Marvel Universe: All Different World

37 Capítulo XXXVII: Something About Everything That Is Happening.


Notas iniciais
Atualmente posto minhas fics nos seguintes sites/plataformas de fanfics e histórias: Spirit https://www.spiritfanfiction.com/perfil/eucaristia Nyah! https://fanfiction.com.br/u/175167/ Wattpad https://www.wattpad.com/user/LillielEucaristia Acompanhe. Comente. Incentive. Todo autor precisa de sua dose de retorno para que as histórias não morram. Também escrevo uma série baseada em Percy Jackson e os Olimpiano, quem tiver interesse pode visitar meu perfil.

Data Terrestre: 09 de Outubro

Era incomum, mesmo para uma pessoa como Helena que não dispunha de vida social, acordar tarde como naquele dia, a verdade era que o único motivo dela ter saído da cama era o pedido de ajuda de Max para se arrumar para um encontro.

Então, mesmo achando que poderia voltar a dormir quando o irmão saiu do Sanctum pouco depois das onze e meia, a garota apenas seguiu para a cozinha, atrás de uma xícara de café.

Ela não encontrou Wong como esperava, mesmo com as panelas no fogo, o que significava que estava exatamente onde seu pai queria que estivesse.

—Você não parece muito bem. –Stephen comentou entrando pela outra porta que dava para a área dos jardins. –O que é incomum, já que não apenas passou o fim de semana com James, como estavam no seu refúgio em Miami.

—Eu acho que não quero nem imaginar como você sabe sobre isso.

—Eu sempre soube. –Helena olhou para o pai surpresa. –Por favor, não faça essa cara de “não acredito”. Acha mesmo que minha filha de dezesseis anos some de casa por horas e depois volta com a cara de quem acaba de cometer o maior crime do século e eu não tentaria descobrir o porquê? Ou que todas as vezes em que você se trancou em seu quarto por quase um dia inteiro e invocou comida para meia dúzia de pessoas não levantariam perguntas?

—Você nunca pareceu ligar.

—Porque você não queria que eu perguntasse ou soubesse, por isso me fiz de cego. –Helena encolheu os ombros se sentindo culpada. –Não precisa ficar assim, apenas me certifiquei de ficar de olho em vocês dois e em como as coisas se desenrolariam, mas admito que sua recusa de assumir um relacionamento sério com ele me preocupa mais do que o fato de estarem mantendo isso como se fosse algo proibido.

—Você sabe que as coisas não são tão simples assim, a minha mãe...

—Te daria uma bronca agora mesmo se pudesse por querer dizer que ela tem algo a ver com sua recusa em se entender com James.

—Você sabe, não sabe?

—Sobre o problema maior? Sim, eu sei. Não tudo, é claro, acho até que você também não sabe tudo não é mesmo?

—Só um pouco mais do que o senhor, sobre alguns dos efeitos colaterais.

—Eu tenho minhas teorias sobre eles, se bem que essa não é a questão maior.

—É sim pai. –Stephen encarou Helena que parecia realmente desesperada. –Como posso assumir algo com James ou mesmo me arriscar com tudo que está por vir? E mesmo que eu arrisque, isso ainda pode significar pedir que ele tome decisões que...

—Que você não sabe se vai acontecer. –A garota encarou o pai. –Lena, tudo o que sabemos é apenas a ponta do iceberg e não quer dizer absolutamente nada, porque podemos estar tão errados sobre nossas teorias e suposições sobre os efeitos e problemas maiores do que podemos ver que não é como se tudo fosse certo.

—Mesmo assim você e a mamãe não ficaram juntos.

—Eu e sua mãe somos complicados, assim como a forma como acabamos juntos, e nós ainda nos amamos.

—Você ainda se encontra com ela?

A pergunta tímida e um pouco infantil da filha fez Stephen sorrir.

—Quando nós dois podemos sim, embora normalmente seja mais complicado do que isso.

—Você já quis casar com ela?

O Mago Supremo sorriu.

—Ainda quero.

—Acha que ela vai aceitar?

Stephen foi até a filha e tocou seu rosto.

—Ela já aceitou há muitos anos, só estamos esperando.

—O que?

O mago sorriu com ternura para Helena.

—Deixo isso com você.

E sem dizer mais nada Stephen saiu da cozinha deixando a filha olhando para a porta perplexa, enquanto Wong voltava para cuidar da comida como se não tivesse escutado toda a conversa.

