Marvel Universe: All Different World

23 Capítulo XXIII: Tália. – E Então... Mas o Quê Foi Isso?


Notas iniciais
Atualmente posto minhas fics nos seguintes sites/plataformas de fanfics e histórias: Spirit https://www.spiritfanfiction.com/perfil/eucaristia Nyah! https://fanfiction.com.br/u/175167/ Wattpad https://www.wattpad.com/user/LillielEucaristia Acompanhe. Comente. Incentive. Todo autor precisa de sua dose de retorno para que as histórias não morram. Também escrevo uma série baseada em Percy Jackson e os Olimpiano, quem tiver interesse pode visitar meu perfil.

Data Terrestre: 05 de Outubro

Assim que acordei encarei a janela do meu quarto por vários minutos e, mesmo com o céu escuro como as trevas e todo o anuncio do que estava por vir dos últimos dias, sorri na esperança de que aquele poderia ser um dia bom.

Diferente de outros dos meus amigos eu gosto de tentar focar no lado positivo das coisas, mesmo quando elas não tem.

Tipo, se é certeza que todos vão morrer eu tento pensar “quem sabe não morremos tão rápido que não vamos nem perceber que estamos morrendo”.

Eu sei, péssimo exemplo, mas é a verdade.

Levantei mesmo querendo voltar a dormir e vesti o meu uniforme padrão. Eu tinha um recado para dar e tinha que ser o mais cedo possível ou, nas palavras de Logan e Emma, não teria graça.

Não esperei que outras pessoas do Instituto acordassem e não falei com ninguém que já estivesse acordado ou sem dormir.

A verdade é que não gosto muito de falar com a maioria das pessoas daqui, especialmente pessoas como os Raven, porque o que a Vampira tinha de descente os gêmeos têm de idiotas. E de algum modo o Instituto parece ter uma quantidade maior de pessoas desse tipo do que deveria ou é possível em um ambiente supostamente seguro para mutantes.

Além disso, Nate e Alexis haviam passado a noite juntos, novamente, por isso acho que preciso conversar francamente com ele. Já passou do ponto em que estou sobrando nessa história e que os dois precisam se entender de uma vez por todas, nem que eu tenha que começar a fazer isso acontecer. De novo.

Terminei de fechar a blusa e me teletransportei para o lado de fora da mansão a fim de apreciar a calmaria do jardim.

Passava um pouco das cinco da manhã e poucas pessoas estavam acordadas naquele horário, menos ainda ali fora.

Respirei fundo e me transportei novamente, dessa vez para o quarto escuro de Claire na casa dos pais dela sem me preocupar com o fato de que ela ou Laura ou até mesmo as duas poderiam me matar por isso.

As duas acordaram muito assustadas com o barulho que causei ao me transportar e Claire já estava pronta para me dar um soco quando me reconheceu. Ou pelo menos reconheceu o meu cheiro, porque o quarto estava completamente escuro.

—Caramba Tália! Quase que eu te mato agora.

—Não seria a única. –Ouvi Laura resmungar, provavelmente já havia preparado as garras.

Não falei nada, mas logo Laura acendeu a luz do abajur e reparei que as duas estavam dormindo de camiseta. O que me pareceu incomum com a porta do quarto visivelmente trancada e uma ótima chance de provocá-las.

—Achei que encontraria vocês em uma situação mais comprometedora. –Eu sabia que Laura não ia falar nada, a Claire era diferente.

—Se tivesse aparecido há umas horas pegaria a gente sem roupa, agora o que quer aqui?

—Recado da Emma, ela estará na Shield com a sua família para a reunião e o Fury pediu para avisar que a Laura pode ir.

As duas trocaram olhares surpresos.

—Por que minha mãe não foi avisada disso?

—Porque o Fury sabe que vocês duas são muito ansiosas, especialmente com esse novo problema, agora acho melhor começarem a se preparar para irem para a Shield.

Laura que já estava sentada na borda da cama apenas suspirou e Claire sentou ao seu lado segurando sua mão.

—Vai dar tudo certo, o Fury sempre tem um plano ou uma ideia para ajudar. Ele é o “Senhor Super Espião Mestre” como o tio Tony sempre diz.

—Dizer isso não ajuda sem saber que ideia é essa. –Foi a resposta da Laura.

