Notas iniciais
Atualmente posto minhas fics nos seguintes sites/plataformas de fanfics e histórias: Spirit https://www.spiritfanfiction.com/perfil/eucaristia Nyah! https://fanfiction.com.br/u/175167/ Wattpad https://www.wattpad.com/user/LillielEucaristia Acompanhe. Comente. Incentive. Todo autor precisa de sua dose de retorno para que as histórias não morram. Também escrevo uma série baseada em Percy Jackson e os Olimpiano, quem tiver interesse pode visitar meu perfil.

16 de Outubro

Depois de todo o estresse que seu dia foi, Hill queria apenas parar e dormir por duas horas.

Isso obviamente não aconteceu.

Nicholas continuava lidando com a correção das provas e esperando qualquer nova bomba que pudesse aparecer, enquanto Daisy e Natasha manobravam a imprensa, que dizia que a Shield tinha a obrigação de explicar os acontecimentos na frente do Departamento de Polícia. Felizmente para todos, os canais de Tom Harry e Rose Brant estavam em paz com aquilo, já que Liv Colton e Edith Vargas estavam em uma conversa com Mack e Fóton, pegando os detalhes que Maria tinha orientado, para o jornal da noite.

Mesmo assim a Comandante não teve tempo de respirar, pois Franklin Richards estava na porta do seu escritório com Rachel Summers.

—Desculpe o atraso. –Ela comentou mais por educação que por qualquer outro motivo.

—Não, eu vi que as coisas ficaram complicadas. –Ele parecia já ter alguma ideia dos outros assuntos. –Ouvi sobre a denúncia do meu pai, sinto muito.

Eles entraram na sala e Hill sentou na sua mesa, indicando os lugares a sua frente para o casal

—Bom, era esperado. Especialmente depois do final de semana que sua irmã teve com o Robert. –Ele pareceu confuso. –Por Deus Frank, eles transaram, assim como você e a Ray, então não me crie caso.

O Richards parecia propenso a discutir aquela questão, mas a ruiva o cutucou.

—Nós combinamos fazer um esforço para melhorar nossas atitudes, não vai começar. –Maria achou o comentário da Summers curioso. –Desculpe. –Ela encarou a mulher mais velha. –Percebi que não dá para continuar como estava.

—Que bom, então vai nos causar menos dor de cabeça daqui para frente, especialmente não provocando a Christine, certo?

—Eu vou tentar, de verdade.

—Já é um começo Rachel. –Hill se concentrou novamente no garoto. –Agora, comece. –Ele hesitou, se calando como se nunca mais fosse capaz de falar. –Certo, então eu vou fazer do meu jeito. –O Richards ficou tenso. –Reed bate da sua mãe?

—O quê? –Franklin parecia realmente confuso. –Não, espera… Isso… –Ele hesitou novamente e, por fim, murchou na cadeira. –Eu não sei.

—O que você sabe?

Havia muita culpa no olhar do garoto.

—Que eles brigam. –Outra pausa. –Papai tem controlado tudo que minha mãe faz, desde suas pesquisas até os resultados, nada sai do laboratório que ele deu para ela usar.

—Sua mãe já apareceu machucada, sabe se seu pai bateu nela? –Ele negou e Hill percebeu que talvez o garoto não estivesse em uma situação melhor que a irmã. –Sabe como ela ganhou algum dos machucados?

—Só dois. –O nervosismo de Franklin era sólido como uma barra de ferro. –Da última vez, meu pai destruiu o laboratório da mamãe e ela se machucou quando ele derrubou uma estante cheia de livros. Ele tinha ligado o inibidor de poderes na frequência dela, então o escudo não funcionou.

—E antes?

—Meu pai retirou as autorizações dela para tudo na cobertura, então o sistema de segurança acabou atacando minha mãe. Ela desmaiou por causa de um gás e caiu de cara em um degrau.

—Foi quando ela apareceu com o nariz quebrado. –O Richards confirmou, ainda que não houvesse uma pergunta. –Você sabe o que aconteceu quando a Valéria partiu?

—Eu só lembro do meu pai gritando e levando ela para o laboratório dele, depois minha mãe esmurrou a porta até conseguir entrar e… As luzes da cobertura piscaram, tio Ben arrombou a porta com o Johnny e tudo virou um caos. Victor apareceu uns dias depois pelo que sei, mas meu pai me mandou para o Instituto naqueles dias e eu só voltei depois que a Val já tinha partido.

—Seu pai conversou com você ou te ligou nos últimos dias?

—Ele me mandou voltar para casa.

—Ontem, não é? –O garoto assentiu. –O que houve?

—Ele está furioso com a forma com que Valéria vem agindo e a notícia do namoro dela não melhorou o humor dele. –A longa pausa naquela questão preocupou até Rachel. –Meu pai disse que se soubesse como ela voltaria, nunca teria deixado Valéria ir para a Latvéria e… Eu não tenho certeza do que aconteceu com a minha mãe, só que ele estava violento, quebrando tudo na cobertura e o tio Ben não sabia o que fazer.

—E onde a Sue estava nesse momento?

—Eu… Eu não sei.

—Ela não estava na sala? –Hill ficou preocupada com a negação de Franklin. –E o que você fez?

—Fugi.

—Fugiu?

—Ele estava tão bravo. –O Richards engoliu em seco. –Meu pai ligou todos os inibidores, deixou todo mundo sem poderes, até o tio Ben ficou mais fraco. E tinha objetos sendo arremessados para todos os lados, ele estava descontrolado. –Quando ele encarou a Comandante, ela soube que as coisas não estavam bem. –Um dos objetos me acertou na cabeça e eu desmaiei, acho que acordei pouco depois de uma hora no chão. Tio Ben me entregou uma mala e me mandou ir embora antes que meu pai voltasse, eu até perguntei da minha mãe, mas ele me mandou obedecer e não voltar.

