esperar para fazermos o DNA “só” até os meninos fazerem sete anos? Quem diabos dá um prazo desses?

—Então você está frustrada. –A Frost tomou um gole do chá.

A Feiticeira suspirou.

—Tem como não ficar? Eu estava esperando tudo, menos isso.

—E o que mais ele disse?

—Que pode ficar com os meninos de vez em quando e, caso eles tenham alguma habilidade mágica, pode treiná-los.

—Você contou sobre ele poder ser pai dos dois, de um ou de nenhum deles, certo?

—Claro que sim. Se era para esclarecer tudo não tinha porquê deixar isso de fora. –A morena estava exasperada. –Desculpe. Minha conversa com Stephen foi tudo que eu não esperava em todos os aspectos.

—Não se preocupe com isso. Apenas relaxe e aceite a ajuda dele.

—Não é justo eu me aproveitar dele assim.

—Não seja idiota Wanda. –A Maximoff olhou Emma surpresa. –Se você foi sincera e mesmo assim o Stephen te ofereceu apoio, além de te dar um limite de tempo absurdo como sete anos, não tem motivo para se culpar. O Strange é um homem adulto e inteligente que sabe muito bem em que está se metendo.

—Você me chamou de idiota.

—Quer que eu chame de novo?

Wanda riu.

—Não. Acho que você tem razão. –A morena foi até a porta destrancando-a. –Em todo o caso, acho que vocês são as duas únicas pessoas que realmente não me irritam com perguntas e esperam o meu tempo sem reclamar.

—Sendo sincera, se estivesse no seu lugar eu agiria bem pior do que você. –E a Feiticeira sabia que Emma estava sendo terrivelmente sincera.

As duas acabaram rindo e sentaram para tomar seu chá enquanto esperavam Danielle Moonstar, que demorou mais dez minutos para aparecer.

—Desculpem o atraso. Tirei a tarde para ficar com Rahne e descansar. –Ela encarou Emma. –Não sei como consegue fazer isso sem uma folga.

—Sabe sim. –Wanda tinha um sorriso travesso ao encarar a loira. –É que ela na verdade é um ser extradimensional dotado de poderes de multiplicação e vigor ilimitado.

Miragem riu daquela piada insana.

—Parem de bobagem e vamos logo com isso. –Emma ralhou em meio a um sorriso divertido.

E logo o trio começou mais uma longa sessão na mente de Scott Summers.

Elas sabiam que ainda tinham tempo, só estavam começando a ter dúvidas se seria o suficiente.

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05 de Novembro

Emma observou Nate e James interagindo com as crianças mais novas junto de Ben e Sarah Parker, algo que deixava a mulher muito mais curiosa do que um dia poderia admitir (provavelmente por seu péssimo histórico familiar). Ela olhou mais longe e pôde identificar Joseph e Hope Pym muito mais interessados nos trabalhos de Ororo com o jardim que em brincar.

Até onde a Rainha Branca sabia as duas crianças de Hank Pym eram gênios que estavam começando a ter contato com ambientes mais avançados na escola e na Shield, o que os fazia não serem tão próximos dos mais novos. Não que ela ligasse para aquilo, sabia que em breve quase todos estariam na mesma situação, só que a diferença de idade diminuiria um pouco a proximidade por um tempo.

E embora essa certeza viesse de uma intuição muito irritante em sua mente, a Frost não diria que aquilo não era uma opção de futuro, afinal todos ali eram, de algum modo, muito mais especiais que a maioria.

Se fosse começar por alguém seria por Nathan, que nasceu com telepatia ativa, o que fez Jean e Emma concordarem pela primeira (e última) vez com algo sem abrir espaço quando colocaram travas na mente do menino para que ele não fosse influenciado pelos pensamentos de outras pessoas ao crescer. Claro que esse bloqueio foi feito para ser lentamente retirado, mas o menino tinha um ano e as coisas mais inteligentes que podia transmitir aos adultos nos primeiros meses eram imagens se seios e mamadeiras quando estava com fome ou de água quando se sentia sujo.

