Marvel Universe: All Different World
11 Capítulo XI: Emma. – Mãe e Filhas.
Notas iniciais
Data Terrestre: 18 de Setembro
“Dias ruins começam ruins.”
É o que algumas pessoas acreditam.
Já eu sei que isso nunca funciona exatamente assim.
Muito embora meus últimos dias não tenham nem terminado para dizer que começaram de forma errada.
Não tinha conseguido falar com a Christine no dia anterior e a última vez que a vi o Andrew estava junto, mais uma vez.
Como não consegui dormir direito acordei cedo e fui até o quarto dela, não vou dizer que me surpreendi ao ver o Andrew abrir a porta, só o fato do certinho do meu genro estar usando só a cueca foi inesperado.
—Dona Frost! Eu sinto muito. –Ele realmente parecia constrangido e se escondeu atrás da porta.
—Relaxe Andy. Já vi muita gente sem roupa e você correndo pelado pelos corredores dessa escola com dois anos. –Ele ficou muito envergonhado e os cabelos pegaram fogo. –Chame a minha filha.
—Sim senhora. –Ele ainda estava com o cabelo em chamas quando se afastou para acordar a minha filha, que dorme quase como uma pedra. –Chris. É a sua mãe e ela quer falar com você. Vamos, levanta. É a Emma.
Quando Christine levantou não parecia nem um pouco surpresa comigo ali, assim como nem parecia ligar para o fato que estava usando a camiseta de Andrew como pijama.
—Você podia ter esperado o café da manhã. –Foi tudo que ela falou antes de fazer sinal para o Andrew voltar a dormir, levantar e vir ao meu encontro do lado de fora do quarto. –Quer ir para o seu escritório ou podemos conversar aqui mesmo?
E ela odeia ser acordada antes da hora, especialmente de manhã, como eu.
—Não tem problemas se for aqui? –Ela apenas deu de ombros como se fosse indiferente e eu não tentaria forçá-la para evitar uma briga precipitada. –Desculpe pelo tapa.
Mas Christine apenas abaixou a cabeça parecendo constrangida.
—Tudo bem. Eu meio que mereci pelo que falei.
—Mesmo assim ficou sem falar comigo de sexta-feira até eu te ligar ontem e sumiu do Instituto até a segunda-feira. –Ela balançou a cabeça como se não entendesse. –Fiquei preocupada.
—Você sabe que normalmente vou ficar com o Andrew ou na casa da Claire quando preciso ficar fora ou pensar, no máximo na casa do Tristan.
—Eu sei. –Christine ficou novamente em silêncio, provavelmente para evitar outra discussão como a última. –Quer que eu te conte algo?
Ela riu.
—Seria muito importante para mim se você falasse quem é meu pai ou se ele, pelo menos, está vivo. –Acho que Chris notou que não era isso, já que voltou a ficar séria. –Pode falar.
—Não gosto de falar no seu pai porque é doloroso, não por algo ruim em particular. –Tirei uma mecha do cabelo dela do rosto. –Eu amei o seu pai mais do que a mim mesma, mais do que imaginava ser possível alguém amar uma pessoa. E eu só amei assim novamente você, suas irmãs e seus irmãos. –Ela pareceu chateada porque minhas outras filhas pelo menos sabem quem são seus pais. –E você não foi um acidente. Foi planejada e esperada ansiosamente, infelizmente nem tudo sai como planejamos e às vezes machuca lembrar-se disso por melhores que sejam os resultados. E você foi o resultado perfeito.
Christine desviou o olhar.
—Eu não sou telepata.
Acabei sorrindo ao ouvir isso.
—Na verdade, nunca esperei que fosse. –Ela pareceu surpresa. –Esperava que fosse mais parecida com ele, não comigo; embora você tenha uma personalidade bem dívida entre a minha e a dele. –Notei as pequenas lágrimas nos cantos dos seus olhos. –Sei que não é a resposta que queria, mas é só o que posso te dar agora. –Me aproximei e dei um beijo na sua testa o que a assustou. –Não duvide que eu te amo meu anjo, porque você é uma das poucas coisas que amo nesse mundo.
—Não parece muito. –E apesar da forma meio emburrada que ela disse aquilo eu sorri.
