Notas iniciais
Atualmente posto minhas fics nos seguintes sites/plataformas de fanfics e histórias: Spirit https://www.spiritfanfiction.com/perfil/eucaristia Nyah! https://fanfiction.com.br/u/175167/ Wattpad https://www.wattpad.com/user/LillielEucaristia Acompanhe. Comente. Incentive. Todo autor precisa de sua dose de retorno para que as histórias não morram. Também escrevo uma série baseada em Percy Jackson e os Olimpiano, quem tiver interesse pode visitar meu perfil.

17 de Outubro

Aisha suspirou cansada e ao mesmo tempo relaxada.

Depois de um fim de semana inteiro de jet lag e muita enrolação, ela estava pronta para começar uma rotina no Instituto, por isso não pareceu uma ideia ruim ir para a sala de Emma, onde sua mãe estaria, e descobrir o que tinha à disposição para fazer. Quem sabe até mesmo resolver o assunto que a fez retornar para a América.

Assim que abriu a porta a princesa parou.

Ororo estava com um olhar demoníaco enquanto ouvia alguém falar no fone em seu ouvido, enquanto Jean e Emma ignoravam o clima ruim e continuavam a ler os relatórios da manhã.

A garota sentou em uma das cadeiras e esperou até que algo rompeu na paciência da sua mãe.

—Vai pro inferno T’Challa! –Aisha não comentou, mas tinha imaginado que o motivo do mau humor da mãe era o pai. –Ela já é maior de idade pelas leis de Wakanda e eu já a emancipei para pôr um fim nessa história. –Outro longo silêncio tomou a sala antes de as faíscas de eletricidade voarem dos olhos da mutante do clima. –Sim, faça isso e eu mesma mato você.

Ororo tirou o fone e encarou a filha sentada diante da mesa de Emma.

—Papai querendo que eu case com aquele velho?

—O que mais poderia ser? Não que eu vá deixar, o homem é mais velho que o Fury.

—O Fury não tem mais de sessenta anos? –Jean perguntou baixinho para Emma, que assentiu.

—Gabriel está a caminho, não é? –A garota concordou. –Quais as chances dele concordar em casar com você assim que colocar os pés no país?

—Relativamente grandes já que isso era parte dos meus planos ao vir para cá. –As três mulheres mais velhas pararam o que faziam e encararam Aisha por alguns segundos. –Estou grávida.

Emma agiu antes de qualquer um e parou ao lado de Ororo, que cambaleou para trás de forma perigosa antes de ser amparada por uma cadeira que Jean correu levar para trás dela.

Foram quase dois minutos antes da Monroe mais velha conseguir falar algo.

—A menos de dez dias você disse que estava tudo certo, sem nenhum problema.

—Em minha defesa, a dez dias eu realmente não sabia disso. –A garota riu. –A viagem foi muito boa para que nada saísse fora do esperado. –Uma risada irônica escapou de Aisha. –Ben desconfiou depois da nossa conversa, disse que eu estava dormindo mais do que o normal e, você sabe, ele é obcecado com a pontualidade para os compromissos.

—Então ele te colocou no primeiro voo para a América assim que vocês pegaram os resultados. –A garota concordou com Emma, que pegou o celular. –Preciso avisar a Shield, acho que a May está de plantão agora.

Jean se afastou de Ororo.

—Vou ligar para o advogado, precisamos providenciar a documentação para o casamento, melhor não esperar o Ben chegar ou a embaixada de Wakanda pode descobrir e se isso acontecer… –A ruiva deixou a questão no ar.

Tempestade encarou a filha por mais algum tempo antes de finalmente suspirar.

—Como você está? Tem se sentido bem? Já sabe quanto tempo?

—No geral eu tenho estado bem, só com muito sono e fome, não tive nenhum outro mal-estar. Sobre o tempo, Ben ficou preocupado com o papai, então ele apenas coletou meu sangue, fez os exames e ficou esperando os resultados para enviar ao Hank. Ele acha que talvez seja pouco mais de quatro semanas, menos de oito.

Ororo entendeu o que o genro fez, embora um pouco arriscado era o que ela mesma teria orientado a filha a fazer se ficasse sabendo de tudo antes.

—Então vamos falar com seu tio para ele mesmo te avaliar e nos dar mais detalhes, até porque sua mutação não vai facilitar em nada nossa vida, não é mesmo?

—Ben disse a mesma coisa ontem a noite.

—Ontem a noite? Sobre o que conversaram?

—Nada importante, só sexo por telefone.

As três mulheres pararam por um segundo, encarando a garota e, por fim, Emma gargalhou.

—Eu adoro a sua filha Ororo.

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Daniel gargalhou achando toda a dinâmica entre Wolf e Alexa divertida, o que só melhorava com a presença de Robert e Valéria. Para o mestiço, eles eram criaturas muito interessantes em seus relacionamentos, especialmente quando ele cresceu em meio a relacionamentos estranhos na nave dos Guardiões.

Wolf parecia lamber o chão que Alexa pisava, ainda que fosse rígido com ela sobre o treino para usar os poderes que a garota havia ganho. Já a ruiva, apesar de um pouco mal-humorada em alguns momentos, era extremamente paciente e cuidadosa com o asgardiano.

Não muito diferente era a relação do gêmeo da ruiva com a namorada e para Dan, Valéria era o pacote completo de problemas, não que Robert parecesse ligar, então ele não podia deixar de ficar fascinado ao ver o Barton ser apaixonado e dedicado a cada movimento que a loira fazia. E a garota parecia não saber como reagir ao comportamento do namorado; de alguma forma o Thompson via que aquilo a fazia se sentir segura, o que ele acreditava ser bom.

