Marvel Universe: All Different World
72 Capítulo LXXII: Oscilação de Energia.
Notas iniciais

19 de Outubro
Emma suspirou cansada e irritada.
Uma multidão de repórteres havia literalmente acampado na porta do seu colégio e exigia que Valéria Richards fosse libertada de seu cárcere. Não era da natureza da Rainha Branca desejar ver mortes violentas e com quantidades de sangue absurdas sendo derramadas, mas ela estava se sentindo tentada a isso com Reed Richards.
Para melhorar, o pai da garota tinha vazado o fato dela estar no Instituto Xavier para “despistar as buscas na Shield”, o que era o motivo atual de ninguém poder entrar ou sair do colégio ou a imprensa invadiria a propriedade, algo que alguns já haviam tentado fazer naquela manhã, não que eles não tenham se arrependido amargamente por tal ato.
Quanto a garota, ela havia passado a manhã entretida na estufa com Ororo, aprendendo tudo o que podia no seu segundo dia sobre jardinagem na estufa. No dia anterior ela havia treinado entre as aulas de Tempestade e Jean, que davam, respectivamente, um curso especial de jardinagem e artes plásticas para alguns alunos. Então, mesmo depois de toda a repercussão negativa sobre o suposto crime praticado contra a garota, ela mesma ainda não estava ciente sobre as notícias.
Porém a Frost sabia que, com o horário de almoço terminando e a tensão no portão aumentando após o comunicado oficial da Shield sobre a denúncia do patriarca da família Richards, ela não tinha muita saída além de tomar a frente da sua escola novamente.
Então, mesmo que não fosse a sua vontade, a loira saiu do escritório e seguiu para a área externa sem qualquer humor, especialmente quando viu uma linha inteira de jornalistas pendurados no muro com câmeras apontadas para o interior da sua escola.
—Ativar medidas de segurança contra invasão, código 061. –Emma comentou com a mão no ponto em seu ouvido, o que causou um choque nas pessoas que estavam penduradas no muro, fazendo todas caírem. –Odeio quando as pessoas não entendem que o muro já faz parte da propriedade.
—Ei! Isso é agressão! –Um homem irritado gritou.
—Falou o troglodita que estava pendurado no meu muro. –A Rainha Branca retrucou de forma cínica ampliando o alcance de suas palavras telepaticamente. –Agora, sendo direta, o primeiro imbecil que ousar invadir a minha escola vai ganhar uma passagem só de ida para o inferno e isso não é uma metáfora. Eu tenho alunos que precisam sair, fornecedores que precisam entrar e professores que precisam ir ver questões para as aulas das próximas semanas, então desocupem a entrada da minha escola e mantenham seus pés fora do meu terreno.
—Queremos o estuprador de Valéria Richards aqui, ele tem coragem de enfrentar a imprensa? –Outra pessoa gritou
A Frost respirou fundo e pensou em como afastar a manada de animais idiotas em sua porta, mas não teve tempo.
Um raio passou a menos de um metro de seu corpo e acertou o portão, energizando o muro e afastando todos os jornalistas que gritavam ali. Ao se virar, a telepata deu de cara com uma Valéria Richards irada, enquanto Robert Barton vinha logo atrás com uma cara de culpado, como quem não conseguiu evitar o surgimento de um problema.
—Valéria! Viemos para te defender! –Uma mulher gritou.
—Vai se foder! –Todos se assustaram com a voz magicamente amplificada da garota. –Me defender do meu namorado? Me defender daqueles que me acolheram? Vão pro inferno!
—Val… –Robert gemeu atrás dela e tocou seu ombro, tomando um choque que o derrubou. –Tô bem. –Disse antes que a garota se preocupasse. –Não é como se esse fosse o primeiro choque que eu levo na vida.
—Rob… Sério, eu gero pelo menos cinco mil watts de energia por dia sem nem ao menos pensar.
—Sei disso amor. –O garoto levantou com um pulo. –Mesmo assim eu aguento. –O Barton se esticou, estalando o pescoço e os membros. –Mas admito que essa foi forte.
A multidão começou a gritar e a maioria chamava Robert de nomes ofensivos, principalmente estuprador.
—Calados! –A eletricidade explodiu pelo corpo de Valéria, calando a todos. –Querem acreditar no mentiroso do meu pai? Ótimo, acreditem. Só lembrem de perguntar porque ele me escondeu na Latvéria por quatorze anos e não me queria de volta. Ou melhor, perguntem onde está a minha mãe desde que ela me emancipou.
