Marvel Universe: All Different World
35 Capítulo XXXV: Mission.
Notas iniciais
Data Terrestre: 09 de Outubro
Para Claire e Laura, acostumadas a dormir pouco e viver dias cheios de atividades, ter mais de sete horas de sono tranquilo era incomum. Então quando o despertador tocou as cinco da manhã, elas acordaram sem problema.
Tiraram a primeira hora para curtirem um pouco, já que namorar em paz estava sendo quase impossível, então só depois das seis tomaram banho e desceram para tomar café. Estavam sentadas no balcão quando o agente de plantão subiu as escadas e o celular de Claire tocou, o nome na tela, “Diretor Coalho #1”, deixava claro que o serviço delas estava para começar.
O agente Morrison deixou sobre o balcão um saquinho que ambas reconheceram como a cocaína que estava com Jeanne no dia anterior. Claire tocou a tela do celular e atendeu a chamada.
—As ordens Fury.
—Morrison está ai, Rogers?
—Ele e a Laura.
—Ele mostrou a droga?
—E me deixou confusa do porque está com isso.
—Os Griffin ligaram para Simmons assim que vocês entraram em casa, nossa chefe de biomedicina pediu para os agentes recolherem as drogas e testou.
—Algo incomum? –Laura estava preocupada com a namorada.
—Não na maior parte das drogas ou no sangue da garota e da Claire.
—Quando colheram o meu sangue? –A garota olhou para o agente que mostrou uma agulha e seringa. –Ah, quando eu estava no sofá.
—Tem algo nessa cocaína, não é mesmo? –A morena ainda estava preocupada.
—Traços de explosivo.—Houve silêncio dos dois lados, então Fury prosseguiu. —Não temos certeza como foi parar ai, porém houve uma aproximação entre traficantes e grupos extremistas no correr do último ano, acreditamos que eles tem feito contrabando conjunto.
—Isso eu já tinha ouvido falar em alguns relatórios, acho até que participei de uma missão a respeito. A questão é, o que significa para mim hoje? –Apesar de saber do perigo da droga contaminada, Claire queria mesmo era saber da sua missão, pois era o que podia fazer.
—Acontece que desde antes do problema na escola, esses grupos vêm se mobilizando para ataques, já que sua parceria é mais do que contrabando. Temos toda a sorte de imbecis e depois do que aconteceu com você, parece que todos resolveram colocar as diferenças de lado para... Acho que vocês entenderam.
As garotas e o agente suspiraram vencidos.
—Então nós temos extremistas religiosos, políticos e anti-mutantes, nazistas e todo o resto da escoria humana querendo causar a nossa morte e o caos, além da morte de inocentes, alegando que somos os culpados pelos seus surtos de violência. –Claire encarou Laura que tinha uma expressão furiosa, mesmo que suas palavras estivessem calmas.
A loira segurou a mão da namorada que a olhou mais calma, embora visivelmente incomodada com o problema maior.
—Quais as minhas ordens Fury?
—Fareje a droga, marque o cheiro do explosivo e vá para a rua, chame a atenção para onde vocês estão andando. Eles vão te procurar e causar o ataque onde vocês estiverem, então minimizem os danos e recolha o que puder de provas. Vocês terão o apoio direto de três agentes para chamar reforços e prender os suspeitos, assim como chamar quantos reforços forem necessários para qualquer eventualidade.
Claire e Laura se entreolharam.
Era hora delas sujarem as mãos um pouco.
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A primeira coisa que Nathan ouviu de James em mais de dois dias foi um grito. Não com ele, mas com um dos alunos da turma de segunda-feira do Howlett.
Mesmo achando que o amigo não estava de bom humor Nate seguiu até o canto da sala onde normalmente podiam conversar e observar os alunos. Não demorou e James parou ao lado do Summers apoiado na parede.
—Você costuma voltar bem-humorado depois de tanto tempo com ela.
Houve um momento de silêncio antes de James responder a pergunta implícita de Nathan.
—Ela ficou estranha antes de voltarmos. –O garoto suspirou. –Saímos para jantar e quando voltamos ela ficou pensativa, depois tirou a nossa roupa e me levou para a piscina. O que até pareceu legal, até eu notar que ela parecia desesperada. –James parecia pronto para matar alguém. –Quando perguntei o que tinha acontecido ela perguntou se não podíamos ficar lá, esquecermos de todos os nossos problemas aqui e sermos apenas quem somos lá.
—Acho que as coisas ficaram tensas.
—Não exatamente.
—Sério?
—Eu disse que mesmo que fugíssemos para lá, em algum momento teríamos que voltar, ela sorriu e disse que eu tinha razão, então transamos a noite toda até desmaiarmos de exaustão.
—Não parece tão ruim.
—Exceto que ela parecia desesperada para que aqueles momentos não acabassem, ela não queria voltar e parecia não querer dormir. –James suspirou. –Agora me sinto um cretino aproveitador.
—Te entendo. –Nate suspirou. –Elas se fecham para nós, depois, de uma hora para outra, se abrem de uma forma tão intensa que a gente ignora o motivo na hora, só que quando passa fica esse sentimento de que somos dois aproveitadores de meia tigela.
—Onde parece que a gente tá sempre se aproveitando das fraquezas delas.
—E elas das nossas. –O Summers riu. –É um problema de falta de comunicação.