—Não tem planos para hoje Daniel? –Não que Robert estivesse mesmo preocupado, queria apenas ver se tirava o garoto mais velho da cobertura por um dia.

—Não.

O Barton fez uma careta e suspirou.

—Sério, por que não vem com a gente para a Shield? Não é muito longe e você pode dar uma respirada.

—Nisso Robert tem razão. Ouvi que você quase não saiu desde que chegou. –E Valéria era mesmo uma pessoa decente.

Dan encarou o corredor que levava até os quartos onde ele e Ur viviam quase que sozinhos nos últimos dias depois que Jason e Wolf encontraram seus parceiros.

—Fico preocupado de sair assim. –O mestiço hesitou e, por fim, suspirou. –Tudo bem, pode ser.

—Pode ser o quê? –Jason veio da direção dos quartos com Max logo atrás.

—Passar o dia na Shield. –O Thompson encarou a dupla e depois apontou. –Não notei ele ontem a noite nos quartos, nem você.

—Chegamos agora. –Max sentou ao lado de Valéria e entregou um bilhete para a garota. –Estava doutrinando Jason em música humana.

—Não em música humana, nas músicas da Alison Blaire. –Val fez um high five com o mago mutante.

—Ah, o motivo pelo qual serei abandonado na sexta-feira. –Robert choramingou e a loira o empurrou de leve.

—Abandonado? –Daniel olhava para o grupo curioso, assim como Wolf.

—Eu e a Ally Mackenzie conseguimos, graças aos contatos do meu não-cunhado, ingressos especiais para o show exclusivo que a Dazzler vai fazer na sexta-feira, incluindo a entrevista pós show. –Aquela parte era simples, Dan conseguia acompanhar. –Cada um de nós pode levar um acompanhante, então eu vou levar o Jason e…

—Ally concordou em me levar junto. –Os olhos de Valéria brilhavam.

—Eu pensei que você já tinha ido em shows dela, como aqueles que ela fez na Latvéria depois da guerra. –E Robert realmente parecia um pouco chateado.

—É diferente. –Ela beijou a bochecha do namorado. –Prometo que te recompenso depois.

O Barton pareceu menos triste e concordou.

—E vale tanto a pena assim ir a um show dessa mulher? –Wolf acabou fazendo a pergunta que Dan tinha em mente.

Todos os humanos nascidos e criados na Terra encararam o deus lobo asgardiano.

—Ela é a maior artista mutante de toda a história, pelo menos dentre aqueles que se assumiram como mutantes publicamente. –Alexa foi direta. –Existem muitos atores e atrizes mutantes que ainda escondem sua condição ou que na sua época precisaram esconder que tinham habilidades, mas a Alison usa os poderes dela nos shows e não nega ser mutante.

—Em termos de importância, ela tem um potencial midiático tão grande quanto o do próprio presidente e consegue arrastar toneladas de apoio de outros artistas para as causas humanitárias que apoia ao redor do mundo. –Robert desta vez parecia até admirar a mulher mais do que a namorada.

—Depois da guerra na Latvéria, ela promoveu uma turnê, bancando todos os custos do próprio bolso, com diversos artistas pela Europa, acabando com shows nos dois países para arrecadar fundos para as pessoas afetadas no conflito. –Valéria suspirou um pouco fascinada. –Infelizmente o outro país acusou ela e os demais artistas de estarem apoiando a Latvéria, então a Alison disse que qualquer um que achasse melhor não fazer o show no nosso país poderia ir, ela não deixaria um lado pelo outro já que a música não escolhia lados para acolher as dores das pessoas.

—Lembro disso, metade dos artistas desistiu e ela disse que se preciso faria as quatro horas de shows vagos sozinha. –Maximillian sorria diante da lembrança. –No final os artistas que ficaram dividiram a carga e todos puderam aproveitar o espetáculo com calma.

—Do jeito que você diz, parece até que estava lá. –Daniel comentou um pouco surpreso.

—Estava mesmo. –O Strange ficou mais animado. –Comprei o ingresso com a ajuda do James, que me indicou para um lugar na área VIP, depois peguei um avião até a Latvéria e passei por uma inspeção infernal até a Val me encontrar.

—Nossa segurança de fronteiras foi duplicada depois da guerra e nas semanas antes do concerto a coisa ficou dez vezes pior. –A loira comentou um pouco cansada com a lembrança. –Se bem que não é estranho a Alison fazer shows na Latvéria, então não entendi muito bem o drama na época.

—É mesmo, ela vai bastante para lá nas turnês que faz pela Europa, quase como uma parada obrigatória. –Alexa parecia preocupada. –Ela também sempre faz shows beneficentes por lá, todos os anos. –A ruiva encarou a Richards. –Seu tio nunca comentou nada sobre isso?

—Quando eu e Damian comentamos isso, ele apenas disse que prefere música clássica. –Valéria deu um risinho cínico. –Como se ele pudesse nos enganar.

Todos encararam a loira.

—Como?

—Nada não. –E todos puderam ver na expressão da loira, que o assunto, por mais interessante que fosse, estava encerrado.

—Hum… Então, eu vou para Shield com vocês? –Daniel tentou ignorar a sensação estranha que o sorriso sinistro de Valéria lhe causava.

—Ah, sim. Isso mesmo. –Não que Robert estivesse muito diferente do mestiço.

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Aisha encarou o aparelho um tanto mais ansiosa do que esperava, mas seu tio Hank não parecia mais preocupado do que quando ela passou pela porta com a mãe.