—Você não vai fazer dezoito em algumas semanas? –Robert perguntou distraído atraindo a atenção de todos. –Você é mais ou menos um ano e meio mais velha do que eu, não é?
—Sim, em dezembro. –A garota cruzou os braços e sorriu divertida. –Preocupado que sua namorada é mais velha?
O Barton gargalhou.
—Não sou idiota. Você vale muito mais do que um país, nem um planeta inteiro me faria ter vergonha de ser seu namorado.
—Bom saber moleque. –Todos viraram e deram de cara com Franklin Richards parado do lado de fora do portão. –Quero saber por que estão chamando o namorado da minha irmã de estuprador?
—Seu pai denunciou ele! –Um homem gritou na multidão.
—O homem que acertou a minha cabeça com um peso de dois quilos e me deixou desmaiado por mais de uma hora no chão da nossa sala, sem socorro, disse isso? –O rapaz comentou sem expressão.
—O doutor Richards nunca faria isso! –Alguém gritou.
—Claro, porque nenhum bom homem público jamais foi um monstro na vida particular. –Emma foi irônica. –Pensei que estava se adaptando na Shield, Frank.
—Eu estou, vim por causa da minha irmã e essa confusão que nosso pai criou. –O Richards acenou para a garota ruiva que seguia até o portão. –Oi Ray.
—Oi, pensei que nosso dia era amanhã. –A Summers estava confusa.
—É sim, vim por problemas de família.
—Ah, eu vi. Seu pai foi um pouco longe dessa vez, parece até a vez que ele instalou câmeras no banheiro do seu quarto, mesmo sabendo que eu tomava banho lá. Minha mãe ficou uma fera e quase o matou. –A ruiva olhou ao redor. –Precisa de alguma coisa, senhora Frost?
—Na verdade, eu acho que não esperava tanta gente aqui. –A Rainha Branca encarou os jornalistas. –Se querem mesmo saber a verdade, questionem Reed porquê a Valéria preferiu ir viver na Shield ou o Franklin saiu de casa. Aliás, ele ainda não soltou nenhuma nota dizendo que aliciamos o filho mais velho para derrubá-lo ou destruir sua família?
—Ele soltou essa nota na hora do almoço, dizendo que existe um complô contra ele dentro da agência envolvendo o Instituto e os Vingadores. –Franklin comentou levitando sobre o portão e entrando na escola. –Reed saiu de controle e perdi contato com o tio Ben, então estou preocupado; tio Johnny disse que não é para eu ou a Val nos envolvermos com isso e, se for o caso, é para deixar o Edifício Baxter cair sobre a cabeça do meu pai.
—E a Hill? –Emma duvidava que a Comandante deixaria aquele prédio cair no meio de Nova York.
—Analisando se invadir o prédio e a cobertura é um plano viável, embora isso não pareça ser a primeira ideia dela. –O garoto deu de ombros e se voltou para a irmã. –Vai estudar, fiquei sabendo que decidiu fazer jardinagem e artes plásticas aqui por causa do tio Victor, então tem que se dedicar.
—Não precisa agir como se realmente se importasse com o meu relacionamento ou a segurança do Robert. –Valéria retrucou e depois eletrificou o portão uma segunda vez antes de finalmente se virar e sair andando de volta para o antigo casarão junto ao namorado.
—Eu já imaginava isso, mas ela realmente me odeia. –Frank encarou a multidão. –Vão embora, vocês não conhecem a minha família e muito menos o meu pai, então deixem a minha irmã em paz.
—Mas o abuso…!
—Não existiu e isso é tudo que precisam saber. –O rapaz encarou a namorada. –Nos vemos amanhã?
Rachel se aproximou e beijou o namorado.
—Você não precisa sair correndo só porque sua irmã está irritada.
—Eu sei, é que preciso me acostumar a morar sozinho e ainda não terminei de arrumar as minhas coisas.
—Precisa de alguma ajuda?
—Não. O pessoal da Shield está sendo bem solícito com o que preciso, o que é novo, já que não estou acostumado.
—E a terapia?
—Foi estranho.
—E?
—E a psicóloga acha melhor a gente ter duas sessões por semana.
—Você está bem com isso?
—Acho que sim, não tenho certeza sobre como me sinto ainda.
