Marvel Universe: All Different World
73 Capítulo LXXIII: Dinner.
Notas iniciais

19 de Outubro
Rachel não negaria que estava curiosa sobre a mãe biológica de James, mas ela também sabia que ficar fazendo muitas perguntas não adiantaria em nada. Por isso, depois de perguntar a Emma, de forma relutante, se havia algo que pudesse fazer para ajudar e receber um educado não da Frost, a ruiva decidiu que ganharia mais voltando a sua tarefa de cuidar de Rebecca pela noite toda.
Infelizmente alguém tinha planos bem diferentes para ela e ver a presença de Helena Strange em seu quarto depois do banho foi um pouco perturbador para a Summers.
—Que caralhos…?
—Você sabe onde está James?
—Espera. O quê?
—Quero saber onde ele foi, já que não está no Instituto.
—Como você sabe que ele não está aqui? –A ruiva ficou na defensiva enquanto se trocava.
—Porque já perguntei para Christine e Emma, só que as duas disseram que não era da minha conta.
—Elas não estão exatamente erradas. –Havia uma pontada de cinismo na voz de Rachel, proveniente da informação que a feiticeira vinha machucando James de muitas formas. –Até porque, se ele não te contou, é porque você não precisa ficar sabendo. –E a ruiva sabia que aquele final foi um pouco cruel, mas naquele momento ela não ligava.
—Ele me disse que estaria resolvendo problemas familiares essa semana, disse que precisava de tempo para ele e por isso não podia me ouvir, agora ele sai como se nada estivesse acontecendo e você vem me dizer o que eu posso ou não ficar sabendo? –A fúria da Strange emanava em ondas de poder do seu corpo.
—Até onde eu sei, vocês apenas transam. Ou, para ser mais precisa, você trata ele como seu brinquedo sexual e depois que se sente satisfeita o descarta feito lixo até sentir falta novamente, então me desculpa se seu drama não me comove o suficiente para dizer o que James foi fazer.
Helena encarou Rachel por longos minutos antes de desabar na cadeira mais próxima.
—Eu só… Eu só quero me desculpar direito. –A feiticeira parecia arrasada, o que fez a ruiva sentir um pouco de culpa, mas não o suficiente para contar o que a outra queria saber. –Por que eu nunca faço nada direito?
—É uma boa pergunta. –A morena encarou a Summers. –Infelizmente, nesse aspecto eu não tenho bons conselhos.
—Você e sua rixa com a Christine.
—Bom, pelo menos você entende. –A ruiva encarou o teto. –Deixe o James em paz, ele esteve atarefado a semana inteira e não foi mentira quando disse que tinha problemas familiares para resolver.
—Eu pensei que todos os problemas com as irmãs e irmão dele fossem resolvidos pela Emma.
—Não é um problema com essa parte da família.
—Eu não entendo, foi algo com Laura e Rose?
—Não tem relação com nenhum deles, a Emma realmente cuida dessa parte também e o Logan não deixa o James se envolver com isso. –Rachel levantou e encarou Helena. –Ele tem esses negócios familiares para lidar e não acho que vá ficar feliz em saber que você tentou invadir a privacidade dele.
A Strange hesitou e, por fim, encarou a Summers determinada.
—Posso te pedir para vir comigo em um lugar?
—Fazer o quê?
—Seguir o James.
—Como é?
—Ele levou a pedra de proteção que dei de presente, então eu posso rastreá-lo. Assim posso descobrir o que ele realmente está fazendo.
—Você ficou maluca? Vocês não são namorados para você rastrear o James ou seguir ele até onde… –A ruiva se calou.
A leve curiosidade sobre a mãe do Howlett foi soterrada imediatamente pela imagem de Helena seguindo o amigo até onde ele foi e causando uma cena constrangedora para todos, tudo por um ciúme intenso. Ela notou rapidamente que a feiticeira não estava apenas angustiada por ter feito bobagem e machucado James, ela tinha medo dele trocá-la por outra mulher e, de uma forma irônica, foi o que ele fez naquela noite. Seu amigo havia escolhido encarar a mãe que não o criou ao invés de ceder às investidas da Strange e do jeito que a morena estava, aquilo poderia acabar em mais do que um barraco.
