Marvel Universe: All Different World

41 Capítulo XLI: As Pequenas Peculiaridades de Alguns Relacionamentos.


Notas iniciais
Atualmente posto minhas fics nos seguintes sites/plataformas de fanfics e histórias: Spirit https://www.spiritfanfiction.com/perfil/eucaristia Nyah! https://fanfiction.com.br/u/175167/ Wattpad https://www.wattpad.com/user/LillielEucaristia Acompanhe. Comente. Incentive. Todo autor precisa de sua dose de retorno para que as histórias não morram. Também escrevo uma série baseada em Percy Jackson e os Olimpiano, quem tiver interesse pode visitar meu perfil.

Data Terrestre: 09 de Outubro

Christine xingou pela quinta vez consecutiva quando não conseguiu falar com Claire depois de toda a confusão no centro de Manhathan, para piorar Tália se recusava a atender suas chamadas e mensagens.

—Essas duas acham que eu tenho mesmo paciência para aguentar essa enrolação. Quando eu pegar essas desmioladas...

Mas tudo que Alexis podia fazer era esperar a amiga respirar ou dar uma chance para uma intervenção, o que acabou aparecendo naquela hora.

—Você podia tentar ligar para o Andrew ou para a tia Sharon, que nem devem estar perto da Claire agora, mas devem ter novidades.

E Chris acertou um tapa na própria testa.

—Esqueci dele. –Logo a garota começou a mandar mensagens de forma rápida. –Pronto, ele deve me responder em breve e... –Ela recebeu uma resposta. –Droga.

—O que foi?

—Andy disse que ainda não teve acesso a elas, só que vai tentar saber. –Alexis observou outra rodada de mensagens rápidas serem enviadas pela amiga e outro palavrão. –Tia Sharon disse que não pode falar nada agora, só disse que elas estão bem dentro do esperado. –Christine se jogou na poltrona próxima da amiga e suspirou. –Por que eu não posso ter acesso a elas?

—Por que você é excessivamente passional e cabeça quente, igual ao James. –E assim que terminou de falar Alexis notou o olhar inquisidor de Chris. –Não me olhe como se fosse mentira ou algo que eu não perceberia em anos de convivência, crescemos juntas tanto quanto você e a Claire.

Christine bufou inconformada.

—Eu sei, só estou preocupada com ela. –A Frost ficou um pouco em silêncio antes de continuar. –É que é difícil não me preocupar quando tenho uma relação fraterna melhor com ela que com as minhas irmãs mais novas.

—Bom, eu não posso dizer que entendo essa parte, porque eu gosto mesmo do meu irmão, mesmo assim, acho que levando em conta que nos sentimos de forma parecida a questão da preocupação deve ser a mesma.

—Já reparou que quando não precisa lidar com os outros alunos ou não está de mau humor você é uma pessoa extremamente sociável?

—E você já resolveu seu problema de ciúmes fraterno com relação ao namoro da Claire e da Laura?

—Ai. Isso foi maldade. –Mas Chris riu. –Não tem o que resolver, sempre vou me sentir meio roubada nessa história, afinal era eu que costumava me meter nessas encrencas com ela e agora é a Laura; ainda que no final o que importa é que a Claire esteja bem e nesse sentido a Howlett é mais útil que eu.

—Isso me lembra daquela missão em que nós nos passamos por irmãs durante mais de um mês e vocês duas ficaram me infernizando. –E Christine riu da cara de Alexis.

—No final deram uma ordem de execução, você e a Claire pareciam competir para ver quem matava mais.

—Tínhamos carta branca para matar um bando de neonazistas satanistas que estavam a meio caminho de invocar a porra de um demônio que ia matar meio mundo se solto, é claro que eu gostei de poder fazer aquilo. –Alexis pareceu distante por alguns minutos até encarar a amiga novamente. –Aliás, por que o James tá furioso?

—Ele foi falar com a minha mãe logo depois do almoço e acho que é algo sobre a mãe dele, porque depois da Helena esse é o único assunto realmente capaz de tirar o grandão do sério.

—Isso e ele descobrir que a irmãzinha dele casou escondida. –Tudo que Chris fez foi rir. –Você tá rindo, mas o Andrew corre o risco de ser assassinado quando descobrirem e por muito mais gente do que imagina.

O clima na sala ficou tenso e Alexis não ousou encarar a amiga.

—Por que você não me conta?

—Porque esse assunto não é meu e não quero me meter no meio de mais problemas do que já estou, além disso não foi algo que me contaram ou que eu queria ter descoberto. Sem falar que a Emma me mataria e mais outra coisa que não quero falar.

—Acho que essa outra coisa é o motivo maior, não é? –Alexis deu de ombros como se não fosse nada, só que Christine conhecia bem a amiga para saber que era mentira. –Bom, pode me dizer por que Nate e James não me contam? A verdade.

—Porque sua mãe pediu para eles ficarem quietos sobre o assunto e você sabe que os dois veem a Emma como uma mãe, afinal ela cuidou do Howlett desde quase sempre e do Summers quando as mãe não estava aqui.

Christine pareceu ficar pensativa, o que preocupou Alexis.

—Será que o Scott é meu pai?

Alexis apenas virou a página do livro que tinha em mãos sem olhar a amiga.

—O que te faz pensar isso?

A Frost encarava o teto.

—Bom, a Rachel me odeia sem motivo algum que eu conheça ou entenda, minha mãe e a Jean passaram a maior parte dos últimos dezoito anos em pé de guerra sem motivo, especialmente por parte na nossa professora. –Ela encarou a Rasputin que ainda lia o livro sem se mover. –Não chega a ser impossível.

—Nesse caso, por que não pergunta abertamente para os envolvidos? Não acho que James ou Nathan mentiriam se sua pergunta fosse “meu pai é o Scott Summers não é?”. –Alexis parou de ler o livro e encarou a amiga intensamente. –Ou você pode tentar isso com a sua mãe e a Jean na mesma sala, no final a escolha é sua de tirar a prova essa teoria, certo?

