Marvel Universe: All Different World

30 Capítulo XXX: Pepper – Receber Visitas Às Vezes Dá Trabalho.


Notas iniciais
Atualmente posto minhas fics nos seguintes sites/plataformas de fanfics e histórias: Spirit https://www.spiritfanfiction.com/perfil/eucaristia Nyah! https://fanfiction.com.br/u/175167/ Wattpad https://www.wattpad.com/user/LillielEucaristia Acompanhe. Comente. Incentive. Todo autor precisa de sua dose de retorno para que as histórias não morram. Também escrevo uma série baseada em Percy Jackson e os Olimpiano, quem tiver interesse pode visitar meu perfil.

Data Terrestre: 07 de Outubro

Eu tive uma madrugada cansativa e como não consegui dormir depois que Ur foi levada pela Helena com os irmãos comecei a trabalhar.

Eram duas da madrugada e desde aquela hora eu não fui dormir.

Passei boa parte da madrugada cuidando dos assuntos da empresa pelo tablet com a ajuda do Jarvis (que felizmente não precisa dormir como eu) enquanto Tony ficou cuidando de Daniel (que parecia à beira de um ataque).

Às oito nós meio que trocamos de função.

Tony começou a cuidar das coisas da empresa enquanto eu fiquei de olho no garoto. Até quando os gêmeos passaram pela porta precisei continuar focada no Dan, mesmo com a conversa que Natasha teve comigo sobre Wolf e Alexa, porque eu tinha um meio alienígena com um simbionte para lidar antes de me preocupar com os problemas de romance entre o lobo asgardiano e a esquentada da minha sobrinha (aliás, isso nem chega a ser um problema se Alexa realmente gosta do garoto).

Agora que Ur finalmente voltou (deixando Daniel não apenas mais calmo como sonolento) eu precisava ver se a cozinheira nova está se entendendo com a antiga para arrumar o almoço. Ver se o Tristan não está pirando na oficina, apesar de ele não estar falando muito comigo nos últimos dias. Confirmar que o Tony não destruiu as empresas (ou resolveu gastar dinheiro em um projeto que não devia); verificar os depósitos de mesada para os meus afilhados (que entre os meus e os do Tony são uns dez). Descobrir o que Robert e Alexa estão fazendo, verificar os filhos do Loki; ter certeza que May, Maria e James não destruíram nada importante (porque algo eles certamente destruíram). Reportar a situação de cada filho para seu responsável (e torcer para não ter nada de grave para dizer).

Passei pela cozinha e apesar de um ou outro problema estava tudo certo.

Daniel havia dormido na sala, então eu tinha pleno controle do que ele estava fazendo.

Resolvi ver o que Tony havia feito na empresa, sentei no outro sofá da sala e verifiquei pelo tablet (e um visor digital), dessa vez, estava tudo muito bem. Ele até aproveitou para aprovar o projeto que debatemos ontem e me deixou um novo projeto para analisar. Como parece interessante acho que vou dar uma atenção extra.

As mesadas estavam depositadas, mas sei que a maioria das crianças não usa esse dinheiro (a Claire mesmo nunca usou), então não tinha com que me preocupar. Até mesmo Maria já havia surripiado a torta de sábado como sempre acontecia e que várias pessoas já haviam comido a sua parte da sobremesa, o que significa que apesar de ser quase onze horas o meu dia ainda seria longo.

Encarei Daniel que ainda dormia profundamente e levantei descendo até a oficina onde Tristan mexia nas peças de sua futura armadura.

Suspirei vencida.

Apesar de ter sido eu que disse que ele precisaria de uma em breve e estimulei a fabricação da armadura aquilo ainda me incomodava, menos que o fato daquela sensação de que apenas assim poderia proteger meu filho um pouco mais, ainda que mais do que gostaria de admitir. Podia sentir no meu coração que aquilo foi certo, o que não deixava de ser desconfortável.

—Vai ficar me encarando até quando mãe?

Acabei sorrindo por ele ter me notado ali.

—Desculpe, estava apenas pensando um pouco. –Sentei ao seu lado. –Como está indo com a armadura?