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Jason se olhou no espelho da sala dos Stark’s pela quinta vez em menos de vinte minutos, o que causou um ataque de risos em Daniel que observava tudo do sofá.

Ao lado do rapaz, um Tristan um pouco distraído dava uma risada baixa para a cara feia que o asgardiano direcionava ao amigo.

—Quer me ajudar e parar de rir? –O Lokison se jogou no sofá. –Eu estou uma pilha de nervos.

—Deu pra perceber. –Daniel respirou fundo e mudou de lugar sentando ao lado do amigo. –Apenas relaxe Jay, isso é um encontro, não o seu casamento.

—Isso é pra me acalmar?

—Acredite, estarei bem mais nervoso quando sua irmã resolver me dar uma chance.

—Bom, isso sim é um consolo. –Jason brincou.

—Além disso, seu futuro, quem sabe, quase namorado parece ser alguém legal pelo pouco que Wolf se deu o trabalho de me contar, então apenas aproveite.

Tristan riu daquela frase, chamando atenção dos outros dois.

—Desculpe, é que o Wolf anda dando atenção apenas para a Alexa, então é engraçado ele conseguir pensar em qualquer outra coisa por um segundo que seja.

—Não, tudo bem. A gente concorda com isso. –Daniel olhou para os lados. –Falando do lobo, onde ele se enfiou?

—Na Shield com a namorada. –Dan olhou surpreso para Jason. –É, essa também foi a minha cara quando ele falou pra onde estava indo.

—Tudo bem, só achei que não fosse seguro deixa Wolf solto em uma base militar cheia de armas perto do pai da garota que ele está namorando e transando. –Daniel comentou.

—Seguro não deve ser, mas a Alexa meio que garante a segurança dele com a tia e o tio. Muito embora eu ache que a tia Natasha é mais perigosa que o tio Clint. –Tristan levantou indo na direção da cozinha. –O sistema da Torre acabou de avisar que Max está subindo.

O asgardiano olhou no relógio em seu pulso, quinze para meio dia.

—Acho que não sou o único ansioso. –Murmurou.

—E por que ele não estaria ansioso? –Jason encarou Daniel. –Cara, você é um semideus asgardiano versado em magia e ainda um príncipe. Ele pode ser o filho do Mago Supremo, mas ainda sou mais você.

Jason riu.

—E ainda me perguntam por que acho que você deveria casar com a Ur.

O asgardiano se levantou e seguiu para a porta do elevador.

Quando a porta abriu e ele viu Maximillian parecendo tão nervoso quanto se sentia, Jason acabou rindo.

Já Max encarou Jason e sorriu de uma forma que fez Daniel e Tristan segurarem uma risada sarcástica, pois o garoto olhava tão apaixonado para o semideus que parecia uma piada ou uma história de livro de romance.

—Chegou um pouco mais cedo do que o horário marcado. –Jason comentou tentando não soar idiota.

—Minha irmã estava me irritando e eu não queria correr o risco de atrasar. Adorei sua roupa, fica bem em você.

—Ah. –O semideus precisou se esforçar um pouco para não corar. –Você também está muito bem.

Os dois pareceram ficar sem jeito até Daniel cansar da enrolação.

—Se vocês não forem almoçar para conversar por favor vão para um quarto transar, isso sempre resolve alguma coisa.

E dessa vez Tristan riu descaradamente da cara de Jason e Max, que tentaram ignorar o jovem Stark e Dan depois da frase constrangedora.

—Estou curioso para saber onde vamos. –Jason se controlava para não ir bater em Daniel.

—E eu para saber se você vai gostar. –Já Max estava vermelho demais para fingir que não tinha ouvido aquilo.

—Então vamos.

Maximillian concordou e os dois entraram no elevador deixando Daniel e Tristan na sala. O jovem Thompson encarou o Stark e sorriu.

—Quer apostar quanto que, com muita enrolação, eles estarão na mesma cama até quarta-feira?

Tristan olhou para Dan surpreso.

—Pensei que era amigo dele.

—E eu sou, só que é divertido falar da vida amorosa alheia, especialmente considerando que a minha é um desastre.

O Stark sentou no sofá de frente para Daniel.

—Quer me contar essa maldita história? Ou, pelo menos, por que parece que todos vocês odeiam o Drake?

Dan encarou a vista pela ampla janela da sala, a mesma pela qual arremessou Drake no dia que chegou a Terra.

—Ele tentou matar a Ur quando descobriu que Odin pretende casá-lo com ela.

