Marvel Universe: All Different World
80 Capítulo LXXX: Changes.
Notas iniciais

(na imagem: Victor Von Doom)
20 de Outubro
Quando Gabriel Benjamin Stacy Parker desembarcou no aeroporto naquela noite, pouco depois das incríveis revelações da entrevista de Dazzler (que foi transmitida para quem quisesse assistir no voo), mesmo ele tinha que admitir que estava surpreso.
Não que o Parker não soubesse que a Mutante Pop-Star era mãe de James, isso nem era a coisa mais estranha da sua infância, mas era verdade que ele ficou um pouco nervoso ao saber que Victor Von Doom namorava a mulher, afinal a verdadeira história de Alison passou por ele durante os anos. Ainda assim nada surpreendeu Ben mais do que a real identidade do pai de Billy e Tommy; por Deus, cresceu com os dois como amigos e agora além de descobrir que Stephen Strange era o pai deles ainda tinha a novidade de que Wanda era a mãe de Max e Helena.
Era coisa demais para lidar sem querer quebrar a cara de alguém, especialmente no meio da confusão em que estava, com representantes de Wakanda ligando para seu escritório a semana inteira com ameaças ou invadindo seu número pessoal para a mesma coisa; como se eles pudessem afastá-lo de Aisha antes ou agora.
Perdido em seus pensamentos, o rapaz viu seu pai, Mary Jane e Melinda May esperando por ele no saguão do aeroporto.
—Olá Gabriel, como tem passado? –E só para variar, a nova Comandante o chamaria pelo primeiro nome.
—Bem Melinda, ansioso por amanhã.
—Conversamos com Ororo e decidimos fazer tudo simples, incluindo usar os celulares o mínimo possível. –Mary Jane se aproximou, o abraçando com força. –Senti tanto a sua falta meu menino.
—Caramba MJ, eu sou um homem adulto agora, não uma criança. –Ele sorria de forma suave ao “brigar” com a madrasta.
—Vai ser sempre o meu menino, então se acostume com isso.
Ele riu e encarou Peter.
—Pai.
—Fico feliz que tenha voltado para casa, Gabriel. –Seu pai era outro que insistia em chamá-lo pelo primeiro nome, não havia o que fazer. –Sei que talvez você fique pouco, mesmo assim estou feliz que sejam boas condições, ainda que surpreendentes.
—Não exagere, fico surpresa dele ser o primeiro a nos trazer essas notícias com a Aisha; sempre achei que o primeiro comunicado viria de um dos mais próximos, como Andrew e Christine ou Helena e James ou mesmo Alexis e Nate. –May suspirou. –Em todo caso, vamos, já nos prolongamos aqui demais e isso não é bom.
Ben Parker concordou e logo os quatro saíram de forma discreta do aeroporto direto para a garagem da Torre Stark, onde Ororo e Aisha foram informadas da chegada do rapaz enquanto Sarah provocava o irmão sobre ele se tornar o primeiro pai entre os seus colegas de infância.
Ainda assim, Ben considerava que tudo estava indo melhor do que o esperado.
====================X====================
Tristan encarava Rebecca, que continuava sem levantar a cabeça mesmo depois de terem retornado ao Instituto.
—Então James é filho da Dazzler e você descobriu isso por acaso?
—Ele vai me matar. –Ela choramingou baixinho.
—Não acho, afinal parece que Helena parou de fugir dele.
—Não tente me dar falsas esperanças, estamos falando de James, o Carrasco do Inferno, e seu tutorial espartano de treinamentos.
—Nesse ponto não posso discordar. –O Stark sorriu divertido. –Ainda assim fiquei surpreso. –Ela não entendeu. –A maior parte das pessoas adoraria ter um podre do Howlett em mãos.
—Não sei se ser abandonado pela mãe com depressão é um podre. –Becky foi seca.
—Você sabe o que quero dizer.
E ela sabia.
A menos de uma semana, Rebecca admitia que ela mesma teria usado aquela informação de forma maldosa e cruel contra o professor.
—Vamos apenas ficar felizes que isso não aconteceu ou James mataria todos de exaustão, ou pior.
Tristan riu.
—Tudo bem. Nesse caso, agora que já assistimos o show, providenciei comida de sobra e estamos de volta à biblioteca do Instituto, me diga como estão as coisas. –A garota o encarou confusa. –O que foi?
—Achei que você iria me pedir aquele beijo depois de tudo.
—Eu vou, mas sei ser paciente.
Rebecca observou o Stark e suspirou.
—Bom, no geral tudo tem sido estranho, embora não tão ruim quanto eu esperava e, devo admitir, você tem grande parte nisso.
—Mesmo?