Hill respirou fundo, contendo sua vontade de mandar uma equipe completa para acabar com a raça de Reed, não tinha como conseguir aquilo. O Senhor Fantástico podia ser egoísta, egocêntrico e egomaníaco, só que sem provas concretas aquilo não era crime e considerando a imagem pública dele, a palavra de Franklin não valeria nada.

—Prioridades, você passou na enfermaria para uma avaliação depois de tudo? –O garoto negou. –Vai fazer isso assim que terminarmos, não é negociável. E se não fizer eu vou saber, certo Rachel?

—Com certeza. –A Summers também estava irritada com aquela informação.

—Agora, me diga o que quer fazer sobre sua família. –Havia surpresa e medo no rosto de Franklin. –Você tem dezenove anos, pode escolher o que quer fazer e como quer viver, então, como vai ser agora? Vai esperar seu pai te mandar voltar ou vai fazer algo?

O Richards hesitou, olhando de Hill para Rachel como se esperasse que alguma delas dissesse que estavam mentindo para ele.

—Eu… –Ele encarou Ray por algum tempo. –Posso ficar no Instituto? Com você?

A ruiva olhou para a Comandante que assentiu.

—Vamos conversar com minha mãe, Ororo e Emma, não é negociável. –Ele concordou. –E você vai fazer terapia na Shield.

Hill gargalhou, especialmente porque pretendia dizer a mesma coisa, o que fez o garoto voltar-se para ela.

—Ela tem razão. –A Comandante respirou fundo. –Eu também vou preparar um lugar para você aqui na Shield, para quando precisar pensar. –Ele ficou surpreso. –Vai ser longe das acomodações da Valéria e não quero saber de você interferindo na vida dela, entendido?

—Eu… Tudo bem.

—Vai ser bom para você ter um lugar aqui. –Franklin encarou Rachel chocado. –Não estamos acostumados a ser tão próximos quanto Andrew e Christine, então no começo vai fazer bem você ter o seu lugar. Especialmente porque ainda vamos precisar definir como vai ser sua acomodação no Instituto e arrumar tudo.

—Eu pensei em dormir no seu quarto, não é uma boa ideia? –Era visível na expressão do garoto que ele estava triste.

—Eu te amo Frank, de verdade, mas você me conhece, eu sou super controladora com tudo, incluindo o meu espaço. Andrew tem quase um terço do guarda roupas da Chris, eu mal te dei duas gavetas e namoramos há tanto tempo quanto eles. –Hill achou graça na sinceridade de Rachel. –Acha mesmo que é viável dividirmos o mesmo quarto de uma hora pra outra?

—Acho que você tem razão nesse sentido.

—Além disso, você precisa de um lugar seu, onde ninguém possa opinar. –Ray segurou a mão do namorado. –Eu ainda lembro de quando descobrimos que seu pai colocou câmeras na cobertura inteira, incluindo os banheiros e quartos. Ele grampeou seu celular e colocou um espião no seu computador. Agora, você precisa de espaço para respirar e relaxar, não precisa ter pressa em morar comigo ou coisa do tipo, não pretendo te deixar tão cedo. Sem falar que eu sou tensa demais para ser uma boa colega de quarto.

Franklin acabou rindo.

—Não, eu entendi. –Ele encarou Hill um pouco ansioso e preocupado. –Eu aceito o espaço e qualquer outra coisa que a senhora acha que vai me ajudar, incluindo a terapia. –Frank sorriu para Rachel. –Vou ficar por aqui, no começo, depois vou conversar com Emma sobre um lugar lá.

A Summers sorriu.

—Você sempre morou em Nova York e eu sempre estive no Instituto, vamos continuar como antes, só mais relaxados sobre ficar no seu espaço.

—Agora, sem querer ser uma estraga prazeres, vá fazer aqueles exames e depois volte com a Rachel para o Instituto, seu espaço vai ficar pronto em até dois dias. –Maria foi direta.

—Sim senhora.

O jovem casal saiu e a Comandante olhou agoniada para o relógio que marcava oito e meia da noite.

Ela encarou o teto, como se olhasse mais além dele.

—Por favor, me dá só três horas e meia de calma nesse dia. –Então uma mensagem pulou na tela de avisos sobre sua mesa, fazendo Maria voltar a encarar o teto novamente. –Eu imagino que isso é um não ou um “você aguenta isso, tenho problemas maiores em mãos agora”, certo?

E sem realmente esperar por uma resposta, Hill levantou seguindo até a sala de Fury.

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Quando Alexis chegou ao Instituto ela esperava muitas coisas, nenhuma delas incluía um Logan preocupado e visivelmente perturbado.

—O que houve?

Ele hesitou e encarou James ao lado da loira.

—Lembra quando me pediu para ensinar meditação para Rebecca e… –Ele se voltou para o filho. –Disse que se ela corresse dez quilômetros estava tudo bem por hoje?

—Ela não fez nada disso? –O rapaz arriscou.

—Ah, ela fez. Ela até gostou da meditação, disse que vai praticar todos os dias e, depois de uma hora e meia aprendendo sobre o assunto, saiu correr. –O Carcaju suspirou cansado. –Rebecca ainda está correndo ou o mais próximo disso que o corpo dela ainda aguenta.

Os dois jovens se encararam e deixaram suas mochilas no chão, partindo até onde a garota estava, perseguindo o cheiro dela pela noite fria. Foram cerca de cinco minutos até alcançarem Becky, que mal aguentava colocar um pé na frente do outro e ainda assim continuou até ser chamada pelos professores.

—Rebecca, o que pensa que está fazendo? Eu te mandei correr dez quilômetros, não… –James tomou o aparelho que marcava o progresso da garota. –Cinquenta e seis? Ficou maluca?

Mas a LeBeau não conseguia responder nada, apenas ofegava e cambaleava, até que seu corpo cedeu e Alexis a amparou.

—Ela está exausta, não adianta falar nada nesse momento.

—O que deu nessa garota?