—O que foi? –Helena encarou a ruiva preocupada.
—Eu vou com você, mas com duas condições. –O olhar intenso de Rachel fez a outra garota concordar. –Você não vai abordar o James ou atrapalhar o que quer que ele esteja fazendo, o que inclui não usar seus poderes para nada depois que o encontrarmos. –A morena concordou um pouco contrariada. –Nada de tirar conclusões precipitadas ou as coisas vão ficar muito piores entre vocês do que já estão.
—Tudo bem, mas se eu não vou poder usar meus poderes, então como vamos saber o que ele está fazendo?
—Eu vou usar meus poderes e isso não está aberto a discussões.
—Eu concordo.
—Então espera um pouco aqui, eu preciso colocar uma roupa mais quente.
E enquanto trocava de roupa, Rachel usou o canal psíquico privado que tinha com a mãe para explicar a situação e porque estava indo com Helena atrás de James.
Foi complicado, já que no começo Jean não tinha certeza sobre as intenções da filha, que sempre foi muito curiosa, mas depois que a garota contou o que sabia sobre a mãe do Howlett e como ela não queria piorar as coisas entre eles, a antiga hospedeira da Fênix aceitou e disse que conversaria com Emma para evitar mais danos.
Quando já estava pronta e Helena levantou animada para irem em sua “missão secreta”, Emma usou Jean para pedir que a ruiva mais nova tomasse todos os cuidados para não arruinar o jantar de mãe e filho. Além de dizer o nome da mãe do rapaz, o que fez Rachel se arrepender amargamente de ter entrado naquela confusão.
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A primeira coisa que tiveram que fazer foi encontrar um lugar seguro do frio, o que foi fácil, já que o café do outro lado da rua do restaurante estava aberto. Em seguida, Rachel sondou a mente dos funcionários do restaurante chique em que James estava e compartilhou a visão do maitre servindo a única mesa ocupada do lugar.
Foi algo que deixou Helena visivelmente irritada quando ela notou a mulher morena sentada junto com o Howlett, uma irritação que se transformou em surpresa quando ela reconheceu a mulher a sua frente como Alison Blaire, a Dazzler, ou, como também conhecia, a cantora que James não gosta.
E enquanto a Summers dividia a visão e a audição do maitre com a Strange, elas puderam pegar parte da conversa.
—Não me entenda errado Alison, eu apenas preciso conversar sobre tudo isso.
—Eu sei, acho que é normal, afinal nosso relacionamento nunca foi bom, mas isso não significa que podemos ignorar as coisas que temos em comum.
—Às vezes conversar com você pode ser frustrante.
—Mesmo que não da forma correta, essa é a minha função. –Alison sorriu e o rapaz ficou emburrado. –Vamos, me conte sobre a garotinha Strange.
—Você fala o nome dela como se não gostasse de pensar nisso.
—Eu deveria? –Ele deu de ombros.
—Senhorita Blaire, vocês querem pedir algo mais?
A mulher negra encarou parte da comida já posta na mesa e encarou o rapaz.
—Sei que já pedimos bastante coisa, mas tem algo mais que queira comer?
—Não, acho que já pedimos tudo.
Alison se virou para maitre e segurou a mão dele, depositando uma nota de cem dólares ali.
—Por enquanto não vamos pedir mais nada. Diga ao seu chefe que agradeço a discrição e atenção para com o meu pedido de fechar o restaurante para essa reunião, sei que isso é difícil.
O homem parecia ter sido enfeitiçado.
—Não há necessidade de tal preocupação senhorita. Receber a grande Alison Blaire e seu convidado especial não é nada mais que a maior honra que podemos ter, mesmo que há portas fechadas.
O homem se afastou e seguiu para a cozinha, onde passou a verificar as informações sobre o pedido em andamento, o que fez Helena se irritar.
—Não podemos ver pela mente de Alison ou James?
—Eu estou tentando com a Alison, James me reconheceria imediatamente e nos mataria por isso. –A verdade era que a ruiva decidiu fazer contato com Dazzler e pedir para a mulher mais velha colaborar com a situação, afinal ela era parte interessada em proteger James também.