—Sim, suas dicas mudaram toda a forma como meu treino vai acontecer e minhas perspectivas de trabalho, o que não é de todo ruim mesmo que exija um pouco mais de esforço.
—Por que mais esforço?
—A Shield talvez só me aceite como professora ou treinadora nas academias, quem sabe na engenharia ou coisa do tipo, ou posso me candidatar a uma vaga na Stark Inc, que gosta de pessoas com o meu tipo de poder no time de desenvolvimento.
Tristan encarou a LeBeau se sentindo animado, afinal aquela nova Rebecca era realmente alguém buscando um futuro, um lugar para chamar de seu. Se ela ainda fosse a mesma garota da semana anterior, as coisas não andariam nem para ele ou Conner, o que seria desastroso, já que ambos estavam animados com a perspectiva de ter Becky ao seu lado por um longo tempo, provavelmente pelo resto das suas vidas.
—E você já decidiu o que quer fazer agora?
—Estudar e treinar, preciso recuperar o tempo perdido.
—Exatamente o que imaginei. –O Stark riu da cara da LeBeau. –Apenas lembre que descansar, ter hobbies e passear fazem parte do que precisa para alcançar seus objetivos.
Rebecca sorriu.
—Obrigada.
—Não acho que fui a primeira pessoa a te dizer isso.
—Não por essa parte, pelas dicas.
—Já disse, não é como se tivesse feito de graça.
—Esse não é o ponto Tristan; no final o que interessa é que você me viu e orientou para que os outros pudessem me ver de verdade e isso mudou tudo para mim. –Ele parou e a observou com um brilho intenso no olhar, que chamou a atenção da garota. –Tudo bem?
—Eu seria um canalha muito grande se dissesse que quero muito te beijar agora?
—Talvez, mas eu posso te perdoar por isso.
Ele se ajoelhou na frente dela, segurando as barras de ferro dos dois lados da cadeira de rodas que ela usava.
—Por que eu sou legal ou por que eu te ajudei?
—A primeira. –A voz de Becky foi um sussurro.
—Mesmo? –A garota assentiu. –Gosto disso.
Tristan envolveu a nuca de Rebecca com uma das mãos e aproximou lentamente o seu rosto do dela, roçando o seu nariz no da garota antes de finalmente tocar seus lábios nos da LeBeau de forma calma e controlada.
Aquela situação deixou Becky confusa e ansiosa, porque era completamente diferente de quando Conner a beijou e, mesmo assim, parecido. Seu coração acelerava e batia descompassado, porque podia ouvir as batidas altas em seus ouvidos, a deixando ainda mais ofegante do que imaginava possível com aquilo.
Rebecca agarrou os cabelos de Tristan e suspirou contra os lábios dele, o que permitiu a língua dele adentrar sua boca de forma calma e lenta; quando a mão livre dele agarrou a cintura dela, a puxando para mais perto da beira da cadeira e do corpo do Stark, a LeBeau sentiu seu corpo reagir com a mesma força de quando Conner a prensou contra a porta, o que a fez tomar uma curta distância do rapaz.
—Fui longe demais? –Ela negou. –Então, o que foi?
—Eu beijei Conner no sábado. –Tristan a encarou surpreso. –Bom, tecnicamente ele me beijou antes da festa, mas…
—Gosta dele? –Ela hesitou. –Quero dizer, está apaixonada por ele?
—Não. –Havia uma ponta de dúvida na voz dela que o fez ficar curioso.
—Gostou do beijo dele? –Ela concordou. –E do meu? –Outra afirmação. –Posso considerar que estou empatado com ele de alguma forma?
—Eu não sei.
—Eu vou considerar uma vitória você não saber e que isso é bom.
—É bom?
—É, gosto de saber que você me contou sobre ele e que gostou do meu beijo tanto quanto do dele.
—É que eu não devia… Beijar você e ele, isso é errado.
Tristan se afastou um pouco da LeBeau e sorriu.
—Becky, só vai ser errado se você estiver tentando enganar um dos dois e eu não me sinto enganado.
A garota engoliu em seco.
—Você tem uma namorada?
—Não.
—Eu ouvi que você é bissexual, não é?
—Sou.
—Você não gosta de outra pessoa, gosta?
O Stark sorriu.
—Eu também gosto de outra pessoa e gosto de você.
—Você tá saindo com alguém? –Ele confirmou. –Então, por que está aqui comigo?
O garoto riu.
—Você, Rebecca, é uma criatura única e especial, por isso eu estou aqui.
—Mas o seu relacionamento…
—Sabe que estou aqui e que tenho interesse em você.
—Tristan, isso é tão estranho e confuso, como eu…
—Quer fazer um acordo comigo? –Ela o observou com calma. –Você não precisa aceitar o que quero te oferecer hoje ou amanhã, pense com calma, experimente e depois, quando conseguir enxergar as coisas com calma, me procura.
