Marvel Universe: All Different World
78 Capítulo LXXVIII: Dias de Um Passado Distante. - Parte 2.
Notas iniciais
21 Anos Atrás
04 de Outubro
Apesar do plano inicial fosse dar tempo para Scott sofrer seu luto, Emma e Ororo perceberam que não poderiam esperar tanto.
O Instituto estava em nome de Scott e Jean, mas agora que a ruiva estava morta era Ciclope quem tinha a palavra final e, mesmo que a Rainha Branca fizesse um excelente trabalho administrando o lugar com Ororo, haviam coisas que apenas o Diretor Summers podia fazer.
Elas precisaram convocar uma reunião com todos os mutantes que participavam, diretamente ou não, da manutenção e cuidados do Instituto; foram três dias até todos chegarem. Aquele encontro deixou todos na sala tensos, afinal algumas pessoas ali não se davam muito bem umas com as outras quanto seria o ideal, o que não melhorou quando Emma começou a explicar o motivo da reunião de emergência.
—Deixa ver se eu entendi. –E mesmo sem querer a Frost cedeu a palavra para Vampira. –Você está dizendo que Scott está inapto para conduzir a escola porque a esposa dele acabou de morrer e quer que façamos algo?
A Rainha Branca notou onde aquilo levaria, ainda assim tinha que tentar.
—Não exatamente o que você está pensando, mas quase isso. –E ela não mentiria.
—Então o quê? Você quer que interditemos o Scott e depois entreguemos a escola de bandeja para você voltar a brincar de Rainha do Clube do Inferno?! –E mesmo sabendo que seria difícil dialogar com Vampira, Emma ainda queria tentar, porém foi cortada pelo namorado irritante da garota.
—Só porque agora a Jean está fora do caminho para te impedir não significa que vamos te apoiar. –E ela odiava o fato de Gambit ser um idiota nesse momento mais que tudo.
A Rainha Branca estava prestes a mandar o casal calar à boca e escutar quando James e Nathan começaram a chorar nos carrinhos no canto da sala.
Todos pararam a discussão surpresos, mas Emma e Ororo apenas levantaram e foram até as duas crianças com calma. Tempestade voltou para a mesa com Nate nos braços e Emma com James.
—Eu espero, sinceramente, que esses dois sejam melhores amigos ou namorados quando crescerem, porque isso já está ficando ridículo. –A loira reclamou.
—Bom, pelo menos eles acordam e dormem ao mesmo tempo, já pensou se fosse o oposto? –A Monroe notou a careta da Frost e depois encarou os outros na mesa. –Scott não vê Nate desde antes do enterro, quem tem cuidado dele somos nós; quem tem cuidado da papelada do Instituto é a Emma e eu tenho tentado ajudar como posso ao máximo. –Ela suspirou cansada. –Todos perdemos algo com a morte da Jean, até a Rainha Branca aqui perdeu a pessoa que gostava de infernizar.
—Idiota. –Emma resmungou.
—É a verdade. –A loira deu de ombros. –A grande questão é que Scott está agindo como a única vítima de uma tragédia, só que ele se esqueceu de todos nós. O Nate perdeu a mãe e nem entende isso ainda, se não fizermos algo ele também pode perder o pai. –Ororo suspirou cansada. –E o Instituto vai ser fechado se o Scott não reagir.
—Espera! –Todos encararam Wanda Maximoff, que até então não parecia prestar atenção na conversa. –Explica isso direito.
Emma e Ororo trocaram um olhar cansado de quem não sentia a menor vontade de fazer aquilo, embora não tivessem escolha
—Quando Xavier sumiu, ele deixou um documento em que passava tudo para o nome de Jean e Scott. –Emma notou que James havia dormido em seu colo e sorriu. –Desde a propriedade até as patentes, empresas e contas no banco para a manutenção do Instituto, só que tudo isso vem com condições.
—E você não pode simplesmente pagar por isso tudo do seu bolso até ele se recuperar? –Todos olharam para Kitty Pride como se ela tivesse falado algo errado. –Que foi?
Já Ororo encarava Emma que observava James.
—É o que tenho feito, inclusive com a ajuda de recursos que a ‘Ro conseguiu com T’Challa, pelo menos no que diz respeito à parte financeira.
—O problema é que tem uma parte dessas condições que apenas o Scott pode cumprir. –Ororo notou que Nate também dormia profundamente. –Avisamos o advogado do Instituto da morte da Jean e ele informou o banco oficialmente, o que torna o Nathan o herdeiro integral dela e, por ser um bebê, livre de certas obrigações. Só que isso não isenta o Scott.
—Existe um documento, algo relativamente simples e bobo, que tem que ser assinado todos os anos em janeiro. Se Scott não assinar esse “Termo de Manutenção de Propriedades” o prédio e o terreno vão a leilão. –A Frost não gostava daquela história.