—Papai mandou eu fazer a maior parte do trabalho bruto, só depois ele vai me mostrar os erros e ensinar como corrigi-los. –Ele me encarou. –Claro que ele me mostrou os esquemas e explicou muitas coisas, só que também chamou essa parte do trabalho de “lição de casa” e deixou o Jarvis responsável por ter certeza que não vou explodir a torre. Até que eu gostei dele me dar essa liberdade pra trabalhar, me dá a chance de pensar em tudo que tem acontecido. –Ele voltou a mexer na peça sobre a mesa.

Precisei realmente me segurar para não ser muito óbvia, ainda que o máximo que conseguiria hoje era ser delicada e não desviar do assunto como tenho feito.

—E conseguiu pensar bem?

—Acho que sim.

—E?

Tristan parou o que fazia e me encarou.

—Como assim “e”?

—E o que decidiu fazer?

—Sobre?

Suspirei um pouco decepcionada.

Ai lembrei que a culpa foi minha porque por um minuto esqueci que ele também é filho do Tony.

—Tristan, eu não sou o seu pai, sei que está acontecendo algo e quero só que você fale comigo. Então, vou precisar ser mais direta ou você prefere falar comigo?

Ele suspirou vencido e deixou a peça do balcão levantando e indo na direção da geladeira da oficina, quando voltou tinha uma garrafa de vinho na mão. O único tipo de vinho que eu deixava ele beber (porque descobri que impedir um Stark maior de doze anos de beber em festas é impossível) e mesmo assim apenas em ocasiões muito específicas (como assuntos realmente delicados, fosse para ele ou para mim e o Tony).

Tristan sentou na poltrona de descanso e eu fui sentar na outra ao lado enquanto ele servia o vinho em dois copos que tinha trazido da geladeira. Ele encheu os copos e me entregou um, bebi um gole esperando que meu filho dissesse algo e tudo que Tristan fez foi esvaziar metade do copo.

—Eu não sei por onde começar.

—Pela parte mais óbvia, eu diria.

Seu rosto estava vermelho, mas agora eu não saberia dizer se pelo álcool ou de nervoso.

—Queria conversar com a Claire, só não achei tempo.

—Nunca se acha tempo com a Claire, você marca um dia e um horário para ela vir e conversar. Todo mundo sabe disso a anos.

—Verdade. –Tristan respirou fundo e me encarou parecendo até um pouco amedrontado. –Eu sou bissexual.

Tomei outro gole de vinho e suspirei contendo o sorriso.

—Seu pai e o Peter acabaram de perder uma bela de uma aposta.

—Como?

Sorri para Tristan e segurei sua mão.

—Apenas respire e se acalme, está tudo bem e seu pai não vai ficar bravo. –Pensei um pouco. –Talvez ele fique, mas não por isso.

—Como assim?

Acabei rindo.

—A algum tempo eu, seu pai, o Peter e a Mary Jane estávamos conversando quando Tony falou daquela menina que você namorou por uns dois meses, lembra dela? –Tristan assentiu. –Peter achou que era um sinal de que você tinha tudo para ser igual seu pai quando novo, já o seu pai disse que achava que você era gay e não foi em tom de brincadeira ou de desgosto. –Tristan estava mais vermelho do que antes e dessa vez eu sabia que era de vergonha. –Eu e Mary Jane achamos que os dois estavam errados e você era bi ou algo do tipo, o que deve ser o caso, mas como os dois não queriam sair perdendo resolveram fazer essa aposta, que aliás dá o direito que nós duas escolhamos o destino das próximas férias em família.

Tristan levantou agitado.

—Papai acha que eu sou gay?

—Acha, mas não sei por quê.

—E você achava que eu era bi?

—Nunca achei, eu sempre soube.

—Como?

—Eu sou sua mãe.

—Mas nem eu sabia disso a algumas semanas, na verdade eu ainda estou putamente confuso demais com isso e queria falar com a Claire antes de contar para vocês.

—Por isso que falei que deveria ter marcado um horário de uma vez, especialmente no meio dessa confusão.

—Eu só não entendo como você e até o papai poderiam saber ou desconfiar disso antes de mim.

—Por que somos seus pais e te amamos, o resto é só um detalhe.