—E se eu demorar para descobrir o que quero?
Ele sorriu como se tivesse uma brincadeira na ponta da língua.
—Então, eu espero.
—E qual vai ser o preço por esse acordo?
Ele riu achando graça que ela o entendesse daquele jeito tão rapidamente.
—Se você topar, o resto das nossas vidas, para começar.
—E se eu não aceitar os riscos, Stark?
—Que tal todos os beijos e outros percalços do meio do caminho?
—Isso não parece um negócio vantajoso para você.
Tristan gargalhou.
—Eu não estou exatamente preocupado com isso no momento. –Ele se aproximou e depositou outro beijo nos lábios dela de forma suave. –E não se preocupe, quero que mantenha todas as suas opções em aberto.
—Fala sobre o meu futuro ou sobre eu decidir me relacionar com outras pessoas?
—O que você quiser, contanto que seja sua escolha.
—Você é estranho.
—Sim, mas agora tenho direito a todos os beijos que puder de uma garota que me deixa maluco.
—Estranho.
—Tenho certeza que você se acostuma.
====================X====================
Laura podia sentir seu peito apertar e a respiração falhar quando Claire a empurrou para dentro do quarto enquanto a beijava de forma intensa, prensando seu corpo contra a porta recém-fechada com mais força do que o normal.
A morena sabia que não raramente algumas daquelas ações eram propositais e isso a fazia se sentir perdida, em partes por não saber como agir e em outras por desejar se sentir mais daquela forma que a loira fazia, pensar em coisas que nunca imaginou que poderia querer mesmo em seus sonhos mais selvagens.
Claire se afastou e sorriu cínica, como se não tivesse feito nada demais (o que de fato era verdade), enquanto mordia o lábio com um olhar cheio de intenções nada puras que Laura podia entender a quilômetros de distância. A morena ainda tentava recuperar o fôlego pelo beijo quando a mais nova provocou:
—Você parece estar sem ar. Quer que eu faça respiração boca a boca?
A Howlett mostrou as garras para ela.
—Você é horrível às vezes.
—Sempre fui. Inclusive deixei isso claro logo que começamos a namorar, mas também disse que pegaria leve com você e continuo me controlando.
—Se controlando sua agressividade e instinto sexual você é pior que o James e o Nate com as namoradas, não quero imaginar como é sem controlar.
—Não precisa imaginar Laura, você vai descobrir um dia. E verdade seja dita, os dois pegam leve com elas.
A mais velha sentiu o coração acelerar e o rosto queimar de vergonha ao imaginar o que a namorada poderia fazer que fosse mais constrangedor do que já sabia em tudo que aprendeu durante o relacionamento delas.
—Você é impossível.
—Sou, mas acho que você gosta mais do que quer admitir.
A Howlett apenas suspirou, o que deu espaço para a mais nova começar outro beijo que levou as duas para a cama da mais velha.
====================X====================
21 de Outubro
O sábado começou com muitas coisas acontecendo ao mesmo tempo, incluindo novidades e confusões.
As portas da embaixada da Latvéria estavam abarrotadas e divididas; parte das pessoas estava manifestando contra a presença do Rei da nação e Dazzler por seu relacionamento com o monarca, enquanto o grupo apoiava Von Doom após as declarações sobre a guerra no dia anterior era acompanhado por fãs de Alison Blaire que estavam apoiando a cantora de forma quase unânime.
Para essa situação tanto a Shield como a polícia e o FBI concordaram em dividir a frente da embaixada em dois para que cada grupo (protesto e apoio) ficasse separado e sem grandes chances de um conflito violento.
Apesar disso, a frente do edifício estava pacífica e o interior era a calmaria, um pouco diferente do que muitos poderiam esperar com o monarca em uma visita surpresa de que nem os funcionários foram avisados.
E, como era de se esperar, a confusão no Instituto começou cedo e, de forma inesperada para as apostas, não envolveu Rebecca LeBeau, mas o retorno de James Howlett para casa com Helena segurando sua mão enquanto um brilho luminoso e perigoso percorria o corpo do rapaz. Ninguém queria dizer nada, embora todos pudessem apostar que aquilo viraria alguma encrenca para o desavisado que estivesse no caminho deles.
Jeanne Miller, a mesma aluna que provocou Nathan na semana anterior e foi salva da morte certa por Alexis, foi a esperta da vez.
Tanto James como Helena estavam “possessivos”, o que significava que ele estava fuzilando qualquer idiota que olhasse para ela enquanto mantinha seu braço protetoramente ao redor dos ombros dela. Já Lena abraçava o Howlett pela cintura enquanto lançava olhares mortais para qualquer garota que o encarava por mais do que dois segundos ou menos.
