Marvel Universe: All Different World
36 Capítulo XXXVI: Audiência Familiar.
Notas iniciais
Data Terrestre: 09 de Outubro
Quando Maria Hill desceu na frente do fórum da vara de família não esperava ver Tália Wagner parada na entrada do prédio parecendo preocupada e ao mesmo tempo ansiosa. A Comandante fez um sinal para os três jovens dentro do carro e uma jovem negra desceu do veículo a seguindo até a mutante.
—Pensei ter pedido para pegarem leve nesse assunto, então por que estou te vendo aqui hoje?
Tália olhou para Hill um pouco surpresa.
—Bom dia Comandante. Bom dia Amanda. –A jovem ao lado de Maria assentiu e então a mutante encarou a mulher mais velha. –Em minha defesa, não estava nos meus planos vir hoje, mas Cassie me pediu para estar presente na audiência quando nos vimos ontem.
—Vocês se viram ontem?
A mutante sorriu amarelo e contou tudo que aconteceu, desde o pedido de Cassandra, o passeio, o beijo e o retorno da loira para casa. Enquanto Maria ainda tentava pensar no que diria para Tália em sua bronca amigável uma risada irônica escapou de Amanda, até que a garota começou a rir sem parar.
—O que houve Amanda?
—Vinicius e Marian ouviram a história e estão comentando no meu ouvido.
Hill ligou o seu comunicador bem a tempo de ouvir um comentário do filho que a fez perguntar por que todos aqueles adolescentes eram tão pervertidos.
—Agente Hill, essa é uma linha de trabalho e não era nem para ser usada se não para emergências, quer que te arrume trabalho extra?
A Comandante notou os filhos mais velhos, uma moça negra e um rapaz branco com uniforme, a alguns metros e a mais nova ao seu lado engolirem em seco.
—Desculpe Comandante. –Os três responderam ao mesmo tempo.
Maria se voltou para Tália.
—E por que não entrou ainda?
—Principalmente porque esqueci de perguntar para Cassie qual a sala da audiência e não acho inteligente tentar me aproximar de qualquer um deles para fazer isso sem desencadear umas cem perguntas, então imaginei que você viria e que poderia me ajudar.
A Comandante riu.
—Certo, vamos garota. –Tália pareceu levemente surpresa, assim como os filhos de Hill. –O que houve?
—Surpresa de concordar com isso tão fácil.
A mulher apenas riu irônica.
—E perder a minha chance de ver de camarote você babar em cada sorriso ou gesto da Cassandra? Só se eu fosse louca.
E depois dessa os três filhos de Hill riram da cara de descrença de Tália.
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O dia de Cassandra não começou bem, normalmente depois que sua mãe surtava e batia nela as coisas nunca ficavam bem; pioravam em um dia de audiência.
Meggie obrigou a garota a se maquiar até que a forte marca do tapa ficasse completamente escondida; o café foi uma mistura de torradas e ameaças sobre o que a garota deveria ou não dizer no tribunal.
Cassie notava o olhar culpado de Blake diante da cena e sabia em seu íntimo o que ele queria lhe dizer ao olhar no fundo dos seus olhos “faça acontecer, só posso te ajudar se você decidir”. A garota entendia o que ele queria dizer sem palavras, Blake jamais mentiria para um oficial do governo ou um juiz, mesmo se fosse acabar prejudicando Maggie ou sua carreira.
Concordou com a nova ameaça da mãe e sorriu de leve para o padrasto que pareceu aliviado. Assim que acabou o café todos terminaram de se arrumar e saíram de carro para o fórum com Maggie esbravejando sobre os ardis de Hope Van Dyne para atormentar sua vida; então quando finalmente pararam no estacionamento e seguiram os metros finais para fórum Cassie se sentiu estranhamente aliviada.
“Quase lá.” A garota pensou ao passar pelas portas do prédio, vendo Tália ao lado de Hill e seus três filhos em um canto do saguão.
Ela queria correr até a mutante a abraçá-la, mas sabia que isso seria comprar briga com a mãe antes da hora. Também pode ver Hope e seu pai no outro lado do saguão com o advogado, sabia que o advogado de sua mãe chegaria em poucos minutos e notou a assistente social que caminhava na sua direção sob o olhar raivoso de Maggie.
