Notas iniciais
Atualmente posto minhas fics nos seguintes sites/plataformas de fanfics e histórias: Spirit https://www.spiritfanfiction.com/perfil/eucaristia Nyah! https://fanfiction.com.br/u/175167/ Wattpad https://www.wattpad.com/user/LillielEucaristia Acompanhe. Comente. Incentive. Todo autor precisa de sua dose de retorno para que as histórias não morram. Também escrevo uma série baseada em Percy Jackson e os Olimpiano, quem tiver interesse pode visitar meu perfil.

Data Terrestre: 08 de Outubro

Lena acordou sentindo muito mais calor que o normal e com uma claridade intensa entrando pela janela. Duas coisas incomuns no outono nova-iorquino, assim como a brisa marinha no Sanctum.

Abriu os olhos e se deparou com o quarto claro e iluminado de Carter. Não o quarto do Instituto, com madeira escura e paredes brancas, mas o da casa da mãe dele em Miami.

Suspirou vencida.

Havia esquecido que na noite anterior o garoto a convenceu a irem para lá.

Ela sabia que a mãe de Carter não estava lá, nunca estava.

Aquela era a casa de férias dela e, principalmente, também era o refúgio deles.

Quando iam para aquele lugar não eram as pessoas de sempre. Ela era apenas Lena e ele apenas Carter. Ela não fugia dele e ele não precisava implorar por ela. Ele não precisava se preocupar com as suas obrigações no Instituto ou missões da Shield. Ela não lembrava de suas paranoias com poderes ou o que sabia sobre o problema maior.

Lena suspirou aliviada.

Não diria em voz alta, mas realmente gostava dessa fuga da realidade.

Levantou e foi para o banheiro, estivessem em seu mundo particular ou não, Carter levantaria cedo como sempre, então ela sabia que ele estava em algum lugar da casa mexendo ou resolvendo algum problema. Ou, pelo menos, fazendo o café.

Carter encarava o jardim entre a raiva e a dúvida.

Tinha certeza que na última vez que conversou com a mãe (através de Emma) concordaram em contratar um jardineiro para cuidar das suas plantas, já que não podia estar ali como elas precisavam. Também lembrava claramente de ter falado pessoalmente com o homem sobre os cuidados especiais de cada uma.

Suspirou vencido.

Precisaria arrumar um novo funcionário com urgência e se possível antes de ter que voltar. Então precisaria orientar a pessoa, avisar a empregada e a administração do condomínio, acertar os detalhes do salário e avisar sua mãe.

Grunhiu contrariado.

Precisava mesmo falar com a mãe.

—Tudo bem?

Carter se virou e viu Lena parada na porta de short e regata.

—Preciso de um jardineiro novo.

Ela encarou o jardim e sorriu.

—Você deve estar furioso. –Carter assentiu. –Pelo menos você pode decidir isso sozinho, a casa é sua.

—Tecnicamente é da minha mãe.

—Sua mãe comprou a casa para você no seu aniversário de doze anos, você que não quer que ela passe para o seu nome. Ou mentiu sobre isso?

O rapaz riu.

—Tudo bem, você venceu.

Lena se aproximou dele e o beijou, porém se afastou assim que a viatura de polícia parou na frente da casa. Ela encarou Carter que também estava surpreso.

—Espere aqui. –Ele se virou e seguiu até o limite do jardim, enquanto um policial jovem saiu do carro tremendo com a arma na mão. –Posso ajudar o senhor?

O jovem oficial, talvez mais novo que Carter, parecia apavorado. Ele era menor que o mutante, tinha cabelos e olhos escuros e a pele tipicamente bronzeada dos moradores da cidade.

—Não se mexa!

Carter suspirou irritado.

—No seu lugar, eu abaixaria essa arma. –Ele esperava que o jovem escutasse suas palavras.

Se algo acontecesse ali, Lena não seria tão legal quanto ele.

—Faça o que ele falou garoto. –Um policial mais velho, de cabelos e olhos castanho claro, saiu da viatura e se aproximou de Carter. –Recebemos uma denúncia dizendo que mutantes invadiram a casa ontem à noite. O senhor pode esclarecer isso?