Ninguém sabia que a visita deles não era longa ou que apenas foram para o saguão porque precisavam falar com Logan, então era de se esperar que alguém, qualquer idiota que fosse, achasse inteligente provocar um dos dois ou ambos.
—Os dois bastardos andando juntos como se fossem grandes coisas. –E diante das palavras da garota muitos tremeram de medo. –Não me surpreende que as mães vagabundas de ambos sejam amigas da dona do bordel, aquela Frost va…
Antes que qualquer um pudesse reagir, um facho de luz voou na direção da garota, que desviou por pouco. Aquela luz explodiu um pequeno pedaço da parede logo atrás dos adolescentes ao lado da provocadora.
Todos encararam Helena, porém era o Howlett que abria e fechava a mão em dúvida.
—Hum. Acho que estou um pouco enferrujado. Como era mesmo? –Ele esticou a mão rapidamente e no mesmo instante outra rajada de luz acertou o corrimão em que Jeanne segurava, o destruindo. –É, algo assim. –O rapaz se afastou da namorada e seu corpo continuou a emitir cada vez mais brilho, o tornando uma versão luminosa do professor assassino que todos temiam. –Faz alguns anos que não uso a minha mutação secundária assim, mas deve servir.
—Socorro! –A garota gritou, porém a maior parte dos seus amigos era inteligente o bastante para não se intrometer entre James e seu alvo. –Me ajuda. –Ela olhou para Helena que arqueou a sobrancelha.
—Acha mesmo que pararia ele para te salvar? Se eu me meter não vai ser para te ajudar ou diminuir a sua dor.
Jeanne tremeu diante da possibilidade.
—James, o que pensa que está fazendo? –Alexis apareceu atrás do amigo com Nathan ao seu lado. –Já falei que não podemos matar os alunos, não importa quão idiotas eles sejam.
O Howlett hesitou, fazendo o brilho que seu corpo emitia diminuir.
—Se eu não a matar, posso puni-la por chamar minha mãe Emma, minha mãe e tia Wanda de vadias e vagabundas?
—Ela o quê? –Nathan apertou os próprios punhos, como se fosse se juntar ao amigo, porém parou ao notar a expressão da namorada.
—Não arranque nenhum membro dela e vou considerar válido.
O rapaz assentiu e apontou um dedo para a aluna, disparando um único tiro de luz na direção do joelho dela, fazendo Jeanne gritar de dor ao ter sua carne perfurada e queimada ao mesmo tempo.
—Nenhum membro foi arrancado, posso ir agora sem um sermão, certo?
Alexis suspirou.
—Bom, acho que sim. –Ela olhou ao redor. –Levem-na para a enfermaria, talvez Sussan aceite cuidar dela antes de um dano permanente, ainda que eu duvide.
E sem reclamar os amigos da garota tola a levantaram e arrastaram para a enfermaria, onde uma nada amigável Sussan deixou a aluna esperando por todo o dia antes de cicatrizar a ferida, sem curar o dano causado pela punição.
Mesmo Emma não interferiu naquela questão quando soube dos detalhes.
====================X====================
Aisha sentiu o toque suave e quente em seu rosto antes de realmente acordar, mas soube quem era sem precisar abrir os olhos.
—Ben.
—Bom dia, meu amor. –A jovem abriu os olhos lentamente. –Não sabe como fico feliz de finalmente ver seu rosto pessoalmente depois de tantos dias.
—Senti sua falta. –Ela levantou o abraçando.
—Isso é bom, mesmo assim quero que continue descansando, só passei para te ver e dizer que já estou aqui.
A garota sorriu voltando a deitar, por algum motivo vinha sentindo mais sono do que em toda a sua vida.
—O que ficou decidido? –Fez um esforço para se manter acordada.
—Que vamos casar hoje, em algumas horas. –Aisha pareceu realmente surpresa. –Tia Emma e Hill já providenciaram toda a documentação e chamaram o pessoal, vai parecer outra festa de aniversário, mesmo que a maior parte não vá saber o que tá acontecendo até que tudo esteja em ação.
—Não está cansado da viagem.
—Um pouco.
—Então deita aqui comigo.
O jovem Parker hesitou e então sorriu.
—Vou mandar uma mensagem para o meu pai e já deito.
Ben avisou Peter que ficaria ao lado de Aisha por algum tempo, ao que seu pai disse para ele não sair do lado dela nem tão cedo, o que o fez rir.
A relação do rapaz com o pai era um pouco tensa em alguns momentos, porém ele sabia que não importava a situação ou o momento, Peter e Mary Jane sempre estariam ao seu lado, independente do tamanho da loucura em que estava se metendo.