Então, depois de alguma hesitação por parte da mutante popstar, ela conseguiu se conectar à mente da mulher e manter Helena presa naquela mesa do café por mais algum tempo.
—Eu entendo que você gosta dela, ainda assim, acho que você merece mais do que uma garotinha que não sabe o que quer da vida.
—Eu não escolhi me apaixonar por ela, você sabe disso, não é mesmo?
—Sim, eu sei. A diferença é que a minha situação atual é diferente, nós somos adultos e as complicações que meu relacionamento enfrenta vem de problemas bem reais.
—Você não sabe se o que a afasta de mim não é real.
—E nem você se é. –James teve que engolir o orgulho e concordar. –Em todo o caso, o que eu quero dizer é que talvez você devesse seguir em frente e se dar uma chance de conhecer outra pessoa. Eu fiquei sabendo que deu certo para a Tália.
O Howlett gargalhou, o que surpreendeu Alison.
—Como você consegue se manter atualizada dessas fofocas?
—Emma.
—Claro. –O rapaz suspirou um pouco decepcionado. –Eu entendo o que você quer dizer e, até certo ponto, acho que Emma concorda, o que significa que talvez o errado sempre tenha sido eu, mas… –James suspirou. –Eu realmente a amo.
—Eu imagino.
—Alison, você… –Ele hesitou e pareceu pensar novamente antes de continuar. –Acha que posso estar te projetando nela?
—Isso… –O visível incômodo mental da mulher pegou Rachel e Helena de surpresa. –Eu não posso dizer nem que sim ou que não, porque você sempre foi uma criança tão especial e gentil Carter. –Ela suspirou. –Às vezes penso que a minha demora em ir atrás de ajuda te prejudicou mais do que imagino, e você viu coisas que nenhuma criança deveria ver, não importa o quanto tenham me dito que você era novo demais para lembrar.
—Isso não responde a minha pergunta. –James ainda estava incomodado. –E Emma te contou da nossa conversa antes de sair? Porque eu juro que ela falou quase a mesma coisa.
Alison riu e se inclinou pegando a mãe do rapaz, o que fez Helena ferver de raiva.
—Emma é a mãe que eu escolhi para você, porque eu sabia que ela seria tudo que você precisava e mais. Ainda assim, eu também sou sua mãe, talvez não no que deveria ou no que você precisava, mas fiz o meu melhor para não te prejudicar e faria tudo novamente.
—Eu…
—Não precisa dizer nada sobre isso Carter, você nunca precisa me pedir desculpas pelo passado. –James concordou e a ela sorriu, estreitando ainda mais seus olhos. –E se realmente quer saber, você não está me projetando na Helena, porque mesmo quando fiquei doente eu tentei lutar sozinha, o que foi um erro, mas eu tentei. O meu ponto é, mesmo tendo falhado e depois te deixado com a Emma, eu nunca parei sem lutar pelo que queria ou o que precisava fazer e, acredite quando digo, teve mais de uma vez desde que fui te ver aos cinco anos que desejei largar toda a minha carreira.
—Por que não fez isso?
Alison sorriu de forma carinhosa para James.
—Eu não podia voltar atrás dos erros que já tinha cometido ou do fato de que nossa relação provavelmente nunca seria reparada, então não podia cometer o maior erro da minha vida sobre a única coisa que me mantinha eu.
—Por que isso te mantém de pé mesmo quando os outros erros parecem pesados demais, não é?
—Acho que você tem assistido as minhas entrevistas.
—Algumas.
—Fico feliz de ouvir isso. –Alison notou que o filho ficou um pouco desconfortável. –Eu peço notícias suas para a Emma todo o mês, às vezes toda semana, o que a faz me dar broncas sobre não vir te ver pessoalmente.
Os dois acabaram rindo daquela afirmação.
—Acho que é normal nos preocuparmos um pouco um com o outro. –James comentou um pouco envergonhado.
—É verdade. –A morena suspirou e encarou o filho mais preocupada. –E é por isso que eu sei que você quer falar comigo sobre sua mutação secundária. –O Howlett a encarou surpreso. –Não que eu me importe de passar a noite toda jogando conversa fora ou falando sobre como eu gostaria de dar um puxão de orelha na garota Strange por ficar te enrolando, mas acho que você deve preferir não adiar, não é?