—É uma boa pergunta, só não para agora. –Ela indicou o caminho de volta ao prédio. –Vamos trocar de roupa e descansar, talvez isso dê tempo dela acordar por um tempo.

O Howlett concordou e eles voltaram para a mansão, deixando Rebecca sob os cuidados de Jean e Hank, que colocaram a garota no soro, já que ela estava desidratada.

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A primeira coisa que Rebecca notou ao abrir os olhos, foi a expressão zangada de James e que Alexis lia um livro em um idioma desconhecido, ambos parecendo ter acabado de sair do banho.

—Estou encrencada, não é? –Ela levantou, sentando na cama.

—Muito. –James rosnou, mas foi impedido pela amiga.

Alexis indicou que ele ficasse mais longe e tomou a frente.

—Vamos do começo, você nos obedeceu, o que é bom, no entanto as coisas saíram do controle e não foi isso que pedimos. –A LeBeau parecia envergonhada. –O que houve?

A mais nova hesitou por alguns segundos, o que pareceu irritar o Howlett, porém a Rasputin continuou esperando.

—Eu… Desculpa.

Alexis suspirou.

—Isso tem relação com o que a Emma e a Ororo me contaram?

—Não… Eu… Não tenho certeza.

—Então…

—Tristan disse que mesmo que eu falhe, se me esforçar, você vai considerar aceitável. –Uma luz de reconhecimento passou pelos olhos dos mais velhos. –E Conner falou que quando eu estiver pronta, posso treinar na Shield para melhorar minha integração, talvez estudar.

—Desde quando você fala com os dois? –James sabia, mais ou menos, o que os dois garotos podiam querer, o que era preocupante para ele.

—Eles pegaram meu contato na festa, os dois são… Engraçados? –Becky parou por um momento. –Não, acho que o termo é “curiosos”.

—Tudo bem, eu entendi. –Alexis sentou ao lado de Rebecca e suspirou. –Os garotos não mentiram, mesmo assim você exagerou muito e isso não é legal, então, da próxima vez que James te mandar correr dez quilômetros e você quiser fazer mais, pare em vinte. –A LeBeau riu, até notar que o Howlett estava sério. –E eu vou pegar pesado o suficiente com você para que ache que precisa ficar fazendo esse tipo de loucura, então não repita esse comportamento, certo?

—Então, eu continuo encrencada?

—Muito. –James estava mais calmo. –Vai jantar e depois faça uma hora de meditação antes de dormir, amanhã eu vou te testar logo cedo.

—James! –A loira censurou o mais velho.

—Não. –Ele foi firme. –Vou reestruturar sua rotina de treinamento, afinal a Alexis é boazinha demais. –Ele encarou a demônio. –Vou te fazer esse favor como seu irmão mais velho e você sabe que tenho razão.

A Rasputin suspirou.

—Tente não machucá-la demais, ainda tenho que começar o treinamento de verdade amanhã. –O Howlett assentiu e saiu do quarto.

—Isso significa que ele vai arrancar meu couro logo cedo, certo?

—Provavelmente. –A mais nova não gostou daquilo. –Agora, sobre o que importa, porque quer ir para a Shield?

—Eu fiquei sabendo que podemos trabalhar lá, em coisas normais.

—Trabalho de escritório? –A mais nova concordou. –Isso parece interessante.

—Nunca pensou em fazer isso ao invés das missões de infiltração e assassinato?

—Acho que não, no final eu sou muito protetora com os outros e estar no campo me permite focar nisso, Se bem que só tenho essa liberdade porque o pessoal do escritório cuida do resto.

O silêncio se estendeu por alguns segundos, enquanto Rebecca tinha dificuldade de encarar a mais velha.

—Você gosta do Nathan, não é? –Becky notou a loira ficar vermelha.

—De onde você tirou isso?

—Bom, não é preciso ser inteligente, vocês são muito óbvios, o que é irritante. Acho que é por isso que todas as garotas que tem uma queda por ele te odeiam.

—Você gosta dele?

—Um pouco, acho que todo mundo tem uma queda por ele, menos as filhas biológicas da Emma, o que é um pouco estranho.

—Graças a Deus elas não tem uma queda por ele, Nathan as vê como irmãs de sangue.

—E respondendo sua pergunta, não, eu acho que minha paixonite já passou, o que é um pouco estranho de perceber.

—Então estamos em paz?

—Por mim, acho que sim, mas por favor, pare de enrolar o pobre infeliz, é triste de assistir.

—Isso…

—Sério, metade das garotas que te odeiam queriam estar no seu lugar e vocês já transam, então não é como se sua vida fosse ficar mais difícil.

—Eu acho que já passou da hora de você fazer o que falamos e, principalmente, se preocupar mais consigo mesma. –Alexis levantou e foi para a porta, parando antes de sair. –Ah, e tome cuidado com Tristan e Conner, os dois podem ser diferentes, mas são igualmente perigosos.

—O que isso quer dizer?

—Que apesar das diferentes formas de agir, eles são iguais.

E quando ficou sozinha, Becky se perguntou se aquilo era apenas para deixá-la pensativa ou algo um pouco mais preocupante.

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Quando os jornais do fim de noite entraram no ar, as primeiras matérias com credibilidade, encabeçadas por Edith Vargas e Liv Colton, deram conta de esclarecer toda a confusão envolvendo Tália e, por consequência, Cassandra. A identidade da mais nova não era exatamente um segredo àquela altura, mas por pedido da promotora as duas emissoras ocultaram o nome e a imagem da Lang, ainda que outras redes de televisão já tivessem explorado aquelas questões da forma mais descarada possível.

Mesmo assim, aquela não era a maior notícia do dia e todos esperavam pela declaração oficial da Casa Branca sobre o que havia acontecido durante a tarde, não que o comunicado inicial não fosse claro o suficiente, apenas estavam insistindo em cobrar mais esclarecimentos.

Então, mesmo que não fosse realmente necessário, quando o Secretário de Relações Internacionais apareceu na sala de coletivas, todos prenderam a respiração por um segundo.