—Um bem grande. –James fez um sinal para o amigo esperar e foi até um dos alunos em quem deu uma bronca, corrigiu o movimento que o garoto fazia e voltou. –Elas não se abrem com a gente para nada, mesmo sabendo que elas nos amam, isso doí.
—Para piorar nós somos coniventes com a forma como elas agem e se relacionam conosco, o que só piora a nossa culpa. –Nathan bufou. –Não entendo. Por que a gente não tenta mudar isso de verdade?
—E correr o risco delas fugirem de nós e dos nossos árduos esforços nos últimos treze anos? –James encarou Nate. –Quinze no seu caso.
—Verdade, tem isso. Até a sua irmã é mais fácil de conversar e se abrir do que elas.
—E a Laura deu algum trabalho para a Claire. –James respirou fundo. –E você, o que houve?
—Ela me dispensou ontem.
—Só por ontem ou...
—Só ontem. –Nate passou as mãos no cabelo parecendo cansado. –Bom, fiquei com ela na quarta pra quinta, sexta pra sábado, sábado o dia inteiro e sábado pra domingo. Acho que era demais pedir outra noite sem um intervalo.
—Levando em conta que ela teve uma crise de sede. –James apontou para o próprio nariz. –Acho que você ainda deu sorte.
—Eu sei. –Nate pareceu surpreso e encarou os alunos. –Coloque a mão no bolso. –James fez o que o amigo falou. –Seus dedos estão latejando?
—Um pouco. –O garoto suspirou. –Dormi pouco, está difícil controlar.
—Liga para sua mãe.
—Talvez.
—Falta muito pra sua aula terminar?
—Dez minutos, depois tenho algum tempo livre até a próxima turma.
—Vai agora, eu te cubro.
—Valeu.
James avisou os alunos que Nate supervisionaria o restante da aula e saiu apressado.
O Summers orientou os alunos a continuarem os exercícios e encarou a porta por onde o amigo havia passado.
—Por que isso ficou tão complicado?
Ele suspirou deixando a resposta que imaginava conhecer de lado e voltou sua atenção para os alunos.
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Claire e Laura fizeram exatamente o que Fury mandou.
Terminaram o café, se arrumaram e saíram de moto para o centro, mas não correram como no dia anterior, permitindo que o cinegrafista de moto as seguisse sem problemas até a delegacia de polícia onde procuraram o Oficial responsável explicando o que podiam e deixaram as motos por lá.
Depois as duas andaram até o centro da cidade que começava aos poucos a se agitar da forma como era conhecida pelo mundo; era sete e quinze quando se viram andando pelas ruas agitadas de Manhathan e apesar do clima, um pouco frio para as pessoas normais, Claire e Laura estavam de jeans, camiseta e blusa, o que ajudava a chamar a atenção de algumas pessoas.
Não foi difícil reparar que haviam tipos diferentes de reações a elas. Enquanto alguns as encaravam e desviavam como se elas fossem monstros, outros filmavam as duas e outras apenas passavam por elas sem ligar para quem eram. Ainda que a movimentação ao redor do centro estivesse um pouco incomum para uma segunda-feira as duas não estavam tão preocupadas com aquilo por hora.
—Vocês estão no topo das notícias nas redes sociais. Tem gente admirada de ver vocês em público e outras perguntando por que ainda não foram presas.—O agente Morrison informou pela escuta.
Claire riu olhando o celular, onde lia algumas mensagens de Christine.
—Acho que tudo bem. –Mostrou o celular para Laura que riu do que a namorada escreveu: “Chris mandou a gente tomar cuidado. Sentiu algum cheiro?”.
—Ela é uma irmã mais velha superprotetora, mas não.
Laura observou Claire mexer no celular, estava preocupada com o esforço que a loira estava fazendo. A mais nova estava com os ossos, órgãos e juntas transformados em diamante, o que estava colocando tensão em seus músculos e pele já que ambos continuavam parcialmente normais, mesmo assim a garota parecia relaxada aos olhos da mais velha, o que era preocupante.
—Isso vai demorar?
Claire olhou surpresa para a namorada, já que ela raramente reclamava de qualquer coisa, porém entendia a preocupação dela.
—É uma boa pergunta. –A loira acabou sorrindo com o olhar sério e preocupado da namorada. –Só espero não ter nenhum problema.
As duas continuaram a andar pelas ruas do centro da cidade, pararam para comer algo perto das oito horas e voltaram a andar.
Morrison havia atualizado que a presença delas na região estava basicamente sendo monitorada por redes sociais em geral e que a Shield estava tentando achar qualquer indício do ataque que esperavam na deep web. Infelizmente, com exceção de um deslize no começo da manhã sobre a Big Apple nada mais havia aparecido.
Mesmo assim, a grande preocupação de Laura ainda era a tensão que estavam colocando sobre Claire, não apenas na parte física como na psicológica com todos os problemas que estavam surgindo. A morena não ligava muito para aquelas questões em geral, a loira ligava e isso bastava para ela.
Perto das oito e meia Claire detectou o cheiro de explosivo que procurava e indicou a direção para Laura, que estava concentrada em farejar o lado oposto ao da namorada.
—O cheiro está muito forte, não pode ser apenas uma pessoa. –Laura observou focando no cheiro que vinha a duas quadras de distância de onde estavam. –Vindo do subterrâneo e saindo dos dois lados da rua.