—Bom dia. –A mulher de uns trinta e poucos anos, pele negra um pouco mais escura que a filha caçula de Hill, cabelos e olhos castanhos parecia aliviada em ver todos ali. –Cassandra, podemos conversar?
—Por que você quer falar com ela?
—Decisão do juiz e a psicóloga que faz o acompanhamento da Cassandra estará junto, então vou conversar com a jovem. Alguma objeção?
Maggie parecia pronta para bater na mulher quando Blake colocou suas mãos nos ombros da esposa.
—De modo algum senhora Jones, fique à vontade.
Cassie seguiu Kayla Jones até a sala onde a psicóloga, uma mulher branca da mesma idade que a outra com olhos negros e cabelos tingidos de loiro, aguardava um pouco tensa.
—Olá doutora Sawyer.
—Emily e você está parecendo uma casa meio reformada com toda essa maquiagem ai. –A psicóloga mostrou o removedor de maquiagem, algodão e um espelho. –Tire isso do seu rosto antes que vá dar um tapa na cara da sua mãe eu mesma.
—E rápido, acho que temos menos de dez minutos. –Kayla comentou olhando o relógio.
—Obrigada. –Cassie começou a remover toda a maquiagem que sua mãe passou sob o olhar atento das duas mulheres. –Podem perguntar, por favor?
As duas mulheres já conheciam Cassandra a anos, o suficiente para saber quase todos os segredos que ela não contava aos pais e todos os problemas que aconteciam com Maggie.
—A jovem de cabelos negros no saguão, é a tal de Tália? –Emily parecia confusa.
—Sim, é ela.
—Você me contou que ela tem uma mutação que a torna azul, fiquei confusa quando a vi, já que ela não é azul. –A psicóloga tinha que dar espaço para a jovem confiar nela, mas também tinha que encontrar as mentiras. Algo que nunca encontrou nas confissões de Cassie.
—Ela está usando o holoprojetor para parecer normal. –Cassandra desviou o olhar para encarar a psicóloga. –As pessoas não reagem muito bem a aparência azul dela.
—E você, como reage? –Emily estava convencida, só que sua função era perguntar.
—Acho o holo horrível, ela é muito mais bonita sem ele.
—E desde quando estão se falando?
Cassandra riu e contou o que aconteceu para as duas mulheres, tudo sobre seus últimos dias com Tália, o que fez Emily suspirar e Kayla rir.
—Eu não acredito, só você para me fazer rir assim. –A assistente social parecia se divertir quando Cassie terminou de limpar o rosto e se virou para as duas mulheres que ficaram chocadas. –Ai meu Deus, eu acho que posso ver as digitais da sua mãe no seu rosto.
—Kayla! –Emily parecia brava.
—Tá bem ruim mesmo, eu sei. Ela estava muito brava e bateu com mais força do que o normal, foi estranho na verdade. –Cassandra confessou. –Só quero que a audiência corra bem e possamos resolver isso hoje.
Emily segurou a mão de Cassie que a encarou.
—Vamos resolver isso.
As três seguiram para fora da sala sem voltar até Maggie e Blake ou se aproximarem dos demais que seguiram atrás deles até a sala em que esperariam o juiz. Maggie parecia à beira de um ataque ao notar que Cassie estava sem maquiagem e com a marca da sua mão desenhada no rosto.
Tália, no final do grupo, se sentia frustrada ao perceber o que Cassandra quis dizer sobre a relação dela e da mãe não ser boa. Pensou no próprio relacionamento com o pai e em como, provavelmente graças a Emma tê-la criado, não apanhou frequentemente de Kurt por qualquer motivo.
Entraram na sala e cada grupo tomou seu lugar.
Tália, Hill, Amanda, Vinicius e Marian ficaram nos bancos para assistir. Cassandra ficou na mesa lateral com a assistente e a psicóloga, bem de frente para sua mãe e padrasto com o advogado que parecia em pânico com as informações que acabará de receber na entrada da sala. O advogado de Scott Lang também parecia surpreso ao lado do pai da garota e Hope, ambos parecendo muito confusos.