James por outro lado tinha apenas a mutação dos Howlett ativa e por isso todos tinham que tomar cuidado para que uma hora ou outra as garras não saíssem acidentalmente, mas, assim como Nate, o pequeno parecia ter facilidade para compreender as coisas que o cercava. Por isso Emma não teve trabalho para fazer o pequeno entender que suas mãos podiam ser perigosas para os outros e por isso ele tinha que tomar cuidado.

O simples fato de duas crianças terem nascido com mutações ativas já deveria ser um caso grave, problema que não acabava neles.

Apesar de William e Thomas Maximoff ainda não demonstrarem traços claros sobre suas possíveis habilidades, eles pareciam muito mais atentos ao mundo ao seu redor do que o normal para crianças tão novas, especialmente William.

Jocelyn Banner também era outra criança que apresentava comportamento incomum, o que poderia ser sinal de uma “Outra” ou apenas que a garota herdaria os intelectos dos pais gênios.

Benjamin e Sarah Parker eram... Pegajosos. Não apenas porque literalmente grudavam nas pessoas e nas paredes, mas havia poucos meses que as primeiras teias orgânicas começaram a ser produzidas por seus corpos e aquilo às vezes causava mais sujeira do que as fraldas de todas as crianças juntas. Pelo menos os adultos agradeciam que a limpeza era mais ou menos fácil (ou, pelo menos, mais fácil do que o estrago nas fraldas).

Danielle Cage por outro lado ainda era pequena demais para causar qualquer preocupação além do fato de ser um pouco mais forte que as crianças de sua idade, o que poderia ser um indicativo de alguma habilidade física futura, mas ainda era cedo para ter certeza.

Para piorar, a intuição de Emma dizia que aquelas não seriam as últimas crianças que teriam traços do gênero.

A Rainha Branca suspirou um pouco preocupada com as possíveis repercussões que isso causaria no futuro de todos, mesmo que não houvesse nada que ela pudesse fazer a respeito.

—Tu parece mais relaxada aqui do que no escritório. –Ela encarou Logan e sorriu.

—Deve ser essa energia jovem e fofa, faz com que me sentia uns cinco ou sete anos mais nova e menos estúpida do que já fui.

O homem riu.

—Ouvir tu se chamando de estúpida deve ser a coisa mais estranha desse mundo.

—No máximo do dia, meu amigo. –Ele sentou ao lado dela. –Algum problema?

—Na verdade não. –Logan notou que a Frost não acreditou. –Pensando em como está sendo saber que agora é mãe de alguém.

—Estranho. –Ela hesitou. –E bom. –Uma leve careta surgiu no rosto dela. –Ainda não acredito que todos vocês me acham “portadora de grandes qualidades maternais”.

—Só a forma como tu trata o Nate e o James mesmo antes do pedido da Alison já prova nosso ponto, além disso eu não sou apto para ser pai de verdade. Sou um assassino e já matei outros filhos meus sem nem saber que os havia gerado, o que faz um milagre James ter meu nome na certidão e minha assinatura nos documentos de paternidade.

—Sim, você me contou essa história e, embora não seja desculpa, você não sabia que eles eram seus filhos.

—O que não quer dizer que alguma coisa teria mudado no final de tudo.

—Verdade.

O Howlett riu.

—Viu, é por isso que gosto de ter você por perto, tua sinceridade machuca, mas não falha.

—A maior parte das pessoas acha esse traço da minha personalidade horrível.

—A maior parte das pessoas não sabe como mentiras são destruidoras e perigosas, mesmo quando são para proteger os outros.

—Eu mentiria se isso poupasse alguém de uma dor terrível. –Emma não estava mentindo sobre isso.

—Eu sei, o detalhe é que depois de tudo, tu aceitaria a raiva da pessoa que enganou sem se importar, porque sabe que tá errada. A maior parte das pessoas não teria esse tipo de pensamento.