E desafiar T’Challa ao começar a namorar Aisha ou casar com a princesa quando ela ficou grávida eram ótimos exemplos de decisões pouco prudentes que Ben havia tomado e Peter apoiou sem questionar, porque seu pai o amava acima de qualquer desentendimento que pudessem ter.
Então, apesar das discussões idiotas e teimosias estúpidas, Gabriel Benjamin Parker sabia que tinha o melhor pai do mundo ou, pelo menos, um dos melhores e isso bastava para ele.
====================X====================
Quando Emma viu James passar pela sua porta com Helena ao seu lado, ela suspirou vencida e aliviada ao mesmo tempo.
—Me digam que não vou mais precisar receber ligações de Stephen e Wanda preocupados com a sua teimosia ou ouvir da Alison como ela acha que esse relacionamento de vocês está afetando o filho dela de forma negativa. Isso sem falar no Victor perguntando se os humores da Alison são por causa de vocês.
Os dois encararam a mulher por alguns segundos, enquanto Jean e Ororo observavam a cena.
—Você sabia? –As duas mulheres mais velhas ainda não tinham tido tempo de conversar os detalhes da entrevista de Dazzler com a Rainha Branca e esperavam preparar o terreno para mais tarde.
—Eu não deveria ficar surpreso que a senhora estivesse metida nisso, mas Wanda explicou os detalhes ontem quando conversou com Tommy e Billy sobre o pai. –James sentou na cadeira à frente da mãe adotiva.
—Meus irmãos mais velhos ainda estão um pouco bravos, embora William esteja mais aberto a aceitar tudo.
A Frost pensou em conversar diretamente com os mais jovens antes de lidar com suas colegas de trabalho, porém notou que aquilo seria inviável.
—Wanda me contou a verdade sobre os garotos e eu apoiei a decisão dela na época, então quando ela ficou grávida de Helena e Max, ajudei ela a se esconder para ter paz; podemos conversar os detalhes sobre o resto mais tarde, afinal isso vai tomar tempo.
—Às vezes eu esqueço o tamanho dos problemas que desabavam sobre você naqueles dias. –Ororo suspirou voltando a sua leitura de relatórios, o que forçou Jean a fazer o mesmo.
—Em todo o caso, em que posso ajudá-los?
—Sobre isso, meu pai disse que pediu para você guardar algo que dei a ele, por isso vim pegar. –E o rapaz estava mais calmo do que o esperado.
—Qual deles você precisa que eu pegue? –Não que Emma estivesse preocupada, aquilo era um ótimo sinal de que seu filho de criação estava feliz e seria um professor ainda mais eficiente sem a preocupação da namorada voltar a evitá-lo.
—Bom, eu queria dizer “pegue o diamante, vou fazer ela se casar comigo amanhã”... –Helena engasgou diante da fala do Howlett. –Mas como pode ver, ainda não consegui esse tipo de permissão, então as alianças de namoro são perfeitamente bem vindas; dando tudo certo eu pego o diamante em alguns meses.
—James!
—Vou esperar ansiosa por esse dia, meu querido. –A loira colocou a mão sob a mesa e pressionou um ponto oculto, fazendo um pequeno compartimento se abrir logo à frente de James. –São todas suas.
O rapaz riu.
—Eu realmente amo essa mesa. –Ele estendeu a mão pegando a pequena caixa de veludo azul escura, então fechou o compartimento e tirou de dentro da caixinha duas alianças de aço inoxidável entalhadas com um padrão que causou curiosidade em Helena. –Seu pai me ajudou um pouco a criar esse padrão, embora não ache que ele sabia que o meu eu de doze anos iria levar a filha dele para a cama antes de usá-las.
—Doze? Tem isso há dez anos?
—Não reclame, eu te falei que queria ser seu namorado na primeira vez que fomos para a cama.
—Isso é verdade. –Emma murmurou como quem não quer nada.
—Certo, mas será que vão servir?
—Vão, eu mandei confeccionar usando técnicas de ciência e magia para se adaptarem aos nossos poderes, então apesar de o projeto delas ter dez anos, o resultado final é mais novo.
—Quanto tempo? –A Feiticeira não estava muito certa de que gostaria da resposta.
—Uns dois meses depois que começamos a ficar juntos, não mais que isso. –O Howlett deu de ombros.
—Eu deveria ficar brava com a sua teimosia, mas acho que não tem o que ser feito de qualquer forma. –Ele colocou o aro prateado no dedo dela, o que a fez suspirar. –Embora eu deva admitir que você estava certo.
—Bom, isso sim é algo que eu posso concordar. –Emma comentou atraindo olhares de todos na sala. –O que foi? Até parece que fui a única a pensar isso.