Carter acabou rindo, depois encarou o oficial e o nome no uniforme.

—Tudo bem oficial Torres, existe uma meia verdade na informação que deram. Nós somos mutantes e chegamos no meio da noite, só que a casa é minha. –Carter pensou por um momento. –Tá em nome da minha mãe, mas é minha. Pode confirmar com a administração, é só perguntar por James Carter B. Howlett.

O oficial se aproximou.

—“B”?

—É o sobrenome da minha mãe, o senhor precisa que eu diga? –O rapaz se sentia desconfortável.

—Seria um problema?

—As coisas entre nós dois são... Complicadas. –Suspirou. –Quem me criou foi meu pai e minha madrinha, eu e minha mãe não temos muito contato. Complicado de explicar e entender.

O oficial sorriu.

—Tudo bem, eu já havia falado com a administração do condomínio e confirmado as informações sua e da sua mãe. –Carter fez uma careta. –Complicado é? –O rapaz concordou. –Por que acha que sua chegada assustou os vizinhos?

—Bom, minha namorada trouxe a gente usando os poderes dela e eles são um pouco luminosos, então deve ter causado um clarão maior do que o normal. Além disso, eu moro em Nova York e venho pouco aqui, especialmente nessa época.

—Tudo bem. Pode me dizer o nome da sua namorada para registro?

—É Helena Strange.

—Strange como em Stephen Strange, o Vingador? –O homem parecia um pouco surpreso e admirado.

—Ah, é. Ele mesmo. É o pai dela.

Torres acabou rindo da tranquilidade do rapaz em falar aquilo, só que para Carter, Stephen era só outro conhecido, como Tony Stark e Nick Fury.

—Tudo bem. Obrigado pelo seu tempo.

—Espera, é só isso? Não vamos levá-los? –O policial mais novo parecia confuso.

—Não precisa Malcolm, é apenas um mal-entendido. A própria administração disse que ele e a mãe vem pouco aqui, confirmamos os nomes e que parte da informação da denúncia está certa, não a parte que nos interessa. – Torres não parecia preocupado.

—Sem falar que o alarme é biométrico. –Carter comentou distraído.

—Então é isso?

Carter e Torres se entreolharam.

—É.

Malcolm pareceu um misto de alívio e decepção.

—Novato? –Carter tinha quase certeza que estava certo.

—Vinte e dois anos, começou a menos de uma semana.

—Percebi.

Torres se virou para Carter e esticou a mão, o rapaz retribuiu o cumprimento e logo os dois policiais partiram.

Lena se aproximou de Carter.

—Isso acontece muito.

—Não. E quando a gente vem normalmente é férias ou feriado, então os vizinhos estão viajando ou muito chapados.

—Nunca reparei que nossa vinda aqui eram nessas ocasiões. –Ele riu da reação dela.

—Eu sei. –Carter parou por um segundo observando um homem mexer no jardim do vizinho da frente. –Vou falar com ele.

Lena riu daquilo e ficou observando o rapaz falar com o homem que parecia um pouco assustado.

Ela imaginava o que era falado.

Seu, no momento, namorado devia falar sobre o atual estado das flores do jardim e que precisava de um jardineiro competente para o serviço, já que o atual era um inútil. Que o salário era bom (e Lena sabia que era, Carter e a mãe eram generosos nesse sentido), que o serviço pesado era uma vez a cada quinze dias e que a manutenção semanal incluía verificar o fornecimento de água pelos sprinklers e integridade das estufas para as plantas sensíveis ao Sol.

Nada diferente do serviço que a empregada e o mecânico desempenhavam na casa e no carro.

Carter também falaria que o homem poderia usar a piscina e a casa dos fundos com a família uma vez por mês, era só combinar as datas com a empregada e o mecânico para que não calhasse de virem no mesmo dia ou de ser no dia da limpeza da água.

No momento que o rapaz apertou a mão do homem, que agora parecia animado e surpreso, Lena sorriu. Carter voltou até ela com um sorriso gigante.

—Consegui o novo jardineiro.

—Imaginei. Ele parecia um pouco surpreso.