Mas tudo que Christine fez foi suspirar e levantar indo até a porta da sala de leitura.

—No final é só uma possibilidade e, vamos concordar, minha mãe tem um relacionamento muito pior com o Scott que com a Jean. É bem improvável isso ser verdade. –A Frost suspirou. –Isso e o fato de que ele me despreza com todas as suas forças.

—Se você diz.

A Frost saiu da sala e Alexis respirou fundo indo até a janela entre duas estantes encarando o jardim onde uma aula dos alunos mais novos acontecia sob a tutela de Rachel Summers.

A garota suspirou.

—Essa história ainda vai dar merda.

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Quando Jean o chamou para uma conversa no escritório pessoal dela, Nathan soube que aquilo não era exatamente uma boa notícia, afinal sua mãe nunca o chamava para apenas “conversar”. Normalmente isso envolvia alguma discussão ou problema maior.

Respirou fundo ao tocar na maçaneta pensando em como queria poder ajudar James ou estar com Alexis ou qualquer outra coisa que não fosse falar com a mãe, mas sabia que não era possível. Abriu a porta e encontrou Jean assinando algumas provas e atividades dos alunos enquanto o café ainda quente fumegava.

“Café e não chá”, pensou Nate ao lembrar que ele mesmo não era o maior fã de café. “Como a Emma” completou mentalmente.

—Eu sei que você prefere isso, então deixei um pronto ali. –Jean indicou a mesinha ao lado da cafeteira e o rapaz quis se xingar por esquecer que dentro daquele escritório não existia algo como “privacidade mental”. –Sente, precisamos conversar um pouco.

Ele fez o que a mãe pediu e sentou com a xícara de chá na mão.

—Então, sobre o que quer falar?

—Alexis Rasputin e o fato de que vocês estão transando a anos. –O rapaz, porém, nem piscou diante da afirmação da ruiva.

—Sendo bem sincero mãe, não acho que isso seja assunto seu ou de qualquer outra pessoa nessa escola além de nós dois ou da Tália até semana passada.

—Bom, eu posso concordar com isso em vários aspectos, mas não é sobre isso que quero falar e sim sobre algo que eu conversei com Emma e Ororo hoje mais cedo. Em específico sobre uma outra conversa em que Ororo perguntou para Nikolai sobre as necessidades demoníacas dele e o garoto contou sobre uma desconfiança dele a respeito da Alexis.

—A qual eu tenho certeza que ele já me falou e que ninguém tem nenhuma prova sobre ou mesmo como definir, então não estou interessado. –E realmente Nate tomava seu chá como se o assunto tratado não fosse mais do que um anúncio atrasado da previsão do tempo. –E mesmo que a teoria do Nikolai tenha algum fundamento, eu não ligo.

—Isso é mais sério do que você está imaginando.

—Eu sei, só que é um problema meu e da Alexis.

—Se isso tiver qualquer fundamento ou se de fato acontecer dela...

—Ainda é problema meu e dela. –Nathan olhou sério para a mãe, como raramente fazia. –Eu amo essa garota há mais de dezenove anos e estou querendo ser mais do que o amigo de sexo dela a uns seis anos. Acha mesmo que vou dar para trás por conta disso ou que vou mudar de ideia?

—Você não sabe como ela pode reagir.

—Não sei, mas sei como eu vou reagir e isso já é metade da solução. –Nate terminou de tomar o chá e levantou. –Se não tiver mais nada para tratar, eu tenho algumas coisas para fazer.

—Não tem e mesmo que eu quisesse dizer que mentir é feio você faz isso muito bem. Emma foi uma boa professora.

Ele notou que não havia a mesma fúria de poucos meses antes na voz de Jean.

—Vocês estão mesmo conseguindo conversar?

—Estamos, mesmo que ela ainda pareça um pouco desconfiada em alguns momentos.

—Considerando como foi o reencontro de vocês depois que a senhora “morreu” e voltou, seria um milagre ela não ficar de guarda alta.

—Concordo com isso, mesmo assim estamos nos entendendo. –Jean riu e tomou um gole do próprio café. –Só precisamos de uns cinco anos até que eu morresse e depois ressuscitasse, então mais dezoito anos e muitas brigas para conseguirmos nos entender.

—E a senhora quase matá-la a dezoito anos.

O semblante de Jean se tornou um pouco melancólico.

—É, tem isso também. –Ela encarou o filho e depois deu um sorriso triste. –Mesmo assim ela cuidou bem de você enquanto estive “morta” e mesmo depois que voltei, por isso acho que às vezes me sentia ameaçada por ela. Você se tornou capaz de lidar com problemas pessoais que eu e seu pai jamais teríamos conseguido, e isso só foi possível graças a Emma.

Nathan assentiu e se virou na direção da porta.

—Fico feliz que vocês duas estejam se entendendo, amo demais vocês para querer que aquela briga continuasse.

—Eu sei. Espero que isso melhore as coisas em algum momento.

Ele tocou a maçaneta e suspirou.

—A senhora sabe muito melhor do que eu que antes de as coisas melhorarem vão ficar bem complicadas não é mesmo?

—Eu sei.

E quando Nate deu as costas para a porta já no corredor sentiu o peso dos segredos que guardava sobre seus ombros. Ele parou no alto da escada onde pode ver Christine liderando a roda de literatura enquanto Cara subia para o quarto dormir e Rose a seguia.

—Tudo bem?

Ele encarou James parado ao seu lado.

—Conversei com a minha mãe.

—Falei com Emma sobre a minha mais cedo. –Então James notou o que o amigo olhava enquanto Rachel entrava com sua turma de crianças lançando olhares mortais para Christine que ignorava a ruiva. –Isso está um caos completo e eu nem tenho certeza como as coisas terminaram desse jeito.

—Minha mãe e Emma estão se tornando amigas.