—Bom, ao que tudo indica e, receio que minha precisão para esse exame não seja tão boa quanto o normal, posso identificar o batimento cardíaco do feto. –O mutante bestial colocou o som para ecoar pela sala, o que fez Ororo começar a chorar. –Infelizmente o equipamento não está corretamente calibrado para se adaptar a mutação da Aisha, então não consigo os detalhes que normalmente teria, ainda assim é o suficiente para confirmar a gravidez.

—E quando vamos poder ter um exame mais preciso? –Emma tomou a frente.

—Acho que amanhã, não é tão difícil recalibrar a máquina, só demora um pouco. –McCoy encarou a sobrinha e suspirou. –Acredito que sua mutação não vai fazer mal à criança, já que ela parece adaptada ao seu corpo, mesmo assim recomendo que não fique se transformando em eletricidade sem necessidade. –A princesa concordou. –Vou pedir que não coma nada que é normalmente contraindicado para uma gestação convencional, já que seus exames devem ficar prontos amanhã.

—E quanto tempo o senhor acha que tem? –Aisha pareceu um pouco preocupada.

—Sem mexer na máquina eu teria que chutar quase dois meses, mas eu já errei isso com a Emma quando ficou grávida da Christine e com a sua mãe, quando descobrimos que você estava a caminho, então pode ser menos. –O Fera parou para pensar um pouco. –Na melhor das hipóteses eu posso chutar cinco semanas, não menos.

—E eu pensando que aquela viagem seria apenas para relaxar. –Todos encararam a garota. –Ben e eu passamos alguns dias em umas termas, para relaxar antes de alguns compromissos, foi a pouco mais ou menos um mês e meio.

—Isso pode ser uma base de cálculo, não é preciso. –Hank murmurou.

—Ben achou melhor tirarmos duas semanas de folga, já que eu tinha começado a fritar os circuitos elétricos da Embaixada de Wakanda.

—Vocês voltaram da viagem a um mês e meio? –A garota concordou e o doutor voltou a mexer em anotações.

—Em todo o caso, passamos duas semanas lá, de férias merecidas, depois voltamos para o trabalho.

—Nesse caso, o cálculo seria de seis a oito semanas, mesmo assim, vamos confirmar amanhã. –O mutante bestial levantou de onde estava e encarou as mulheres ao seu redor. –Faço o novo ultrassom amanhã pela manhã e o exame de sangue deve ficar pronto até o mesmo horário, então estão todas dispensadas.

Jean e Ororo saíram com Aisha enquanto Emma parou ao lado de Hank.

—Sobre meus exames…

—Estão todos na mais perfeita ordem. –O homem sorriu. –Se fosse uma corrida, eu diria que você já está atrasada, mas a Aisha não é a única que pode entrar nessa disputa.

—O que quer dizer?

—Que os exames da Alexis estão uma verdadeira bagunça, não consegui nem mesmo isolar os cromossomos XX dela. –McCoy entregou os papéis para a Frost, que lembrou imediatamente sobre o amigo ter escondido alguma informação na reunião da sexta-feira anterior. –Não acho nenhum dado lógico nas análises dela, o que é por si só um problema já que esses foram os mesmos resultados do Nikolai depois de ser dominado pelo Baltazar. –O mutante bestial suspirou. –Preferi mentir sobre os resultados quando fizemos a primeira leva de exames, porque achei que era algum erro, mas o contra teste ficou igual.

—O que isso quer dizer? –Emma resmungou mais para si que para o amigo.

—Se você, que sabe de coisa que nem imagino, não sabe, é porque as coisas estão além do que podemos lidar sem Illyana.

A Rainha Branca suspirou.

—Faça novos exames nela a cada duas semanas, e não espere para refazer esses, comece hoje.

—Tem certeza?

—Não, mas não vou arriscar outro susto com eles. –A Frost parou por um momento. –Quero apenas confirmar, mas posso conversar com Logan sobre o meu assunto?

—Vai mesmo aceitar a nossa interferência nesse sentido?

—Eu tenho opção?

—Não. –Emma arqueou uma sobrancelha. –Fale com ele.

—Obrigada.

E assim que a loira passou pela porta, Hank suspirou.

—Eu devo ser louco.

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Haviam muitos motivos que faziam Pepper não andar de forma distraída pela Torre Stark mesmo pela manhã, o principal e não menos problemático, era a frequência com que algum dos seus sobrinhos podia ser encontrado em situações extremamente constrangedoras com um parceiro, por isso a matriarca dos Stark não deveria ter ficado surpresa ao abrir a porta do escritório do filho e dar de cara com Conner grudado nas calças de Tristan.

A ruiva respirou fundo e pigarreou olhando para o lado oposto.

—Esqueceu de fechar a porta. –Os dois garotos deram um pulo.

O Banner cobriu a boca por reflexo, rindo em seguida, enquanto o Stark tentava fechar a calça, mais vermelho que um tomate.

—Ma… Mãe? –Tristan não sabia para onde olhar.

—Bom dia tia Pepper. –Já Conner havia recuperado a postura relaxada.

—Eu não vou dar bronca sobre sexo no escritório, apenas lembre-se de fechar a porta, a tranca existe para isso e qualquer coisa eu confirmo com o Jarvis que você tem companhia. –A mulher sentou em uma das poltronas. –Agora, aproveitando que os dois estão aqui, vamos conversar sobre Rebecca LeBeau.

Os dois garotos trocaram um longo olhar e o Banner tomou a frente.

—Qual a sua dúvida?

—O que querem com ela?

—Que ela seja nossa namorada. –Conner sorria sincero.

Pepper observou bem o sobrinho e depois o filho.

—Isso é algo que os dois têm certeza?