James riu enquanto Ororo e Jean concordavam.
Helena se resignou em saber que quando não tivesse que lidar com Alison Blaire como sogra, certamente teria que contornar os comentários de Emma Frost; seu namorado tinha mães realmente únicas.
====================X====================
Depois de dois dias de começo de namoro e muita confusão para todos, Alexandra e Nathan estavam novamente nas suas atividades normais, ainda que suas atividades normais aos sábados envolvessem mais revisão e aulas de reforço.
Por isso, depois do incidente com James e de passarem as atividades para os alunos, ambos decidiram que precisavam verificar como estava o outro problema que estavam encarregados de acompanhar junto com os colegas.
E quando Alexis encontrou Rebecca olhando para o nada no jardim do Instituto naquela manhã de sábado ficou preocupada, especialmente porque a garota estava com um dos livros indicados por Christine no colo, junto com um dicionário e o caderno com as fórmulas de Tristan. Pensar no Stark causava uma dor de cabeça imaginária na mestiça, afinal ela meio que sabia o que ele e Conner queriam com sua nova protegida, o que era complicado, porque queria alertar a garota e ao mesmo tempo não queria se meter no meio de um problema maior ou do que poderia ser algo bom para a mais nova.
—Está pensando demais nisso. –A voz de Nathan a assustou um pouco. –E eu concordo, isso pode ser bom para ela, afinal Rebecca é uma pessoa única sob muitos aspectos.
—Ela sempre foi cheia de potencial, só desperdiçava isso com bobagens.
—Eu sou uma bobagem?
—Não comece, sabe muito bem que a queda boba dela por você não era o problema. –O Summers concordou sorrindo. –Mesmo assim fico preocupada com o estrago que a aproximação dos dois pode causar em um primeiro momento, ainda que seja um pouco óbvio que ela gosta de ambos.
—Para uma pessoa relativamente solitária, Rebecca tem um gosto peculiar. –Alexis notou o sorriso sacana do namorado e o acotovelou. –Relaxa, não tenho tara por crianças como ela, só por você. –Nate apertou o abraço em volta da cintura da loira e beijou a têmpora dela, que tremeu. –Vou pegar leve até a noite, então não precisa ficar com medo dos meus avanços agora.
—Desculpa se não estou acostumada com a sua paciência ou em te ver pegando leve nas suas investidas.
—Não pode culpar o lobo por correr atrás do cordeiro.
Alexandra parou por um momento.
—Me chamou de cordeiro? –O sorriso divertido de Nathan foi sua resposta. –Você deve ser uma das únicas pessoas que chamam um demônio de cordeiro.
—Se não gosta, posso dizer que eu sou o lobo mau querendo comer a chapeuzinho.
—Suas analogias estão ficando cada vez piores.
—Gosto delas, são todas verdadeiras depois de tudo. –O rapaz deslizou sua mão pelo braço de Alexis e se inclinou beijando o pescoço dela.
—Você disse que pegaria leve.
—Eu estou pegando leve, você ainda está usando roupas. –Havia um toque de censura na voz dele.
A loira pensou em argumentar aquela afirmação, mas além do Summers ter falado a verdade, a situação de Rebecca LeBeau era sua maior preocupação no momento, especialmente porque ela acabará de sentir a presença psíquica de Conner Banner na propriedade.
—Por que eles não podem esperar dois meses… Não, duas semanas, antes de começar a envolvê-la nessa história?
—Não culpe os garotos por estarem animados, ao menos as conversas com ambos ajudaram na mudança de perspectiva dela e não faz mal que eles queiram participar de todo o desenvolvimento da garota que gostam.
—Acompanhar o desenvolvimento ou desenvolver outros aspectos dela?
—Faz diferença? –A russa encarou o namorado. –Nem é assunto nosso para realmente interferirmos e já avisamos que os dois são perigosos, então agora é com ela.
A loira grunhiu.
—Odeio quando você tem razão desse jeito, significa que não tenho argumentos válidos.
—Sinto muito por isso, embora não vá mudar o que disse.
—Eu sei.
====================X====================
Alison Blaire acordou se sentindo mais leve e tranquila do que acontecia desde que começou sua carreira, o que era tão preocupante quanto bom. A mutante pop-star ainda não tinha certeza do que faria depois da noite anterior ou quais seriam as consequências para a sua carreira e, em ambos os casos, aquilo não estava na sua lista de prioridades, já que logo seus pensamentos foram para Carter e Victor.