—Tudo bem, qualquer coisa me liga que eu tento ir pra lá, certo? –O rapaz concordou e se virou voltando a levitar para ir embora. –Frank! –Ele encarou Rachel. –Você fez bem.
Franklin sorriu e voou para longe.
—Ele está bem? –Emma encarou o ponto em que o garoto sumiu.
—Não, mas vai ficar.
A Rainha Branca encarou a multidão.
—Desocupem a frente da minha escola. –As pessoas se olharam confusas e começaram a se dispersar. –Finalmente eu posso continuar meu serviço em paz. –A mulher se virou e andou em direção ao prédio, de volta para a sua sala e seus relatórios.
Rachel encarou a cena e sorriu.
Ela ainda não gostava de Emma, mesmo assim podia lidar com a forma com que a mulher se dedicava aos outros, até quando não os conhecia de verdade.
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Depois do caos causado pela denúncia de Reed Richards, as coisas de alguma forma se acalmaram.
Em vários jornais as declarações de Franklin e Valéria eram veiculadas como uma suspeita plausível sobre a denúncia que o pai dos jovens havia feito, em outros eram tratadas como provas que confirmavam as acusações do Senhor Fantástico a respeito da Shield e dos mutantes. Apesar disso, a entrada do Instituto Xavier estava livre e a circulação de pessoal foi liberada e mais ninguém tentou invadir o terreno da escola, o que era o suficiente para Emma ficar satisfeita com o funcionamento do lugar.
Ninguém se preocupou com nada durante aquela tarde.
Todos seguiram em suas atividades normais, embora os alunos de combate tenham chegado a rezar pelo retorno imediato de James, já que Claire e Laura podiam ser piores do que o professor carrasco.
Então, Rebecca não poderia dizer exatamente quão desconfortáveis as coisas eram em sua nova rotina, mas não era fácil.
Durante o almoço ela comeu em uma das bibliotecas, sob o olhar curioso de alguns alunos que chegaram depois. A LeBeau havia devorado duas montanhas de comida enquanto lia um livro inteiro sobre química em menos de uma hora. À tarde, enquanto alguns alunos tentavam bloquear um corredor ou derrubá-la no chão, a garota inconscientemente usou seus poderes para não cair e até mesmo voar sobre a multidão enquanto lia outro livro, dessa vez de física.
Alguns professores notaram aquela nova dinâmica em que mesmo alguns alunos que normalmente não implicavam com os outros estavam perseguindo a antiga encrenqueira como uma forma de vingança. Alguns foram repreendidos e aos poucos seus números diminuíram consideravelmente, o que ainda não era perfeito, mas não havia muito que pudessem fazer a respeito dos demais.
Especialmente que a verdadeira preocupação de todos não eram os outros alunos.
Era quase seis da noite quando o caos se instalou da forma mais esperada, por isso alguns até se assustaram em não notar antes.
Becky tinha acabado de terminar outra rotina de exercícios e estava seguindo para seu quarto tomar um banho rápido, antes de ir jantar e estudar por mais três horas, quando ouviu o grito.
—Rebecca! –O sangue da garota gelou e não melhorou quando virou para encarar um Oliver que parecia possuído. –Sua traidora, você me enganou! –Os gritos do garoto ecoavam pelos corredores, afugentando os alunos mais novos e os sensatos. –Me dê.
A garota recuou quando o irmão avançou.
—Do que você está falando?
—Os poderes!
—Como assim?
—Seus poderes, eu quero eles.
—Espera. Como assim você os quer? Não é assim que as coisas funcionam.
—Cala a boca! Você vai me dar seus poderes, vai me dar como sempre deu quando eu queria! –Oliver avançou contra a irmã, mas ela desviou do toque dele com facilidade.
—Eu não vou te dar nada. –Alguns alunos que assistiam a cena prenderam a respiração. –Eu posso não gostar dos meus poderes, posso odiar ser mutante e desprezar a nossa herança, só que esses poderes são meus e não vou entregá-los para você fazer o que bem entender.
O irmão dela a encarou e murmurou algo, deixando todos tensos antes de gritar a plenos pulmões.
—Sua ladra! Esses poderes deveriam ser meus! O lugar nos X-Men é meu! Eu vou matar o Magneto! Eu vou te matar!
Quando viu o irmão avançar novamente, de forma descontrolada e irracional, Rebecca suspirou, desviando dele e chutando-o nas costas, o que fez Oliver se desequilibrar e cair no chão, deslizando por alguns metros.