—Bom, você não está errada.
—Então, me pergunte.
—Minha mutação é parecida com a sua, só que nunca ouvi falar de você sentir dor por causa do seu poder e eu tenho tido problemas para conter minha mutação secundária em alguns dias.
Dazzler encarou James por alguns segundos antes de negar.
—Você sabe que apesar das semelhanças, nossas mutações são essencialmente diferentes, não é? –O olhar de decepção dele não foi fácil, ainda que esperado. –Sob certo aspecto, sua mutação secundária tem mais em comum com o Eclipso do que comigo, isso porque é um poder que seu corpo gera. Você lembra como a minha mutação funciona?
O Howlett parou para pensar.
—Seu corpo absorve ondas sonoras e converte em energia, essa energia é dispersada sob a forma de luz pelo seu próprio corpo.
—Bom, essa é a essência, o que faz do meu poder um “conversor”. Eu consigo fazer outras coisas a partir dessa habilidade primária, como usar ecolocalização, projetar imagem ao distorcer as nuances da luz, todas derivações da mesma habilidade.
—E voar?
—Isso é história para outra hora. –Alison riu da cara do filho. –Vamos focar. –Ele concordou. –O que a sua mutação secundária faz é essencialmente diferente porque seus músculos geram a energia e o seu corpo converte essa energia em um poder que é canalizado na forma de luz, porém a essência do que você faz te torna um “gerador”. Todos os músculos do seu corpo estão gerando energia a todo o momento, desde a sua respiração aos batimentos do seu coração e quando você engole a sua saliva, isso é algo que eu sou incapaz de fazer. Eu não posso converter os sons gerados pelo meu próprio corpo em sons, então… –Ela bateu palmas duas vezes. –Isso não será convertido em poder, já que eu mesma gerei esse som, entende onde quero chegar?
—Acho que sim. Meu poder é similar, mas diferente o suficiente para que mesmo que derive do seu não ter as mesmas restrições ou opções de cuidado.
—De modo geral, é. Então, o que posso te passar sobre minha própria experiência pode não ser o que espera ouvir.
—Nós podemos tentar, não é? –O Howlett arriscou.
—Teve uma vez, um pouco depois de voltar a me apresentar, em que as coisas ficaram complicadas e eu tomei decisões erradas. Parei de me exercitar, bebi mais do que deveria, comecei a fumar e larguei meus poderes no fundo de uma caixa, tentei esquecê-los. –James ouvia aquilo atentamente. –Não foi uma ideia inteligente e começou a me deixar doente, não apenas os maus hábitos que adquiri, não usar meus poderes se provou algo bem nocivo em certos aspectos.
—E o que você fez depois disso?
—Voltei a fazer o que sempre fazia. Usar meus poderes forçou meu corpo um pouco e no começo foi doloroso, mas conforme eu voltava a me acostumar com eles e ter uma vida saudável, tudo foi se alinhando. Minha saúde física, meu ânimo e minha inspiração para as músicas. Até a terapia que eu tinha largado foi retomada.
—Quando isso aconteceu? –O garoto parecia realmente preocupado.
—Acho que você tinha uns sete anos, mais ou menos.
—Não saiu uma matéria sobre você ter tido uma recaída naquele ano?
—É, meu empresário preferiu lançar assim e, no final, eu realmente desenvolvi alguns episódios de depressão depois que voltei. –Alison viu que James parecia se sentir culpado. –Não por sua causa. –Ele a encarou. –A depressão pós-parto não foi fácil, mesmo assim eu me tratei direito e me esforcei, só que com o passar dos anos as coisas se acumularam. Coisas que me faziam sentir inútil e não ter sido capaz de ser sua mãe era parte delas, e não era a única coisa que me incomodava.
—Seu relacionamento com meu pai era parte disso?
—Não posso negar, afinal foi confuso, estranho e completamente desastroso, pelo menos você não sofreu com essa parte.
—Emma e Logan nunca me contaram o que aconteceu.
—Não tem o que contar para ser sincera. –Alison notou o olhar do filho e suspirou. –Foi algo bem de momento. Seu pai pode ser… Galanteador quando realmente quer e eu tenho uma pequena queda por tipos… Difíceis. –Ela riu da cara de nojo do garoto. –Você quem perguntou.