—Sendo mais precisa, tudo que estiver na propriedade até o dia cinco de fevereiro se torna propriedade do banco e vai a leilão, o que significa que qualquer um pode comprar. –Ororo disse aos outros, que pareciam em choque. –Sincaramente, eu e Emma até chegamos a cogitar deixar isso acontecer para comprar a propriedade em nossos nomes, mas nos ocorreu que o leilão pode demorar meses ou eles podem dar um jeito de nos impedir de participar ou mesmo que o governo pode tomar a propriedade entre o dia primeiro e cinco de fevereiro. Não temos muitas alternativas segundo o advogado.
—Então, a não ser que o Scott morra, precisamos que ele reaja; e juro que mato o imbecil que sugerir que matar Scott Summers é mais prático! –Todos olharam surpresos para Emma, que respirou fundo. –Desculpem, realmente precisamos arrumar um advogado decente para substituir o atual. –Ela encarou todos na mesa. –Temos duas opções válidas. Na primeira, Scott reage e retoma suas funções, mesmo que aos poucos e com a ajuda de todos. A segunda alternativa é fazer ele ir ao banco, nem que seja sob forte controle mental, e assinar os documentos junto com uma procuração deixando eu e Ororo como responsáveis por tudo, incluindo a guarda do Nathan.
—Como é?! –Todos gritaram, menos Hank e Logan.
—Você não comentou essa parte de me incluir nas procurações. –Não que Tempestade parecesse realmente preocupada.
—Bom, mesmo que eu não goste de admitir, o único motivo desse último mês ter dado certo foi a sua ajuda. Não espero que deixe sua vida pessoal de lado, depois de resolvermos isso vou poder lidar com a maior parte dos problemas sozinha e, se for o caso, coloco esse bando de gente para me ajudar na marra. Só não vou abrir mão de ter a única pessoa em que confio para ficar no meu lugar ao meu lado, nem que seja apenas no papel durante a maior parte do tempo. –Emma apontou para os demais. –Até porque a maior parte deles vai me cobrar respostas e resultado, mas ajudar que é bom, nada.
—Ei! Eu posso ajudar. –Kitty reclamou.
—Sim. Só que, sem querer ofender, você voltou para a Terra a uns dois meses, até onde sei vai voltar para o espaço em pouco mais de um mês ou menos. –A Lince Negra pareceu envergonhada. –Não faça essa cara, já falei que ter uma vida pessoal, estar com pessoas que ama não é errado, na verdade é algo muito bom, só que você não tem como assumir esse tipo de compromisso com o Instituto se não estará na Terra. Não importa o tamanho da sua boa vontade. –Emma sorriu sarcástica. –O que é bem mais do que a maioria nessa sala tem apresentado. –Alguns fizeram cara feia para a Rainha Branca, enquanto outros se resignaram a verdade das palavras que ouviriam. –Tem pessoas aqui que só criticam o que eu e a ‘Ro fizemos no último mês, outros já disseram que ajudam no que der sem tomar responsabilidades por decisões do Instituto; aqueles que só aparecem quando convocados e aqueles que nem aparecem, mandam um representante.
Os presentes reagiram em níveis diferentes.
Wanda e Pietro se conformaram em sua bronca sobre só vir quando convocados, caso similar ao de Danielle Moonstar, Jubileu e Mancha Solar, todos com vidas pessoais ou profissionais atribuladas. A mulher ruiva de pele morena, que todos sabiam ser Mística, não se moveu. Ela estava ali como representante de três membros, com ordens de Magneto e um salvo conduto de bom comportamento muito tênue.
Logan, Hank, Amara e Bob fizeram caretas em níveis variados, pois sua disponibilidade de ajuda não incluía ajudar na gerência da escola. Illyana, por outro lado, havia voltado a menos de uma semana e parecia mais tensa do que o normal, como se esperasse o momento certo de despejar uma bomba sobre os demais depois de meses desaparecida.
Já Vampira, Gambit, Noturno, Piotir, Míssil e Lupina encaravam a Rainha Branca com raiva; ironicamente, apenas Míssil e Lupina porque não gostaram de ouvir sobre vir quando convocados já que suas vidas eram meio bagunçadas, os outros por adorar criticar o trabalho da Frost.
O clima na sala ficou tenso por alguns minutos, até Mística falar.
—Vamos votar. –Todos a olharam surpresos. –Quem acha que devemos agir, independe da opção para salvar a escola?
—E por que devemos te ouvir? –Gambit reclamou.
—Porque sou a representante de três votantes que pela primeira vez desde o começo da reunião se pronunciaram e foi para pedir uma votação. –A metamorfa apontou para o aparelho em seu ouvido. –Então se ninguém tem uma ideia melhor, devemos votar.
—Ela tem razão, o que é quase um milagre. –Logan falou pela primeira vez e levantou. –Quem é favor de fazer algo para salvarmos o Instituto se manifeste ou dê o fora e não volte.
Todos os presentes concordaram e Wolverine encarou Raven.
—Magneto, Polaris e Destructo concordam. –Ela respirou fundo. –Eles discordam quanto à opção. Erik prefere o controle mental e a procuração, como Emma sugeriu. Lorna e Alex acham que é melhor deixar essa opção como um plano B e focar em trazer Scott de volta de uma forma menos agressiva.