—Quem te disse que quero ser uma X-Men? Eu não quero nada disso, do legado dos nossos pais ou qualquer coisa relacionada com as missões de salvamento. –De um modo estranho, os últimos dias tinham feito com que a jovem LeBeau perdesse a vergonha de dizer como se sentia sobre ser uma mutante. –Se não existe uma forma de apagar meus poderes, então eu vou fazer o possível para que eles me tirem daqui, para ter uma vida tranquila e normal atrás de uma mesa de escritório, seja na Shield, na Stark Inc ou nas Academias de treinamento. Eu não quero nada além disso.
Ollie voltou a avançar contra a irmã, que desviava com alguma facilidade.
Ninguém entendeu como, só que de alguma forma um pedaço de tecido fez Rebecca se desequilibrar e deu a Oliver a chance perfeita de agarrar o pulso da irmã.
A imagem da mão de seu irmão quase tocando sua pele e Ollie tendo acesso às suas novas habilidades assustou Becky, que em meio ao desespero lembrou de tudo que contaram sobre os poderes de seu pai, incluindo a camada de energia disruptiva que Remy usava para anular o efeito dos poderes de Vampira.
Não foi algo pensado ou calculado, mesmo assim por um momento a garota imaginou a energia em seu corpo como uma segunda pele, algo que impediria seu irmão de tomar seus poderes e machucar qualquer um, não apenas ela. Rebecca lembrou vagamente sobre a estrutura de construção de um material plástico e de como Cara havia afirmado que todos os átomos eram energia, então aqueles que manipulam a energia podiam manipular a essência da matéria ou pelo menos imitá-la.
Tudo aquilo se juntou como um quebra-cabeça na mente de Becky nos poucos instantes entre ela notar que Ollie iria tocá-la e ele conseguir de fato segurar seu pulso.
Então, quando a mão de Oliver agarrou o braço da irmã, ele não sentiu nada, nem mesmo os poderes que normalmente conseguia sugar dela antes da mudança.
—O quê? –Ele apertou o braço de Rebecca com mais força e quando nada aconteceu agarrou o pescoço dela. –Onde está?! Cadê seus poderes?! –Mas a garota não falava nada, apenas continuava concentrada na imagem em sua mente. –Me dê meus poderes!
Antes que qualquer outra pessoa pudesse reagir, a porta do quarto de Nathan se abriu e o telepata usou sua telecinese para afastar o garoto da irmã.
Alexis apareceu logo atrás do namorado, assustada e surpresa com o que tinha sentido, e ficou desesperada ao ver que a primeira coisa que aconteceu com Becky ao ser solta foi ter uma convulsão.
—Nate! –A Rasputin se aproximou da garota e tentou procurar por um motivo que levasse a uma convulsão violenta como a que Rebecca estava tendo.
—Ele não pegou nada dela, eu poderia sentir na mente dele. –O Summers respondeu enquanto prensava Ollie contra a parede.
—Ela não tem marcas ou machucados, também não parece ter batido a cabeça. Isso não faz…
—Essa maldita não tem nada! –Oliver gritou irritado. –Não tem nada, nenhum poder. Nada.
Ao ouvir aquilo Alexis se assustou.
—Ah não.
—Ela usou os poderes para bloquear o irmão? –Nate olhava surpreso para a garota que tremia no chão.
—Acho que sim, mas não começamos o treinamento dos poderes dela, estamos aumentando eles aos poucos para evitar um surto. –A Rasputin tocou o corpo de Becky, que parecia ter se acalmado por um segundo antes de ter convulsões mais fortes e violentas do que antes. –Parece que para evitar a habilidade do Ollie, ela criou uma camada de energia disruptiva, como a que o Remy usava com a Vampira, só que isso pode ter sobrecarregado a mente dela.
—Verdade. –Todos encararam Emma surgir no corredor acompanhada de Sussan e Hank. –O que aconteceu foi que ela acabou acidentalmente acelerando o crescimento dos poderes dela, por isso as convulsões.
—O cérebro dela não está suportando a descarga de energia repentina que está sendo gerada, isso faz com que as ondas de choque causem algum dano a mente dela. –Sussan se ajoelhou ao lado da LeBeau e começou a colocar uma série de eletrodos nas têmporas, cabeça e nuca da garota desmaiada. –É possível retardar ou desacelerar o processo, dando tempo do cérebro se acostumar com a nova potência usando a frequência de energia correta pela terapia de eletrochoque.