Ela precisava perguntar a Emma ou Wanda sobre notícias de seu filho, afinal ele foi “sequestrado” por Helena e ainda não tinha dado sinal de vida depois da ligação que tiveram na tarde anterior, o que talvez não fosse realmente preocupante. Por outro lado, Victor não estava dormindo e Dazzler podia contar nos dedos de uma mão a quantidade de vezes em que não encontrou o namorado ao seu lado desde que começaram o relacionamento, todas as três no primeiro ano.
Quando ela sentou na cama, a porta do banheiro abriu.
—Acho que demorei mais do que pensei. –A voz rouca de Victor ecoou pelo quarto. –Dormiu bem?
—Muito.
Alison observou o monarca sentar à sua frente e esticou a mão passando a ponta dos dedos delicadamente pelas cicatrizes do seu rosto. Von Doom tinha o lado direito da face coberto de cicatrizes de queimaduras e cortes, incluindo a lateral do couro cabeludo, onde uma faixa de pele queimada se estendia quase até a nuca; algumas cicatrizes se estendiam para o lado esquerdo em seu queixo, testa e nariz, fazendo com que muitas pessoas o vissem como alguém de aparência repugnante, não a mutante. Para ela, Victor era belo de uma forma única, o que muitos consideravam loucura, porém a mulher aprendeu a ver a beleza de seu namorado por trás de todas as marcas em seu rosto e era algo que ninguém poderia tirar dela.
A morena deixou um suspiro escapar.
—O que foi? –Ela pareceu surpresa, o que o fez rir de leve. –Perdida em pensamentos?
—Vai parecer estranho se disser que estava te admirando?
—Um pouco, mas faz bem ao meu ego, então pode continuar. –Ela riu, o que o deixou feliz. –Eu já pedi para trazerem o café da manhã, deve chegar em alguns minutos; se quiser pode tomar um banho antes.
—E quais os seus planos para hoje?
Victor hesitou.
—Liguei para Hill, ela disse mandou Valéria para o Instituto, assim ela fica relativamente protegida da mídia depois de tudo que aconteceu ontem e de outros problemas.
—Contou sobre o que aconteceu com Val a quatorze anos? –Havia surpresa nos olhos do monarca. –Ela não me contou praticamente nada, mas uma vez Sue deixou escapar que Reed não queria que as pessoas soubessem o que houve com a garota e eu recebo atualizações da Emma, não foi difícil imaginar o que foi feito para você virar guardião dela.
—Acho que preciso mesmo te contar sobre isso… –Von Doom suspirou. –Liguei para Emma e ela disse que convenceria Carter a ficar lá, por conta de um problema envolvendo Aisha Monroe e Gabriel Parker.
—O que os dois fizeram dessa vez?
—Não tive detalhes, mas pela forma como Emma estava tensa, aposto que a princesa está grávida.
—Ah, T’Challa vai pirar se descobrir. Não é ruim para seus negócios se ele souber que você tinha conhecimento disso e não o informou?
—Não se tudo for resolvido hoje, então eu posso alegar que em menos de vinte e quatro horas não acontecem milagres políticos.
—Justo. –Alison levantou dando um breve beijo no namorado e seguindo para o banheiro. –Então vamos tomar nosso café e depois visitar o Instituto, com alguma sorte Emma já encaminhou todos os detalhes para casar Aisha e Ben.
—E você duvida que essa mulher seja capaz de fazer isso?
—Não querido, Emma é capaz de coisa muito mais inacreditável do que parece e a gente nem imagina.
A mutante fechou a porta do banheiro e Victor suspirou.
—Você não faz ideia do que ela tem sido capaz nos últimos quinze anos, meu amor. –Ele fez uma careta ao ouvir as batidas na porta e pegou sua máscara que cobria apenas metade do rosto. –Acho melhor que nem fique sabendo tão cedo. –Victor sentou na sua poltrona e ficou sério. –Pode entrar.
Ele deixou o funcionário da embaixada servir os pratos e quando ficou sozinho voltou a encarar a entrada da instalação diplomática cheia de pessoas contra e a favor dele e da namorada. Absorveu lentamente a realidade daquela situação e suspirou sem poder realmente fazer nada para mudar o que tinha acontecido no dia anterior, já que sinceramente faria tudo novamente se isso deixasse Alison mais segura com relação ao filho.
Teria que conversar com sua companheira mais tarde, talvez enquanto ela passava alguns dias na Latvéria.
Victor estava disposto a encarar o mundo para ficar com Alison, porém era escolha dela também e ele sabia o quanto a carreira era importante para a mulher por quem se apaixonou da forma mais estupidamente imprevisível e clichê do mundo. Então, mesmo que não gostasse das possíveis consequências, teria que respeitar a escolha da mutante sobre o impacto do relacionamento deles nos sonhos dela.
====================X====================
Emma encarou as duas colegas por alguns minutos depois de falar com Victor e convencer James a permanecer no Instituto.