—Tudo bem, isso responde a segunda votação. –Logan não gostava de concordar com Mística, mas era um mal necessário no momento. –Quem aqui prefere a opção menos agressiva?
Com exceção de Logan, Hank, Wanda, Pietro, Illyana, Lupina e Danielle Moonstar, todos concordaram com aquela opção.
—Parece que oito querem ser agressivos e quinze querem pegar leve.
Logan comentou e logo Ororo suspirou.
—Sim, mas quando propus essa ideia mais agressiva foi como um plano B em mente.
—A ideia foi sua? –Vampira parecia indignada.
—Foi. Emma ficou surpresa e perguntou se não era melhor o Hank me examinar por precaução. –A mutante do clima não parecia preocupada.
—O que eu fiz, ela está com a saúde em dia. –McCoy afirmou.
—Tenho minhas dúvidas. –Emma resmungou.
—A questão é que se Scott não mostrar bons sinais de melhora até mais tardar o meio de dezembro, vamos ter que usar o plano B, quer gostemos ou não dessa opção. Então é bom que todos tenham isso em mente desde já. Nossa prioridade, antes de mais nada, é manter o Instituto aberto para proporcionar um refúgio aos alunos.
—Eu discordo da indicação da Emma para a procuração. –Vampira levantou.
—Você não discorda de nada. –E todos se assustaram com a firmeza de Ororo, que fez Vampira sentar as presas. –Ninguém aqui consegue fazer o que ela faz, com a eficiência e competência necessários para manter esse lugar funcionando, nem mesmo eu que sei fazer o serviço graças a ela ter me ensinado poderia fazer tudo que Emma faz enquanto ajuda a cuidar de dois bebês, dar aula e ainda resolver problemas como os da Alison Blaire sem enlouquecer ou ferrar com a vida de todos. Então se alguém aqui tem problemas com quem deve ou não ocupar uma posição de comando se precisarmos da procuração, pode vir falar comigo no braço.
Algumas pessoas olharam assustadas e outras surpresas, Emma apenas encarava James enquanto Logan e Hank fingiam que nem estavam ali. Foi a risada de Mística que chamou a atenção de todos.
—Desculpem, é que os três disseram que tinham dúvidas se Ororo era mesmo uma opção, já que ela pode ser boazinha demais, só que depois dessa... Nossa, eles apoiam completamente o nome das duas no caso do plano B seja usado.
—Nesse caso, é bom esclarecer que eu e o Pietro também concordamos com o nome de ambas. Mais alguém? –Wanda parecia achar graça em tudo, assim como o irmão.
E naquela última votação, os únicos que não concordaram completamente com os nomes de Ororo e Emma para o plano B foram Vampira, Gambit, Piotir e Noturno.
—Antes de encerrar tudo... –Todos olharam assustados para Illyana. –Parem com isso, não é o fim do mundo. –A russa suspirou. –Não vou voltar por algum tempo, então não vou poder ajudar.
—Algum problema, irmãzinha? –Mas Piotir foi fuzilado pelo olhar da caçula.
—Aconteceu algo grave Lyana? –Kitty Pride parecia realmente preocupada.
A Rasputin hesitou.
—Não é um problema para os X-Men, só vou precisar passar um tempo no Limbo e não vou poder voltar tão cedo, nem vou poder entrar em contato. –Ela encarou Emma e Ororo. –Posso designar alguns cães infernais para ajudar com a segurança do perímetro da escola, deixar um selo mágico com vocês e o Logan ou quem acharem melhor, e esse é o máximo de contato que vão ter de mim.
—Tem certeza que vai ficar bem sem a nossa ajuda? –A Frost a encarou um pouco mais firme.
—Podemos conversar mais tarde, mas sim. Acredite, apesar de serem questões que tenho que focar minha atenção completa, não é nada comparado com o fim do mundo que já enfrentamos outras vezes. –Ela encarou Kitty e depois voltou a sua atenção para os demais. –Espero que vocês fiquem bem enquanto estou fora, sei que eu vou ficar bem e segura enquanto estou lá.
—Se você tem tanta certeza disso, acho que eu só posso confiar na sua palavra. –A Lince Negra sorriu um pouco triste para a amiga.
—Bom, se isso é tudo e já estamos com a questão do Scott definida, vamos começar os preparativos para trazê-lo de volta ao normal. –Emma suspirou e encarou Wanda. –Creio que vou precisar da sua ajuda para o processo. Se concordar vou arrumar tudo que precisar para ficar no Instituto com todo o conforto e tranquilidade. –A Feiticeira Escarlate assentiu e a loira se voltou para Danielle. –Também vou precisar da sua ajuda, então me diga o que precisa e dou um jeito de conseguir. –Miragem concordou e a Rainha Branca encarou os demais. –Estão dispensados. Eu e Ororo vamos voltar ao trabalho.
E sem se importar com possíveis perguntas, as duas mulheres saíram com as duas crianças em seus carrinhos. Ninguém precisou de outra orientação sobre o que deveriam fazer ou onde ir, apenas fizeram.
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15 de Outubro
Emma queria dizer que as coisas melhoraram totalmente depois da reunião, seria mentira; sob certos aspectos as coisas pareciam ter desandado um pouco mais do que deveria.