—Lembre-se do que eu falei mais cedo sobre essa terapia. –Hank aconselhou enquanto supervisionava sua estudante.
—Sim doutor McCoy, essa terapia não pode ser usada como tratamento para a maior parte das pessoas em nenhum caso, mas para casos como o da Rebecca uma exceção pode ser feita para ajudar, fazendo com que o excesso de energia não gere danos ainda mais irreparáveis ao cérebro do que os choques. –O homem assentiu. –Também precisamos agir com cuidado na hora de aplicar os eletrodos nos locais corretos, para garantir que apenas as áreas corretas sejam afetadas, evitando qualquer problema a longo prazo, mas aceitando que o paciente pode ter danos a curto prazo durante a recuperação.
—Muito bom Sussan. –Hank observou a colocação dos eletrodos e a voltagem da máquina. –Quer que eu assuma a ativação?
—Não é preciso. –A calma de Sussan chegava a assustar a maioria dos presentes. –Ela tem se esforçado de verdade, então eu não posso fazer de conta que não sou responsável pela sua saúde.
E antes que qualquer um pudesse desmentir aquela afirmação, Sussan ligou o sistema de choque, fazendo Rebecca ficar paralisada durante a descarga elétrica.
Quando terminou, Hank assentiu e pegou a jovem LeBeau nos braços, virando na direção do elevador que o levaria para a enfermaria e permitiria que ele e sua aprendiz monitorassem Becky durante a madrugada.
Alexis encarou Emma e notou Jean logo atrás dela.
—Vocês vão precisar de ajuda com o Oliver? –Nathan jogou o garoto no chão, aos pés da mãe. –Porque eu não me importo de surrá-lo por algumas horas.
—Acho que você e Alexis deveriam aproveitar o dia livre e deixar os problemas para nós. –Jean olhou para a nora e sorriu. –Amanhã vocês se preocupam em ajudar no que for necessário e a gente conversa mais sobre as mudanças que aconteceram. –A ruiva notou quando a mestiça corou, mas ela gostava daquela combinação.
—Nesse caso, a gente vai voltar para o quarto. –Nathan estendeu a mão para Alexis que por um momento hesitou, então respirou fundo e segurou a mão dele. –Até amanhã.
E sem dizer mais nada os dois voltaram para o quarto do Summers.
—É tão bom saber que eles se entenderam. –Jean tinha um sorriso feliz no rosto.
—Quem se entendeu? –Christine apareceu com Rachel logo atrás. –Eu ouvi que Ollie e Becky brigaram, mas não vejo ela.
—Becky está na enfermaria sendo tratada de um surto de crescimento de poderes. –Emma resumiu.
As duas garotas praguejaram.
—Droga. O plano era fazer os poderes dela crescerem aos poucos até alcançar a capacidade máxima, talvez daqui um mês ela tivesse um surto parecido com esse, não agora. –Christine não gostava quando seus planos eram destruídos.
—Estão usando eletrochoque para evitar danos? –Rachel parecia preocupada, especialmente quando confirmaram. –Se pelo menos a gente… –Ela parou e puxou o braço de Chris, que fez uma careta. –Ela está tendo um surto de crescimento. –A ruiva comentou como se fosse uma descoberta.
—Sim, isso não é bom. –A Frost mais nova não gostava da atitude da outra garota.
—Não, pode sim. –Todos encararam Ray como se ela estivesse louca. –E se em vez de simplesmente aliviar os sintomas com choques, usarmos esse momento para forçar mais informação no cérebro dela. Assim, fazemos ela a absorver mais conhecimento ao mesmo tempo em que…
—Aproveitamos o surto e o controlamos com mais facilidade já que uma das habilidades dela é aprendizado rápido. –Christine sorriu satisfeita com a ideia da outra garota. –Eu vou pegar as fitas que a Claire mandou, conversa com o Hank sobre o que podemos usar a mais.
E sem dizer mais nada as duas garotas saíram, cada uma para um lado, colocar seu plano em prática.
—Elas nem lembraram de perguntar novamente sobre quem se entendeu. –Jean comentou um pouco distraída.
—Deve ser bom, pelo menos elas estão focadas em algo. –Emma notou Ororo se aproximando. –Você atualiza ela?
—Tudo bem, algum problema?
—Não, preciso mesmo terminar meu trabalho e faltam três relatórios.
—Tudo bem, passamos lá mais tarde para te ajudar se não tiver acabado com tudo.