Tristan parecia cada vez mais frustrado com tudo que estava acontecendo, tudo que ainda parecia tão bagunçado na sua cabeça. Levantei e fui até ele o abraçando por um longo tempo, quando me afastei notei que ele parecia envergonhado, ainda que não tivesse razão.

—Sabe o que precisa fazer agora? –Ele negou. –Ligar para a Claire ou para a Alexis e pedir para conversar, pelo visto você precisa disso mais do que eu ou seu pai. –Ele assentiu, o problema é que eu conheço esses Starks e suas confirmações mudas, então peguei o celular no bolso e entreguei para ele. –Não adie isso, não tem sentido em ter vergonha ou medo.

Tristan pegou o celular e se afastou me deixando com a garrafa de vinho e tempo de digerir a confirmação da notícia. Realmente, eu queria saber por que o drama, mas ai lembrei que meu filho sempre foi um pouco sensível (ou inseguro, não tenho certeza) sobre a opinião das outras pessoas.

Vi Tony descer um pouco curioso e tentando não demonstrar isso, o que estava dando muito errado. Logo que me viu sentada com o vinho ele foi até a geladeira e pegou uma garrafa de suco sentando no lugar que Tristan estava antes.

—Conversou com ele?

—Sim, na verdade achei que ele fugiria.

—É de família, os Starks tem essa propensão a evitar assuntos que julgam complicados.

—Fico muito feliz que admita isso.

—Não que os genes dos Potts sejam menos complicados. –Acho que ele se assustou com o meu olhar porque logo acrescentou. –Você realmente foi difícil de conquistar.

—Eu tinha motivos para isso.

—Verdade. Eu não era o melhor partido naquela época, mas você fez questão de dificultar o meu caminho. –Ele finalmente começou a tomar o suco antes de chegar onde queria. –Então, por que ele estava estranho?

—Porque eu que escolho nosso próximo destino de férias. –Tony pareceu um pouco confuso. –Eu e Mary Jane ganhamos a aposta.

Tony ficou surpreso.

—Sério?

—Sim.

—Que pena, eu jurava que dessa vez minha intuição ganharia da sua. –Ele tomou mais do suco enquanto observava Tristan ainda no celular. –Está falando com a Claire?

—Parece que ele ainda está confuso com tudo e como sempre estava esperando a hora aparecer para falar com ela.

—Isso é uma escolha idiota. Nem eu consigo simplesmente que uma hora apareça para falar com ela e a Claire é minha afilhada. –Tony suspirou. –Nunca conheci uma adolescente tão atarefada quanto essa garota, mesmo que esses dias ela esteja em casa não é como se seus horários estivessem livres.

—Realmente, tá mais para prisão domiciliar. –Vi Tristan voltando na nossa direção um pouco inseguro, porém tudo que eu e Tony fizemos foi sorrir. –Falou com ela?

—Sim, ela disse que vem aqui amanhã para conversarmos. Também disse que vai trazer a Laura e que se eu me sentir mais confortável devo chamar a Alexis também. –Ele me encarou um pouco frustrado. –Afinal de contas, isso era tão óbvio assim.

Acabei rindo.

—Não Tristan, não era. Acho que a Claire só falou da Alexis porque ela mesma anda sobrecarregada e sabe que você se entende bem com a nossa russa loira. –Agradeci que Tony pensasse o mesmo que eu. –Então, apesar de ter perdido uma aposta para sua mãe, eu estou feliz que você esteja falando com a gente. –Tristan ficou desconfortável, o que fez Tony suspirar vencido. –Tudo bem, não precisa falar comigo disso agora, o que acha de me mostrar o que já tem da sua armadura para começarmos a trabalhar?

Tristan sorriu parecendo gostar da ideia e resolvi pegar a deixa para as outras coisas que ainda precisava lidar, ainda ia tentar falar com ele mais tarde, quando eu não teria mais problemas (ou esperava não ter) e meu filho estaria mais calmo.

Deixei Tony e Tristan na oficina e subi para ver como estavam os preparativos do almoço.