—Eu sei.
—Enfim, teve essa missão que me pediram para fazer, como uma forma de melhorar a imagem dos mutantes no Japão; eles acreditavam que com as minhas raízes maternas vindas de lá isso seria positivo para a imagem dos mutantes em geral, então eu marquei uma turnê completa pelo país. Convidamos diversos artistas japoneses para abrir os shows, tocar juntos, fazer arranjos diferentes para as minhas músicas ou mesmo propor parcerias. O pacote completo e mais um pouco.
—Foi grande, não é?
—Enorme. Um ano inteiro com show, gravação de clipes, entrevistas, músicas para animes e eu juro que não lembro de metade dos trabalhos que fiz naqueles dias. –Alison sorria apesar do que dizia. –Seu pai foi atrás de alguém, eu não sei quem, provavelmente sobre o passado dele e acabamos nos esbarrando. –Naquele momento ela não sorria. –Não foi um momento de romance épico, apenas passamos a noite juntos, algo que ambos já havíamos feito outras vezes com outras pessoas e não houve nenhum tipo de continuação ou desejo de repetir.
—Mas foi o suficiente para eu acontecer. –Havia uma pontada de ironia na afirmação de James.
Alison por outro lado sorriu.
—Verdade. –Ela respirou fundo. –Nunca pensei em ser mãe, especialmente que eu era bem jovem na época e com um histórico familiar horrível, mas nunca pensei em não ter você. Foi só natural.
—Por que não voltou para os Estados Unidos depois que descobriu sobre a gravidez?
—Eu tinha um contrato para terminar e mais um mês e meio de trabalho. –O rapaz fez uma cara de surpresa. –Ninguém notaria a gestação até o fim dos shows e eu podia modificar os aspectos da turnê alegando que queria tentar algo diferente, o que não foi realmente necessário. Quando terminamos eu estava física, mental e emocionalmente exausta, só queria ficar em um lugar tranquilo e descansar antes de voltar para casa. Então decidi que até você nascer eu estaria de férias e ficaria em uma casa alugada, longe da agitação, para poder compensar um pouco a loucura que o primeiro trimestre da sua gestação foi.
—E você ficou sozinha lá?
—No começo não. Tinha duas enfermeiras que se revezavam em me ajudar e três seguranças que garantiam que eu estaria bem, fora que meu empresário sempre ligava. Foi depois que você nasceu que as coisas ficaram complicadas e eu dispensei todo mundo, só a vizinha conseguia se aproximar para garantir que estávamos bem.
—Eu visitei ela quando era mais novo.
—Emma me contou que você fez um belo discurso no funeral dela.
—Por que seu empresário não ficou com você?
—Ryan tinha uma vida aqui, uma que estava bem bagunçada depois de um ano fora, então achei injusto manter ele preso comigo no Japão para as minhas férias gestacionais. Ele acabou rompendo o relacionamento dele no final, o que foi um problema diferente.
James parecia pensar em algo, mas depois de algum tempo apenas suspirou e encarou a mãe.
—Aquela coisa sobre seus poderes, depois que você voltou a se exercitar e tudo mais, o que aconteceu?
—Bom, eles voltaram mais fortes devido ao esforço que fiz e, com o tempo, meu corpo voltou a se acostumar com isso, o que fez as dores diminuírem até não sobrar uma; mais ou menos.
—E o que eu deveria fazer?
—Usar seus poderes. –A careta do Howlett fez Alison rir. –Eu sei que você não gosta, mas você sabia que a Valéria Richards tem uma habilidade parecida?
—Tem?
—Sim, ela gera eletricidade dentro do próprio corpo ou, se preferir, energia que é dispersada sob a forma de eletricidade e quando ela não libera parte dessa energia regularmente o corpo dela adoece por segurar tanto poder.
—Isso quer dizer que se eu tivesse dado ouvidos aos conselhos do meu pai e da Emma…
—Nós não precisaríamos ter marcado esse jantar para falar disso. Não que eu esteja reclamando, fico feliz de passar um tempo com você depois de tanto tempo. Especialmente por que não lembro de termos conversado tanto em nenhuma das outras vezes ou em todas elas juntas.