A Frost concordou e sem dizer mais nada seguiu para seu escritório depois de mais um imprevisto no seu dia.
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Christine e Rachel encararam a situação de Rebecca com cuidado, como se a menor respiração errada pudesse fazer o estado da mais nova virar uma bagunça maior ainda, não que Hank ou Sussan achassem aquilo possível.
Os primeiros minutos foram os mais difíceis para todos, já que as convulsões da LeBeau pareciam não cessar e nenhum dos dois responsáveis médicos queriam usar a terapia de eletrochoque mais do que a margem segura. Quando Rachel e Christine chegaram com a ideia de bombardear a mente de Becky para utilizar o crescimento inesperado de poder dela e talvez estabilizar a situação clínica de Rebecca, Sussan foi a primeira a analisar os prós e contras antes de ceder.
Não era uma certeza, mas os riscos da ideia das duas professoras era relativamente menor do que os próprios choques.
Depois de mais ou menos uma hora, Rachel encarou os demais.
—Quais as chances de vermos qualquer sinal de melhora ainda hoje?
—Poucas. –Sussan comentou.
—Não é melhor nos revezamos para ficar de olho nela? Cada um toma banho e come um pouco antes de voltarmos.
—Na verdade, essa é uma boa ideia. –Christine olhou para os demais e virou para a ruiva. –Pode ir na frente.
A Summers hesitou e, por fim, cedeu a curiosidade e preocupação.
—Sobre o James…
—Eu não sei quem é a mãe dele. –O tom frio da Frost foi perigoso.
—Não é isso. –Todos ficaram surpresos com a afirmação de Ray. –Eu vi que ele está tenso com isso, mas estou preocupada sobre a questão com a Strange. –Ela tentou não soar invasiva. –Acho que ele não tá legal com isso.
Christine suspirou.
—Ele não tá, mas não é hora de pressionar a respeito. –A loira hesitou. –Eu perguntei para ele mais cedo, então…
—Entendi. Eu vou tomar banho e comer antes de voltar. –A ruiva olhou para os dois médicos. –É bom trazer algo para eles, não é? –A Frost concordou. –Vou tentar não demorar.
Assim que a Summers saiu, Sussan riu sem humor.
—Quando foi que vocês ficaram amigas?
—Não ficamos. Ela parou de me provocar por bobagens e eu nunca tive nada contra Rachel, então podemos dizer que alcançamos o ponto entre colegas de trabalho que não são amigos, mas se tratam com o mínimo de respeito necessário.
—Imagino que isso seja bom de muitas formas. –A albina comentou.
—Melhor do que a opção anterior. –A loira fez uma careta depois de olhar na direção da porta, o que a deixou um pouco irritada. –Odeio isso.
E antes que qualquer um pudesse perguntar, Helena surgiu como uma passe de mágica parada na porta.
A Strange engoliu em seco ao ver a expressão da loira.
—Oi Christine, o James me disse que estaria ocupado hoje, só que eu não o achei quando passei no quarto dele. Onde ele foi?
—Não é da sua conta. –O tom ríspido na voz da Frost pegou todos de surpresa. –Agora já pode ir embora, estamos ocupados demais aqui para ficar prestando atenção na sua carência. –E diante da forma como o assunto foi encerrado, Helena suspirou e desapareceu. –Eu espero de verdade que ela não arruíne as coisas entre o James e a mãe, ela deu um jeito de vir para Nova York só para atender ao chamado dele.
—Não sei o que é mais surpreendente, você chutar Helena daquele jeito ou saber quem é a mãe dele. –Hank resmungou trocando a fita de áudio do aparelho e colocando uma nova. –Como descobriu?
—Achei estranho que ela tenha chegado justamente na mesma semana que o show e tem o fato dele sempre conseguir ingressos para a Esperanza e o Max.
—Espera! –Christine e McCoy encararam Sussan que parecia um pouco chocada. –Alison Blaire é a mãe do James?
Os dois se olharam e o mutante bestial deu de ombros.
—Apenas não comente com ninguém, James mataria nós três por isso. –A Frost pediu.
—Eu você acha que eu quero morrer? Só fiquei surpresa.
A risada de Hank foi seca.
—Todo mundo que soube ficou surpreso na época, não é bem uma reação incomum.
—Cuidar da Rebecca está começando a me parecer uma noite superdivertida e animada. –Sussan se esticou. –Será que a Rachel demora a chegar com a comida?