As duas começaram a andar naquela direção, sem correr para não chamar atenção, pelo menos não no começo.
—Estão subindo do metro, não tem outra explicação.
—Deveriam ficar lá, o estrago da explosão seria muito maior.
—Eles querem ser vistos. –Claire estava ficando irritada, o que normalmente não era bom, exceto ali. –Aquela saída do metro é uma das movimentadas, sem falar que os arredores também são bem agitados.
Elas estavam a uma quadra de distância.
—Como resolvemos?
—Em cinco segundos, se possível.
Laura concordou e cada uma seguiu para uma das saídas.
Claire contou até cinco.
Um.
Ela correu até a saída do metro sentindo a tensão em seus músculos enquanto estendia a transformação de diamante já começada em seu tórax e dedos das mãos.
Dois.
Quando parou nomeio da multidão, algumas pessoas se assustaram, mas ela não ligou, se focou em achar seu alvo e encontrou o homem de cabelos castanho claro ao lado de um prédio parecendo querer se esconder.
Três.
Sentiu a cristalização se estender pelos braços, pernas e começar a alcançar seu abdômen no momento em que seus dedos cortaram as mãos e pés do homem rompendo qualquer gatilho ou chance de ativar a bomba manualmente.
Quatro.
Se concentrou em conferir se os lacres de plástico estavam estancando a hemorragia dos membros decepados e então se voltou para o homem, rasgando sua camiseta com as mãos para expor a bomba.
Cinco.
Ela só teve tempo de ver o cronometro zerar e agarrar o corpo dele contra o chão, absorvendo todo o dano possível da explosão com o próprio corpo.
Contou seis.
Sentiu a dor nas partes que não haviam cristalizado, pensando se a namorada teria tido mais sorte.
Laura também contou.
Um.
Se separou de Claire determinada a acabar com aquilo o mais rápido possível, ou a namorada não pararia de procurar.
Dois.
Se focou tanto em localizar o cheiro que parou logo atrás do homem de cabelos negros e pele clara que era o seu alvo. Se moveu sem nem pensar cortando automaticamente as mãos de pés dele, como Fury e Claire orientaram.
Três.
Teve a certeza de prender os lacres com força ou o infeliz morreria de hemorragia, depois puxou a camiseta dele com força para rasgá-la.
Quatro.
A bomba marcava dois segundos. Laura não teve dúvidas quando cortou uma parte dos explosivos e estraçalhou o dispositivo de contagem regressiva.
Cinco.
Arremessou as pontas de explosivo que ainda estavam presas aos restos do dispositivo de contagem em uma lixeira que estava no beco ao lado, mas nada ali explodiu.
O som de explosão veio do outro lado da rua.
Ouviu o chiado da escuta.
—Stardust foi atingida, dê prioridade para ela se seu suspeito estiver inconsciente.—Laura não questionou a ordem de Morrison.
Ela nocauteou o homem e seguiu para o outro lado da rua sem reparar que as pessoas próximas a ela já haviam se afastado o suficiente para o caminho estar livre e o trânsito parado. Quando chegou ao outro lado da rua viu os resquícios da explosão na calçada quebrada coberta de sangue e nas partes de um corpo estraçalhado.
Havia diversas pessoas amontoadas nas escadarias do metro enquanto a palavra “terrorismo” era gritada pelas plataformas. Também havia pessoas enfiadas nas lojas em busca de proteção e algumas poucas que pareciam corajosas ou curiosas o suficiente para se aproximar, algumas delas tinham o celular em mãos.
Laura se concentrou no corpo inteiro de cabelos loiros, caído perto dos resquícios da explosão e das grades do metro. Respirou fundo ao se aproximar da namorada, notando que as roupas de Claire estavam bem destruídas.
Se abaixou tocando o ombro da loira com cuidado.
—Me atrasei um segundo. –Ouvir aquelas palavras acalmou a morena que sorriu de leve.
—Você cobra demais de si mesma.
—Podia ser mais rápida do que fui.
—Todos podemos falhar. –Claire não respondeu. –Me deixe ver o estrago.
A mais nova resmungou um “fazer o que?” e Laura virou o corpo dela.
Enquanto via o abdômen parcialmente aberto, o quadril meio esmagado e exposto, os ombros e pescoço lacerados, assim como os braços rasgados de Claire, Laura se perguntou por que tudo aquilo ainda acontecia.
A raiva, as guerras, o ódio.
Depois de quase serem destruídos tantas vezes e sempre salvos por pessoas como elas, os seres humanos não aprendiam nada e ainda feriam ou tentavam ferir uns aos outros para culpar aqueles que eram diferentes.
Afastou tais pensamentos.
Odiava quando começava a pensar demais, era problemático porque começava a querer resolver tudo aquilo de uma vez. Não, aquilo era coisa da Claire e já havia decidido que não ficaria pensando sobre, apenas apoiaria a namorada.
Notou Morrison parar ao seu lado.
—Já estamos com o outro. A equipe de limpeza, remoção e resgate chega em uns cinco minutos se não tivermos surpresas. –Ele encarou Claire. –Isso tá feio sabia?
—Podia ser pior, mas logo eu fico inteira novamente. Pronta para outra. –Claire notou o olhar atravessado de Laura que a cobria com sua blusa. –Brincadeira.
—Bom mesmo.
Um homem se aproximou dos três parecendo irritado e Morrison se colocou entre ele e as garotas.