James olhou novamente a cena e fez uma careta.

—Que merda.

—Nem me fale

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—A senhora tem certeza que não precisa de companhia além da que vai levar?

E mesmo achando que o filho exagerava, Sue Storm apenas acenou para que ele abaixasse um pouco e depositou um beijo na bochecha de Franklin.

—Tenho querido. –Ela pegou a pequena mala de viagem que levaria. –Agora fique de olho no seu tio e no seu pai para eles não me destruírem metade do prédio enquanto estou fora, mas caso não queira ficar com essa responsabilidade vá para a casa da sua namorada. Embora eu ache que vai apenas trocar um problema pelo outro.

E diante da careta de Frank, a Mulher Invisível riu e saiu pela porta em direção ao heliporto, onde um quinjet a esperava com a equipe que havia solicitado: Leo Fittz e o filho, Greg, como equipe tecnológica e de suporte; Ally Mackenzie, Dany Cage e Conner Banner como equipe de ação tática e resposta, todos os três muito bem treinados em oratória e política.

Sue respirou fundo e encarou todos ali séria.

—Acho que todos receberam meu breve relatório sobre o que vamos fazer, certo? –Os cinco assentiram. –Bom, alguma dúvida?

Ally ergueu a mão.

—Não era melhor ter trazido meu irmão? Os poderes dele não dependem tanto de um elemento em específico.

A Mulher Invisível sorriu.

—Não se preocupe com isso minha querida, foi Sarah quem pediu que você estivesse lá, então acho que não tem porque duvidarmos da sua capacidade. Até porque você é muito mais capaz de lidar com os problemas que podemos ter que o seu irmão. –A garota assentiu. –Então vamos, o voo pode não ser longo com a nossa tecnologia, mas o problema que temos lá não é exatamente o que podemos chamar de fácil.

E quando todos já estavam sentados e a nave já estava no ar a caminho de Londres a segunda pergunta veio:

—E o que eu vou ter que fazer? –Todos olharam para Conner que parecia um pouco ansioso.

—Talvez dar um susto em alguém ficando grande e cinza, a não ser que seja um problema. –Mas a resposta de Sue foi um sorriso animado.

—Adoro dar sustos ficando cinza.

—Claro que adora Cimentão. –E até mesmo Conner riu do comentário irônico de Danielle Cage. –Imagino que eu sou o suporte geral mesmo, ou tenho mais alguma função?

Sue olhou para o celular e sorriu.

—Não minha querida, você vai cuidar da minha pequena arma secreta contra gente idiota. –Ela olhou para Dany como se tivesse acabado de ler uma piada muito boa. –Não se preocupe, acho que vai gostar bastante de conhecê-la quando chegar a hora.

Todos encararam a Mulher Invisível se perguntando o que ela queria dizer, mas Sue Storm apenas manteve o sorriso travesso no rosto enquanto tratava dos outros detalhes da missão como se o que tinha em mente não fosse realmente importante.

E os outros membros da missão sabiam de duas coisas: aquilo era importante e eles estariam ferrados se os planos da mulher não fossem bons. Muito ferrados.

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Tália realmente achava que deveria ter corrido os riscos de ficar fazendo companhia para Claire e Laura em vez de ajudar Cassandra a terminar de arrumar suas coisas no novo quarto.

Ela havia conseguido uma fuga disso quando chegaram usando a desculpa de verificar as atividades de Cassie, então a loira havia deixado os armazenadores com as coisas que trouxe da casa da mãe na sala do apartamento funcional do pai e da madrasta. O problema é que algumas desculpas, como “vamos ver as suas aulas e dar uma volta” normalmente tem duração muito mais curta do que a morena esperava, ainda que Claire e Laura tenham sido muito boas em adiar aquilo.

Agora, enquanto Tália estava ali, no quarto de Cassie ajudando a garota a tirar tudo dos armazenadores e arrumar o máximo possível o espaço, ela admitia que era ridícula a forma como se teleportava para o lado oposto do cômodo todas as vezes que a loira parecia se aproximar um pouco mais. Se Nathan a visse nesse momento faria tantas piadas irônicas e cheias de insinuações nenhum pouco erradas que a fariam querer se jogar do alto de um prédio (mesmo que isso não fosse dar em nada).

Tália respirou fundo e fechou os olhos por um instante pedindo forças a qualquer um que pudesse atendê-la, fosse Deus, anjos ou demônios. Sentiu um arrepio na espinha seguido da voz próxima de Cassandra.

—Você sabe que se eu segurar sua cauda firme antes de você se teleportar vou junto não é? –A morena abriu os olhos assustada ao notar que Cassie estava apoiada na mesa em que arrumava os livros parecendo um pouco chateada, mas o primeiro instinto de Tália foi enrolar sua cauda na perna. –Isso é um pouco frustrante, sabia?

A mutante engoliu em seco.

—Desculpe. É que isso é meio novo.

E a loira a olhou de uma forma curiosa, entre um sorriso carinhoso e a dúvida.

—Qual parte?

—Acho que um pouco de cada.

—Como eu gostar de você? –A morena assentiu. –Pensei que já tivéssemos esclarecido isso.

—É um pouco mais do que isso. –Tália suspirou mais nervosa do que imaginava ser possível. –Tem pessoas que gostam de mim, muitas delas. Tia Emma, Nate, Alexis, Claire, Laura e Nikolai, até mesmo os Romanoff, ainda que tenhamos um pouco menos de contato por conta das minhas funções, mas é diferente.

—Porque mesmo sem ter dormido comigo, eu gosto de você dê uma forma mais intensa que Nate e Alexis jamais vão entender a não ser quando estão um com o outro, não é?

—Acho que é a primeira vez na minha vida que entendo como Alexis se sente sobre a presença do Nate a intimidar.

—Isso é estranho de se dizer.

A morena riu, fazendo a Cassie a encarar confusa.