—Vai contar a verdade ao James no futuro? Sobre o que aconteceu com a Alison e por que ela não o criou?

—Acho que é o certo, mas também sei que a decisão final vai ser sua.

Emma concordou em um aceno curto e voltou a observar as crianças por mais algum tempo antes de pegar uma das pastas ao seu lado e começar a analisar a papelada do dia.

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10 de Novembro

Elas estavam exaustas e Emma era a mais irritada das três, já que Vampira decidiu começar a vigiar as sessões de tratamento de Scott, como se aquilo fosse algo agradável ou fácil durante um momento tão delicado. Especialmente depois que o Summers passou a mostrar uma pequena resistência no dia anterior, o que obrigou as mutantes psíquicas a serem mais cuidadosas do que nunca.

Emma abriu os olhos e deu de cara com Lupina vigiando Vampira, que a vigiava.

A loira bufou irritada.

—Isso é ridículo. –Grunhiu.

—Concordo. Chá? –Wanda ofereceu.

—Eu aceito. –Danielle se adiantou enquanto a Rainha Branca acenou concordando.

Vampira tentou interferir na dinâmica das três, mas Lupina rosnou na sua direção, o que a assustou o suficiente para mantê-la onde estava.

—Não foi impressão, Scott realmente está nos repelindo e, ainda que sua capacidade para lidar com todas nós seja ridícula, isso pode se tornar um problema. –Danielle tomou a frente.

—Infelizmente. –Emma suspirou desanimada. –E ainda estamos no estágio menos agressivo e simples, o que me preocupa muito mais.

—Se continuar desse jeito, vamos mesmo precisar interditá-lo ou pior. –Wanda não terminou o raciocínio, as outras entenderam o que ela queria dizer.

Só que nem todos pareceram seguir a mesma ideia.

—E agora vamos nos curvar a essa mulher? –Vampira apontou para Emma. –Não percebem que ela está manipulando a todos?

As outras mulheres trocaram olhares confusos.

—Ela sempre foi irritante assim? –Danielle se arriscou.

—Muito mais, na verdade. –Não que a Rainha Branca ligasse para aquilo.

Vampira avançou contra a loira, mas Rahne a segurou.

—Você vai matar o Scott assim como matou a Jean! Assassina!

Os gritos da mutante foram interrompidos quando Emma se transformou em diamante e empurrou Lupina para perto de Danielle. A reação de Wanda foi mais lenta, então a Frost foi o primeiro escudo para a onda de energia vermelha que destruiu a porta e parte da parede do quarto de meditação da Feiticeira. Quando a segunda rajada atingiu Emma a poeira começava a baixar e as cinco mulheres puderam ver Scott furioso se aproximando delas.

—Me deixem em paz! –Outra rajada de energia foi lançada, mas dessa vez bateu contra o escudo de Wanda. –Me deixem morrer!

Todas estavam surpresas e foi Danielle quem gritou:

—Hank está a caminho com Logan.

Mesmo assim Emma ignorou os outros e avançou além do escudo da Maximoff, ela segurou a nova onda de energia por vários segundos até Ciclope precisar parar e o socou, sem ligar para os estragos que faria.

A loira então segurou o líder dos X-Men pela blusa, o encarando.

—Você quer morrer, seu maldito?

—Jean está morta, não me sobrou mais nada.

A Rainha Branca parou por um segundo.

—Não te sobrou mais nada? –Ela largou Scott. –Tudo bem, vamos te deixar em paz para morrer. –Emma notou que Hank e Logan estavam próximos e surpresos, mesmo assim eles não se moveram. –Você vai assinar uma procuração amanhã, dando a posse da escola a mim e a Ororo até o Nathan fazer a maioridade e também vai fazer um testamento. Depois vai passar a guarda do seu filho para mim e vou adotá-lo, oficialmente.

—Se fizer isso, vocês me deixam morrer em paz? –E diante da pergunta aparentemente absurda de Scott, Vampira tentou intervir, mas Rahne e Danielle a impediram.