Tentei não me sentir incomodada ou parecer irritada com a cena, mas era um pouco difícil ignorar que as duas tinham algo que eu não tinha: a pessoa que gostam perto e retribuindo o sentimento.

Notei Claire colando sua testa na de Laura ficando extremamente próxima da namorada e quando Laura ficou vermelha com a proximidade, foi quando não pude mais ficar ali.

—Eu vou indo. Até mais tarde.

Não vi se as duas me olharam e não me preocupei com isso.

Voltei para o Instituto e assim que entrei na cozinha encontrei Logan acompanhado de James, ambos me olharam e pareceram incomodados.

—Não fiz nada errado ainda para ter essas caras. –Resmunguei.

—A gente sabe, não é... –Logan parecia não gostar do que falava, o que não é bom sinal.

Nunca é.

Por isso não me surpreendi quando James tomou a frente.

—Conversei com Conner por telefone ontem e ele me contou da praga. –Tentei não parecer mais interessada do que de costume, o que era impossível e James percebeu. –Cara, você gosta de sofrer mais do que eu e o Nate, e olha que nós dois gostamos das duas garotas mais teimosas do mundo.

—Elas querem proteger vocês, já cansei de falar isso.

—Eu sei, só que aquela idiota quer proteger ela mesma e não você.

Não respondi, sabia que ele tinha razão.

—Então, como anda a sua garota? –Tentei mudar de assunto.

—Misteriosa. –Logan respondeu pelo filho.

Acabei rindo da forma como Logan falava de Helena. Ele adorava a nora, só não conseguia ver nenhum sentido nas ações dela mais do que Emma e Jean nas ações de Alexandra com Nate.

Esse aliás é um ponto que faz a vice-diretora e Jean concordarem com frequência, bem diferente de outras coisas.

—Helena não é mais misteriosa do que a maioria das pessoas Logan. –Ele e James me enceraram. –Você não vai contar a verdade para a Laura mais do que a Emma para a Christine ou a Helena para o James ou... Bom, vamos dizer que tem muita gente com segredos que não querem ou podem revelar e a Helena não está entre aqueles com maior possibilidade de problema imediato.

Logan riu e voltou a beber o café antes de olhar na minha direção sorrindo, algo que sempre me intimida.

—Sempre me esqueço que de burra você não tem nem projeção holográfica no relógio.

James riu e eu bufei.

Os dois adoravam me atormentar dessa forma carinhosa, pelo menos para os dois, e considerando que minha relação com meu pai é complicada, essa é realmente uma forma carinhosa de se tratar alguém por quem eles tem uma afeição fraternal ou, no caso do Logan, paternal.

Não me preocupei com isso, apenas sentei no balcão da cozinha e comecei a comer.

—Nate passou a noite com Alexis, de novo. –Comentei.

—Desse jeito os dois estão mais pra namorados que amigos coloridos. –James ria ao dizer isso.

—É o motivo pelo qual quero conversar com ele, acho que já passou do ponto em que estou sobrando nesse relacionamento.

Logan riu e dessa vez não falou nada, o que era estranho.

—Logan, você viu a... –E assim que entrou na cozinha e me viu Emma sorriu. –Era você mesma que eu procurava Tália.

—Isso é algo bom?

—Para mim sim, agora você não sei. –Odiava quando ela falava isso. –Viu Christine no Instituto ontem à noite?

—Não, acho que ela ficou com Andrew no apartamento dele e da mãe. Se não estaria na casa da Claire e como a Laura estava lá isso é pouco provável. –Emma olhou o relógio no pulso e reparei que ela já estava vestida para sair. –Já está pronta para a reunião da Shield?

Ela me olhou curiosa.

—Claro, por que acha que o Logan já está acordado e vestido pra ser gente?

Notei que era verdade, Logan não se vestia com a habitual calça de treino e regata de quase todos os dias. Ele estava com uma calça consideravelmente passada e nova, camisa de flanela nova e inteira, coturnos limpos e novos, cabelo e barba penteados, acho até que ele passou algum tipo de perfume ou colônia para ficar apresentável caso eles precisassem lidar com repórteres e políticos na Shield.

Sabia disso porque Emma também estava vestida assim.