—Não é intimidado como medo, não de verdade, é mais como uma sensação de medo pelas sensações intensas e profundas que alguém desperta quando está perto de você. Isso é bem intimidador na verdade.

—E você sente isso quando está comigo?

—Eu nunca achei que isso era de possível de verdade, mas não paro de sentir desde sábado e ainda por cima é uma sensação crescente. –Tália se sentiu um pouco envergonhada de dizer aquilo, mas prosseguiu. –Não era nem de longe tão forte no sábado quanto hoje.

Ela notou que Cassandra ficou quieta, um pouco ansiosa e nervosa, o que a preocupou pensando se havia falado algo de errado.

—Você chegou a sentir isso pela Jocelyn?

A mutante notou o olhar da loira, algo que ela não entendeu.

—Não. –Desviou o olhar para o livro que tinha em mãos. –Na verdade, acho que nunca tive a chance de pensar sobre isso, era sempre eu que corria atrás dela, então cheguei a pensar que era por isso.

—E não acha mais?

Tália viu que Cassie parecia ter um medo no olhar, como se aquilo pudesse mudar as coisas.

—Eu comentei isso com Nate ontem à noite quando precisei conversar com alguém e ele estava matando tempo no videogame. –A morena tentava não se sentir tão nervosa quanto estava. –Ele me disse que Alexis também o intimida sempre que ele se aproxima dela, como se todo o desejo que sente por ela o assustasse, porque Nate sabe que não pode demonstrar isso ou vai assustá-la. –Ela notou que a loira suspirou aliviada. –O que foi?

—Sinto isso por você.

—Qual parte?

—Igual à do Nate, porque parece que sempre que me aproximo um pouco mais, você vai simplesmente desaparecer e não voltar mais.

Tália se sentiu envergonhada e um pouco culpada por aquilo, mas ela realmente achava que Hill tinha razão no que falou, não importava o quanto aquilo fosse mais uma brincadeira do que uma ordem. Queria ir um pouco mais devagar com Cassie não porque era seu desejo ou porque recebeu um pedido, era só que depois de passar tantos anos apaixonada por uma pessoa que não a amava, ela não queria iludir alguém que poderia dar mais do que jamais havia sonhado.

Só não era fácil explicar aquilo para Cassandra.

—Me dê um pouco mais de tempo, eu só não quero ir muito rápido.

—Nenhum de nós é conhecido por ser paciente Tália e eu gosto de sexo. É saudável e não é um crime, mesmo que minha mãe e seu pai sejam dois idiotas.

—Eu sei, não sou idiota e não é pela Hill.

—Então?

—Eu só tenho medo de em algum momento voltar a sentir pela Jocelyn do mesmo jeito, de te machucar e fazer sofrer. –Ela sentiu as mãos delicadas de Cassandra tocando seu rosto.

—Só quem já se machucou e sofreu consegue ter esse medo, ainda que eu entenda. –A morena desviou o olhar. –Ou acha mesmo que não sofri te vendo correr atrás dela?

—Eu sei, só... É um pouco complicado. –Ela notou que Cassie parecia esperar uma resposta. –Eu nunca apostei tão alto em um relacionamento, em uma pessoa, quanto estou apostando em nós duas.

—Acho que devo ficar feliz de ouvir isso.

—É assustador, acredite.

—Eu acredito. –Cassie entrelaçou os dedos das duas mãos nos de Tália, fazendo a mutante ficar de frente para ela aproximando seu rosto do da morena. –E só por isso vou aceitar que mantenha essa sua política de “ir com calma” até quarta-feira, combinado TJ?

Tália olhou assustada para Cassandra.

—TJ?

—Não é seu nome, Tália Josephine? –A morena assentiu. –É um problema eu te chamar assim?

—Não. É que... Tia Emma disse que minha mãe pretendia me chamar assim, como um apelido, só que ela morreu quando eu nasci e ninguém além do meu pai e da tia sabiam disso. –A mutante se sentia um pouco mais confusa do que queria admitir. –A madrinha já me chamou assim poucas vezes, em conversas pessoais, então é algo incomum.

—E é um problema eu te chamar assim quando estivermos juntas?

—Acho que não.

—Que bom.

Tália notou o sorriso de Cassie, o mesmo de quando elas se beijaram no dia anterior.

—Isso não é uma boa ideia.

—Eu não vou soltar as suas mãos TJ, então relaxe, ninguém vai tirar a roupa de ninguém hoje.

E a morena até queria dizer que aquilo não era realmente verdade, mas era melhor do que continuar fugindo de Cassandra sem parar. Ela se deixou envolver pelo beijo da loira e a sensação quente que ele trazia.

A verdade era que Tália não sentia aquela sensação com tanta frequência quanto gostaria, aquele calor suave que preenchia seu corpo de uma forma completa, sem a fazer queimar de desejo. Aquela forma delicada e que trazia um prazer diferente do sexual para seu corpo, algo que por anos apenas Emma pode transmitir para ela de forma tão intensa, não importava o quanto seus amigos tentassem convencê-la.

Era o calor gentil que sentia sempre que Emma a acolhia em seus braços com uma afirmação silenciosa e sincera de aceitação e proteção. Agora, ali com sua testa apoiada na de Cassie, ela podia sentir isso, que a loira também a acolhia por completo, sem exigir ou escolher as partes que a agradavam.

O peito de Tália se encheu de uma estranha sensação de prazer e satisfação que lhe eram familiares, mesmo que não por completo. Algo que sabia já ter sentido vindos dos outros para si, mas não era algo que já havia sentido por si mesma.

—Você vai acabar me deixando louca sabia?

Mas Cassandra riu depositando um selinho nos lábios da morena antes de se afastar para voltar a arrumar o quarto.

—Não vou não.

Tália tinha sérias dúvidas se Cassie estava certa.

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Helena ignorou as primeiras cinco ligações de James em seu celular sem hesitar.