—Tive muitos anos para aprender a esconder meus sentimentos até de mim em um espelho, isso não deveria ser estranho de parecer e não ser.
—Tudo bem.
E tudo que Christine fez foi me dar um abraço e voltar para dentro do quarto às pressas, provavelmente para chorar abraçada ao namorado.
Pelo menos era o que esperava que ela fizesse e ele aceitasse.
Procurei acalmar minha mente dizendo a mim mesma que havia feito o certo antes de me afastar do quarto dela.
Era muito cedo para chamar alguém além do McCoy ou da Cara, então achei que valia a pena passar no corredor caso alguém acordasse às cinco da manhã.
E de algum modo eu encontrei alguém acordado.
Estava quase desistindo quando vi a porta do quarto de Nathan abrir e Alexandra sair de lá pé por pé com um sorriso divertido de quem havia aprontado algo.
Resolvi que seria interessante assustá-la como se eu não soubesse dessa relação maluca deles.
—Então, dormiu bem Alexis?
Ela virou assustada.
—Emma?
—Preferia a sua mãe agora?
—Não tenho certeza.
Aquilo sim me fez ri.
—Relaxe Alexandra, isso não é novidade para mim. Nem vocês e nem esse tipo de relação, sem falar que eu sei que você gosta dele, está escrito na sua cara desde que se conhecem. –Mas tudo que recebi de resposta foi Alex tentar arrumar o cabelo e as roupas de forma apressada. –Pode ir. Só não sinta vergonha do que sente por ele.
Ela apenas acenou e saiu correndo na direção do próprio quarto a poucas portas de distância.
Continuei achando graça na reação dela, mas resolvi que deveria descer até o laboratório do McCoy no subterrâneo e ver como estavam às coisas por lá, o que sempre pode ser uma ideia melhor do que parece.
Hank e Cara não tem muito juízo em alguns momentos, com a Rose junto isso normalmente se torna mais do que possível e como não vi a minha filha caçula desde ontem é certo que ela está com a irmã no laboratório.
Mesmo assim precisava ver se elas estavam bem, o que incluía levar um pouco de café ou leite quente para a Cara.
Desviei meu caminho para a cozinha e encontrei Jean lá.
—Caiu da cama ruiva?
—Um pouco. –Ela pareceu um pouco tensa, embora mais amigável que o normal, o que me deixou menos preocupada. –Alexis passou a noite com o Nate no quarto dele e normalmente não consigo ignorar os dois na parede vizinha, então fui assistir alguma coisa na sala de TV.
Acabei achando graça, ainda que no começo eu também ficasse incomodada com Andrew e Christine no mesmo quarto.
—Pode me ajudar a não destruir a cozinha para fazer um café e leite quente? –Arrisquei.
—Eu ouvi seus pensamentos sobre as meninas, então já está quase pronto.
—Não tenho como ficar brava com você nesse momento. –Jean arqueou uma sobrancelha fazendo a pergunta óbvia. –Consegui conversar com a Chris.
—Posso ver?
—Fique à vontade. –Deixei que ela visse a conversa com minha filha mais velha.
Mas quando terminou a resposta foi um pouco diferente do normal.
—Não acha que deveria contar agora?
—Pensei que não gostasse da ideia. O que houve?
—Me coloquei no seu lugar e principalmente no dela. –Continuei esperando uma resposta mais especifica. –Nunca notei o quanto isso prejudicava seu relacionamento com ela até o que aconteceu na sexta e não consigo parar de pensar em como seria estar na mesma situação com a Rachel.
Entendia o que ela queria dizer, ainda que de muitas formas o passado não me incomodasse a muito tempo, ao menos sobre essa parte da minha vida eu estava em paz mesmo com as discussões com Christine.
—Não é como se isso fosse culpa de alguém Jean, a decisão foi minha. –Porém Jean ainda pareia incomodada. –Eu decidi que não esperaria uma posição diferente do pai dela. Não só sobre ir embora quando descobri que estava grávida, como de não querer o pai dela na nossa vida como pai e sou eu que tenho que arcar om as consequências dessas escolhas, incluindo a raiva da Chris.