Calça social branca, sapatos de salto brancos, camisa social azul-claro (com botões abertos o suficiente para deixar “o decote” a vista), blazer branco, brincos de diamante (como se ela precisasse de mais), perfume chamativo e o cabelo preso em um rabo de cavalo formal que dava a Emma a aparência entre a diretora respeitável e a mulher fatal que a Rainha Branca ainda sabe ser.

James não estava muito diferente de Logan, exceto que ele não se importava em arrumar a barba ou o cabelo.

Isso me fez olhar para Emma com certo receio.

—Eu não preciso fazer isso, não é mesmo?

Emma apenas deu seu melhor sorriso de “vai sonhando” antes de segurar a minha mão.

—Vá se trocar Tália, temos um longo dia pela frente e você está bem no meio dele.

Suspirei vencida e fui até meu quarto, sabia que teria pouco tempo, mas me surpreendi quando vi Nate sentado na minha cama.

—Precisamos conversar.

Eu não deveria mesmo estranhar aquilo, porque eu e Nate pensamos de forma parecida sobre alguns assuntos.

—Então você quer começar ou eu posso fazer isso enquanto me troco?

—Faz diferença?

Ignorei a ironia dele e entrei no banheiro, ele me seguiu parando na porta enquanto eu tirava a roupa e ligava o chuveiro.

—Achei que Emma disse que o dia seria longo, tradução para “vai rápido”.

Acabei rindo.

—Ela disse, mas vou tomar banho mesmo assim. Agora sobre o que quer conversar, eu concordo, tá na hora dessa coisa entre você e a Alexis mudar. Eu tenho que sair.

—Tália...

—Cala a boca Nate. –Ele não gostou de ouvir aquilo, mas os Summers não gostam de receber ordens. –Você sabe que fui eu que te incentivei a propor essa história de amigos com benefícios para ela, achei que isso facilitaria que a Alexis se abrisse com você e admitisse que é perdidamente apaixonada desde sempre pelo “perfeitinho Nathan Summers”. Aparentemente eu estava enganada e ela parece ter se retraído.

—Azar o meu e sorte a sua. –Encarei ele de dentro do box na dúvida. –Sexo sem compromisso e, no seu caso, consciente de que não tem sentimento além da amizade foi algo bom pra você. –A explicação dele era boa e verdadeira, infelizmente.

Terminei de me enxaguar e desliguei o chuveiro pegando a toalha.

—Essa é a parte que concordo com você. Foi bom aliviar os meus problemas em vocês nos últimos anos enquanto eu tentava conversar com a Jocelyn.

Ele se afastou para me dar passagem e comecei a pegar algumas roupas nas gavetas e no guarda-roupas. Precisava de algo que não me destacasse mesmo se o projetor falhasse em algum momento.

—Estamos falando o nome dela hoje? O que aconteceu? –Ele continuava parado na porta do banheiro.

—Nada na verdade, James falou com Conner e meio que me escapou o nome dela.

—Acho que não contaram nada demais dessa vez porque você não a chamou de vadia.

—Você nunca vai me deixar esquecer não é mesmo?

Ele pegou uma calça jeans que nem lembrava ter e me entregou junto com uma camiseta branca e uma blusa da Shield que tinha a algum tempo. Acabei pegando porque Nate costuma saber o que está fazendo.

—Nunca vou esquecer que chamou Jocelyn de vadia um dia ao menos, afinal, ela costuma dar motivos para isso em mais de um sentido.

—Ela é...

—Não diga complicada. –Suspirei, porque ele tinha razão e sempre se irritava quando eu tentava defendê-la. –Jocelyn é uma cretina idiota que não consegue assumir que é lésbica porque xingou tanto a Alexis e a Claire assim como o Max e o Billy quando mais novos que quando se deu conta da verdadeira raiz desse ódio preferiu simplesmente dar uma de “vadia das galáxias” e ir pra cama com dois caras diferentes por noite se fosse necessário para parecer mais hétero.

—Não é como se eu fosse muito amiga de dormir com caras para falar dela. Sempre fui mais de ir para cama da Alexis nesses anos em que estamos juntos.

Ele riu.

—É, eu sei. Você pode, eventualmente, gostar de um ou outro cara, mas não sei nem como ficou tanto tempo indo para cama comigo.