Talvez fosse o efeito da conversa que teve com o pai ou mesmo o fato de que o encontro de Max ainda não ter acabado (o que ela esperava que fosse algo bom), mas a verdade era que ela não queria falar com o seu não namorado naquele dia. Ela sabia que era egoísmo da sua parte, mesmo que o acordo fosse manter as coisas de Miami em Miami haviam detalhes que não eram fáceis de ignorar.

Ouviu o celular tocar novamente e atendeu furiosa.

—Se eu não te atendi nas primeiras cinco vezes é porque não quero falar com você, James.

—Ora, ele está mesmo preocupado ou com saudades.—A voz suave da mulher e a breve risada do outro lado da linha a fizeram se assustar. —Lena?

—Oi mãe. Eu não vi que era...

—Não se preocupe minha filha, apenas acontece.

—É raro a senhora me ligar, normalmente apenas mandamos uma ou duas mensagens por semana e se você precisa de algo avisa o papai para eu te encontrar na sua casa.

—Eu sei, mas seu pai me pediu para te ligar, disse que você parecia estranha depois de voltar de Miami, então o que aconteceu?—Helena hesitou, sempre que podia falava disso com a mãe, mesmo assim era estranho, porque normalmente faziam isso uma de frente para a outra no jardim de inverno da casa em que não podia viver. —Você sabe que pode confiar em mim Lena, eu nunca vou te julgar, mesmo que ache que está errada.

—Eu queria ter ficado em Miami com ele. –A garota soltou de uma vez. –Queria ter continuado a ser apenas a Lena e que ele fosse apenas o Carter para sempre, eu... Estou sendo egoísta de desejar isso não é?

—Não.—A garota se assustou ao ouvir aquilo. —Não é egoísmo meu anjo, você ama James e quer estar com ele a toda hora, todos os dias e minutos que forem possíveis, só que não faz isso.—Helena ouviu um suspiro cansado do outro lado da linha. —Eu me sinto assim sobre seu pai todos os dias que me são permitidos e até nos que não são.

—A senhora e o papai se encontram escondidos.

—Quando conseguimos.

—Mamãe?

—Sim.

—A senhora acha que eu estou errada de afastar o James e não ficar com ele de verdade?

—Acho que você deve fazer aquilo que realmente quer Lena, não agir por medo do que pode ser e depois ficar se sentindo triste e miserável pelos cantos. Acho que você deveria ter mais fé que, independente dos motivos ou como, as coisas vão se acertar e tudo isso não vai passar de outro problema que poderia ter acontecido mais cedo ou mais tarde.

—Você vai casar com o papai?

—Vou.

—Quando?

—Acho que seu pai já te disso isso não foi?

—Ele disse que deixava isso comigo.

—Então você já tem a sua resposta meu amor.

—Mamãe?

—O que você quiser meu anjo.

Helena colocou o celular sobre a mesinha de cabeceira com o viva voz ativado deitando na cama. Já havia programado para que nenhuma chamada fosse aceita até o alarme despertar no dia seguinte. Ela se deixou envolver pela voz musical e ritmada de sua mãe do outro lado da linha entoando uma cantiga antiga em outro idioma que se lembrava de ter escutado algumas vezes quando era criança.

Ouviu as leves batidas ritmadas e baixas de um pandeiro ao fundo enquanto sentia o corpo relaxar e flutuar em direção a um sono leve e profundo, onde os seus pensamentos sobre James eram apenas bons e suas preocupações com os problemas não a alcançavam.

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Jason pensou em perguntar o que Max tinha em mente para o encontro, mas na verdade a surpresa que o midgardiano fez o agradou o suficiente.

O Strange disse que era um restaurante de comida oriental, que servia alguns pratos de quatro países diferentes, mas não muitos. A comida era boa e, para a alegria do asgardiano, eles conseguiam conversar tranquilamente sobre muitos assuntos em muitos idiomas, o que chegou a servir como uma mistura de passatempo e flerte.

De algum modo, um que Jason nunca imaginou ser possível, o encontro estava sendo um verdadeiro sucesso e não poderia pedir mais do que isso. Eles deram uma volta por alguns pontos turísticos menos conhecidos da cidade e depois Max convenceu o semideus a assistir um filme de comédia romântica, que apesar dele achar muito bobo fez ambos darem muita risada, muito provavelmente por um misto de auto identificação e por notarem semelhanças com a vida amorosa das próprias irmãs.

Quando o filme acabou, muito mais tarde do que qualquer um dos dois esperava Maximillian respirou fundo encarando o céu escuro da noite nova iorquina antes de encarar Jason, que pela primeira vez na vida se sentiu realmente nervoso de um modo que suas habilidades de combate não ajudariam.

—Isso foi muito melhor do que eu esperava ou imaginava ser possível. –Ele sorriu para o semideus de uma forma gentil. –Seria errado dizer que não quero que o dia de hoje acabe?

O asgardiano sentiu um choque elétrico percorrer a sua espinha no momento em que a ponta dos dedos de Max tocaram de leve as costas da sua mão e ele amaldiçoou a onda de satisfação que atingiu seu orgulho tanto quanto a sensação de prazer que formigava entre suas pernas.

—Eu acho que seria um pouco egoísta fazer isso caso estivesse dentro dos nossos poderes, afinal algumas pessoas ficariam presas em momentos não tão agradáveis.

Maximillian riu daquilo e dessa vez seu sorriso foi mais intenso e cheio de intenções que fizeram Jason se arrepender amargamente de ter dado aquela resposta, porque o midgardiano aproveitou que não haviam pessoas perto de onde estavam e aproximou seu corpo do semideus até estarem tão perigosamente perto um do outro que o asgardiano podia sentir o hálito da bala de menta do humano sem esforço.

—Eu não estou exatamente preocupado com o resto do mundo nesse momento Jason. –O semideus sentiu quando os dedos longos de Max entraram por dentro da sua camiseta. –Nenhum pouco mesmo.

O asgardiano olhou para os lados um pouco assustado, mas onde estavam ninguém poderia vê-los, então ele engoliu seco.