—Ah, foi o salário e a coisa da piscina. –Ele pegou o celular e discou um número. –Oi Jones. Isso é o Carter Howlett. Sim, foi tranquilo com a polícia. Sem problemas. Sobre o jardineiro, o Smith tá dispensado. Não, pode pagar, só não quero ver ou saber que ele apareceu aqui em casa novamente. Não, não vai precisar. Encontrei com um senhor chamado Antônio Cardenas e já conversei com ele, acertamos tudo. No final do dia ele vai passar aqui para falarmos das plantas. Sim, pode colocar ele junto com a Brooke e o Saulo nos privilégios da casa. Sim, obrigado.

Carter desligou e sorriu para Lena.

—Tudo resolvido? –Ele concordou. –O que vamos fazer agora?

—Quero ir jantar com você, já fiz uma reserva em um restaurante para as oito. Até lá, você decide.

Lena sorriu com certa malícia se aproximando de Carter e desabotoando a camisa dele.

—Eu tinha pensado em ir para a praia, mas a piscina da sua casa parece uma opção melhor. –Ela puxou o rosto dele na sua direção e sussurrou no seu ouvido. –Afinal, a cerca é alta, com plantas e, em teoria, seus vizinhos não vão bisbilhotar.

Carter tinha um sorriso cheio de intenções nada puras estampado em seu rosto.

—Bom, se eles verem algo também, não me importo. Hoje somos só nós dois Lena. –Ele aproximou o corpo dela do seu pela cintura. –Você é minha namorada pelo menos até voltarmos.

Lena deixou seus braços envolverem o corpo de Carter com força, ainda que sua expressão fosse de culpa.

—Pelo menos até voltarmos Carter.

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Quando Cassandra chegou em casa descobriu que estava sozinha.

Não estranhou, aquilo acontecia muito e era realmente raro encontrar a mãe ou o padrasto esperando.

Verificou que era hora do almoço e foi até a geladeira pegando as sobras do jantar do dia anterior, uma das refeições mais indigestas que teve naquele ano.

Colocou a comida no prato e depois esquentou no micro-ondas, sentou no balcão da cozinha e abriu a tela do celular olhando a foto que havia tirado com Tália no dia anterior. Na imagem as duas riam depois de caírem no gramado do jardim interno da Shield e ela realmente gostava de ver o brilho suave que o olhar entreaberto da mutante refletia. Tália estava com o holo desligado e isso apenas aumentava a satisfação de Cassie com a foto.

Assim que terminou de comer e lavou a louça, a garota decidiu ir tomar banho.

Aproveitou que estava sozinha e que no dia seguinte teria a audiência para poder usar a banheira. Entrou na água quente e se perdeu em pensamentos.

Sua mãe estava furiosa com a audiência, com o juiz, a assistente social e todos os outros envolvidos se recusavam a passar o conteúdo da reunião que Maggie jurava ser culpa de Scott, opinião que Blake não concordava totalmente, mas não desmentia.

Então teve que ouvir uma enxurrada de críticas e ofensas ao pai e a noiva dele durante todo o jantar do dia anterior, sem falar nas reclamações sobre ter que transferir Cassie para a academia da Shield que não paravam a dias.

Para piorar Maggie culpava Claire pelo problema e falava a todo o momento que era por isso que a filha tinha que parar de ser teimosa e ser normal em vez de ficar inventando história.

Cassandra estava realmente cansada do comportamento da mãe.

Entendia que a mãe, de uma forma torta, se preocupava com ela ou, pelo menos, era como gostava de pensar, mas também sabia que Maggie nunca diria palavras como “tome cuidado” ou “esse mundo é cruel com pessoas como você”. Para todos os efeitos sabia que não podia se enganar sobre isso para sempre e no dia seguinte teria que enfrentar a verdade diante do juiz.

Saiu do banho, foi para o quarto e se trocou.

Achou melhor descansar, talvez tirar um cochilo até as cinco da tarde.

Deitou e fechou os olhos.

Acordou assustada com o barulho de batidas na porta.

Olhou no relógio e viu que era quase cinco horas.

Foi até a porta e deu de cara com a mãe.

—Mãe?

—Onde você esteve?

—Como?

—Onde passou o dia inteiro?