—É sim. –Ela olhou surpresa para o filho. –Nós sentimos que Rebecca é algo que falta na nossa relação, não como uma muleta, mais como uma parte que está faltando para funcionar perfeitamente. –Tristan tentava não encarar a mãe. –Pode soar estranho, já que quase não convivemos com ela, só que nós concordamos que ela parece se encaixar.

Pepper observou a forma como Tristan e Conner se portavam, depois tentou lembrar um pouco sobre as novidades a respeito da garota LeBeau que recebeu de Emma.

—Quanto eu devo me preocupar de algo dar errado nessa história?

Os dois garotos se encararam.

—Não muito. –Conner comentou. –Nós não vamos recuar, mesmo assim não vamos simplesmente trazer ela para dentro do que queremos, não somos assim. Obviamente, nenhum de nós pretende fingir ser o que não é ou avançar sem o outro saber, é importante que ela crie uma ligação com os dois ao mesmo tempo.

Pepper suspirou um pouco exasperada.

—Eu não sei se fico feliz ou irritada com a facilidade com que vocês dizem isso ou concordam um com o outro. –A ruiva digitou algo no tablete em sua mão. –Não quero saber de vocês fazendo nada de errado com a garota, fui clara? –Ambos concordaram. –Conheço os dois muito bem para saber que tem seus joguinhos e artimanhas para enredar ela, então é bom saberem quando e onde parar com isso.

—Não se preocupe, mãe. –Tristan tinha um sorriso perigoso e afetuoso, o que deixou Pepper em alerta. –Queremos que ela se apaixone por nós antes, não vamos enrolar Becky mais do que o necessário para trazê-la ao nosso lado.

A ruiva levantou e encarou o filho.

—Diga o que quiser, eu sou sua mãe e te conheço muito bem, sei exatamente do que você é capaz, Tristan Edward Potts Stark. –Ela seguiu para a porta e parou. –E é exatamente por isso que me preocupo com essa garota.

Assim que Pepper saiu, Conner encarou o namorado e riu.

—Não dá pra dizer que sua mãe não te conhece.

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—Não acredito que você precisou ouvir conselhos da Rebecca para vir me perguntar sobre essa merda. –James esbravejou de forma irritada, enquanto esperavam a LeBeau acordar. –Até a Sussan, que só olha pra porra do microscópio e do bisturi sabe que você é fodidamente apaixonada por aquele pervertido de marca maior. –O rapaz apontava para a mutante médica, que fingia não ouvir a conversa que parecia uma briga.

—Fala baixo. –Alexis pediu constrangida.

—Baixo? –E o Howlett começou a gritar. –A quanto tempo você acha que as pessoas já notaram que cêis tão transando para achar que isso é segredo? Caralho! Vocês passaram a noite queimando em fogo, sem roupa e todo o Instituto viu, se liga.

—Isso…

—Sem querer interromper ou ser alvo da fúria sem sentido de alguém… –Sussan resmungou irritada. –Mas isso é uma enfermaria, então… Calem a porra das bocas ou falem baixo.

James engoliu em seco diante da raiva afiada da pupila de Hank.

—Foi mal. –O garoto engoliu a raiva e encarou Alexis. –Olha, Nate te ama, tá legal, você sabe disso, certo? –A loira assentiu em dúvida. –Por favor, você é maluca por ele, seria capaz de destruir o mundo se ele sumisse, não é?

—Não é tão simples, eu posso machucar ele por acidente e nunca me perdoaria por isso. –A Rasputin não conseguia encarar o irmão adotivo.

—Acha mesmo? –O tom debochado de James chamou a atenção das duas garotas acordadas. –Por que não conversa com seu demônio? Tenho certeza que ele vai deixar bem claro que quer o Nate tanto quanto o da Tália quer a Cassie.

—Talvez mais. –Sussan resmungou, porém a audição dos dois mutantes captou o comentário. –Por favor, vai dizer que nunca reparou que ela parece um vidro ambulante de feromônios quando passa cinco minutos do lado do Summers?

—Felizmente não, seria nojento. –James foi seco. –Mesmo assim, explica muita coisa.

—Eu que sei. –Sussan voltou a resmungar. –E parem de mandar a garota LeBeau para a enfermaria, os aparelhos ficam malucos quando ela se aproxima demais, é um saco.

—Hank não consegue resolver isso? –Alexis encarou o monitor que parecia normal.

—Não, o problema é outro, então não adianta nada. Tudo é apenas paliativo para conseguir segurar os resultados. –A mutante albina suspirou.

—Alguma coisa que possa ser feita para ajudar? –Alexis tentava desviar do assunto principal.

—Não. –Sussan a encarou. –Olha, sei que não quer ouvir isso de mim, tudo bem, mas não faça com o Nathan o que a Helena tem feito com o James, é cruel.

—Como você…? –O Howlett estava surpreso.

—Qual é? É claro que eu sei sobre isso. Nenhum de vocês é discreto. –Os dois irmãos adotivos se olharam frustrados, a albina andou até a loira. –O que eu quero dizer é que o Nate te entende, por isso ele não perdeu a paciência, só que isso não é garantido, então não deixe que as suas chances acabem por teimosia. –Sussan segurou a mão da mais velha. –Você é gentil e cuidadosa com tudo e todos, sempre me ajudou, então acredite quando digo que é muito mais fácil o Nathan fazer uma loucura do que você. Ele é completamente maluco por você. –A garota fez uma careta. –E digo isso no sentido mais insano que alguém pode imaginar.

—Eu…

—Não que você precise me ouvir ou ao James, mas tenho certeza que Emma e Ororo diriam a mesma coisa, se é que uma delas já não o fez. O problema é que quando a Rebecca começa a te dar conselhos do tipo é porque a coisa já passou do ponto e você sabe que é verdade.