—Isso não é um jogo Max e, ainda que fosse, eu não gosto de apostar.

—E quem foi que disse que eu estou jogando ou apostando?

E para a surpresa de Jason os lábios de Maximillian eram macios e mais tentadores do que estava preparado para imaginar quando ele o beijou. Para tornar a situação do semideus mais confusa o único pensamento vagamente inteligente na sua mente foi algo como “Droga! Ele é bom nisso.”, o que não ajudava a manter uma linha de raciocínio decente.

Quando Max se afastou o suficiente para que Jason pudesse pensar em coisas mais importantes do que o fato daquele beijo ter sido muito bom, não foi como se ficasse mais fácil para o semideus.

—Eu realmente gostei de te conhecer e conversar com você aquela madrugada, também gostei mesmo de sair com você hoje e podermos ter um tempo apenas nosso, mas diferente da minha irmã, eu não tenho interesse em meias palavras e relacionamentos. –Jason notou que os olhos verdes de Max reluziam de uma forma intensa e sincera. –Quero estar com você de verdade, nem que seja para depois ambos pularmos fora, não aceito essa coisa de que “ninguém pode saber” porque não é comigo. –O Strange deu um passo para trás e o encarou sério. –Agora é com você.

Jason suspirou e encarou Max se sentindo entre a euforia e o cansaço, não importava, entendia o que tinha ali e o que podia fazer, bem como o que era esperado dele, não que ligasse muito para essa parte.

—Antes disso, preciso esclarecer algumas coisas. –O Midgardiano assentiu e ele respirou fundo. –Em Asgard esperam que eu case com uma boa moça e tenha muitos herdeiros, não que isso vá acontecer, mesmo assim eu ainda tenho responsabilidades.

—Algo me diz que não está falando de Asgard quanto a isso. –E Max sorria.

—Não, não estou. Estou falando de proteger a Ur e acho que você entende isso, não é mesmo? –O Strange assentiu. –Eu não vejo problemas em estarmos juntos ou não, mas minha irmã é meio que a minha prioridade até que ela mesma se resolva sobre o que realmente quer, mesmo o Wolf pensa assim.

—Isso é um sim ou um não?

—É um “se mesmo sabendo que tenho minha família acima de qualquer coisa ainda quiser, a gente pode namorar”, e daí é você que responde.

—Minha irmã também é meio que minha prioridade em vários momentos, então acho que podemos lidar com isso.

Jason riu se sentindo aliviado e segurou a mão de Max.

—Então estamos juntos.

—Estamos.

—E agora?

—Vou te levar para conhecer um lugar. –E o sorriso de Max fez Jason sentir outra onda elétrica na espinha.

—Que lugar?

—Meu quarto.

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A primeira coisa que aconteceu quando Andrew entrou na sala de TV em que Christine e Alexis jogavam xadrez foi a Frost pular sobre ele, o que fez a Rasputin rir e levantar.

—Vou para o meu quarto.

Mas o garoto não teve chance dizer nada, porque Chris o beijou e sentiu seus cabelos pegarem fogo, notando que a namorada não parecia ligar para aquilo mesmo sem estar na forma de diamante. Então quando Christine se afastou sorrindo ele também sorriu.

—Como sabia que eu viria? –Andrew apontou para o cordão no pescoço dela. –Eu não mandei mensagem.

—Eu só sabia. –Ele riu e levantou a levando junto para sentarem no sofá. –Novidades sobre a Claire?

—Ela passou a maior parte do dia bem, só teve um incidente agora a noite.

—O que aconteceu dessa vez?

—Uma criança mutante, provavelmente morando na rua a um tempo estava espreitando a Shield quando Claire foi dar uma volta na área na frente do prédio. Sua amiga se aproximou dela, conversou e tentou levar ela para dentro, mas como ainda tem alguns manifestantes por lá um deles jogou uma garrafa na criança que instintivamente atacou a Claire. –Christine deu um pulo no sofá.

—E ela tá bem? A criança e a Claire?

—A Laura ajudou a Claire por conta dos efeitos colaterais, só que mesmo ela não podia fazer milagre estando com os efeitos colaterais do HCM da namorada no corpo. –A loira assentiu. –Tália veio pegar Jean e a Cara para ajudar no que precisavam, quando peguei carona com elas para o Instituto já tinham colocado as duas para dormir e a criança já estava sob os cuidados da Shield que vai ver para onde encaminhá-la depois.

—Pelo menos elas não estão em uma situação de perigo. –Christine suspirou. –Colocar a Claire em uma situação de perigo de morte é um desastre para todos.

—Acho que é por isso que em casos como o do ataque de hoje ela está sempre a meio caminho da blindagem, evita que ela entre no modo “sobrevivência a todo custo”. Embora isso não seja uma questão que ela pode controlar quando começa. –Andrew abraçou Christine. –Ainda não acredito que ficou aqui e não deu um jeito de ir ver a Claire pessoalmente, é quase um milagre você se controlar dessa forma.

—Eu só achei melhor tomar distância. –Ela suspirou. –Uma coisa que Alexis disse mais cedo é verdade, eu sou excessivamente passional quando as pessoas que amo estão em uma situação difícil. Lá eu não seria de qualquer ajuda e ainda poderia prejudicar os esforços de todos para resolver um pouco dessa situação, aqui pelo menos eu não causo mais problemas que o normal.

—Tudo certo entre você e a Rainha Controladora?

—Como se eu fosse dar bola para as implicâncias idiotas da Rachel. Se nem nossas mães estão brigando mais por que eu iria gastar o meu tempo em começar a aceitar as provocações dela nesse momento?

—Sabe, nessas horas eu lembro porque gosto de ser seu namorado.

—É mesmo? E por quê?

—Porque às vezes você é mais madura do que qualquer outra pessoa e depois volta a ser a criança infantil de sempre.