—Senhor, se afaste, por favor.
O homem encarou o agente e então falou, praticamente gritando.
—Você vai prendê-las por isso? Essas aberrações tentaram nos matar.
Morrison se sentiu irritado de verdade, mesmo assim manteve a postura séria enquanto os outros dois agentes se aproximavam dele.
—Senhor, as equipes estão com dificuldades de trazer os carros até aqui por conta da multidão que não quer dispersar, a equipe de peritos e bombas já estão com o terrorista sobrevivente. Devemos mover as agentes de resposta? –O homem negro de cabelo raspado e olhos escuros tomou a frente.
Morrison suspirou, ser agente sênior às vezes era difícil.
—Não Stone, vamos esperar. Monte um perímetro com o Braun. –Stone assentiu e saiu com o agente mais novo enquanto Morrison voltou sua atenção para o civil irritado. –Respondendo a sua pergunta, elas não serão presas. Elas estavam aqui para impedir e conter danos de uma ameaça terrorista, foi o que fizeram.
O homem se enfureceu e gritou.
—Então por que tem gente ferida ali?
Morrison suspirou cansado.
Estava querendo evitar o que viria, mas agora não tinha mais jeito.
—Traga eles aqui.
E ouvir o pedido de Claire não ajudava em nada.
Laura sentiu o sangue ferver e não sabia se era mais pelo idiota falando dos feridos ou pela irritante personalidade de Claire.
—Não. –Encarou a namorada que parecia confusa. –Você não vai fazer isso.
—Eles estão feridos porque eu falhei.
—Eles estão feridos e não mortos porque você serviu de escudo para eles, então não vou deixar você danificar ainda mais o seu corpo.
—Eu vou ajudá-los.
Aquela discussão iria longe e Laura sabia como terminaria: com Claire fazendo o que queria.
—Certo, vamos fazer isso. –Claire ficou surpresa com o que a namorada dizia. –Mas você vai transferir os ferimentos para mim.
—Não.
—Ou isso ou te tiro daqui nas costas para te impedir. E fique sabendo que vou saber na hora se tentar ficar com algum ferimento.
A loira não gostou das regras, mesmo assim concordou, especialmente porque Morrison só se moveu para permitir que os feridos se aproximassem depois do sinal de Laura.
A Howlett deixou o corpo da namorada sentado com o apoio das grades do metro e sentou do lado direito da Rogers. O primeiro foi o homem que antes gritava para elas serem presas, ele tinha uma criança chorando nos braços e ela tinha as pernas laceradas.
—É seu filho? –O homem não respondeu a loira, apenas se afastou como Morrison orientou.
Claire segurou o braço do garoto aonde a pele estava exposta e ele gritou, mesmo assim nenhuma das duas garotas se permitiu demonstrar dor ou pena. Não emitiram nenhum som mesmo diante da raiva do pai que era contido pelo agente ou dos gritos de parte da multidão contra as duas.
As vozes só pararam quando as pernas de Laura começaram a sangrar manchando o chão e o tecido de sua calça de vermelho. Em seguida o menino que havia parado de gritar levantou cambaleante e Morrison deixou o pai surpreso se aproximar dele.
Claire encarou o homem.
—Ele precisa comer e dormir imediatamente.
O homem piscou, concordou e pegou o filho nos braços saindo de lá as pressas.
Morrison permitiu que outras pessoas carregando feridos se aproximassem das garotas uma a uma. Havia uma mulher e um homem com estilhaços no peito, um homem com o abdômen rasgado, uma mulher com um estilhaço no pescoço e três adolescentes com lesões nas pernas.
Laura cuspiu sangue diversas vezes e uma verdadeira poça de sangue se formou sob o seu corpo, o que chamou a atenção de diversas pessoas que filmavam o que acontecia.
O último ferido era um homem com um ferimento na cabeça, o que fez Morrison se aproximar da jovem que o acompanhava.
—Desculpe, não podemos ajudá-lo.
A jovem chorava ao olhar o agente.
—Por que?
—O tipo de ferimento, é na cabeça e ela não pode transferir sem causar um dano que pode ser irreversível para qualquer pessoa.
—Deixe-me ver. –Morrison olhou para Claire. –Se for só pele e osso posso dar um jeito.
O agente suspirou e permitiu que levassem o jovem até a loira que tocou o rosto dele e fechou os olhos.
Levou um minuto inteiro até Claire abrir os olhos e assentir negativamente para Morrison que se aproximou da jovem que aguardava.
—O que houve?
—Tem um fragmento no cérebro dele, não posso nem mesmo tentar mexer.
—Então o que vai acontecer com ele? –A jovem parecia desesperada.
Claire respirou fundo, estava cansada de todo o esforço e todos os problemas que vinha tendo, dar notícias ruins não melhorava seu dia. Laura levantou ao seu lado, ainda ofegante.
—Ele é seu namorado? –A morena mesmo cansada, tendo perdido sangue e com o processo de cura ainda incompleto ficou parada de forma protetora ao lado da namorada.
—Noivo. –A mulher respondeu ainda chorando.
—Tem uma equipe chegando, eles podem estabiliza-o, não sei o que pode acontecer depois. –Laura esperou a mulher reagir.
—Então, talvez ele tenha uma chance?
—E sequelas provavelmente, mas sim.
A jovem se aproximou do homem caído.