Tentei encontrar Alexa e descobri que a última vez que a viram foi quando ela comeu o pedaço da torta que Maria distribuiu. Também confirmei os estragos que May, James e Maria haviam feito: uma porta de vidro trincada, dois vasos quebrados e um sofá rasgado, mas até ai eu já tinha visto estragos piores e os vasos eram baratos (tirei os vasos caros de casa depois que eles quebraram três em um único dia).

Mary Jane havia deixado um aviso de que voltaria tarde por causa do serviço e depois teria um encontro com Peter ou, pelo menos, foi o que os dois disseram; acho que só querem uma noite sozinhos (preciso lembrar de ver com o Tony para também fazermos isso essa semana).

Encontrei Robert lendo um livro no sofá do escritório, ele mesmo não sabia da irmã; resolvi esperar mais um pouco para me preocupar. Já era meio dia e meia, fazia duas horas que Ur e os irmãos haviam voltado, então desci para piscina, onde encontrei a asgardiana deitada em um tipo de colchão de gelo dentro da piscina, o colchão parecia toda hora ficar com mais ou menos água do que antes, achei melhor ignorar aquilo.

—Ur?

Ela abriu os olhos azuis parecendo cansada.

—Oi Pepper, algum problema?

—Eu que pergunto, tudo bem com você?

Ela sorriu.

—Estou bem, só cansada, mas não quero dormir agora.

—Ela está com medo de dormir e ter pesadelos. –Me virei um pouco assustada quando dei de cara com Jason deitado na espreguiçadeira. –Já eu estou um misto de ansiedade e vontade de ir dormir na minha cama.

—E Wolf? –Era o único na Torre, além da Alexa, que eu não sabia onde estava.

—Na sua arena de treinamento. –Ur comentou distraída.

—Pelo menos era lá que ele disse que estaria. –Jason acabou dando uma risada divertida. –Acho que vi a garota ruiva indo para lá mais cedo.

Ouvir aquilo me deixou tensa, especialmente com as palavras de Natasha ecoando na minha mente “As semelhanças da Alexa com a Claire que me preocupam são sobre como as duas podem ser intensas quanto ao que sentem, então se a minha filha gostar mesmo desse filho de Loki... Que qualquer deus no mundo me faça o favor de dar muita calma ao Clint, porque eu não vou aguentar ele dando chilique sobre como a filha é uma garota pura e inocente. Ele não vai querer aceitar que Alexa poder ser muitas coisas, incluindo virgem, mas definitivamente não é pura e inocente”.

Lembro que no dia eu achei que Natasha estivesse exagerando, mesmo sabendo que ela tem razão em estar preocupada, especialmente se a base de comparação é a Claire. Se bem que se a coisa com o filho do Loki for séria, como a Christine e o Andrew, vai ser apenas uma pancada no coração do Clint durante a vida, não seis como no caso do Steve. Ainda com medo da resposta eu perguntei para os dois asgardianos que pareciam não perceber a minha situação:

—Vocês podem me dizer onde o Wolf está agora e tentar fazer o mesmo com a Alexa?

Os dois trocaram um olhar confuso e logo fecharam os olhos por um instante, abrindo logo em seguida um pouco mais surpresos do que eu gostaria.

—Bom... Não sei como dizer isso, mas conseguimos achar os dois, só não sei se vai gostar de saber... –Ur parecia realmente hesitar naquela situação.

—Por favor diga, é melhor lidar com isso de uma vez.

Ur trocou um olhar um pouco receoso com Jason e, por fim, suspirou.

—Wolf e Alexa estão no quarto dele e... –Ur deu de ombros como e não fosse nada demais. –Eles estão ou estavam transando, então não posso dar mais detalhes sem soar estranho. Mais estranho do que certamente já é.

Suspirei vencida e sentei na cadeira ao lado de Jason.

—Tudo bem, eu preciso apenas de meia hora antes de avisar a Natasha e a bomba entrar realmente em contagem regressiva.

—Pai ciumento? –E mesmo com o sorriso cínico eu sabia que Jason estava um pouco preocupado com o irmão.

—O Clint? –Ri da confirmação do garoto. –Quase nada, só vai tentar pulverizar o Wolf de todas as formas que puder imaginar.

Ele deu uma risada forçada.

—Bom, espero que ele tenha sorte com isso, mas não me preocuparia com a integridade física do meu irmão, o que não posso falar da nossa.