Na pressa de impedir a Rainha Branca de assumir o Instituto, Vampira e Gambit se juntaram a Piotir e Noturno em uma tentativa desesperada de trazer Scott de volta ao normal, o que resultou em uma parede destruída e dores de cabeça para a Frost.
Kitty Pride teve que ir embora mais cedo e Ororo precisou fazer uma viagem de emergência para Wakanda dois dias depois da reunião, deixando Emma com a ajuda complicada de Hank e Logan.
Mancha Solar se comprometeu com ajuda financeira extra e a revisar as finanças do Instituto a cada duas semanas. Lupina veio como um brinde junto com Danielle e assumiu um lugar como assistente de Logan na segurança da escola.
Illyana realmente desapareceu menos de uma semana depois, mas deixou os selos para controle dos cães infernais com Emma, Ororo, Logan, Danielle e Lupina. Os animais demoníacos causaram alguns acidentes nos primeiros dias devido a alguns alunos que tentaram fugir para se divertir na cidade, nada grave, embora o susto tenha sido grande no começo.
Amara, Míssil e Jubileu decidiram ajudar um pouco em uma escala para suprir as aulas ausentes de Scott e Jean, enquanto Miragem decidiu que também pegaria as aulas de Emma para aliviar a carga dela um pouco.
E sobre Danielle e Wanda…
Elas ainda estavam se instalando por completo, então foi decidido adiar o tratamento de Scott alguns dias.
As adaptações para Wanda incluíam dois cômodos, um para ela e os gêmeos e outro para as práticas de meditação da Maximoff.
Danielle também vinha com uma carga extra, uma vez que Rahne não deixaria a namorada sozinha, então as duas ainda estavam adaptando a vida pelos próximos meses à rotina do Instituto e a mudança óbvia em sua privacidade, algo que as duas prezavam mais do que qualquer outra coisa.
Mesmo assim as coisas não ficaram mais fáceis.
Assim que Ororo voltou precisou ter uma conversa séria com Emma, Logan e Hank, e ficou decidido que a loira começaria a acessar a mente de Scott para colocar pequenas imagens do dia a dia de Nate. Eles tinham esperança de que isso ajudasse na recuperação do amigo. A decisão, que foi tomada antes de falarem com as outras telepatas, aconteceu depois que McCoy precisou colocar um acesso para soro no Summers depois que o mesmo desmaiou desidratado.
Emma estava no seu escritório, revisando mais uma pilha de relatório, quando a porta abriu e Danielle entrou parecendo cansada.
—Como você vinha fazendo tudo isso? –A loira não entendeu. –Fico cansada só de sentir a pressão mental que você coloca na sua própria mente, como consegue aguentar?
—Eu tive Ororo, Hank e Logan, agora tenho você e os outros. –E apesar de não ter tirado os olhos dos documentos, a Rainha Branca percebeu que Miragem não acreditou. –Hank está de olho na minha saúde e eu aguento porque alguém precisa, então, se alguém precisa ser a vilã, por que não eu que já fui uma de verdade?
Danielle sentou na cadeira de frente para a loira.
—Às vezes você é insuportável.
—Eu sei. –O sorriso de Emma sumiu. –No entanto acho que não foi para falar da minha saúde mental que você veio.
—Não foi. –A morena bufou contrariada. –Fui com Hank visitar a Alison. –Miragem viu a loira largar os documentos e lhe direcionar toda a sua atenção. –O médico disse que a melhora dela tem sido acima das expectativas, mas... –Ela hesitou, afinal, havia uma maneira rápida ou bonita de contar aquilo sem soar cruel? –Alison não quer ver o James.
—Ela deu algum tipo de explicação?
—Se pudermos chamar assim, deu. –Danielle suspirou. –Alison diz que não se sente apta para cuidar ou conviver com o filho.
—Pelo menos ela foi sincera. –A loira se preparou para pegar os documentos que lia antes.
—E ela me pediu para fazer um pedido em nome dela. –Emma encarou a morena preocupada e deixou os documentos de lado novamente. –Ela quer que você seja a tutora legal do James e o adote.
—Logan é o pai.
—Alison apenas disse que quer que ele tenha uma figura materna forte e inspiradora, alguém que cuide dele e do seu bem estar antes de qualquer outra coisa.
—Por que as pessoas acham seguro deixar seus filhos sob os meus cuidados?
—Porque apesar da pose de CEO sexy e desalmada que gosta de exibir para o resto do mundo, você é, antes de tudo, uma professora dedicada que mataria qualquer um que ameaçasse suas crianças. Não conheço outra pessoa com um instinto materno tão forte e perigoso quanto você.
—Eu nem tenho filhos para alguém pensar esse tipo de coisa. –A Rainha Branca retrucou muito mais constrangida do que brava.
—Mesmo assim, sei que se um dia você tiver filhos, biológicos ou não, vai ser uma das dez melhores mães do planeta e essas crianças serão as mais sortudas do mundo por isso. –Danielle decidiu que aquela conversa já havia ido longe o suficiente e levantou. –Apenas pense no pedido de Alison e qualquer coisa fale com Ororo ou Hank e Logan, tenho certeza que vai confiar mais nos conselhos deles que nos meus.