—Todos de pé para receber o Excelentíssimo juiz Ellijah Morgan. –Anunciou o oficial de segurança.
Todos levantaram e encararam o homem que parecia ter mais de quarenta anos e uma fisionomia séria. Mesmo assim Hill não parecia preocupada, o que Tália imaginou que fosse por saber de algo sobre ele. O juiz começou a audiência diante do olhar furioso de Maggie que parecia mais irritada agora do que antes.
—A audiência de hoje, solicitada pela assistente social Kayla Jones e a psicóloga Emily Sawyer em nome da jovem Cassandra Lang tem como objetivo a avaliação do pedido da adolescente de ter a sua guarda alterada de sua mãe, Margaret Lang Burdick, e seu padrasto, Blake Burdick, para seu pai, Scott Lang, ou para Hope Van Dyne ou para a Shield em nome da Comandante Maria Hill. –O juiz olhou ao redor e encarou a assistente social. –Onde está a senhora Hill? –Maria se levantou em silêncio e o juiz acenou para que ela voltasse a sentar. –Muito bem. As alegações que constam no pedido incluem agressão física e emocional, ameaça, terror psicológico e perseguição sobre aspectos particulares da menor. –O juiz encarou a assistente social. –Pude ver que os exames de corpo de delito foram feitos e comparados com a mão e DNA da senhora Lang Burdick e que tudo foi feito de acordo com a lei, algum acréscimo a ser feito?
—Sim meritíssimo. –Kayla levantou. –Pela manhã, ao chamar a jovem Cassandra para uma conversa antes da audiência pude reparar em uma quantidade anormal de maquiagem em um dos lados do rosto dela. Como já estamos acompanhando as ações da senhora Lang a algum tempo, estávamos cientes de que esse tipo de incidente é mais comum do que muitos possam ter percebido, então pedimos que Cassandra retirasse a maquiagem e caso o senhor queira fazer um pedido de exame sobre a marca vamos aceitar.
—Nenhum exame vai ser feito. –Maggie gritou. –Chega! Eu já estou de saco cheio desse teatro aqui, vamos pra casa Cassandra. Agora!
—Maggie, não. –Blake tentava acalmar a mulher.
—Não ouse me contrariar Blake, você sabe que isso é culpa daquela vagabunda. –Maggie apontou para Hope que suspirou irritada, mas permaneceu em silêncio. –Nós vamos para casa.
—A senhora vai sentar e se calar ou vou mandar prendê-la por perturbação dentro do tribunal. –O juiz falou em um tom de voz alto, sem gritar.
Maggie parecia prestes a responder ao juiz quando Blake tomou a frente.
—Pedimos desculpas meritíssimo, vamos nos sentar. –Ele fez a esposa se sentar ao seu lado completamente contrariada.
—Prossiga senhora Jones.
—Isso é tudo meritíssimo, a decisão final deixamos para o senhor sobre um novo exame; se precisar de outras provas também temos o vídeo da agressão.
—Me permite perguntar como tem um vídeo desses? –O juiz parecia curioso.
—Perfeitamente. –Kayla indicou Maria Hill que se levantou. –Depois que a senhorita Cassandra informou sobre as agressões a primeira vez, o que não foi algo simples, devo ressaltar, ficamos preocupadas em como conseguir provar que a menor vive em um ambiente nocivo a sua segurança física, mental e emocional. Como consta nos autos do processo, o pai biológico, Scott Lang, trabalha para a Shield e a Comandante Hill veio até nós dizendo que a agência vigia as famílias dos agentes para mantê-las em segurança de ameaças vindas do trabalho e como estávamos atrás de provas ela poderia fornecê-las já que sem um oficial ligado ao caso ela não poderia fazer nada antes. Meu escritório aceitou o acesso que nos foi dado e passamos a acompanhar as filmagens, em especial as das interações de mãe e filha. Pedimos a um juiz de plantão na época para analisar o uso das imagens e ele liberou para que pudéssemos investigar.
—Sério? –Cassandra parecia surpresa.
—A senhorita não sabia? –O juiz estava curioso.