Jean parecia não saber o que pensar sobre aquilo, então apenas separou o café e as canecas, três delas.
—Elas estão com o McCoy, seria legal levar para ele como agradecimento. –Ela não tentou esconder que ficou mais balançada com o que falei do que o normal, mas não tentou manter o assunto.
Eu também não queria insistir naquele assunto.
—Pode ser uma boa ideia.
—Por favor, pega o achocolatado no armário?
Concordei enquanto Jean pensava no que falar.
—Sabe, sempre me perguntei quando ou se ela vai despertar uma mutação secundária e imaginei qual seria. E você?
Entreguei o achocolatado para ela.
—Fala pela possibilidade dela herdar a mutação do pai ou do tio?
—A cor do diamante dela sempre me pareceu uma indicação disso. –Ela terminou de preparar o leite e colocou em outra jarra na bandeja.
—Talvez. Ou quem sabe seja só um lembre para mim.
—Bom ponto. –Ela empurrou a bandeja na minha direção. –Pode pegar.
—Obrigada.
—Não foi nada. Só seria triste ver o Hank e suas filhas morrerem envenenados com a sua comida.
Deixei essa passar, a final a minha comida só não é pior que a da Kitty e mesmo assim porque eu não tento cozinhar.
Entrei no elevador e desci para o subterrâneo, mas me surpreendi ao encontrar Hank esperando na porta do elevador.
—Olha só quem apareceu aqui. Permita-me. –E antes que eu pudesse responder ele pegou a bandeja das minhas mãos. –Obrigado por isso minha cara.
—Vou presumir que estava indo buscar o café.
—Como sempre você sabe o que eu penso às vezes, o que me lembra que as meninas estão no laboratório da Cara.
—Viu o que as duas estão fazendo?
—Não.
Deixei Hank para trás e me adiantei até o laboratório dele para chegar à porta do da Cara.
Não me surpreendi muito quando a porta abriu.
Rose estava usando a máscara de respiração dentro do tanque de testes enquanto Cara fazia o monitoramento dos dados de ponta cabeça.
—Vocês realmente são filhas dos seus pais. –Mas tudo que recebi de resposta foi a risada muda de Rose no tanque e o sinal de positivo de Cara. –Tudo bem meninas me digam exatamente o que estão fazendo agora.
Como Rose deu de ombros e sobrou para Cara responder, como sempre.
Especialmente porque as duas parecem se recusar a conversar por telepatia fora de missões ou com outras pessoas que não sejam elas.
—Rose insiste que eu comece o processo para infundir adamantium nas garras dela e eu preciso de mais exames, além de duas semanas, para fazer isso. Então estou fazendo um plano avançado de exames ou minha irmã mais nova vai me enlouquecer. Esqueci alguma coisa Rose?
E apesar da forma mal-humorada de Cara falar, Rose acenou positivamente de forma eufórica de dentro do tanque balançando os cabelos negros.
Entretanto tudo que fiz foi ir até o tanque a bater no vidro chamando a atenção delas.
—Falou com seu pai sobre isso? –Rose fez que sim. –E o que Logan falou? –Ela rolou os olhos azuis. –E mesmo assim vai ignorá-lo? –Outro sinal de positivo. –É. Você não nega seus pais. –Outra risada muda. –Não diga que não avisamos que isso vai doer. –Ela confirmou.
—Não adianta falar. O tio Logan ficou muito bravo com ela, mesmo assim nada funcionou e ainda sobrou pra mim. –De algum modo Cara odeia levar bronca do Logan.
—Ele ficou bravo porque concordou em fazer isso para ela.
—Sou uma cientista como meu pai. –Ela parecia ofendida agora, mas logo desceu do apoio no teto e me encarou. –Prefiro eu fazer isso com a Rose do que ela procurar um maluco como o que fez as garras da Laura e o esqueleto do tio Logan.
—Sabe que a Laura não escolheu não é mesmo? –Ouvi o suspiro dela um pouco cansada. –Pode acender as luzes? Posso ver sua irmã no tanque, mas não seu rosto.
Vi ela se mover e as luzes se acenderam revelando o cabelo quase branco preso em um rabo de cavalo baixo e os olhos azuis mais cansados que de costume.