—Como é que é?

—Não me pergunte que merda aquele velho esclerosado tem na cabeça pra ter uma ideia retardada dessas, até porque toda a Asgard sabe que o imbecil do Drake odeia a Ur com todas as forças dele.

—Por que isso? Quero dizer, não gostar do Loki pelo passado dele é uma coisa, mas a Ur não é culpada por isso e até onde entendi Thor e Loki agora são bem mais amigáveis do que antes.

—Eles são, o problema é que a Ur é amada pelo povo de Asgard não apenas pelos feitos militares dela e sim por ser quem sempre foi. E Odin vê o poder absurdo que ela carrega como uma forma definitiva de unir Jotunheim a Asgard, além de assegurar que sua linhagem continue no trono por mais se sabe lá quantos mil anos ou gerações.

—Isso não me explica porque Drake não gosta dela.

—Você já lutou contra o Drake?

—Duas vezes e duas surras muito doloridas.

—Comparado com um humano como você ele é bom, mas e contra a garota chamada Claire?

—Ela já deu muitas surras nele, muitas mesmo.

—E quantas vezes você acha que a Ur ganhou dele nos treinos?

—Muitas?

—E sabe em quantas ela não estava com os poderes selados ou reduzidos para não matá-lo?

—Acho que mais do que Drake gostaria de dizer.

—Em todas. –O rosto de Tristan assumiu uma expressão de entendimento. –Ur sempre foi absurdamente poderosa e quando eles eram crianças e treinavam juntos por ordem de Odin, ela passava uma hora tendo os poderes restritos a metade ou menos do que isso para não matar ele ou qualquer um que estivesse assistindo a luta e não fosse poderoso o suficiente. Mesmo assim ela nunca perdeu ou precisou usar mais do que cinquenta por cento do seu poder.

—Você já lutou contra ela?

—Algumas vezes.

—E ganhou alguma?

—Duas vezes, foram as duas lutas mais difíceis da minha vida até conseguir o simbionte.

—Como ganhou dela Daniel? –O Thompson pareceu não entender a pergunta. –Quero dizer, você é metade humano e metade zen whoberi, só que ela é uma deusa.

—Verdade, só que eu fui treinado pela minha mãe e Gamora ainda é uma das assassinas mais letais do universo, também tem o treinamento insano do tio Drax e do Rocket sobre lutas e armas, isso sem falar dos treinamentos do meu pai, do tio Peter e da tia Kitty ou dos membros temporários dos Guardiões como o Nova.

—Esqueci que você deve ter tido uma vida parecida com a Claire em termos de treinamentos, o que explica você ter conseguido ganhar da Ur. –Tristan voltou a encarar Dan. –Então, o que houve depois que ele descobriu sobre o casamento? A Ur estava sabendo?

—Ela não sabia na época, porém o Drake não quis nem saber, só atacou ela pelas costas com os raios direto na cabeça. A eletricidade entrou pelo ouvido esquerdo e arrebentou a audição dela daquele lado, além de danificar muito o lado direito. Drake ainda acertou mais dois raios, um que ele errou e pegou o ombro direito e outro que acertou em cheio o peito dela.

—E depois ele fugiu?

—Ele foi parado por Wolf, Jason e Frigga, que mandou os dois reagirem aos raios, quando a rainha chegou a primeira coisa que ela percebeu foi que o coração da Ur estava falhando. Foi Frigga que iniciou os primeiros socorros com magia e manteve o coração da Ur batendo até que uma equipe médica pudesse cuidar de tudo. Posteriormente, descobriram que apesar do foco dos raios na cabeça e coração as correntes elétricas secundárias haviam quebrado ossos e danificado vários órgãos, então a Ur ficou muito tempo em reabilitação.

—Bom, ela melhorou, quero dizer, não parecer que ficou qualquer sequela disso. –Daniel pareceu ficar na dúvida de continuar a história, o que preocupou Tristan. –O que realmente aconteceu depois?

—Eles focaram todos os esforços primários em arrumar o dano no coração, outros curandeiros menos experientes ou poderosos se focaram nos olhos, fala, nos órgãos danificados e ossos ou no ouvido direito que dava pra arrumar.

—E o ouvido esquerdo?

—Estava completamente destruído, ou eles arrumavam o coração ou o ouvido.

—Ela é surda do ouvido esquerdo?

—Não. –A expressão de Daniel era um enigma.

—Como assim? O que aconteceu?

—Eu.