—Com certeza. Vamos te deixar morrer e quando se encontrar com a Jean vai receber todo o ódio dela por ser fraco e abandonar o seu filho sozinho no mundo.

Todos pararam para encarar a Rainha Branca.

—Abandonar… –Scott parecia confuso.

—Não foi o que fez? Abandonou Nate desde que a mãe dele, a mulher que você quer seguir para o túmulo, morreu.

O Summers negou sentando com dificuldade.

—Você e a Ororo têm cuidado dele. Eu vi isso… Eu…

—Claro. –Todos tremeram diante da ironia que Emma usou. –Até porque é melhor duas estranhas cuidando de uma criança do que o pai. Um órfão como você deveria saber disso melhor do que qualquer um.

Estavam todos tensos, porém ninguém se atreveu a mover um dedo, especialmente enquanto Scott sacudia a cabeça em negação, repetindo sem parar a palavra “não” por vários minutos, quando enfim encarou as próprias mãos.

—Não posso fazer isso?

A Frost ajoelhou ao lado dele.

—Fazer o quê? Cuidar do Nate?

O Summers engoliu em seco.

—Também. –Ele hesitou. –Não posso cuidar da escola e nem morrer. Não agora. Não posso.

Emma suspirou cansada e segurou o ombro de Ciclope que a olhou surpreso.

—O que você precisa agora?

—Eu… –Scott desviou o olhar para todos os amigos que o encaravam e abaixou a cabeça. –Ajuda. Eu preciso de ajuda.

A loira encarou Hank que se aproximou devagar.

—O McCoy vai ver como está a sua saúde, vamos começar desse ponto. Vai precisar assinar uma série de procurações nos próximos dias e ver o seu filho por alguns minutos todos os dias. –O Summers assentiu, visivelmente abalado. –Agora vá, você parece exausto.

E assim que Hank levou Scott, a Frost se aproximou das outras mulheres sacudindo a cabeça como se estivesse incomodada com algo.

—Tudo bem Emma? –Wanda se adiantou um pouco e viu o corpo da loira balançar perigosamente.

A Feiticeira tentou segurar o corpo da Rainha Branca, mas Logan, que estava logo atrás, foi mais rápido e a pegou no colo antes dela realmente desmaiar.

—Até que demorou. –O Howlett comentou.

—O que demorou? –Vampira estava perdida.

—Ela desmaiar de exaustão mental e física. –Danielle se aproximou. –Fique assim um pouco, vou acessar a camada superficial da mente dela.

—É seguro fazer isso? –Rahne se preocupou.

—Emma nos deu uma “chave de acesso” psíquico para esses momentos. É claro que só destrava a parte mais rasa da mente dela e as informações previamente programadas, por hora deve ser o suficiente. –Wanda explicou.

—Tudo bem. –Danielle encarou os demais. –A sobrecarga foi causada pelas ações do Scott e, principalmente, pela resolução superficial dos problemas.

—Deixa eu adivinhar… –Todas encararam Logan. –Ela sobrecarregou a própria mente por semanas, colocando uma ordem de só ceder quando as coisas estivessem resolvidas, acertei?

—Especialmente a questão do Instituto. –Miragem confirmou.

—Por que diabos ela faria algo assim? –Todos encararam Vampira confusos. –Por que essa mulher, justamente ela, se sacrificaria assim? Não faz sentido.

—Pode não parecer, mas ela deve ser a pessoa egoísta que mais se preocupa com os outros que eu conheço. –Wanda pegou a pasta que Emma havia deixado sobre a cadeira. –Então, por mais que você não goste dela, não atrapalhe quando ela tenta ajudar os outros. –A Feiticeira encarou Logan. –Leve-a para o quarto, eu e Danielle vamos cuidar de tudo.

—Quer que eu chame a ‘Ro? –Ele ofereceu.

—Não. –Danielle encarou Lupina que assentiu. –Rahne vai escoltar Vampira e depois nos encontra no quarto da Emma. Apenas avise Ororo sobre o que aconteceu e peça que ela foque nas crianças.