—Eu sai de manhã para dar uma volta, andei um pouco por ai, conversei um pouco com algumas pessoas e voltei para a casa na hora do almoço.

—E o Travis?

—Quem?

—O filho do amigo do Blake que ia passar aqui para te ver e saírem?

—Não conheço.

—Falei dele para você ontem na janta.

“Na hora que também estava falando mal do meu pai e de mim? Não prestei atenção” foi o que a garota pensou, mas sabia que não podia responder aquilo.

—Desculpe, esqueci disso. –Cassandra suspirou cansada e precisou se controlar para não responder algo idiota. –Em todo o caso, eu apenas fui andar.

A próxima coisa que a garota sentiu foi o tapa forte da mãe no seu rosto. Ela encarou a mulher e viu a expressão de desgosto e vergonha, não pela ação e sim pelo que via, quem via, refletida no rosto de Maggie.

—Não minta para mim. Você foi se encontrar com aquela garota do acampamento, a tal de Sophia.

Cassie ainda viu Blake de relance atrás da sua mãe, ele parecia tão chocado quanto ela mesma com a atitude da mulher, porém não se moveu para afastá-la da garota.

—Se a senhora já decidiu que eu estava lá transando com a ela, por que pergunta o que fiz durante a manhã? –A voz de Cassandra estava embargada quando encarou Maggie que recuou um passo quando a raiva da filha a fez crescer. –Eu devia mesmo ir até lá ou até qualquer outra garota e transar com ela, com todas elas, assim a senhora poderia fingir ter um motivo para me bater. –A garota respirou fundo e fez seu corpo voltar ao normal. –Quer saber, que seja, vou voltar a dormir.

E antes que a mãe pudesse fazer mais alguma coisa Cassie fechou a porta com a chave.

Ela ainda pode ouvir as batidas insistentes da mãe e as ordens de colocar gelo no rosto para evitar a vermelhidão no dia seguinte, resolveu ignorar a ordem. Não era a primeira vez que Maggie batia nela por aquilo e, em todas as outras vezes, Cassandra se forçou a acreditar que realmente havia feito algo errado, proibido, e não apenas uma mentira boba ou algo que era natural para uma adolescente.

Também não era a primeira vez que ela fazia Blake arrumar encontros com filhos de colegas de serviço para Cassie a fim de fazê-la “gostar de meninos” e não era o primeiro tapa por fugir dos encontros que levava. Dessa vez Cassandra realmente nem ouviu a mãe falar sobre aquilo e não havia mentido ao todo; mesmo com o beijo que deu em Tália realmente saiu para passear.

A garota suspirou cansada, ferida e exausta.

Depois da hora do jantar ouviu leves batidas na porta, sabia que era Blake, mesmo assim abriu a porta com cuidado e medo de encontrar a mãe parada ali. Felizmente só viu o padrasto. Ela abriu a porta dando mais passagem para ele entrar com a bandeja com um pouco de comida.

Cassie sentou na cama e Blake na cadeira da escrivaninha.

Eles ficaram em silêncio por alguns minutos até o homem começar a falar.

—Sua mãe tomou alguns calmantes, deve dormir até a hora de irmos para a audiência.

—Ela deve estar precisando. –O comentário saiu seco.

—Você sabe sobre o que é a audiência não é mesmo? –Cassandra arqueou a sobrancelha dizendo que não havia entendido a pergunta. –Você é a pessoa mais calma de todos nós, incluindo seu pai e a Hope, desde que a convocação chegou.

—E eu tenho motivos para ficar nervosa?

—Normalmente essas audiências deixam a criança ou jovem mais nervoso até do que os pais, especialmente quando parece que nenhuma das partes sabe sobre o que se trata.

—E por que eu teria a resposta?

—Acho que de alguma forma isso foi causado por você.

—E por que eu faria isso?

Blake parecia cansado.

—Porque a sua situação e da Maggie anda... Muito ruim, sendo claro.

—E você não faz nada.

—Desculpe.

—Por que?

—Por não entender, por não parar ela, por não te ajudar.

—Tudo isso já foi, não volta atrás.

—Eu sei.

Cassandra continuou comendo em silêncio enquanto Blake observava atentamente.