—Posso acompanhá-lo.
Laura olhou para Morrison que tocou de leve o ombro da jovem.
—Me passe seus dados e os dele para liberar sua entrada e registrar o tratamento do seu noivo.
A jovem concordou e assim que ela começou a conversar com Morrison a equipe médica liderada por Jemma Simmons chegou.
—Agora posso descansar. –Resmungou Claire.
Jemma se aproximou da loira.
—Só você para me fazer sair do laboratório preparada para uma guerra.
Claire sorriu.
—Valeu Jem, posso dormir um pouco?
—Pode, te acordo na Shield. –Simmons olhou para Laura. –Você pode relaxar, estão seguras agora.
A morena sentou ao lado da namorada, mas só se deixou dormir quando ela e Claire já estavam no caminhão.
Já Morrison olhou no relógio.
Nove horas.
Suspirou cansado.
Agora teria que lidar com os policiais, FBI, CIA, NSA e todas as outras agências governamentais que achassem que tinham algum direito a explicações.
O agente se focou no lado positivo: evitaram os danos mais graves que podiam ter.
E as garotas até que estavam bem apesar de tudo.
Um bom dia.
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Quando Sharon soube das ordens de Fury para Claire e Laura, ela duvidou seriamente da sanidade mental do chefe e amigo, porém decidiu esperar. Claro que essa impressão não melhorou quando o pedido de suporte chegou, mas agradeceu que foi Natasha quem cuidou das ordens e que Simmons se prontificou a ir verificar as garotas pessoalmente.
Mesmo assim Sharon só se acalmou quando Jemma informou a situação e, ainda que tenha se preocupado com a atitude da filha sobre os feridos, agradeceu a intervenção de Laura, até porque não havia muito que ela pudesse fazer sobre a forma como havia educado Claire para agir.
Estava pronta para ir até a ala médica esperar as garotas quando foi chamada para o escritório do Diretor. Não negaria que estava irritada com Fury, porém sabia que não havia muito que pudesse fazer, antes ou agora.
Entrou na sala tentando manter a calma e deu de cara com Steve e Coulson conversando com o Diretor. Sharon não pensou antes de correr até o marido e abraçá-lo com força.
—Ah meu Deus, quando você voltou? –Ela se afastou um pouco de Steve notando a aparência cansada dele.
—Meu quinjet aterrissou a uma meia hora ou menos, o Fury me chamou pelo rádio antes mesmo de chegar.
—E já que estão todos aqui nós podemos começar. –Todos olharam para o homem de tapa olho sentado em uma mesa cheia de hologramas com informações.
—Pensei que o Tony estaria aqui. –Steve pareceu preocupado.
—E eu estou Capitão, só não fisicamente.—Uma tela holográfica maior do que as outras apareceu na ponta da mesa de Fury. —Lamento, estou resolvendo uma centena de problemas aqui e a Pepper no escritório com outra centena.—E enquanto falava todos podiam ver o Stark mexendo em outras coisas a sua frente e com um óculos que parecia passar textos na lente.
—Bom, todos temos dias cheios, fico feliz em saber que está bem meu amigo.
—Digo o mesmo Picolé.
Steve apenas riu.
Estava tão cansado e preocupado com tudo nos últimos dias que as piadas familiares de Tony o acalmavam.
Todos sentaram e Fury tomou a frente.
—Sobre o incidente de hoje, apesar de um ferido grave e da Claire ter se machucado ao conter a explosão, os danos gerais foram mínimos. O relatório preliminar passado para as outras agências foi bem recebido e encaminhado para o Congresso para distribuição na junta de Segurança.
—Não temos risco de algum senador anti-mutante vazar as informações? –Coulson se preocupou.
—Não, porque eu já cuidei para que duas emissoras grandes e sérias se comprometessem a vincular a notícia com o relatório. Em troca eu e Pepper prometemos uma entrevista conjunta com os Parkers.—Tony parecia cansado só de mencionar a tal entrevista. —Felizmente, como a entrevista será uma colaboração das duas vamos precisar fazer isso só uma vez. O que me lembra que a Claire vai ter que participar de uma dessas, o que eu explico depois.
—Eles pediram isso? –Fury.
—Está mais para perguntaram se era possível, eu disse que tem uma série de questões legais antes de se quer pensar em colocá-la na frente de uma câmera para ser entrevistada, uma vez que ela é menor de idade; claro que eu não neguei completamente a possibilidade de uma entrevista ou algo do tipo, mas explico isso melhor depois. Em todo o caso, também pensei em Hill ou Daisy ou um dos amigos maiores de dezoito dela, talvez a Christine.
—Bem, ela é a melhor amiga da Claire e acho que é uma opção viável. –Steve comentou um pouco distraído. –Mas acho que podemos mandar o James junto nesse caso, afinal ele é o melhor amigo dela.
Todos olharam para o Capitão confusos.
—Admito que gostei mesmo dessa ideia.
—Vocês querem mesmo colocar os dois em uma conversa com a imprensa onde ambos podem explodir de raiva dependendo do que falarem? –Coulson.
—Na verdade, a ideia não é de todo ruim. –O agente olhou surpreso para Fury. –Por mais apegados a amiga e temperamentais que os dois sejam, James tem uma boa diferença de idade para a Claire e Christine um sobrenome forte. Duas coisas que podem ser úteis.