—Ok. Estou oficialmente confuso.

—Menos de seis meses antes da Ur ser atacada, eu tinha perdido meu braço, perna e olho em uma missão de evacuação e resgate, meus pais me levaram até os Klyntar e eu fui unido ao Garuda que me conhecia pelo Venom desde sempre. Na verdade, até certo ponto o Garuda compartilha o amor que eu sinto pela Ur e quando chegamos a Asgard não demorou para que Wolf e Jason me contassem o que tinha acontecido.

—Eles não ficaram preocupados com a sua mudança?

—Muito, embora eu estivesse mais preocupado com a Ur do que com as perguntas deles, então ignorei ambos e segui direto para a sala de tratamento. A rainha Frigga conseguiu que eu pudesse ficar cinco minutos sozinho com a Ur, ela ainda estava inconsciente, os órgãos frágeis mesmo com o coração voltando ao normal. Frigga me avisou que ela ficaria surda do ouvido esquerdo para sempre e eu só não conseguia admitir aquela possibilidade, então Garuda propôs que tentássemos algo.

—Vocês não cometeram um crime ou coisa do tipo, não é?

—Não, Garuda desprendeu uma pequena parte de si mesmo, como uma espécie de clone-drone direcionado com uma missão: restaurar a audição da Ur ao que era antes. –Daniel voltou a encarar a janela, dessa vez ele mirava o céu. –Desde então a Ur voltou a escutar, algo que ninguém em Asgard conseguiu explicar até hoje, e de vez em quando eu posso ouvir o que ela ouve, não é de proposito, ainda que no começo fosse mais comum.

—Então você deu um aparelho auditivo orgânico não detectável para a garota que gosta, entendi certo?

—Entendeu.

—E alguém sabe disso?

—A rainha Frigga.

—E o que ela disse?

—Que Ur tinha razão sobre mim, não que ela tenha me explicado o que isso quer dizer.

—E é a mesma parte do Garuda lá todo esse tempo?

—Não, mas a troca não leva mais do que alguns segundos e se eu ficar perto da Ur o Garuda pode fazer a troca usando a sua forma mais fina e leve. Ele não parece mais do que um fio de cabelo nessas horas.

No mesmo momento o simbionte se manifestou tomando a forma de uma cabeça meio disforme.

—Ainda sou o fio de cabelo mais sexy do universo quando faço isso. –E sem dizer mais nada ele voltou para o braço de Daniel que riu.

—Ele é um pouco metido e não deixa de ter razão.

—A Ur descobriu sobre o casamento?

—Descobriu.

—E você ouviu, não é mesmo?

—Ouvi. Na época eu não conhecia esse efeito colateral do que estava fazendo e acabei ouvindo a conversa que Ur acidentalmente escutou, incluindo a ameaça de Odin contra a minha vida.

—Então você sabe perfeitamente bem porque ela te mantêm afastado, só finge que não.

—Eu não estou fingindo nada, só estou ignorando as ameaças daquele velho esclerosado. –Daniel encarou Tristan com uma intensidade perigosa. –Não tem nada, nem ninguém ou ameaça de morte que me faça desistir de proteger e amar a Ur, nem mesmo as mentiras que ela pode fazer para me proteger. E sei que eu sou uma das exceções ao poder da verdade dela, porque ela pode mentir para proteger a minha vida, mas eu também sei que ela está mentindo.

—E se ela estiver falando a verdade? Como você pode saber que não está ignorando algo importante e forçando sua vontade de ficar perto dela?

Daniel sorriu diante da pergunta de Tristan.

—Porque ela me prometeu.

—Prometeu o que?

—Que eu sempre saberia quando ela mente ou não. –Daniel puxou a camiseta e mostrou uma marca em formato de cristal de neve quase sobre o coração. –Ela me deu isso quando tínhamos cinco anos e disse que se um dia precisasse mentir para me proteger eu sentiria a marca arder e que quanto mais forte ardesse maior seria a mentira e maior o desejo de que isso me salvasse. –Ele soltou a camiseta ajeitando a roupa. –Faz cinco anos que essa marca arde dia e noite, alguns dias menos e outros como o inferno, mas eu aprendi a suportar essa dor porque sei que não é nada comparada a dela.

Tristan encarou o olhar triste de Daniel e suspirou.

—É, você tem um longo caminho pela frente meu amigo.

—Nem me fale.

O Stark levantou e encarou o Thompson.

—Vamos comer, eu estou com fome.