—Você só se enganou sobre uma coisa. –Andy esperou a resposta e Chris falou baixo no ouvido dele. –Você é meu marido agora, não mais meu namorado.

Ele riu.

—Verdade, mas ainda agimos como namorados e acho que isso conta mais. –Ela riu e levantou estendendo a mão para ele.

—Te deixo com essa vitória, agora vamos. Quero dormir abraçada com você.

Andrew sorriu e seguiu Christine como fazia quase sempre desde a primeira vez que segurou sua mão.

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A primeira coisa que Alexis viu ao abrir a porta do próprio quarto foi Nate sentado na poltrona no canto do cômodo, o que a assustou. Primeiro porque ele nunca sentava em qualquer outro lugar do seu quarto que não fosse a cama e segundo que não havia combinado nada com ele naquele dia.

—O que está fazendo aqui?

—Eu só... –Ele suspirou. –Preciso conversar com alguém.

—E não podia ser o James? Vocês conversam sobre tudo o tempo todo.

—Provavelmente é por isso que vim te procurar. –Ele abaixou a cabeça apoiando os braços nos joelhos. –James está com problemas envolvendo a mãe e sobre ele eu falo com a Emma, mas eu preciso falar sobre a Emma e você deve imaginar que não dá para falar disso com qualquer um.

—Eu não gosto de me meter nesse problema Nathan.

—Eu sei, é que isso tá me matando e a Tália não tá disponível para conversar.

—Não?

—Ela chegou dizendo que precisava se acalmar ou faria uma loucura e se trancou no quarto.

—Uau! –Alexis riu e sentou na própria cama de frente para Nate. –Acho que Cassandra está fazendo ela tomar um pouco do próprio veneno.

—É engraçado imaginar isso. –A loira assentiu. –Podemos conversar um pouco?

Ela suspirou vencida e sorriu para ele.

—O que está te incomodando?

—Emma e minha mãe estão começando a se dar bem, talvez até se tornem amigas ou pior... Embora isso seja um grande “talvez”.

—Ah! Bom, isso é problemático.

—Problemático? –Alexis deu de ombros. –Você sabe o que aconteceu quando minha mãe “voltou dos mortos”, não é?

—Ela tentou matar a Emma.

—Ela tentou matar a Emma que estava grávida da Christine. Isso quase fez a Emma ter um aborto, porque para impedir a Jean de explodir o cérebro dela minha mã... A Emma! Ela precisou virar diamante e isso quase causou um aborto nela. –As mãos de Nate tremiam diante da lembrança.

—Você ainda chama a Emma de mãe? –Ele ficou vermelho de vergonha.

—Ela cuidava de mim dia e noite, quando eu me machucava ou ficava doente, me ensinava sobre meus poderes e as matérias da escola. No tempo em que todos acreditamos que Jean estava morta, Emma era quem me acordava e colocava para dormir contando histórias, ela era a minha mãe em todos os aspectos possíveis. –Ele deu de ombros. –Acho que às vezes eu me pego preso naquelas lembranças, porque as coisas eram mais simples e sem tantos problemas que poderiam vir de uma palavra malfalada ou falada de forma inocente.

—Eu acho que entendo isso. –Alexis sorriu para ele segurando a mão do rapaz. –Eu estive por aqui desde antes de sua mãe voltar e fui com Emma quando ela partiu, só voltando depois do nascimento da Chris e esse lugar estava um caos, mas era visível que as coisas eram muito mais simples. Para começar que sua mãe nunca morreu.

Nathan riu daquilo.

—É, ela não morreu de verdade, só foi jogada para frente no tempo. Para ela foram segundos, para nós anos em que precisamos acertar o que fazer depois do caos que foi e aprender a viver sem Jean Grey. Anos em que todas as vezes que Emma me olhava ou abraçava eu sentia o amor sincero e profundo que ela tinha por mim, algo que a faria capaz de matar ou morrer para que eu estivesse bem. –Ele se encolheu parecendo envergonhado demais. –Nunca senti isso com a minha mãe, esse sentimento especial que a Emma nos dava, de pertencer a sua vida e ao seu ser, de sermos sua família e estar em casa mesmo quando não estávamos. –Ele suspirou. –Eu sei que a minha mãe me ama incondicionalmente, mas é diferente. Quando estou com a Emma, seja em uma situação familiar ou cotidiana, eu sempre sinto meu peito apertar, um desejo absurdo de abraçá-la e chamar de mãe.

—Mas a Jean te proibiu de agir assim, não é mesmo?

—Você lembra.

—Como esquecer a verdadeira chuva de ofensas dela para a Emma que chegou mesmo a arrumar tudo para sair do Instituto, mas não pode porque o seu posto de vice-diretora era vitalício e não revogável já tinha algum tempo.

—É, aquilo foi um show de pouca educação, mesmo assim a Emma não abriu a boca para falar nada.

—Ela falou sim. Lembra?

—Lembro.

—Ela disse que se a sua mãe tentasse matar a Christine novamente, especialmente depois de já ter nascido, que ela faria a Jean desejar ter morrido de verdade naquela explosão. Foi bem assustador sob muitos aspectos.

—E depois minha mãe ainda passou a briga para a Rachel, mesmo que indiretamente. –Ele respirou fundo se sentindo mais cansado do que esperava. –Felizmente a Chris nunca pareceu interessada em responder as provocações da minha irmã.

—Você não vai falar? –Nate pareceu confuso. –Sobre a outra parte do problema.

O olhar dele se tornou um pouco mais sombrio e sério.

—Não tem o que falar. Minha mãe me proibiu de me aproximar e Emma de ajudar.

—E você não tem nada para falar sobre isso?

—Mais do que gostaria, só é difícil, então eu não falo disso nem com o James. –Nate suspirou. –Sinto que se eu falasse disso não conseguiria mais mentir a respeito, porque naquela época eu fiquei tão feliz e animado. –Alexis notou que ele não a encarava, mas haviam lágrimas em seus olhos. –No final, eu nunca tive o direito de realmente ser parte da vida dela.