Alexis assentiu e James ficou emburrado no canto enquanto eles esperavam que a LeBeau finalmente acordasse, ambos evitando Sussan. A mutante albina podia não ser do tipo que se mete em assuntos alheios, só que quando se metia não era para deixar as coisas pela metade.

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Ur encarou os pergaminhos sobre a mesa de estudos do seu quarto em Midgard.

Não queria dizer, mas receber tanta correspondência de uma única vez vinda de seus pais e suas madrastas a assustava mais do que achava saudável um deus admitir em uma única vida.

Encarou o pergaminho de sua avó Frigga também, assim como o de sua tia Jane Foster. Resolveu começar a ler pela última.

“Como tem passado?

Precisa de alguma orientação sobre Midgard?

Qualquer coisa me ligue, estou fazendo alguns estudos na Terra agora.”

Certo, nada de novo, sua tia estava apenas sendo educada.

Então Frigga:

“Fiquei sabendo que o jovem Daniel está na Terra.

Vocês voltaram a conversar ou continua evitando ele?

Sabe que quero apenas o melhor para você e acredito que Dan é esse melhor, não importa o que seu avô insista em dizer.

Lute pelo que quer.”

As cartas de Encantor e Verity seguiam o mesmo padrão, já a de seu pai tinha mais de duas páginas (e ele havia mandado duas dessas), assim como a de sua mãe, o que era um sinal de alerta, afinal Sif nunca escrevia cartas.

Mesmo assim, a jovem deusa começou pela de Loki, pois era o mais aconselhável.

“Minha querida filha,

sei que sou de longe a última pessoa que deveria lhe dizer tais palavras, mas tem que parar de mentir para si mesma.

Não direi que esta é a primeira vez que penso em lhe falar isso, pois seria demasiado falso e arrogante de minha parte.

Faz anos que busco conseguir o momento e alcançar as palavras, mas tu és, definitivamente, pior que eu e tua mãe, algo apenas possível por ser nossa filha. O que significa que nunca terei como realmente alcançá-la por completo em uma argumentação.

Por isso, usarei das palavras de outra carta que tentei lhe enviar tantos anos atrás, porém acabei guardando, pois hoje creio que tenha o entendimento que outrora lhe era tão infantil para que minhas intenções lhe alcancem.

“E sois vós a presença dentre os loucos e santos, capaz de depor por crimes nunca antes vistos ou feitos, seja em carne ou em espírito, vivos ou mortos, inocentes ou corruptos?

Sois vós a voz perdida que demanda cuidado ou a sombra que abriga esperanças em almas vorazes e cheias de medos, influenciados com anseios que partem seus corações pequenos de tamanhos, mas gigantes de sentimentos em partes mil sem fim ou descanso?

Pois, sois vós o que quer ser ou o que esperam que seja por eras sem fim em mares distantes de si mesma?

Então lhe digo: não seja aquilo que não pode ou o que não lhe é permitido minha criança. Doce Infante iludida em tuas próprias mentiras trajadas de responsabilidade, respeito e honra.

Não te entregues a um caminho ao qual não pertences por crer que dele depende algo maior e mais importante que tua ampla e absoluta felicidade, pois posso lhe garantir que não existe nada maior o mais importante que isso e, lhe garanto, que vosso arrependimento será eterno se fizer menos do que lutar pelo que queres ao invés daquilo que crê que deve fazer.

Ouça essas palavras, que são sinceras de um modo que não deveriam ser, mas são, pois o que mais desejo é a sua felicidade minha criança.

Minha pequena e doce Flor de Gelo.”

Bom, eu lhe disse que não é a primeira vez que tento dizer essas palavras, o que deve ficar bem evidente por ter usado seu apelido depois de tantos anos, especialmente porque você já não me permite te chamar de Flor de Gelo a algum tempo.

Ainda assim, espero, bem como sua mãe e madrastas (que não param de gritar no meu ouvido, note o aumento nos meus erros de ortografia), que isso a faça entender que lhe apoiaremos em tudo que decidir fazer, independente do que seja ou do quanto pareça insano, desde que isso a faça feliz.

Com todo meu amor e carinho,

que pode parecer mentira,

seu pai.

PS: sua mãe está gritando que fui muito poético e, que por isso, você vai se fazer de desentendida, então ela me mandou ser mais direto (então farei uso das palavras de Sif e Encantor): mande os anseios de Odin em te casar com Drake para Hell (o nosso inferno ou o dos humanos, não faz diferença), agarre Daniel e fique com ele.

O garoto te ama desde a primeira vez que se viram a uns dezoito anos, se isso não significa nada, não sei o que pode significar. Além disso, como seu pai, eu deveria ser o único homem cuja opinião sobre ele é importante.

Então pare de se preocupar com seu avô, ele já está frustrado com Wolf e Jason, não vai ser diferente quando Drake encontrar alguém que o coloque em uma coleira.

Sem falar que você ama o Daniel, está estampado na sua cara tanto quanto na dele.”

Ur precisou reler a carta mais duas vezes antes de acreditar que Loki havia mesmo escrito aquilo. Não que a segunda carta fosse algo mais crível.

“Ok.

Eu desisto, sua mãe e Encantor convenceram Verity a se juntar a elas.

Por que casei com essas três mesmos?

Deixa pra lá.

Elas me mandaram enumerar alguns fatos óbvios (o que não tem lógica, mas elas disseram que você é muito cabeça dura, o que fui forçado a concordar).