“Boa noite a todos os bons cidadãos da América.

Sei que muitos podem ainda estar confusos sobre os acontecimentos desse dia em frente ao Departamento de Polícia de Nova York e por isso vim aqui com a intenção de esclarecer alguns pontos.

Antes de mais nada é preciso deixar claro que as ações tomadas hoje não foram tomadas sem o respaldo legal e também seguem acordos internacionais com países aliados que tinham prerrogativa para solicitar determinadas ações dentro do que já iríamos executar por nossa própria necessidade.

Todas as ações ordenadas pelo Comitê de Segurança para os agentes designados da Shield, foram previamente analisadas por outras agências governamentais sem informar a agência executora para que não houvesse nenhum tipo de problema com mal-entendidos. O principal motivo de termos excluído a Shield foram as recentes polêmicas que infelizmente atingiram agentes e estagiários nas últimas semanas, uma vez que sabíamos que isso poderia influenciar não apenas a opinião pública contra o governo, mas também contra a própria agência.

Com isso em mente, todas as informações foram reunidas por agências nacionais e internacionais visando encontrar e executar alguns dos criminosos mais procurados dos últimos anos no mundo todo. Então, baseado no que era proposto e considerando que a maioria deles estava em nosso solo, foi colocada sob nossa responsabilidade lidar com todos esses indivíduos o mais rápido possível. Coincidentemente, uma grande quantidade dessas pessoas, procuradas pelos mais diversos crimes hediondos, estavam na frente do Departamento de Polícia de Nova York essa tarde, protestando sobre a questão da mutante demônio Tália Wagner, indivíduo cujas alegações que pesavam contra já se provaram falsas.

Devido a essa série de arranjos oportunos, tomamos a decisão de executar as ações necessárias rapidamente, cumprindo as solicitações dos países solicitantes de que tudo fosse gravado e transmitido ao vivo ou televisionado, se fosse o caso. O que nos leva a forma como toda a operação foi executada, ainda que de forma um tanto quanto não convencional para o que os cidadãos da América estão acostumados, ainda que dentro de nossas prerrogativas legais.

Sendo assim, espero que todos entendam que não foi uma ação deliberada da Shield e sim uma Ordem Executiva autorizada pelo Presidente dos Estados Unidos da América, seu Comitê de Segurança Interna, agências de segurança do nosso país e do mundo, bem como todos os membros fixos do Comitê de Segurança da ONU e os assentos temporários.

E representando todas essas organizações, a Casa Branca se responsabiliza diretamente por qualquer incômodo que as nossas ações tenham causado.

Quanto a qualquer grupo que queira apresentar processos pelos acontecimentos desse dia, nós tomaremos essa responsabilidade junto dos demais países solicitantes.

Tenham uma boa noite.”

E sem permitir que qualquer pergunta fosse feita, o Secretário de Relações Internacionais encerrou a coletiva, saindo do salão em seguida, o que deixou muitos jornalistas irritados.

Mas os que ficaram mais furiosos foram os grupos que abriram processos contra as ações da Ordem Executiva, já que todos os países fixos no Conselho de Segurança da ONU aprovaram o que e como o governo americano agiu.

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17 de Outubro

Assim que desembarcou no aeroporto Internacional JFK, Alison olhou ao redor um pouco aliviada, desembarcar no meio da noite era cansativo em alguns aspetos, mas um alívio em outros.

—Senhorita Blaire? –A loira olhou para o homem parado à sua frente. –Ah, não me confundi, só pensei que a senhorita estivesse morena. E é uma honra recebê-la em nossa cidade.

—Não se preocupe, é uma peruca para despistar os curiosos. –A mutante sorriu de forma educada, mesmo que não estivesse muito animada às três da manhã. –Também estou feliz de voltar, é sempre uma emoção vir para Nova York.

—E é uma alegria para nós recebermos uma das maiores estrelas da atualidade em nossa cidade para seu show especial. –O pequeno homem parecia realmente emocionado com aquilo, o que deixava a mulher negra de olhos estreitos um pouco sem jeito.

—Bom, nós agradecemos por toda a sua hospitalidade e isso nos deixa ainda mais animados do que pode imaginar. –O homem asiático que seguia Alison tomou a frente. –Pode me chamar de John, sou o empresário assistente da senhorita Dazzler. Acredito que seja o responsável pela organização que solicitamos, então vamos conversar no caminho para o hotel onde eu vou poder tomar nota de tudo que ainda precisa ser feito.

—Ah, perfeitamente. Acredito que a senhorita Blaire vá participar, certo?

—Alison tem que recuperar a voz e dormir, o jet lag pode prejudicar a performance dela se não descansar corretamente.

—Com certeza senhor John. –O homem magro e baixo sorria animado. –A propósito, eu sou o gerente de organização, Rick Jordan.

—Então Rick, vamos conversar bastante. –Alison viu seu empresário assistente, Satoshi “John” Ishikawa, tomar a frente e agradeceu que Kevin, seu empresário de longa data, tivesse um pupilo tão competente.

A mutante negra sorriu quando saiu do prédio e o carro seguiu para o hotel, passando pelas ruas da cidade iluminada. Além daquela cidade, estava sua terra natal, do outro lado do rio, onde seu pai rígido lhe ensinou coisas que ela só entendeu depois de adulta e sua mãe de espírito livre guiou muitos dos seus primeiros passos, assim como seu dom para a música.

Pensar em sua família fez Alison sem querer lembrar de muitas coisas sobre sua vida, incluindo seus relacionamentos pessoais, e a fez refletir sobre como seus arrependimentos haviam afetado as últimas décadas da sua vida.

Ela sabia que era hora de começar a resolver alguns dos seus negócios inacabados, independente dos seus medos ou dos riscos para si mesma e sua carreira.

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Rebecca sabia que James não seria bonzinho, não melhorou quando Alexis lhe mandou o horário que teria que acordar, especialmente porque imaginou que aquilo seria parte de sua nova rotina.