E sem dizer mais nada a morena saiu da sala deixando a Frost com muito trabalho e pensamentos conflitantes.
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28 de Outubro
Emma aceitou o pedido de Alison, ainda que a própria Frost tivesse suas dúvidas quanto à sanidade da ideia.
Só que mesmo achando a ideia de ser “mãe” de James, ou qualquer outra criança, uma completa insanidade, seus amigos pareciam achar que ela era apta para a função. Não apenas Danielle como Hank, Logan (o pai desnaturado do menino) e Ororo apoiaram que a Rainha Branca era a melhor opção para mãe do pequeno.
Opinião seguida por quase todos os professores.
A exceção veio do grupo de Gambit, mas eles foram ignorados.
Agora Emma não era apenas a guardiã legal de James como sua mãe adotiva, devido ao pedido exato de Alison. Não que a Frost tivesse algum problema com aquilo, gostava de evitar problemas legais e futuros por detalhes bobos, outro motivo que a mãe biológica do pequeno Howlett a escolheu. Ser uma antiga vilã trazia certos cuidados que muitos dos que sempre foram heróis ignoravam.
Com aquela questão resolvida, a Rainha Branca se deu conta de que James e Nathan estavam cercados de adultos, a maioria mal-humorados ou atarefados, o que de forma geral não era bom para nenhum deles. Ela precisou ser criativa para resolver aquilo, o que incluía recorrer a todas as fontes de informação que tinha e, felizmente, Ororo foi de grande ajuda nesse sentido.
Já tinha gêmeos de Wanda, William e Thomas, de pouco mais de seis meses morando temporariamente no Instituto. Ninguém sabia quem era o pai dos pequenos já que a Maximoff havia deixado bem claro a todos que não falaria sobre o assunto (mesmo Pietro recebeu uma ameaça de morte bem convincente quando questionou a irmã). Não era como se Emma não se preocupasse com o que fazia a Feiticeira Escarlate agir daquela forma, mas também não era algo grave na sua opinião.
Mesmo assim Emma queria mais para as quatro crianças.
Não demorou para que os contatos de Ororo criassem uma lista de pais e mães com filhos que precisavam e queriam amigos para os filhos.
Peter Parker tinha o casal de gêmeos Benjamin e Sarah, filhos de sua falecida namorada Gwen Stacy, que criava com a ajuda da tia e de Mary Jane. Eles eram um pouco mais velhos que James e Nate, o que não chegava a ser um problema de verdade.
Hank Pym e Janet Van Dyne eram pais das crianças mais velhas, os gêmeos Joseph e Hope de cinco anos. A Vespa se sentiu muito mais animada que o marido, que vinha passando por um momento tumultuado, então a presença de mais mães e um ambiente mais leve para as crianças era ótima na opinião dela.
A pequena Jocelyn, filha de Bruce Banner e Betty Ross, era mais velha que os gêmeos Maximoff em pouco mais de um mês e poderia ser uma amizade promissora. Assim como a filha de Luke Cage e Jessica Jones, Danielle Cage, que tinha pouco mais de dois meses.
Emma não tinha certeza se todas aquelas crianças se dariam bem quando crescessem, apenas esperava dar uma oportunidade para que um grupo de apoio surgisse entre eles para o futuro. Especialmente porque a maioria teria poderes ou, no mínimo, problemas de relacionamento devido a vida dos pais, isso sem pensar naqueles que seriam gênios, como os filhos de Hank e Janet já davam indícios de serem.
E, apesar de achar que não, os outros pais tinham preocupações similares, já as crianças... Bom, elas pareciam mais interessadas em brincar umas com as outras, o que foi um alívio para todos.
Com isso resolvido e outubro terminando, o relógio para resolver o problema de Scott parecia acelerar e, apesar de já estarem trabalhando na mente do Summers a duas semanas, Emma não tinha certeza se estavam tendo progressos. Especialmente depois que o diretor da escola brigou com Fera por causa do soro que agora vivia preso ao seu braço e precisou ser sedado.
E o processo delicado de duas semanas era realmente trabalhoso para todas.
Danielle Moonstar moldava sonhos agradáveis para tentar aliviar o peso na mente de Scott, depois Emma e Wanda inseriam os sonhos na mente dele. Não eram sonhos felizes, apenas focavam em Nate e no dia a dia do Instituto, além de inserirem a presença de Jean de uma forma suave, em fotos e um quadro na sala principal.
Depois tinham que aliviar o peso dos sentimentos do Summers, um trabalho muito mais delicado e problemático, já que se fosse feito de forma errada poderia deixar danos a longo prazo na mente do homem que tentavam ajudar.
Ainda tinham que inserir as lembranças do dia de Nate com Ororo ou alguma outra pessoa, o que incluía extrair as memórias, limpá-las de sentimentos alheios e depois transferi-las para ver se Scott se conectava emocionalmente com a imagem do filho.