1 — Daniel te ama;

2 — Você ama o Daniel, não tente negar;

3 — Drake é um babaca, você e Dan concordam com isso;

4 — Wolf e Jason já planejaram seu casamento com o Daniel (sua mãe e madrastas ajudaram, eu vi);

5 — Imagino que Alexa e Max vão ajudar no que puderem;

6 — Odin vai te perdoar (um dia, não imagino quando ou como);

7 — Frigga vai entender (e apoiar), porque ela te ama mais do que imagino (acho que algo parecido com o quanto te amo);

8 — Sabia que uma vez sua mãe me disse “Quando não te tenho por perto meu peito dói de saudade e quando está comigo meu coração quase explode de felicidade”? Sim, foi só uma vez, mas vale até hoje;

9 — Ah, elas pararam de gritar na minha orelha.

Correção, sua mãe entrou em trabalho de parto, tenho que ir.

Te amo.”

Por um momento a deusa asgardiana quase perdeu o controle e invocou uma Bifrost a força para ir até Asgard, até lembrar da carta de sua mãe.

A garota abriu o pergaminho com medo, porém logo notou que a letra de seu pai estava por quase todo o texto, o que era estranho.

“Ur, seu pai é um idiota.

Seu irmão nasceu bem e saudável, não se preocupe com isso, mas ainda não escolhemos um nome então não pergunte.

Avise os outros, caso não tenham aberto as cartas

…

Sou péssima para escrever.

Seu pai é um poeta, mas um idiota.

Quer saber, estou há mais de seis horas para escrever essas linhas, vou mandar ele escrever enquanto falo.

(Oi filha, acabei de me ferrar nas mãos da sua mãe, novamente.)

Seu pai tentou dar uma de esperto comigo (tentei mesmo), mas, pelo menos, está escrevendo (como se eu tivesse escolha).

Você precisa pensar no que quer, não no que os conselheiros ou Odin querem (concordo com ela), são todos uns covardes medrosos (...).

Seu pai já escreveu isso, porque eu mandei (não que ela tenha me dado escolha), mas Drak* Daniel te ama (verdade).

Até seu avô idiota sabe disso (???) e Frigga ajudou nos planos do seu casamento (é o quê?), então faça um favor a todos, principalmente a você mesma, e fique com o Daniel.

Drake é um babaca (concordo!), mas parte da culpa dele ser assim com você é de Odin (verdade), então dê um soco nele e diga que estão quites (não faça isso!).

Só que tem que fazê-lo voar por um meio quilômetro com o soco (Não faça isso!), se não tem que bater de novo (N-Ã-O F-A-Ç-A I-S-S-O).

Enfim, te apoiarei no que fizer, especialmente se decidir ficar com Daniel (essa parte eu concordo com sua mãe) e socar seu primo (claramente discordo dela).

Só quero que seja feliz e não se sacrifique por besteiras políticas (acabei de lembrar porque continuo casado com sua mãe), não faça as escolhas estúpidas do seu pai (tava demorando).

Loki foi um imbecil e um tolo, mas eu sei que no fundo, em algum lugar que ele esconde tão bem de si mesmo quanto dos outros, seu pai é bom e puro. É por isso que eu o amo (...).

Sei que ele está comentando minha carta e já esperava por isso, então eu sei que você vai notar que ele ficou sem reação, mesmo que não tenha desviado os olhos do papel até agora (…).

A questão é que seu pai só é bom e puro quando e com quem pode (...). Eu, Encantor, Verity, você, seus irmãos e irmãs, as pessoas que vocês amam (...).

Você é o melhor de nós dois, por isso não tem as restrições dele. Você é o nosso melhor (ela está certa).

Então seja feliz.

Busque a sua felicidade e se preocupe com isso por hora.

Problemas podem aparecer a qualquer momento, o que importa é ser feliz até ter que lidar com esses imprevistos (nossa, sua mãe foi profunda nessa).

Ouça o poeta do seu pai (qual o problema de escrever bem?) e faça isso logo.

Com amor e carinho,

Sif.

(Eu assinei por que seu pai ficou me enchendo o saco,

dizendo que isso era algo pessoal e importante).

PS: Decidimos chamar seu irmão de Uller, porque Frigga gostou da ideia de um nome como um par do seu. E antes que pergunte ele é uma pequena versão masculina sua.

Logo você vai conhecê-lo pessoalmente.

*Deu pra reparar que eu ia escrever o nome do seu primo, não é? Mas Verity e Encantor estavam xingando ele tanto ao meu lado que quando vi já estava na metade do nome.

Aliás, sua mãe me deixa confuso, vou enlouquecer por culpa dela.”

Ur parou por um momento, se perguntando se toda a sua família havia perdido a sanidade, só que de alguma forma lhe ocorreu que talvez aquelas cartas fossem a prova que os únicos insanos ali eram ela mesma e Odin, ainda que por diferentes motivos.

Não porque seu pai e o resto da sua família vivessem repetindo isso, a asgardiana sabia que amava Daniel desde sempre e que com o passar dos anos ele apenas lhe deu mais motivos para que aquele sentimento crescesse. Ela sabia que podia confiar nele, o admirava por ser como era e, talvez o mais importante, nunca precisou ser a melhor quando estava com Dan, porque ele queria apenas ficar ao seu lado.

A deusa da Verdade encarou os papéis a sua frente e suspirou.

A questão era que agora não fazia a menor ideia de como fazer isso.

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Quando Alexis encontrou Aisha na sala de estudos, não pode deixar de reparar que a princesa estava diferente, algo que provavelmente teria percebido antes se tivessem se encontrado desde que a morena chegou no Instituto.

—Estudando algum assunto novo? –A loira sentou perto da antiga colega de treinos.

—Maternidade.

—Hobby?

—Necessidade.

Alexis encarou a mais nova por alguns segundos.

—Como é?

—Você é bem esperta para eu ter que explicar. –A morena parecia mal-humorada.