Então, às cinco e meia da manhã a LeBeau levantou e foi tomar banho e às seis já estava comendo um pouco de cereal, mas evitou comer muito ou faria muita sujeira quando o Howlett a espancasse. Por isso, quando a primeira turma de James apareceu para o treino às sete, Becky já estava dentro da sala se aquecendo enquanto esperava sua vez, o que surpreendeu o instrutor.

—Você parece ter levado a sério o meu aviso. –O rapaz a encarou interessado na mudança da LeBeau e sorriu. –Isso é bom.

—Só achei que não valeria a pena adiar e Alexis disse que deveria pegar o primeiro treino.

—Inteligente da parte dela, eu normalmente não estou tão irritado a essa hora.

—Isso é bom?

—Depois do meio dia eu bato com mais força. –A garota assentiu e esperou que James explicasse o exercício para o resto da turma antes de se voltar para ela. –Agora, eu imagino que você saiba como eu costumo fazer esse tipo de avaliação, certo?

—Eu tenho que lutar com você com tudo que eu tenho e tentar ganhar a todo o custo. –Rebecca suspirou. –Embora seja impossível para eu ganhar de verdade.

—Correto, mas o objetivo é tentar. Então…

James indicou que eles começassem e assim foi.

Rebecca tentou atacar o Howlett diversas vezes e em todas falhou, mesmo assim ela continuou tentando, mesmo quando ele batia com força ou a arremessava contra alguma parede. A avaliação só terminou quando Becky não conseguiu mais levantar do chão e mesmo assim tentou se arrastar até James para continuar.

—Isso é suficiente. –A garota ofegava e parecia decepcionada diante da sua incapacidade de acertar um golpe que fosse no instrutor que sorriu. –Se todo esse esforço for real e continuar, acho que em breve você vai conseguir o que quer, só não pode desistir porque ficou difícil, entendeu? –Rebecca concordou e finalmente perdeu a consciência dando de cara no chão. –Isso é algo que eu vou acompanhar.

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Quando recuperou a consciência, duas horas depois de ter desmaiado, Rebecca viu que estava na enfermaria, sob a supervisão de Sussan.

—Eu… O que houve?

—James te causou algumas pequenas fraturas e uma concussão, depois te trouxe aqui para se recuperar. –A mutante médica levantou tocando o braço da LeBeau. –Ao que tudo indica não foram danos grandes, então ele parece ter maneirado, já que seu fator de cura já resolveu o que eu não podia tratar. –Ela encarou Becky. –Treinamento ou castigo?

—Avaliação para a Alexis. –Rebecca se sentia exausta, mesmo assim, tentou levantar.

—Pode ficar deitada, ainda não te dei alta.

—A Alexis…

—Escute as recomendações dela. –A Rasputin apareceu na porta. –Sussan é alguém que todos que não tem um excelente fator de cura ou são imortais devem ouvir sem questionar. –A LeBeau concordou e voltou a deitar. –James já me passou seus resultados e eles não são bons.

—Estou muito atrasada?

—Bastante, o que vai tornar o nosso trabalho mais complicado e pesado, ainda assim é possível recuperar o tempo perdido, tudo vai depender de você. –Alexis sentou na beira da cama. –Eu ainda preciso avaliar seu controle das suas mutações, só que, infelizmente, as habilidades de combate dizem muito sobre nossa capacidade de controle e o seu resultado não é animador, então o seu desempenho tem cada vez mais relação com o quão importante é para você tomar essa questão em mãos e ser a dona do seu futuro.

Rebecca engoliu em seco.

—Eu… É possível que até o final do colégio eu consiga um bom nível de controle para trabalhar como assistente nos escritórios da Shield?

—Eu acho que é.

—Então não tem porque eu recuar ou desistir.

Alexis sorriu para a mais nova.

—Nesse caso, descanse até a Sussan te liberar e depois me encontre para nosso primeiro treino.

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Claire derrubou o recruta no chão quase sem tocá-lo, o que fez todos suspirarem.

Estavam naquele treino a duas horas e nenhum dos jovens candidatos a agente da Shield havia feito a Rogers se mover de onde estava. Do outro lado do grande ginásio, os alunos que treinavam com Laura enfrentavam um problema muito parecido, embora, pela própria natureza da morena, ela se movesse de tempos em tempos.

Natasha observava as duas treinarem seus recrutas e sorria, então ela levantou e se aproximou mandando todos ficarem na sua frente.

—Como eles foram?

A loira suspirou.

—Você disse que eles terminaram o primeiro ano de Operações e estão fazendo o treino prático da agência a mais ou menos um mês, certo? –A ruiva concordou. –Se é o caso, não estão ruins. –Muitos pareceram ofendidos, afinal apenas os melhores ganhavam autorização para frequentar o estágio de treino prático. –Lhes falta experiência real de combate, prática em trabalho de equipe e comando hierárquico, bem como uma certa arrogância em excesso por serem os primeiros colocados de seu ano. Tudo dentro do esperado.

—Também falta a certeza de que devem fazer melhor ou vão morrer. –Natasha encarou Laura que notou os olhares de reprovação dos recrutas. –Por ser um treino não existe esforço em lutar por sua vida, o que prejudica um pouco o desempenho deles. Essa falta de risco pode ser o que está impedindo que o desempenho seja mais expressivo, mesmo que eles sejam promissores.

Enquanto os alunos rosnavam e ficavam indignados com as críticas, Tália passou pela porta acompanhada de Andrew.

—Não sabia que ainda estava usando o ginásio, quer que voltemos mais tarde, tia Natasha? –Andrew encarou os recrutas e depois a ruiva. –Aconteceu alguma coisa?

A Viúva Negra sorriu.

—Nada relevante, só quero te pedir um favor. –O rapaz assentiu. –Pode fazer uma luta treino com a Claire e… –Ela sorriu. –Laura, você luta com a Tália.

As duplas trocaram um olhar confuso, mas concordaram com aquilo.