Não precisei falar para ela apertar o botão e ativar o esvaziamento do tanque sob os protestos de Rose.
—Não dormimos, mas vamos fazer isso agora mãe. Vou avisar meu pai que deixei testes correndo e pedir para ele ficar de olho até ficar pronto.
—Tudo bem, apenas agende um lembrete no computador dele ou Hank vai esquecer. –Ela concordou. –Um bem barulhento ou ele não ouve.
Quando Cara saiu, o tanque da Rose esvaziou e ela saiu molhada de lá, parecendo brava.
—Não podia ter esperado mais algumas horas?
Joguei a toalha para ela secar um pouco os cabelos.
—Quantas horas por semana sua irmã dorme na cama dela e não pendurada no laboratório? –Rose encolheu os ombros e eu os segurei. –Não estou brava com você por querer colocar o adamantium no seu corpo, na verdade eu entendo a sua motivação, só que a sua irmã é viciada em trabalhar nos experimentos e procedimentos de todos os tipos. –Tirei os fios molhados do rosto dela. –Mais que isso, ela quer que você fique bem, assim como eu ou a Chris, por mais relapsa que ela seja. Então pega leve com a Cara que ela vai fazer o enxerto, porque você quer.
—Desculpa. Esqueço que não posso ir com tanta pressa assim todas as vezes.
—Tudo bem Rose, seu pai é assim também.
—É mesmo, e eu sou igual o meu pai. –Me virei para ver Cara tirando o jaleco e estendi a mão para ela.
Cara segurou como sempre e apertou minha mão.
—Você vai dormir oito horas, tomar banho e comer uma refeição reforçada antes de voltar ao laboratório, entendido? –Ela acenou que sim e olhei para Rose. –Já você vai tomar um bom banho, comer alguma coisa, dormir um pouco e só depois que sua irmã comer vai pedir para ela voltar aqui, certo?
Rose concordou e as duas pularam no meu pescoço me dando um abraço apertado.
—Tudo bem mamãe.
E então saíram correndo pela porta me deixando com Hank parado na outra sala.
—Elas te amam. –Achei a frase dele diferente do normal, o que me fez encará-lo. –E falo das três. –Isso me fez sorrir. –Logan vai querer conversar com você sobre a Rose.
Me apoiei na bancada.
—Eu sei. O problema é que a Rose é cabeça dura como eu e ele.
—E a Cara determinada como nós dois. –Hank sentou na cadeira do microscópio, mas eu sabia que a conversa ainda não tinha acabado. –Já pensou em contar para a Christine por que depois dela nascer teve uma filha comigo e outra com o Logan, mesmo que eu ainda não saiba a resposta exata?
E ele sempre fazia a mesma pergunta quando me pegava sozinha.
De alguma forma eu sabia que Hank sempre perguntaria a mesma coisa até ter uma resposta.
—Juro que um dia eu te conto todos os detalhes, se bem que você é um dos meus melhores amigos e em quem eu confio o bastante para ter uma filha. Só que no momento eu tenho algo para cuidar.
Hank soltou uma gargalhada e tirou os olhos do microscópio.
—Vai lá então Emma. Sei que está tentando o melhor para todos nós.
Tentei não me sentir tão culpada pelo que fazia quando sai do laboratório dele e subia para o meu quarto, mas a verdade é que não tinha como.
Pude ouvir uma movimentação no quarto das garotas quando passei na frente da porta e ouvi a calmaria mental no quarto da Christine indicando que ela e Andrew dormiam profundamente.
O quarto da Alexandra também estava calmo mentalmente falando, assim como o do Nathan e o da Rachel. Jean ainda estava na cozinha e Scott também dormia.
Assim que entrei no quarto tranquei a porta e suspirei antes de seguir para a cômoda e pegar o transmissor na gaveta ainda tensa.
Apertei o botão para ligar e esperei ouvir a confirmação do outro lado quando a voz dele soou.
—Faz algum tempo Emma.
—É. Mas agora que Ur veio para a Terra acho que precisamos conversar.
—
—
—
Continua...
—
—
—
No próximo capítulo: The Time Between...
—
—
—
Fale com o autor