Fiquei curiosa.

—Por que com a nossa?

—Ele quer dizer a de vocês, excluindo a Alexa e eu, talvez o Daniel. –Ur parecia bem tranquila ao dizer isso.

—Por que menos os três?

Ur trocou um olhar com Jason e o garoto suspirou.

—Daniel é no mínimo especial, mesmo sem o simbionte. Acredite, ninguém teria sobrevivido ao que ele sobreviveu, pelo tempo que sobreviveu quando perdeu a perna e o braço sem um simbionte se não fosse muito especial. –Jason parecia até um pouco admirado ao dizer aquilo. –E o Wolf suporta as explosões ocasionais de poder da Ur, as mesmas explosões que normalmente podem destruir o mundo.

—Não só isso. –Dessa vez olhei assustada para Ur. –Essa madrugada ele aguentou duas explosões dessas, uma minha e outra da Helena. –Ela suspirou vencida. –Se ele está com a ruiva, significa que deu poder para ela inclusive pará-lo e controlá-lo. Alexa agora é uma das pessoas mais poderosas do Universo porque tá namorando um dos seres mais poderosos que vivem aqui. –Ela mergulhou na água e então saiu da piscina parecendo cansada. –Eu vou para o meu quarto dormir, prefiro os pesadelos a essa confusão.

Jason esperou a irmã sair e então me encarou.

—Sinto muito pela confusão.

Sorri para ele.

—Tudo bem, nada que eu não possa lidar.

—Espero que sim. –Ele bocejou. –Vou deitar na minha cama, meu corpo está todo dolorido.

E assim que Jason saiu eu suspirei me sentindo vencida.

—Qual será o prazo máximo para informar uma mãe que a filha dela foi para cama com um deus lobo? –Encarei o relógio e confirmei que era quase uma hora da tarde. –Acho que vou ter que pensar em um prazo... Quer saber, eu ligo para Natasha às duas, ainda tenho muita coisa pra processar e... –O barulho de vidro quebrado ecoou pela torre em duas direções. –As crianças e os meninos Stark... Ainda vou querer entender porque Natasha achou que eu teria condições de controlar a Alexa com tudo isso aqui.

==========X==========

Eu nem tentei conversar com Natasha, liguei e falei tudo de uma vez para logo em seguida desligar o telefone. Claro que ela me retornou a ligação e perguntou se tinha entendido bem, aquilo me fez suspirar vencida.

—Sim Naty, entendeu tudo muito mais do que bem.

—Mais que merda!—Coitada de mim depois dessa. —E aonde os dois estão agora?

—No quarto dele ainda, não sei e nem quero saber o que estão fazendo, mas somos adultas o suficiente para imaginar.

—Puta que pariu! Eu juro que quero matar a Alexa agora, faz ideia do quanto o Clint vai me irritar por conta disso?

Provavelmente menos do que eu com toda a confusão que a minha casa está hoje, mas preferi evitar falar disso.

—Tente pensar positivo Naty, se ela está com o garoto é porque gosta dele e isso já é uma coisa boa.

Ela suspirou do outro lado.

—Tenta ver qual vai ser a situação quando eu chegar com o Clint em uma hora. Aliás, que horas você descobriu que isso tinha acontecido?

Olhei para o relógio e ele marcava pouco mais de três horas, tinha esquecido que precisava avisar Natasha por uma hora com as confusões das crianças.

—Algum tempo. –Desviei do assunto. –Apenas acalme o Clint, eu já tive um dia muito cheio para aguentar qualquer ataque dele.

—Tudo bem. Até mais tarde.

—Até.

Suspirei vencida quando Tony sentou ao meu lado na sala.

—Qual do drama da vez Pimentinha?

Aquilo me fez rir, mesmo assim tudo que fiz foi contar tudo para ele, até as palavras confusas e perigosas de Ur e Jason, incluindo a ligação de Naty. Tony suspirou cansado com a ideia de outra confusão em menos de vinte e quatro horas.

—Juro que queria dormir. –Ouvir ele resmungando aquilo me fez rir novamente e Tony pareceu curioso.

—Eu também queria dormir.