—Aconteceu alguma coisa?

—Mensagens do meu pai querendo que eu vá para Wakanda e me case com um velho decrépito.

—Ben sabe disso?

—Sabe, por isso adiantou a vinda dele para chegar na sexta-feira à noite. –Aisha deu um sorriso divertido. –Quais as chances da Princesa do Limbo aceitar ser a madrinha de casamento da Princesa de Wakanda?

—Pensei que chamaria a Sarah ou Mary Jane.

—Estão na lista, mas uma princesa é uma princesa, mesmo que seu reino seja o inferno.

—O que daria um peso político para que os conselheiros de Wakanda recuarem em impedir o casamento.

—Também pensei em chamar a Claire, só que a princesinha é menor de idade. –A morena bufou. –Queria outro membro de alguma realeza para a lista de madrinhas, um membro legítimo, não só alguém importante.

Alexis sentia um pouco de pena pela situação de Aisha.

T’Challa havia se casado com Ororo contra a vontade de muitas pessoas em Wakanda, o que levou a um desgaste da relação deles e, com o tempo, um distanciamento quase absoluto. O nascimento de David deveria ter sido uma benção para a nação, assim como o da princesa, mas tudo que se seguiu foram os conselheiros tramando casamentos políticos para os herdeiros, uniões que apenas beneficiam os próprios conselheiros.

A Rasputin lembrava que quando Aisha nasceu um dos conselheiros se apresentou como noivo dela e Ororo o eletrocutou na câmara de reuniões, o que fez T’Challa brigar com a esposa e o casamento deles virar apenas uma coisa no papel. Tempestade voltou para a América com a filha assim que a princesa fez um ano e passou pela cerimonia da erva coração, as duas nunca mais colocaram os pés em Wakanda. Não que essa fosse a história oficial.

E como nada poderia ser pior, David comprou o lado do pai e dos conselheiros, o que não melhorou quando Aisha se apaixonou por Ben Parker. Claro que tudo piorou quando os dois começaram a namorar a quase dois anos e T’Challa exigiu que a filha voltasse para se casar com o velho conselheiro. Ninguém sabia ao certo o que havia levado o Pantera Negra a assumir uma postura tão intransigente e radical com a própria família em vez de calar a boca do conselho, apenas que desde então as coisas estavam uma bagunça.

—Pode ser uma deusa? –Aisha encarou Alexis confusa. –A outra princesa poderia ser uma deusa asgardiana?

A princesa deu um sorriso travesso.

—Estou vendo que alguém fez amigos.

—Bom, sim. –A loira desviou o olhar e pareceu lembrar de algo. –Valéria conta?

—Não tanto quanto a deusa e você, mas sim. –A morena se esticou um pouco. –Além disso, Von Doom declarou, pelas leis da Latvéria, que a maioridade legal é de dezessete anos, o que a torna elegível.

—Ela também tem o título de princesa lá, não tem?

—Duquesa, o que é equivalente dentro da monarquia europeia.

—Então, você acabou de conseguir três princesas e posso te conseguir mais três príncipes. –Aisha pareceu surpresa. –Nikolai e os dois irmãos da Ur. Com alguma sorte a Tália também pode concordar em participar.

—Isso é perfeito. –A mais nova bocejou. –Acho que vou dormir por hoje, depois falo com a minha mãe sobre chamar eles.

—Se quiser eu aviso a tia, preciso passar um relatório para ela.

—Eu agradeço. –Aisha parou por um momento. –Sem querer ser intrometida, mas como está o seu lance com o Summers?

—Por que todo mundo fica falando disso?

—Em minha defesa, sempre achei que você estaria casada com ele e grávida muito antes de mim. –Alexis encarou a morena sem acreditar no que ouvia. –Não faça essa cara, tenho certeza que ele já te comprou um anel de noivado e as alianças de casamento, ou acha que ele é muito diferente do James?

A loira não queria admitir que a outra garota tinha razão, ela sabia que seu irmão adotivo realmente tinha o anel de noivado e as alianças de casamento na esperança de Helena parar de enrolá-lo.

—Você acha que eu estou errada em não ficar com ele? Que sou cruel?

—Não de verdade, embora às vezes a coisa não pareça muito bonita de fora. –Aisha parou diante do olhar chocado da outra. –Olha, eu sei, você tem medo do seu lado demoníaco e do que pode acontecer se ele sair de controle, por isso afasta o Nate, não é por qualquer outro motivo maluco. Você se preocupa com a segurança dele mais do que com o que quer ou com a felicidade de ambos e isso é algo admirável, mas não é justo com nenhum dos dois. –A morena suspirou. –Tudo que posso te dizer é que talvez seja hora de deixar o medo de lado e assumir os riscos, porque em geral eles valem a pena.

—Eu… Obrigada.

—Não por isso, só quero comer bolo de casamento.

As duas acabaram rindo e Alexis sentiu, pela primeira vez em dias, que podia respirar com calma.

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Assim que Laura entrou no apartamento funcional, levou um pequeno susto.

O lugar era muito maior do que o alojamento que normalmente dividia com Claire nos andares inferiores.

E para sua surpresa, a loira estava deitada no sofá, quase desmaiada.

A morena se aproximou um pouco preocupada.

—Você já jantou?

—No refeitório, meia hora atrás. –Os olhos azuis de Claire se abriram, exaustos. –Desculpa, estava faminta.

A mais velha sorriu e sentou ao lado do corpo da Rogers.

—Não tem problema, o dia foi um pouco mais puxado do que esperávamos e eu mesma acabei de jantar. –Ela sentiu os dedos da namorada se entrelaçarem com os seus. –Vai mesmo cursar medicina?