Rahne fez como Danielle pediu enquanto Logan seguiu as duas mutantes psíquicas com Emma nos braços. Ele deixou a loira sobre a cama e foi até Tempestade, que parecia já ter recebido algumas informações sobre o ocorrido, o Howlett acabou ficando para ajudar a amiga com os quatro meninos sob seus cuidados.

Levou quase duas horas até Wanda passar pela porta com Danielle e Rahne. A Feiticeira parecia exausta, mas passou a meia hora seguinte cuidando de William e Thomas antes de precisar ir dormir.

Ororo não deixou a Maximoff levar os gêmeos e dispensou Danielle, dizendo que naquela noite todos os outros professores aprenderiam como se trocava uma fralda. Logan riu, sabendo que aquilo era verdade e que estava incluso na lista de “babás de emergência” montada naquele mesmo minuto. A única pessoa que foi liberada da função foi Lupina, que estava preocupada com a namorada e ficaria de olho tanto em Wanda como em Emma depois de tudo.

O Carcaju não ligou para a longa noite sem as três telepatas, afinal todas vinham trabalhando como condenadas na mente de Scott. Especialmente Emma, que acumulava uma tonelada de funções administrativas e dois bebês sob seus cuidados. Ele também sabia que a Frost voltaria a trabalhar mais cedo do que deveria, o que não era algo que qualquer um poderia mudar, mas torcia para que a amiga tivesse alguma folga dessa vez.

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Muitas coisas aconteceram nos dias seguintes.

A principal foi que Emma dormiu por dois dias.

A Rainha Branca parecia ter programado a própria mente para trabalhar em um modo sonâmbulo que lhe permitia fazer coisas como comer três vezes ao dia e ir ao banheiro enquanto ainda dormia. McCoy deduziu que aquilo era um tipo de trava de segurança para que ela pudesse descansar o suficiente até que sua mente estivesse realmente recuperada.

Nenhum dos amigos da Frost tinha certeza se aquilo era algo saudável, ainda que fosse melhor do que ela começar a trabalhar antes da hora.

Enquanto a Rainha Branca dormia, Scott foi colocado sob observação médica e dessa vez ele não brigou com ninguém, aceitando o soro, os calmantes, exames e qualquer outra coisa que Hank decidisse. O Summers ainda não havia voltado a interagir com Nathan, mas Ororo o estava mantendo informado sobre o garoto.

Tempestade tomou a frente da escola com o apoio incondicional de Logan, Hank e Wanda, enquanto Danielle ajudava a mutante do clima a lidar com a papelada, o que estava deixando Rahne preocupada com a sobrecarga da namorada.

As aulas de Emma, Ororo e Danielle foram suspensas até que o equilíbrio entre as funções de ambas retornasse.

Vampira havia repassado os acontecimentos que presenciou aos colegas que se opunham a Frost, o que gerou uma briga no grupo. Uma parte ficou com Anna Marie em não atrapalhar os esforços da Rainha Branca enquanto a vigiavam, outros estavam dispostos a continuar com a briga que vinham tendo.

Os grupos se dividiam em Kurt e Vampira de um lado, Piotir e Gambit do outro.

E aqueles foram apenas os dois primeiros dias.

Depois que Emma despertou e passou por uma série completa de exames exigidos por McCoy, Scott assinou todas as procurações, dando lugar para que a Frost e Ororo cuidassem de colocar a escola nos eixos legais. Uma semana depois Tempestade partiu para uma estadia de um mês em Wakanda, o que não foi uma surpresa para a maioria, ainda que algumas pessoas tentassem se opor àquela viagem.

Wanda havia decidido permanecer no Instituto por algum tempo e, embora ela não soubesse precisar exatamente quanto tempo, ninguém parecia disposto a arrumar uma briga com a Maximoff, especialmente quando muitas pessoas aprovaram sua permanência. E para os mais curiosos a Feiticeira Escarlate apenas dizia que era melhor para William e Thomas não mudarem muito de rotina, o que para todos os efeitos era verdade, assim como o fato da jovem se sentir bem próxima de Emma e seu grupo.