—Das câmeras sim, a tia Hill colocou quando eu tinha oito anos, então eles tem muito conteúdo para ser analisado se precisar. Só não sabia que conseguiram usar as câmeras no processo. –Cassie voltou à sua cara de “vamos logo”.
—Isso a preocupa? –O juiz continuou.
—Não. A Hill e o Fury deixam uma equipe muito sensata para vigiar a gente e eles deixam as câmeras no modo visão térmica na maior parte do tempo para termos privacidade, além deles não ficarem parecendo tarados. –A garota comentou tranquila.
—E você conhece outras pessoas que passem por isso?
—Tipo um monte de gente que os pais trabalham lá em período integral ou missões que duram meses longe de casa, se bem que nesse caso eles podem ficar nos alojamentos dos pais para supervisão, mas dependendo da idade e da pessoa ela apenas fica na casa da família normalmente. Acho que de cara tem umas dez ou vinte pessoas que poderia citar nessa lista. –Cassandra não parecia preocupada com aquilo.
O juiz suspirou cansado.
—Tudo bem, depois quero que uma equipe verifique as filmagens, principalmente as dessa marca. –Ele voltou a encarar Cassandra. –Quando foi a agressão?
—Essa foi ontem à tarde, teve outra a umas duas semanas e uma outra antes disso; eu não marquei as que vieram antes dessas. Pelo menos não as datas. –A garota parecia triste ao falar aquilo.
—Eu marquei. –Emily comentou.
—Senhorita Sawyer, verifiquei as alegações e datas das agressões que a senhora colocou na denúncia, como conseguiu essas informações da adolescente? –O juiz Morgan ignorava sumariamente a cara homicida de Maggie Lang, ainda não era hora de falar com ela.
—Trato de Cassandra a seis anos meritíssimo, a pedido próprio tribunal, e nesse tempo construí uma relação de confiança com a jovem, mesmo assim levou anos para que ela revelasse as agressões. –A psicóloga não parecia nem um pouco impressionada com o olhar sério do juiz ou o irado de Maggie.
—Quanto tempo? –Morgan parecia interessado.
—Cerca de dois anos, antes disso ela sempre inventava uma história para justificar o uso ocasional de maquiagem ou mesmo algum inchaço residual das agressões. Eu tentava fazê-la falar, mas Cassandra parecia sempre envergonhada ou querendo proteger alguém e na única vez que ela me deu algum indício sobre o que acontecia sua resposta foi “vamos dizer que não estou sendo uma boa pessoa”.
—A senhorita pode me dizer o motivo das agressões, caso a jovem o tenha relatado? –Maria Hill gostou do que ouviu, procurou conhecer tudo que podia sobre Ellijah Morgan quando soube que ele seria o juiz responsável, por isso sabia que as palavras “competência” e “preservação do bem-estar do menor” estavam no topo das suas preocupações.
—Sim. As agressões em geral tinham por motivo da senhora Lang Burdick não aceitar a homossexualidade da filha. –E Emily foi o mais direta possível. –Nesses casos, a mãe agredia a filha por ela demonstrar interesse em alguma garota ou por não aceitar ir a encontros com jovens que a senhora Maggie arrumava, filhos de amigos ou de conhecidos, e principalmente o fato de Cassandra se recusar a namorar qualquer um deles. –A psicóloga respirou fundo. –Pouco depois do dia vinte e dois de setembro, Cassie apareceu para uma consulta com uma marca vermelha de tapa no rosto, um corte no lábio e marcas no braço, tudo foi registrado e um exame foi feito.
—E o motivo foi o mesmo? –O juiz parecia assustado.
—Quase, houve uma alteração na motivação momentânea, em suma seria o mesmo. –O juiz fez sinal para a psicóloga explicar. –Cassandra foi mandada nas férias para um acampamento de verão e lá conheceu uma garota de mesma idade, as duas ficaram amigas e acabaram se relacionando intimamente, o que envolveu sexo. –O juiz permanecia sério diante das informações. –A agressão foi pouco depois da descoberta desse relacionamento, que levou a um registro de abuso de menor por parte da senhora Maggie contra a família da jovem em questão. A senhora Jones teve que ir à delegacia esclarecer a questão, o que irritou ainda mais a senhora Lang e no dia vinte e quatro encontrei Cassandra assim no meu consultório. Como o processo de revisão da guarda havia sido encaminhado antes das férias de verão, apenas anexamos as novas provas e aguardamos.