—É uma opção. –Claire suspirou e levantou, sentando ao lado da morena. –Vai fazer os outros cursos que comentou?

—Eu preciso me ocupar enquanto você faz o seu lance, não é?

A mais nova riu.

—Verdade. –Claire aproximou o rosto do de Laura e enterrou seus dedos no couro cabeludo da morena, encostando as testas de ambas. –Vamos deitar?

—Tudo bem. Acho que vamos precisar descansar para lidar com a Rebecca amanhã. –O comentário da Howlett fez a loira hesitar. –O que foi?

—Ainda não sei o que pensar sobre a mudança dela, mesmo que Alexis diga que parece real.

—Eu entendo o que quer dizer, mesmo assim seria ótimo se a mudança for pra valer, não é?

—Bom, sim. Só que, não sei, é estranho.

—Não tanto quanto você ser habilitada para ensinar árabe, mas eu entendo. –A Rogers fez uma careta. – Vai me contar como aconteceu?

—Missões de todos os tipos, desde assassinato e resgate, a infiltração ou trabalhos humanitários. –A mais nova deu de ombros. –Aprendi muito enquanto fazia isso, incluindo uns dez dialetos inteiros e mais uns vinte parcialmente.

—Variações.

—Isso. Em alguns casos não é muito diferente das variações de entonação no inglês, em outras são mais como gírias regionais e nos casos mais complicados realmente parece um idioma novo, ainda que respeite as mesmas regras e nuances gerais.

—Hum. Faz sentido, isso também acontece com outros idiomas.

—Agora, eu fiquei surpresa que você é especialista em hindi.

—Ah, isso. Não é como se eu tivesse realmente pensado a respeito, apenas quis estudar mais a fundo a religião e a região em que o budismo nasceu, então acabei aprendendo muitos dialetos e um pouco de sânscrito.

—Sua família quase inteira é meio que budista, não é?

—Não sei, eu só gosto, não que possa dizer que sou uma seguidora fiel. Essa coisa de ficar presa aos ensinamentos de uma religião são complicadas para mim, acho que você entende o que quero dizer.

—Bastante. –Claire levantou do sofá e se esticou. –Voltando ao assunto principal, se formos comparar, é como o espanhol. –Laura levou dois segundos para entender o que a namorada queria dizer. –O espanhol falado na Espanha pode ser muito diferente do falado nos países da América Latina e mesmo nesses países existem diferenças internas, então o espanhol do Chile é diferente do falado no México ou o de Cuba, tanto quanto o da Colômbia.

—E levando em conta que podemos aplicar as mesmas variações regionais que acontecem nos Estados Unidos para qualquer idioma, especialmente em países com território muito grande, isso apenas faz com que cada país que fala espanhol tenha no mínimo uma versão oficial e outra variante.

As duas seguiram para a cozinha do apartamento, pegando garrafas de água na geladeira.

—Bom, isso também é influenciado pela qualidade de educação oferecida para a população, acentuado pelas diferenças sociais e como elas são ou não tratadas para diminuir os impactos entre os diferentes grupos econômicos.

—O que significa que um país ou um grupo pode aumentar as diferenças e a separação entre as camadas sociais apenas causando um declínio no ensino básico e privando uma geração inteira de saber como usar seu idioma da forma que as camadas mais ricas normalmente o fariam. –Laura parou por um momento na porta do quarto. –Isso pode ser usado para aplicar golpes de estado em muitos países, o problema é que levaria décadas, talvez um século para o resultado ser alcançado.

—Bom, quem opta por esse tipo de método em geral não está com pressa e, de modo geral, os resultados são bem efetivos para essa forma de agir.

—Assustador.

—Christine também acha. –Claire começou a trocar de roupa e pegou sua roupa de dormir. –Ela é uma professora antes de qualquer outra coisa, como a mãe, então a imagem de alguém usando a educação para apartar as pessoas e, principalmente, de um ensino de qualidade inferior apenas para submissão e controle das massas é algo que ela abomina.

—Posso imaginar. –Laura olhou ao redor quando começou a se trocar. –Mudando de assunto, não sabia que seus pais tinham um apartamento funcional desse tamanho na Shield.

—Não tinham, sempre preferimos usar os alojamentos e ir para casa.

—O que houve?

—Bom, para começar todos os Comandantes têm direito a um apartamento funcional parecido com esse, sem falar que ninguém na minha família tem previsão de voltar para a casa antes do fim de semana.

—Então vocês foram designados para esse apartamento ao invés dos alojamentos que normalmente usam.

—Não era certo usarmos três alojamentos individuais que poderiam ser disponibilizados para outros agentes e esse apartamento já estava vago mesmo.

—Menos mau.

Claire aproveitou a distração de Laura e a agarrou, puxando a morena para cama.

—Agora sério, vamos descansar um pouco. –A loira parou por um momento ao notar a expressão ansiosa da namorada. –O que foi?

—Ah, eu…

A mais nova gargalhou e sorriu de forma um pouco maliciosa para a Howlett.

—Você sabe que eu não mordo.

Laura ficou séria por um momento.

—Isso é claramente mentira.

—Só um pouco.

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—

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Continua..

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No próximo capítulo: Heranças.

Notas finais
Atualmente posto minhas fics nos seguintes sites/plataformas de fanfics e histórias: Spirit https://www.spiritfanfiction.com/perfil/eucaristia Nyah! https://fanfiction.com.br/u/175167/ Wattpad https://www.wattpad.com/user/LillielEucaristia Acompanhe. Comente. Incentive. Todo autor precisa de sua dose de retorno para que as histórias não morram. Também escrevo uma série baseada em Percy Jackson e os Olimpiano, quem tiver interesse pode visitar meu perfil.