—Nesse sentido, se não fosse o relacionamento de James com a mãe ser como é, poderíamos usar o nome dela. Afinal, o nome dela tem um certo peso. –Sharon.
—Outra verdade, mas não vamos nos meter nesse assunto. Se precisarmos, eu mesmo falo com ela como diretor da Shield, não através do garoto. –Fury tocou em outra tela mostrando vídeos amadores, um onde Claire e Laura atacavam os terroristas, outro onde a loira continha a explosão e vários em que as duas curavam os feridos ao custo de si mesmas. –Apesar de essa não ter sido uma parte programada da missão das garotas, as imagens dos vídeos circulando pela internet e jornais estão tendo uma recepção positiva muito maior do que qualquer um poderia esperar. Comparado com antes, é uma mudança significativa da opinião pública que agora veem ambas como “protetoras” do país e do povo.
—Não sei se esse é um bom título, embora seja melhor do que os anteriores. –Coulson comentou. –Mesmo assim, acho que podemos dispensar a Claire de missões em geral por algum tempo.
—Tipo um castigo? –E Sharon não parecia feliz com a ideia.
—Tipo férias. –Coulson clicou na tela que mostrou as informações sobre Claire. –Nos últimos anos ela realizou diversas missões, algumas do nível dos Vingadores, sem falar das aulas na Shield e no Instituto que ela ministra e assiste. –O agente fez os dados sumirem. –E nas próximas semanas representantes do Escritório Regional da Educação podem vir aplicar as provas formativas que requisitamos. Provas surpresa, eles insistem.
—Férias então? –Fury perguntou e todos concordaram. –Vou abrir uma exceção para casos especiais, mas a princípio ela fica dispensada das missões por um mês.
—E as outras atividades? –Steve estava preocupado deles estarem cortando tudo que a filha normalmente fazia.
—As aulas vão continuar, bem como os treinamentos e vou colocar a Claire para estudar novos temas ou se aprofundar em antigos aqui, no Instituto e no Stark. –Fury parecia tranquilo ao dizer aquilo.
—Estamos mesmo colocando ela de férias?—E apesar da ironia Tony não era o único com essa dúvida.
—É o mínimo que podemos fazer para ela aceitar as férias das missões. –Fury destacou outra tela. –Laura vai participar das mesmas atividades e também será colocada de férias forçadas, pedido do Instituto e, considerando as missões que ela realizou enquanto esteve fora, eu concordei.
—Alguma chance da Emma aceitar aparecer na entrevista?—Tony cortou o diretor, embora o mesmo não parecesse incomodado.
—Acho que não vai ser um problema para ela, até porque o pessoal do Instituto quer toda essa situação resolvida. –Fury fez uma tela maior se destacar. –Além disso, a verdade é que todos vão passar pelas provas formativas da Regional de Educação.
—Até James e Maria? –Steve ficou preocupado, assim como Tony do outro lado da tela.
—Até eles Capitão, o que inclui todos os jovens do Instituto e os recém-chegados Lehnsherr, não conseguimos manter nem os asgardianos de fora. –Fury suspirou cansado daquele problema. –Quero garantir que todos possam se livrar do problema com a escola que hoje entrou com um processo administrativo para cancelar todo o período de formação dos garotos feitos lá.
—Por que isso? –E dessa vez Steve estava realmente irritado.
—Eles alegam que as crianças usaram de “meios escusos” para fazer as provas e outras atividades.—E a cara de Tony estava bem ruim, como se ele mesmo quisesse bater em alguém da escola. —Como podemos provar sobre os estudos de todos, especialmente os da Claire, Tristan e Robert que tem as maiores notas, a denúncia deve ser anulada ainda essa semana.—O Stark jogou uma pasta sobre a mesa a sua frente e grunhiu irritado. —Estou realmente de saco cheio dessa maldita perseguição.—Bufou. —Pelo menos fizemos bem em seguir a recomendação da Hill e tirar todos dessa escola ou teríamos problemas ainda maiores a essa altura.
—Mesmo assim Tony, essa situação é completamente absurda. –Sharon realmente não estava de bom humor. –O que fazemos agora?
—Agora vocês preparam as garotas para uma visita da mídia que já está acompanhando partes do tratamento de ambas com dois cinegrafistas das duas emissoras que citei. Entre hoje à noite e amanhã à tarde, dependendo de como as coisas ficarem, eles vão fazer cerca de dez perguntas no máximo para as duas, todas previamente aprovadas pela Pepper e pelo Fury ou pela Hill.—Tony mexia nas coisas do seu lado da tela.
—Essa é uma boa ideia? –Sharon.
—Espero que sim, foi parte da barganha que fiz com eles sobre a imparcialidade na divulgação do relatório e da entrevista conjunta, mas já avisei que as perguntas devem ser sérias e que algumas podem ser retiradas dependendo do teor. Então é um risco que vamos correr.—Tony pareceu notar algo do seu lado da tela. —Bom, desculpem, tenho que ir agora.
—Se cuida Tony. –Steve acenou para o bilionário que desapareceu. –Qual nosso próximo movimento?
—Eu tenho que esperar Hill voltar da audiência de Cassandra Lang, lidar com o caso da Jocelyn e ver os resultados das suas viagens Capitão, além de ver se o time de cyber-espionagem conseguiu achar os caras do ataque ou algum relacionado. Então, posso saber sobre os dois tópicos aqui presentes?