—A Rachel não vai voltar.
Sussan se perguntou como a loira poderia ter tanta certeza ou o que faria a ruiva não retomar sua própria ideia.
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A situação era tão ridícula que Ororo não sabia se deveria rir ou apenas ignorar, afinal, Jean ainda encarava Emma como se aquilo fosse a coisa mais perigosa e problemática do mundo.
—Pare com isso, não é como se estivéssemos no fim do mundo.
—Você me diz que Alison Blaire é a mãe do James e não é para eu ficar preocupada?
—Na verdade, o estranho é você não saber disso, já que ela ficou grávida antes da sua “morte” a mais de vinte anos. –Não que a Rainha Branca fosse realmente se preocupar com aquele detalhe.
—Considerando o quanto Logan parecia envergonhado de ter engravidado a Alison, acho que não é tão estranho, tá mais para incomum já que naqueles dias sua capacidade de manter sua telepatia longe da mente alheia era um tanto ruim. –Ororo comentou tentando não soar cruel com a ruiva.
—E como foi que a maior parte dos nossos amigos nunca comentou nada sobre isso? Quero dizer, outras pessoas sabem sobre isso, não é?
—Claro que sabem. –Emma soou ofendida. –Hank, seu marido, Bob, Amara, Rahne, Danielle, Wanda, Kurt, Fury, Hill, Sharon, Steve…
—O Capitão sabe? –Jean se sentiu traída.
—Vamos colocar assim, Emma e Alison se entenderam completamente e Logan aceitou tudo que elas decidiram, não que eu tenha ficado contra qualquer coisa. Por isso todos acharam bom seguir nossa diretriz de não falar sobre o assunto, que no caso é a mãe do James. –Ororo deixou o relatório terminado sobre o arquivo e começou a organizar a pilha de pastas para guardar. –Alison não queria que as pessoas fossem mais cruéis com ele do que o esperado, o que com a fama dela não seria nada estranho, além de saber perfeitamente bem que não podia criá-lo e, sendo bem sincera, agradeço todos os dias que ela tenha sido tão consciente assim.
—Então, como ela escolheu Emma para ser mãe do James? Quero dizer, você é uma mãe incrível hoje, mas eu nunca teria te escolhido naquela época. –A ruiva foi sincera.
—Eu acho que foi o tapa. –As duas mulheres encararam a mutante negra. –Sabe, você deu um tapa daqueles quando a encontramos e ameaçou a vida do Logan de uma forma bem perigosa, além de ter batido nele também.
—Você bateu na Alison?
—Em minha defesa, eu estava mais preocupada com a situação precária em que o James vinha vivendo.
—Estava mesmo. –Ororo riu. –Nunca esqueci o tapa porque a Emma passou duas horas em um silêncio mortal, apenas cuidando dele como se fosse seu próprio filho e estava furiosa com a situação que encontramos na casa.
—Eu não sei se consigo imaginar a Emma daquela época agindo como uma mãe preocupada. –Jean comentou um pouco curiosa. –Quero dizer, eu posso imaginá-la como uma femme fatale, mas como uma mãe? Isso é muito mais difícil.
—Acredite, eu te entendo, pensava da mesma forma, mas eu vi e, admito, isso foi uma das coisas mais estranhas que presenciei na época. –Ororo provocou a loira que bufou.
—Agora que as duas parecem ter tirado sarro da minha cara o bastante para uma semana, que tal focarmos no fato de que o trabalho acabou e eu espero que aquela garota não foda o meu esforço de marcar essa reunião entre James e a mãe. –As duas mulheres encararam Emma surpresas, afinal ela raramente usava aquela linguagem. –O que?
—Você não morre de amores por ela, não é mesmo? –A ruiva sorriu.
—Você morria de amores pela Alexis? –A Frost devolveu.
—Não é como se eu não entendesse ela melhor recentemente, mas sim, você tem razão.
—Vocês sabem que a garota tem nome, não é? –Ororo suspirou cansada.
—Eu sei, assim como sei que a mãe dela provavelmente não liga para isso. –Emma resmungou.
A mutante negra deixou as pastas em sua mão caírem e encarou a loira.
—A mãe dela? Você conhece a mãe da Helena?
—Conheço, por quê? –A Frost notou o olhar incrédulo das duas.
—E nunca te ocorreu contar para ninguém sobre isso? –Jean não gostava dos segredos de Emma.