Apesar disso, o clima não era tão tenso quanto no jantar da noite anterior. Era muito mais leve.

A garota sempre se surpreendia em como conseguia se comunicar melhor com Blake do que com a mãe.

—Você foi um bom pai, apesar de tudo e de amar a minha mãe o suficiente para não pará-la.

—Não fui.

Cassandra olhou para ele e sorriu.

—Foi sim. Quando a mamãe não surtava comigo, quando tudo estava bem para ela, você era um pai tão bom quanto o Scott. Às vezes, até melhor.

O homem sorriu de leve e então encarou a garota.

—Você gosta dela não é?

—Sophia? Não, foi apenas um caso de verão, mas podia ter durado um pouco mais.

—Tália.

Cassie se assustou com a menção do nome.

—Você a conhece?

—Vi vocês hoje de manhã. –A garota se sentiu encurralada. –Aonde foram?

—Pedi para conhecer o Instituto. Andamos um pouco e conversamos. –A garota sorriu. –Confesso que eu acabei beijando ela, na verdade foi o que me fez decidir voltar ou ia fazer alguma besteira.

—E desde quando conversa com ela?

—Desde ontem.

—Aquele tour pela Shield?

—Realmente fizemos um passeio lá, ficamos andando e conversando.

—Sua mãe não vai gostar nada disso.

—Não, não vai.

—Cassandra. –Blake suspirou. –Você...

—Se eu sou lésbica? Sim sou, você sabe disso.

—Não era o que eu ia falar. –Ele encarou a garota envergonhado. –Ia falar algo idiota, então percebi que perguntar se você não poderia fingir ser do jeito que sua mãe quer seria o mesmo que me pedir para ser corrupto para agradar aqueles criminosos que vestem a farda. Seria errado.

Os dois ficaram em silêncio por um momento até a garota se mover desconfortável.

—Eu tentei. –O padrasto olhou para ela surpreso, porém Cassie olhava para outro lugar e não para ele. –Eu tentei agir como a mamãe queria uma vez, quase seis meses, e me senti tão miserável naquele período que jurei nunca mais mentir para mim mesma sobre isso.

—Eu não sabia.

—Só contei isso para a Hope.

—Acho que é por isso que ela odeia a noiva do seu pai.

Cassandra encarou o padrasto.

—Por que você nunca tentou impedi-la ou conversou com ela? Você é bom, só que quando ela está por perto você vira outra pessoa.

—Eu acho que eu e sua mãe temos um tipo de relação tóxica, sabe? Ela diz as coisas e eu concordo, então ela fica mais próxima de mim e eu a apoio cada vez mais. Na verdade não consigo evitar de apoiar ela em tudo que faz ou, pelo menos, não interferir, mesmo quando Maggie está errada eu acabo apoiando as ações dela só porque isso a deixa feliz.

—Você precisa dar um jeito nisso.

—Acho que quer eu queira quer não, amanhã as coisas vão acabar se resolvendo. Pelo menos para você. –Blake apontou para a bandeja. –Se terminou eu posso levar, vai usar o banheiro e dormir. Amanhã o dia vai ser... Vai ser longo.

Cassandra concordou e fez exatamente o que Blake falou.

Quando deitou para dormir focou seus pensamentos em Tália e como queria beijá-la novamente.

Esperava ter sonhos sobre aquilo.

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No final da tarde, quando Claire e Laura pensaram em ir descansar ligaram para Sharon para confirmar se tinham alguma orientação sobre o dia seguinte ou onde deveriam ficar. E apesar de acharem ridículo precisarem de autorização para ficar em qualquer lugar essa era a sua nova rotina

Para a surpresa de ambas Fury havia mandado as duas para a casa dos Carter Rogers, mesmo que os repórteres ainda estivessem na rua.

Pelo que Sharon relatou, Tony e a Shield conseguiram uma ordem judicial que obrigava os jornalistas a ficarem a pelo menos dez metros da casa deles e não interditar a rua. Claro que havia duas viaturas e nove agentes da Shield para garantir que a medida do juiz fosse cumprida. E a novidade era que os agentes da Shield, escalados em turnos de oito horas, ficariam no porão da casa da garota.