—Isso…
—No que eu acho que parte da culpa é minha.
—Por que?
—Eu sempre acho que você me odeia por tudo que passou e acabo me afastando ainda mais depois.
—Não é como se você quisesse ter passado por aquilo também e, no final, você sempre escolheu o que acreditava ser melhor para mim mesmo quando te prejudicava de alguma forma, então não posso ficar irritado para sempre com isso.
—Emma te criou incrivelmente bem. –James encarou Alison, que sorria. –Eu soube desde o primeiro instante que precisava ser ela. –O rapaz ficou envergonhado. –Ela me disse que você é um ótimo dançarino, que sabe tocar violão e guitarra muito bem, adora plantas e é um pintor excepcional.
—Emma pode ser um pouco exagerada sobre minhas habilidades.
—Duvido muito, afinal “Lost Child” está pendurada na parede do meu apartamento e todos me perguntam quem foi o gênio que produziu tal obra de arte.
—Você levou para o seu apartamento em Los Angeles?
—Bom, eu gosto daquele quadro no final das contas.
—Mas ele é horrível.
—Doloroso. –A correção pegou James de surpresa. –Assim como a música que fiz para você, então eu acho que gosto de ter ele a altura da minha vista com o máximo de frequência possível. –Alison levantou de onde estava e se aproximou do rapaz, estendendo a mão na direção dele, que levantou relutante e logo foi abraçado pela morena. –Você é tão especial meu garotinho inesperado, nunca duvide que eu te amo só porque não fui capaz ser uma boa mãe ou estar presente na sua vida. Existem coisas que sei que nunca poderia ter te dado e por isso nunca me arrependi de aceitar que eu não seria uma boa mãe, se não hoje você não teria a família e amigos que tem, talvez nem a chata da Strange.
—A senhora realmente não gosta dela, não é?
Alison se afastou e acariciou o rosto de James.
—Vou gostar dela quando vocês estiverem realmente namorando, ou seja, quando ela parar de te enrolar.
—Valeu mãe. –A voz dele saiu baixa e meio rouca enquanto ele secava algumas lágrimas.
—Eu sempre estou a caminho se você precisar, já te falei isso.
—Não quero atrapalhar seu namoro.
—Ele é grandinho, vai superar.
James gargalhou da afirmação de Alison e os dois se afastaram para sentar novamente quando Helena simplesmente apareceu ao lado da mesa, deixando todos em choque. Três segundos depois foi Rachel que invadiu o restaurante ofegante.
—Desculpa, eu tentei segurar ela. –A ruiva disse com esforço.
—Mas o quê? –James estava perdido.
—Ora, eu pensei que ela não podia interferir. –Já Alison se sentia um pouco frustrada.
—Vem comigo, por favor. –A feiticeira parecia diferente de tudo que o Howlett já tinha visto. –Eu fiquei com medo e com ciúmes…
—Ciúmes da minha mãe? Mas o quê…?
—Eu não sabia, eu só… Eu não quero te perder, por favor, vem comigo. Eu prometo que não vou fugir, prometo que te conto a verdade.
—Eu… –James olhava para Rachel que ainda não respirava direito e Alison, porém sua mãe apenas deu de ombros, então ele encarou Helena. –Estou realmente irritado com a sua vinda.
—Eu sei, mas eu prometo que você não vai se arrepender de nada, nunca mais.
O Howlett respirou fundo.
—Eu acho bom isso valer a pena. –Ele olhou para a mãe. –Desculpe por sair assim, podemos marcar outro dia em outro lugar?
—Claro.
—E sobre ela… –Ele indicou Rachel.
—Eu cuido dela. Agora vai.
E assim que James segurou a mão de Helena, os dois desapareceram.
Alison encarou a Summers que havia pego um copo com água sobre a mesa e sorriu.
—Quer me fazer companhia para o resto do jantar Ray?
—Eu?
—Bom, ainda tem comida de sobra na mesa e seria um desperdício se o restaurante tivesse que jogar tudo isso fora.
—Eu… Ah… Hum… Bom, tudo bem.
—Ótimo. Então me conte tudo sobre como Helena te abduziu essa noite, depois quero saber sobre o seu namoro com o garoto Richards e qualquer outro assunto do Instituto.