Danielle e Lupina também resolveram ficar por mais tempo, o que foi um alívio para muitas pessoas, incluindo alunos e outros professores. Ambas estavam preocupadas e queriam garantir que o Instituto estava mesmo bem, não por duvidarem da Rainha Branca, e sim por terem tomado um conhecimento muito intrínseco de como administrar aquele lugar era difícil. Elas não pretendiam ficar de forma permanente, embora considerassem ficar pelo ano seguinte (caso fosse realmente necessário).

Não foi fácil, mas todos concordaram em algum momento que aquilo era mesmo necessário e, quando Emma voltou com força total com a ajuda de todos os seus colegas e amigos, um mês havia se passado.

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21 de Dezembro

Os dias finais do ano e a proximidade com o Natal estavam deixando todos animados.

Emma esperava que aquilo significasse coisas muito boas chegando para todos, até porque, na mente dela, eles não precisavam de mais infortúnios do que os do último ano. Havia o aspecto prático, que muitos não gostavam de pensar, embora a Frost não esquecesse nunca.

Jean estava morta e ela não era apenas uma das telepatas mais poderosas do planeta, mas também uma excelente professora para a escola, motivo pelo qual sua vaga ainda estava em aberto.

Alison Blaire estava em tratamento e ela era a cara da mutandade, o que significava que eles haviam perdido sua principal garota propaganda. Para piorar, a história que usaram para proteger a existência de James vinha com aspectos negativos para a imagem de Dazzler.

Scott continuava fora de ação e com isso um pouco do prestígio da escola estava comprometido, já que ele sempre foi o rosto do sucesso dentro da instituição. Não melhorava que muitos pais quisessem tratar sobre seus filhos diretamente com seu aluno estrela e não com uma ex-vilã como Emma.

Anna Marie havia conseguido, com a ajuda de Kurt e uma carta de Illyana, controlar Piotr e Remy, mas eles ainda estavam fazendo do seu trabalho algo mais difícil do que já era.

Algumas pessoas diriam que Emma Frost não tinha um coração, o problema é que ela precisava pensar nas coisas que os outros ignoravam.

A Rainha Branca estava em luto por Jean e sentia falta das brigas com a ruiva, mas sentia mais falta ainda de nunca ter realmente se aproximado dela para conversarem sem as implicâncias e competitividade inútil.

Ela sentia medo de que Alison nunca conseguisse ver James ou se aproximar dele e o que aquilo poderia significar para o menino.

A loira precisava que Scott voltasse ao normal, não por ser uma propaganda do Instituto e sim porque Nate precisava do pai.

Havia tantas coisas que Emma precisava se preocupar para ela focar apenas no aspecto emocional que, às vezes, era preciso olhar apenas para o que era prático, por isso ela não ligava de ser chamada de fria e calculista ou desalmada. Se era assim que precisava ser chamada para conseguir manter tudo funcionando, então esse era um preço baixo a ser pago.

—Eu pensei que você estaria mais tranquila com a ajuda que ficou quando eu parti. –A Frost levantou o olhar e encarou a mulher negra na porta. –Feliz Natal adiantado?

—Ororo? Como?

—A minha viagem era de um mês, eu avisei.

—Sim, eu lembro, mas eu pensei que com o final de ano…

—Não. –Emma se calou e a Monroe sentou na cadeira à frente da mesa. –T’Challa e eu não estamos nos entendendo muito bem esses últimos dias, então preferi voltar.

—O que aconteceu?

—Ele acha que eu devo dar mais atenção aos problemas de Wakanda do que aos problemas mutantes no Instituto e, embora exista um fundo de verdade, a grande questão é que eu sou um dos problemas em Wakanda.

—Ainda com a questão da facção que não aceita que você seja a rainha? –Tempestade concordou. –Pensei que T’Challa tivesse resolvido isso a um ano.