Elas pediram para Alexis refazer o feitiço de transporte até a Torre Stark quando todos concordaram em partir. A garota pediu a ajuda de Wolf novamente, o que gerou um pequeno desconforto com Alexa, mas Claire entendia o pedido da Rasputin: os poderes da garota eram relacionados ao fogo e os do garoto ao gelo, normalmente a temperatura da loira ficava muito alta durante aquele feitiço (e o próprio feitiço podia queimar se algo desse errado).

Assim que chegaram a Torre, Claire e Laura se separaram do grupo, assim como Andrew, que agora estava sozinho. O garoto seguiu para a casa, até onde sabia Daisy não poderia passar mais uma noite de plantão e ele pretendia passar alguns minutos com a mãe.

As duas garotas subiram nas motos e partiram deixando o grupo de fotógrafos e repórteres novamente irritados com a falta de atenção. Dessa vez o cinegrafista na motocicleta não conseguiu segui-las, o que fez parte do caminho até a casa ser tranquilo.

Diminuíram a velocidade conforme se aproximavam da casa e começaram a ver carros de imprensa estacionados nas ruas próximas, a maioria não parecia ter pessoas dentro.

Preferiram ignorar aquilo, mesmo quando entraram na rua da casa e encontraram várias pessoas andando de um lado para o outro como formigas sem trabalho.

Seguiram para a entrada na viela entre as casas.

Claire acionou a rampa da garagem e as duas colocaram as motos para dentro debaixo de flash e perguntas feitas aos gritos.

—Ainda bem que não precisamos mais ir lá fora. –Assim que falou isso Laura notou a expressão dura no rosto de Claire. –O que foi?

—Vi algo enquanto entravamos.

—Algum problema?

—De certa forma.

—E precisamos ir lá fora, não é? –A loira concordou e a morena suspirou conformada. –Então vamos.

As duas seguiram para a porta da frente e saíram atraindo a atenção dos jornalistas, porém a expressão fechada de Claire parecia afastá-los o suficiente e que pudessem andar até a esquina da rua de trás da casa.

Assim que atravessaram a rua Laura notou o grupo de jovens com drogas.

A garota suspirou.

Especialmente quando reconheceu uma garota de cabelos castanhos de quase doze anos que estava visivelmente cheirando um pó branco em uma plaquinha. Cocaína.

Claire foi diretamente até a garota e a puxou pela nuca, chamando a atenção de todos que viam a cena.

—Saiam daqui seus delinquentes! Saiam já daqui ou vão querer mesmo ter dado de cara com o Justiceiro, seus malditos!

Um dos garotos mais velhos tentou enfrentá-la.

—E quem você pensa que é?

Claire não falou, apenas mostrou o braço transformado em diamante, o que fez todos saírem correndo enquanto a garota se debatia na mão da loira.

Laura não falou nada.

Ela havia aprendido que os poderes de Claire não eram bem como pareciam.

Seu corpo não se transformava instantaneamente em diamante como o de Christine ou em menos de dez segundos como o de Emma, que havia aperfeiçoado a técnica com os anos.

Claire ainda levava trinta segundos para transformar todo o seu corpo, incluindo os órgãos e ossos. Por isso quando ela queria impressionar alguém, como agora ou no dia que ficou brava com Josh, transformava apenas uma parte do corpo. Como o resto do seu corpo podia aguentar a mudança de peso e densidade aquilo não era um problema, pelo menos normalmente como agora.

A loira voltou toda a direção até a sua casa e depois andou mais duas casas tocando a campainha com a garota ainda se debatendo.

Quando a porta foi aberta e o casal saiu a rua ficou em silêncio, nem mesmo os jornalistas ousavam fazer barulho.

—Claire, o que houve? Por que está segurando a Jeanne assim?

O olhar da loira se tornou culpado quando ela falou.

—Olhe os bolsos dela.

O homem tomou a frente sem hesitar e mesmo com os protestos da filha fez exatamente o que foi pedido, para a surpresa do pai havia três saquinhos com três diferentes tipos de drogas.

Laura e Claire reconheciam todas pelo cheiro.

Cocaína.

Maconha.