Rachel acabou rindo.
Ela podia não saber como o resto da noite de James e Helena seria, o que talvez fosse algo bom, mas sabia que poderia conversar bastante com Alison Blaire, o que parecia inesperadamente interessante.
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20 de Outubro
Franklin não estava com sono e por isso resolveu continuar a arrumar seu novo lar noite adentro, independente de já ser quase duas da manhã quando se sentiu satisfeito com o resultado no quarto.
Ele sabia que ainda faltava a sala e o escritório, no qual ainda não sabia o que fazer, afinal não era exatamente um cientista como seus pais e sua irmã, também não era um estudioso com grandes sonhos. Frank era normal nesses aspectos e mesmo que fosse inteligente e tivesse capacidade para trabalhar com coisas incríveis, não era aquilo que o deixava feliz.
O rapaz suspirou e foi para a sala começando a pensar em como organizar o cômodo ou o que poderia mudar das poucas coisas que já tinha em mãos. Observou as amostras de cores na parede e as de tecido sobre o colchão que tinha usado até aquela manhã, pensando em como aquilo foi tão mais confortável do que dormir em sua própria casa, pois todos queriam que ele se sentisse livre.
Claro que Franklin não era idiota.
Haviam câmeras em seu apartamento para o sistema de vigilância, mas a ideia ainda era a mesma e, pelo menos ali, ele sabia que estava sendo observado, não era algo que ocultaram dele. Então o Richards podia lidar com aquela pequena quebra de privacidade aberta que a Shield exigia dos mais jovens, especialmente com os problemas que ele e sua família trouxeram para a agência.
Desistindo de escolher a tinta para a parede, Frank pegou as amostras de papel de parede e parou em uma branca com desenhos de bambu em cinza claro, o que o fez sorrir e depois suspirar. Aquilo o fez lembrar de quando quis colocar algo parecido em seu quarto e seu pai negou, dizendo que as paredes brancas eram o suficiente.
O rapaz voltou a encarar as tintas na parede e as amostras de tecido enquanto colocava o pedaço de papel de parede ao lado de cada um.
—Acho que isso vai ser divertido.
Ele pegou uma marcação em adesivo e colocou sobre o laranja mais claro que estava na parede pintada e depois separou o tecido com branco com mandalas bordadas em verde-claro. Manteria o piso de vinil imitando madeira ali, depois pediria para o pessoal da Shield ajuda com as bancadas de quartzo para a cozinha e veria como dar uma arrumada no banheiro.
Sempre adorou cores e imagens vibrantes.
Poderia colocar tudo aquilo ali, mas começaria aos poucos, usando as cores claras, para se acostumar e ver o quanto ou quando escureceria cada cor e cada detalhe.
Sem perceber, Franklin se sentiu cansado.
Ele conferiu que era pouco mais de duas e meia da manhã, então não tinha muito tempo desde que chegou a sala, embora talvez fosse parte do que a psicóloga havia falado naquele dia: ele estava se libertando e isso podia ser cansativo tanto quanto satisfatório.
O rapaz sorriu e decidiu que era uma boa hora para tomar um banho e dormir, porém antes que pudesse sair da sala seu telefone tocou.
Era Rachel.
Frank estranhou, afinal a namorada nunca ligava tão tarde, a menos que fosse um problema grave, mas a Shield estava em silêncio.
—Alô?
—Franklin?—Não era Ray. —É Alison Blaire, estou chegando na Shield, pode descer para pegar a sua namorada?
—Rachel está com você?
—Ah, sim. Ela pode te explicar os detalhes quando estiver sóbria.—A ideia da Summers bêbada foi estranha para o Richards. —O resumo é que ela acabou sendo minha companhia no jantar e… Bom, eu posso ter incentivado ela a beber um pouco além da conta.
—Quão bêbada ela está?
—Ah, ela desmaiou assim que entrou no carro, só foi difícil fazer ela chegar até aqui.
Franklin se sentiu cansado de uma forma diferente.
—Tudo bem, eu já desço, mas você avisa Jean sobre o que aconteceu.
Alison gargalhou.