—Ele resolveu. Disse que o assunto não estava aberto a discussões, o que causou o efeito oposto, como sempre. –Ororo suspirou cansada. –E como Wakanda não tem grandes problemas de verdade, isso implica que eu sou o maior problema do país no momento.

Emma voltou a ler o relatório em mãos.

—Eu entendo que o país passou séculos fechado, que estrangeiros são sinal de perigo para muitos deles, mas é estranho.

—Diga. –A loira encarou a alva surpresa pelo tom agressivo. –Diga o óbvio que todos evitam falar ou pensar na minha cara. Diga que é estranho que um país como Wakanda me chame de negra-branca porque não nasci na África; que eles são um bando de xenófobos de merda.

—Você sabe que não são todos que fazem isso, embora isso seja um pouco estranho e é verdade que eles podem ser extremamente xenófobos.

—Não existe fome ou crime em Wakanda, nenhuma divergência além das facções que se opõem ao contato com o mundo exterior, o que significa que T’Challa tem apenas um grande problema em mãos.

A Frost suspirou um pouco triste.

—Eu sei que é difícil não ser aceito em um lugar, especialmente um que você pensou que se tornaria o seu lar, ainda assim T’Challa te escolheu e te quer ao lado dele. Isso é alguma coisa.

Ororo olhou para o chão.

—Deveria ser.

—O que aconteceu na última briga? –E pelo andar daquela conversa, Emma sabia que aquilo tinha potencial de lhe causar uma enorme dor de cabeça no futuro.

—Eu perguntei se ele estava arrependido de ter se casado comigo contra a vontade de todos e ele… Ele se calou.

—Talvez T’Challa tenha ficado surpreso com a sua pergunta? –O olhar da mutante alva foi duro. –Ou ele ficou com medo da sua reação, pode ser o que você quiser. Até porque, acho que ele não te deu uma resposta antes de você voltar, certo?

—Ele me evitou pelos últimos três dias, então eu decidi voltar.

—Muito maduro de ambas as partes. –Havia uma pontada dolorosa de ironia nas palavras de Emma. –Sabe que fugir para o Instituto não vai resolver seus problemas com ele, não é mesmo?

—É, eu sei.

—E o que pretende fazer?

—Nada.

—Sério?

—Nesse momento eu estou com raiva dele, das pessoas que me desprezam lá e daquele país inteiro, o que não é bom com meus poderes. –Emma concordou. –Além disso, eu já ia voltar para te ajudar.

—Eu podia me virar por mais um mês, mas entendo o que quer dizer e por que decidiu voltar. Por isso eu vou te ajudar a se distrair e despejar toneladas de serviço nas suas mãos para poder passar o Natal com os garotos. Dormindo.

Ororo encarou a loira por vários minutos antes de conseguir articular uma resposta.

—Eu pareço sua escrava por acaso?

—Não se preocupe, você só vai precisar cuidar das coisas a partir das dezoito horas do dia vinte e quatro até a manhã do dia vinte e seis.

—E a Rahne e a Danielle?

—O Natal é importante para a Rahne, então a Danielle…

—Droga. Mesmo assim a Wanda…

—Ela foi criada como uma cigana e eles são… Católicos?

—Você nem sabe o que eles são? Sério?

—Eu não fico procurando problemas para a minha cabeça. –A Frost deu de ombros. –Se não me causa danos, aumenta a quantidade de relatórios na minha mesa ou de preocupações no meu dia a dia, então não me importa e nem é da minha conta.

—Então ela comemora o Natal?

—Ela diz que é uma das boas lembranças de quando era criança.

—Então eles eram ciganos cristãos, não necessariamente católicos ou qualquer outra denominação específica.

—Certo, vou tentar lembrar disso no futuro.

Ororo parou por um momento e encarou a loira preocupada.

—Espera, se às quatro não estavam disponíveis para cuidar do Instituto, quem ia ficar no lugar que você me colocou?