—Tudo bem. –Ele encarou o caminho que levava aos quartos sentindo a marca em seu peito arder um pouco mais do que nos últimos dias. –Você viu a Ur sair do quarto hoje?

—Minha mãe disse que ela estava deitava em uma cama de gelo na piscina desde as seis da manhã.

Dan assentiu e os dois seguiram para a cozinha com a ideia de almoçar.

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Ur desceu as escadas que levavam a oficina sem perceber.

Ela havia escutado a conversa de Daniel e Tristan sem querer quando resolveu voltar para seu quarto e ir almoçar. Aquilo não estava nos seus planos, embora também não estivesse em seus planos que o feitiço que colocou em Dan ainda funcionasse tão bem ou todo o resto.

Levou a mão ao peito instintivamente, perguntado a si mesma se seu lado do feitiço ainda estava ativo mesmo depois do ataque de Drake, porque sempre imaginou que pela força mágica do ataque o elo entre ela e Daniel havia se quebrado; aparentemente não era verdade.

Ur procurou uma superfície espelhada na oficina e puxou a blusa tentando identificar sob a cicatriz, que o ataque de seu primo deixou, a marca que Dan desenhara tantos anos atrás quando fizeram o feitiço e conseguiu localizar uma pequena e quase invisível sombra onde a estrela lunar se destacava no passado. A garota sentiu o alívio e a preocupação crescerem em si ao confirmar que ainda estava ligada a Dan pela promessa, porque ela mesma nunca sentiu a marca queimar. Talvez seu lado do feitiço estivesse mesmo quebrado e apenas o lado dele funcionasse ou as brincadeiras bobas de Daniel não entrassem nas regras e por isso sua marca nunca ardeu.

Suspirou cansada e ainda tentando absorver todas as informações que havia recebido quando encarou o espelho a sua frente e notou o reflexo de Tony Stark a encarando como se perguntasse o que diabos estava acontecendo.

—Eu devo dizer que se fosse a uns trinta anos atrás eu realmente apreciaria a sua tentativa falha de strip-tease, só que além de ser casado não tenho interesse em crianças. Não importa o quanto o corpo delas pareça com o de um adulto. –Imediatamente Ur recolocou a blusa e tentou desviar de todas as formas possíveis do olhar de Tony. –Se você não vai subir encarar Daniel ou ir para seu quarto, eu espero que sente nessa cadeira para conversarmos.

E mesmo ainda na dúvida do que estava realmente acontecendo Ur seguiu a sugestão de Tony.

—E qual seria o tema da nossa conversa?

—A conversa do meu filho com o seu pretendente a Romeu.

—Apesar de entender a referência literária, eu não sou Julieta para morrer nem mesmo de mentira.

—Eu sei, você prefere o autossacrifício em vida. Do tipo que você e ele vão sofrer para sempre longe um do outro para agradar seu avô e proteger Dan das ideias idiotas do velho. –Ur não conseguiu falar nada, apenas desviou o olhar. –Sendo bem sincero, eu te entendo um pouco, mas sendo direto, que se foda.

Ur olhou para o humano a sua frente surpresa.

—Como é?

—Que se foda esse drama todo. –Tony suspirou cansado. –Olha, eu sou um idiota da pior espécie e mesmo assim consegui encontrar alguém que não apenas me suporta como consegue fazer com que eu seja uma pessoa mais descente. Pepper não faz de mim um homem melhor, ela me faz lutar todos os dias para ser alguém melhor, a minha melhor versão. Ela não me salva, me faz querer me salvar e serve de guia para onde eu quero ir; se eu quiser voltar a ser o imbecil de antes de começar a gostar dela eu só preciso ignorar a sua presença por alguns minutos, do contrário é só eu focar nela e na nossa família.

—Desculpa, ainda não entendi o ponto.

—A questão Ur, é que nem você ou o Daniel precisam disso, porque vocês já são suas melhores versões e, acredite, isso é um saco de admitir. Seu problema é pensar demais nos outros e não ser um pouco egoísta ocasionalmente, enquanto que o meu era o oposto, mas o Dan é igualzinho a você durante quase todo o tempo. –Tony respirou fundo e encarou a garota sem piscar. –Então o que vocês realmente precisam é de um pouco mais de egoísmo, especialmente sobre o que sentem um pelo outro. Por isso, pelo menos um pouco ou por alguns minutos, mande tudo a merda e seja a porra de um egoísta de marca maior sobre o que quer e sente sobre ele. Você tem o direito e o deve de ser sincera com ele pelo menos uma vez.