Ecstasy.

A mulher começou a chorar enquanto o homem olhava incrédulo para o que tinha em mãos.

—Eu sinto muito. –A frase de Claire tirou os pais da garota do transe.

—Não sinta, não é sua culpa. –O homem suspirou vencido.

—Eu prometi cuidar deles sempre que possível, deveria ter percebido que havia algo errado antes. Eu...

—Fez um ótimo trabalho. –A mulher ainda tinha lágrimas no olhos quando tocou a mão livre da garota. –Nós diminuímos nossas horas de trabalho quando ela nasceu e só voltamos a aumentar a dois anos, se isso não impediu que isso acontecesse, acho que nada mais poderia.

Claire não sabia o que dizer.

Mesmo com a diferença de apenas quatro anos, ela havia cuidado da garota, algumas vezes e ensinado para ela, e para os outros, que drogas era ruins. Nunca mencionou que já havia usado aquilo nos testes de resistência da Shield, ela era imune, outras pessoas não.

Ela era imune aos efeitos e vícios de drogas, bebidas, remédios, doenças, radiação e venenos, mesmo que seu corpo sofresse algum tipo de sintoma como cansaço por cortar os danos dessas substâncias, Claire sabia que ela e os outros eram exceções, não regras.

—Eu devia ter ficado mais atenta. –A culpa da loira transbordava nas menores confissões.

O homem suspirou e tocou o ombro da garota.

—Pode fazer algo por ela?

A garota piscou.

—Posso limpar o organismo dela do que foi consumido a pouco tempo, mas ela vai sentir dor. Vou transferir os químicos para o meu corpo, como sou imune vou apenas ficar cansada do processo.

O homem pareceu em dúvida e, por fim, cedeu.

—Tudo bem, faça.

Claire soltou a garota, depois segurou os braços dela absorvendo o que estava no corpo da mais jovem. Se surpreendeu quando sentiu mais do que traços das três drogas que viu nos saquinhos no corpo de Jeanne, mas não parou.

O grito de dor da garota embora assustador para alguns dos presentes não se comparava com a expressão de Claire ao soltá-la. A mutante cambaleou e precisou ser amparada por Laura.

—O que houve?

—Tinha muito mais.

—Mais do que imaginou ou mais drogas?

—Os dois. –A loira pegou a carteira e a caneta, anotou o número de Jemma Simmons na Shield e depois entregou para os vizinhos. –Liguem para ela, falem o meu nome completo e digam o que aconteceu. –Ela olhou para a garota ao lado da mãe parecendo em choque. –Ela precisa ser internada.

—Tem certeza? –O pai parecia assustado depois daquela informação.

—Infelizmente. –Claire se forçou a ficar firme mesmo sentindo o corpo fraquejar. –Eu senti vestígios de heroína no corpo dela. –O homem ficou pálido. –Deve ter uns dois dias, mas se ela já está ai, precisa de ajuda profissional. –A garota sentiu o corpo pedir para deitar e comer. –Eu tenho que ir, ela tinha mais do que eu estava preparada para puxar hoje, preciso comer e dormir rápido.

Laura passou o braço em volta da cintura de Claire que passou o braço sobre os ombros da namorada.

A maior parte das pessoas encarava a cena.

Os vizinhos com pena dos pais e preocupados com Claire que não parecia tão bem quanto sempre, os jornalistas em serem atacados pelas mutantes, os policiais em como proceder e os agentes da Shield em conter qualquer revolta.

Laura fez sinal para um deles se aproximar e abrir a porta da casa.

Assim que passaram da porta Claire caiu no chão.

—Hey, o que houve? –A morena estava realmente preocupada.

—É só cansaço. –O agente ajudou Laura a sentar Claire contra a parede da escada. –Meu poder é não morrer, não ser ferida a não ser que eu o contenha. Quando eu pego as dores, os ferimentos de outras pessoas isso me cansa mais do que me curar.

—Eu sei, já te vi fazer isso e você não ficou assim.

—Absorver químicos do corpo de outras pessoas é diferente de absorver ferimentos. –Claire suspirou. –Um efeito colateral, é quase como se meu corpo também absorvesse a fraqueza deles por algum tempo.