Passava das oito horas da noite quando o trio abriu os olhos depois de uma longa sessão de três horas lidando com a mente de Ciclope. Todas estavam exaustas, era algo que as drenava mental, física e emocionalmente, mas apenas elas conseguiam fazer sem causar mais danos do que o necessário e tinham que continuar.
—Eu vou comer. –Danielle levantou. –Depois vou ver se a Ororo precisa de alguma ajuda com os pequenos. –Ela encarou a loira. –Tente dormir um pouco mais hoje.
A Frost assentiu e Miragem saiu da sala deixando a Feiticeira Escarlate e a Rainha Branca em um longo silêncio, quebrado apenas pelo som das xícaras que a mais velha preparava.
—Chá de frutas vermelhas. –Emma colocou o recipiente na frente de Wanda. –Não tenho nada mais natural para servir, mas talvez ajude.
—Com o quê?
—Com o que você quer me falar a dias.
A morena ficou desconfortável.
Era parte do problema de Wanda em lidar com a Frost: a loira sempre sabia como fazer as pessoas falarem sobre coisas que não queriam contar a ninguém. Não era como se ela usasse seus poderes, era mais simples: Emma dava espaço, tempo e não julgava, por isso as pessoas se sentiam compelidas a contar problemas e segredos quando passavam muito tempo perto dela.
—E se eu não quiser falar? –Arriscou.
—Não fale. Só quero que saiba que a porta da minha sala está aberta se quiser. –E tudo isso foi dito enquanto a loira tinha um relatório de contas nas mãos.
Wanda levantou e foi até a porta, fechando a mesma com a chave, Emma não reagiu, apenas esperou a morena voltar e sentar na outra poltrona.
—Você nunca me perguntou quem é o pai dos gêmeos.
—Não é problema meu. –A Frost notou o olhar da outra mulher e suspirou largando o relatório. –Não me interessa com quem você transou ou não Maximoff, o que importa é se você está bem com isso e não parece ser o caso. Por isso a minha pergunta não é sobre o pai deles e sim o que te incomoda tanto para não falar sobre?
A Feiticeira engoliu em seco, falar aquilo tornaria tudo mais real do que a gravidez por si só havia sido e, mesmo que soasse estranho, tentou ignorar todas as escolhas que tinha feito desde que o médico confirmou a gestação.
—Você sabe que as coisas têm sido uma bagunça na minha vida. Descobrir meus poderes, entrar na Irmandade e sair, os X-Men e depois os Vingadores, tudo em pouco tempo e... Nem vamos falar do desastre completo que é a minha vida amorosa. –A morena estava visivelmente nervosa, mesmo assim Emma permaneceu em silêncio. –Pietro sempre foi superprotetor e não deixava ninguém se aproximar de mim na Irmandade ou nos X-Men e nos Vingadores...
—Nos Vingadores teve o fiasco com o Visão. –A loira completou. –O que não melhorou quando você se envolveu com Magnus logo em seguida, mas é compreensível.
—Compreensível?
—Você entrou na Irmandade aos quatorze? –Wanda assentiu. –Um ano e meio depois veio para os X-Men e aos dezessete já estava nos Vingadores. Você se apaixonou pelo Visão logo que o conheceu e o fato do seu relacionamento ter durado quase um ano com ele ignorando o fato de que não era capaz de realmente corresponder aos seus sentimentos foi um milagre. Se jogar nos braços do Magnus foi só uma forma de tentar superar aquela dor, o que não é algo irracional; você precisava de alguém capaz de te sentir, te ver como uma igual, mesmo que essa relação estivesse fadada ao fracasso.
—Não é como se Magnus não gostasse de mim, só não era o que eu precisava. –Wanda suspirou. –Ele me achava bonita, gostava da minha ingenuidade e senso de humor. Quando estávamos juntos ele nunca me ignorava e, na verdade, Magnus chegou a mandar o Capitão ir atrapalhar outro uma vez. –As duas riram. –Mesmo assim não deu certo e eu surtei.
—Considerando aquele tempo todo, foi um milagre você ter demorado tanto tempo para surtar, mas admito que fiquei com medo que sua raiva e tristeza destruíssem o mundo. –Não era como se Emma fosse cruel, ela só falava o que precisava. –Felizmente, você não causou grandes danos, o que permitiu que eu, Jean, Danielle e o Strange intervíssemos a tempo para te tratar da forma correta.
—Algo pelo que sou muito grata. –Wanda encarou as próprias mãos. –Ter esses poderes e problemas... Doenças psicoemocionais que tenho... –Ela encarou a Frost. –Quando eu fiquei mal, vocês não se importaram em me ajudar com tudo que tinham, fosse poderes ou dinheiro. Isso salvou a minha vida.
—E ainda assim estamos aqui, então o que houve?
—Eu tenho vinte e um anos e dois filhos!
—Você tinha acabado de fazer dezenove quando foi diagnosticada com bipolaridade e depressão crônica depois de um surto psicótico.
Wanda suspirou vencida.
Era mais fácil lidar com os julgamentos dos que com pessoas como Emma.