—Eu não sei se é uma boa ideia senhor Stark.

—O garoto devolveu a porra da sua audição Ur, sem pedir nada em troca ou sem que alguém pedisse essa ajuda. –Instintivamente a garota levou a mão ao ouvido esquerdo. –Se isso não é prova que qualquer um precisa para saber o quão especial e devotado a você aquele garoto pode ser, então eu não sei o que mais poderia ser.

—Isso não muda as ameaças de Odin contra o Dan ou como ele o enxerga e isso é perigoso, porque meu avô jamais vai admitir que Daniel é um príncipe sem coroa, um deus sem domínios e merecedor de se casar comigo.

Tony sorriu para a garota diante daquelas palavras.

—E você decidiu que casaria com ele quando? –Ur sentiu o rosto queimar de vergonha. –Você que disse “um príncipe sem coroa e um deus sem domínios”, o que me mostra que isso é algo que você prometeu a si mesma a muito tempo.

A garota parecia constrangida o suficiente para o Stark continuar o que fazia enquanto esperava uma resposta.

—Antes de fazer o feitiço no peito dele.

—O mesmo que você queria ver se ainda existe em você?

—Isso.

—Imagino que Daniel não saiba que você já o via como seu noivo na época?

—Acho que não.

Tony encarou Ur mais atentamente e então suspirou.

—Qual foi? –A garota o encarou na dúvida sobre o que ele falava. –A promessa sobre o casamento, o que você prometeu?

—Como você sabe disso?

—Não sei, só imaginei que você é o tipo de pessoa cabeça dura e teimosa que faria alguma promessa que te impede de casar com outra pessoa que não ele, a menos que ele te dê um fora de verdade.

Ur suspirou vencida.

—Você está certo.

—Então...

—Quando eu tinha dez anos venci uma batalha difícil para Odin e ele queria me encher de medalhas, mas eu apenas queria que ele desse uma chance para o Dan, o que é obvio que não aconteceu. Então eu fiz uma promessa, um feitiço de compromisso, para que eu nunca pudesse me casar com qualquer um que não fosse o Daniel, sem exceções ou regras de quebra.

Tony olhou para Ur surpreso.

—Eu imagino que você é imune a seja lá o que afeta os outros jovens.

—Fala dos impulsos sexuais exagerados?

—É.

—Não. –Tony a encarou surpreso. –Doí como o inferno manter isso sob controle e é insuportável quando o Daniel está perto, é que... Não me imagino com outra pessoa que não seja o Dan, mesmo que quando ele esteja por perto eu o mantenha o mais longe que é possível e controle cada célula do meu corpo para não me deixar pular sobre ele.

Tony riu.

—Você precisa mesmo mandar tudo a merda, especialmente seu avô. –Ur não parecia disposta a aceitar aquela sugestão, então o Stark suspirou. –Se não quer me ouvir, fale com seus pais e depois decida.

Dessa vez quem suspirou foi Ur.

—O que você está fazendo?

Tony encarou a garota e voltou a mexer no que tinha sobre a mesa.

—Natasha e Mary Jane me pediram para arrumar o trajes das crianças, então estou arrumando os dispositivos de segurança. O Peter também me pediu para dar um upgrade nos lançadores de teia de emergência, já que mesmo que a May não precise de teias artificiais não custa nada prevenir. Clint também me infernizou sobre os equipamentos de reação e os de ataque e eu ainda tenho que ajudar o Tristan sobre a armadura que Pepper me pediu para dar a ele.

—Você parece bem ocupado para estar me dando conselhos amorosos.

Tony gargalhou.

—Garota, seu pai pode ser Loki, mas além de ainda ser Tony Stark, eu tenho dois filhos, sou padrinho da Claire, que tem uma vida amorosa bem interessante, e mais um bando de adolescentes que vive indo e vindo da minha casa com problemas ou complicações amorosas. Acha mesmo que fazer isso e conversar com você sobre qualquer assunto é um problema para mim?

Ur balançou a cabeça em negação e levantou, indo até o sofá da oficina e deitando ali.

—Espero que não se incomode.

—Sem problemas, você ainda vai precisar subir para almoçar.

—Eu sei, mas acho que posso esperar mais uma hora até eles terminarem.

Tony não falou nada, apenas lembrou do breve comentário sobre Ur que Pepper havia feito alguns dias antes, sobre a garota tentar carregar todos os problemas daqueles que ama nas costas.