—Precisamos mesmo fazer isso hoje?
—Normalmente eu diria que não, mas… –Ororo suspirou levantando um pouco irritada. –Como pode me deixar de fora sobre o relacionamento da Alison com o Von Doom depois de tudo que passamos com ela no passado? Tem ideia de como me sinto traída sobre isso? –A loira fez uma careta. –E nem vamos falar dos meus níveis de preocupação quando Wanda sumiu do Instituto com os garotos por quase dois anos, sem dar qualquer informação de onde foi ou do que ficou fazendo todo aquele tempo.
A Frost encarou Jean que parecia chateada.
—Vamos Jean, diga a sua parte antes de eu tentar me explicar.
A ruiva rolou os olhos.
—Olha, eu não tenho o direito de ficar brava como a Ororo, não estava aqui e nem mesmo conversava com você até não muito tempo atrás. –As duas colegas concordaram. –A questão é que você tem escondido tudo isso de nós e é difícil não ver isso com algum receio, não importa o quanto eu tente relevar nesse momento.
—Eu entendo o que quer dizer e no seu lugar estaria pensando exatamente a mesma coisa. – Jean e Ororo esperavam Emma continuar. –Ainda assim, o primeiro ponto importante é que isso não era meu problema ou um assunto que poderia sair por aí espalhando como se não fosse nada. E, mais importante, eu nunca tomaria nenhuma decisão que pudesse prejudicar as crianças, especialmente meus filhos, então tudo que faço, podem ter certeza, é com eles como prioridade.
As duas mulheres suspiraram e a Monroe sentou mais calma.
—Tudo bem, vou relevar algumas coisas sobre Wanda se me explicar porque ela não queria que soubéssemos sobre a segunda gravidez. –A alva esperou enquanto a loira hesitava.
—Primeiro tinha a questão com Tommy e Billy, o que não vou explicar agora, já que é uma questão longa e delicada, mas o ponto que a fez se afastar foi a família dela, especificamente Magnus e Pietro.
—Ela tinha medo do pai querer controlar as crianças ou tomá-las e que o irmão não saísse o pé dela mais. –Ororo deduziu o mais óbvio daquela questão.
—Por que a questão de Billy e Tommy é tão complicada, se ela já estava com o Stephen não seria algo tão difícil, seria? –Jean acabou perguntando.
—Ela nem ao menos sabia se ele era o pai dos garotos quando me contou isso, meses antes de engravidar novamente e ainda estava lidando com todas as complicações adicionais da sua doença com duas crianças. –As duas mulheres olharam a Frost confusas. –Deixem essa explicação para mais tarde ou amanhã, temos muito que fazer hoje. –Ambas concordaram.
—Bem, eu tenho uma questão sobre a Alison… –A loira esperou e Ororo não parecia nada divertida naquele momento. –Tem certeza que esse relacionamento com Victor é bom para ela?
Emma sorriu aliviada.
—Imaginei que a pergunta seria mais difícil, mas sim. –Nenhuma das outras mulheres acreditaram naquilo. –Olha, Victor passou a me ligar assim que eles realmente começaram a namorar, e não me perguntem o porquê, ainda cuido dos negócios dele, o que foi estranho; a questão é que ambos estavam preocupados e ele sempre me ligava quando Alison parecia abalada com algo. Então, ele deixou de ser o rei quase tirano que é? Não. Ele ama e se preocupa com Alison? Mais do que acho que ele mesmo entende. Esse relacionamento é ruim para ela? Eu espero que não, porque ela realmente gosta dele.
—Pode me convencer com alguma prova? –Jean tentou.
—Sabe quais são as duas últimas músicas românticas que ela lançou e fizeram sucesso astronômico?
—Blooming e Sky Light, não é? –A ruiva estava confusa com aquela questão.
Já Ororo…
—Tá brincando, não é? Não está me dizendo que “frio como aço” de Sky Light e “pedras resplandecentes” de Blooming são referências ao Victor. –A mulher negra parecia um pouco perturbada.
—Não só essas partes, já que “sorriso discreto” em Blooming e “calor aconchegante” em Sky Light também, ela me confirmou.
A alva grunhiu.
—Não tem como esse dia ficar mais bagunçado. –As duas mulheres encaram a mutante do clima, indignadas. –O que foi?
—Ororo, ainda vamos casar a sua filha hoje, sem o pai dela saber. –Jean começou. –Nada nesse momento, nem os segredos do passado que Emma ainda vai nos contar mais tarde, é mais bagunçado do que isso.
A Frost riu.
—Tão bom que isso esteja na sua conta e não na minha.
—Odeio vocês. –Ororo resmungou.
—
—
—
Continua...
Fale com o autor