—O problema agora é o drama que o Clint vai fazer por causa da Barbara. Vai ser um saco aguentar isso. –Acabei rindo. –O que foi?

—Você só chama a Alexa de Barbara quando fica puto com ela ou com o Clint.

Ele bufou.

—E não tenho motivo?

Concordei e encarei novamente o relógio, vendo que era três e meia, então suspirei vencida por esse dia que simplesmente não quer acabar.

Já estava sem esperança em nada quando vi Alexa tentar sair do corredor que vinha dos quartos de baixo com Wolf logo atrás dela como quem estava adorando a ideia de tentar passar despercebido (como se ele fosse conseguir isso nesse prédio cheio de câmeras), quando os dois deram de cara com a gente.

—Ti-tia Pepper. Tio Tony. Achei que estavam dormindo depois da madrugada acordados.

Tony levantou com o seu sorriso de matar (aquele para matar porque quer dizer “eu sei que você arrumou confusão e quero ver como vai arrumar isso sem me ferrar”) enquanto Alexa engolia em seco diante do que quer que meu marido fosse dizer. Ele colocou as mãos nos ombros dela e ainda sorrindo disse calmamente.

—Seus pais estão a caminho, boa morte.

—Puta merda. –E ao mesmo tempo que a cor do rosto de Alexa desaparecia Wolf ria, o que fez ela virar para ele. –Isso não é engraçado.

E tudo que ele fez foi puxar minha sobrinha para um abraço e depois beijá-la.

—É sim.

Alexa pareceu se dar por vencida e saiu puxando Wolf para a cozinha.

—Vamos, eu estou com fome e sei que você também está.

Ele apenas sorriu e eu encarei Tony que ainda parecia um pouco surpreso.

—Achei que ela ficaria em choque por mais tempo. –Ele parecia realmente preocupado com a reação da nossa sobrinha.

—Vou confessar que eu também.

Tony sentou do meu lado, ambos cansados e tentando de alguma forma nos prepararmos para o drama que viria, o que não demorou mais do que dez minutos para acontecer.

Assim que a porta do elevador abriu Clint e Natasha passaram pela porta com Claire, Laura, Christine e Andrew a reboque, os quatro com cara de que não queriam estar ali de nenhum jeito.

—Cadê aquele deus desgraçado? –Me surpreendi com o fato de Clint ainda não estar gritando e com o rolar de olhos de Natasha, como se o marido fosse um idiota.

—Os dois saíram do quarto a pouco, estão almoçando na cozinha.

—Eu vou matar esse desgraçado.

Mas antes que Clint tivesse a chance de se mover Claire o puxou pelo colarinho e prensou o Gavião contra a parede parecendo mais irritada que o normal.

—Chega dessa merda. –Laura segurou o ombro da namorada que soltou Clint. –Não seja um babaca tio, se ela transou com o Wolf não foi contra a própria vontade. Alexa é o tipo de pessoa que só faz algo desse tipo se realmente quiser e, se fosse o caso, ela o teria feito se arrepender se não quisesse ficar com ele.

—Ela realmente tem cara de ser esse tipo de pessoa. –Laura comentou distraída.

—Ela realmente é esse tipo, embora na verdade isso fosse tão óbvio que aconteceria que nem me surpreendo com a rapidez. –Christine suspirou.

—Até eu sabia que isso aconteceria e eu nem sou do tipo que presta atenção nisso. –Andrew não poupou Clint com aquele comentário.

Para melhorar o meu dia, Alexa e Wolf saíram da cozinha, ele abraçando-a pela cintura e os dois sorrindo. Na mesma hora Clint contornou Claire, se aproximou de Wolf e agarrou a gola da camiseta que o asgardiano usava, o que deixou todos tensos, menos o garoto que parecia nem ligar.

—Vou dizer isso só uma vez, então presta atenção garoto. Você pode ser um deus, pode ter o poder de destruir o mundo se quiser, mas juro por tudo de mais sagrado no mundo que se você magoar a minha menina, machucar física ou emocionalmente, se fizer qualquer coisa que a faça sofrer, a única pessoa que você vai precisar temer sou eu, porque vou te matar. Fui claro?

Mas tudo que Wolf fez foi sorrir do eu jeito selvagem.