Coulson respirou fundo e tomou a frente.
—Depois que Tália saiu ficamos até as três da tarde tentando contê-la e, por fim, deixarmos na zona verde sob a supervisão do Conner e da May. Os estragos não cresceram muito além do primeiro relatório, mas decidi que a Jocelyn fica na zona de contensão verde por uma semana ou mais, dependendo que acontecer.
—Bom, pelo menos ela não vai aparecer de surpresa para ajudar a tornar tudo mais difícil do que já está. –Steve comentou.
—E eu já despachei os relatórios sobre o incidente para as outras agências, já que os estragos foram grandes. –Coulson repassou uma pasta para Fury. –Esse é o relatório complementar de danos, ainda estou esperando o relatório da psiquiatra para o final da semana.
—Ela vai falar com a psiquiatra? –Fury pareceu duvidar.
—Se quiser sair da contenção e continuar a viver sem uma coleira de bomba no pescoço, sim. –Coulson estava sério.
—Nós temos coleiras de bomba? –Já Steve estava surpreso.
—Não, mas ela não precisa saber disso. –Steve riu da afirmação de Coulson.
O Diretor verificou as informações gerais do relatório e suspirou.
—Como essa garota pode ser tão insuportável?
—É uma boa pergunta. –Os outros comentaram
—Enfim, vamos deixar a situação deplorável dessa garota de lado, ela não aceita ajuda mesmo. –Fury olhou para Steve. –Como foram suas viagens?
O Capitão sorriu cansado.
—Melhor do que esperava, ainda assim difícil. –Steve conectou o celular a rede da Shield. –Falei com todos os congressistas que foram ao meu casamento, aqueles que entraram em contato com você perguntando se a Claire era minha filha e mais um que é meu amigo. Infelizmente três, filhos de colegas meus dos tempos de guerra não puderam me receber, então dos vinte e sete que eu tinha que falar vinte e quatro já estão com a gente. –Steve suspirou. –Só que todos eles querem conhecer a Claire pessoalmente, então fiquei de dar um retorno e informar a data para isso.
Fury pareceu pensar um pouco enquanto encarava o calendário em uma das telas.
—Em pouco mais de um mês temos a audiência no Congresso para explicações, então podemos marcar para daqui umas duas semanas?
—Acho que não tem problema, mas afinal, quando é essa audiência? –Steve.
—Quinze de novembro.
Todos suspiraram.
—Esse vai ser um mês muito longo. –Sharon comentou.
—Nem me fale. –Fury viu que eram nove e quarenta e cinco. –A audiência da Cassandra começa em quinze minutos.
—Quem está lidando com isso mesmo? –Steve estava curioso sobre aquilo.
Ele conhecia Cassie e sabia que a situação da garota com a mãe era tumultuada, ainda que não pudesse fazer nada mesmo sendo um “herói”, não quando a lei garantia a Meggie o direito de afastar suas tentativas de ajuda.
—Meus filhos e a Hill. –Todos olharam para Fury. –Decisão da minha mulher, não minha.
Todos riram da cara do Diretor e deram a reunião por encerrada.
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Claire estava deitada no quarto da ala médica e na cama ao lado Laura fingia dormir.
Aquele era um quarto de observação, por isso o espelho falso permitia que os dois repórteres com os cinegrafistas ficassem de olho nas garotas junto com um agente de supervisão, que controlava não apenas o que eles poderiam ver como o acesso as câmeras de segurança do quarto.
A loira sabia que aquilo devia ser obra de alguma ideia do Diretor ou do seu padrinho, então não ligava muito de estar sendo observada.
Estava cansada.
Jemma havia, literalmente, revirado suas tripas cristalizadas para fora do corpo para retirar qualquer fragmento de bomba e depois, quando a médica havia feito o favor de recolocar seus intestinos no lugar certo, teve que parar a cristalização, o que gerou um nada pequeno rio de sangue, para agilizar o processo de cura. Então foi deixada com uma Laura silenciosa e irritada no quarto de observação até que a doutora Simmons voltasse com a comida, parte essencial do tratamento, como bem sabia.
Suspirou cansada do silêncio que a namorada impôs desde que acordaram para o check-up obrigatório da missão.
—Até quando vai fingir que está dormindo?
—Até quando vai continuar se arriscando e me deixando preocupada?
—Por favor Laura, eu sei que você me entende muito mais do que gostaria. Entende o que sinto sobre ajudar pessoas em situações como aquela, não faça isso.
A morena ficou em silêncio, ainda de olhos fechados, por quase um minuto inteiro.
—Eu entendo. –Ela se virou na cama ficando de frente para a namorada e a encarou. –Mas, sinceramente, não gosto nada quando você se machuca, muito menos quando isso é consequência de transferir os ferimentos de outros quando você mesma já está ferida.
—Você sabe que eu não vou morrer por isso, não tem problema ajudar essas pessoas.
—Não te mata, mas te faz mal. –Laura suspirou vencida. –Seu coração tá no lugar certo de um modo tão irritante que às vezes dá raiva não poder mover ele um pouco mais pro lado.
Claire riu.
—Não é bem verdade, eu perco o rumo de vez em quando, o caso de tentar bater no Josh é um exemplo.
—Querer bater naquele idiota não é prova do seu desvio de caráter, é comprovação de que você é certinha demais.