De muitas formas isso o fazia lembrar de Claire, e nada era mais preocupante do que um adolescente ou jovem adulto que lembrasse sua afilhada quando o assunto era excesso de responsabilidade.

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Tália sabia que provavelmente não era a ideia mais inteligente do mundo se transportar para qualquer lugar que deixasse ela e Cassie muito isoladas de outras pessoas, mas no momento tinha que se concentrar em ajudar a garota, que andava assombrando seus pensamentos com ideias nada pudicas, a pegar suas coisas e partir antes da volta da mãe e do padrasto.

Deus!” Tália gritou mentalmente. “Será que isso é uma punição pelo meu sangue de demônio.”

Porém mesmo tensa com a eminente realidade de ficar realmente a sós com Cassandra, a mutante seguiu a garota até o apartamento e entrou sem falar nada. As duas seguiram para o quarto da loira e Tália observou a garota tirar três equipamentos de dentro da gaveta do criado-mudo.

—Pode colocar todos os meus matérias de estudos e livros aqui, vou colocar minhas roupas nesse outro e depois colocamos o que sobrar o último. –E quando Cassandra apertou o botão sobre o objeto ele se expandiu em uma superfície plana com uma entrada que parecia dimensional. –É um armazenador semi-dimensional, para transportar equipamentos em grandes quantidades sem o uso de muito espaço. Ainda está em fase de testes finais, mas Hope pediu que a Hill testasse esses e ela me disse para usar hoje dependendo do resultado da audiência.

—Acho que vai servir.

—Então vamos, eu tenho uma boa quantidade de coisas para guardar.

As duas se focaram no que tinham que fazer, ainda que por duas vezes Tália se pegou observando Cassandra pegar as roupas sem se importar com o quão amassadas ou bagunçadas ficariam e jogar dentro do seu armazenador. Tudo que a morena fez foi voltar a guardar os livros, cadernos e outros matérias da garota tentando não danificar nenhum deles.

Cassie colocou seus calçados nas caixas que tinha e jogou dentro do armazenador o mais rápido que podia, não diria em voz alta, mas tinha medo de que estivesse sonhando e a qualquer momento acordasse dentro do tribunal com o juiz mantendo sua guarda com sua mãe. Por isso apenas largou os porta-retratos do que queria levar junto com as roupas e sapatos antes de fechá-lo e abrir o terceiro aparelho para começar a colocar os materiais esportivos e outras coisas que não se encaixavam entre roupas e materiais de estudo ou leitura.

Assim que colocou os últimos livros dentro do armazenador, Tália encarou Cassie correndo o mais rápido que podia para terminar de guardar tudo o que pretendia levar em um primeiro momento, até ela notar que elas já haviam guardado quase tudo que a garota poderia sonha em levar.

—Você não pretende voltar aqui, não é mesmo?

Cassandra encarou a mutante e olhou para os armazenadores, antes de voltar a guardar o que tinha em mãos.

—Não. Ao menos não está nos meus planos.

Tália esperou alguns minutos em que continuou a ajudar Cassie com o que faltava antes de conseguir falar o que queria.

—Eu não tinha imaginado isso quando começamos a conversar.

—Qual parte?

—Que a aversão da sua mãe a sua sexualidade chegasse a esse ponto.

—Acho que minha mãe tem sérios problemas para agir como agiu, se bem que isso não é mais problema meu.

Tália esperou um pouco antes de continuar.

—Meu pai também parece não gostar muito de mim, o que inclui eu ser bissexual, se bem que a principal aversão dele é com a minha aparência.

Cassie parou o que fazia encarando a morena.

—Como é?

—Eu também não entendo muito bem, ele não gosta de olhar para mim ou de ficar muito tempo perto de mim, mesmo quando exige que eu o siga para algum lugar. Já o ouvi falar sobre isso quando era mais nova, foi um pouco antes de tia Emma me pegar para criar e acho que ela fez isso para me proteger do meu pai.

—Você já perguntou isso para ele?

—Não. Também não é como se ele desse muito espaço para conversarmos.

—E ele já te bateu ou ameaçou alguma vez?

—Como a tia Emma me criou desde os quatro anos acho que eu acabei escapando de uma boa parte dessa opção, ainda que ele tenha tentado algumas vezes no passado, e meu pai não é idiota a ponto de tentar me bater hoje em dia, até porque a tia iria achá-lo e o mataria de pancada. Ou colocaria Hank e Logan para bater nele, o que dá quase na mesma. –A mutante demônio hesitou. –Claro que Kurt não poupou esforços em outros aspectos. –E o resmungo irritado foi o suficiente para ao assunto não se estender.