Aqueles que a olhavam feio era só ignorar ou gritar de volta, ficar brava ou dar um soco.
Emma?
É difícil ficar brava ou bater em quem te escuta e não acusa de nada, só mostra compreensão e até apoio.
—Você não vai perguntar como os gêmeos aconteceram?
—Você transou com alguém Wanda, foi assim que eles aconteceram. –A Frost notou a irritação da Feiticeira. –Olha, a não ser que me diga que dormiu com seu pai ou seu irmão...
—Que nojo! –A morena gritou.
—A não ser que me diga algo do tipo, eu dificilmente vou ficar surpresa. Então, quer me contar o que aconteceu ou vamos esperar até eu decidir ir dormir?
Wanda respirou fundo tomando coragem, porque mesmo sabendo que não havia feito nada de errado, sempre tinha aquela voz maldosa em sua mente que a recriminava.
—Depois do surto eu comecei a fazer terapia e um acompanhamento regular, com os medicamentos e tudo mais, só não me dei muito bem com a terapia de grupo, a minha psicóloga disse que não eram todos que conseguiam. –A morena ainda estava desconfortável. –Depois de uns três meses a terapeuta sugeriu que eu começasse a sair para conversar com pessoas aleatórias sobre assuntos sem muita importância. Ela disse que era um exercício para eu socializar e ao mesmo tempo praticar desapego, sem criar vínculos ou expectativas sobre esses momentos. Segundo ela eu tenho pouco ou nenhum bom histórico com as duas coisas.
—Não posso dizer que ela está errada, e a ideia em si parece interessante.
—É. O problema é que eu comecei a dormir com alguns desses estranhos. –E Emma finalmente viu o que incomodava Wanda. –No começo não era sempre, só umas duas vezes por semana e eu achei que não seria um problema, só que não demorou para eu ir pra cama com estranhos a semana inteira e até com mais de um no mesmo dia. Claro que as coisas pioraram.
—Falou disso com a sua terapeuta?
—No começo. Depois fiquei com raiva da bronca, medo do julgamento e vergonha de falar.
—Você disse que piorou, como?
—Eu devo ter amanhecido na cama com mais de um cara pelo menos umas dez vezes. –A Maximoff não olhava para a loira. –Não fiz questão de lembrar de nenhum nome ou rosto, os detalhes por outro lado são bem claros.
—Você estava bebendo?
—Não. Eu sempre estava sóbria.
E Frost finalmente entendeu.
—Você estava tendo outro surto. –A morena assentiu. –Sinto muito Wanda. Eu devia ter ficado de olho na sua situação ou pe...
—Não é sua culpa Emma. Todos vocês têm vidas e problemas para lidar, mesmo assim nunca fecharam uma porta ou deixaram de me ajudar, mesmo que financeiramente pagando meu tratamento. Foi mais do que meu pai e irmão fizeram ao negar que eu precisava de qualquer ajuda.
—Então você não faz ideia de quem possa ser o pai dos meninos.
—Ou pais. Nada garante que eles sejam filhos do mesmo homem.
A loira percebeu que aquela possibilidade parecia atormentar a Feiticeira um pouco mais do que o resto da história.
—Podia ser pior Wanda. –Ela se resignou a uma palavra amiga.
A morena engoliu em seco, lembrando que tinha mais um detalhe.
—Na verdade... Eu sei o nome de um dos possíveis pais.
—Pela sua cara eu não sei se quero saber.
—Stephen Strange.
Emma levou alguns segundos para digerir aquela informação.
—Espera! –Ela encarou a outra mulher confusa. –Por isso ele estava tão nervoso quando fez o seu parto? –A Maximoff assentiu. –Certo, me explica como isso aconteceu.
—Teve uma festa no Sanctum, foi a única vez que bebi alguma coisa, mas tenho certeza que ainda era a pessoa mais sóbria do lugar. Um dos magos novatos tentou me beijar a força e o Stephen deu um soco nele dizendo “a moça disse não”, ele estava muito bêbado. –Wanda riu da lembrança, o que deixou Emma curiosa. –Ele contou as piores piadas que já ouvi e me fez companhia depois que outro engraçadinho também tentou me beijar. Acho que foi por isso que eu acabei tomando a iniciativa.
—Você o beijou.
—O Stephen retribuiu. Aliás, ele beija bem. –As duas riram do comentário. –A gente transou várias vezes naquela noite e eu amanheci na cama dele.
—Se ele estava tão bêbado quanto você disse, o susto deve ter sido grande.
—Nos primeiros três minutos foi, mas depois ele lembrou de tudo ou quase isso. –Wanda sorriu. –Stephen ainda jura que não lembra das piadas, eu acho que ele só sente vergonha por elas serem horríveis.
—Tirando as piadas. –Emma estava achando todas as reações da morena muito interessantes. –Como ele reagiu?
—Ele ficou um pouco constrangido no começo e preocupado por ter sido um idiota, o que não fazia sentido. –A Maximoff ficou envergonhada. –Eu acabei passando o dia lá e transamos mais algumas vezes. –A Frost riu. –O cara é bom de cama, muito melhor do que a maioria dos outros com quem tinha transado antes.