Claire assumiu sua forma de diamante e liberou sua mutação primária, tomando Andrew como um perigo a ser refletido, enquanto que o Inumano deixou a forma humana pela de pedra derretida e flamejante.

Aquela visão assustou os recrutas, que recuaram.

Por outro lado, Tália assumiu uma postura ofensiva, com sua cauda pronta para ataques mortais, e Laura expôs as garras das mãos para começar o ataque.

Assim que se preparam para o primeiro golpe, Natasha bateu palmas, chamando a atenção de todos.

—Muito bem, obrigada. –Os quatro mais velhos ficaram um pouco confusos, antes de finalmente ignorarem o ocorrido. –Me digam, por que tomaram posturas tão agressivas e até fatais com seus colegas de treino?

—O Andy é um vulcão ambulante, não dá pra pegar leve com ele. –Claire foi a primeira.

—A Claire é a única mutante classificada como anti-Ômega, se essa garota é capaz de parar pessoas como o Apocalipse ou a Jean e o Franklin, por que eu arriscaria pegar leve com ela?

—A Tália é uma mutante demônio, então ela é muito mais forte e tem mais habilidades do que pode parecer em um primeiro olhar, não custa nada calcular que isso vai ser uma luta acirrada.

—E a Laura tem muito mais do que a mutação da família dela, mesmo que também não pareça.

—Muito bom. Agora, por que não tomaram as mesmas medidas com os recrutas, que eram seus “inimigos desconhecidos”? –Natasha encarou Laura e Claire um pouco mais dura.

—Lemos nas fichas deles que eram todos humanos, sem aprimoramentos de qualquer tipo, sem habilidades mutantes ou inumanas latentes. –A Rogers suspirou cansada. –Além disso, também dizia o grau de formação de cada um em artes marciais, o que nos deu uma ideia de suas capacidades físicas gerais.

—Nós não os subestimamos, apenas calculamos a base da sua força e usamos de duas a três vezes isso contra eles. –A Howlett deu de ombros. –Se tivéssemos batido com mais força do que aquilo, poderíamos ter matado um deles.

—Traduzindo, não queriam matar os filhotinhos. –Tália foi um pouco mais cruel e recebeu olhares de raiva dos recrutas. –O quê? Mato metade de vocês sem nem tentar se quiser.

Todos se viraram para Natasha, que assentiu, e depois voltou para os recrutas.

—O que significa que vocês descumpriram a minha ordem de se esforçarem ao máximo para derrotá-las, então farão treinos extras para compensar. –A ruiva olhou para Claire e Laura. –Fury me mandou reestruturar sua rotina de treinamento, por precaução. –As duas assentiram contrariadas. –Por agora é tudo, descansem para os dois treinos extras diários de mais tarde. Ser o melhor da Academia de Operações não te isenta de punição, entenderam? –Os recrutas concordaram. –A Comandante May quer falar com os quatro.

Claire, Laura, Andrew e Tália assentiram e saíram em direção a sala da outra Comandante.

—Que semana. –A Romanoff deixou escapar antes de reparar na pequena mensagem piscando no celular de serviço.

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Rebecca amaldiçoou sua sorte no momento em que James berrou com ela.

—Mais força LeBeau.

É, ela não estava em uma boa maré.

A garota colocou mais força no movimento de puxar o peso, mas cedeu e quase quebrou a cara, literalmente.

—Certo, erro meu. –O professor se aproximou. –Aparentemente vai ser cento e cinquenta com os dois braços e um pouco mais de setenta individualmente. Nas pernas tá tudo bem, duzentos quilos em conjunto para empurrar, cento e quinze para puxar e pouco mais de cinquenta em cada uma sozinha. –O Howlett encarou a mais nova ainda ofegante caída no chão. –Eu achei que você já teria desistido a essa altura.

Ah, aquilo irritou a LeBeau.

Ela levantou em um pulo e socou James, que provavelmente tinha deixado aquilo acontecer.

—Vai se foder seu cuzão. –Becky ainda ofegava e, sendo bem sincera, não tinha mais forças para se mover direito. –Eu não estou aqui porque é divertido, só quero minha passagem de saída desse lugar e da minha vida de merda.

O mais velho sorriu satisfeito.

—Ah, então você tem um objetivo, qual é bebezona?

—Não ser a porra de uma X-Woman igual à minha mãe. –Ao cuspir as palavras Rebecca recuou e olhou ao redor, até notar que James estava surpreso. –Esquece. Qual o próximo exercício?

O Howlett a encarou e depois se voltou para Alexis, que foi colocada de lado horas antes quando seu irmão decidiu testar a mais nova outra vez.

—Você sabia disso? –Ele não precisou de uma resposta. –Emma ou Ororo?

—As duas, o que não faz diferença, você deveria entender isso um pouco. –Rebecca encarou a interação dos dois irmãos adotivos. –Nem todos nós apreciamos tudo sobre quem somos e ela só quer ter uma vida burocrática normal, o que nem é a coisa mais estranha que já lidamos. –O rapaz assentiu. –Alguma recomendação?

James encarou a mais nova.

—Já correu seus dez quilômetros hoje? –Ela negou. –Então vamos, hora de ver até onde você vai se puxarmos.

==========X==========

Becky acordou na maca da enfermaria, novamente.

—O quê…?

—Você desmaiou depois de correr vinte quilômetros com o James em ritmo acelerado. –A voz de Alexis chamou sua atenção, assim como a presença do Howlett. –Seria péssimo se o meu irmão cabeçudo não tivesse te deixado ficar sem comer e desidratada antes de fazer isso, então parabéns pelos pontos extras ao aguentar a irracionalidade dele.

—Isso… –Ela encarou o professor que parecia indiferente.

—Seu vigor e por consequência sua resistência são bons, mas estão destreinados, vai precisar deles se quer recuperar o tempo perdido. –James a encarou em um misto de dúvida, preocupação e irritação. –A partir de hoje você deve estar pronta para o primeiro treino no mesmo horário em que te encontrei, vamos te passar rotinas bem rígidas de exercícios e alimentação, todos para conciliar com seus estudos.