—Você já se olhou no espelho e pensou o que uma garota teria para gostar ai? E falo de se olhar pelado, não de cueca.

—Ser apresentável fisicamente ou ter algo... –Ele apontou para própria virilha o que me fez rir. –Nada disso faz uma garota que é muito mais chegada em garotas dormir com um cara por tanto tempo. Essa é uma daquelas regras básicas na vida. –Um ponto para a sinceridade e nove pelo raciocínio.

—Pode ser, mas se juntar isso tudo. –Indiquei o corpo dele de cima a baixo. –Com a sua maldita personalidade perfeita... Acredite, a Claire já pensou em ir pra cama com você ao menos uma vez. Até a Valéria e até hoje ela só te viu por foto e videoconferência. –Terminei de me vestir e o encarei. –Vai por mim, não foi difícil transar com você nos últimos anos, difícil mesmo foi depois de dormir com a Jocelyn naquele dia acompanhar os esforços dela para fazer de conta que não é ela mesma. Mesmo assim estamos fugindo do assunto.

—Verdade, podemos debater a sua inabilidade em escolher uma garota descente para gostar ou o quanto quero extinguir Jocelyn do Universo por ser idiota depois.

—Você quer que eu saia do seu negócio com a Alexis.

—Na verdade não é isso.

Olhei ele surpresa demais para disfarçar.

—Não?

—Alexis gosta de poder te dar algum consolo sobre a Jocelyn e se preocupa em te deixar sem apoio. Eu também me preocupo e sei que você precisa de contato humano como quem precisa respirar.

—Mas...

—Só que mesmo que Alexis ainda esteja fugindo, nós estamos cada dia mais... Intensos?

—Ela precisa cada vez mais do contato com você.

Ele pareceu ficar inseguro e sentou novamente na cama, fui até Nate e sentei ao seu lado.

—Eu não sei Tália. Tenho esperança de que sejam os sentimentos dela por mim se manifestando fisicamente e a fazendo me procurar com mais frequência. Não me importo de que seja isso e o que ela sente por mim esteja se convertendo em ondas de desejo físico que a levam quase diariamente a minha cama, mas e se ficar só nisso? Se for apenas sexo e ela nunca vier até mim, nunca admitir que sente algo por mim?

Segurei a mão de Nate e ele me olhou parecendo anormalmente frágil, algo que nunca o vi ser em toda a minha vida.

—Não posso garantir que ela vai admitir um dia, só sei que ela não continuaria nessa história por causa do sexo, isso Alexis poderia conseguir em qualquer lugar e com várias pessoas diferentes. –Ele fez uma careta com o que falei. –Se ela ainda está te procurando é porque te ama. –Respirei fundo antes de continuar. –E é por isso que eu estou fora.

—Como? –Ele parecia bem mais confuso do que eu esperava.

—Estou fora Nate. Não vou mais dormir com você ou com ela. Para mim essa coisa toda já chegou ao ponto em que eu estou mais do que sobrando e não é algo que podemos resolver com uma conversa, um calendário ou qualquer artifício. Eu não vou mais participar e é minha palavra final.

Nate parecia um pouco frustrado, mas, por fim, sorriu.

—Vai ter que conversar com a Alexis depois, ela não vai gostar de ouvir isso. –Acabei rindo.

—Ela se preocupa demais com os outros para o próprio bem. –Levantei indo até a porta. –Caso ela pergunte, diga que estou fazendo isso por mim, não por ela ou por você. Afinal, essa é a verdade.

—Ela vai questionar.

—Eu sei.

Sai pela porta e fui até a entrada da mansão onde Logan, James e Emma já esperavam, ao meu lado Nate parecia pronto para nos acompanhar com calça jeans nova, camisa preta, tênis e jaqueta.

Com o carro do Instituto já pronto Emma basicamente jogou todo mundo pra dentro, até o Nate.

Não deveria nem estranhar que ele ia junto, então apenas fechei os olhos e esperei.

==========X==========

A entrada da Shield estava um inferno mesmo com Tony, Peter e duas dúzias de agentes fazendo uma frente de proteção quando descemos, o que não poupou nossos ouvidos das ofensas de um grupo anti-mutante.