—Não se preocupe, vou me responsabilizar por isso. Só não posso levá-la para o meu hotel ou a confusão seria simplesmente inimaginável.
—Eu entendo. –O rapaz fechou a porta e apertou o botão do elevador. –Aliás, como vocês se encontraram?
—Helena Strange sequestrou sua namorada e o “por quê?” é algo que você pode questionar depois, embora não tenha sido nada realmente perigoso.
O Richards fez uma careta e algo lhe dizia que não gostaria da resposta.
—Tudo bem. –A porta do elevador abriu e ele saiu para o corredor que levaria ao saguão. –Já estou indo para a entrada do prédio, quanto tempo?
—Estou chegando em dois minutos.
—Então até mais.
A ligação foi encerrada e assim que chegou a entrada da Shield, o carro de Alison parou, Frank havia mandado uma mensagem para o Comandante de plantão, então um agente foi designado para ajudá-lo a levar Rachel para o apartamento, onde uma enfermeira medicaria a ruiva para evitar uma ressaca ruim.
—Olá Franklin, fico feliz em ver que está na Shield. –O garoto estranhou a saudação de Alison, mas talvez as fofocas já a tivessem alcançado. –Ela está dormindo como uma rocha, então não deve dar mais trabalho do que o esperado. –A mutante pop-star ajudou o garoto a tirar a Summers do carro. –Eu disse isso para ela mais cedo, porém diga a Rachel que sou eternamente grata pelo esforço dela hoje. –A morena encarou Ray. –Você só precisava se desligar mais dos problemas dos seus pais, mesmo assim é uma boa amiga. –Ela se virou para o Richards. –Até mais Frank.
E mesmo sem entender metade do que Alison Blaire disse, o garoto sentiu que aquilo era algo bom.
—Até.
Franklin ajeitou Rachel melhor em seus braços e usou um pouco da sua telecinese para garantir que o caminho seria tranquilo.
—Eu posso levá-la para você. –O agente comentou.
—Eu sei, quero fazer isso.
—Você sabe que tem que descansar, não é?
—Eu vou.
—Se for o caso, podemos deixá-la na enfermaria.
—Tudo bem, vou colocá-la na minha cama e dormir na sala.
—Não mandamos uma cama de casal?
—Sim, mas a bagunça da sala parece acolhedora hoje.
—Conseguiu decidir as cores? –Ele assentiu e o agente sorriu. –Se quiser, posso adiantar o pedido durante a madrugada.
Frank encarou o agente dentro do elevador e sorriu.
—Eu agradeceria muito se pudesse fazer isso por mim, Morrison.
—Vocês crianças são muito sérios, precisam nos deixar fazer algo de vez em quando, nem que seja dizer que “está tudo bem não estar bem”.
O garoto sorriu.
—Você é muito mais gentil do que sua aparência sugere. –O agente franziu as sobrancelhas. –Isso é bom. Acho que você é um pai legal para seus filhos, mesmo sendo rígido e sério, então dá um pouco de inveja.
Morrison hesitou.
—Não vou mentir garoto, tive um pai ruim. –Ele parou. –Um padrasto na verdade. Então eu te entendo um pouco, nunca vou dizer que entendo exatamente tudo o que passou, mas uma parte disso também vive em mim.
Os dois pararam na porta do apartamento de Franklin.
—Melhora um dia?
—Depende de você e, principalmente, de não deixar ele te dominar, mesmo que de longe.
—De longe?
—Não deixe os fantasmas do que ele é te impedirem de viver, escolha a cor da sua parede sem medo de não ser do agrado dele.
Frank piscou algumas vezes quando a porta foi aberta.
—Acha que o pessoal ficaria bravo se disser que quero pintar o quarto de outra cor?
—Só quer mudar a cor? –O garoto assentiu. –Então não se preocupe, deixa ela no quarto com a enfermeira e depois me conte o que já decidiu?
Franklin concordou e passou mais meia hora explicando sua ideia para Morrison, que sorria diante da forma como o Richards estava crescendo desde que se mudou para a Shield no dia anterior.
O agente sabia que para pessoas como ele, com parentes controladores e abusivos, a liberdade era assustadora e também estimulante.
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Continua...
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No próximo capítulo: Family Ties.
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