—Não se preocupe, eu já esperava por isso. Na verdade, acho justo, não que eu seja idiota a ponto de me permitir fazer mal a Alexa.

Então foi a vez de Natasha se aproximar do garoto e soltar as mãos de Clint da camiseta de Wolf.

—Só para aviso. –O asgardiano encarou Natasha que tinha um sorriso que me causou arrepios. –Se chegar a esse ponto, sugiro que torça para o meu marido te encontrar antes de mim.

E então Wolf riu, riu de forma divertida em seu uivo antes voltar a encarar Natasha e Clint.

—Eu entendi isso, não se preocupem, mas tem alguém que eu tenho mais medo que vocês e até mesmo a Ur sobre isso.

Todos trocamos um olhar de dúvida antes de que eu perguntasse o óbvio:

—Quem?

—A Alexandra. Afinal de contas, ela tem poder para até mesmo mandar eu me matar.

E enquanto todos os jovens riam, especialmente os quatro que resolveram usar aquele desfecho para irem embora, nós adultos apenas nos perguntávamos o que diabos estava realmente acontecendo por ali. Não mais do que eu quando a Claire impediu a porta do elevador de fechar.

—Tia, eu estava esquecendo, avisa o Tristan que falo com ele amanhã e pede para ele não esquecer de chamar a Alexis. Qualquer que seja o drama eu também estou precisando de ajuda por esses dias.

Levantei do sofá e corri até o elevador.

—Para onde vocês vão? –Eu sabia que Sharon podia ligar.

—Voltar para a Shield, reservamos uma sala de treinamento e pretendemos usar. –Ela apontou para a namorada e a melhor amiga. –Temos uma Howlett e uma Frost, putas da vida com a irmã caçula, que precisam quebrar algumas coisas. –Ela reparou na minha cara de não entendi e suspirou. –A noite liga para a Emma e pergunta os detalhes; pode deixar que eu aviso a minha mãe que estamos voltando para a agência.

—Tudo bem. –Claire se afastou do sensor da porta do elevador que fechou, mas quando me virei não vi Alexa e Wolf na sala. –Onde eles foram?

—Comer. –Natasha sentou parecendo vencida. –Disseram que ainda estão com fome e só vieram para a sala para resolver tudo de uma vez.

—Ainda não acredito que vou ser parente do Loki. –Já Clint parecia irritado. –Estou me sentindo um Weasley que a filha vai casar com um Malfoy.

Aquele comentário me fez rir.

—Bartolino meu amigo, apesar de concordar com a sua analogia preciso te dizer, precisa ler alguma outra coisa além de fanfics de Harry Potter por alguns dias. –Não que Tony fosse perder a chance de tirar sarro da cara de alguém.

Clint ficou vermelho de vergonha e eu pedi que o resto do meu dia fosse mais tranquilo do que tinha sido até o momento.

De algum modo foi e tudo que precisei fazer pelas quatro horas seguintes antes de ir dormir foi ter certeza que May e as crianças não demoliriam a torre, além de passar o recado da Claire para o Tristan, porque até mesmo os Romanoff-Barton se comportaram, apesar dos beijos de Alexa e Wolf.

Continua...

No próximo capítulo: Às Vezes Dias Longos Não Terminam, Só Mudam de Número.

Notas finais
Nome: Nikolai “Nik” Piotr Rasputin A.K.A.: Susano’o Idade: 16 Origem: Westchester, Nova York (?) Aniversário: 02 de Setembro Signo: Virgem Raça: Mutante Demônio Altura: 178 Status: Vivo Cabelo: Loiro Olhos: Azuis Habilidades: Projeção de Corpo Energético como Armadura de Combate; Aptidão para Magia; Resistencia a Magia; Telepatia Magica; Telecinese Magica; Drenagem de Aura Magica; Domínio Psíquico de Demônios Menores; Sopro de Fogo; Manipulação Emocional; Língua do Demônio. Aliança: Heróis Afiliações: Shield, Vingadores, X-Men, Quarteto Fantástico, Guerreiros Secretos, Relacionamento: Illyana Rasputin (mãe); Piotr Rasputin (tio); Alexandra Nicola Rasputin (irmã);