Pelo menos do lado de dentro do prédio a recepção era mais calorosa, especialmente porque todos os agentes sempre nos viam por aqui uma vez por mês no mínimo, normalmente estávamos ali uma vez por semana.

A Shield e a Torre Stark eram como a nossa segunda casa, cada uma a seu modo.

Tony não demorou para entrar atrás de nós e logo encontramos Hill e Fury a caminho da sala de reuniões, eles estavam acompanhados de Steve e Sharon.

A sala onde aquela conversa deveria acontecer era em um dos andares mais altos, mas a melhor parte daquela reunião foi entrar e dar de cara com Claire e Laura se beijando. E era um beijo relativamente contido na minha opinião, porque Claire apenas segurava Laura pela cintura e a morena apoiava as mãos dos braços da namorada. Na verdade parecia mais que a loira tinha beijado a namorada de surpresa, algo que causou muitas reações no nosso grupo.

Enquanto isso Christine, sentada no colo de Andrew, fazia o mesmo beijando-o, mas era um beijo quase obsceno de alguma forma. Chris estava puxando a cabeça de Andy para trás pelos cabelos em um beijo que normalmente uso quando estou em um quarto e sem roupas.

Eu, Emma, Logan, James, Nate, Sharon e Tony começamos a rir. Steve tapou o rosto com a mão em um sinal óbvio de que não acreditava no que via.

Hill apenas suspirou vencida, provavelmente porque tinha acontecido exatamente o que ela imaginava que aconteceria ao deixar aqueles quatro sozinhos na sala por mais de cinco minutos. Já o Fury, bom, ele parecia um pouco vermelho e irritado com a cena, ainda que não fosse nada demais.

Analisando bem a cena eu poderia jurar que Laura estava apoiada na mesa ouvindo alguma conversa de Claire e Christine, enquanto ela pensava o que fazia ali e Andrew se preocupava com a mãe quando aconteceu. Aposto que Christine se jogou no colo de Andrew o beijando de surpresa e Claire aproveitou a ideia da melhor amiga para se aproximar de Laura sem aviso e beijá-la.

Pelo menos é o que eu teria feito no lugar de qualquer uma das duas.

Agora tanto Laura como Andrew estavam vermelhos de vergonha enquanto suas namoradas riam.

—Tudo bem crianças, sentem logo e vamos discutir o que temos que fazer agora. –Fury parecia cansado com aquilo, o que achei ruim, então todos obedeceram e sentaram. –As boas notícias são que o governo aceitou meu pedido de tempo antes de mandar uma unidade de intervenção.

—E para que eles acham que precisam mandar uma unidade de intervenção? –A pergunta de Steve não foi amigável, isso todos perceberam.

—Eles acreditam que a Shield tem agido fora da sua alçada quanto a acobertar mutantes perigosos. Segundo eles a denúncia da escola diz que a Claire é um indivíduo “perigoso a sociedade não apenas em níveis de saúde mais de integridade do sistema humano comum”. –Tony lia o documento sobre a mesa com uma careta.

—Tradução para “matem a vadia bissexual e mutante para nos fazer felizes”. –E Claire não parecia mais feliz em ouvir o que Tony disse do que em “traduzir”.

—Sinceramente, é bem isso que eles querem. –Hill levou o olhar atravessado de todos os adultos. –Por favor, parem com isso. Até parece que eu ou ela mentimos.

Fury sentou na cadeira e encarou Claire um pouco frustrado.

—Você vai comigo para Washington quando for falar com as câmaras. Mais importante que isso, Laura vai junto e isso não é negociável. –Toda a sala reagiu, exceto Hill, mas o diretor logo fez todos se acalmarem. –Tenho alguns contatos que virão aqui antes da nossa viagem e tanto Claire como Laura devem conhecer esses políticos, porque eles tem influência o suficiente para acabar com a confusão por lá. E até onde sei todos eles são fãs do seu pai e estiveram no casamento dele, então podem reconhecer a semelhança em algum momento. Não negue caso eles perguntem se é filha do Capitão América.

Claire não pareceu satisfeita com o que ouvia, porém se conformou, enquanto Laura levantou a mão.

—Por que eu tenho que estar junto?