—Por que não fizeram uma queixa formal de agressão?
Kayla Jones tomou a frente.
—Me desculpe a impertinência senhor juiz. –O homem concordou. –Já havíamos pedido ao tribunal a dois anos, quando as agressões foram descobertas, a revisão da guarda da jovem Cassandra e, quando falei das agressões, seu estimado colega em questão disse que sem provas era apenas choro de criança birrenta. Foi explicado ao juiz da época a questão da senhora Lang não aceita que a filha é lésbica e ele apenas disse... Um segundo... –Jones pegou um documento. –Ele disse “se a senhora Lang acha que a melhor forma de educar a sua filha para tirá-la de maus hábitos é uma ou outra, não cabe ao tribunal interferir, ainda que ela use de força física”. –A assistente social encarou o juiz. –Então, por precaução, passamos os últimos dois anos tentando entrar com o processo e juntando provas, todas as que pudéssemos, até porque, as tentativas que investigar as queixas que fizemos iam por terra quando a senhora Lang usava o nome do atual marido com os investigadores, todos amigos da família que aceitavam a história de “birra de criança”.
O juiz Morgan encarou Scott Lang que estava estarrecido e Hope que parecia se sentir culpada.
—O senhor não sabia disso senhor Lang?
—Que a Cassie é lésbica? Claro que sabia, sei disso desde que ela tinha uns seis ou sete anos. Que minha ex-mulher estava agredindo nossa filha por isso? Achava ela meio exagerada, só... Nunca pensei que fosse um monstro desses. Cassie me disse que uma garota tentando abrir o armário da escola acabou acertando sua boca, por isso o corte, só estranhei vê-la usando maquiagem.
Ellijah Morgan olhou para todos presentes no tribunal e respirou fundo.
—Vou fazer algumas perguntas de sim ou não. Se a resposta for sim levantem a mão, caso contrário mantenham-na abaixada. Isso é para todos, entenderam. –Todos os presentes confirmaram. –Quem aqui já sabia que a senhorita Cassandra é lésbica antes de hoje? –Todos, com exceção do advogado de Maggie levantaram a mão. –Quem desse grupo sabia das agressões antes de hoje? –Apenas Blake, Emily, Kayla e Hill permaneceram de mãos levantadas. –Quem sabia que Cassandra é lésbica há mais de dois anos? –Todos levantaram as mãos, menos Tália e o advogado de Maggie. –E a mais de seis anos? –Emily abaixou a mão. –A oito anos? –Hope e os filhos de Hill abaixaram a mão, e Ellijah contou quantos eram. –Cinco pessoas sabiam disso a tempo o suficiente e, pelo menos, uma sabia da agressão a tanto tempo quanto. –Ele encarou Blake. –Senhor Burdick. –Ele levantou duro como pedra de tão tenso. –Sua esposa agrediu mesmo a sua enteada por esses motivos que foram expostos?
Blake parecia tremer sob olhar do juiz até conseguir encará-lo.
—Sim meritíssimo. Eu estive presente em várias ocasiões e fui testemunha, incluindo da última agressão.
—Blake!
Mas Blake Burdick não olhou para Maggie Lang, apenas para o juiz.
—Por que não fez nada para impedir isso senhor Burdick?
—Eu amo Maggie de uma forma que não é normal e mesmo quando ela faz algo assim, eu apenas não consigo ir contra ela.
—E sobre a sua enteada, nunca pensou nela?
—Muito. Cassie é uma boa garota, excelente filha, só é diferente do que Maggie aceita. Só não conseguia contrariar minha esposa, então depois eu me sentia miserável por não defender Cassandra.
—E por que está falando isso agora?
—Mesmo com os meus crimes, eu sou um agente da lei, posso não ter defendido Cassie quando deveria, mas não vou mentir para um juiz.