Elas olharam ao redor, notando que não havia mais nada que pudesse ser guardado nos armazenadores no quarto e fecharam os três equipamentos os diminuindo ao seu tamanho de transporte. Só então Cassandra se aproximou de Tália tocando o rosto da morena de forma delicada.

—É por isso que não entende por que eu te acho bonita? Porque seu pai e mais algum imbecil disse que prefere a máscara falsa do que seu verdadeiro rosto e aparência? –Tália segurou a mão de Cassie e desativou o holo.

—Você tem que admitir que quando muitas pessoas repetem algo a gente pode achar que é verdade, mesmo que não seja. –A loira sorriu e segurou o rosto da mais velha com as duas mãos.

—Mesmo assim, quando alguém que gosta de você diz o contrário, isso deveria pesar mais não é? –Tália notou que o rosto de Cassie estava perigosamente perto do seu.

—Acho que sim.

—Que bom.

E sem esperar por qualquer resposta Cassandra beijou Tália, envolvendo-a em um abraço pelo pescoço e então descendo um dos braços para envolver a cintura da mutante. O beijo se aprofundou e Tália sentiu sua mão envolver a nuca de Cassie. Nem mesmo quando a morena ouviu a leve e baixa reclamação da loira ao bater contra a escrivaninha o beijo foi interrompido.

O que realmente trouxe ambas de volta ao mundo real foi o momento em que Cassie desceu os beijos pelo pescoço de Tália e está sentiu a própria mão que estava na cintura da loira entrar em contato com a pele das costas dela pelo ponto em que o tecido havia subido um pouco.

Tália se afastou parecendo envergonhada.

—A gente não deveria fazer isso.

Cassandra sorriu para aquela frase que não era muito a cara da mutante.

—Talvez, e foi muito melhor do que eu imaginava que seria.

A morena fez uma careta e então ouviu batidas na porta, seguido de uma mensagem de Vinicius e Marian no celular: “Estamos do lado de fora do apartamento”.

—Você vai é me deixar louca e eu já não ando com os pensamentos mais puros sobre você quando estamos juntas ou longe uma da outra.

—Então pelo menos estou fazendo alguma coisa certa. –Tália encarou Cassie surpresa. –Não me olhe como se não estivesse tendo os mesmos planos que eu sobre sexo e corpos nus em uma cama. –A morena sentiu o rosto queimar diante do olhar da loira. –Mas eu posso esperar. –Ela se aproximou da mutante e deu um selinho na mais velha. –Afinal, para quem já esperou oito anos e você começar a desapegar da Jocelyn, posso esperar um pouco mais.

E quando Cassandra se afastou Tália pediu a Deus, a todos os deuses e até mesmo aos demônios que dessem a ela a força de vontade e a determinação para não apressar as coisas ou errar com Cassie.

Porque essa era a única coisa que não podia permitir agora.

Errar com a garota que estava começando a amar mais do que imaginava ser possível.

Continua...

No próximo capítulo: O Tempo de Cada Um.

Notas finais
Nome: Drake Erik Foster Thorson A.K.A.: Stormbreak Idade: 18 Origem: Asgard Aniversário: 27 de Dezembro Signo: Capricórnio Raça: Hibrido/ Semideus Altura: 187 Status: Vivo Cabelo: Loiro Olhos: Azuis Habilidades: Manipulação Elétrica, Manipulação de Tempestades, Controle Atmosférica, Super Força, Super Vigor, Agilidade e Velocidade Sobre-humana, Imunidade a Doenças, Cura Acelerada, Potencial Mágico. Aliança: Heróis Afiliações: Shield, Vingadores, X-Men, Quarteto Fantástico, Guerreiros Secretos, Asgard, Relacionamento: Thor Odinson (pai); Jane Foster (mãe); Blake Darcy Foster (irmã); Odin Borson (avô); Freya (avó); Loki Laufeyson (tio); Sif (tia); Encantor (tia); Verity Willis (tia); Ur (prima); Wolf Lokison (primo); Jason Willis Lokison (primo); Megara Willis (prima); Paladin (prima); Darcy Lewis (madrinha); Erik Selvig (padrinho); Claire Carter Rogers (ex-namorada);