—Primeiro porque você estava no meio da confusão, segundo que Logan é um herói de guerra condecorado, mesmo que ele não lembre disso. –Hill havia tocado em pontos importantes, alguns que poderiam salvar nossas vidas naquela crise ou na próxima, porque teria uma próxima, sempre tinha. –Terceiro, e não menos importante, temos que esclarecer que a denúncia da escola tem dois pontos idiotas como origem: seu relacionamento com a Claire e a situação das duas como mutantes. Também não vamos deixar que as câmaras fiquem sem saber que ambas são parte das equipes de apoio da Shield e dos Vingadores. –Tudo bem, eu sempre me esqueço que a Hill pode ser meio que nossa tia fora daqui, mas se ela põe medo até no Fury sendo a segunda no comando é porque ela pode.

Isso e...

—Às vezes tenho medo de pisar na bola com você. –Fury disse aquilo rindo.

—Ainda bem que tem medo, do contrário desconfiaria que não sabia com quem se casou. –E ver ele engolindo em seco quando ela falou aquilo me fez rir, o que me rendeu um olhar atravessado do Fury. –Agora que meu marido retomou o juízo vamos continuar.

Todos concordaram e Maria Hill continuou a passar fotos dos políticos que Fury conhecia, previsão do calendário de viagem que Laura e Claire fariam com os dois diretores (a novidade era que Hill estaria junto do maridão), como era indicado que as duas agissem nesse meio tempo e quem mais acompanharia as duas na viagem, acabou que eu estava no pacote a princípio.

Pelo menos como contato de emergência, mas isso me faria ter que ficar por perto.

Bom, podia ser pior.

==========X==========

A reunião acabou durando pelo menos três horas, o que foi bem cansativo e eu sai da sala assim que liberaram a gente, fui a única.

Todos os outros tinham alguma coisa a falar ou uma ideia para debater com outra pessoa, já eu queria só parar de pensar em toda aquela confusão.

Desci até um dos andares em que o movimento normalmente não era muito grande e a máquina de bebidas estava sempre funcionando.

Me surpreendi que naquele dia parecia ter mais gente que o normal ali, talvez por alguma reunião de emergência. Algo que deve se tornar comum nas próximas semanas com toda essa confusão.

Resolvi ignorar aquilo, algo que normalmente não faria, mas não queria acabar em outra reunião.

O problema é que existe um motivo para não ser bom ignorar algumas coisas.

Eu estava apenas parada na frente da máquina de bebidas pensando no que pegar quando alguém parou ao meu lado parecendo fazer o mesmo e eu não liguei ou prestei atenção em quem era.

—Já provou algum desses sucos? –Eu não sabia se a garota falava sério ou não, apenas tentei ser educada.

—Alguns. O de laranja é bom, mas passe longe do que abacaxi.

Ela riu.

Não uma risada irônica, mas uma risada gostosa de se ouvir que me fez olhá-la.

Me senti estranha.

A garota ao meu lado era loira, quase nada mais baixa que eu e podia jurar que ela era no máximo da idade da Claire. Os jeans rasgados e a camiseta não eram novos, mas o que me impressionava era o sorriso dela, resultado da risada de antes. Era um sorriso bonito de quem estava se sentindo realmente relaxada, diferente dos olhos que brilhavam de uma forma familiar.

Um brilho que eu havia me acostumado a ver em várias pessoas a minha volta.

James, Nate, Claire, Christine, Emma, Logan e Jean, todos quando estavam junto dos seus pares ou flertando. Na verdade, mesmo eu já havia usado aquele mesmo olhar com um brilho intenso em alguns momentos.

Meu coração parecia acelerado e eu sentia minhas mãos suarem.

Minhas mãos nunca suaram antes.

—Sabe, você não precisa usar um holoprojetor para parecer bonita. Acho que mesmo azul não tem como alguém ignorar a sua beleza.

E antes que eu pudesse pensar em falar alguma coisa aquela garota me beijou. Suas mãos envolveram meu rosto e na minha surpresa ela simplesmente enfiou a língua na minha boca.

Não sei como aquilo realmente aconteceu, porque nunca sou pega de surpresa nesse tipo de situação, mas quando ela se afastou eu ainda estava em choque.