—Hank, ele me disse que não se importa com tradições de Natal, ao menos não nesse momento. –Emma fez uma careta. –Ele parece um pouco abalado com a morte da Jean e acho que isso tá começando a afetá-lo em outros aspectos, temos que ficar de olho.

—Está tão desesperada assim por uma folga a ponto de colocar o Hank como seu substituto?

—Era ele ou o Logan, fiz o melhor que pude.

—E Illyana?

—Continua incomunicável para qualquer coisa além de uma carta.

—Mancha Solar?

—No Brasil com a família e levou o Míssil para férias de fim de ano.

—Kitty.

—Perdida no espaço.

—Amara, Bob e Jubileu?

—Jubileu foi visitar os pais, Bob está passando por um momento de descoberta e Amara precisou viajar por alguns dias, volta dia vinte e cinco.

—Descobertas?

—Não me pergunte isso agora ou eu vou começar a beber e o trabalho está sobrando. –Emma deu um longo e sofrido suspiro. –Esse mês podia ter sido menos irritante.

—Não quer dizer cansativo?

—Não.

—Não quer mesmo me dizer o que houve com Bob e Amara? Ela não é de sair sem um motivo.

A loira encarou a mutante do clima.

—Missão de emergência para a Shield, deve terminar até dia vinte e cinco, talvez antes, não é certo. Sobre o outro assunto… –A Frost grunhiu irritada. –A última conversa de Bob com Jean fez ele refletir sobre a própria vida.

—O que isso quer dizer?

—Que ele é gay.

—Como é?

—Você não sabia?

—Você sabia?

—Não é meio óbvio?

—Como assim? –Emma riu da reação de Ororo e logo as duas estavam rindo. –Sério, como isso aconteceu? Fiquei fora por um mês e do nada tenho uma novidade dessas?

—Não se preocupe, até eu que já sabia achei bizarro como aconteceu.

—E como foi?

A Rainha Branca soltou o relatório, levantou da cadeira, pegou a garrafa de whisky no bar, encheu dois copos e deixou um na frente da mulher negra.

—Foi no dia do memorial da Jean.

—Não acredito que ele fez isso.

—Fez, posso te garantir. Foi parte do discurso dele.

—O discurso?

A loira assentiu.

—Ele contou sobre a última conversa deles e como isso girou em torno de Jean tentando ajudá-lo a se aceitar.

—Nem consigo imaginar isso. –A Monroe parou por um momento. –Não, na verdade eu consigo sim.

—Enfim, eu já sabia. As ondas mentais dele sobre os outros homens sempre foram mais intensas do que as que se fixavam em mulheres. Igualzinho o Christian.

—Então foi assim que você soube?

—Não era invasão de privacidade quando ele pensava tão alto daquele jeito. Sob certo aspecto era constrangedor quando eu passava por isso.

—Então era involuntário?

—Com certeza. Ele só pensava muito alto.

—E como ele está agora?

—Processando que se assumiu para todo mundo e ainda chamou o Scott de gostoso no memorial.

—É brincadeira, não é? –Emma negou e Ororo pegou o copo cheio de whisky. –Que loucura. –Ela virou parte do conteúdo. –E o Scott?

—Acabou rindo de toda a situação, o que foi um sinal positivo para o estado de saúde dele.

—E as visitas ao Nate?

—Acontecendo normalmente.

—E o tratamento?

—Correndo tranquilamente desde que ele aceitou ajuda, o que é um alívio para todos, mas especialmente para mim, Wanda e Danielle, já que precisamos causar menos estragos do que antes com intervenções menores a cada dia.

—Verdade. –Ororo encarou Emma e sorriu. –Eu aceito ficar no seu lugar durante o Natal, desde que no ano novo possamos passar a noite cuidando dos garotos e não trabalhando.

Emma sorriu.

—Não vejo problemas.

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Continua...

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No próximo capítulo: Changes.

Notas finais
Próximo capítulo: entre o Natal e o Ano Novo.