A LeBeau engoliu em seco.

—Você vai participar do meu treinamento?

—Você quer sair, não é? –Becky assentiu. –Ninguém vai te puxar para fora de graça daqui, então aceite o que te oferecemos e construa sua própria saída para onde quer ir. –A garota concordou e James seguiu para a saída da enfermaria, parando na porta contrariado. –E tome cuidado com aqueles pervertidos.

Assim que o Howlett saiu Rebecca encarou Alexis.

—Pervertidos?

—Eu já não falei que eles são igualmente perigosos?

—Conner e Tristan? –A Rasputin assentiu. –E por que James está preocupado com isso?

A loira encarou a mais nova um pouco surpresa.

—Não é óbvio? –Becky negou. –James é superprotetor.

==========X==========

Depois de sair da enfermaria, Rebecca precisou passar na sala de Emma para reestruturar toda a sua escala de aulas com base no plano especial criado por James e Alexis. Ela ainda não entendia muito bem como alguém superprotetor poderia bater com tanta força em quem tentava proteger, mas achava melhor não contar que o Howlett pegasse leve só por causa disso. Na verdade, a LeBeau tinha a estranha sensação de quanto mais preocupado o professor estivesse com ela mais forte seria a pancada, então era melhor não deixá-lo preocupado.

Becky analisou o novo horário e suspirou.

Teria que levantar todos os dias às cinco e meia, estar pronta para a primeira aula às sete e, se possível, já ter feito meia hora de meditação antes disso. Sussan e Cara aceitaram dar aulas complementares de biologia para ela duas vezes por semana, enquanto Hank cuidaria da física e química. Com a nova agenda de Laura e Claire no Instituto, as duas ficariam com as aulas de geografia e história, respectivamente. Christine cuidaria de inglês e literatura, além de começar a ensinar alemão e português, já que a Frost não queria perder tempo com coisas pequenas nas aulas de Rebecca.

Teria sessões de treinamento diárias de, pelo menos, três horas, sem contar seus dez quilômetros de corrida obrigatórios, então já sabia que treinaria pelo menos umas seis horas por dia, mais sete horas de estudo e o curso especial de mecânica, já que Christine a dispensou da turma avançada por conta das aulas que teriam.

Com isso Becky sabia que seu dia terminaria apenas próximo das onze da noite, quando ela estaria quebrada e querendo apenas tomar banho e dormir pelo máximo de minutos que pudesse conseguir. O que pareceria muito quando o resto da rotina somava em média quinze horas diárias, mas ela ainda teria que correr atrás de fazer trabalhos, pesquisas e atender as expectativas que todos tinham sobre como a jovem LeBeau sairia naquela jornada.

Rebecca entrou na biblioteca vazia e começou a separar os livros que Christine havia passado para as aulas de literatura e português, já que ela deveria começar a tentar ler algo no idioma. O argumento da Frost foi algo como “você já sabe espanhol e feancês, pode dar um jeito de entender alguma coisa sozinha até nossa primeira aula” e Becky sabia que era verdade, sempre teve facilidade com idiomas, algo que ela nunca explorou a fundo.

—Alguém parece bem concentrada.

O susto fez Becky virar de surpresa e quase acertar a cara de Tristan com um soco, só que o garoto desviou por alguns milímetros.

—Ficou maluco?

—Não, mas admito que foi perigoso. –O Stark observou a garota tentar se acalmar do susto. –Eu achei que você tinha me ouvido bater à porta e entrar, desculpa.

A LeBeau observou o visitante e suspirou.

—Não, eu exagerei.

—O que está fazendo?

Rebecca hesitou.

Ela definitivamente não estava acostumada com tantas pessoas querendo saber como estava ou o que fazia, era estranho.

—Pegando material para minha nova grade de estudos. –Ela indicou o papel sobre a mesa. –Tenho muito o que estudar para conseguir o emprego que quero na Shield.

—Isso parece que vai ser puxado, quer ajuda?

—Como?

—Quer que te ajude a estudar? Sou relativamente bom com esse tipo de coisa, posso te ajudar a tirar dúvidas se quiser e é bom não ficar preso apenas nos professores e tutores normais.

—Bom?

—Ter companhia para estudar e até mesmo fazer alguma piada para relaxar, embora algo me diga que você vai tirar tudo isso de letra.

—Eu realmente não sei o que fiz para alguém acreditar que posso fazer coisas incríveis.

—Diz a garota que apesar de não estudar e não se esforçar ficou com um resultado de quem já concluiu o colégio. –Rebecca encarou Tristan surpresa. –Eu vi seus resultados. Não estão bons para a Shield ou a Stark Inc., mesmo assim são bons para pessoas comuns.

—Eu não sou comum, mesmo querendo ser.

—Por isso quer um emprego na Shield, onde não vai ser discriminada por ser mutante, mas pode ficar atrás de uma mesa.

—Eles têm parâmetros altos, então essa segurança custa esforço.

—Na Stark Inc. é igual, então sim, a segurança de trabalho de mutantes demanda tanto esforço quanto o de qualquer outro funcionário, só que você está um pouco atrasada.

—Eu sei. –A garota resmungou irritada.

—Não me entenda mal, Ollie está muito mais atrasado. –Becky o encarou confusa. –Você não viu, só que seu irmão não tem notas nem para estar no colégio, que dirá concluindo.

—Isso são pelo menos três anos de atraso.

—Cinco, pelos resultados.

Tristan pode dizer facilmente que Rebecca ficou preocupada com a situação do irmão.

—Se ele não estudar, não vai conseguir entrar para os X-Men como quer. –Havia uma aflição sincera no olhar dela, algo que o Stark reconhecia de si mesmo sobre a irmã mais nova.