—Ao menos o seu senso de justiça não foi completamente afetado, vou ver o que posso fazer para não prejudica-o nesse caso. –Blake assentiu e o juiz se voltou para Cassandra. –Se eu alterar a sua guarda para qualquer uma das pessoas solicitadas, o que pretende fazer?
—Sendo sincera? –O juiz assentiu. –Nada diferente do que tenho feito nos últimos meses, exceto que ainda vou investir um pouco mais nas minhas possibilidades de namoro.
—Você está namorando? –Scott parecia chocado.
—Responda a pergunta. –Morgan parecia curioso.
—Não ainda, quem sabe em alguns dias. –A garota parecia relaxada.
—Com quem? –E com algum esforço Ellijah retomou a cara séria.
—Tália Wagner. –E sem nenhum medo a garota apontou para a mutante, o que fez Hill, os filhos e Hope baterem com as mãos na própria testa.
Tália por sua vez apenas levantou a mão como se respondesse a pergunta não feita de Morgan que fez sinal para a jovem se levantar.
—Seu nome é Tália Wagner, correto?
—Sim senhor meritíssimo.
—Qual sua idade senhorita Wagner?
—Dezoito, faço dezenove em dezembro.
—E desde quando conhece a senhorita Cassandra? –Dessa vez Morgan realmente estava sério.
—Sei que ela existe ou no caso que o pai dela tem uma filha a uns oito anos, a primeira vez que conversamos mesmo foi na quarta-feira, quando essa doida puxou conversa comigo do nada, me roubou um beijo e saiu sem nem me dizer o nome. –Nesse momento Hope, Emily e Kayla riram. –Sorte que alguns dos meus amigos conhecem e são amigos dela, então quando eles viram ela de longe e nas minhas memórias me disseram quem era a garota.
—Isso e que gosto de você a oito anos, então eu merecia aquele beijo. –Cassandra completou.
—É tem isso. –Tália encarou o juiz.
—Seus amigos leram sua mente?
—Eu sou mutante e um dos meus amigos é telepata. Aliás, ele também é um dos meus ex. –Tália confessou a última parte.
—Ele é gato. –Cassie comentou.
—É fofo mesmo. –Hope emendou.
—Vocês por acaso conhecem todos com quem ela já se relacionou? –O juiz parecia interessado.
—Só os três principais. –Hill, os filhos, Hope, Scott e Cassie comentaram.
O juiz suspirou confuso.
—Senhora Hill, explique.
—Tália teve um relacionamento de uns três anos com dois amigos, um tipo de amizade-colorida com Alexandra Rasputin e Nathan Summers, só não me pergunte como isso funcionava, a explicação é longa. Além de ter sido apaixonada pela pior pessoa do mundo por uns treze anos.
—Não acho que exista alguém que possa ser chamada de pior pessoa do mundo senhora Hill. –Morgan comentou.
—Existe. –E a resposta de Hope, Scott, Hill, Tália, Cassandra, Amanda, Vinicius e Marian pegou o juiz de surpresa.
—Certo. –Ellijah resolveu ignorar aquela questão e se voltou para Tália. –Tiveram mais contato depois do beijo roubado na quarta-feira?
—Saímos para conversar no sábado, falamos sobre ela ir estudar na Shield e comida no geral, além de algumas outras coisas bobas. No domingo ela quis conhecer o colégio em que moro e estudo, o que foi bem até ela resolver roubar outro beijo e eu deixar ela perto da casa dela.
—E você gosta dela?
—Ela me faz bem e eu gosto de estar perto dela, de como me sinto perto dela, mas ela ainda vai me deixar doida.
—Por que?
—Porque não sou santa e ela me faz entender o que a Laura sentiu quando conheceu a Claire. Meu Deus, isso é torturante na verdade.
E dessa vez acabou que foi Ellijah quem riu.
—Jovens são realmente terríveis. Algo que deva saber sobre você, senhorita Wagner?
—Meu pai é um mutante azul cujo o pai é um demônio, então eu também sou azul e tenho sangue de demônio. –Morgan pareceu não entender, então Tália estendeu a mão e apontou para o próprio pulso. –Isso é um indutor de imagem ou um holoprojetor portátil pessoal, quando eu desligo. –Ela desligou o aparelho e todos puderam ver sua forma natural.