Laura deu um tapa na cabeça da namorada.

—Então você foi idiota, podia apenas ter mandado eles internarem a filha.

—Podia mesmo.

—E agora?

—Preciso comer e descansar, depois tomo um banho.

Laura concordou e olhou para o agente ao seu lado.

—Me ajude a levá-la para a sala no andar de cima. –O homem concordou.

Assim que colocaram a garota no sofá a campainha tocou, Laura desceu na frente e logo em seguida o agente a seguiu, ambos receosos.

Podia ser algum vizinho preocupado, um manifestante ou um repórter.

Laura torcia para ser algo fácil.

Abriu a porta e deu de cara com o vizinho da frente, um médico, com uma sacola cheia de vasilhas.

—Hã? Oi? –A garota realmente estava surpresa.

—Oi, eu sou Hugo, Hugo Constanza, o vizinho da frente. A gente viu o que aconteceu e eu vim ver se posso ajudar. Além disso, alguns vizinhos mandaram um pouco de comida, já que os Griffin disseram que a Claire falou que precisaria comer e não tem ninguém na casa desde ontem de manhã. Posso entrar...? Não sei seu nome.

A garota riu.

—Sou Laura Howlett, a namorada da Claire. –A garota abriu a porta e deu passagem para o homem. –Pode entrar, tia Sharon falou de todos vocês e da reunião.

O agente indicou que sairia e Laura concordou.

—Ela está no quarto?

Os dois começaram a subir as escadas.

—Na sala, acho que não tem muito que possamos fazer.

—Posso tentar examiná-la.

Laura acabou rindo.

—Não se ofenda doutor, mas nem eu nem ela estamos nos livros de medicina.

—Tem tanta diferença assim entre mutantes e não mutantes?

Eles chegaram a sala e o homem notou o olhar constrangido de Laura.

—Normalmente não, eu e a Claire somos diferentes. Ela, pelo pai, e eu... Por algo que não sei o que é.

Hugo não perguntou mais nada para ela, conversou com Claire enquanto Laura separava a comida e levava até a mesa de centro, ele tentava mesmo entender melhor o que fazia um mutante diferente de um não mutante e o que fazia a loira diferente dos dois.

Claire explicou o que tinha autorização e o que não podia disse que estava além dela dizer, mas Hugo ficou realmente surpreso em saber que as duas eram, na falta de palavra mais adequada, imortais.

Quando ele perguntou como poderia saber mais sobre a natureza médica específica de mutantes, Claire passou, pela segunda vez no dia, o contato de Jemma, dessa vez para ela e Hank decidirem se davam autorização e ajuda ao médico para pesquisar mais a fundo a questão com ambos.

Depois que Hugo foi embora Laura e Claire tomaram banho e foram dormir antes mesmo das dez horas.

Fury havia ficado de passar as ordens delas pela manhã, então teriam que esperar.

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Continua...

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No próximo capítulo: Mission

Notas finais
Nome: Gabriel Benjamin Stacy Parker A.K.A.: Aranha Sombrio / Dark-Spider Idade: 24 Origem: Inglaterra Aniversário: 20 de Julho Signo: Câncer Raça: Humano Aprimorado Altura: 177 Status: Vivo Cabelo: Castanho Olhos: Castanho claro Habilidades: Super-Força, resistência, reflexos, equilíbrio, agilidade e velocidade sobre-humanas; Escalar paredes (seus pés e mãos possuem pequenos pêlos que aderem a qualquer superfície); Geração de teias orgânicas; Ferrão elétrico; Camuflagem natural; Sentido aranha (sentido de aranha precógnitivo que o avisa do perigo iminente); Intelecto genial; Especialista em combate corpo a corpo; Aliança: Heróis Afiliações: Shield, Vingadores, X-Men, Quarteto Fantástico, Guerreiros Secretos, Relacionamento: Peter Benjamin Parker (pai); Gwendolyne "Gwen" Stacy (mãe/falecida); Mary Jane Watson (madrasta); Sarah Georgina Stacy Parker (irmã); May Linda Watson Parker (meia-irmã); Annie May Parker (tia-avó); Aisha Monroe (namorada);