—Como se eu fosse a única a saber disso. –A Rainha Branca hesitou. –Se bem que eu acho que Illyana não conta como uma opção válida.
—Não, ela não conta. –Ororo suspirou vencida e começou a pegar as pastas do chão com a ajuda de Emma. –Sério, como você acabou no meio de toda essa confusão?
A loira gargalhou.
—Querida, eu entrei nessa confusão muito antes de Helena nascer e, acredite quando digo, ainda bem que soube disso antes.
—Às vezes eu te odeio muito. –Jean resmungou contrariada.
—Não querida, você me ama, por isso está chateada.
No final, Ororo desistiu e gargalhou.
Ela adorava Emma e Jean, mesmo com toda a dor de cabeça que o relacionamento conturbado das duas sempre lhe causou, então era um alívio para a mulher alva que ambas estivessem finalmente se dando bem. Independente de todo o passado trágico que as cercava.
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—Ainda não acredito que ela foi sequestrada. –Alexis comentou quando Nathan voltou para a enfermaria com comida para todos.
—Eu ainda não acredito que vocês estão namorando. –Christine resmungou. –Como foi que eu não vi isso chegando ontem?
—Não se culpe Chris, sua capacidade de prever eventos provavelmente tem limite. –Nate brincou.
—Embora tenha sido estranho o momento em que você olhou para a porta e soube que alguém que não devia estar aqui chegaria. –Sussan completou o que vinha querendo falar a horas.
—Alguém não, Helena. Eu sabia que era ela.
—Mais assustador ainda, assim como o momento em que você disse que Rachel não voltaria quase que em seguida saída da Helena. Sinceramente, eu gostaria mesmo de saber que tipo de habilidade é essa que afeta a sua percepção do espaço e, não improvável, do tempo. –Todos encararam a mutante albina que suspirou. –Não é como se eu fosse a primeira ou a única a se perguntar isso, então não façam essas caras.
—Ela não tá errada. –A Frost admitiu e depois encarou Hank. –Alguma chance de você conseguir descobrir isso se passar um pente fino nos meus exames?
—Embora Emma fosse adorar receber um relatório completo da sua saúde… –Todos riram da afirmação de McCoy. –Tudo que eu consegui da última vez que procurei uma resposta para tal questão estava diretamente relacionado ao seu gene X.
—Mesmo assim, faz alguns anos desde que você procurou, eu nem namorava o Andy quando esses exames foram feitos.
Todos esperaram o doutor responder, então Hank suspirou um pouco cansado e encarou Christine.
—Quer mesmo correr atrás dessa resposta?
—Não tenho nada a perder tentando descobrir, não acha?
O mutante bestial hesitou e, por fim, concordou.
—Só não espere que eu corra atrás disso essa semana. –Ele comentou um pouco mal-humorado. –Aisha e Rebecca já deixaram meu laboratório e consultório uma bagunça.
—Tudo bem, passo aqui na segunda.
—E aqui, senhoras e senhores, podemos ver com perfeição a qualidade única do sangue Frost sobre nunca ceder até conseguir o que quer. –Nathan brincou, o que fez todos rirem.
—Agora, vamos falar sério. –Nathan riu da forma como Alexis começou a sua fala. –Como a Rachel conseguiu ser sequestrada no próprio quarto?
—Acho que ela estava tentando ajudar o James. –Christine deu de ombros.
—Bom, era esperado que algo desse errado, só fiquei surpreso quando Emma confiou na minha irmã. –A mutante demônio deu um beliscão no namorado. –O quê? Minha irmã é curiosa demais para o próprio bem e a maior parte dos professores não considera isso bom para lidar com problemas.
—Verdade, mas ela realmente estava preocupada com ele. –Chris sentou ao lado de Rebecca e suspirou. –Vamos torcer para a teimosia dos Grey-Summers ser tão boa quanto a dos Frost e ela consiga evitar mais danos do que o necessário ou James realmente vai ficar ainda mais irritado o resto do ano.
—Não! –Sussan gritou. –Se ele ficar mais irritado do que já é, eu vou ter mais trabalho do que o normal e é a última coisa que preciso no meu ano.
Ninguém falou nada, eles sabiam que um James mais irritado que o normal era sinônimo de mais trabalho para todos.
Hank olhou para o relógio e suspirou.
—São quinze para as oito, eu sugiro que todos que acreditam em algo comecem a rezar.
Não houve discussão sobre aquela afirmação.
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Continua...
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No próximo capítulo: Dinner.
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