Ellijah Morgan ficou surpreso, porém se preocupou em olhar para Cassandra que, para sua agradável surpresa, sorria apaixonada para a mutante azul.
—Obrigada por mostrar. –Tália religou e ele notou que Cassandra pareceu não muito feliz com a mudança e se perguntou o porquê, resolveu deixar a questão de lado. –Bom, vamos ver o que mais temos. –O juiz respirou fundo e encarou todos antes de se voltar para Maggie Lang. –A senhora tem algo racional, lógico ou fundamentado para dizer ou vai apenas gritar se eu der o direito a palavra?
Maggie levantou e respirou fundo.
—Isso tudo é uma pouca-vergonha. –Apontou para Cassie. –Ela é minha filha e eu tenho o direito de decidir o que é melhor pra ela, ninguém deveria se meter nesse assunto. Eu não aceito o que está acontecendo aqui. É um absurdo que o tribunal se quer pense em aceitar toda essa baboseira que está sendo dita.
—Poderia concordar com a senhora se fosse estupido ou não me preocupasse com o bem estar de Cassandra, para o seu azar eu me preocupo. Então, minha decisão já está tomada, até porque passei o fim de semana estudando o processo todo em detalhes, apenas queria confirmar a informações passadas. E devo dizer que a marca da agressão no rosto de Cassandra já me bastaria nos primeiros cinco minutos, só que eu faço o meu trabalho bem feito, por isso a audiência se estendeu por mais tempo. –Morgan suspirou um pouco mais cansado do que esperava estar. –Além disso, teve a questão da senhorita Wagner, a qual, se o novos guardiões legais de Cassandra não virem problemas e tudo for monitorado, incluindo a continuidade do tratamento com a senhorita Sawyer, não vou interferir.
—Isso significa que se eu conseguir que ela concorde em ser minha namorada não vai ter problemas legais?
—Desde que seus guardiões concordem e continue a ver a doutora Sawyer, sim. E a senhora Jones também vai acompanhar a situação de perto.
Todos concordaram.
—Espere! Vai tirar de mim a guarda da minha filha?
—Sim. Estou passando os direitos primários para a Shield em nome da senhora Maria Hill e para a senhorita Hope Van Dyne como guardiã secundária. –Ele encarou Scott Lang. –Infelizmente, com a sua ficha criminal, não vejo como colocar a guarda de Cassandra em suas mãos de forma segura, então estou colocando sua noiva, a quem a senhorita Emily Sawyer chamou de “uma figura entre uma mãe, irmã mais velha e melhor amiga que tem a capacidade de conversar francamente com Cassie”, como uma das responsáveis. Assim que ela se casar com o senhor podemos rever as questões de quem será o guardião primário e secundário.
—Eu compreendo senhor juiz e concordo com a sua decisão. –Scott parecia tão agradecido por Morgan pensar em Cassie antes de todos os outros envolvidos que mal conseguia conter as lágrimas.
—Eu não aceito isso. Ela é minha filha, tem que ficar comigo. –Blake segurou a esposa que parecia transtornada.
—Não há nada que possa ser feito senhor juiz? –O homem parecia preocupado com a mulher.
—Se a senhora Lang Burdick passar por um longo tratamento psiquiátrico e avaliações mensais sobre a evolução do quadro dela, posso rever a decisão em um ano, nem um dia antes. –Ellijah Morgan observou a cena. –Acho que o aconselhável é que a senhorita Cassandra vá para a casa recolher seus pertences antes da mãe e saia antes da chegada da mesma. –Ele encarou Hill. –Temos condições de fazer isso?
—Perfeitamente senhor. –Hill olhou para Tália que andou até Cassandra que já andava até ela. –Vou mandar o carro, se apresem e conversem depois. –As duas concordaram e Tália as teleportou dali sob o olhar admirado dos que não a conheciam. –Tália é uma teleportadora, já devem estar no apartamento começando a recolher tudo. –Ela olhou para os filhos que aguardavam as ordens. –Nik Hill, você fica comigo. –Amanda assentiu. –Agentes Fury e Hill, peguem o carro e encontrem as duas na porta do prédio da Cassandra. –Os filhos mais velhos da Comandante assentiram e saíram da sala, deixando Amanda sob o olhar atento do juiz.