Ao contrário de mim aquela garota parecia bem à vontade com o que tinha feito e apenas sorriu um pouco satisfeita, um pouco tímida. Depois ela virou para a máquina de bebidas e apertou um botão pegando uma garrafa de água.

—O que você fez? –Deixei a pergunta escapar, mesmo sendo uma pergunta um pouco idiota.

Ela se virou me encarando.

—Te beijei. Não leve a mal, mas fazia algum tempo que eu queria fazer isso. –Fiquei sem entender o que ela queria dizer, pelo menos até ela se aproximar novamente, beijando o canto da minha boca. –A gente se vê por ai, Tália.

E com o mesmo sorriso satisfeito de antes ela se afastou até um grupo que saia de uma sala de reuniões abraçando uma mulher morena uns dez anos mais velha e um homem de uns trinta e poucos anos.

Eu queria dizer que nada do que ela fez mexeu comigo mais do que um susto, o que seria mentira. Cada célula do meu corpo parecia ter levado um choque tão forte que eu poderia entrar em coma a qualquer momento.

Aquela garota fez meu coração acelerar e meu mundo girar no minuto em que a olhei e depois quando ela me beijou... O que diabos ela fez comigo?

—Então, quem é a garota? –Virei assustada dando de cara com meus amigos, mas James esperava a sua resposta.

—Caramba. –Eu ainda estava em choque e Nate percebeu que minha confusão antes de perguntar.

—Posso ver o que aconteceu? –Concordei sem perceber e logo ele ria enquanto contava o que tinha acontecido aos outros e eu ainda olhava para a garota aguardando o elevador.

—Espera! –Mas foi Claire que pareceu mais surpresa do que eu com tudo. –Ela veio e te beijou praticamente de surpresa? –Concordei. –E ela disse mesmo que fazia tempo que queria te beijar? –Concordei novamente. –Fudeu! –E então Claire estava rindo como uma condenada.

Precisei esperar cinco minutos, tempo em que a garota já havia desaparecido, para Claire se acalmar.

—Afinal, quem é a garota? –Perguntei por fim.

—Aquela é Cassandra Lang, filha do Homem-Formiga atual, Scott Lang, enteada de Hope VanDyne, filha do Homem-Formiga original, Hank Pym.

Continuei sem entender, mas Christine e Nate já estavam rindo com James que parecia ter contato algo a elas.

—Tá, o que tem isso?

Para a minha surpresa quem respondeu foi Laura.

—Tem que, além de ser lésbica, ela tem uma queda por você a uns cinco anos e a mãe dela não gosta de nenhuma das duas coisas mais do que gosta da noiva do pai que dá a maior força para a garota.

Fiquei olhando da porta do elevador para meus amigos até Nate passar o braço sobre meus ombros.

—Sabe, acho que você acabou de arrumar uma forma nova de fundir a cabeça. –Olhei para ele confusa. –Garota de dezesseis anos apaixonada com uma mãe que não aprova não apenas você mais qualquer namorada da filha? Fala sério, isso vai ser incrível. –Eu pensei em xingá-lo, mas Nate era mais rápido. –Pelo menos ela não vai tentar fugir de você com desculpas idiotas.

E mesmo assim tudo que eu conseguia pensar era o que diabos havia acontecido com o meu dia?

Continua...

No próximo capítulo: Desejos Noturnos.

Notas finais
Nome: Tália Josephine "T.J." Wagner A.K.A.: Nocturne Idade: 18 Origem: Sankt Goarshausen, Alemanha Aniversário: 11 de Dezembro Signo: Sagitário Raça: Mutante Altura: 171 Status: Viva Cabelo: Azul/ Preto Olhos: Amarelos/ Preto Habilidades: Teletransporte; Cauda prêensil (é forte o suficiente pra aguentar seu próprio peso, que o ajuda a se pendurar); Camuflagem; Visão noturna; Mestre em combate corpo-a-corpo; Grande acrobata; Agilidade, reflexos, equilíbrio e velocidade sobre-humanas; Aptidão a Magia (não explorada); Aliança: Heróis Afiliações: Shield, Vingadores, X-Men, Quarteto Fantástico, Guerreiros Secretos, Relacionamento: Kurt “Noturno” Wagner (pai); Nathan Summers (ex-parceiro); Alexandra Rasputin (ex-parceira);