—Você faz parte da vida dela.

Uma risada triste e curta escapou dele antes de encarar a garota.

—Não do jeito que eu esperei fazer. –Uma lágrima escapou dos olhos dele que limpou às pressas. –Não do jeito que deveria ter sido. Outras pessoas ficaram do lado dela como eu deveria ter ficado, apoiaram ela como eu deveria ter apoiado, foram aquilo que eu disse para Emma que seria quando a Christine nascesse. –Nate puxou a camiseta e secou as lágrimas em seus olhos de forma irritada. –E nem posso contar a verdade para ela, explicar o que aconteceu no passado para Emma nem tocar no nome do pai dela, porque eu sou um idiota. Se ela, pelo menos, tivesse a telepatia da mãe, eu podia fingir que deixei a informação escapar, mas nem isso posso fazer.

—Você sabia que se culpa demais por coisas que não são sua culpa?

—Emma fala isso.

—É verdade. –Ele encarou Alexis que ainda segurava sua mão. –Tudo isso é resultado das ações deles, dos adultos, quando nós éramos crianças. A raiva da sua mãe pela Emma, as ações da madrinha tentando proteger a todos menos a ela mesma, a covardia do pai da Chris em tudo que aconteceu, até mesmo a implicância da Rachel com a Christine é resultado disso, das ações deles, não suas.

Nathan olhava para o chão se sentindo miserável como todas as vezes que tinha que lidar com aquilo.

—Minha mãe disse que eu sou forte porque a Emma me criou naqueles anos, e tudo que eu queria fazer nessas horas era sumir.

—Mas não some, então acho que sua mãe está certa. –Ele encarou Alexis confuso. –Nós todos que fomos criados pela Emma, que aprendemos a ser melhores do que os erros que ela cometeu, sabemos ficar mesmo que seja difícil. Tália não seria metade da pessoa que é se tivesse sido criada pelo tio Kurt e você seria uma versão ridícula do seu pai. –Nate riu daquela parte. –E eu teria muito mais medo do que já tenho, mesmo tentando melhorar e falhando quase sempre.

Um sorriso triste surgiu nos lábios de Nate que respirou fundo.

—É por isso que odeio quando dizem que eu sou “Perfeito”.

—Realmente não é verdade, eles te idealizam como uma pessoa forte e responsável.

—Se eles soubessem que eu sou egoísta, possessivo, metido, irritadiço e frustrado, não gostariam nem de me ver na frente deles.

—Mas eles não sabem, não é?

—Não. Se soubessem como somos de verdade eles teriam você como modelo e não eu ou Rachel.

—Isso é meio exagerado.

—Talvez. –Nate respirou fundo e encarou Alexis. –Obrigado. Você não tinha que concordar em me ouvir.

—Não foi ruim.

—Mesmo assim, obrigado. –Ele levantou da poltrona e afagou os cabelos dela. –Você é uma pessoa muito melhor do que eu. –Nate deu um passo para trás e virou na direção da porta. –Vou indo, acho que você quer dormir e eu já atrapalhei o suficiente.

E quando ele deu um passo para sair sentiu a mão de Alexis no seu pulso.

—Fica aqui hoje.

Ele ficou momentaneamente confuso.

—Tipo o normal para gente?

E ela riu.

—Não, apenas fica. É bom ter companhia depois de algo assim e eu gosto quando podemos ter um momento menos nós mesmos.

Nate riu.

—Eu durmo só de cueca, então não vai ser meio estranho?

—Eu uso sua camiseta de pijama e ficamos quites.

Ele concordou e os dois se arrumaram para dormir, mesmo que Alexis tenha insistido em se trocar com a porta do banheiro fechada, Nathan sabia que certas coisas não podiam ser mudadas facilmente.

Quando Alexis deitou na cama Nate já estava lá e a garota tentou ignorar que aquilo era até mais assustador do que quando apenas transavam, principalmente porque ela queria mais e mais daqueles momentos simples e só deles. A loira sentiu os braços dele a envolverem em um abraço pela cintura a puxando contra o corpo que conhecia melhor do que jamais admitiria.

—Seu corpo é quente. –Ele parecia um pouco mais cansado do que ela esperava. –Gosto disso.

—É meu sangue de demônio, meu corpo é mais quente que o de um humano, mas nada comparado com o Andrew que é um vulcão ambulante.

—Imagino. –Ele respirou fundo e ela notou que o corpo dele parecia estranhamente relaxado. –Me sinto tão bem assim. É bom. É muito bom.

Alexis sentiu vontade de perguntar o que ele queria dizer, mas sabia que Nate já estava dormido. Ela tentou não pensar em como uma pessoa podia ficar tão cansada pelos problemas que o cercavam, e, mesmo que tentasse, não podia ignorar as coisas que aconteciam com ele.

Não quando era Nathan a primeira coisa que pensava ao acordar e a última ao dormir.

Continua...

No próximo capítulo: Tony.

Notas finais
Nome: Valéria Meghan Storm Richards A.K.A.: Jewel Idade: 17 Origem: Manhathan, NY Aniversário: 19 de Dezembro Signo: Sagitário Raça: Mutante Mágica Altura: 170 Status: Viva Cabelo: Loiro Olhos: Azuis Habilidades: Força sobre-humana; Invulnerabilidade; Geração de campos de força; Invisibilidade; Eletrocinese; Aptidão para a Magia; conhecimentos Mágicos Aliança: Heróis Afiliações: Vingadores, Quarteto Fantástico, X-Men, Victor Von Doom/ Latvéria Relacionamento: Susan Storm-Richards (mãe); Reed Richards (pai); Victor von Doom (padrinho); Jonathan Storm (tio); Ben Grimm (tio adotivo); Alicia Masters (tia adotiva); Franklin Benjamin Storm Richards (irmão); Damian Sebastian Von Doom (melhor amigo);