—Sua filha? –Hill assentiu. –Interessante. –Morgan encarou alguns papéis. –Ótimo. Agora, os dois advogados, senhoras Hill e Jones, o senhor Lang, senhoritas Van Dyne e Sawyer, aguardem que em meia hora os documentos com as informações atualizadas de guarda da menor Cassandra Eleanor Lang estarão prontos. Vou precisar que assinem algumas atas e papelada, mas ao término tudo estará oficialmente resolvido.
—Não pode tirar minha filha de mim. Eu sou a mãe. –Maggie gritou.
—A última vez que acreditei em uma mulher como a senhora, Margaret Lang Burdick, eu tinha vinte e sete anos, era um jovem e crédulo promotor que ao ouvir a promessa de uma mãe de que não voltaria a machucar a filha de doze anos porque a menina tinha problemas respiratórios, que ela achava irritante, retirou o processo de abuso com um pedido de acompanhamento psiquiátrico para ambas. Duas semanas depois encontraram a menina morta e enterrada no jardim, porque a mãe cansou do trabalho que ela dava. Nunca mais me permiti cometer o mesmo erro, então não me venha dizer que você tem o direito de decidir o que é melhor para a sua filha. Não no meu tribunal. –E Maggie se calou diante do olhar feroz e nada amigável que Ellijah Morgan lhe direcionava.
O juiz se voltou um tanto pesaroso para Blake.
Conhecia a fama de durão e rígido do policial, bem como o seu bom trabalho na cidade, elogiado mesmo nas altas cúpulas entre juízes, promotores e chefes de polícia. Mesmo assim precisaria fazer algo, não poderia enterrar aquilo tudo e deixá-lo totalmente impune, só que também não queria destruir tudo que Blake criará por ele ser obsessivamente apaixonado pela esposa.
Tomou a decisão que menos lhe pesava na consciência diante de tudo, prometendo a si mesmo que ficaria de olho em ambos. Especialmente se Burdick cumpriria a decisão e se Maggie procuraria tratamento, não que Ellijan acreditasse que o caso da mulher tinha solução.
—Quanto ao senhor Burdick, eu sou contra destruir a carreira de um homem porque ele não consegue dizer não a esposa, mesmo assim vou entrar em contato com o seu comandante e atrelar sua permanência na polícia a um tratamento psiquiátrico. –Blake parecia tão em choque quanto assustado. –Você será avaliado e eles vão decidir o que precisa ser feito, embora eu apostaria que seu caso é de dependência emocional; a questão é que se o senhor seguir o tratamento tudo relacionado ao seu emprego ficará bem e será tratado com discrição. Caso se recuse, um processo administrativo por omissão de socorro a um menor em perigo será instaurado e as consequências do uso da sua função para abafar as investigações anteriores de agressão pela sua esposa, bem como a falta da sua interferência em impedi-la, serão levadas a cabo. Fui claro?
—Perfeitamente meritíssimo. Farei o que o senhor mandar. –Uma parte do juiz acreditou em Blake e a outra se manteve sabiamente desconfiada.
—Peço que o advogado mantenha a senhora Lang Burdick e o senhor Burdick nesta sala até o meu retorno com os papéis. Agora se me dão licença, tenho que tratar dos detalhes nos documentos. –Todos se levantaram e Ellijah Morgan saiu tão cansado quanto todos que ali permaneceram.
Hill verificou que passava das onze e quarenta e cinco. Ela olhou para todos na sala e notou que Maggie olhava enfurecida para todos, mesmo para Blake.
A Comandante suspirou cansada ao lado da filha que segurou sua mão de leve fazendo desenhos na palma da mesma que a fizeram sorrir ao entender a mensagem secreta contida ali.
Eu te amo. Obrigada por ser minha mãe.
Maria repetiu o código na mão da filha.
Eu também te amo e aos seus irmãos. Obrigada por serem a minha vida.
As duas sorriram e ficaram felizes por tudo ter terminado bem com relação a audiência.
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Continua...
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No próximo capitulo: Something About Everything That Is Happening.
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