—Tudo bem. –Emma respirou fundo contendo a risada. –Então ele pode ser o pai dos gêmeos.
—Ele e outros dez caras com quem saí na época. –A morena suspirou. –Ele soube na hora que poderia ser o pai e mesmo quando admiti que não fazia ideia de quem era, Stephen apenas me apoiou e disse que ia fazer o que eu decidisse. Ele até disse que quer fazer o DNA, mas que independente do resultado quer me ajudar com o William e o Thomas.
—E o que vai fazer?
—E... Eu não sei. –Emma notou que as mãos de Wanda tremiam. –Tenho medo do resultado dar negativo e ele se sentir livre para não olhar mais na minha cara, o que é horrível da minha parte, porque Stephen poderia muito bem ter ignorado tudo. Só que também tenho medo de que se o resultado for positivo ele se sinta na obrigação de ficar comigo.
As duas ficaram em silêncio por cerca de cinco minutos enquanto a morena se acalmava um pouco.
—Se não sabe o que fazer, meu conselho é que não faça nada. –Wanda encarou a loira surpresa. –Diga ao Stephen tudo o que me disse sobre o como se sente a respeito do DNA e deixe claro que não duvida dele, só não consegue fazer isso agora. –A morena assentiu. –Caso o Stephen diga que precisa de algum prazo limite para fazerem isso, peça que ele escolha. Quanto maior o prazo, mais ele se importa que você esteja confortável, quando menor...
—Entendi. –E de algum modo Emma sabia que a Feiticeira estava mais calma.
—Sobre o seu surto, como estão as coisas?
—Eu estou conversando mais com a minha terapeuta. Logo que descobri a gestação entrei em desespero e ela me atendeu praticamente todos os dias por uns dois meses; passamos a fazer três sessões por semana e a quinze dias passamos para duas sessões semanais.
—Voltou a sair?
—Com os gêmeos para cuidar? Acho um milagre conseguir dormir e comer. –Wanda suspirou. –Não, não voltei a sair ou a ficar com ninguém. –Ela parou e logo fez uma careta culpada. –Eu transei com o Stephen algumas vezes durante a gestação.
—Aumento de libido. –A morena concordou. –Isso é normal. Fico surpresa mesmo dele ter concordado. Conheço casos de homens que tem dificuldade de ter sexo com as esposas durante a gestação, então considerando que vocês não tinham nenhum vínculo mais profundo isso é curioso.
—Ele não parecia ter problemas com a barriga ou qualquer outra coisa. Sendo bem sincera, o Stephen parece ter mais problemas com a diferença de dez anos entre nós.
As duas riram e Emma sorriu.
—Mais tranquila agora?
Wanda hesitou.
—Um pouco.
—E o que ainda te incomoda?
—Essa voz me chamando de vagabunda todos os dias.
—Ignore. –A morena ficou surpresa. –Apenas ignore isso. Outras pessoas, incluindo muitas mulheres, já tomaram decisões erradas antes e, no seu caso, você tem vinte e um anos, um histórico de vida nada estável, além de nem ter começado a realmente lidar com a sua doença e todas as implicações que ela traz. Você já se deu conta de que surtou duas vezes em um ano? –A Maximoff assentiu um pouco confusa. –Só porque seu segundo surto por algum motivo te fez sair transando com um monte de gente isso não te faz uma vagabunda.
—Minha terapeuta disse que eu entrei em algum tipo de espiral descendente de autodepreciação e destruição porque não me considero boa ou digna de ser amada. –Wanda comentou um pouco triste. –Não posso dizer que ela está errada.
—E eu não sei opinar, não é minha área e meu ponto é outro. –A Feiticeira encarou Emma. –Agora você tem prioridades muito claras e definidas. Sua saúde e autoestima, o que inclui aprender a lidar com a sua doença, e seus filhos, que vão precisar de tudo de você e mais um pouco. –A Frost levantou e ajoelhou na frente de Wanda segurando a mão da mais nova. –O resto, seja seu pai e irmão, quem pergunta sobre quem é o pai dos gêmeos e mesmo o Stephen, nada disso é a sua prioridade, entendeu?
—Mesmo se eu disser que não posso ajudar com o Scott?
—Até isso.
Wanda engoliu em seco.
—Entendi. –Ela sorriu para Emma. –E só pra saber, eu vou ajudar com o Scott. –A morena ficou envergonhada. –Ficar no Instituto, conversar com você e a Ororo sobre coisas normais, te ajudar com o diretor e cuidar dos gêmeos tem me feito bem, além de ajudar a me esquecer dos outros problemas.
—Eu entendo. Só peço que esclareça as coisas com o Stephen para o bem de ambos.
—Eu vou.
—Ótimo. Agora vamos jantar, eu ainda preciso de um banho antes de ir dormir e tenho certeza que a ‘Ro precisa de ajuda com as crianças a essa hora.
Wanda concordou com Emma e as duas fizeram exatamente o que a Rainha Branca disse.
Ainda tinham tempo.
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Continua...
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No próximo capítulo: Dias de Um Passado Distante. — Parte 3.
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