—É uma escolha dele correr atrás do que precisa, não acha? –A LeBeau o encarou. –Ele tem acesso aos mesmos mentores, conselheiros e estudos que você, não é sua responsabilidade fazer Oliver aprender a ser um mutante capaz de entrar nos X-Men.

Becky encarou o livro em suas mãos e suspirou.

—Tem razão.

—Que livro é esse?

—Dom Casmurro, está na lista de livros que a Christine me passou e… –O Stark tomou o exemplar das mãos da garota. –O que…? –Ele entregou outro livro que ela parou para ler o título. –Se… Señora?

—Senhora.

—Você fala português?

—Qualquer ser humano que conviva com a Christine por mais de dois anos tem que saber falar português, a garota é obcecada pelo idioma do país em que nasceu. Ela passou mais de um ano conversando apenas em português com todo mundo, o que foi um inferno nos primeiros três meses.

—E por que trocou os livros?

—Dom Casmurro é um pouco denso demais para um iniciante do português, Senhora tem uns toques muito shakespeariano e um final feliz, ou quase isso. E tenho certeza que está na lista de indicações da Chris.

—Não preciso de spoilers.

—Você vai me agradecer se começar por Senhora, acredite.

Rebecca encarou Tristan por algum tempo.

—Vou confiar em você.

Ele levou a mão direita ao lado esquerdo do peito e se curvou.

—Espero estar à altura de tamanha responsabilidade.

—Idiota.

—Um pouco.

Os dois acabaram sorrindo enquanto Rebecca terminava de separar mais material de estudos.

—Acho que peguei tudo que preciso para essa semana.

—É bastante coisa, não era melhor usar um computador?

—Talvez, é que tenho problemas com eles. –O olhar de Tristan foi a própria pergunta. –Eu não sei, eles apenas não funcionam direito comigo, como se algo de errado acontecesse só de tocá-los.

—Então você só usa livros?

—Na maior parte do tempo.

—E seu celular?

—O McCoy fez algo nele para funcionar direito, ainda precisa ir para manutenção todo o mês, às vezes toda semana.

—Você ouve música nele?

—De vez em quando, não muito. Eu costumo usar o toca fitas do rádio velho já que dá menos defeito.

—Mesmo?

—É. Por que parece que não acredita?

—Não, é que isso é estranho, embora… –O Stark a encarou por um segundo e sorriu. –Bom, não é impossível, não é mesmo?

—O que não é impossível?

—Quer fazer uma aposta?

—Aposta? –O garoto assentiu. –Qual o truque?

—Nenhum.

—Então?

—E se eu te der uma dica que pode te ajudar com seus estudos e treinos, além de melhorar em muito o seu desempenho geral?

—Não vou usar nenhuma droga estimulante.

—Não é uma droga.

Rebecca encarou Tristan desconfiada.

—Certo. Vamos dizer que você tem esse método, essa dica milagrosa nas mãos, qual o preço?

—Esperta. –O Stark sorriu de forma predatória e se aproximou da LeBeau a prendendo contra a mesa. –Vamos dizer que eu seja generoso hoje, então um beijo pagaria pela informação. O que acha?

Becky hesitou e, por fim, suspirou, sem encarar o garoto.

—Que James tinha razão.

—James?

—Sim, ele e Alexis me disseram que você e Conner são igualmente perigosos.

—É mesmo? –Tristan fez com que a garota o encarasse. –Isso não responde a minha pergunta.

—Eu não vou cair no seu jogo. –Rebecca se afastou. –Essa brincadeira não vai me render nada, então não tem porque jogar.

O garoto a encarou por alguns segundos.

—Eu não estou brincando. –Ela o olhou incrédula. –Sério.

—Não acredito. –Becky começou a recolher os livros. –Eu tenho que jantar e ir descansar para a minha nova rotina amanhã, não vou continuar ouvindo suas piadas.

—Espera. –Tristan segurou a mão da mais nova. –Certo, vamos fazer assim, eu te dou a minha dica, mas você é quem vai avaliar o valor dela com base nos seus resultados.

—Por que?

—Para decidir se o que te dei vale mais do que eu pedi ou menos, pra você.

—O valor pra mim?

O Stark sorriu.

—Você vai entender. Concorda?

Rebecca hesitou por um momento e, por fim, acabou aceitando.

Tristan sorriu satisfeito e se virou pegando o caderno dela para começar a escrever sem parar por dez minutos, enchendo cerca de doze páginas com uma série de fórmulas marcadas como passo um ao sete e algumas orientações de uso.

Quando olhou aquilo por cima a LeBeau não se impressionou.

—Eu não sei física quântica Stark.

—Confia em mim, você vai saber o que fazer depois de começar. –Ele se aproximou um passo e depositou um beijo na bochecha de Rebecca. –Nos falamos depois.

E antes que Becky pudesse reagir o Stark saiu.

A garota suspirou exausta e um tanto irritada.

Ela parou e começou a ler a primeira parte da fórmula e instruções de Tristan, apenas para confirmar que era perda de tempo, o que não aconteceu. Para a surpresa da LeBeau, ela não apenas entendia as instruções e a fórmula, como conseguia aplicar o conceito com facilidade, o que deixou sua mente muito mais leve e clara.

Becky não tinha certeza de qual era a explicação por trás do que Tristan fez, apenas pegou suas coisas e correu para o quarto, teria que levar sua janta para lá também, aproveitaria tudo que pudesse daquilo, antes que pudesse se arrepender.

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Continua..

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No próximo capítulo: Pieces.

Notas finais
Atualmente posto minhas fics nos seguintes sites/plataformas de fanfics e histórias: Spirit https://www.spiritfanfiction.com/perfil/eucaristia Nyah! https://fanfiction.com.br/u/175167/ Wattpad https://www.wattpad.com/user/LillielEucaristia Acompanhe. Comente. Incentive. Todo autor precisa de sua dose de retorno para que as histórias não morram. Também escrevo uma série baseada em Percy Jackson e os Olimpiano, quem tiver interesse pode visitar meu perfil.