—A maioria das pessoas discorda de você. –A loira parecia um pouco irritada.
—A maioria das pessoas teria batido nele por bem menos do que aquilo. –Laura levantou da sua cama e sentou na da namorada. –Por que brigou com a Jocelyn?
—O que diabos aquela desgraçada tem a ver com isso? –A morena apenas continuou encarando Claire na espera por uma resposta. –Ela chamou a Alexis e o Max de aberrações, disse que a Chris era uma bastarda sem pai e filha de uma vagabunda, que eu deveria parar de ser tão idiota e imitar a Rasputin, terminar meus estudo de uma vez e ir salvar o mundo com os Vingadores. –A garota pareceu parar pra pensar antes de continuar. –E ela falou que o seu irmão era uma criança indesejada que ninguém queria, por isso a mãe abandonou ele, só que o James não estava lá.
—E o que nisso tudo realmente te irritou? –E mesmo com a impressão de que Laura sabia a resposta a loira falou.
—O que ela disse dos meus amigos. –As palavras saíram como se fosse óbvio.
—E você se arrepende de ter batido nela por isso?
—Me arrependo de todo mundo que se machucou tentando apartar a briga. Os gêmeos russos quase morreram quando aquela Hulk feminina preconceituosa deu aquele tapa neles e o Stark quebrou os dois braços e pernas. Sem falar que a Alexis indiretamente arrancou o próprio braço para me parar, sorte que ela se cura melhor do que eu.
Laura tinha um sorriso suave e realmente sincero quando continuou.
—E a surra que você deu nela?
—Daria de novo. Se ela quer falar de mim ou ser maldosa a meu respeito, tudo bem, mas não das pessoas que eu amo, meus melhores amigos.
—Viu, seu coração tá tão certo no lugar que eu tenho muitos motivos para me preocupar.
Claire sorriu para o rosto preocupado de Laura e segurou a mão dela.
—Eu vou tentar te preocupar menos, de verdade, só não garanto nada.
—É um começo. –A morena comentou conformada e então olhou na direção da barriga da namorada. –Como está a cura?
—Já terminou, por quê? –Laura não falou nada, apenas sorriu e terminou de subir na cama de Claire, sentando sobre a barriga da loira. –Ei, o que você tá fazendo? Eu ainda estou de observação e a Jemma te mata se vê isso.
—Tudo bem, eu peço desculpas para a Simmons quando ela voltar. Agora pare de ser chata, quero te beijar.
—Eu estou com fome e tem gente olhando do outro lado do vidro.
—Eu paro quando a doutora chegar com a comida e só vou ter beijar, não transar com você. Além disso, você é muito pior do que eu nesse sentido.
Claire riu.
—Verdade.
E antes que a loira pudesse falar mais alguma coisa, Laura se inclinou sobre ela e a beijou. Claire não reclamou, apenas retribuiu o beijo e se deixou envolver pela sensação boa de cuidado e preocupação da namorada abraçando-a.
Quando Laura interrompeu o beijo, Claire pensou que poderiam conversar um pouco sobre o que aconteceu mais cedo e, com alguma sorte, deixar a namorada menos preocupada por um tempo, mas a morena retomou o beijo assim que recuperou o folego. Continuaram daquele jeito por mais de cinco minutos até a porta abrir e Jemma entrar no quarto ao lado de uma jovem de cabelos castanhos parecida com a médica.
—Eu nem vou falar nada sobre o repouso, você nunca me ouve mesmo. –As duas se afastaram e Claire riu.
—Desculpa tia, dessa vez a culpa não foi minha.
Jemma olhou para Laura que estava sentada na beira da cama parecendo a beira de um colapso de tão vermelha, o que a fez rir.
—Tudo bem, eu te entendo Laura. A Daisy implicou comigo e com o Leo até ficarmos menos tímidos do que éramos e mais um pouco depois até ficarmos relaxados como somos hoje. –A mulher fez um movimento com as mãos indicando para Claire subir a camiseta e começou a observar o abdômen da garota confirmando a recuperação total.
—Posso imaginar. –A Howlett respondeu um pouco constrangida e então encarou a garota. –Olá Liz, como tem passado?
—Bem, eu e a Leonora estamos no monitoramento por hora, pelo menos não ficamos encrencadas. –A garota suspirou. –Embora eu ache que podia ter feito mais para evitar todo esse problema para vocês.
—Não pense isso, apenas relaxe. Você e sua irmã puxam muita responsabilidade para si. –Jemma repreendeu de forma carinhosa a garota.
—Daisy diz que a senhora era igual quando mais nova, mamãe. Até hoje na verdade. –Liz olhou para Claire. –Seu pai está na Shield, mas obrigamos ele a ir dormir, já que faz dias que o Capitão mal tem tempo para um cochilo. Depois de algumas horas de sono ele estará autorizado a te ver.
Jemma se afastou do aparelho que monitorava os batimentos de Claire o desligando.
—Traga o carrinho para dentro Elizabeth. –Liz fez o que a mãe mandou e a médica voltou sua atenção para as garotas. –Vocês vão comer e então dormir por, pelo menos, duas horas, apenas dormir. Depois libero as duas para andarem por ai, entenderam?
Claire e Laura concordaram.
Dessa vez elas obedeceriam às ordens médicas de Jemma Simmons.
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Continua...
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No próximo capítulo: Audiência Familiar.
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